LIKE Crônicas de Paragon- contos
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“Você não pode perder essa eletrizante aventura! Uma galerinha da pesada, vivendo altas aventuras, muita azaração e se metendo numa confusão atrás da outra. Essa turma vai aprontar tanta confusão que até os Elder Dragons duvidam“.

Uma historia criada com os membros da guilda Holy Avenger, mistério, suspense, aventura, amor e muito humor, nesta grande saga, leia a prévia da historia e os capítulos lançados a cada 10 dias.

  • Crônicas de Paragon

Gênero: Ficção

Esse romance narra a história dos membros da guild Holy Avenger quando esses, após a conquista do guild hall, encontram nas ruínas do local textos antigos.

Autor: Alexandre Cordeiro

Capitulo 1 - suspeitas O recinto parecia mais frio enquanto sentado a frente da mesa Alexian Kallamar líder da guilda Holy Avenger e comandante do Pacto folheava os textos antigos encontrados nas ruínas. Ainda não havia se acostumado ao novo lar, Lost Precipice, embora tivesse sido um acréscimo valioso para a guilda, ainda assim algo o incomodava na Guild Hall. Achou mais de uma vez não estar sozinho no salão, e a sensação de estar sendo observado não acabava, tinha consciência que um lugar como este possivelmente existiriam espíritos atormentados, porém a presença que sentia era muito mais forte que um reles fantasma , mesmo os fantasmas de Ascalon nunca o haviam incomodado desta maneira, o que sentia era como uma angustia que apertava o peito e crescia cadenciadamente até chegar a um ponto que era obrigado a se levantar e caminhar para que a sensação suavizasse.

Neste momento ele ouviu um barulho de passos, tirando Alexian de suas conjecturas, e ao olhar na direção da porta encontrou seu Magister Isaty entrando por ela, Isaty ergueu uma sobrancelha já imaginando do que se tratava, apertou a mão de seu Marshall e falou:

  • Sentindo arrepios da nuca até o Cóccix novamente senhor? Disse ele com um sorriso travesso no rosto. Usar humor era uma estratégia empregada por Isaty para aliviar horas de tensão. Algo que seus companheiros de guilda apreciavam. Isaty era como uma luz no fim de um túnel muito longo e escuro.

  • Às vezes fico imaginando o que faria seu humor acabar Isaty.

-Seria necessário algo pior que Zhaitan e Mordremoth juntos senhor. Mas mudando de assunto, descobriu o que os textos antigos dizem?

  • Tenho minhas suspeitos, convoque uma reunião da conclave.

Continua…

http://www.holyavengerguild.com.br/cronicas_de_paragon_capa.html

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Capitulo 2-Reunião

Alexian havia convocado a conclave, a reunião dos lideres da guilda Holy Avenger, para discutir suas suspeitas a respeito dos textos antigos. Estavam presentes quase todos os membros principais, estavam lá Isaty, o revenant, com seu humor afiado, a segunda em comando e esposa Ashira a elementarista, Remmy o guardian especialista incursões, Irikami estrategista e guerreiro, o enigmático Ihara o único membro da guilda que não falava o idioma local, a única pessoa que servia de interprete ao dialeto usado por ele era Ashira, por causa de suas pesquisas a culturas exóticas e civilizações antigas, como membro da Durmont Priory era algo quase obrigatório no ponto de vista dela. Estavam lá também Corvo o necromante, era nosso contato direto com nossos informantes mortos, embora lidasse constantemente com a morte sempre foi uma pessoa boa e prestativa, Ledox o revenant do grupo principal de assalto, seguido de Zelos e Profeus ambos guerreiros experientes, Celes a ranger e rastreadora, Megan a cronomancer, Thalita a druida, Salvatore, Athriel, Japo, Ashie a Sylvari, Hell of Ormack, Déia, Brendew dentre muitos outros. As ausências existentes eram devido a membros em missões especiais ou em repouso, devido a ferimentos adquiridos em missões. Entre eles estavam Shurei e Kim, irmãos unidos e letais, especialistas em infiltrações, espionagem e assassinatos e acima de tudo membros fundadores da guilda.

A conclave se reuniu em volta da távola redonda, um conjunto de mesas que formavam um circulo perfeito, simbolizando não haver diferenças entre nenhum dos integrantes. Alexian sacou sua espada e a colocou sobre a mesa e anunciou o inicio da Conclave, todos os integrantes repetiram o gesto, este era outra tradição da guilda, para demonstrar respeito e imparcialidade dos membros, todos deviam colocar suas armas sobre a mesa a sua frente, e ela só deveria ser retirada ao fim da conclave.

  • Agradeço a todos que atenderam meu chamado o mais rápido possível, sei que muitos de vocês se encontravam descansando ou em missões particulares, porém o que tenho para dizer não podia esperar, é necessário tomar uma decisão, e esta decisão deve ser aceita por todos os membros por unanimidade.

As palavras de Alexian deixaram o local com um clima tenso, poucas vezes os membros da guilda haviam visto seu líder se expressando de maneira tão formal e direta, os textos antigos em sua mão tremiam involuntariamente. Alexian colocou os textos sobre a mesa e encarou cada um dos companheiros de guilda nos olhos, como sempre acontecia nenhum deles desviou o olhar.

  • Bom. Pensou ele, mesmo diante da tensão, expectativa e receio que havia criado nenhum membro demonstrou medo, isso era o que mais impressionava Alexian, nenhum de seus companheiros demonstrava fraqueza, sabia que se pedisse para marcharem com ele para o mundo inferior de Grenth nenhum se recusaria, eles não eram somente sua guilda, seus soldados, eram acima de tudo sua família.

  • Senhor, embora todos aqui adoremos apreciar sua beleza, acredito que gostaríamos todos de saber o motivo de estarmos aqui. Disse Isaty com um sorriso no rosto.

  • Conheço risens mais bonitos que nosso amado líder. Provocou Ledox.

  • E alguns trolls mais inteligentes também. Comentou casualmente Ashira aparentemente folheando um livro, que provavelmente seria em língua muito antiga com conteúdo complicado demais para não membros da Priory, como ela sempre gostava de comentar.

  • Isso sem falar de Silvarys com senso de moda mais apurados que nosso líder. Rebateu Isaty.

  • Eiii!!! Como assim?? Eu sou uma Sylvari e tenho ótimo senso de moda. Protestou Ashie ficando parcialmente florescente.

  • Por favor, você veste uma flor! Fico imaginando se é preciso você ficar dentro de um vaso com adubo a noite enquanto dorme. Falou Isaty, irritar Sylvaris não era de maneira alguma maldade, era mais uma forma de demonstrar que eles eram humanos, como qualquer outra raça. Desde o incidente com Mordremoth os Sylvaris se tornaram ainda mais melancólicos e distantes,havendo necessidade de fazê-los expressar seus sentimentos, mesmo que seja raiva.

  • Será que vocês já acabaram com as gracinhas? Falou Alexian apoiando as duas mãos sobre a mesa.

  • É só para descontrair senhor.

  • O assunto é muito sério para brincadeiras Isaty, o que vou contar para vocês pode mudar os rumos desta guerra que travamos contra os Elder Dragons.

Ao dizer estas palavras todos silenciaram, novamente a tensão na sala retornou, o silêncio se prolongou por alguns segundos, até ser quebrado por um estampido, seguindo por outros dois.

  • O que foi isso? Que som foi esse? Indagou Remmy que se encontrava calado até o momento.

  • Translocação, alguém está se teleportando a curta distancia. Disse Ashira se levantando da cadeira e pegando sua adaga sobre a mesa.

Neste exato momento outro estampido soou bem no centro do salão, sobre a mesa em frente à Alexian, um vulto mascarado e vestido de preto atacou com uma espada curta, visando a garganta, um movimento rápido, que teria sido letal, porém os reflexos de Alexian unidos as suas habilidades de guardian o salvaram. Alexian ergueu o braço direito a tempo de invocar a barreira mística, o golpe da espada foi refletido jogando o assassino para trás, que girou em uma cambalhota, aterrissando na parede externa, e em seguida desaparecendo ao som de um novo estampido.

  • Por Baltazar e seus cão infernais, o que foi isso? Falou Ledox levantando-se apressadamente derrubando a cadeira no chão, gesto que foi repetido por outros membros.

  • Um assassino, sem dúvidas, e com a intenção de me matar. Disse Alexian com a mão sobre a espada.

  • Ou um ladrão muito esperto e ardiloso. Disse Isaty pegando suas espadas.

  • E porque acha isso? Indagou Alexian com um semblante sério.

  • Por que os textos antigos sumiram da mesa senhor.

  • Vamos rápido atrás dele, a translocação só o teleporta até 12 metros do ponto de origem, e ele não pode fazê-lo indefinidamente, ou isso irá desgastá-lo demais. Disse Ashira conjurando um servente elemental do ar.

  • Lost Precipice possui apenas quatro rotas para uma única saída, vamos nos dividir em 4 grupos e procurar em todos os lugares, ele não conseguirá fugir sem passar por todos nós. Remmy, Isaty e Ihara serão os lideres dos grupos norte, oeste e sul, eu irei com meu grupo para leste. Alexian saiu do salão acompanhado seu grupo formado por Irikami, Athriel, Zelos e Ashie.

Isaty se dirigiu para oeste acompanhado de Thalita, Corvo, Hell of Ormack e Japo. Remmy foi para o norte com Ledox, Celes, Profeus e Megan. Ihara foi para o sul acompanhado de Ashira, Deia, Salvatore e Brendew.

  • Onde procuramos primeiro? Perguntou Irikami?

  • O porto. Duvido muito que nosso ladrão tenha entrado aqui pela porta da frente, ele deve ter vindo em um pequeno barco pelo rio subterrâneo, atrairia menos atenção.

  • Acho que vi algo se movendo lá embaixo. Falou Athriel.

  • Se apressem, não podemos perde-la de vista.

  • Perde-la?

  • Sim, é uma mulher que estamos caçando, e acredito que sei quem é.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 3-Traição

Enquanto isso no lado oeste o grupo de Isaty percebe algo estranho, vários ajudantes do Guild Hall encontravam-se desmaiados, Isaty se aproximou de um deles, um faxineiro, e checou seu pulso.

  • Ainda está vivo, mais o pulso está fraco, precisamos remover essas pessoas para a ala hospitalar o mais rápido possível.

  • Vai levar muito tempo, vamos perder a pista do ladrão, disse Hell Ormack.

  • Salvar essas pessoas é mais importante, agora mexam essas bundas gordas!

Lado norte

Remmy e seu grupo subiam as escadas correndo o mais rápido possível. Como sempre Remmy estava calado, ele gostava de estudar cada palavra antes de dizê-las, não podia dar-se ao luxo de errar, sempre foi assim, por toda a sua vida. A dívida que possuía com a guilda não o permitia cometer erros, o débito deixado por sua família era grande demais para que ele cometesse outra falha que jogaria a honra do nome da família de vez na sarjeta.

  • Remmy, você me ouviu? Perguntou Ledox.

  • Desculpe… eu me distrai em pensamentos. O que você disse? Ele perguntou constrangido e imaginando que deveria parar de divagar em pensamentos, porque estava prejudicando suas capacidades.

  • Eu disse que não acredito que o ladrão tenha vindo por aqui, seria a volta mais comprida até a saída. Remmy concordava com esse pensamento, porem o ladrão poderia ter pensado o mesmo e pego este caminho justamente com o objetivo de despistar. Neste momento o local começou a escurecer, em poucos segundos a área de doze metros quadrados encontrava-se completamente em trevas. Remmy ouviu Japo gritar, logo em seguida foi vez de Megan.

  • O que esta acontecendo? Ledox perguntava em posição de combate, porem sem saber o que esperar em meio à escuridão.

A total escuridão, além de desorientar por completo a locomoção, estava dando a sensação de aumento de densidade, o corpo estava ficando mais pesado, segurar a espada e o escudo tornava-se cada vez mais uma tarefa penosa. Outro membro do grupo gritou, a voz foi reconhecida como sendo de Profeus, ficando em silencio após isso.

  • O que vamos fazer Remmy? Se tentarmos andar nesta escuridão, corremos o risco de cair do precipício. Disse Ledox.

Remmy sabia disso, estava receoso de usar a única saída para escapar desta armadilha. Quando o último membro de seu grupo gritou, ficando em silencio logo depois, Remmy não teve escolha, deixou cair espada e o escudo no chão e sacou o arco prateado das costas, não queria usá-lo, não havia treinado o suficiente para que não ocorressem falhas, mais era preciso usar a especialização. Remmy ergueu o arco para o ar e esticou a corda imaginária, ao fazer isso uma flecha de luz surgiu, clareando menos de meio metro do recinto, porém foi o suficiente para distinguir seus companheiros caídos no chão cercados de minions, ratos do purgatório, servos de necromantes. Remmy disparou a fecha para o alto e ela estourou criando um lampejo que dissolveu a escuridão, as partículas da flecha se transformaram em setas que perfuraram os minions, mas erraram seus companheiros por centímetros, os minions foram destruídos pelo golpe impecável. Remmy correu para os amigos, tentando desperta-los, porem neste momento uma enorme sombra surgiu atrás dele. Lado sul

Ihara avançava devagar com seu grupo pela área comercial do guild hall, o motivo da cautela era que todos os comerciantes estavam desmaiados, agora era fato comprovado que o ladrão não estava sozinho, Ashira verificou os sinais vitais de um dos comerciantes e em seguida lançou uma nuvem de partículas de água curativas sobre eles.

  • Isso os manterá instáveis enquanto procuramos o ladrão e seus cúmplices.

Ihara acenou com a cabeça e falou algo em sua língua mãe, Ashira assentiu e traduziu as ordens.

  • Ihara nos mandou ficar em formação circular, assim não seremos pegos pelos francos.

Formação circular consistia dos membros ficarem um de costa para o outro, desta maneira poderiam vigiar todas as direções sem expor a retaguarda.

  • Eu ainda não entendo como alguém poderia ter descoberto sobre os textos, só os membros da guilda sabiam sobre ele. Disse Brendew, mais para aliviar a tensão do momento.

  • Acho que você acaba de responder a sua própria pergunta Brendew, ninguém de fora da guilda saberia. Falou um vulto em trevas vivas, exalando nuvens tóxicas verdes, em sua mão uma foice negra, e sobre seus pés dezenas de minions carregando o corpo inerte de Remmy.

  • Kim… Ashira pronunciou o nome, mastigando cada letra devagar e serrando os dentes.

  • É um imenso prazer revê-la novamente Ashira, é uma pena que o nosso encontro será breve.

  • Kim, como pôde? Pensei que fossemos seus amigos? Disse Deia desconcertada, ela não podia acreditar que alguém pudesse trair uma amizade deste jeito.

  • Amizade é um conceito muito abstrato, é um subproduto criado para justificar pedidos sem propósito a outras pessoas… e não me chame de Kim, meu nome é Hessui Deadcaller, a única pessoa com permissão para me chamar de Kim é minha irmã!

  • Kim, porque esta agindo como um sociopata?

  • Sociopata? Gostei da definição Ashira, acredito que você irá apresentá-la a Priory para que esta palavra seja adicionada ao idioma local.

  • Então você se lembra da Durmand Priory, se lembra que faz parte dela? Porque esta fazendo isso?

  • Porque existem coisas mais importantes que conhecimento Ashira… as palavras foram ditas com desprezo e amargura, ainda mais do que Ashira estava acostumada a ouvir da boca de Kim.

Lado leste

O grupo liberado por Alexian saiu em disparado pelo lateral do precipício, desceu a escada de pedra saltando de três em três degraus. Quando chegaram do porto viram um pequeno veleiro ancorado e deduziram automaticamente que foi por ali que o ladrão se infiltrou.

  • Não vejo mais nenhum movimento, ela deve está se escondendo.

  • Alex… espere, e me diga quem você acha que é o ladrão. Disse Irikami segurando o braço do líder e mostrando uma carranca.

  • Acho que você também já sabe Irikami, quando mais cedo aceitar isso, melhor será.

-Não! Não acredito, e não aceito! Cuspiu as palavras Irikami, a raiva começando a dominá-lo.

  • Pois acredite Iri, e é melhor vocês saírem da frente do meu barco, ou juro que mato todos vocês.

A jovem estava em pé encima de uma pilastra, ela não estava mais mascarada, os cabelos soltos balançavam levemente com a brisa do vento. Em suas mãos duas adagas, em seu cinto uma espada curta e duas pistolas, nos bolsos ocultos provavelmente várias outras armas escondidas, essa era Shuurei, a infiltradora, a espiã, a assassina, e agora a traidora da guilda Holy Avenger.

Lado sul

  • Kim, espero que para o seu próprio bem Remmy e os outros estejam vivos. Disse Ashira com o scepter e a adaga nas mãos.

  • Ainda estão vivos, disse Kim. Porem com uma sonoridade na voz que queria dizer que não estariam por muito tempo.

  • O que espera ganhar com isso Kim?

  • Tempo! Ele respondeu sem rodeios.

  • Para sua irmã fugir? Sim, eu já sei que foi ela a ladra, ninguém mais teria o talento, nem o conhecimento sobre o Guild Hall e os textos antigos.

  • Senti uma pontada de magoa e decepção em sua voz Ashira?

  • Sim, sentiu. Sempre os considerei com meus filhos, e Alex também.

  • Vocês não são nossos pais! Gritou Kim a nuvem tóxica se alastrando pela área, assim como seus minions, Ihara saltou para trás, disparando flechas como vento neles, seu falcão atacou a sombra viva que Kim havia se tornado, mas o ele caiu inconsciente no chão envenenado.

Os minions avançavam ginxando e explodindo, aumentando a nuvem tóxica, Ashira lançava nuvens de chuva curativas anulando a toxina na mesma proporção que era criada, Brendew e Salvatore partiram para a luta corpo a corpo, a foice girava e era aparada pelas espadas, um liquido verde escorrendo da lamina e respingava nos dois, mesmo com o contrafeitiço da toxina, seus músculos estavam começando a ficar dormentes e a visão embaçado, Deia tentava atingi-lo com suas flechas, mais vários minions saltavam na frente delas desfazendo se em gases venenosos. Ihara gritou algo para Ashira, novamente algo que só ela havia entendido, e isto dessa vez seria uma vantagem. Ashira pensou que era loucura o que Ihara havia mandado fazer. Porem ela não tinha escolha, se pretendia subjugar Kim sem ter de matá-lo. Ashira jogou a adaga no chão e apanhou a warhorn do cinto, já havia treinado e estudado exaustivamente a especialização, seu medo não era não saber usar suas novas habilidades e sim o efeito destrutivo que ela poderia causar. Ela sobrou o warhorn com toda a força, seus olhos soltaram faíscas incontrolavelmente, agora ela entendia o grau de destruição que esta especialização podia causar, a possibilidade de mesclar elementos era algo poderoso demais, invocando água e eletricidade ao mesmo tempo uma gigantesca descarga elétrica percorreu toda a área, a toxina em forma de vapor somada as nuvens de água serviram de condutor ampliando a potencia do choque, Kim assim como todos os presentes exceto Ashira que era imune, receberam uma gigantesca descarga elétrico, porem Kim em sua forma de sombra espectral pareceu levar a pior parte, o ataque o fez voltar à forma humana e a arremessou para alem do precipício, ele caiu aparentemente desacordo em um mergulho mortal.

Lado leste O que fazer? Era o pensamento de Alexian, como subjugar uma assassina altamente treinada sem matá-la. Ele tinha um plano, talvez um dos piores que já teve, porém talvez fosse a única alternativa de deter Shuurei sem ter de matá-la. Irikami começou a gritar feito louco, aparentemente ele não estava reagindo bem a notícia de que Shuurei era uma traidora.

  • Você perdeu o juízo de vez? Será que vou ter de subir ai em cima e sacudir sua cabeça até recuperar a razão? Gritava Irikami com tanta raiva que os outros não sabiam se era raiva dela ou dele próprio por não desconfiar de nada até o momento.

  • Iri, eu não lhe devo nada, nem explicações, vou repetir o que falei, saiam da frente do barco e me deixem partir, ou juro que todos vocês vão morrer, sem exceções. Ela falou olhando especialmente para Irikami.

  • E o que me diz de Alice, o que acha que ela vai fazer quando descobrir?

Irikami notou um segundo de hesitação no olhar de Shuurei, ele sabia que usar o nome da irmã era jogo baixo, porém se lembrou do velho ditado, “ no amor e na guerra vale tudo”.

  • Ela… ela não tem nada a ver com isso!!! Shuurei gritou ficando vermelha de constrangimento.

  • Agora Alex! Gritou Irikami.

Alexian invocou as correntes místicas, porém Shuurei mesmo aturdida por um segundo conseguiu translocar, o estampido soou mais uma vez e ela apareceu bem no meio do grupo, uma das mãos foi para o chão e ela ergueu o corpo realizando um giro de 360 graus atingindo Alexian e Irikami no peito com dois poderosos chutes, a manobra quebrou a formação do grupo que se afastou, ao ver essa brecha na defesa Shuurei não desperdiçou a oportunidade, concentrou seu KI e criou três cópias sua, agora que o número de oponentes subiu para quatro e sem saber qual delas era a verdadeira a situação havia se agravado ainda mais. Shuurei e suas cópias atacaram sem dar um segundo se quer para que Alexian e seu grupo reagissem, todos estavam na defensiva. Após alguns segundos era evidente que se algo não fosse feito rapidamente eles seriam derrotados por ela, porque mesmo na defensiva Shuurei ocasionalmente conseguia feri-los de raspão com suas adagas e era fato mais que sabido por todos que Shuurei e seu irmão eram mestres no uso do veneno. Como que adivinhado por todos, os músculos começavam a ficar dormentes nos locais feridos, este era o primeiro sintoma do veneno agindo no organismo, vertigem, seguido de dores na cabeça logo iria começar, era essencial fazer algo, e rápido. Shuurei saltou atingindo os dois pés no peito de Zelos jogando-o no chão, o impulso conseguido pelo golpe a fez dar uma cambalhota para trás, à fazendo parar no convés do barco, era óbvio que esta era a verdadeira, as cópias pararam em frente ao barco protegendo a mestra da investida do grupo.

  • Acho que terminamos por aqui, seria melhor que vocês voltarem para o salão e providenciarem o antídoto ou não terão tempo de anular o efeito do veneno a tempo.

  • Esta preocupada conosco Shuurei?

  • Por que se incomodar com isso? Falou Alexian.

Novamente o olhar de hesitação surgiu, ela não queria fazer o que estava fazendo, então porque da traição? Alexian pensava, enquanto mais pensava, mais chegava a conclusão que só teria uma oportunidade de deter Shuurei, e também tinha consciência que isso iria matá-lo. Alexian sorriu e pensou nas palavras de seu instrutor. “Hoje é um bom dia para morrer, como qualquer outro". Alexian olhou para o lado e sussurrou para Irikami:

  • Irikami, como anda seu fôlego?

  • Como é que é? Ele respondeu sem entender a pergunta a principio, segundos depois a compreensão o atingiu como um soco no estômago e adivinhou o que Alexian faria. Alexian invocou o escudo místico, seguido da espada, da hammer e do arco, as armas místicas pairavam flutuando em volta dele esperando seu comando para agirem , em seguida correu em direção ao barco com as armas místicas o seguindo, Shuurei se surpreendeu por um segundo apenas e ordenou mentalmente a suas cópias atacarem, as armas místicas tentavam impedir as cópias de pararem Alexian, porém elas o atingiam com as adagas e espadas curtas, no abdômen, costelas e peito, vários golpes letais, no último segundo Alexian invocou as asas místicas de Paragon conseguindo impulsão e velocidade para arremessar as cópias para longe, ele planou e caiu no convéns diante de Shuurei, ele havia atingindo seu objetivo, porém Shuurei não se abalou e o perfurou com a espada curta, a lamina penetrou até o cabo no peito do líder.

  • Você ficou louco? Shuurei perguntou. Alexian a olhou com ternura paterna e disse.

  • Que tipo de pai eu seria se deixasse você fugir sem conseguir ajudá-la.

As palavras novamente a abalaram, tempo suficiente para as algemas místicas prenderem os dois ao convéns, enquanto Shuurei tentava se desvencilhar das correntes, um gigantesco hammer místico se materializou em cima do barco, descendo logo em seguida a uma velocidade gigantesca, ele atingiu o convéns partindo o barco ao meio, tanto Alexian, quanto Shuurei foram jogados na água e afundaram em meio aos destroços. Imediatamente Irikami saltou nas águas mais rápido que um raio, segundos depois os outros pareceram sair de um transe de espanto e o acompanharam, momentos depois Irikami retornou com Shuurei nos braços desmaiada, enquanto Athriel e Zelos traziam Alexian inconsciente, Ashie olhou para ele e disse mudando a cor da pele para branco florescente:

  • Ashira não vai gostar nada disso.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 4-Culpa Ele não sabia quanto tempo havia ficado desacordado, isso era um fato. Estava todo enfaixado do tórax ao peito e ao olhar para o lado sabia que estava encrencado. Ele pensou por um momento que talvez não teria sido melhor se tivesse morrido, Ashira estava sentada ao lado da cama com as pernas cruzadas e os dedos das mãos entrelaçados, ela olhava para Alexian com um olhar cortante de raiva.

  • Imagino que estava com a intenção de se matar e deixar todas as responsabilidades da guilda sobre meus ombros, não é mesmo?

  • De maneira nenhuma querida. Espero que compreenda porque tiver de fazer o que fiz.

Ashira continuou a olhar fixamente para Alexian, após alguns segundos o rosto suavizou dando lugar a tristeza, ela se levantou e o abraçou. O ato o surpreendeu, Ashira era uma pessoa que sabia controlar suas emoções, vê-la quebrar algumas barreiras era algo raro.

  • Desculpe, não tinha a intenção de preocupa La. Eles ficaram abraçados por alguns momentos até ouvirem um pigarro.

  • Uh, Uh, desculpe por interromper senhor… Por acaso é hora do abraço em grupo? Disse Isaty sorrindo.

  • Não, por favor, não! Negou Alexian rapidamente.

  • Que pena, eu vim aqui para informar que todos estão bem, e dizer a Ashira que suas convidadas chegaram.

  • Convidadas? Alexian perguntou curioso.

  • Depois eu lhe explico, agora você tem de repousar.

  • De maneira alguma, preciso interrogar Shuurei!

  • Alex, você precisa saber que Kim também estava envolvido.

    Embora Alexian já desconfiasse disso, a confirmação foi como uma bofetada em seu rosto, ele e Ashira consideravam tanto Shuurei e Kim como filhos. Filhos problemáticos e letais é fato, mais mesmo assim filhos.

  • Mais um motivo para que eu vá vê-los. E quem você chamou Ashira?

  • Certo, espere um minuto que vou lhe contar tudo.

No salão principal do guild hall, alguns membros da guilda discutiam a respeito da traição dos irmãos, conversa que não estava agradando em nada Irikami, ele estava apoiado em uma coluna de pedra com os braços cruzados, ele sabia que uma grande tempestade estava se aproximando, uma tempestade que logo chegaria ao guild hall, e sabia que quando chegasse nada, nem ninguém conseguiria pará-la. Esta tempestade tinha um nome, e seu nome era Alice Lacy, sua irmã!

Quarto de Alexian e Ashira

  • Não! Absolutamente não, inegavelmente e completamente não! É uma péssima idéia.

  • Pior que a sua de tentar se matar?

  • Touchê!

  • Cala a boca Isaty!

  • Shuurei e Kim sempre foram instáveis, você tem consciência do que essas duas mulheres vão fazer com eles?

  • Tenho, e já a aprovei, só falta sua aprovação.

Alexian refletiu por alguns minutos, e não vendo alternativa consentiu.

  • Tenho sua palavra que poderei interromper o interrogatório se achar necessário?

  • Tem.

  • Já cometi um erro de julgamento uma vez com eles, espero não estar cometendo outro. Elas estão autorizadas a interroga-los, mais eu irei junto.

  • Muito bem, se não tem jeito de fazê-lo ficar na cama, afinal não posso amarrá-lo nela.

  • Eu poderia amarrá-lo se você me permitisse Ashira querida. Disse Isaty com os olhos brilhando de expectativa.

Ashira parou por um segundo como se refletisse na idéia, logo em seguida respondeu.

  • Melhor não.

  • Que pena. Isaty disse.

Alexian olhava de Ashira para Isaty com os olhos arregalados.

  • Vocês dois estão me gozando, certo?

Ashira e Isaty olharam um para o outro, depois responderam juntos.

  • Estamos!

As celas de Shuurei e Kim eram em locais diferentes, uma no lado oeste, e outra no lado leste do guild hall, barreiras e proteções mágicas foram erguidas para impedir a fuga, Alexian já havia visitado a cela de Kim e levado a convidada que iria interrogá-lo, agora ele chegava a cela de Shuurei acompanhado de Ashira e da segunda convidada. Alexian respirou fundo e abriu a cela entrando apenas ele com Ashira, a convidada foi orientada a aguardar do lado de fora até se chamada. Shuurei estava sentada em um banco de pedra e encosto, ela estava presa pelas correntes místicas de Remmy, aos seus pés uma marcação de armadilha mística, obviamente também feita por Remmy. Shuurei ergueu os olhos inchados e vermelhos, estivera chorando obviamente, algo incompatível com ela, Shuurei não chorava mais desde os 10 anos de idade, quando quase foi morta no ataque a Divinity’s Reach, uma história antiga que não vinha ao caso no momento, existia algo de errado com ela e o irmão, Alexian fez um juramento silencioso que descobriria o que era e ajudaria os dois.

  • Você esta bem Shun? A voz saiu com ternura.

  • Sim, Thalita tratou dos meus ferimentos.

  • Fico feliz de saber isso. Shun, você precisa nos dizer por que fez tudo isso, sua situação e de seu irmão é delicada. Para quê ou para quem você queria levar os textos?

  • Não perca o seu tempo senhor. Não vou dizer nada, nem eu, nem meu irmão. Shuurei falou sem olhar nenhuma vez nos olhos de Ashira, ela observava Shuurei com tristeza sem dizer nada, tinha medo de que se falasse algo não conseguiria permitir que o interrogatório prosseguisse, a pouco mais de oito anos, Ashira havia decidido criar Shuurei e o irmão, a os ver desta maneira a enchia de dor.

  • É uma pena ouvir isso, você não nos deixa outra escolha. Pode entrar.

A porta se abriu e uma mulher ruiva, bonita de rosto alongado e olhos verdes inexpressivos entrou na cela.

  • Acredito que se lembre da Condessa Anise, líder dos Shining Blade, ela irá interroga lá.

Os olhos de Shuurei se arregalaram, a reputação de Condessa Anise a precedia, e Shuurei já a tinha visto em ação uma vez em Divinity’s Reach, e pela primeira vez em 8 anos, desde que conheceu Ashira, Shuurei sentiu medo novamente, porque assim que Alexian e Ashira se viraram de costa para sair a cela o tempo pareceu parar, assim como tudo que estava presente pareceu se paralisar, logo em seguida a realidade se rachou como um espelho quebrado, os pedaços giravam mudando a cena, como um grande mosaico, montando uma nova imagem como um quebra-cabeça gigante, em vez da cela, Shuurei estava agora em uma clareira em frente a uma velha casa de aspecto pobre, e Anise não era mais ela, e sim um homem que Shuurei conhecia muito bem, um homem cujo seus pesadelos a visitavam todas as noites nos últimos 10 anos.

  • Agora querida, você vai me mostrar todos os seus segredos que você guarda dentro de você. Disse o homem com um sorriso assustador, ele ergueu a mão e retirou uma mecha de cabelo de Shuurei que estava caído sobre seus olhos. Shuurei gritou, um grito de pânico, um grito que ecoou por todo o guild hall, um grito que cada membro da guilda ali presente pode escutar perfeitamente.

A porta da cela se fechou atrás da convidada, Kim sequer ergueu a cabeça para ver quem havia entrado, ele estava ajoelhado no chão sobre várias armadilhas místicas, os braços presos em correntes, as paredes da cela eram talhadas com runas, a única iluminação era uma vela colocada encima de uma cadeira de madeira.

  • Você já teve dias melhores moleque. A mulher falou zombeteiramente.

  • Também já tive dias muito piores do que este, você bem sabe senhorita Marjory Delaqua.

  • Sem essa de senhorita, é assim que fala com sua mestra? Você é um pupilo que só me trás problemas! Marjory Delaque era uma mulher muito bonita de cabelos pretos, presos em um coque, olhos negros como a noite, com traços orientais da região de Canthan, vestia preto com acessórios verdes. Kim enfim ergueu o rosto dando um sorriso de escárnio, ele estava péssimo, possuía vários hematomas pelo corpo, várias faixas com curativos presos a ele.

  • Prefere que a chame de mestra?

  • Seus companheiros o torturaram? Indagou Marjory com espanto.

  • Eles não são meus companheiros, e respondendo a sua pergunta, não me torturaram, os ferimentos são devido a queda que sofri do precipício. Na verdade Thalita passou horas tratando dos meus ferimentos. Kim sorriu, um sorriso frio, ele balançou a cabeça, e acrescentou.

  • Deviam ter me deixado morrer, seria melhor para todos.

  • Eles são seus amigos. Marjory disse suavemente.

  • Eu não tenho amigos!!! Kim gritou, bufando com a respiração descompassada.

  • É mesmo? Pelo que me contaram pude deduzir que você sequer usou 30% do seu poder contra eles. Você sabe que se quisesse poderia ter matado a todos, mais você não fez isso, por quê? Misericórdia?Pena? Nós dois sabemos que gente como nós não somos assim. Eu o escolhi como meu primeiro discípulo para ensiná-lo primeiramente a ser uma necromante, e depois um reaper, isso porque vi em você um potencial gigantesco, o seu poder só perde para a sua auto-piedade.

Ela o chutou no peito derrubando-o no chão, colocou o pé sobre a garganta de Kim e o encarou com um olhar enojado.

  • Você continua o mesmo de sempre, o mesmo garoto que veio a minha porta implorando para ser aceito como meu aluno, você nunca me explicou porque não trouxe corvo com você, porque afastou o único amigo que tinha? Porque se afastou dele?

  • Não é da sua conta, nem de ninguém!

  • Kim, você não tem de lutar suas lutas sozinho, não tem de tentar proteger sua irmã sozinho, o tempo de solidão acabou, é hora de parar de fugir e encarar quem você é.

  • Você sabe que não posso, eles vão me odiar se descobrirem o que sou, vão me olhar como uma coisa anormal, doentia, digna de pena. Ele falou, tremendo e com a respiração descompassada. Marjory tirou o pé de cima de Kim, foi até a cadeira, colocando a vela no chão e se sentou, cruzando as pernas.

  • Kim, você atacou eles, tentou matá-los, e mesmo assim eles ainda estão preocupados com você? Acho que nada é pior do que você já fez. Ela disse sorrindo.

  • Você não entende.

  • Eu entendo, talvez eu seja a pessoa que melhor possa entende- lo.

Neste momento o grito de Shuurei foi ouvido.

  • Shun? Kim balbuciou.

  • O que estão fazendo com ela?

  • Shuurei está sendo interrogada pela Condessa Anise.

  • Condessa Anise…, não!!! Temos de pará-la!

Kim gritava se debatendo feito louco, as algemas ferindo seu pulso que sangrava.

  • Se acalme Kim, ela só a está interrogando, juro que são apenas ilusões, Shuurei não corre risco real.

  • Vocês não entende , a torturem, a espanquem, lhe arranque os dentes, mais parem Anise, vocês vão destruí-la!

Ele gritava, as armadilhas se ativaram, prendendo-o ainda mais ao chão, as runas se iluminaram mudando a tonalidade do sala para um amarelo, obviamente Kim estava tentando escapar da prisão e pelas falhas de intensidade no brilho das armadilhas e algemas ele iria conseguir, e logo.

  • Do que está falando Kim? O que Shuurei teme tanto do passado?

Kim encarou Marjory nos olhos, e o que ela viu lá dentro foi pavor, algo que nunca havia visto seu aprendiz sentir.

  • Quem ele nos alcance no presente. Kim falou, as algemas e armadilhas se espatifando e desaparecendo.

Na cela oeste Shuurei estava caída no chão, tremia e fungava, as lágrimas descendo pelo rosto, a Condessa Anise estava de pé, aparentemente em estado de choque, após alguns segundos ela correu em direção a Shuurei e a abraçou.

  • Perdão! Me perdoe criança, eu não imaginava, como eu poderia, como qualquer pessoa poderia imaginar algo monstruoso assim. Eu juro, não vou contar para ninguém, eu lhe prometo.

Elas permaneceram abraçadas, as duas choravam, porque está foi a única maneira que Anise encontrou de compartilhar a dor sentida por Shuurei.

Salão principal

Os membros da Holy Avenger ainda discutiam, alguns preocupados com os irmãos, outros irritados, Alexian havia se reunido a eles, aparentemente Irikami estava causando um escarcel após ouvir Shuurei gritar e Alexian foi chamado para poder acalmá-lo.

-Irikami acalme-se, ninguém está machucando Shuurei.

Continua a parte 2 de Culpa.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 4-Culpa parte 2

  • Como não a estão machucando, as pessoas por acaso agora gritam quando estão se sentido bem? Irikami estava vermelho, estava com muita raiva e com medo, sabia que tudo iria virar um caos quando sua irmã chegasse.

  • Iri? Porque está gritando feito um louco, eu escutei seus berros do outro lado do guild hall.

Um silêncio tomou conta do local, aparentemente ninguém havia notado a chegada de Alice Lacy por causa do tumulto que Irikami estava causando. Alice era uma jovem muito bonita, loira com grandes olhos azuis, tinha 25 anos, 2 anos mais velha que Irikami e 5 anos mais velha que Shuurei, estava carregando uma mochila de viajem, tinha uma gigantesca espada de duas mãos presa as costas chamada genocídio de almas, ela estava com vários cortes e curativos espalhados pelos braços e rosto. Todos tinham ciência da missão que Alice tinha sido enviada, um novo Giganticus Lupicus havia sido encontrado nas galerias subterrâneas do templo de Balthazar em Orr e Alice foi convocada a exterminá-lo, ninguém esperava seu retorno tão rápido.

  • Irmã? Você voltou rápido da missão! Irikami falou tentando disfarçar o nervosismo.

  • Foi mais fácil que imaginei, após se matar alguns Lupicus a gente aprende a fazer isso mais rápido e com mais eficiência, algum dia eu o levo junto e ensino.

  • Mas o que está acontecendo aqui afinal? Porque todo mundo está me olhando com cara de velório? Disse Alice soltando a mochila no chão, estava começando a não gostar de todo esse mistério.

Alexian abriu passagem por entre os membros da guilda, parou diante de Alice e colocou a mão sobre seu ombro.

  • Alice preciso que se acalme e me ouça com atenção, o que vou lhe dizer diz respeito a Shuurei.

Os olhos de Alice se desfocaram, o simples ato de mencionar o nome de Shuurei ativava um gatilho, agora faltava pouco para que o caos caísse sobre Lost Precidice.

Cela leste

  • Saia da minha frente Marjory!

Kim havia se libertado, agora a única coisa que o impedia de sair era Marjory Delaqua que estava parada na sua frente.

  • Eu vou deixar você sair assim que me dizer porque você e sua irmã fizeram tudo isso.

  • Você não entende Marjory, minha irmã precisa de mim! Saia da minha frente ou não responderei por meus atos.

  • Então me diga!

Kim tremia dos pés a cabeça, travando uma batalha interna, tentado decidir, se podia falar lhe destruindo por dentro lentamente, até que finalmente tomou a decisão.

  • Estamos mortos!!! Está satisfeita! Estamos mortos! Kim gritou com todas as suas forças.

Marjory se espantou, era obvio que Kim estava confuso, como ele e sua irmã poderiam estar mortos? Marjory era uma das mais poderosas necromantes existentes, se alguém fosse uma morto-vivo ela saberia dizer imediatamente.

  • Como? Não é possível, eu sinto vida emanando de seu corpo, que loucura é essa Kim?

  • Eu não tenho tempo para ficar lhe explicando, minha irmã precisa de mim! Ele repetiu.

Marjory não entendia, porém saiu da frente da porta, algo muito estranho e grave estava acontecendo, e era maior do que um simples roubo.

  • Muito bem, só que vou acompanhá-lo.

Kim não respondeu, simplesmente saiu correndo da cela com Marjory ao seu lado, ela tentando juntar as peças desse quebra-cabeça, Marjory continuava a ouvir o que Kim havia dito: “ – Nós estamos mortos!”, mais como isso poderia ser verdade?

Um novo grito foi ouvido no guild hall, só que desta vez não era um grito de medo, era um grito de fúria, Alexian havia acabado de contar toda a história para Alice, ela havia ficado quieta em silencio até ele terminar. Quando Alexian terminou Alice fechou seus punhos, as articulações dos dedos começaram a ficar brancas, tamanha era a força que ela colocava, os olhos azuis se romperam em centenas de veias avermelhas, o corpo de Alice começou a aquecer, vapor rubro brotando dos poros da pele, o sangue de Alice fervia em suas veias. Havia três motivos importantes para evitar contar a Alice o que havia ocorrido, o primeiro motivo era que ela era apaixonada por Shuurei, uma paixão avassaladora e constrangedora para ela, o segundo motivo era que Alice era muito ciumenta, mesmo que Shuurei nunca tivesse correspondido aos seus sentimentos, mesmo assim todos sabiam deveriam manter certa distancia, a exceção era apenas de Irikami, que a irmã insistia em afirmar que as investidas e assédio do irmão a Shuurei nada mais eram que uma tentativa de irritá-la, porém o terceiro motivo era o mais importante, Alice foi a primeira guerreira a conseguir sua especialização, ela havia se tornado uma berseker, a mais poderosa de todos, e também a mais incontrolável.

Alice permaneceu imóvel por mais um segundo, então ela saltou sobre Alexian aplicando uma joelhada no seu queixo, o golpe o fez levantar no ar e perder alguns dentes no processo, logo em seguida ela girou o quadril e desferiu um potente murro no meio do rosto de seu líder, Alexian foi arremessado para trás pela força do golpe, caindo pela lateral do precipício, o caos explodiu no salão, Irikami saltou sobre a irmã tentando prende-la em um abraço de urso, ela se esquivou e o atingiu com um potente soco na costela, a armadura peitoral rangeu afundando em um buraco, o som de costelas se quebrando ecoou pelo salão, ele recuou sentindo o estrago feito, Athriel investiu sobre Alice com o escudo erguido, sua intenção era derrubá-la ou pelo menos desenquilibra-la, não funcionou, Alice foi ao encontro do escudo chocando-se com ele, Athriel foi quem acabou perdendo o equilíbrio, abrindo assim a guarda, Alice o agarrou com uma das mãos pelo pescoço e o arremessou, ele colidiu no chão de pedra perdendo o ar, Ledox tentou não ser tão gentil quando Athriel e atacou com a maça a cabeça de Alice, ela aparou o golpe com o ante-braço e desferiu um cruzado com o outro atingindo Ledox no rosto, ele girou uma vez no ar e caiu inconsciente no chão, Zelos e Brendew atacaram, Alice se esquivou dos dois fazendo-os colidirem, ela girou o corpo desferindo dois chutes acertando Zelos e Brendew que caíram sobre outros membros da guilda, Ihara falou algo incompreensível, sem Ashira por perto para traduzir ninguém sequer se deu ao luxo de tentar compreender, ele foi recuando disparando flechas, Alice ia quebrando-as com tapas e avançando em sua direção, ao pisar alguns passo a frente uma armadilha foi ativada e visgos saltaram do chão rochoso prendendo suas pernas, ela olhou para o chão e puxou as pernas para se libertar, estava quase conseguindo quando Shuurei apareceu diante dela, ao vê-la o rosto de Alice suavizou e a raiva foi dissipando, Shuurei sorria ela caminhou para perto de Alice que a abraçou, assim que fez isso ela notou que algo estava errado, mais já era tarde demais, Alice caiu inconsciente, sendo amparada Por Shuurei que tremeluziu e se transformou em Megan.

  • Não acredito que ela caiu nessa! Eu estava morrendo de medo. Disse a mesmer com Alice nos braços.

  • Ainda bem que a toxina a derrubou rápido, tive dúvidas se a adrenalina em seu corpo fosse reduzir o efeito do veneno, aí sim estaríamos todos encrencados. Disse Corvo surgindo das sombras atrás de Megan.

  • Temos de descer o precipício imediatamente! Alexian pode estar muito ferido ou pior. Disse Megan ainda com Alice nos braços.

  • Não é necessário, estou bem aqui, em péssimas condições, mais a maior parte de mim está inteira.

  • Sem um ou dois dentes e com o nariz quebrado, Ashira desta vez vai te matar senhor. Falou Isaty com o braço de Alexian em volta do pescoço.

  • Como conseguiu sair desta? Perguntou Irikami surpreso.

  • Eu tinha certeza que sua irmã ia perder o controle quando soubesse, por isso pedi para Isaty ficar próximo ao precipício com o glid preparado por segurança.

  • Sim, eu o peguei no momento que ele caiu, nunca me senti tão importante, tão necessário, Alex depositou seu amor, digo sua confiança em mim.

  • Menos Isaty, por favor, sinto que esta dor de cabeça vai me acompanhar até o túmulo.

  • E o que faremos com Alice? Perguntou Megan que agora era ajudada por Irikami a segurar a irmã.

  • Deixe-a confortável em seu quarto, Irikami você a vigia, assim que Shuurei estiver em condições pedirei para que ela vá até ela.

  • Que belo dia o senhor teve hoje.

  • Sim Isaty, e ainda são 10:15h da manhã. Alexian respondeu.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 5-Segredos

A pequena figura desceu as escadas de pedra batendo os pés com força, ela parecia irritada, ao chegar ao salão principal se deparou com o grupo ainda se recuperando do caos causado por Alice, sem transmitir nenhuma reação de surpresa, ela caminhou até Alexian que ainda estava amparado por Isaty e disse.

  • Que barulheira infernal é essa? Como posso trabalhar se vocês á todo momento parecem que irão derrubar o lugar inteiro? Estou em um experimento muito delicado que exige o máximo de minha concentração, espero não ser mais incomodada com essa algazarra! E enquanto a você Alexian controle esse bando de trolls, sei que nenhum deles entenderia a delicadeza deste projeto que estou trabalhando, por isso mantenha-os quietos! Amordace-os, amarre-os, não sei…, mas mantenha-os em silencio!

Amy se virou subiu as escadas, as trancinhas rosa balançando em seus cabelos, todos olhavam para a pequena asura sem uma reação definida, enfim Isaty quebrou o silencio.

  • Porque os asuras sempre acham que estão fazendo algo mais importante do que os outros? Mesmo que seja tentar nos manter vivos.

  • Já desisti de tentar entender um asura, principalmente nossa querida Amy. Disse Alexian com um sorriso.

Cela oeste

Ashira esperou o máximo que conseguiu sem entrar na cela, mas depois dos gritos que ouviu e em seguida o silencio isso foi demais para ela, desta maneira ela abriu a porta e entrou, deparando-se com Shuurei caída no chão abraçada a condessa Anise, as duas choravam silenciosamente e um aperto no coração de Ashira surgiu.

  • Anise? Shun? Vocês estão bem?

Anise ergueu a cabeça enquanto passava a mão nos cabeços de Shuurei, ela acesso positivamente e disse.

  • Ela está bem, mais precisa descansar.

  • Mas o que…? Anise levantou uma das mãos em sinal de silencio.

  • Depois eu te explico Ashira, eu prometo.

Ashira assentiu, não conseguiu imaginar o que o interrogatório havia causado a Shuurei, ela estava se sentindo culpada, porém não teve muito tempo para pensar nisso, porque Kim acabava de chegar a cela acompanhado de Marjory e ele estava com um olhar homicida.

Taverna do guild hall

Antony estava em sua terceira garrafa de vinho, o taverneiro Gamli Adal Steinnson já o olhava com desaprovação, porém Antony o ignorava como fazia com qualquer servo. Não entendia esses princípios idiotas que a guilda pregava: igualdade, fraternidade e lealdade. Em teoria e como propaganda barata era tudo muito bonito, mas na prática, na vida real, ele sabia que era tudo perda de tempo, era inútil tentar abrir os olhos de Alexian, embora ele fosse uma boa pessoa, era um péssimo líder aos olhos de Antony. Para se comandar era preciso pulso forte, se desprender dos sentimentos, emoções só atrapalhavam o julgamento, uma guilda era um negócio que deveria gerar lucros, não um lugar para se fazer amigos. Antony pegou outra garrafa e bebeu direto do gargalo, ele tinha uma idéia e já havia convencido Blaijen, enquanto Zelos mesmo relutante, gosta muito mais de dinheiro do que de sua moral.

  • Sim. Ele pensou, o plano podia dar certo.

A ala hospitalar do guild hall nunca havia estado tão movimentada, não desde a incursão a Spirit Vale, Alice havia feito um belo trabalho junto de Kim e Shuurei. Thalita e Lily estavam conferindo os curativos e verificando os estoques de medicamentos, diacordo com Alexian os próximos dias seriam turbulentos, em um dos leitos Zelos estava deitado, ele não estava mais sentindo dor ou precisando realmente está lá, tudo o que ele queria era um lugar quieto para pensar, Antony havia sido muito convincente a respeito da fortuna que eles iriam conseguir, mas Zelos ainda estava relutante, se não tivesse um grande dívida nas cartas, nem teria cogitado a idéia. Porém a data do pagamento se aproximava e ele tinha plena consciência de que não teria como paga-la, e ter uma dívida de jogo com o capitão char Evan Gnashblade proprietário do Black Lion trading company não era algo a ser ignorado, Zelos já havia escutado histórias demais sobre o que acontecia com quem não honrava suas dívidas com o capitão para não ficar preocupado.

O travesseiro atingiu o rosto de Zelos fazendo-o quase cair da cama de susto, ao olhar para o lado viu Ledox deitado na cama ao lado rindo.

  • Me desculpe. Não resisti, parecia que você estava a quilômetros daqui.

  • Ledox! Se não fossemos amigos, eu o estrangularia agora.

  • Mais somos! Ledox replicou sorrindo.

  • É por isso que vou só fazer isto! Disse Zelos se levantado, segurando a lateral da cama onde Ledox estava deitado e a virando, o amigo foi parar no chão com um sonoro baque, derrubando a mesinha de canto com vários potes que se quebraram.

  • Se vocês dois estão bem o suficiente para fazer bagunça podem muito bem jogar o lixo hospitalar fora. Disse Thalita apontando para um deposito de lixo que ficava em uma sala lateral próximo dali. Zelos suspirou agarrou Ledos pelo colarinho e arrastou –o para o deposito.

  • Sabe Ledox, as vezes não compensa ser seu amigo.

Cela oeste

Ashira tentava formular um plano, se Kim perdesse a razão as conseqüências seriam muito ruins.

  • Kim acalme-se! Não faça nada precipitado.

  • Soltem minha irmã! Kim gritou.

Kim assumiu a forma de sombra espectral, tentáculos de pura escuridão ergueram-se de seus pés. A luz do ambiente era drenada e convertida em mais sombras que avançavam pelo chão e paredes. Marjory foi empurrada para trás por um dos tentáculos, a porta da cela se fechou sendo lacrada por sombras vivas. Ashira puxou as adagas que se inflamaram, ela sabia que era arriscado lutar usando os elementos em um ambiente fechado como era a cela, mais ela não via outra alternativa.

  • Largue minha irmã sua cadela ou juro que vou drenar cada gota desta sua alma imunda.

Condessa Anise olhou para Kim sem demonstrar medo, na realidade ela o olhava com pena, algo que pareceu deixar Kim ainda mais furioso.

  • Pare de me olhar assim! Nós não precisamos de sua pena! Kim gritava feito louco, Ashira não entendia e não sabia se devia fazer algo. E pela primeira vez não sabia o que dizer, então foi Anise que falou.

  • Podre crianças, vocês dois carregam um fardo pesado demais, nunca imaginei que existisse uma pessoa capaz de fazer o que fizeram com vocês dois.

Kim tremeu dos pés a cabeça, parecia estar revendo o que quer tivesse acontecendo com ele e a irmã. Ele levou as mãos a cabeça e gritava descontrolado balançando o corpo, os olhos estavam nublados, como se uma leve camada de vidro cobrisse eles.

  • Faça-o parar! Faça-o parar! Eu não quero! Pareeeee!!!

Após um grito horrível Kim desabou no chão desmaiado, as trevas dissipando.Condessa Anise baixou os olhos e disse em um sussurro.

  • Me perdoe, mais não tive escolha.

  • O que você fez? Perguntou Ashira espantada.

O fiz reviver seu pior pesadelo, assim como fiz com Shuurei. Era isso ou ter de matá-lo. Ashira você deve colocar os dois em um quarto em repouso, vigiados por alguém que eles confiem, quando Shuurei acordar diga-a que honrarei minha promessa. Ajude-os Ashira. Você e seu marido. Amor é a única coisa capaz de curar está ferida.

A porta se abriu e Marjory entrou com a mão na cabeça dizendo:

  • Esse moleque só me dá problemas.

  • É seguro deixar os dois soltos? Perguntou Ashira.

  • Sim, Shuurei irá lhe explicar assim que acordar, mais apenas até onde ela pode falar. Acredite nela e no irmão, eles precisam de você.

E sem dizer mais nada deu um beijo na testa de Shuurei e se retirou.

Entrada do guild hall

Canack estava próximo a entrada do guild hall, não quis acompanhar Condessa Anise no interrogatório, não gostava de aglomerações, mesmo depois de se juntar a nova Destiny’s Edge ainda se sentia um intruso, a mancha em seu passado ainda iria assombrá-lo por muito tempo. Condessa Anise e Marjory chegaram a entrada do guild hall caladas, era fato que as duas não gostavam muito uma da outra, o motivo era Kasmer, namorada de Marjory. Mas Canack achou que o motivo do silencio agora era outro, ele se aproximou colocando o braço em volta de Anise e disse o mais gentil que pôde.

  • Foi tão ruim quanto imaginou querida?

  • Foi pior do que imaginava. Por favor não me pergunte nada.

  • Claro querida. Ele disse suavemente enquanto os dois saiam. Marjory ficou alguns segundos olhando para eles e riu. Ela ainda não sabia dizer se Anise gostava realmente de Canack ou se ele era nada mais que uma distração. Logo após pensar nisso sentiu-se péssima. Quem era ela para julgar relacionamentos. Ela se retirou deixando um último pensamento para seu discípulo problemático. Esperava que a conversa tida com ele e logo depois com Ashira tivesse ajudado de alguma maneira. Porque o mistério continuava, e a voz de Kim dizendo: “- Estamos mortos!” ainda a intrigava.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 6-Revelações

Shuurei acordou como acordava toda vez, após um pesadelo. Ela estava deitada em uma cama, ao seu lado Kim ainda dormia profundamente. Ao vê-lo seu coração se acalmou um pouco. Nunca quis que seu irmão carregasse mais um fardo além do que os dois já carregavam desde os cinco anos de idade. Ainda não acreditava no sacrifício enorme que ele havia feito para que ela não a carregasse sozinha.

  • Como se sente Shuurei? A voz a pegou de surpresa, ela estava tão distraída quando acordou que se esqueceu de verificar o quarto.

Ela passou os olhos rapidamente em volta e viu Ashira sentada no fundo do cômodo em uma poltrona, ela agora reconhecia o quarto, ela havia estado nele apenas uma vez para dar seu relatório de uma missão a Alex e Ashira. Ali era o quarto do casal e ela e o irmão estavam deitados na cama deles.

  • Porque estamos no seu quarto?

Ela tinha outras perguntas, mas essa saiu mais facilmente que as outras.

  • Porque condessa Anise disse que vocês deveriam ser colocados em um quarto com alguém em quem confiassem. Infelizmente Irikami esta no quarto de Alice, ela aparentemente não reagiu bem a notícia de você estar sendo interrogada e quase mandou metade da guilda para a ala hospitalar.

O rosto de Shuurei voltou a ficar rubro de constrangimento, não conseguindo formular a próxima pergunta, felizmente Ashira continuou falando.

  • Desculpe por me achar convencida demais e acreditar que depois de Irikami e Alice, seria a pessoa mais confiável para vocês.

  • Não, não é isso.Nós confiamos em você. Shuurei disse levando a mão ao peito e baixando a cabeça.

As barreiras estavam se quebrando pensou Ashira.

  • Shun, condessa Anise pediu para lhe dizer que honrará sua palavra. Ela não me contou nada, mas espero que você possa pelo menos me fazer entender tudo que aconteceu.

  • É complicado, meu irmão saberia explicar melhor do que eu.

  • Não tem problema, podemos esperar ele acordar.

Quarto de Alice

Alice despertou em um salto, já estava de pé quando Irikami a segurou pelo ombro e a fez sentar na cama novamente.

  • Me larga Iri! Ela protestou.

  • Nada disso, você vai ficar ai mesmo até me escutar. Irikami disse em um tom mais alto.

  • Eu quero ver Shun e não vai ser você e ninguém que vai me impedir! Disse Alice já começando a ficar nervosa.

O tapa ecoou no quarto fechado, Alice levou a mão ao rosto vermelho. A raiva dissipou dando lugar ao espanto.

  • Sua tonta! Será que você não muda sei jeito nunca? Se a guilda não pertencesse a Alexian você seria executada por tentativa de assassinato a membros da guilda. Gritava Irikami.

  • Você me bateu? Alice balbuciava ainda espantada.

  • Alice como espera ajudar Shuurei desta maneira? È assim que diz que a ama?

As palavras de Irikami havia doido mais que o tapa no rosto.

  • Tudo que você consegue é tornar as coisas mais complicas. Talvez você não se lembre, mas Alexian considera Shuurei como uma filha. E você quase o matou!

  • Ele mesmo disse que a estava mantendo presa, interrogada por aquela mulher assustadora condessa Anise. Gritou a garota.

  • Ela estava sendo mantida presa para sua própria segurança, algo aconteceu com Shun e seu irmão. Alguém está manipulando os dois. Alexian quer descobrir quem fez isso com eles. Cresça e uma vez Alice, não pode continuar agindo uma menina minada, que não pode ser contrariada a nenhum momento!

Alice continuou encarando o irmão, o lado esquerdo do rosto ainda vermelho por causa do tapa. Irikami ficou imaginando quando ia receber o murro na cara. Porem o que aconteceu a seguir o pegou de surpresa. Alice começou a chorar, como fazia quando era pequena, Irikami lembrava vagamente disso. Após a morte do pai, Alice nunca mais havia chorado, agora lá estava ela chorando e soluçando, ele a abraçou e deixou que ela desabafasse.

Quarto de Alexian e Ashira

Kim piscou os olhos três vezes antes de abri-los. Ele estava se sentindo péssimo. Olhou para o lado e viu sua irmã sentada na cadeira perto dele. Isso fez seu coração se aliviar. Ela estava bem, pelo menos parecia bem. Ashira estava logo trás dela, encostada na cômoda. Um aperto no coração atingiu Kim ou vê-la, havia chegado a hora de contar a verdade, pelo menos parte dela. Ainda existiriam segredos dentro dele, mais alguns hoje seriam revelados.

Sala de reuniões

Alexian estava sentado esperando, estava dolorido e com a cabeça latejando, queria urgentemente que este dia chegasse ao fim e que ele pudesse tomar um longo banho, depois se deitar e por fim dormir por duas semanas inteiras. Infelizmente sabia que isso seria impossível. A porta se abriu e Isaty entrou acompanhado de Rytlock Brimstone, o charr Tribune da blood legion havia se tornado ainda mais intimidador e rabugento, ainda mais do que antes após se tornar um revenant.

  • Comandante espero que esteja ciente o por que de minha vinda aqui?

  • Como sempre direto ao assunto, não é mesmo Rytlock. Sim Marjory me comunicou que iria entrar em contato com você. Ela disse que você poderia ajudar os irmãos, só não imagino como Rytlock. Disse Alexian com um semblante cansado.

  • Diacordo com Marjory, Hassui Deadcaller alega que ele e a irmã estão mortos, e como estive no mundo inferior do Mists isso me permite ter algumas teorias do que esta acontecendo a eles.

  • Mortos? Como é possível? Eles dois parecem perfeitamente saudáveis para mim. Nenhuma semelhança com um morto-vivo Risen.

Alexian estava surpreso, não imaginava nada disso, Marjory não havia dito nada. Nem Anise, nem sua esposa Ashira.

  • Não fique assim senhor, sempre dizem que o marido é o último a saber. Brincou Isaty ao ver a expressão do líder.

  • Nem um pio Isaty. Alexian disse rispidamente.

  • Se o que desconfio for verdade comandante, você tem em mãos um gigantesco problema, algo que pode destruir sua guilda e iniciar uma guerra. Rytlock disse sem rodeios.

Quarto de Alexian e Ashira

  • Kim você pode me falar o que aconteceu com vocês dois? Não iremos mais tentar forçá-los, só queremos ajudar vocês dois. Disse Ashira calmamente.

Kim continuava a olhar para a irmã, ele se lembrava de quando ambos eram inocentes. Quando o pesadelo ainda não havia começado. Shuurei fez um sinal com a cabeça indicando que ele podia falar. Kim olhou para Ashira e pensou o quanto seria mais fácil falar se fosse outra pessoa. Ele respirou profundamente e começou a narrar os fatos ocorridos a uma semana atrás.

Floresta de Maguma, Aurik Bastian 1 semana atrás

Shuurei ainda não entedia, assim como todos. Nada fazia sentido, Mordremoth estava morto. Como seus minions mordrens continuavam surgindo? Como os mortos-vivos risens podiam existir se Zaithan também estava morto? Será que o poder dos Elder Dragons era tamanho que mesmo após sua destruição seu legado continuava a existir indefinidamente? Eram tantas perguntas assolando Shuurei enquanto pensava que ela não notou um mordren stalker se aproximando, ele ergueu o sabre pronto para matá-la, foi quando uma foice o cortou ao meio, Kim se aproximou da irmã chamando usa atenção.

  • Não se distraia em território inimigo. O que está acontecendo com você?

  • Estou cansada! Esta guerra parece que não terá um fim!

  • Não cabe a nós pensar quando a guerra terminará. E sim quantos corpos iremos empilhar no campo de batalha.

  • Você está falando igual a Alice. Shuurei disse com um sorriso, logo depois se calando ficando vermelha.

Kim ergueu uma sobrancelha e depois sorriu. Desta vez não iria provocá-la, era raro a irmã demonstrar carinho por alguém. Embora ele soubesse que cedo ou tarde ela teria de escolher entre Alice ou Irikami.

  • Melhor continuarmos nossa missão. Com ou sem Mordremoth seus minions ainda são uma ameaça.

A missão de Shuurei e Kim era simples em teoria. Consistia em destruir as incubadoras dos mordrens no momento em que brotassem. Já havia se especulado a idéia de se deixar uma unidade fixa do pacto nos locais onde estas incubadoras nasciam, mas pela aleatoriedade no tempo que elas levavam para germinar não tornava viável o uso destas unidades. Por fim o uso de equipes de extermínio formadas por membros de guildas mostrou-se mais eficiente. Desde a derrota e quase aniquilação do pacto no assalto a floresta de Maguma as tropas do pacto se encontravam dispersas, somado a perda de seu marshal Trahearne ao fim da batalha contra Mordremoth as tropas estavam desanimadas, exaustas e deprimidas. E o pior, os comandantes do pacto estavam gastando seu tempo promovendo suas candidaturas para o cargo de novo marshal, ao invés de se preocuparem com os mordrens pairas que ainda infestavam Maguma. As ambições humanas sempre falavam mais alto do que as necessidades do grupo.

O local da germinação da incubadora era localizado a sudoeste de Auric Basin, em um local chamado Morwood Wilds. Kim e Shuurei esperavam pouca resistência, os mordrens haviam perdido o propósito de sua existência, que era servir Mordremoth. Eles agora seguiam seus instintos básicos sem o mestre para instruí-los. Porem mesmo assim ainda representavam uma ameaça considerável.

A dupla de irmãos avançava cautelosamente, em perfeita sintonia, chegaram ao local onde a incubadora havia brotado à algumas horas. Cinco mordrens protegiam a incubadora, era possível ver pela membrana esverdeada o desenvolvimento de uma BladeMaster Diarmid, outro mistério.Uma campeã de Mordremoth. Como era possível um campeão dos Elder Dragons derrotados ainda serem gerados? Sabia-se que sua criação era muito mais demorada, e a energia da Ley line ajudava em seu desenvolvimento. Mas quem a direcionava para a incubadora agora? Perguntas e mais perguntas.

Os irmãos se dividiram, usando a tática de atacar por ambos os lados, não dando tempo para o inimigo reagir. O fator surpresa somado ao tempo era essencial. Shuurei ficou invisível armada de espada e adaga, Kim do outro lado assumiu a forma de espectro com sua espada de duas mãos transformada em foice. Ambos atacaram ao mesmo tempo, Shuurei arremessou a adaga em um mordrem degolando-o, enquanto perfurava outro no peito com a espada. Kim saltou girando a foice partindo outros dois mordrens, o ultimo que havia sobrado aparentemente reagiu da maneira que seu instinto preservação ordenou e correu em fuga. Shuurei partiu em seu encalço, Kim ponderou em segui-la, mas destruir a incubadora era prioridade. Ele invocou seus minions e juntos atacaram com tudo. Shuurei continuava em perseguição, o mordrem armado de arco tentava atingi-la, ela se esquivava tentando um translocar eficiente para alcançá-lo, a fuga durou mais alguns metros terminando em um local sem saída. O mordrem estava encurralado, Shuurei sorriu confiante. Este foi seu erro, outros mordrens surgiram do chão, oito no total cercando-a. Aquilo era uma armadilha, mas como era possível? Eles não deviam mais ter a capacidade de raciocinar Shuurei pensava.

  • Humana tola! Vocês não compreendem o poder superior que controla estas florestas, vai muito além do que vocês acreditam saber.

Shuurei não pensou nas palavras do mordrem, não tinha tempo para isso. O cerco em volta dela estava se fechando. Quando todos os mordrens ameaçaram atacar algo desceu do céu no meio do circulo formado em volta de Shuurei, o susto a fez cair sentada no chão. O estranho vulto atacou os mordrens com rapidez e precisão. Em segundos todos estavam destruídos. Shuurei achou por um segundo que seu salvador fosse seu irmão, mas estava enganada, o vulto se virou para ela, os lábios de Shuurei sorriram, ela o reconhecia. Era um aliado.

  • Obrigada por me ajudar, mas eu podia cuidar deles sozinha. Shuurei falou se levantando e sorrindo.

Sempre que estava na presença “Deles” sentia-se como se estivesse diante de um poder superior, era uma sensação estanha, mas não desagradável. Por isso ela foi pega de surpresa quando uma das mãos dele atravessou seu peito como se ela fosse um fantasma. Uma terrível dor a atingiu, como se seu corpo todo estivesse se quebrando. Ela gritou em agonia caindo de joelhos, lágrimas descendo pelo rosto.

  • Por quê? Ela perguntou.

  • Escute atentamente criança, eu estilhacei sua alma, ela irá fragmentar lentamente até não restar nada! Sua existência será apagada do mundo, ninguém se lembrará de Shuurei, nem mesmo seu irmão! Ele falou, segundos depois Kim surgiu atacando, sua expressão em fúria, ele atacou colocando em cada golpe seu ódio, a vegetação ao seus pés morria conforme ele pisava, como se a vida fosse drenada. O estranho desviava dos ataques e os aparava com as mãos nuas. Quando ficou evidente que Kim não pretendia parar o vulto ordenou:

  • Pare! Ou sua irmã pagará por sua ousadia.

Kim forçou-se a parar, tremendo de ódio. Havia escutado apenas parte do que o vulto tinha dito, a alma da irmã havia sido despedaçada. Como isso era possível? Com uma força de vontade colossal Kim tentou se controlar e perguntou.

  • O que você quer conosco?

  • Quero um trabalho. O líder de usa guilda encontrou nas ruínas de Lost precipice alguns textos antigos. Roube-os para mim e sua irmã terá a alma unida novamente. Mais sejam rápidos, ela só tem uma semana de existência.

Após dizer isso ele desapareceu em meio a uma explosão de luz similar a um pequeno sol. Kim correu para a irmã, mal havia escutado o que o estranho havia dito. Sabia que não deveria confiar “neles”. Teve certeza disso no momento em que os conheceu. Mas isso não importava no momento, ele se ajoelhou ao lado da irmã, ela parecia agonizar. Kim examinou sua aura e quase teve um choque, ele não mentira. Kim podia sentir a alma de sua irmã se partindo lentamente em dezenas de pedaços. Ele tinha de fazer algo, não podia ficar assistindo a irmã sofrer novamente. A 15 anos atrás os dois sofreram juntos quando era crianças, não permitiria a irmã sofrer novamente desta vez sozinha e sem ao menos considerar uma única vez usou seu poder necromante para dividir sua própria alma em duas, retirou uma parte e a fundiu a alma fragmentada da irmã, fazendo-a aderir como cola unindo uma peça de cerâmica rachada. Kim sentiu a mesma dor que a irmã sentia, uma dor indescritível, pior do que qualquer tortura existente no mundo físico ou espiritual. Os dois ficaram caídos no chão por mais de uma hora, se algum mordrem os tivessem encontrado durante esse tempo não teriam como se defenderem. Porem aparentemente algo os mantiveram ocultos por esse tempo. A dor foi reduzindo até se tornar tolerável, Shuurei e Kim sabiam que esta dor nunca cessaria e que o destino dos dois estava selado.

Quarto de Alexian e Ashira

Kim terminou seu relato, havia omitido algumas partes. A identidade do causador era só uma delas, o que havia se passado com ele e a irmã era pessoal demais para compartilhar, assim como o que havia acontecido a eles a 15 anos atrás.

Ashira estava chocada, em todos seus anos na Priory nunca havia lido ou escutado o termo fragmentação da alma, assim como fazer uma pessoa deixar de existir de tal maneira a ninguém se lembrar dela. Se isso era uma magia, era uma muito antiga, não saberia dizer sequer se pertencia a este mundo.

  • Kim quem era a pessoa? Quem fez esta monstruosidade com vocês?

  • não podemos dizer Ashira, sempre que tentamos pronunciar quem ele é ou o que é sentimos nossa alma partir mais um pouco. Aparentemente isto é uma trava de segurança que ele colocou em nós.

  • espere, você disse que também está tendo a alma fragmentada?

  • Sim, quando uni minha alma com a alma da minha irmã fui contaminado pelo mesmo poder que a está destruindo.

  • Nada disso faz sentindo.

  • Está dizendo isso para mim Ashira? Disse Kim com um sorriso amargo no rosto.

  • “ Estamos mortos” Ashira, é simples assim. Na verdade é bem pior, deixaremos de existir. Não sei por quanto tempo prolonguei a vida de minha irmã, mas é fato que o tempo dado por “Ele” já acabou. Não a nada que possamos fazer…

  • Talvez eu tenha algo a dizer sobre isso! Disse Rytlock abrindo a porta do quarto e entrando com Alexian logo atrás dele.

  • Rytlock? O que faz aqui? Indagou Ashira.

Rytlock a ignorou passando por ela e parando em frente a Kim. Os olhos vendados de Rytlock sobre a faixa pareceram emitir uma pequena luz azulada, ele ergueu uma das mãos e a forma de Glint surgiu sobre ele. Kim permaneceu imóvel, não demonstrava estar com medo, apenas curioso ao que ia acontecer. Da mesma forma que Glint surgiu, logo em seguida desapareceu. Rytlock se virou para Alexian e anunciou suas suspeitas.

  • Comandante a fragmentação na alma de Hassui Deadcaller e sua irmã é similar a destruição que está ocorrendo na Mists, não resta dúvidas que ambas estão ligadas. E posso afirmar que grandes áreas no espaço-tempo já deixaram de existir, logo os efeitos desta fragmentações temporais será sentida em nosso mundo.

  • E acredito que você só achou importante relatar sobre isso agora Rytlock? Disse Ashira nervosa, ela não gostava que informações importantes fossem omitidas.

  • Tais informações já foram notificadas, e estão sendo investigadas antes mesmo de minha ida ao Mists. Rytlock rebateu rabugentamente.

  • Por quem? Obviamente a Durmod Priory não foi avisada.

  • O consórcio! Ou você achava realmente que o objetivo das Fractais era meramente aprendizado de história antiga?

  • Então o que causa as Fractais é esta fragmentação da Mists?

  • Correto, durante minha estadia na Mists as lendas do passado estavam lutando para deter o avanço do que eles chamavam de o Vazio. Este foi o motivo do poder do revenant ter surgido, para combater esta ameaça agora no plano físico.

  • É informação demais. Falou Ashira.

  • Nem um décimo do que precisamos descobrir. Se Shuurei e Hassui Deadcaller foram contaminados por esta força destruidora e o causador disso quer os textos antigos achados por Alexian, é hora de saber o que ele teme que seja descoberto neles.

  • Concordo.Vamos todos nos reunir na sala da conclave, eu irei revelar o que foi traduzido até agora. Rytlock você é meu convidado. Disse Alexian recebendo um olhar cortante de Ashira.

Alexian sabia que a esposa odiava ser ignorada, assim como a ordem a que pertencia. Porem desta vez a prioridade era os textos antigos e Rytlock poderia ajudar a guilda a aceitar o que os textos diziam. Sem dúvida o que eles revelavam era quase pior do que a raiva de sua esposa… quase.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 7-O Diário

Um comunicado foi enviado a toda guild hall, todos os membros da guilda holy Avenger foram convocados a participar. Ficou acertado que embora a fragmentação da Mists fosse falada, o estado de Shuurei e Kim seria mantido em segredo. Tanto melhor para Kim, ele detestava que os outros sentissem pena dele e da irmã. Em poucos minutos a sala de reuniões estava lotada, cadeiras adicionais foram colocadas para acomodar todos os membros. O clima era ainda mais tenso do que na primeira vez. Shuurei e Kim se sentaram ao lado de Ashira e Alexian, obviamente uma maneira de demonstrar que ainda confiavam neles. Alice se sentou de frente para Shuurei não tirando os olhos dela, porem não tentou falar com ela o que era estranho. Irikami estava ao lado da irmã com uma das mãos sobre as duas de Alice que estavam repousadas no colo. Isaty e Remmy vinham sentados logo ao lado dele ficando em frente a Alexian. A lista de membros era grande. Estavam lá Treze uma rapaz de cabelos cinza desgrenhados , ele olhava para Alice com os olhos esbugalhados e sorriso demente, a tatuagem no pescoço com o nº13 podia ser visto perfeitamente, ele e Alice tinham uma história juntos de dor e morte, hoje tanto Alice quanto Irikami sabiam que não tinha sido culpa dele diretamente o que havia acontecido. Treze era um escravo mental seguindo ordens de sua mestra. Mas caso em algum momento ele desce motivos, Alice e Irikami iriam matá-lo sem hesitar. Outro presente era Lord Khanum, por ser um norn ele se posicionou atrás de todos. Sua altura de 2 metros e meio intimidava os inimigos. Como no caso de Alice, Lord Khanum tinha um desafeto na guilda, seu nome era Hell of ormack. Ao encará-lo Khanum levou a mão direita inconscientemente a costela onde havia recebido um ferimento mortal à anos trás. Lord Khanum desejava uma desforra quando ouve-se oportunidade e algo lhe dizia que este dia estava próximo. Até mesmo Amy havia deixado seu laboratório, algo inédito. Luuh observava a reunião sentada no alto de uma coluna de pedra, a garota de cabelos brancos curtos integrante dos Whispers odiava se misturar aos membros da guilda. Ela havia cogitado não participar da reunião até descobrir que Shuurei estava envolvida na pauta, Luuh pensou se aproximar para falar com ela, mas desistiu no momento que viu Alice e Hassui próximos a Shuurei. Definitivamente ali não era a hora nem o lugar para causar uma briga. Vários outros membros da guilda Holy Avenger possuíam alguma rivalidade ou desafeto por outro membro, se não fosse a liderança de Alexian e Ashira, muito provavelmente a guilda já teria se desfeito. Os dois eram como pilares de sustentação, o dia que um deles ruísse, era provável que a guilda deixasse de existir.

Quando todos se acomodaram Alexian se levantou, olhou para todos e enfim começou a explicar o que eram os textos que tantos problemas havia causado e que ele sabia ainda causariam.

  • Boa tarde a todos. Primeiramente quero comunicar que Hassui e Shuurei não serão punidos pela tentativa de roubo e ataque a membros da guilda, recebi provas irrefutáveis de que os dois foram obrigados a fazerem isso.

Uma onda de murmúrios foi ouvido, alguns concordando outros discordando da decisão. Alexian ergueu a mão e todos se calaram.

  • Em segundo lugar Rytlock me informou sobre um problema grave a qual poderá afetar a todos. Diacordo com ele a Mists esta sendo fragmentada por uma força desconhecida, várias áreas do espaço-tempo já se encontram comprometida, o consorcio esta investigando o ocorrido usando o projeto Fractal of the Mists.

Mais interrupções, desta vez em um tom mais alto. Alexian ergueu as mãos novamente e todos se calaram.

  • Ainda não temos informações exatas do que a viagem pelas fractais descobrirá, eu irei entrar em contato …

Mas Alexian não terminou a frase, porque foi interrompido por Amy a asura. Ela havia ficado de pé encima da mesa para poder ser melhor vista. Então disse:

  • Desculpe contradizê-lo senhor, mas temos todas as informações necessárias sobre as Fractais, ou melhor, eu tenho. Afinal em qual projeto acham que venho trabalhando? Quem vocês acham que interrogou Rytlock quando ele contou sua experiência na Mists?

  • Amy você sabia e não falou a ninguém? Nem mesmo a mim? Perguntou Ashira, desta vez realmente surpresa.

  • Lamento Ashira, mais o projeto Fratal é exclusivo dos asuras que seguem a Alquimia Eterna, o consorcio só nos financia. Embora a considerem um nível de inteligência e conhecimento próximos a de um asura, não tinha permissão de contar a ninguém fora do projeto, a menos que novas variáveis surgissem.

  • Eu sou da Priory!

  • Isso é irrelevante, mesmo com todas as qualidades de nossa ordem a Alquimia Eterna vêem em primeiro lugar.

  • Acho que depois dessa Ashira vai precisar de longas férias. Disse Isaty complacente.

Amy continua a falar.

  • Enfim, acredito que estes textos devem ter algo que nos ajude a decifrar este mistério. Alexian prossiga. Queremos saber o que está escrito nestes textos. A solução pode estar muito próxima.

Alexian balança a cabeça, sabia que teria uma longa noite quando ele e a esposa estivessem sozinhos. Já não estava mais tão ansioso pelo fim do dia.

  • Muito bem. Em primeiro lugar isto não são textos antigos ou pergaminhos. È um diário, talvez o diário mais antigo já escrito pelo homem. A data equivale ao inicio da colonização e expansão humana em Tyria, quando só existia um só povo. Esta escrito em um idioma muito antigo, inexistente em nosso continente. Felizmente a escrita é similar a usada por Ihara em Cantha, ele conseguiu traduzir grande parte dos textos.

  • Fascinante. Disse Amy.

  • Não vejo nada fascinante em alguns papeis escritos a alguns anos. Disse Antony de braços cruzados.

  • Estamos nos referindo aos povos humanos, certo? Perguntou Ledox para Alexian.

  • Sim. Quando ainda éramos uma grande tribo e não uma civilização desenvolvida.

  • Então não seriam apenas anos e sim milhares, por volta de 205 AE (após o Êxodo). Disse Ashira.

  • O diário pertence a um homem chamado Haikã, que Ihara disse significar viajante ou andarilho. Diacordo com o diário ele vivia em Cantha, reino do mar de Jade. Ele era um explorador e monge, chegou ao nosso continente em suas viagens e encontrou um povo atrasado e supersticioso. Os textos contam que ele ajudou nosso povo a desenvolver a agricultura, o artesanato e como ele mesmo escreveu a compreender as forças divinas que controlam o mundo.

  • Isso é uma besteira, vamos acreditar nisso? Sendo que a única pessoa que alega ser capaz de traduzir os textos sequer sabe falar nosso idioma. Disse Antony sorrindo, aparentemente satisfeito consigo mesmo com seu comentário.

  • Infelizmente a um erro no que você disse Antony. Eu saber falar seu idioma. Disse Ihara deixando todos espantados, exceto Ashira e Amy.

  • Você falava nossa língua o tempo todo e nunca disse nada? Perguntou Remmy.

  • Vocês realmente pensaram que um membro da Durmond Priory não saberia a língua da região que está morando? Era o mais lógico. Disse Amy indiferente.

  • Porque mantiveram segredo? Perguntou Batata, um guerreiro humano com o rosto em formato de batata que lhe rendeu o apelido.

  • Ele não manteve segredo, nossa ordem sabe que ele fala nosso idioma. Ihara segue um código de silêncio de seu povo. Ele somente pode usar a língua de outro país se for estritamente necessário. Relatou Ashira como se fosse a coisa mais normal do mundo.

  • Isso é ridículo! Mais um motivo para não confiar nessa tradução, se me permitir Alexian eu posso levar este diário a pessoas qualificadas a traduzir os textos sem perigo de erros. Antony falava apressadamente, não esperava uma reviravolta desse tipo. Porém o diário agora parecia ainda mais valioso do que antes.

  • Mais qualificado do que a priory… indagou Ashira erguendo uma sobrancelha.

  • Gostaria que você dissesse quem. Indagou Ashira.

Antony foi pego de surpresa, pensou rápido em uma resposta e falou sem muita certeza.

  • Os zephyrites. Eles não são descendentes do povo de Cantha.

  • Realmente sim. Faz sentido. Não imaginava que você conhecesse alguns deles. Disse Ashira ainda não convencida. Ela batucava um dos dedos na mesa.

  • Vocês me subestimam. Tenho ótimos contatos pelo mundo.

  • Imagino que tenha. Disse Ihara olhando fixamente para Antony. Ele começava a desconfiar de algo, assim como Ashira.

  • Depois decidiremos isso, mas antes vou terminar o que Ihara conseguiu traduzir até agora.

Alexian já esperava reações negativas quando começasse a revelar o conteúdo do diário, porém a atitude de Antony era suspeita. Alexian indagou o que aconteceria assim que revelasse a parte mais importante ali escrito.

  • Continuando. Diacordo com o andarilho o povo desta região era muito superticioso e amedrontado enxergando demônios em tudo de anormal que ocorria, então o andarilho transmitiu suas crenças e doutrinas a eles. Para aqueles que não conhecem a filosofia Cantha, eles crêem no equilíbrio do mundo. Positivo e negativo devem coexistir de igual maneira, tudo regido pelos 6 elementos que controlam o universo, o fogo, a água, a terra, o ar, a luz e as trevas que representa a morte. É interessante ressaltar que a morte para o povo de Cantha não é algo mau, faz parte do ciclo da vida, ou a roda do tempo. Não pode existir vida sem a morte. Os 6 elementos são o ponto central da filosofia Cantha, não chega a ser uma religião, embora eles orem por estes elementos. E a estes 6 elementos é atribuído 6 divindades, os Dragões celestiais ou como nós aqui em Tyria os nomeamos os Elder Dragons.

  • Como é que é? Antony se levantou batendo com força as mãos na mesa, outros também pareciam desconfortáveis com o rumo que estava indo esta história.

  • Antony antes de você começar a discutir ou questionar, gostaria pelo menos de terminar o relato. Se você me permitir é claro? Disse Alexian o fulminando com um olhar severo.

  • Muito bem. Mas aviso Alexian que você está entrando em terreno perigoso. Você como um guardian deveria saber.

  • Sei muito bem disso Antony… Quando o andarilho apresentou as 6 divindades dracônicas o povo não as aceitou. Nossa natureza humana não veneraria criaturas em forma de serpente, acreditávamos que estas divindades fossem demônios.

  • Pelo menos o povo antigo era esperto neste sentido. Disse Antony sorrindo da própria piada.

  • Nem tão espertos assim. O andarilho notou a resistência do povo em aceitar os dragões como divindade. Então ele criou 6 divindades com aspecto humano para que a aceitação fosse mais fácil. Embora a aparência e nomes fossem diferentes a devoção ainda seria aos 6 elementos que originaram elas os dragões celestiais. Deste modo surgiram Grenth Deus da morte da escuridão e gelo aspecto de Zhaitan, Balthazar Deus da guerra do fogo e da coragem aspecto de Primordus, Melundra Deusa da natureza da terra e do crescimento aspecto de Mordremoth, Kormir Deus da ordem do espirito e da verdade aspecto de Jormag, Lyssa Deusa gêmeas de beleza da água e ilusão aspecto de Deep sea Dragon, Dwayna Deusa da cura do ar do calor e vida aspecto de Kralkatorrik. Em outras palavras os nossos Deuses nada mais são que Avatares , uma outra faceta dos Elder Dragons.

  • Heresia!! O que você está dizendo é heresia!!! Gritava e bufava Antony como um histérico.

  • Senhor mesmo não gostando de concordar com Antony, o que está escrito no diário pode ser um relato de um louco ou uma piada. Como podemos sequer cogitar em acreditar em algo assim? Disse Remmy desconsertado. Não gostava de se opor ao líder, ainda mais a favor de Antony.

  • Enfim alguém mais com juízo aqui! Nós somos guardians, honramos os Deuses, nosso poder é concedido por eles. Não está afirmando que esse poder é do nosso pior inimigo… está?

  • Usar o poder do próprio inimigo é algo inteligente, grandes estrategistas charr já se valeram desta estratégia. E enquanto aos Deuses, nós charr matamos os nossos, tudo o que eles desejam é nos controlar. Não somos nós que precisamos deles, são eles que precisam de nós. Falou Rytlock.

  • Cale a boca charr,você sequer deveria estar aqui.

  • Gostaria de ver você tentar me tirar daqui humano.

Antony ameaçou avançar na direção de Rytlock. Porem Isaty e Zelos o seguraram e o fizeram sentar novamente.

  • Antony acho que você está precisando de um chá de hortelã. Por sorte tenho uma receita ótima de minha tia Matilda. Disse Isaty.

  • Calma cara. Rytlock não é conhecido por poupar adversários em disputas. Sussurrava Zelos no ouvido de Antony.

  • Todos quietos! Assim que eu terminar de falar vocês podem decidir o que vão fazer. Mas até lá não quero ouvir mais uma palavra. Gritou Alexian mais alto do que Antony havia gritado.

Alexian estava irritado, não com sua guilda. Mas com ele mesmo. Com sua fé e convicções sendo questionadas por Antony e por ele próprio. Não tinha mais certeza no que acreditar. Ele se sentou novamente e continuou o relato.

  • Os 6 Deuses humanos foram bem aceitos pelo povo. A adoração e fé crescendo assim como a população. Cidades foram fundadas e o reino de Tyria. Porem conflitos ideológicos entre os próprios membros da população começaram a surgir. Deste modo o reino criado se dividiu em 3 grupos causando uma guerra civil. O lado vencedor tomou a atitude de exilar os 2 outros grupos rivais. Um destes grupo atravessou o sul de Tyria até chegar as terras de Orr. Sob a orientação do rei Dórico, eles criaram o sistema humano de governo e criou um império que se estendia do continente norte. O segundo grupo rumou para leste em Ascalon onde iniciou uma disputa territorial com os charr. O grupo que permaneceu em Tyria fundou o reino que vivemos hoje.

  • Cada grupo começou a moldar sua própria visão dos Deuses, tornando-os mais bélicos ou moderados diacordo com a região de adoração. Quando o numero de devotos do povo de Tytia superou o numero de devotos do povo de Cantha nossos Deuses se desvincularam dos Elder Dragons. Ao sentir essa ruptura de seus Avatares os Elder Dragons vieram retomar sua parte perdida. O evento que fez com que os Elder Dragons retomassem seus Avatares ficou conhecido por nós como êxodo, o desaparecimento dos Deuses. Ao recuperar o poder dos Deuses humanos os Elder Dragon foram corrompidos enlouquecendo. Por esse motivo os Deuses sumiram e os Elder Dragon atacaram Tyria, na visão dos Elder Dragons os humanos são uma praga que deve ser assimilada, purificada ou exterminada. Isto varia de cada um deles. E por serem seres que são manifestações dos 6 elementos não podem ser realmente destruídos, somente contidos. Ou seja, Zhaitan e Mordremoth estão vivos e se recuperando em algum lugar. Por isso seus minions ainda vagam pelo continente. E a única maneira de vencer esta guerra não é destruindo os Elder dragons, é purificando-os dos Avatares humanos que os enlouqueceram.

A sala de reuniões explodiu em gritos e discussões. Aqueles que eram humanos não aceitariam tal verdade. Mesmo Alexian ainda sentia dificuldade em acreditar. Ele lutava por muito tempo uma guerra inútil.

  • heresia! Heresia!!! Você está louco Alexian! Como pode acreditar nessa blasfêmia! Antony bufava de ódio, não queria mais o diário para vender. Queria destruí-lo, ver queimar até virar cinzas.

  • Sei que todos estão confusos, que é difícil acreditar. Mas eu fiz todos os testes no diário. As datas batem com a época que foi escrito. São muitas coincidências para se negar. Disse Ashira.

  • faz sentido. O sumiço dos Deuses humanos, os minions de Zhaitan e Mordremoth não serem destruídos. Basta ligar os fatos. Amy disse analisando todas as variáveis.

  • Isso não quer dizer que o que está escrito seja verdade. O andarilho podia ser um lunático e este diário um conto. Disse Profeus.

  • Alexian se você ousar revelar esse absurdo seremos desacreditados, caçados! Esta guilda será destruída. Você quer realmente seguir com esta loucura? Antony ainda falava os berros.

  • A verdade não pode ser escondida. Independente se é boa ou má, ela sempre veema tona. Explicou Ashira.

  • Pois eu não irei participar desta balburdia! Se querem ser crucificados ou queimados em uma fogueira que seja! Eu estou fora!

  • Antony reconsidere. Você está deixando se levar pelo nervosismo.

  • Lamento Isaty. Somos amigos, mas não vou mais fechar meus olhos para as loucuras de Alexian. Sei que você é cego em relação a ele e a esposa. Não sei por que essa idolatria, mas não vou mais aceitar. Se é meu amigo venha comigo. E todos aqueles que também acham isso tudo loucura vamos fundar uma guilda de verdade. Não este circo!

  • eu que lamento ouvir isso Antony. Lamento mesmo. Disse Isaty pela primeira vez sério.

Zelos e Blaijem fizeram menção de se levantarem. Porem pareceram reconsiderar e permaneceram sentados em silencio.

  • Então é isso? Que todos vocês queimem no fogo de Balthazar! Ao dizer isso Antony saiu da sala de reunião rumando para a saída.

  • Covarde! Salvatory disse. Se havia algo que não suportava era ver uma pessoa com medo.

  • Eu não me sinto confortável com tudo isso também. O que espera que façamos Alexian? Disse Corvo.

  • Diacordo com Ihara o diário termina quando o andarilho decide seguir viagem para os reinos humanos fundados, Ascalon, Orr e por fim retornando para Maguma. Para ver o que o povo fez com seus ensinamentos. Existem referencias a mais 2 diários escritos por ele.

Ashira se levantou apoiando a mão no ombro do marido assumindo seu lugar na reunião.

  • Eu e Alexian acreditamos que estes 2 outros diários possam ter informações importantes de como lidar com os Elder Dragons e explicar o que a fragmentação do tempo tem haver com isso tudo. Decidimos dividir a guilda em três esquadrões que irão procurar os 3 locais onde o andarilho esteve. Ascalon, Orr e floresta de Maguma.

  • Quem serão os lideres dos esquadrões Alexian? Disse Ledox com um interesse repentino.

  • Os lideres serão Ashira, Remmy e Isaty, eles escolherão os membros de cada esquadrão a qual irão.

  • Não sou qualificado a liderar um esquadrão Alexian. Nem mesmo sou um comandante do pacto. Disse Remmy não acreditando na indicação.

  • Discordo. Você tem um senso de liderança muito alto. Não vejo outro mais capaz que você.

Ledox franziu o semblante. Esperava a muito tempo uma oportunidade de comandar um esquadrão. Será que Alexian o considerava incapaz? Mesmo ele sendo um comandante do pacto e Remmy não?

  • Será necessário que um grupo permaneça no guild hall, existe a possibilidade de que mais algum diário esteja aqui. Ou que nos dê pistas do paradeiro dos outros dois.

  • Como no comunicaremos entre os esquadrões em caso de acharmos um diário? Com pássaros mensageiros? Perguntou batata.

  • Lentos demais. Ainda correm o risco de serem interceptados. Disse Ashira.

  • Usaremos drones. Eu e Artien Ni com a ajuda de Taimi desenvolvemos alguns que viajam por micro portais, localizando o indivíduo a quem foi programado encontrar. O problema é que só dispomos de 4 deles. Por isso devemos usá-los em último caso. Disse Amy.

  • Devemos manter tudo isso em segredo até recuperarmos os outros dois diários. A discrição será essencial.

  • Se mais alguém aqui não concordar ou estiver desconfortável é hora de falar e sair. Não julgarei ninguém que queira partir. A decisão é de cada um de vocês. Disse Alexian encarando a todos.

  • Não acredito que ninguém mais vá abandonar o barco. Já passamos por muita coisa juntos. Já perdemos pessoas importantes para nós. Somos uma família senhor. E não se abandona a família, nunca! Disse Isaty mudando de um sorriso para um olhar sério. Ninguém contestou o que Isaty falou.

  • Muito bem. Lideres de esquadrão digam suas equipes e destino. Mandou Alexian.

  • Iremos para Orr. Os antigos templos dos Deuses nas ruínas da cidadela seriam um bom esconderijo. Alem disse existe o boato da biblioteca secreta de kormir. Meu esquadrão será formado por: Ihara, Irikami, Alice, Shuurei, Kim, Japo, Lord Khanum, Mytho e Athriel. Disse Ashira.

  • Meu esquadrão irá para Ascalon. Rytlock me disse que a magia usada para cria a explosão que transformou a população em fantasmas pode ter haver com um dos diários. Investigaremos as catacumbas de Ascalon. Meus membros serão: Rytlock, Profeus, Celes, Pelucita, Deia, Guardião Tiajaru Rech, Corvo, salvatory e Luuh. Disse Isaty sorrindo.

  • Meu esquadrão senhor irá para Spirit Vale. É o único local que me vêem a cabeça que o diário possa estar escondido. Não será fácil, mais vamos conseguir achá-lo. Meu esquadrão será formado por: Ledox, Zelos, Blaijem, Treze, Fury, Theobeckham, Lily, Brendew e Doly. Disse Remmy.

  • Muito bem. Os outros ficaram aqui e investigarão toda Lost Precipice. Vasculhem todos os lugares. Se encontrarem algo avisem um dos esquadrões imediatamente. Preparem seus pertences para a viagem. Vocês devem partir imediatamente. Dispensados.

A mão de Isaty se ergueu como um aluno num exame da priory. Alexian suspirou imaginando o que ele perguntaria.

-O que é Isaty?

  • E o senhor? Notei que não está inserido em nenhuma equipe?

  • Preciso ir as fractais imediatamente. Como não posso dar ao luxo de tirar nenhum de vocês das devidas missões formarei um grupo com alguns amigos de outras guildas. Não direi o motivo da jornada, mas acredito que nenhum deles venha a recusar o convite.

E com isso a reunião se encerrou. Todos saíram cada um para preparar para suas respectivas missões. Rytlock continuou na sala com Alexian. Obviamente ele tinha algo mais a dizer.

  • Comandante antes de partimos quero lhe comunicar que tem meu voto para o cargo de Marshal do pacto.

  • Rytlock embora aprecie seu gesto. Não creio que consiga ser leito. Não após a verdade do diário vir a tona. Nem ao menos sei se poderei comparecer a votação.

  • Comandante não se esqueça que o pacto não é formado somente por humanos.

Com esse último comentário Rytlock saiu deixando Alexian pensativo com aquelas palavras.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 8- Preparativos

Antony havia demorado demais. Da saída da sala de reuniões até seu quarto onde apanhou todas suas coisas ele deveria ter levado mais de 30 min. Pelos seus cálculos a reunião já deveria ter terminado. Agora de cabeça mais fria ele tentava pensar em um plano. Antony iria embora com certeza. Mas precisava de um coringa. Ao pensar essa frase Antony sorriu. Era claro o que deveria fazer e quem devia procurar. O caos sempre foi a especialidade da família Solar cran . Antony Solar Cran jogou a mochila nas costas e saiu do seu quarto, não se dando ao trabalho de trancá-lo. Não iria voltar para ele, enquanto caminhava para a entrada do guild hall notou as preparações dos outros para a missão, alguns deles nem se davam ao trabalho de olhar para Antony, outros apenas acenavam com a cabeça.

  • Que se danem todos! Foi seu pensamento.

Quando estava quase na entrada do guild hall próximo a última ponte de acesso, notou uma pessoa parada encostada na coluna. Antony sorriu, imaginando que pelo menos um não o abandonará.

  • Hora, hora. Que surpresa. Fiquei na dúvida se você me deixaria ir embora assim sem falar nada comigo.

Não ouve resposta. A pessoa apenas andou na direção de Antony e parou a sua frente.

  • Não vai dizer nada? Não vai nem tentar me fazer mudar de idéia?

Antony sorria. Já começava a preparar as palavras certas para poder manipulá-lo, infelizmente não teve sequer tempo disso. Uma faca foi retirada do cinto e enfiada na barriga de Antony. Um olhar de espanto cobriu seu rosto, a faca então subiu estripando-o como um porco. O corpo cambaleou e foi direcionado para o precipício despencando no rio subterrâneo. O assassino retirou um lenço do bolso e limpou a lamina da faca jogando o lenço no precipício. Ele ficou alguns segundos olhando para o rio pensando no que tinha acabado de fazer, até que se afastou da beirada indo embora.

Quarto de Alexian e Ashira

Alexian estava sentado na beirada da cama, as mãos sobre o rosto. Carregava o peso da culpa em seus ombros. Ele tinha consciência de que a partir de agora as coisas iam piorar. Ashira se aproximou do marido e deixou que a cabeça dele apoiar em sua barriga, ele a abraçou e disse baixo em um quase sussurro.

  • Você sabe que provavelmente alguns de nós iremos morrer nesta missão?

  • eu sei. Todos nós conhecemos os riscos e todos aceitamos.

  • Se eu lhe pedisse para não participar desta missão. Você aceitaria?

  • Você sabe que não. Foi por isso que você pediu para que Ihara fique de olho em mim durante ela.

  • Como você sabia disso?

  • Os homens são muito previsíveis. Principalmente os apaixonados.

Após essas palavras eles se beijaram. Se por algum motivo este fosse a última vez que se vissem, pelo menos a lembrança destes últimos momentos juntos eles teria.

Salão principal

Luuh procurava Isaty entre os membros da guilda que se encontravam no salão. Conseguiu localizá-lo vindo dá área da taverna. Ela avançou rapidamente em sua direção o agarrando pelo colarinho da camisa que aparecia por baixo da placa peitoral da armadura. Luuh o empurrou contra a coluna de pedra exigindo explicações.

  • Porque me colocou em seu esquadrão Isaty?

  • Calminha pequena libélula. Sua indicação não foi idéia minha. Disse Isaty sorrido para ela. Mas ele tinha um expressão cansada e nervosa. Uma gota de suor escorria pelo seu rosto.

  • Do que você me chamou? Enfim, de quem foi a idéia então?

  • Foi minha agente Luisa.

A voz de Rytlock soou atrás dela. Luuh se virou sem soltar Isaty. O lendário charr a encarava. Seu antigo falecido companheiro dos whispers Tybald sempre falava do grande Tribune Rytlock Brimstone com admiração. Lembrar de Tybald sempre trazia grande tristeza ao coração de Luuh, ele tinha sido seu primeiro amigo verdadeiro, era engraçado, companheiro, leal e lembrava um grande gato sonolento. Luuh segurou as lágrimas e falou com Rytlock.

  • Porque me indicou para o esquadrão de Isaty?

  • A comandante Ashira me informou que você não seria escolhida em seu esquadrão. Por esse motivo sugeri ao magiste Isaty que a selecionasse para o nosso. Por suas habilidades de infiltradora, por seu conhecimento da região de Ascalon e pela sua afinidade com o povo charr. Você e Tybald quando em vida foram muito úteis na batalha contra a Cidadela flamejante.

  • Queridinha será que poderia me saltar agora? Disse Isaty ainda sorrindo para ela.

Luuh o largou saindo de perto dos dois sem falar ou pedir desculpas. Claro que ela se lembrava da batalha contra a cidadela flamejante, tinha sido um dia muito divertido ao lado de Tybald.

  • Então Ashira acreditava que a presença dela poderia atrapalhar ou prejudicar seu esquadrão? O motivo era obvio. Um esquadrão onde estaria Shuurei, Irikami, Alice e Hassui já seria uma combinação perigosa, se ela estivesse presente seria Mortal.

Isaty ajeitou o colarinho da camisa e disse para Rytlock.

  • Considera boa idéia levá-la com a gente?

  • Tanto quando você liderar esta incursão a Ascalon magister Isaty. Disse Rytlock que se afastou indo na direção de outro charr membro da guilda que o chamava. Isaty ficou parado tentando entender o que Rytlock queria insinuar com este comentário.

Guardião Tiajaru Rech aguardava Rytlock, ele era um charr alto com mais de 2 metros de altura de pelugem albina. Ele bateu continência ao seu Tribune quando Rytlock parou a sua frente.

  • Muito bem soldado Tiajaru Rech o que deseja falar comigo. Rytlock sempre usava designações de patentes as pessoas quando falava. Isto era um habito da cultura charr.

  • Meu Tribune agradeço a oportunidade de lutar mais uma vez ao seu lado. Mas me vejo na obrigação de expressar minha desaprovação ao indicarem o humano Profeus.

  • Soldado ouça bem o que vou falar. Siga as ordens, não questione o comando do magister Isaty e não cria problemas. Conheço sua rixa com os humanos nascidos em Ascalon e não tolerarei insubordinação neste esquadrão. Entendido soldado?

  • Entendido Tribune. Guardião bateu continência a Rytlock, as presas a mostra em desaprovação.

  • Rytlock quer que eu fique de olho neste filhote problemático? Disse Pelucita, outra charr albina. Ela e Guardião fizeram parte da mesma warband formada unicamente por charrs albinos. Os charrs albinos costumam ter destaque entre as fileiras militares de seu povo por serem considerados raças puras e vigorosas. Os que não se destacam em sua grande maioria era por escolha própria que é o caso de Pelucita ou por problemas de conduta, o caso de Guardião Tiajaru Reach.

  • Não sou um filhote! Rugiu Guardião.

  • Mas é problemático. Pelucita rebateu para provocá-lo.

  • Não me diga que esta satisfeita em ir numa missão com aquele verme humano?

  • Aquele verme humano é marido de minha irmã Celes.

  • Ela não é sua irmã de verdade! É humana! Rugiu Guardião.

  • Para mim ela é minha irmã verdadeira. Fomos criadas juntas, vimos nossos pais morrerem juntos, fomos presas e libertadas juntas. Já é hora de você esquecer esse ódio por Profeus. Tudo agora é passado, todos nós seguimos em frente.

  • Não vou esquecer! Ainda carrego as cicatrizes para me lembrar todos os dias.

  • Chega! Gritou Rytlock.

  • Ficarei de olho em você Guardião. Não me faça puni-lo como fui obrigado a punir no passado. Disse Rytlock se afastando. Guardião o olhava com raiva, as garras e presas a mostra.

  • Um conselho Guardião. Melhor não aprontar nada em Ascalon. Se fizer algo contra Profeus que deixe minha irmã Celes triste juro que arranco seus olhos com minhas garras. Disse Pelucita indo ao encontro de Celes e Profeus que conversavam perto dali.

Guardião acompanhou Pelucita com o olhar. Aquela fêmea era impetuosa, do jeito que ele gostava. Ela daria uma ótima fêmea em seu harém.

Refeitório do guild hall

Batata e Pudim eram os encarregados da cozinha do guild hall. Batata apelido ganho na infância por causa do formato do rosto era o cozinheiro. Pudim apelido dado pelos membros da guilda era o confeiteiro. Juntos os dois criavam deliciosas refeições e sobremesas dignas de reis e rainhas. Ambos recusaram inúmeros convites de trabalho em cozinhas de casas nobres. O espírito aventureiro os levou a outras profissões. Mas o amor ao preparo dos alimentos nunca os deixou. Hoje eles precisavam preparar 30 refeições para serem levados nas missões. O lema de ambos eram, “Uma barriga satisfeita era igual a um corpo sadio”.

Como devia acontecer em qualquer guilda algum membro sempre tentava furtar algumas guloseimas. Hoje foi a vez de Blaijem tentar. Resultado ele agora corria tropeçando em mesas e cadeiras enquanto Batata e Pudim o perseguiam com cutelos nas mãos.

  • Me deixem em paz seus loucos! Gritava Blaijem.

  • O que esta acontecendo aqui? Perguntou Remmy que acabava de entrar no refeitório.

  • Esses dois são malucos! Disse Blaijem se escondendo atrás de Remmy. Pudim e Batata pararam ao vê-lo. Mas não abaixaram os cutelos.

  • Este ladrão roubou os bolinhos que fiz para a viagem! Disse Pudim.

  • Alem de um frango assado inteiro. Completou Batata.

Remmy olhou para Blaijem. Ele carregava uma sacola grande abarrotada.

  • Não é um pouco de exagero de vocês dois? Bastava comunicar a Alexian.

  • Isso mesmo seus loucos.

  • Se fosse para ele comer Remmy nem ligaríamos. Shuurei e Irikami vivem pegando algo entre as refeições. Mas descobrimos que esse larapio vende o que furta! Disse Batata vermelho de raiva. Parecia mais uma batata assada agora. Remmy quase riu ao imaginar.

  • Isso é verdade?

  • Bem…eu tenho de ganhar a vida sabe.

Remmy agarrou a sacola das mãos de Blaijem arrancando-a e devolvendo a Batata.

  • Assim que a missão acabar falarei com Ashira e pedirei para que você seja colocado nos serviços gerais por um mês.

  • Um mês? Fale com Alexian, não com Ashira.

  • Alexian é compreensível demais. Ashira pune de maneira mais eficiente. Agora volte para o seu esquadrão.

Blaijem saiu do refeitório pensando que deveria ter ido embora com Antony quando teve chance. Mas no momento tinha de explicar a perda da comida para seu cliente. Ainda bem que tinha guardado uma sacola antes de ser pego.

Remmy esperou até Blaijem sair, depois olhou para a sacola nas mãos de Batata e disse com um sorriso.

  • Será que poderia ficar com um dos bolinhos?

Dormitórios da guild hall

Doly estava em seu quarto encarnado o espelho. Ele levou um mês até finalmente colocá-lo na parede. Enquanto observava seu reflexo ele mantinha os olhos em si. Doly respirou fundo por três vezes e começou a contar de 1000 a 1 como fazia sempre para se concentrar. Quando terminou ele se virou e saiu do quarto vencendo outra batalha interna.

Em um outro quanto

A espera sempre era agonizante, a ansiedade por causa da espera fazia com que a demora tornasse um martírio. Ele caminha de lado para o outro no quarto. Vários livros que estava pesquisando estavam abandonados em cima da mesa. As portas do armário de roupas e gavetas da escrivaninha estavam abertas e reviradas. O seu estoque secreto já tinha acabado. As mãos tremiam e suava, a boca salivava sem parar fazendo-o tomar uma atitude desesperada. Ele correu até a mesa apanhando uma folha de papel, ele respirava descompassadamente tentando resistir a ansiedade e o ímpeto de prosseguir. Por fim foi vencido pela compulsão. Ele enfiou a folha de papel na boca mastigando e engolindo-a. Foi quando ouviu batidas na porta ele cuspiu o pedaço da folha de papel que restava ainda na boca e correu para a porta abrindo-a rapidamente se deparando com Blaijem a sua frente com uma expressão de frustração. Ele tinha uma pequena sacola nas mãos. Muito pequena em comparação ao que tinham combinado, mesmo assim a arrancou das mãos de Blaijem enfiando a mão dentro da sacola e retirando biscoitos de dentro que eram devorados de forma voraz. Blaijem assistia a cena com nojo. Mas não dizia nada, o dinheiro pago pela comida extra era bom. Infelizmente desta vez Batata e Pudim o pegaram furtando, por sorte ainda tinha esses biscoitos escondidos. Não eram muitos mais serviriam por enquanto. Quando todos os biscoitos acabaram ele olhou para Blaijem dizendo.

  • Mais!

  • Não consegui mais. Vai ter que esperar um pouco.

  • Quero mais! Você prometeu! Ele gritou para Blaijem.

  • Acalme-se ou vão te ouvir. Disse Blaijem o empurrando para dentro do quarto e fechando a porta.

  • Quem podia imaginar que uma pessoa tão inteligente e sagaz poderia ter um distúrbio idiota como esse? Pensou Blaijem encarando-o.

  • Por favor. Eu preciso de mais. Ele implorava chorando com as mãos sobre o rosto.

  • Ok. Vou tentar de novo. Espere aqui. Mas tem de me prometer se controlar, não se esqueça da última vez. Você acabou comendo as flores do vaso.

As palavras eram duras, mas verdadeiras. Isto era uma doença. A fome que nunca acaba. A necessidade de comer á todo momento em grande quantidade. Algumas pessoas diriam ser irônico. Alguém com tanta fome de conhecimento destinado a maldição da gula. Esta era a vida miserável de Khapp o elementarista e maior pesquisador da Durmond priory e membro da guilda Holy Avenger.

Coliseu do guild hall

Existe um setor dentro do guild hall utilizado para que os membros da Holy Avenger possam praticar luta uns contra os outros. Eles chamam o lugar carinhosamente de Coliseu. Uma grande área circular localizada na parte baixa ao sudoeste de Lost precipice. Neste momento Zelos e Ledox treinavam juntos na arena enquanto aguardavam serem chamados para seu esquadrão.

Ledox atacava Zelos com potentes golpes com as espadas, porém sem precisão ou foco. Zelos por sua vez aparava cada golpe dado com facilidade. O velho amigo parecia disperso, consumido por pensamentos que o atormentavam. Zelos aproveitou para desarmá-lo em um giro da lamina, parando a espada a poucos centímetros da garganta de Ledox.

  • O que esta te incomodando amigo? Zelos perguntou baixando a espada.

  • Nada. Ledox respondeu na defensiva.

  • Claro. E eu sou um quagan voador.

  • Não quero falar sobre isso.

  • Sobre como Alexian deixou você na reserva novamente? Não me olhe assim. Tá escrito na sua cara.

  • Droga! Eu sou um comandante do Pacto assim como Alexian, Isaty e Ashira. Remmy é o que ainda? Um capitão?

  • Alexian deve ter tido seus motivos. Disse Zelos tentando confortar Ledox.

  • É claro! Como não pensei nisso? Deve ser porque ele é mais amigo de Remmy do que meu. Ledox colocou as mãos na cintura balançando a cabeça.

  • Droga! Nós três éramos grandes companheiros de regimento. Eu, você e Alexian. Depois que ele conheceu Remmy em Divinity Reach resolveu apadrinhá-lo e se esqueceu de nós.

  • Isso é ciúme Ledox? Disse Zelos sorrindo para o amigo.

  • Não! É descontentamento. Eu lutei muito por esse posto de comandante. Agora sou ignorado como se não passasse de um soldado.

  • Acho melhor esquecer isso Ledox. Quando a missão terminar converse com Alexian.

  • Vou pensar nisso.

  • Vamos até a taverna encher a cara. Isso sempre resolve meus problemas.

  • Você faz as coisas parecerem fáceis Zelos.

Os dois guardaram as armas e se retiraram seguindo em direção ao salão principal, sem notar que alguém havia escutado toda a conversa.

Salão principal

Japo estava sentado em um banco de pedra quando Ihara se aproximou. A expressão de Japo era de nervosismo e desaprovação. Ele não se conformava de Ihara não ter lhe contado que falava sua língua. Japo era um Jephyrite, mas havia perdido a memória na adolescência. Não se lembrava de sua terra natal, nem de seu idioma natural ou da família. Quando conheceu Ihara, outro jephyrite acreditou que poderia ter algumas respostas. Tal foi sua frustração ao saber que Ihara não falava seu idioma. Japo teve vergonha de pedir a Ashira para ser sua tradutora, por isso preferiu esquecer. Agora que descobriu que Ihara podia ter conversado com ele durante todo esse tempo pensava seriamente em deixar a guilda.

  • Me desculpe. Ihara falou a ele.

  • Me faça um favor Ihara. Continue fingindo que não fala meu idioma. Disse Japo se levantando e ameaçando sair.

  • Japo existem coisas que é melhor continuarem esquecidas.

Ao dizer isso Japo parou e se virou encarando Ihara avançando em sua direção.

  • Você sabe que eu sou? Me responda!

  • Sei… e não vou te dizer.

O soco atingiu o queixo de Ihara quase o derrubando. Japo se virou se afastando, a raiva pulsando em suas veias.

Ashira se aproximou de Ihara. Ela observava tudo de longe.

  • Tem certeza que não quer contar a ele? Ashira perguntou com ternura.

  • Tenho. Enquanto ele permanecer na ignorância estará a salvo.

Ashira repousou a mão no ombro de Ihara em apoio ao amigo. Ihara olhou para a mão e ergueu a sua na intenção de segurar a mão de Ashira, mas desistiu logo em seguida. Ele era um Jephyrite, a mente e o espírito eram mais forte que o coração. E sua honra não se quebraria com tal traição ao seu líder.

Os três esquadrões se reuniram no salão principal devidamente preparados. Um drone de comunicação foi entregue a cada líder de esquadrão, o último ficaria com o grupo encarregado de vasculhar Lost Precipice. O clima era tenso, nem mesmo Isaty parecia ter um comentário bem humorado para aliviar o ambiente. Alexian ficou em frente aos esquadrões, ele queria dizer muitas coisas. Queria agradecer cada um deles, mas não podia ser emotivo. Não desta vez. Ele sorriu para todos e enfim falou em um tom firme.

  • Senhoras e senhores. Hoje começamos nossa jornada, um caminho sinuoso, imprevisível e traiçoeiro. Hoje seremos testados, seremos desacreditados, seremos julgados. Porem enquanto acreditarmos em nós, enquanto acreditarmos que nossos ideais são verdadeiras, unidos venceremos mais este desafio. Porque a partir de hoje daremos sentido ao nome de nossa guilda. Hoje cada um que tentar nos deter ou nos dispersar saberão o que significa ser um Holy Avenger!

Todos ergueram as mãos com suas armas em punho em aprovação. Gritando palavras de clamor. Havia chegado a hora. Amy ajustava as coordenadas do portal de guilda. O aparelho havia sido inventado por ela e a equipe de pesquisa da Alquimia Eterna. Em teoria o aparelho podia teleportar um esquadrão inteiro a um setor qualquer de Tyria onde um waypoint devidamente instalado estivesse. Ocasionalmente o portal apresentava certos problemas e acabava teleportando o esquadrão para um setor diferente. Diacordo com Amy não era um defeito e sim uma interferência causada por fatores externos.

Rio subterrâneo de Lost Precipice

O corpo de Antony se encontrava caído próximo a margem do rio subterrâneo. A respiração era fraca, ele tinha vários ossos fraturados e a hemorragia interna causava algumas convulsões. Era um milagre ainda estar vivo. Embora Antony soubesse que em poucos minutos seu fim chegaria. A perda de sangue o havia feito para de sentir dor. A única coisa que sentia era uma dormência nos músculos e a visão ficando cada vez mais embaçada. Um clarão de luz semelhante a um pequeno sol surgiu diante de Antony. Uma voz aguda e sussurrou em seus ouvidos.

  • Pobre humano. Traído e deixado para morrer. Sozinho e sem amigos. Você quer ser salvo Antony? Quer vingança pelo que fizeram com você? Quer ver seus inimigos destroçados e implorando por misericórdia? Me aceite como seu mestre e comande minha Legião e eu lhe prometo apagar a existência de todos que o insultaram e o deixaram para apodrecer nestes esgotos.

A cabeça de Antony inclinou assentindo. O globo de luz se intensificou expandindo cobrindo o corpo de Antony para em seguida desaparecer como se nunca tivesse estado lá.

Salão principal

  • Os preparativos estão quase prontos para o teletransporte. Iniciaremos em exatos 22 minutos e 37 segundos e contando. Checando instrumentos e coordenadas do portal. Disse a asura Amy que digitava comandos na tela do aparelho.

  • Antes de partimos temos um problema ainda pendente. Disse Salvatory, embora fosse um guardian usava cabelos longos despenteados, barba mal feita e lenço na cabeça. Salvatory era um pirata antes de ser um guardian. E velhos hábitos não mudam.

  • E o que seria? Pergunto Ashira já esperando confusão.

  • Antony. O que vai acontecer caso ele resolva falar sobre o diário com alguém?

  • Não vamos nos preocupar com isso. Além disso. Quem acreditaria nele sem provas?

  • Ainda acho uma má idéia deixar ele zanzando por ai com essa informação.

  • E o que sugere Salvatory? Que o aprisionemos?

  • Existem outras maneiras de fazer uma pessoa se calar Ashira. Disse Salvatory com um sorriso, a boca com vários dentes de ouro.

  • Chega! Antony tomou sua decisão e nós a nossa. O que ele fizer ou deixar de fazer é problema dele a partir de agora. Disse Alexian interrompendo com autoridade.

  • Vai ser um erro. Falou Salvatory.

  • Vou me arriscar. Rebateu Alexian.

Alexian e Salvatory se encaravam. Ambos possuíam personalidades diferentes. Alexian seguia o código dos cavaleiros, Salvatory o dos piratas. Por fim Salvatory deu com os ombros e falou.

  • Você é o líder. É quem decide e arca com as conseqüências.

Isaty se aproximou de Alexian e falou perto do seu ouvido.

  • Alexian posso ter uma palavrinha com você?

  • Claro Isaty. O que ouve? Perguntou Alexian vendo Salvatory se juntar ao seu esquadrão.

  • Em particular senhor.

  • Certo. Só não podemos nos demorar. Amy logo irá nos teleportar aos nossos destinos.

  • Em exatos 18 minutos e 55 segundos. Ela falou.

  • Prometo que serei breve.

  • Vamos a minha sala.

Os dois se retiraram do salão principal indo ao escritório de Alexian. A porta atrás dos dois foi fechada e Alexian se sentou na cadeira em frente a mesa oferecendo a outra cadeira a Isaty.

  • O que esta lhe incomodando Isaty? Esta preocupado com o que Salvatory disse?

Isaty se sentou cruzando as pernas e disse.

  • salvatory não me incomoda. Mesmo quando acha que estamos num navio pirata. Certa vez cheguei a acreditar que ele ia me mandar andar na prancha.

Isaty sorriu. Mas logo depois ficou sério. Algo incomum para ele.

  • Não sei se foi boa idéia realmente ter deixado Antony partir Pelo menos não daquela maneira.

  • Você acha que ele vai falar a respeito do diário?

  • Não. Mas acho que ele seria útil nas incursões.

  • Antony fez a escolha dele. Não podemos obrigá-lo a permanecer na guilda ou aceitar tudo que na opinião dele é certo. Faremos o seguinte. Assim que tudo isso se resolver eu irei pessoalmente procurá-lo para conversar. Diacordo?

  • Sempre o conciliador. Diacordo senhor. Então por enquanto vamos deixá-lo em paz. Quem sabe ele reflita em sua decisão estando sozinho onde possa estar. Disse Isaty suando pela testa.

  • Você esta bem Isaty? Aconteceu algo?

  • Não senhor. É que eu o conheço a muito tempo. Possamos por muita coisa juntos em Ascalon. Você devia ter conhecido o pai dele. Figurinha adorável.

  • Sebastian Solar Cran? Perguntou Alexian.

  • Você o conheceu?

  • Pessoalmente não. Mas a fama o precede. Líder dos separatistas, político, culpado por mais de 6 mil mortes de inocentes em Ascalon.

  • Como eu disse figurinha adorável. Ainda bem que está morto. Muita gente sofreu em suas mãos. Não somente Antony sendo seu filho. Mas eu, Deia, Profeus, Celes, Guardião, Batata e Pelucita. Até aqueles que você não chegou a conhecer. Aloin e Geeh.

  • O casal de amigos que não quiseram se unir a Holy Avenger que você comentou uma vez?

  • Sim. Foram longos 5 anos juntos. Não esperava que as coisas chegassem a este ponto…bem, obrigado por me ouvir senhor. Nos vemos quando retornarmos das incursões.

  • Certo Isaty. E Boa sorte ao voltar a Ascalon.

  • Lar doce lar. Falou Isaty se levantando e saindo da sala. O suor escorrendo pelo queixo. Ele levou a mão ao bolso aparentemente buscando algo, retirou a mão ainda vazia. A expressão mudando como se lembrasse de algo desagradável que fez sua mão tremer. Ele a segurou com a outra mão e abriu um sorriso indo em direção o seu esquadrão. Enquanto caminhava pensou.

  • Deia sinto muito. Sinto pelo que fiz e ainda vou ser obrigado a fazer.

Uma lembrança rápida passou pela cabeça de Isaty. Nela seu avô dizia… “ sorria Isaty, sempre sorria não importa o que aconteça…” e a lembrança se desfez.

Amy finalizou os preparativos e o portal foi acionado. Uma grande área circular de luz azulada se ergueu. Os três esquadrões avançaram em fila sabendo que provavelmente alguns não retornariam para casa quando a missão fosse finalizada ou o mais provável caso não fosse.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 9-Lembranças

Alexian Kallamar 28 anos atrás

Sir Axel William kallamar lll caminhava sem parar no corredor em frente à porta de seu quarto. Sua esposa Lady Amanda atingia a vigésima sexta hora de trabalho de parto, suas serviçais que realizavam o parto havia comunicado Sir Axel que seu filho se encontrava virado do lado errado do ventre e que ambos, esposa e filho corriam perigo de vida. Sir Axel teve de ser retirado á força do quarto pelas serviçais, ela explicaram que sua presença mais atrapalharia que ajudaria naquele momento, a espera por notícias era angustiante. Axel nunca foi um homem religioso, mas se viu orando aos seis Deuses humanos em busca de ajuda para sua mulher e filho. Em meio as suas orações Axel sentiu uma presença ao seu lado, olhou em volta sem ninguém encontrar, súbito uma voz soou em seus ouvidos, sussurrando como se alguém estivesse falando ao seu lado.

  • Não precisa mais orar aos Deuses Axel. Eu irei salvar sua esposa e filho. Mas sua família me deverá um favor. Pode não ser hoje ou amanhã, pode não ser você ou sua esposa, pode não ser seu filho ou netos. Mas um dia eu irei procurar alguém de sua família e irei exigir meu pagamento que deverá ser pago a mim sem questionamentos. Você compreende Axel? Aceita meus termos?

Axel acenou com a cabeça com as suas mãos tremulas, não sabia dizer se estava ouvindo um Deus ou um demônio. Mas sabia que a voz dizia a verdade. Axel conseguiu fazer uma única pergunta antes da voz silenciar.

  • Como saberei que minha esposa e filho estão bem? E a voz respondeu antes de sumir.

  • Quando o primeiro choro de seu filho você ouvir e a primeira perda você presenciar saberá que fiz minha parte.

  • O que quer dizer com perda? Axel perguntou sem receber resposta, logo em seguida o choro de um bebê foi ouvido. Uma das serviçais abriu a porta do quarto com um sorriso no rosto permitindo seu senhor de entrar. O bebê era embalado por uma das servas, a esposa dormia após tantas horas de esforço do parto. Axel pegou seu filho dos braços da serva e olhou para ele dizendo.

  • Meu querido filho Alexian que preço eu tive de pagar para tê-lo comigo junto de sua mãe?

  • Quem é você e o que faz com meu filho no colo?

A voz era da esposa que despertava. Em seu rosto um olhar que dizia que ela olhava para alguém que nunca havia visto antes. Axel enfim compreendeu o que a voz dizia sobre perdas.

O espetacular Pudim 16 anos atrás

Divinity’s Reach sempre foi á cidade mais famosa por seus feriados comemorativos, um destes feriados mais aguardados pela população era o King Jubilee. Todo ano centenas de pessoas participavam dos preparativos para esta data festiva, criando dúzias de outros eventos menores com o objetivo de selecionar os melhores artistas, músicos, cozinheiros e confeiteiros para o aniversário do rei. O mais querido entre estes eventos era o concurso de doces e sobremesas da primavera. Confeiteiros e lojas especializadas em doces competiam com a intenção de serem os vencedores que ganhariam o direito de preparar o bolo de aniversário do rei. Isso garantia que durante todo o ano as vendas triplicariam por causa da propaganda recebida. Este ano cinco confeiteiros disputavam o primeiro lugar, cada um com seus respectivos bolos confeitados, com apenas uma excessão. A de um garoto e seu pai que entraram na competição não com um bolo tradicional, mas com algo inovador. Um grande pudim da altura de um bolo, feito de cinco sabores diferentes com recheio interno de doce de leite e chocolate. Esta obra de arte venceu seus oponentes com facilidade ganhando o direito a participar do King Jubilee. Tal foi á fama adquirida que pai e filho acabaram sendo conhecidos como a família do espetacular pudim.

Remmy 15 anos atrás

O pai de Remmy estava sentado em seu escritório com um sorriso largo no rosto. A menos de 4 horas atrás havia sido promovido a líder dos Shining Blade a tropa de segurança pessoal da família real. Ele havia vencido a disputa contra o duque Rodney, não foi fácil, mas isso só fez a vitória mais saborosa. Ele se virou ao ouvir o som da porta se abrindo, Remmy olhou para dentro esperando autorização para entrar. O pai sorriu para ele fazendo um gesto para que se aproximasse. Daniel Remmy I era bom pai e marido, sua bondade só se equivalia ao seu senso de justiça e honra. Daniel colocou a mão sobre a cabeça do filho. Daniel Remmy II tinha 10 anos, muito parecido com o pai. O filho tinha muito orgulho de seu pai e queria ser o primeiro a parabenizá-lo pela promoção. Sabia que sua amiga Anise filha do conde Rodney não havia gostado quando seu pai perdeu a indicação para o dele. Mas o pequeno Remmy tinha certeza que logo isso ia passar.

6 meses depois

Daniel Remmy I estava tenso em seu escritório. Seus informantes haviam lhe dito que um atentado ao rei seria feito no dia do festival do King Jubilee, ele tentou convencer vossa majestade a adiar o King Jubilee, porém o rei era irredutível. Daniel teria de usar todos os recursos disponíveis para descobrir quem, como e quando o atentado aconteceria, iria gastar até mesmo parte da fortuna da família pagando por informações e suborno se fosse preciso.

King Jubilee 08:00 am

Daniel Remmy I não dormia a 4 dias seguidos. Estava exausto fisicamente e mentalmente. Durante todos esses dias investigou, interrogou e até mesmo foi obrigado a torturar pessoas atrás das respostas que precisava, Invadiu casas, tavernas, estalagens, confeitarias e hotéis. Sabia que tinha transgredido algumas leis do reino, mas a segurança do rei era mais importante. Daniel havia descoberto como seria o atentado e que horas iria acontecer, preparou a armadilha só aguardando o momento de agir. Seus homens estavam posicionados e preparados. O atentado seria feito por garçons durante a cerimônia abertura do King Jubilee. Daniel Remmy I só não sabia quais garçons eram os assassinos. Por isso seus homens imobilizariam todos em sincronia. A ação teve inicio no momento que os garçons entraram no salão. Eram 20 garçons distribuídos por todas as mesas, os guardas da shining blades agiram com rapidez e eficácia, imobilizando cada um deles. Ao fim da ação 3 garçons foram identificados como sendo os assassinos, o rei ficou muito agradecido e um brinde a Daniel foi feito, a rainha e sua filha princesa Jennah de 12 anos concederam a Daniel presentes em agradecimentos. O King Jubilee seguiu sem mais nenhum problema até seu final. No encerramento o rei recebia presentes das crianças de Divinty’s reach, ao chegar a vez de uma menina de aproximadamente 9 anos carregando um buque de flores, o rei notou que ela chorava ele se ajoelhou em frente a menina sorrindo para ela, limpando as lagrimas de seu rosto e perguntou.

  • Porque chora criança? Hoje é um dia de alegria.

A criança nada disse, ao invés disso abaixou as mãos com as flores, preso ao corpo da menina algo semelhante a uma caixa escura de metal. Os olhos do rei se arregalaram, levou menos de 1 segundo para a explosão ocorrer. A criança, o rei e a rainha caíram mortos na mesma hora, a explosão feriu várias outras pessoas entre eles a princesa Jennah e o próprio Daniel. Mais tarde ficou-se sabendo que o primeiro atentado fora criado para despistar do segundo. Um meio de retirar a atenção do ponto mais vulnerável do King Jubilee, a entrega de presentes das crianças ao rei. Daniel Remmy I foi responsabilizado por tudo, por não descobrir o segundo atentado e pelas mortes do rei e da rainha. A família Remmy a partir deste dia começava a ter usa queda.

Shuurei e Kim 15 anos atrás

“Existe um conto que fala de dois irmãos, eles passavam a maior parte do tempo no bosque, porque o homem mau sempre os esperava em casa. Certo dia enquanto brincavam no lago a irmã mais nova ouviu uma voz a chamá-la, a voz vinha de uma pequena esfera de luz azulada perguntou.

  • Pequena menina porque em casa não está?

E a menina respondeu.

  • Porque o homem mau está lá.

  • E porque você e seu irmão não fogem de lá?

E a menina respondeu.

  • Por que minha mãe lá irá ficar.

  • E se eu dissesse que sua mãe nunca esteve lá.

E a menina respondeu.

  • Eu não iria acreditar.

  • Então pequena menina me diga. Á quanto tempo você não vê sua mãe da cama levantar, da boca falar e do ar respirar? ”

A pequena Shuurei de 5 anos fechou o livro de contos, as lágrimas caindo sobre a capa. Seria possível uma história adivinhar tanto da vida de alguém? Embora esse conto não soubesse nem um décimo do que realmente acontecia. Já estava escuro quando a porta do quarto se abriu. O susto a fez derrubar o livro no chão, ele estava de pé diante da porta, ela já ouvia o irmão gritando no outro quanto, implorando porque agora era a vez dela.

Remmy 15 anos atrás

Um mês, este foi o tempo que Divinity’s Reach permaneceu de luto após a morte do rei e da rainha. Paralelamente ao luto dois importantes eventos ocorreram na cidade, o julgamento de Daniel Remmy I por incompetência na proteção da família real e a formação do conselho ministerial que governaria o reino até a princesa Jennah atingisse a idade adequada para ser coroada. O líder nomeado pela câmara dos ministros foi Caudecus Beetlestone que atacava verbalmente o antigo líder da guarda dos shining blades, em sua opinião pessoal, Daniel Remmy I deveria não só ser expulso da guarda real, como também ter seus bens confiscados e ele condenado a prisão perpétua.

Daniel aguardava em sua cela o veredito do júri, ainda tentava compreender como aquela menina havia passado por seus guardas sem revista. Em sua cabeça só havia uma explicação plausível. Traição dentro da guarda ou talvez até dentro do ministério, era necessário descobrir quem planejou o atentado e avisar a princesa Jennah. Como única herdeira ele sabia que a vida dela corria perigo, porém se quisesse desmascarar toda esta teia de conspiração tinha de sair desta cela, tinha de fugir e se tornar aquilo que mais odiava. Um foragido da lei.

O pequeno Daniel Remmy II estava sentado na cama, já passava das 2 horas da manhã. Porem ele não tinha sono ou fome, mesmo sem ter comido nada durante o dia todo. Ele não acreditava no que havia acontecido com o pai, todos apontavam para ele dizendo que seu pai foi o culpado pelas mortes do rei e da rainha, sua mãe não parava de chorar desde a prisão. Os amigos os havia abandonados, os parentes se afastado, ninguém queria contato com os Remmy. Ele ouviu uma batida forte na porta, se levantou e foi ver que eram. A mãe já havia aberto e um guarda falava com ela, ele dizia que seu pai tinha fugido da prisão e que agora era procurado vivo ou morto por ordem do conselho ministerial. A mãe foi até o quarto do filho, era obrigação dela contar da fuga do marido da prisão, quando abriu a porta não encontrou o menino, a janela estava aberta e um bilhete em cima da cama, ela o apanhou e o leu, escrito nele estava: Vou achar meu pai.

Ledox 12 anos trás

Ledox corria pelos corredores do palácio, ele estava atrasado para a aula de esgrima pela terceira vez só esse mês, a culpa era de Zelos que o levou a um bar a noite e ambos beberam a noite toda. Ledox sabia que levaria uma bronca e que desta vez seu capitão seria avisado. Enquanto corria perdido em pensamentos ao virar a esquerda em um corredor se chocou com alguém, Ledox, a pessoa e vários livros voaram ao chão, ele levou a mão á cabeça olhando para á frente e se deparou com a visão mais linda já tinha visto na vida. Sentada no chão, cercada de livros estava uma jovem, não mais de 16 anos, ruiva, olhos verdes e um olhar zangado para ele, que não reduzia em nada sua beleza.

  • Sinto muito milady. Não tive a intenção de colidir com você, peço que me perdoe. Disse Ledox se levantando e esticando a mão oferecendo ajuda a dama.

  • Você devia olhar por onde anda e porque estava correndo feito um louco dentro do palácio? Ela disse aceitando a ajuda para se levantar.

  • Correndo? Atrasado! O treino! Perdão senhorita, mas tenho de ir. Estou atrasado. Disse Ledox saindo correndo, mas parou no meio do corredor se virou e perguntou.

  • Perdoe minha ousadia senhorita, mas poderia me dizer seu nome?

Ela olhou para ele enquanto pegava um dos livros caídos no chão. Parecia pensar na resposta, por fim disse.

  • Condessa Anise. Mas pode me chamar somente de Anise.

Quando Ledox finalmente chegou na sala de esgrima seu instrutor Kobi estava o aguardando de braços cruzados e de mau humor.

  • Espero que tenha um bom motivo para se atrasar hoje.

  • Tenho sim senhor. 1.60m altura, olhos verdes, ruiva, uns 55 kg e com o rosto da Deusa Lyssa. Disse Ledox sorrindo.

O instrutor Canthanês sorriu e disse.

  • Parece um bom motinho para mim. Vamos treinar.

Corvo 11 anos trás

Havia em Divinity’s Reach uma criança que não tinha amigos, o motivo disto era que seus pais eram necromantes. A família Raven era muito antiga, existiam várias histórias estranhas sobre eles. A alguns anos a necromancia era proibida no reino, porem com o despertar de Zhaitan e o surgimento dos mortos-vivos risens era necessário estudar e pesquisar sobre os mortos-vivos. Os necromantes eram os mais indicados para isso, por esse motivo a necromancia passou a ser legalizada desde que usada em benefício do reino e na procura e combate a Zhaitan. Os Ravens eram uma destas famílias de necromantes beneficiadas pela nova lei, mas o medo e o preconceito isso nunca acabaria. O único filho do casal Constantine era o maior prejudicado por este preconceito. As outras crianças caçoavam e o temiam. Nem ao menos o chamavam pelo nome verdadeiro e sim por um apelido dado a ele Corvo. Não apenas sobrenome da família, mas também porque os únicos amigos que ele tinha eram as aves que lhe emprestavam o apelido. Corvo passava a maior parte do tempo sozinho com seus amigos pássaros, seu esconderijo ficava no cemitério de Queensdale, os estudos na necromancia estavam atrasados Porque os pais estavam sem tempo de lhe ensinar devido as pesquisas incansáveis a procura de uma forma de deter o avanço dos risens. Eles queriam entender como funcionava a contaminação e a infecção, como Zhaitan criava e controlava seus risens. Mas para isso eles precisavam de um espécime desperto e não destruído, sabiam que trazer um risen para dentro de Divinity’s Reach era proibido e perigoso. Porem não teria como mudar seu laboratório para outro local, demoraria demais. Então decidiram contrabandear um risen secretamente para dentro da cidade, contrataram mercenários para capturar um e o prenderam em um caixão de ferro, escondendo-o dentro de uma carroça fechada. Os guardas do portão nunca examinavam eficientemente a carroça deles. Afinal o que necromantes traziam era sempre nojento, asqueroso e fétido.

O risen foi colocado dentro do laboratório na casa do casal devidamente algemado, amordaçado e amarrado. O laboratório residência dos Ravens ficava na parte mais pobre de Divinity’s Reach, os pais de Corvo acharam melhor manter segredo sobre o hóspede peculiar, proibindo a entrada no laboratório ao filho. Isto fez Corvo se sentir ainda mais solitário. As pesquisas e testes no risen foram sendo feitas, mas nenhum resultado satisfatório conseguido. O que os Ravens não sabiam era que Zhaitan além de controle total de seus risens, também podia usá-los como um radar. Desta maneira o risen prisioneiro iria mostrar sua localização, onde uma incubadora surgiria, outro ponto ignorado pelos Raven era que os risens podiam separar partes do próprio corpo e controlá-los livremente. E foi isso que fez este risen, separando sua mão e braços do tronco, controlando eles para partir as amarras. Com o risen liberto e a incubadora surgindo no porão do laboratório os pais de Corvo foram pegos de surpresa, mortos e reanimados como novos risens. Ao longo da noite cidadãos do distrito eram mortos e reanimados, quando a guarda descobriu o que acontecia metade do distrito estava a mercê de Zhaitan. Os risens atacaram a guarda da cidade, tentado empurrá-los, queria invadir os outros distritos. Corvo ao ouvir o alarme de Divinity’s Reach correu para casa, estava preocupado com seus pais e ao chegar lá viu o caos que se encontrava o lugar. Ele andava desnorteado em meio ao conflito, aparentemente sendo ignorado por guardas e risens, ao chegar próximo de casa viu seus pais transformados, o terror penetrando em sua pele. Eles sorriam para ele, com os rostos sem vida, marcados pro ferimentos, o chamavam a se juntar a eles, dizendo que ninguém mais iria desprezá-lo, que todos seriam como eles, todos juntos como uma família. O grito de Corvo foi abafado por braços fortes que o agarraram e o carregaram para longe. Explosões e fogo caíram sobre o distrito destruindo tudo. A câmara do ministério da cidade sabia que não teria como deter os risens e ordenou a detonação de bombas incendiárias, mesmo a Princesa Jennah sendo contra ela não pôde se opor, a grande maioria dos ministros apoio o ataque, idéia dada por Caudecus, sem alternativa a princesa teve de dar a ordem e o capitão da guarda Logan executá-la. Mas quando Logan viu uma criança viva no lugar ele correu para salvá-la antes das detonações. Logan salvou a criança, mas ela agora havia ficado mais sozinha do que nunca, sem pais, sem casa, sem amigos, completamente sozinha.

Ashira 11 anos atrás

As duas jovens se esgueiravam pelas sombras, sair da área do palácio era a tarefa mais difícil, a guarda pessoal da família real a Shining blade era rigorosa em suas patrulhas. Porem eles não conheciam todas as passagens secretas existentes no palácio. Ashira descobriu a primeira passagem aos 5 anos, enquanto brincava de esconde-esconde com a irmã, ela notou um vão entre um dos maiores quadros do salão de jantar e atrás dele uma porta secreta, a curiosidade a fez abri-la e explorar a passagem, descobriu que ela terminava no pátio do palácio, bem atrás de um muro vivo. Ela agora o utilizava de novo para sair do palácio com a prima, a princesa Jennah. A aventura consistia em sair de Divinity’s Reach e explorar a caverna que existia ao lado da cidade em Queensdale. Nada perigoso ou grandioso, as crianças da cidade brincavam dentro dela de dia, o ponto no desafio era sair do palácio à noite sem serem descobertas e explorarem a caverna sozinhas, depois retornarem sem serem vistas. O desafio havia sido feito por Ashira para sua prima Jennah.

  • Isto é uma péssima idéia. Péssima Ashira!

  • Onde está sua coragem Jennah? Não estamos indo as catacumbas de Ascalon, só aqui ao lado da cidade, não vejo perigo algum nisso.

  • Ashira eu sou uma princesa. Não devia estar me esgueirando pelos cantos como uma ladra.

  • Esta bem vossa alteza. Se esta com tanto medo basta dizer que ganhei o desafio e voltamos para nossas camas quentes e macias.

  • Nunca!

  • Então comece a engatinha rente ao chão, princesa. Ashira disse sarcasticamente sorrindo.

  • Eu agora entendi porque você está vestida como um homem.

  • Isto são calças de couro e muitas mulheres da ordem do conhecimento as usam.

  • Aposto que são todas feias, másculas e cheias de músculos que disputam queda de braço com homens.

Ashira riu, tapando a boca com as duas mãos para diminuir o ruído. Ela estava conseguindo afinal. Jennah embora estivesse um pouco assustada, o brilho de excitação pela aventura podia ser visto em seus olhos. Desde que o rei e a rainha, seus tios, pais de Jennah morreram no atentado a 4 anos atrás ela não via a prima sorrir, nem se interessar por nada. Ashira não podia suportar ver a prima deste jeito, não depois do apoio dado por ela quando sua irmã foi levada e morta pelos centauros.

  • Eu garanto que as mulheres da Durmond Priory são tão femininas e delicadas como nós duas.

  • Eu sou delicada, agora enquanto a você… Onde estava sua delicadeza quando Alexian tentou segurar sua mão no baile e você torceu o braço dele para trás.

  • Fiz isso com toda a delicadeza possível. Afinal não o quebrei

  • Ashira você pode ser ótima em história antiga, línguas e até mesmo em explorar lugares secretos. Mas é péssima em relacionamentos amorosos.

  • Quem aqui quer se relacionar amorosamente? Ainda mais um relacionamento arranjado por meus pais.

  • Alexian parece que gosta de você de verdade…

  • Melhor ficar quieta, nós estamos chegando perto do portão de saída.

As duas se esgueiraram rente ao muro próximo ao portão de saída, Ashira tateou os tijolos até encontrar a fissura certa, a moveu e três blocos deslizaram para a lateral deixando uma pequena abertura onde alguém poderia se arrastar por baixo.

  • Você só pode estar brincando, não vou conseguir passar com este vestido.

  • Então é melhor começar a tirá-lo, te espero do outro lado. Disse Ashira deslizando pelo buraco e logo em seguida desaparecendo.

  • As vezes você é muito irritante Ashira. Disse Jennah num sussurro enquanto retirava o vestido como podia deitada no chão. Após longos 10 minutos ela finalmente se despiu, empurrou o vestido pelo buraco e deslizou para dentro dele. Ashira estava agachada ao lado do muro rindo com o vestido na mão. Jennah saiu do buraco arrancando o vestido das mãos dela e começou a vesti-lo, estava toda amarrotada e suja de terra. Ashira fez um gesto com as mãos para que ficasse em silencio e começou a caminhar para o norte ainda rente ao muro, depois de se distanciarem o suficiente do portão Ashira se sentou rindo a plenos pulmões.

  • Muito engraçado. Muito mesmo.

  • Você precisa se ver no espelho, parece que brigou com um cão de rua.

  • E de quem é a culpa?

  • Sua por não vir com roupas adequadas.

  • Ashira. Eu só tenho vestidos! Jennah falou irritada.

  • Então me lembre de presenteá-la com algumas camisas e calças masculinas.

  • Vamos acabar logo com isso, onde fica essa caverna afinal.

  • Depois do riacho veremos uma casa na arvore no alto do morro, a caverna é embaixo.

As duas caminharam silenciosamente na direção do riacho, atravessaram pulando de pedra em pedra e logo avistaram a casa da arvore. A entrada da caverna logo abaixo, as duas se esgueiraram lentamente para dentro, retos de uma fogueira e algumas sacolas caídas demonstravam que alguém vivia no local.

  • Acho melhor sairmos Ashira.

  • Quem são vocês?

A voz vinha do fundo da caverna assustando as duas garotas, uma silhueta de uma criança magra podia ser vista. Estava segurando o que parecia ser um pedaço de madeira usando-o como um porrete, logo atrás dele outro vulto aparentando ser mais uma criança só que menor e mais nova.

  • Fique calmo. Meu nome é Ashira, esta é minha prima Jennah. O que vocês dois estão fazendo aqui dentro. Porque não estão em casa?

O corpo do garoto tremeu ao ouvir isso, mas logo ele voltou ao normal e falou mais firme e com raiva.

  • Nós não temos casa! E vocês duas o que estão fazendo aqui afinal?

Ashira olhou para Jennah, as duas sentiram o mesmo. O garoto estava mentindo, ela só conseguia enxergar o menino, seus olhos demonstravam medo e raiva. Não devia ter mais que 13 anos, a outra criança parecia ser uma menina não mais que 9 anos de idade. Uma dor se formou no peito dela, Ashira queria proteger os dois, não sabia de onde vinha esse sentimento, mas fez uma promessa silenciosa para si, um juramento. Ela sorriu para os dois com uma das mãos estendidas e perguntou.

  • Qual é seu nome?

O garoto hesitou um pouco, a menina estava agarrada as pernas dele, ele olhou para ela que acenou com a cabeça. O garoto respirou fundo e depois respondeu.

  • Hassui. Hassui Deadcaller e esta é minha irmã Shuurei.

Zelos 11 anos atrás

Os dois guardas da academia real entraram na taverna, a música e os risos eram altos, assim como o cheiro de fumo e bebida. A taverna do Lobo Negro era a mais famosa pocilga existente em Divinity’s Reach. No local se podia beber, jogar, negociar artigos ilegais ou simplesmente freqüentar um dos quartos no andar de cima acompanhado de uma prostituta. Alexian e Ledox não estavam neste lugar para nenhuma destas atividades. Sua missão era buscar um recruta que não havia voltado para a ala da guarda no dia anterior, levando em conta em conta que o recruta era amigo dos dois esperavam achá-lo e retornar com ele antes do capitão sentir sua falta, ou então Zelos estaria realmente encrencado. Os dois foram direto para o balcão, o taverneiro que limpava um copo com um pano aparentemente mais sujo que o copo levantou o rosto e fez um sinal com o queixo para a lateral da taverna. Zelos era velho conhecido do lugar e Bob o taverneiro já conhecia o procedimento quando Alexian e Ledox vinham buscá-lo, afinal de contas esta seria a quinta vez só esse mês. O fundo da taverna tinha uma mesa semi-escondida por uma coluna, nela um rapaz adormecido estava com a cara tombada sobre a mesa, em volta dele várias garrafas vazias, canecas e cartas de baralho espalhas pela mesa e chão. Alexian e Ledox se aproximaram e o agarraram cada um por um braço, levantando-o da cadeira, Zelos despertou protestando.

  • Me soltem seu bando de imbecis.

  • Sinceramente Zelos não sei por que nos importamos com você. Disse Alexian com a expressão zangada.

  • Isso mesmo. Se você pretendia encher a cara devia ao menos nos convidar.

  • Chega Ledox. Vamos Zelos antes que sintam sua falta no dormitório.

Quando começaram a sair cinco homens de aparência não amigáveis cercaram os três recrutas, os brutamontes estavam com os braços cruzados e armados com porretes presos ao cinto.

  • Querem sair da frente. Disse Alexian os encarando sem ao menos piscar para eles.

  • O chefe quer ter uma palavrinha com seu amigo.

  • E o que seu chefe poderia querer falar com nosso amigo?

  • O seu amigo andou jogando cartas com o nosso chefe e perdeu. O chefe agora quer o dinheiro que ele deve.

  • Diga ao seu chefe que meu amigo irá pagar o que deve depois. Agora precisa voltar conosco.

O capanga colocou o dedo indicador no peito de Alexian e disse.

  • Ele vai pagar agora ou então vêem com a gente. Fui claro?

Alexian suspirou pensando quantas vezes mais acabariam em confusão por culpa de Zelos. Ele olhou para Ledox e Zelos e que fizeram um sinal com a cabeça, Alexian assentiu. Então os três partiram para a briga.

Ashira 11 anos atrás

Ashira não conseguia entendeu o motivo que levaria duas crianças a fugirem de casa, tentou várias vezes conversar com eles sendo ignorada completamente. Quando o estomago do garoto roncou alto ecoando pela caverna Ashira sabia que era a oportunidade de conseguir se aproximar mais deles. Ela pediu licença às duas crianças e saiu da caverna, instruiu sua prima Jennah a não comentar nada a ninguém e retornar ao castelo. Em seguida foi buscar comida para os irmãos, voltou alguns instantes depois com uma cesta repleta de guloseimas que foram devoradas em minutos. Enquanto observava os dois comendo sentindo novamente uma tristeza avassaladora. A vontade de proteger estas duas crianças mais forte do que nunca. Ashira meditava como poderia fazê-las acreditar que suas intenções eram boas e que desejava do fundo do coração cuidar delas. Perdida em pensamentos não notou movimento próximo a entrada da caverna, sendo surpreendida junto com os irmãos por três homens de aparência asquerosa, com barbas maus feitas, dentes podres e fedendo como lixeiras e bebida barata. Obviamente a caverna tinha outras funções a noite além de brincadeiras para as crianças de dia.

  • Veja o que encontramos rapazes. Parece que hoje é nosso dia de sorte. Um dos homens falou, faltava um dos dentes em sua boca.

  • Ela é uma belezinha. Disse o outro apontando para Ashira.

  • A pequena também é uma graça. Disse o outro que se encontrava mais a frente olhando para Shuurei.

Ashira não conseguiu entender na hora o que ocorreu. Notou algo cruzando sua frente e logo depois ouviu um grito de dor, um dos homens levava as mãos ao nariz que jorrava sangue. Hassui havia se levantado como um raio, ele pegou uma tora da fogueira e acertado o nariz do homem que havia falado de sua irmã, os olhos do garoto eram um misto de ódio e loucura.

  • Se tocarem na minha irmã, juro que vou matar todos vocês! Vou arrancar o coração de cada um e apertar até sentir ele parar!

  • Moleque você ta morto! Disse o homem com o nariz sangrando. Os outros dois retiraram facas das cinturas enquanto o de nariz quebrado pegava uma manopla de ferro com espetos.

Ashira começou a entrar em pânico, pensava rapidamente numa saída para aquela situação, a pequena menina tremia apavorada sentada no chão. Enquanto seu irmão balançava a tora de madeira na frente dos três homens que avançaram sobre Hassui. Ashira ficou de pé e sem saber bem o que faria gritou alto e com autoridade.

  • Parem! Vocês três por acaso sabem quem eu sou?

Os homens pararam por um instante, Ashira não sabia se por surpresa ao que ela dizia ou por susto a sua reação.

  • E quem seria você belezinha? Um dos homens disse sorrindo com aqueles dentes podres na boca.

  • Sou Lady Ashira, sobrinha do falecido rei e prima da princesa Jennah. Ashira falou com autoridade odiando cada palavra. Ela não suportava ter de usar seu título de nobreza, fazia parecer que era dependente dele para conseguir atingir seus objetivos, Ashira até se negava a morar no palácio, preferindo uma mansão em Divinity’s Reach. Porem a vida de duas crianças dependia dela e isso era maior que seu orgulho.

  • E o que tem isso haver com a gente? Disse o homem ainda com aquele sorriso podre.

  • Você acha que alguém da família real sairia do palácio sem uma escolta? Acha que eu seria tão idiota assim?

Os três homens pararam e olharam uns para os outros, pareciam considerar o que Ashira falará, por fim disseram.

  • Se é verdade onde está sua escolta?

Ashira empalideceu, pensava numa contra resposta quando ouviu outra voz vindo da entrada.

  • A escolta da senhorita Ashira está bem aqui. Desculpe o atraso milady. Lady Jennah acabou de me informar onde você se encontrava. Disse Alexian Kallamar guarda real.

  • Senhores porque não largam suas armas e vão embora sem causarem problemas e eu esquecerei o que aconteceu aqui.

Os homens se entre olharam decidindo o que fariam, um deles sorriu e disse antes de atacar.

  • Você é só um.

Os três atacaram Alexian. Ele esquivou das duas facas passando uma rasteira no primeiro que foi ao chão, o segundo tomou uma coronhada no rosto com o cabo da espada caindo desacordado e o terceiro com o a manopla de ferro tentou socar a cabeça de Alexian. Ele se esquivou novamente passando o braço em volta do pescoço do agressor puxando-o para trás. Alexian usou o joelho como uma alavanca apoiado na coluna do oponente o fez girar no ar caindo de cabeça no chão.

  • Deseja continuar. senhores?

Dois deles pegaram o companheiro desacordado segurando-o pelos braços e saíram da caverna soltando pedidos de desculpas. Alexian embainhou a espada observando os três homens se afastando, o garoto Hassui parou ao lado de Alexian e disse entusiasmado.

  • Gostaria de aprender a lutar assim um dia.

  • Qual seu nome garoto?

  • Hassui. Mas pode me chamar de Kim.

  • Eu posso te ensinar Kim se você quiser. Disse Alexian se virando para olhar para Ashira que sorriu para ele.

  • Senhorita Ashira você esta bem?

  • Sim. Obrigada.

  • Senhorita Ashira. Tenho algo que gostaria de perguntar a você se me permite tal ousadia.

Ashira ruborizou. Sabia que Alexian gostava dela, ele provavelmente pediria para sair com ela ou talvez namorar. Ela não queria ser grossa com ele, não depois dele ter salvo à ela e as crianças. Ela decidiu ser mais delicada e gentil possível com ele.

  • Pode perguntar Alexian. Ashira disse encabulada.

  • senhorita…porque está usando calças de homem? Ele disse coçando a cabeça.

Ashira arregalou os olhos surpresa. A irritação cresceu dentro dela fazendo-a dar um tapa no rosto de Alexian.

  • Seu idiota! Ela gritou.

  • Ai. Alexian disse com a mão sobre a bochecha que ficou vermelha.

Uma risada foi ouvida atrás de Ashira, a pequena menina ria. Alexian olhou para ela e disse.

  • Quem bom. Finalmente a menina sorriu.

  • Você fez de propósito esse comentário?

  • Fiz. Você achou mesmo que eu seria tão indelicado com uma dama?

Após Alexian dizer isso pela primeira vez Ashira sentiu carinho de verdade por ele.

  • Gostaria de me acompanhar de volta ao palácio senhorita? Disse Alexian oferecendo o braço.

  • Adoraria.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 10-Família

Alice e Irikami 10 anos atrás

O pátio da mansão da família Lacy era decorado por várias estátuas em homenagem ao Deus da guerra Balthazar, devoto fervoroso Sir Edgar Lacy prezava que sua guarda pessoal fosse os mais experientes combatentes de Divinity’s Reach. Tal rigorosidade era ainda mais cobrada de seus dois filhos. No centro do jardim uma arena de treino fora construída para que ele pessoal mente pudesse ensinar seus filhos na arte da espada.

  • Levante-se Alice! Você não disse que desejava provar que era capaz de ser minha herdeira no lugar de seu irmão?

O homem falou apontando a lamina da espada para o rosto dela. Este era Edgar Lacy , pai de Alice e Irikami, a tradição dizia que o primeiro filho deveria assumir a liderança da família . Podem Alice era mulher e diacordo com Edgar incapaz de assumir esta responsabilidade. Irikami deveria ser o escolhido por ser o filho homem. Alice estava ajoelhada era uma bela garota de 15 anos, loira, olhos azuis, ela segurava o cabo da espada como uma bengala, estava com vários cortes e hematomas. Ela se levantou com dificuldade colocando-se em posição de luta, Edgar mal lhe deu tempo de fazer isso, atacou e ela aparou o ataque se ajoelhando perante a força do pai.

  • Menina se quer liderar esta casa deve esquecer que é mulher! Deve agir e lutar como um homem! Você acha que estou sendo duro com você? O que acha que um inimigo de verdade iria fazer se a vencesse? Ele vai desonrá-la, vai fazê-la gritar como a mulher que você é!

  • Caso você ache que não consegue jogue fora essa espada e procure sua mãe. Ela irá lhe ensinar a costurar, cozinhar e gemer para um homem, como toda boa mulher deve fazer!

A alguns metros Irikami estava sentado em um banco de pedra assistindo a luta, fora obrigado pelo pai. O garoto estava com 12 anos, tinha os cabelos loiros como a irmã e olhos azuis um pouco mais escuros. Irikami não retirava os olhos da luta, eu pai não era só rígido com Alice, ele também tinha as marcas para provar isso, se não assistisse a luta até o fim seria punido.

Um chute na barriga de Alice a levou ao chão, a espada rolou para longe deixando-a indefesa, Edgar colocou a lamina no pescoço da filha, olhava para ela com desprezo.

  • Patético! Saia da minha frente, você não merece minha atenção.

Ele se virou de costa embainhado a espada deixando Alice e Irikami sozinhos. Por hoje a aula havia acabado.

Corvo 10 anos trás

A vida de um órfão era sofrida, a vida de um órfão de pais necromantes que foram culpados por uma invasão de risens muito pior ainda. Corvo era ignorado, desprezado e até mesmo odiado por adultos e crianças. O capitão da guarda Logan assumiu papel de padrinho do garoto, o visitava trazendo presentes, o levava para passear, numa tentativa de amenizar seu sofrimento e solidão. Porem seus deveres como capitão da guarda tomava muito tempo e embora Logan se esforçasse, ele não era a família de corvo, não tinham nada em comum. Por esse motivo Corvo passava longo período completamente sozinho, ele estava morando no orfanato de Divinity’s Reach e passava grande parte do tempo no telhado do local na companhia das aves que lhe emprestavam o nome. A perda dos pais, somado com a solidão gerava idéias distorcidas em sua cabeça, fazendo-o cogitar saltar do telhado para que enfim encontrasse alivio em sua dor. Em um desses dias ele estava em pé bem na beirada do telhado, imaginando se teria coragem de pular, foi quando do alto viu um rapaz mal encarado de uns 17 anos intimidando uma pequena menina em um beco. Ela não devia ter mais que 10 anos. Corvo podia ter ignorado o fato, podia ter ficado assistindo sem fazer nada, podia até mesmo ter falado com um adulto. Mas não fez nenhum destas escolhas, ele escolheu descer do telhado e ir até onde o rapaz intimidava a menina. Ao chegar próximo ouviu o rapaz falar com ela aos berros.

  • Me dê isso! Me dê isso ou eu vou machucá-la!

  • Não! È meu! Ela gritou.

O rapaz agarrou o que parecia ser um colar preso ao pescoço dela puxando-o. O colar arrebentou e quando o ladrão se preparava para fugir com seu roubo deu de cara com Corvo. Um menino de 13 anos, olhos negros, baixinho e magro. Porem conhecido por todos em Divinity’s Reach. O rapaz olhou irritado para Corvo e gritou.

  • Saia da minha frente aberração!

  • Devolva o que roubou. Disse Corvo calmamente.

  • Você está brincando comigo? Eu acabo com você fedelho!

Uma sombra escura cobriu os três. O rapaz olhou para o alto tentando descobrir o que causou aquela enorme sombra. Pousados em torno de cada telhado, muro, poste e carroças dezenas de corvos olhavam e grasnavam para o rapaz. O ladrão deu um passo para trás com medo e os corvos voaram em sua direção atacando-o com bicadas e com as garras fazendo-o largar o colar no chão, ele saiu correndo com os corvos voando atrás dele. Corvo se abaixou pegando o colar, em seguida entregou a menina que o olhava assustada.

  • Obrigada. Ela agradeceu apanhando o colar e enfim sorrindo.

Corvo retribuiu o sorriso, imaginado que as coisas podiam melhorar a partir daquele dia. Porem logo em seguida recebeu um soco no rosto que o fez cair no chão. Ao olhar quem havia lhe socado viu um menino de uns 14 anos magro com um olhar de ódio e loucura, ele gritou para Corvo.

  • Não toque na minha irmã seu maldito!

A menina agarrou o braço do irmão falando apressadamente.

  • Não! Ele me salvou de um ladrão! Não bata nele Kim!

  • Ele a salvou Shun? Ele? O filho dos necromantes?

  • Sim. Se não fosse por ele o ladrão teria roubado o colar que Ashira me deu.

Kim olhava para Corvo de punhos fechados, parecia que dentro dele um conflito acontecia. Por fim a expressão suavizou, ele ofereceu a mão para que Corvo se levantasse que aceitou se erguendo.

  • Desculpe. Achei que você tinha atacado minha irmã.

  • Tudo bem. Ninguém gosta de mim mesmo. É normal me culparem de tudo de ruim que acontece.

Kim ficou em silencio por um momento, depois fez a pergunta que o consumia desde que ficou sabendo da existência de um garoto filho de necromantes na cidade.

  • Como é ser um necromante?

  • É estar sempre sozinho.

  • Então deve ser a profissão ideal para mim. Disse Kim sorrindo.

Hell of Ormack 10 anos atrás

Poucas pessoas sabem ou se dão ao luxo de procurar saber, mas existem níveis de hierarquia no submundo. O submundo de Divinity’s Reach é formado pelos pobres, miseráveis, excluídos e marginais. Este submundo tem suas próprias regras e leis e a quebra destas leis é paga muitas vezes com a própria vida. Ormack vivia no meio desse submundo, com 12 anos de idade conhecia cada beco, cada buraco, cada viela para se esconder. Seu medo não era a guerra contra os centauros ou o ataque dos Elder Dragons, nada grandioso como isso, seu medo era Gally, um rapaz de 18 anos, 100kg de gordura e músculos. Gally era o líder de uma pequena gangue de batedores de carteira ao qual Ormack fazia parte, as ordens dadas por ele eram simples, até porque o cérebro de Gally não era lá essas coisas, mas seus socos isso sim era algo a se importar. As ordens eram roubem o máximo que conseguirem e dêem 90% para Gally. Simples, fácil e injusto, como a vida era. Já passava de 5 horas da tarde e Ormack sabia que logo as ruas ficariam mais vigiadas pela guarda ao anoitecer, o que lhe dava menos de 1 hora para conseguir roubar algo de valor. Se voltasse ao esconderijo de mãos vazias seria espancado novamente e seu corpo ainda não havia se recuperado da última vez. Enquanto observava os passantes tentando escolher a vítima certa seus olhos pousaram em um senhor idoso muito alto e corpulento, devia ter uns 2 metros e 30 de altura e mais de 200 kg. Mas o que chamou a atenção de Ormack foi a grande sacola amarrada as calças que chacoalhava ao som de muitas moedas. Sim era muito arriscado o alvo, mais o premio valia o risco.

Treze 10 anos atrás

Existe uma conspiração muito antiga que tem como objetivo derrubar a família real de Tyria. Ela envolve desde guildas de ladrões, assassinos, a famílias nobres e influentes, inúmeros grupos criminosos foram recrutados e anexados a esta irmandade secreta. Os White Mantles ( mantos brancos) estavam no topo da liderança desta conspiração. Eles comandavam as células menores causando terror na região, os ataques tinham como principal objetivo desestabilizar o governo monárquico. Existia muitos métodos para recrutamento de novos membros para as fileiras destas células. Mas um destes métodos era considerado cruel e desumano, o rapto de recém nascidos e crianças pequenas. Casas eram invadidas e as crianças roubadas de suas famílias, estas crianças então eram criadas em esconderijos subterrâneos secretos, eram treinadas e programadas para receberem ordens somente de seus mestres. Estas crianças não possuíam nomes, apenas um número de identificação tatuado no pescoço. O teste final do treinamento era uma luta até a morte contra outra criança do grupo. Estas crianças não tinham medo, remorso ou culpa, apenas suas ordens a serem cumpridas. Um dessas crianças a de número 13 havia acabado seu teste final. O corpo inerte do número 16 estava caído aos pés de treze, não eram amigos, nem companheiros, não existiam relacionamentos de amizade na ordem, o líder dos recrutas se aproximou de treze sorrindo, colocou a mão em seu ombro e disse muito satisfeito ao instrutor dos recrutas.

  • ótimo trabalho. Com este completamos a carga. O lote será entregue ainda hoje a uma célula e amanhã Divinity’s reach arderá em chamas.

Ashira e Shuurei 10 anos atrás

Hoje era oficialmente o dia das garotas instituído por Ashira. Shuurei estava em seu quarto, ela e seu irmão viviam com Ashira desde que ela os encontrou na caverna ah quase um ano atrás. Dezenas de vestidos jogados por todos os lados, ela não conseguia se decidir com qual deveria sair para passear com Ashira. Seu irmão Kim tinha saído a poucos minutos de muito mau humor como sempre, ele não gostou do tal dia das garotas e como fazia nos últimos 5 dias sairá sem dizer para onde ia. Shuurei tinha uma pequena desconfiança de onde seu irmão ia, mas evitava tocar no assunto, conhecia o irmão muito bem e ali era território perigoso. Após longos 45 minutos ela finalmente se decidiu por um lilás com detalhes brancos, Shuurei tinha 10 anos, quase 11. Idade que as primeiras mudanças físicas começam a acontecer nas mulheres, sutis mais perceptíveis. Ela se olhava no espelho tentando ver essas mudanças, mas o olhar de decepção refletia o que a imagem dizia.

  • Sou horrível.

  • Para mim você é linda.

A voz a fez dar um salto de susto, Ashira havia entrado no quarto, distraída Shuurei não percebeu.

  • Desculpe não tive a intenção de assustá-la. Esta pronta? Disse Ashira sentando na cama ao lado de Shuurei, o par de bustos fartos embora escondidos pela roupa, era facilmente percebido.

  • Sim, Shuurei falou baixando a cabeça ainda chateada. Ashira se aproximou e com a ponta dos dedos levantou o queixo de Shuurei.

  • Não fique triste. Algumas garotas levam mais tempo para se desenvolverem que outras. Ela falou tentando animar a menina.

  • Está bem.

  • Vamos. Temos de aproveitar bem o dia.

Ashira estendeu a mão e Shuurei a segurou, as duas saíram do quarto esperando pelo belo dia que teriam.

No alojamento da guarda Alexian fazia seu relatório diário, Zelos entrou pela porta com uma cara de que não trazia boas notícias. Alexian fechou o livro então disse.

  • O que descobriu com seus contatos?

  • A casa está vazia ah alguns meses, pelo que os vizinhos conseguiram me contar eles eram família aparentemente normal. Mas a 6 anos atrás a mãe morreu e as crianças passaram a viver com o pai, tudo parecia normal até que as crianças pararam de ser vistas na vila. Diacordo com o pai as crianças estavam doentes e tendo alucinações, ele procurou remédios e ajuda, mas aparentemente nada funcionou, um dos vizinhos me contou que as crianças diziam que a noite quando elas iam dormir o homem sem rosto vinha até elas.

  • Sem rosto?

  • É uma lenda local. Um homem sem a face vestido de preto que leva as crianças embora.

  • Você descobriu porque elas fugiram de casa?

  • Acho que sim. E você e Ashira não vão gostar nada.

Batata 10 anos atrás

Davi era filho de John Potato, seu pai possuía uma estalagem popular em Queensdale, sua comida era muito famosa na região, muitas pessoas vinham a Queensdale somente para provar de seus pratos famosos. Davi tinha muito orgulho de seu pai e seu sonho era algum dia saber cozinhar tão bem quanto ele. Porem Davi era um menino desajeitado na cozinha, sempre derrubando pratos ou errando a quantidade certa de temperos, John era muito paciente com o filho, mas já notava que ele não possuía talento para a profissão, os amigos de Davi debochavam dele e por causa do formato de seu rosto e do sobrenome da família o apelidaram de Batata.

Um dia uma carruagem luxuosa chegou a estalagem e um nobre de Ascalon se hospedou nela, ele havia ouvido falar dos saborosos pratos feitos por John Potato e viajou até Queensdale para prová-los. Seu nome era Sebastian Solar Cran, pai de Antony Solar Cran. O nobre foi recebido na estalagem com o máximo de luxo e atenção que o local poderia oferecer, o nome de Sebastian Solar Cran era conhecido mesmo em Tyria. Um homem arrogante, intimidador, megalomaníaco e acima de tudo cruel. Existiam boatos sobre sua ligação com os separatistas de Ascalon. Porem nada nunca foi provado contra ele. John Potato sabia que enquanto Sebastian estivesse hospedado em sua estalagem ele estava andando em ovos e tanto sua vida, quanto a de sua família corriam perigo, era essencial agradar Sebastian e fazê-lo partir o mais rápido possível. O que John não sabia era que Sebastian tinha outros planos para ele e seu filho Davi fazia parte disso.

  • Maravilhosa comida senhor Potato. Eu tenho uma proposta para o senhor, eu vim até aqui para acertar o casamento de meu filho Antony e gostaria que você retornasse comigo a Ascalon.

  • Quer que eu cozinhe na festa de casamento de seu filho?

  • Não. Quero que o senhor cozinhe na reunião de Paz entre charrs e humanos que se realizará em 1 semana, meus informantes descobriram q o senhor será convidado para ser o chefe da cozinha no evento.

  • Não recebi nenhum convite sobre isso.

  • Ainda será enviado ao senhor. Só estou garantindo que você aceite o convite.

  • Senhor Sebastian estou honrado, mas não posso me ausentar por muito tempo do meu estabelecimento.

  • Eu compreendo. Mas o que lhe pagarei garantirá 1 mês do que você fatura neste lugar. Alem disso preciso de alguém de confiança para adicionar um tempero especial aos pratos das feras.

  • Como assim? Perguntou John.

  • Animais raivosos precisam ser sacrificados e não a nada melhor do que conceder a última refeição a eles.

  • Eu me recuso!

  • Tem certeza? Não é sábio me desafiar senhor Potato.

  • Gostaria que você se retirasse de minha estalagem agora.

  • Como queria, se mudar de idéia estarei no palácio por mais alguns dias.

Sebastian se retirou rumando para dentro de Divinity’s Reach. John observava a carruagem se afastando, imaginando se tinha feito a coisa certa. Quando escurecesse entenderia o que Sebastian dizia, porque seu filho Davi não seria encontrado em lugar nenhum e um mensageiro entregaria o convite do evento de paz a John no dia seguinte. John não tinha escolha, iria para Ascalon.

Alexian e Zelos 10 anos atrás

Isso não era bom, na verdade era péssimo. Ashira com certeza ia odiá-lo pelo resto da vida, mas ele tinha de fazer isso, aquelas duas crianças eram um perigo para Ashira e para elas próprias. Mesmo que tudo o que Zelos contou fosse suposição, haviam muitos fatos a serem considerados e as provas conseguidas embora superficiais eram mais que suficientes para levar as crianças para uma verificação. Alexian indagava.

  • Seria possível um filho assassinar os pais? E mesmo sendo apenas crianças?

Ashira podia até não perdoá-lo, mas ele não podia arriscar a vida dela por aquelas crianças. Ele teria de prendê-las. Zelos estava na taverna novamente, se sentia péssimo, mentira para seu amigo. Amigo que o ajudará tantas vezes, mas ele precisava do dinheiro para pagar outra dívida de jogo. E o que ele podia fazer?

  • Fez o que pedi?

  • Sim. Zelos respondeu desgostoso.

  • Aqui esta o dinheiro que prometi. Quando poderei ver as crianças?

  • Elas vão estar sobre nossa responsabilidade em breve. Ai você poderá reclamá-las por direito.

  • Não terei interferências?

  • Não. Afinal você é o pai biológico. Como disse que se chamava mesmo?

  • Eu não disse. O homem respondeu, o taverneiro Boby olhava Zelos do balcão sem entender com quem Zelos falava já que a cadeira a sua frente continuava vazia desde a hora que ele se sentou na mesa.

Irikami e Alice 10 anos atrás

Irikami havia terminado de tratar os machucados da irmã, Alice estava sentada na cama com o dorso nu, com apenas uma toalha tampando os seios. Em suas costas e braços cicatrizes recentes outras antigas dos treinos com seu pai. Irikami guardava a pomada e ataduras na maleta de primeiros socorros. Seu olhar fixou por um tempo nas costas da irmã deixando seu rosto vermelho, Irikami sua irmã achava linda. Ele não entendia por que ela insistia tanto em querer ser aceita como sucessora da família e ter de se machucar em treinos rigorosos para conseguir isso, em sua opinião ser bela deveria bastar para a irmã.

  • Terminei Alice, pode se vestir.

  • Obrigada Iri. Sei como deve ser chato cuidar de sua irmã mais velha.

  • Não! Não é isso… Eu só não entendo porque é tão importante assim para você… Irikami parou de falar.

Alice se virou olhando para o irmão e completou a frase.

  • Ser a sucessora da família? Eu poderia dizer que é por orgulho ou vaidade. Mas verdade iri é por você.

  • Por mim?

  • Sim. O treino que recebo. Os castigos, os machucados, tudo seriam em você ao invés de em mim. Se eu tiver de desistir do meu lado feminino para ser o que nosso pai deseja é o que farei.

Os irmãos se abraçaram, Irikami chorava enquanto Alice passava a mão em seus cabelos. Parte do que ela falará era verdade, não queria que Irikami passasse pelos mesmos treinos que ela. Porem a vontade de ser reconhecida pelo pai como uma Lacy que podia comandar a família como qualquer homem era maior.

A porta do quarto de Alice se abriu, o pai deles entrou com uma expressão irritada. Ele olhou para ambos e falou em tom autoritário.

  • O que está fazendo no quarto de sua irmã e porque está chorando feito uma mulher?

  • Ele estava me ajudando com os curativos. Alice falou séria.

  • E precisa chorar ao fazer isso? Amanhã você receberá um castigo por esta demonstração de fraqueza irikami.

  • Pai! Alice disse pensando em protestar em defesa do irmão. Mas o pai ergueu a mão fazedno sinal para que ficasse em silêncio.

  • Não vim aqui para isso Alice.

  • Então veio para que meu pai?

  • Vim para lhe dar um recado. Amanhã quero você bem vestida, maquiada e agindo como uma dama.

  • E isso seria para que?

  • Amanhã você vai conhecer seu futuro marido.

As palavras do pai a atingiram como um soco. Ela ficou sem reação, não sabendo o que dizer.

  • A família Solar Cran é muito poderosa e influente em Ascalon. A união de nossas famílias será benéfica para ambas, espero que seja gentil e amável com o filho de Sebastian Solar Cran ou juro que você vai preferir ter nascido em outra família.

Edgar saiu do quarto batendo a porta ao sair. Alice e Irikami permaneceram sentados na cama sem palavras para o que o pai deles havia informado. Alice sentia algo crescendo dentro de seu peito, algo chamado ódio.

Kim e Corvo 10 anos atrás

Morar em Divinity’s Reach não era ruim, nem estar na companhia de Ashira. O problema era que Kim acreditava que ela e Shuurei estavam se apegando a ela demais. Ashira os tratava como se fossem seus filhos e este era o principal problema de Kim. Ashira não tinha sequer idade para ser a mãe deles, nem eram parentes verdadeiros. Kim assistia Shuurei seguir Ashira por toda parte como um filhote atrás da mãe. Aquela visão quase o fazia passar mal. Eles estavam morando em um belo casarão luxuoso. Embora Ashira fosse da nobreza, parente direta da família real. Ela preferia morar fora do palácio. A casa possuía inúmeras obras de arte e centenas de livros antigos. Os irmãos faziam três refeições por dia, ganhavam roupas novas e cada um tinha seu próprio quarto. Eles tinham liberdade de sair e entrar no casarão a hora que quisessem e convidar um amigo para visitar a casa caso decidissem.

  • Amigos…Kim riu. Ele e a irmã não tinham nenhum, somente Ashira e o pretendente engomadinho dela. Lord Faren que aparecia ocasionalmente para paquerá-la. Por esse motivo ele tinha o habito de tentar agradar os dois, seja com presentes ou com passeios. Pura encenação barata acreditava Kim, tudo que ele queria era ter a atenção de Ashira. Neste ponto Alexian era muito melhor que ele. O guarda real que havia salvado eles na caverna no dia que conheceram Ashira não só era um homem de coragem, como alguém que não escondia o que pensava, era sincero e algumas vezes até divertido e engraçado. Se Ashira fosse se casar deveria ser com Alexian pensou Kim.

  • Mais o que é que eu estou pensando! A vida deles não é da minha conta… E o mais importante de tudo… Porque eu VIM até aqui de novo??? Kim gritou.

Kim estava parado em frente ao orfanato, nos últimos 5 dias fazia aquela rota involuntariamente, não conseguia deixar de pensar no garoto filho de necromantes, queria saber mais sobre como era ser um. Por esse motivo o visitava constantemente desde que o conheceu. Corvo o considerava um amigo, Kim queria acreditar que o que o movia até lá era apenas curiosidade, não queria admitir que o que procurava era um amigo. Ele bateu na porta e esperou. Como sempre notou corvos o observando. Já se acostumava com isso mesmo sendo estranho as aves sempre estarem perto de Corvo. A porta se abriu e Corvo o recebeu com um sorriso, Kim fez uma meia careta, sorrir era algo muito difícil para ele, os deis garotos saíram e foram para a praça onde sempre ficava, conversando. Corvo se sentou no banco e falou.

  • Desembucha. O que aconteceu?

  • Nada… Kim falou relutante.

  • Claro. E eu sou um troll Kim.

  • Não me chame de Kim. Me chame de Hassui.

  • Então pare de me chamar de Corvo. O meu nome é Constatine. Agora conta logo o que aconteceu.

  • Ok. Ashira e Shuurei foram fazer compras e como minha irmã ficou dizendo a noite anterior toda e hoje de manhã: “ Coisas de meninas, homens não podem ir.” Kim fez uma imitação de Shuurei. Corvo começou a rir e depois falou.

  • Quem foi que disse mesmo que não era um sujeito divertido?

  • Se você falar mais uma palavra eu vou embora. Disse Kim irritado.

  • E não vai querer ouvir mais a respeito dos meus pais?

  • O que quero saber é como ser um necromante! Não sobre seus pais mortos!! Kim gritou.

  • Corvo arregalou os olhos, mesmo um filho de necromantes sentia falta dos pais.

  • Me desculpe Corvo. As vezes falo as coisas sem pensar. Kim disse constrangido.

  • Tudo bem. Ainda sinto falta deles. E você? Não sente falta dos seus?

Um olhar sombrio passou pelo rosto de Kim, os corvos grasnaram como se pressentissem perigo. Corvo olhava para Kim e enfim entendeu um pouco sobre ele.

  • Muito bem. Vou te ensinar. Só que sei apenas o básico, depois você terá de procurar um professor de verdade.

  • Vai me ensinar? Kim falou surpreso. O olhar sombrio sumindo.

  • Sim. Vamos para o cemitério desenterrar alguns cadáveres.

  • Parece divertido. Kim disse enfim sorrindo depois de muitos anos.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 10 - Familia- Falta

Hell of Ormack 10 anos atrás

Ormack seguia seu alvo silenciosamente esperando o melhor momento para agir. O gigante velho caminhava despreocupado pela rua, a sacola chacoalhava alegremente como se fizesse um convite para que Ormack a furtasse. Quando o velho se inclinou para conferir alguns produtos de uma barraca, Ormack avançou rapidamente até as grandes costas do velho, cortou a corda que segurava a sacola com um canivete e afastou-se rapidamente, em poucos segundos já tinha ziguezagueado por vários becos, parando no fundo de um deles. Ormack abriu a sacola admirando seu trabalho. Haviam 25 moedas de ouro e 51 de prata, uma pequena fortuna para alguém como Ormack. Ele começou a imaginar se deveria esconder a maior parte do roubo para ele mandando Gally para o inferno quando uma voz grossa, porem entretida falou.

  • Você até que é bom. Mas deixa mais rastro que um javali manco.

Ormack paralisou de susto na entrada do beco, o velho gigante olhava para o garoto assustado com divertimento. Após o susto inicial Ormack tentou se acalmar, obviamente havia cometido um erro ao furto a sacola fazendo o velho perceber, ele olhou em volta traçando um plano de fuga, ele guardou a sacola dentro do bolso interno da camisa e pulou para o alto agarrando o beiral de uma janela, foi escalando até o telhado feito um macaco imaginando que alguém grande, gordo e pesado como o velho jamais o alcançaria lá em cima. Ormack chegou ao telhado ofegante, o peito doía. Ele olhou para baixo e o velho tinha desaparecido, provavelmente tentando achar uma porta ou escada para subir atrás dele, o velho iria demorar muito até chegar ali e Ormack já estaria longe.

  • Por que demorou tanto?

Ormack congelou, se virou e o velho estava no telhado sentado calmamente olhando para ele como se estivesse ali antes mesmo de Ormack chegar.

  • Garoto limpe os ouvidos, porque só vou falar uma vez. Por que me roubou?

Ormack não sabia o que fazer, estava assustado com aquele velho e por algum motivo desconhecido contou tudo a ele, sobre sua vida, sobre a gangue, sobre Gally. Após terminar o velho sorriu e disse.

  • Não precisa mais se preocupar com esse tal de Gally, leve a sacola para ele, dê todo o dinheiro a ele, depois é por minha conta. Faz semanas que não caço, acho que irei me divertir muito nesta cidade.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 11- Ataque a Divinity’s Reach Parte 1

Divinity’s Reach 10 anos atrás

Zelos continuava a beber, havia duas garrafas vazias a sua frente e uma terceira pela metade. O remorso e culpa o corroíam por dentro, martelando sua cabeça. Zelos havia mentido para Alexian a respeito das crianças, o havia feito acreditar que elas eram desequilibradas, perigosas e assassinas. Tudo por dinheiro, ele traíra a confiança de um dos poucos amigos que ainda acreditavam nele. Zelos se considerava um verme, o pior dos homens. Enquanto sentia pena de si mesmo alguém se sentou na cadeira em frente a ele, pegou a garrafa e encheu um copo, bebendo seu conteúdo em uma única virada. Ledox baixou o copo e falou sem rodeios.

  • Desembucha! E não me venha com mentiras. Alexian pode não saber quando você está mentindo, mas eu sei. Crescemos juntos nas ruas antes de sermos recrutados para a academia da guarda. Você me livrou de muitas encrencas com sua lábia, agora é minha vez. Ledox encarou Zelos nos olhos e prosseguiu.

  • O que você fez? Porque mentiu para Alexian sobre as crianças?

Zelos abaixou a cabeça envergonhado não conseguindo encarar o velho amigo e disse.

  • Porque sou um fraco.

A cidade de Divinity’s Reach é o último bastião da glória humana. Paredes de pedra calcária branca, grandes estátuas, santuários para venerar os 6 Deuses humanos. Ela é definida como uma grande roda, com as altas paredes exteriores como bordas e seis paredes internas que formam 6 distritos, sendo o centro do circulo o palácio real.

A cidade em si é feita de pedra e argamassa contrastrada com deserto que rodeia a cidade. Divinity’s Reach foi apresadamente construida à beira de um penhasco sobre um criptas subterrâneas pré-existentes. A cidade é melhor descrita como um mistura de culturas, uma fusão, os seres humanos habitantes de Kryta, Ascalon e Elona são frequentemente vistos na cidade, e muito poucos de Canthan e até descendentes de Orrion.

A cidade é circular, dividida em seis distritos e do palácio central. Os Ascalonians, Elonians e Krytans cada um tem seus próprios distritos na cidade. Dois distritos abrigam os pobres, e bem como as lojas e atividades do festival da cidade. O último distrito pertence ao povo de Cantha, é o mais movimentado entre todos, também conhecido com o distrito oeste.

O distrito oeste de Divinity’s Reach era famoso por suas lojas, vários artigos de todas as regiões eram vendidas no local, as ruas e lojas sempre estavam lotadas de fregueses e visitantes. Pessoas que vinham de todos os lugares para passear, fazer compras e conhecer um pouco a cultura deste povo peculiar de olhos puxados e pele amarela que é os Canthanianos.

Ashira e Shuurei estavam neste mar de pessoas, visitando lojas, barracas de lanches, vendo artistas de rua, se não fossem as esbarradas e o empurra- empurra constantes, o dia seria perfeito. Era próximo do fim de semana, dia de maior movimento da área comercial da cidade. Com um pouco de esforço elas conseguiram entrar em uma loja de vestidos de festa. A atendente veio até as duas com um sorriso no rosto e olhos excitados, ela provavelmente havia reconhecido Ashira, e a expectativa de uma boa venda era evidente.

  • Bem vindas. Meu nome é Mary, gostariam de provar algum dos vestidos?

Cemitério de Queensdale

Se existe algo que era chato no estudo da necromancia, sem sombra de dúvidas era a violação de túmulos. Dava muito trabalho ter de cavar a sepultura, retirar o caixão do buraco, abrir a tampa e remover o cadáver para um lugar calmo. Para então poder realmente começar o estudo, fazer isso sozinho além de muito cansativo era uma tarefa chata. Porem em dupla tornava-se algo divertido.

  • Você bem que podia reanimá-lo dentro do caixão e fazê-lo cavar a saída, economizaria tempo e energia. Disse Kim cavando o túmulo com uma pá junto com Corvo.

  • Lição numero 1 na necromancia: Antes de se conseguir reanimar um corpo morto é necessário realizar inúmeros procedimentos cirúrgicos e místicos. Não somos Zhaitan que estala suas juntas esqueléticas e os mortos saem dançando valsa.

  • O que acontece se nós pegarem roubando um cadáver? Quis saber Kim.

  • Não é roubo. Estamos pegando emprestado em nome dos estudos da necromancia. Alem disso nós iremos devolve-lo mais tarde. Corvo disse em defesa.

  • Não respondeu a pergunta. Kim disse fincando a pá na cova e olhando para Corvo.

  • Esta bem. Eu ficarei de castigo no meu quarto no orfanato por 1 mês em observação. Você provavelmente será levado até sua tutora para ser punido. Mas como ela é membro da família real e caso ela não queira puni-lo, não vai acontecer nada.

  • É sério que é só isso que acontece se nos pegarem?

  • O que você esperava? Que nos prendessem? Somos crianças!

Kim gargalhou a plenos pulmões. Começava a achar que a lei e a justiça eram coisas estúpidas.

Distrito Norte

Alexian saia do casarão onde Ashira morava. Ninguém estava em casa. A empregada havia dito que Ashira tinha saído para fazer compras com Shuurei e que o GAROTO ASSUSTADOR ( palavras da empregada) havia saído mais cedo, não dizendo para onde tinha ido. Alexian pensava onde Ashira teria ido fazer compras com Shuurei. O lugar mais lógico seria o distrito oeste da cidade, o maior núcleo de lojas existente de Divinity’s Reach. Alexian começou a correr, precisava achar Ashira rapidamente. Uma sensação ruim crescia dentro dele, e por algum motivo o rosto de seu pai no leito de morte surgiu em sua mente. Algo ruim iria acontecer hoje.

Mansão Lacy , área nobre de Divinity’s Reach

Alice se olhou no espelho em seu quarto, ela estava linda. Os cabelos loiros armados e presos em uma tiara de diamantes, o vestido branco alinhado e brilhante, toda maquiada. Ela parecia uma princesa de contos de fadas, isso fez o ódio aumentar ainda mais. Alice deu um soco no espelho que se quebrou e cortou o punho da mão, sangue escorria sujando o vestido. Alice tomou uma decisão naquele momento, algo que mudaria sua vida a partir de agora. Ela iria fugir, não conseguiria provar ao pai que era digna, mas não daria o gostinho a ele de ter de se casar obrigada. Alice abriu o armário pegou a roupa de treino, se despiu, atirando a tiara do outro lado do quarto, em seguida trocou de roupa, ignorando o machucado da mão apanhou sua espada e foi até a janela do quarto no 2° andar e desceu escalando a lateral, seguiu até o muro e o pulou. Sua fuga foi notada 20 minutos depois quando Irikami foi chamá-lo, 5 minutos depois ele já pulava o muro atrás da irmã sem avisar ninguém, 45 minutos mais tarde Edgar o pai dos dois descobriu o sumiço de ambos e em 8 minutos ele e 10 guardas saiam da mansão a procura deles para sofrerem a punição por essa vergonha e humilhação que haviam feito o pai passar.

Distrito Oeste

Remmy caminhava sem destino pelas ruas de Divinity’s Reach, não queria voltar para casa, não queria contar a sua mãe que fora recusado na academia da guarda pela 5° vez, o nome do pai ainda assombrava sua família. Remmy tinha jurado a si mesmo que chegaria onde o pai havia chegado, a liderança dos shining blades, provando assim seu valor. Porem precisava começar por baixo e o inicio de tudo era a academia, tinha de ser aceito por ela como recruta, tinha de galgar postos. Mas quem comandava a academia conhecia seu pai e por ventura transferia a culpa dele para Remmy não permitindo que ele integrasse nela colocando várias barreiras. Remmy estava com 15 anos, logo não poderia mais se candidatar como recruta, estava sem opções, sem esperança e sem amigos. Enquanto seus pensamentos vagavam Remmy ouviu a primeira explosão que sacudiu o distrito oeste da cidade e ao levantar a cabeça fogo e uma maré de pessoas gritando assustadas o engoliu.

Treze estava posicionada na lateral de uma loja com outros 50 assassinos, 5 células da irmandade atacariam o distrito oeste de Divinity’s Reach, o grupo de Treze estava encarregado de impedir a fuga da população, forçando-os a voltarem para as áreas atacadas, seus lideres queria o maior números de mortes e destruição possível a fim de inflamar uma revolução popular contra a monarquia, culpando-os da incompetência em prever tal atentado. Tudo tinha sido planejado e preparado meticulosamente, uma distração no distrito leste deslocaria a maior parte dos guardas para lá, deixando o lado oeste desprotegido, as principais ruas de acesso ao centro comercial seriam bloqueadas dificultando tanto a fuga da população, quanto a chegada da guarda, todas as células tinham ordens de lutarem até a morte levando o maior número de pessoas com eles. Tudo começara com detonações de bombas colocadas em carroças nas entradas do distrito oeste, bombas incendiárias que espalharias suas chamas a depósitos de combustível escondidos em lojas e caixotes. Quando as explosões começaram Treze retirou a espada de dentro do casaco, puxou o lenço vermelho cobrindo o rosto, ele e os outros assassinos começaram a chacina sem demonstrar nenhuma emoção.

Distrito Sul, em algum quarto de estalagem

  • Moleque é melhor você se levantar.

Ormack ouviu o velho norn falar, ele dormia em uma cama no quarto alugado pelo velho. Ormack olhou para ele sem entender, o norn estava próximo a janela empinando o nariz como se tentasse farejar algo como um cão.

  • O que você está fazendo? Indagou Ormack sentado na cama enquanto esfregava os olhos.

  • Fogo, pólvora e sangue! O velho disse sorrindo enquanto olhava pela janela, os caninos dos dentes estranhamente alongados.

  • Como é??

  • Escute moleque, esta cidade vai ser atacada e eu pretendo caçar as pessoas que vão fazer isso, se quiser me acompanhar é hora de decidir. Deixar de ser um moleque ladrão ou virar um home de verdade.

Ormack encarava o velho, algo assustado emanava dos olhos do norn enquanto ele aguardava a resposta do garoto.

  • Quero ser um homem. Ele disse decidido.

O velho norn sorriu e disse.

  • ótimo. Primeiro seu nome agora será Hell. Uma explosão foi ouvida do lado de fora, seguida de gritos e uma coluna de fumaça ao longe se erguendo do outro lado da cidade.

  • Segundo. Antes de virar um homem você deve virar um animal e aprender a caçar.

O velho sorriu, presas apareceram em sua boca, pêlos cresceram pelo corpo do velho. Histórias contadas para as crianças dizem que alguns norn podem assumir a forma de animais, Ormack acabava de descobrir que tais histórias eram reais.

Distrito Oeste

Alexian chegou ao lado oeste no momento da primeira explosão, uma grande coluna de fogo se erguendo no ar, casas, barracas e pessoas sendo incineradas. A força da explosão o impulsionou para trás fazendo-o rolar no chão. Ele se levantou e viu o inferno a sua frente, pelo menos um quarteirão inteiro ardia em chamas, Alexian ajudou pessoas a se levantar. Mas não podia perder tempo, agarrou um pedaço de lona caído no chão, parte de uma barraca destruída e se jogou com ela num chafariz, saindo completamente molhado, depois se cobriu com a lona e atravessou o inferno de chamas a sua frente, chegou ao outro lado momentos antes de parte da fachada de uma casa cair bloqueando a rua. Alexian caminhava com cautela, dezenas de corpos queimados ou carbonizados estavam espalhados pelo chão. Enquanto avançava novas explosões aconteciam, o distrito oeste de Divinity’s Reach estava sendo isolado, se continuasse assim ninguém conseguiria entrar ou sair do lugar, pelo menos não até ser tarde demais. Alexian avançou mais um pouco, foi quando uma mão agarrou sua perna, havia alguém vivo debaixo dos cadáveres que ali estavam, ele agarrou a mão do sujeito empurrando os corpos para o lado, era um rapaz provavelmente de 15 anos, com um corte na testa e algumas queimadura leves, aparentemente as pessoas que caíram sobre ele na fuga absorveram o impacto da explosão e do fogo.

  • Você está bem? Consegue se levantar? Alexian perguntava ajudando a se levantar.

  • Estou. Disse ele tossindo.

  • Como se chama?

  • Remmy. O que esta acontecendo aqui?

  • É um ataque! Um atentado! Se esconda em algum lugar, tenho de tentar detê-los.

  • Eu vou junto!

  • Você é civil. Não precisa se meter nisso.

  • Acha que posso me esconder enquanto pessoas inocentes são mortas?

Alexian sorriu.

  • Boa resposta. Muito bem. Sabe usar uma espada?

  • Sei.

  • Fique com a minha e não saia do meu lado.

  • E você vai ficar desarmado?

Alexian olhou em volta e apanhou um pedaço de madeira longo.

  • Isto vai servir como bastão, arma padrão de treino da guarda.

Remmy pensou. Ele é um recruta, um guarda, é exatamente o que tenho tentado me tornar.

  • Está pronto Remmy?

  • Estou… Qual seu nome senhor?

  • Me chamo Alexian e não precisa me chamar de senhor, acho que temos quase a mesma idade. Prepare-se. Parece que teremos muito trabalho por aqui.

Remmy olhou para frente, um grupo de 5 homens mascarados portando espadas atacava qualquer um que atravessava seu caminho. Matavam sem piedade, fossem homens, mulheres, crianças ou velhos. Remmy os odiou, depositou toda sua raiva que havia guardado por anos canalizando ela nesses homens. Ele avançou com Alexian sem saber se eles voltariam vivos de lá.

A loja sacudiu novamente, esta era a 3° explosão ouvida. As pessoas corriam de um lado para o outro sem rumo aparente, colunas de fogo e fumaça se erguiam por toda a parte. Ashira e Shuurei ainda estavam na loja de roupas, Shuurei com um olhar assustado e Ashira tentando traçar um plano. Ela imaginava que pelas direções das explosões calculava que as entradas e saídas principais do distrito oeste estariam bloqueados, se tentassem correr nesta direção acabariam mortas pelo fogo ou sendo pisoteadas pelas pessoas em pânico e ainda havia a possibilidade de encontrarem pelo caminho os responsáveis que atacavam a cidade, a coisa mais lógica seria se esconder no centro do distrito oeste. Esta seria a área menos afetada pelo fogo, isso daria tempo para a guarda da cidade chegar ao local e assumir o controle das coisas.

Ao pensar nisso Ashira se lembrou de Alexian, isso a fez apertar a mão de Shuurei mais forte.

  • Será que ele virá até aqui me procurar? Ela falou baixo em uma quase sussurro.

  • O que estou pesando, ele nem sabe que vim aqui hoje.

  • Ashira… eu estou com medo. Shuurei falou tremendo.

  • Não precisa ficar com medo, eu vou protegê-la. Tome, fique com isso.

Ashira retirou do vestido uma adaga e entregou a Shuurei que arregalou os olhos para a arma.

  • Porque está carregando uma adaga?

  • Depois do que aconteceu na caverna quando nos conhecemos achei melhor carregá-la por precaução.

  • Então fique com ela. Shuurei tentou devolver a adaga, as mãos tremendo com a lamina em suas pequenas mãos.

  • Não se preocupe. Eu tenho outra comigo.

  • Você não está com medo Ahira?

  • Não. Quem fez isso a minha cidade que deveria começar a ter medo. Disse Ashira. Mas no fundo ela tinha medo, muito medo.

Cemitério de Queensdale

Kim se levantou em um salto, ele e Corvo estavam dentro de uma caverna que existia atrás do cemitério, o peito do cadáver estava aberto e corvo segurava o coração do cadáver na mão explicando as propriedades místicas do órgão, a aula foi interrompida pelo som de uma explosão, os dois levaram um tempo para perceber que ela vinha de dentro da cidade. Porem logo em seguida outras duas foram ouvidas, isso fez Kim não esperar mais, estava preocupado com a irmã. Kim começou a correr para a saída deixando Corvo sozinho com o cadáver com o peito aberto.

  • Espera hassui, eu também vou! E você espera ai!

Corvo gritou apontando para o cadáver, o punho fechado dele se móvel erguendo o polegar em sinal de ok.

Corvo parou e piscou os olhos, a mão havia voltado ao lugar. Teria ele imaginado aquilo? Mas não tinha tempo a perder e correu atrás de Kim.

Distrito Oeste

Alice caminhava no meio da multidão, a proximidade com o final de semana fazia as ruas do distrito comercial estarem lotadas, foi quando irikami a alcançou e segurou sua mão gritando com ela.

  • Você enlouqueceu? Nosso pai vai te matar.

  • Não se ele não conseguir me encontrar. E porque você veio atrás de mim Iri?

  • Você acha que eu ia deixar você fugir sozinha? Se você vai embora, eu também vou.

  • Iri me escute. Volte para casa, seja o líder da família como nosso pai tanto quer. Não irei me casar com alguém que nem conheço só para aumentar a influencia de nossa família.

  • Eu vou com você…

  • Iri…

  • Eu vou com você! Irikami gritou.

Alice abraçou o irmão casula dando um beijo em sua testa.

  • Muito bem, acho que vou gostar de ter sua companhia.

  • Mana. Se você está fugindo porque veio a área comercial e não ao portão de saída?

  • Se eu tentasse sair pelo portão da frente os guardas me reconheceriam e avisariam nosso pai. Eu vou me esconder na casa de uma amiga até as coisas esfriarem e vim até o distrito oeste porque tem tanta gente aqui que é mais difícil de me encontrarem.

  • Você vai ficar na casa de que amiga mana?

  • Dá Lily. A ajudante do hospital que conhecemos aquela vez.

  • A Lily! Eu vou poder ir junto? Irikami disse cheio de expectativa.

  • Claro que pode, acho que ela não irá ligar, só espero que você não tente novamente espiá-la de camisola, pelo que me lembro ela te jogou pela janela nos arbustos.

  • Mana! Irikami protestou com o rosto vermelho.

Alice riu. Apesar de tudo ela estava feliz que o irmão estivesse com ela, até que a explosão aconteceu. Alice e Irikami foram jogados para longe pela força do impacto, Alice se levantou tonta, sangue escorria de sua testa, ela ouvia um zunido nos ouvidos, Alice olhou para os lados procurando o irmão e quando o localizou seus olhos se arregalaram de pavor. Irikami estava caído no chão imóvel, um pedaço de metal fincado em seu peito. Alice se abaixou ao lado dele, ela chorava, uma poça de sangue se formava no peito de Irikami, Alice levantou as mãos, pronta para arrancar o pedaço de metal do peito do irmão quando alguém gritou fazendo-a parar.

  • Não faça isso! Se tirar a barra de metal ele terá uma hemorragia interna e morrerá.

Alice parou assustada, olhou quem havia falado com ela e uma garota bonita de cabelos pretos encaracolados e olhos azuis se aproximou, segurou o braço de Irikami testando seu pulso, depois colocou dois dedos no pescoço e aproximou o rosto da boca dele.

  • Ele está vivo, Mas temos que removê-lo daqui imediatamente, precisamos improvisar uma maca.

  • Quem é você? Perguntou Alice.

  • Meu nome é Thalita, sou assistente de medicina.

  • Vamos pedir ajuda! Gritou Alice segurando o braço da garota.

  • Ninguém vai parar para ajudar. Temos que sair deste lugar rápido. Se vocês dois estivessem a 6 metros a frente os dois estariam mortos!

  • Vamos para as rampas de saída.

  • Não. A explosão foi concentrada naquela direção. Ninguém conseguirá passar por lá. Nossa chance é ir para o centro do distrito, evitando a multidão que vai correr para as saídas, se alguém trombar nele corre o risco de matá-lo.

Alice termia, obviamente estava entrando em choque. Thalita segurou sua mão e falou gentilmente.

  • Qual é seu nome? E quem é o menino?

  • Eu… eu me chamo Alice e ele é meu irmãozinho Irikami.

  • Alice nós podemos salvar seu irmão, mas precisa confiar em mim. Temos de nos afastar daqui, seja quem for que explodiu esta bomba pode estar por perto.

  • O que tenho de fazer?

  • pegue aquelas duas tabuas e lonas caídas, eu e você vamos tirar nossos cintos e prender firmemente seu irmão nelas, faremos uma maca improvisada.

As duas trabalhavam rapidamente, em poucos segundos irikami estava imobilizado na maca improvisada. Duas novas explosões foram ouvidas fazendo o chão tremer. Thalita olhou para Alice, depois para a espada em sua cintura e falou para ela.

  • Sabe usar esta espada?

  • Sei… porque?

  • Por que tem homens mascarados com espadas vindo para cá. Alice se levantou desembainhando a espada. 6 homens vinham na direção das garotas.

  • Thalita cuide do meu irmão enquanto eu mato esses malditos. Alice encarou os homens e seu olhar com uma expressão de fúria.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Ataque em Divinity’s Reach- parte 2

Distrito Oeste

Treze avançava com seu grupo matando qualquer um que cruzassem sua frente, segurou uma mulher que tentava fugir pelos cabelos e cortou sua garganta com a espada, o sangue tingiu o vestido de vermelho e ela tombou morta no chão. Depois ele desferiu um chute nas costas de um velho que corria fazendo-o cair de quatro, fincou a espada em suas costas e girou a lamina destruindo órgãos internos, alguém saltou sobre Treze tentando imobilizá-lo, treze desferiu uma joelhada no estômago do indivíduo que fez o homem se curvar de dor, em seguida fincou a espada no olho esquerdo até atingir o cérebro, o homem gritou em agonia, Treze puxou a lamina e cortou sua cabeça com um giro rápido da espada fazendo sangue jorrar. A visão de Treze ficou embaçada por um momento, ele levantou o braço limpando os olhos esperando ver sangue sobre eles, ao invés disso viu lágrimas. Treze chorava e não compreendia o porquê disso.

Treze ouviu um grito de fúria, ele olhou para frente e viu uma jovem, quase ainda uma menina segurando uma espada firmemente com as duas mãos, atrás dela outra garota mais velha abaixada ao lado de um menino caído no chão. Treze e seu grupo avançaram prontos para matar a todos.

Alice apertava o cabo da espada com as duas mãos, aqueles homens eram os responsáveis por seu irmãozinho estar entre a vida e a morta, Alice desejava vingança, a fúria tomava cada parte do seu corpo. Alice se entregou de bom grado a ela extraindo uma força desconhecida que ela usaria neste momento. Seis mascarados avançavam em sua direção, Alice correu na direção deles, ela saltou girando o corpo no ar em um giro de 360° impulsionando a lamina da espada, um dos assassinos tentou aparar o ataque, as laminas colidiram e a espada do assassino se quebrou, a espada e o homem foram partidos ao meio, o quadril cedeu ao chão enquanto o tronco girava no ar deixando um rastro de sangue criando uma chuva rubra. Alice não se deteve atacando o segundo inimigo em um golpe ascendente, a lamina cortou da virilha ao queixo espalhando vísceras pelo chão. Se o pai de Alice pudesse vê-la agora ficaria satisfeito com ela, Alice não lutava mais como uma mulher, mas sim como um homem, um guerreiro ou na visão de Thalita como um demônio sedento por sangue. Alice continuou sua investida arremessando a espada no peito de outro inimigo, a lamina o empalou atirando-o no chão com a força do impacto, ela pisou por cima dele agarrando o cabo da espada e puxando-a abrindo a cabeça do oponente no processo.

Alice havia matado 3 inimigos em poucos segundos, restavam outros 3, ela arfava, a respiração descompassada, o cabo da espada parecendo aumentar de peso a cada segundo, a visão dela embaçou e foi quando ela percebeu que não tinha passado por tudo aquilo ilesa. Alice sangrava na lateral do quadril, em algum momento ela foi atingida por um dos assassinos, embora não tivesse notado quando, agora o ferimento sangrava lentamente drenando as energias dela, um dos inimigos avançou com a espada em punho, os outros dois não se moveram, apenas observavam sem expressar qualquer emoção. Alice olhou seu oponente e teve uma surpresa, embora ele não demonstrasse qualquer traço de sentimento, lagrimas desciam de seu rosto criando uma visão perturbadora e esta cena abalou Alice mais do que tudo que ela já tinha visto até agora.

Este foi o erro de Alice, Treze avançou em dois passos rápidos flexionando os joelhos para ganhar impulso, ele atacou em uma estocada, Alice tentou aparar o ataque, mas seus músculos pareciam dormentes, a lamina perfurou seu peito e Alice encarou o inimigo antes de cair e Treze ainda chorava.

Queensdale

Kim chegará ao portão de entrada de Divinity’s Reach, porem os guardas não permitiram sua passagem, eles tinham ordens de deter a entrada e saída de qualquer um não autorizado para impedir que os responsáveis pelo ataque recebessem reforços ou conseguissem escapar. Kim não queria saber disso, ele queria encontrar sua irmã. Kim tentou forçar a entrada, um dos guardas o atingiu no estomago com o cabo da espada empurrando-o no chão, Corvo chegou logo em seguida ajudando Kim a se levantar, ele despejava xingamentos e insultos. Os guardas estavam nervosos e a qualquer momento poderiam perder o controle e espancar os dois. Corvo puxou o amigo tentando afastá-lo do portão. Porem Kim era mais forte, ele empurrou Corvo e partiu para cima dos guardas que desembainharam as espadas e se prepararam para atacar Kim.

  • Nãoo! Corvo gritou.

Uma revoada de corvos atingiu os guardas no portão, a distração causada foi o suficiente para que Kim passasse por eles correndo para dentro da cidade com Corvo logo atrás dele imaginando até que ponto e porque os corvos o obedeciam.

Distrito Oeste

Zelos e Ledox corriam para a área comercial, embora estivessem procurando Alexian para contar a verdade sobre as mentidas ditas por Zelos. Porem eles tiveram de alterar o percurso, Divinity’s Reach estava sendo atacada, a maioria dos guardas se encontrava no distrito leste atendendo a uma ocorrência e eles dois por sorte ou azar como dizia Zelos, eram os mais próximos ao local onde as explosões haviam acontecido. Quando chegaram a entrada do distrito oeste da cidade encontraram destruição e morte a sua frente, pessoas corriam para todos os lados em desespero, os dois viram muitos feridos e vários pessoas carbonizadas pelas explosões.

  • É impossível! Como vamos atravessar esse inferno? Disse Zelos.

  • Vamos precisar de ajuda e sei a quem pedir. Afirmou Ledox.

  • Vai pedir a quem?

  • A minha ex-namorada Anise. Disse Ledox sorrindo.

  • A ruiva maluca que quase te jogou da muralha do palácio? Porque?

  • Porque ela se tornou uma mesmer recruta da shining blade. E precisamos de um portal para passar pelo fogo.

  • E você por acaso sabe onde ela está agora?

  • Estou bem atrás de vocês meus queridos. Disse Anise , ela havia aparecido do nada logo atrás dele.

  • Eu odeio quando você faz isso. Disse Zelos rabugentamente.

  • Eu sei, é por isso que faço isso. Ela sorriu para os dois.

Loja de vestidos

A atendente Mary estava encolhida atrás do balcão da loja. Ashira e Shuurei já se preparavam para partir quando Mary se levantou chorando pedindo para ir com elas. Ashira hesitou. Quanto mais pessoas as acompanhassem, mais atenção chamariam para elas. Porem não viu escolha e concordou.

As três garotas saíram pela porta, a fumaça cobria boa parte do lugar, o calor gerado pelo fogo agredia e sufocava as garotas. Elas foram avançando lentamente rente as paredes das lojas, Ashira ia a frente, Shuurei no meio e Mary logo atrás. O fluxo de pessoas havia reduzido um pouco. Mas ainda era grande, muitos feridos por causa das trombadas e outros pisoteados no momento das explosões. As garotas avançaram um pouco mais, até que Ashira parou apontando para a entrada de uma rua, daquele lugar pessoas corriam tentando escapar da morte. 15 homens mascarados avançavam matando todos que encontravam e eles vinham na direção delas.

Ruas de Divinity’s Reach

Ormack tentava seguir o velho agora transformado em uma criatura metade homem, metade logo. Ormack resolveu chamá-lo de lobisomem.

  • Sim. Esse era um bom nome. Pensou Ormack.

Ele acompanhava a criatura com os olhos, ela saltava de telhado em telhado, tornado difícil para o garoto o acompanhar. O mais estranho era que Ormack não estava com medo no momento e sim eufórico como nunca havia estado antes.

Fenrir saltava de telhado em telhado. Não esperava que a vinda a Divinity’s Reach pudesse ser tão divertida e prazerosa. Primeiramente havia encontrado um aluno para transmitir seu conhecimento sobre caçadas, logo depois teve o prazer de experimentar novamente carne humana. Quando Fenrir foi atrás do líder da gangue de Ormack, ele o caçou pelas ruas imundas da área pobre da cidade, horas prazerosas de desespero para rapaz de nome Gally, Fenrir o emboscou em um beco terminado por fim abatendo sua presa e saboreando sua carne. Fenrir ainda podia lembrar do olhar de pavor de Gally quando compreendeu que seu fim havia chegado.

O velho não entendia porque seus irmãos norn se entregavam aos instintos dos espíritos Totens, eles eram um povo guerreiro e caçador. A lei do mais forte era clara, os fortes devem devorar os mais fracos. Porem seu povo se domesticou como cachorros, deixando seus instintos atrofiarem, quando Fenrir tentou impor a verdade a eles foi expulso de Hoelbrak, a sagrada cidade norn. E o ato de comer carne humana considerada horrenda.

  • Tolos! Não sabem ou ignoram a nossa verdadeira natureza, somos animais selvagens! E hoje uma vez mais irei saborear a carne de minhas presas!

Distrito Oeste

Os homens mascarados que atacavam Divinity’s Reach eram bem treinados, seus golpes visavam os pontos vitais de seus alvos, se Alexian não fosse um guarda treinado teria sido morto a tempos. Ele e Remmy lutavam contra 5 inimigos, Alexian aparava os ataques de 3 adversários, o bastão girava e golpeava mantendo-o afastados, uma esquiva bem aplicada deixou um dos oponentes com a guarda aberta, Alexian ergueu o bastão e golpeou com força a cabeça do inimigo, o impacto foi potente levando-o ao chão já inconsciente. Alexian olhou para o lado ofegante e viu Remmy enfrentando 2 oponentes, o jovem lutava com um estilo refinado de esgrima, muito diferente do usual dos plebeus ou principiantes.Remmy não era uma pessoa qualquer pensou Alexian, deveria pertencer a uma família nobre de cavaleiros. O que fez Alexian indagar o porque dele não pertencer a uma divisão da guarda real.

Remmy lutava com toda a sua força e empenho. Os dois oponentes eram bons espadachins, mas nada comparados ao seu pai com a qual Remmy havia treinado todos os dias quando era menor. A postura e os movimentos dos inimigos eram rudes, quase robóticos, eram oponentes sem sentimentos, emoções ou criatividade. Mas mesmo assim eles eram perigosos, eram assassinos. Remmy não lutava ali somente para defender sua vida, lutava pela primeira vez por uma causa, por um propósito, da mesma forma que um guarda real, para defender e proteger os que necessitavam de ajuda.

Um impulso, uma determinação crescia em seu peito, isto era o que Remmy havia nascido para fazer, para isso seu pai o criou e o treinou. Ao pensar em seu pai sua concentração no combate falhou, deixando sua guarda aberta, erro que não passou desapercebido por seu oponente, o assassino se posicionou nas costas de Remmy e atacou em uma estocada fatal no pescoço. Remmy se virou e viu o golpe letal vindo na direção de sua garganta, o tempo pareceu desacelerar como se estivesse em câmera lenta, Remmy pediu perdão a mãe e orou aos Deuses pelo pai aguardando o fim inevitável. Porem algo atingiu a espada fazendo-a voar da mãos do inimigo, Alexian havia arremessado o bastão conseguindo desarmá-lo a tempo. Remmy olhou com admiração, mas logo o olhar se tornou de medo, um dos oponentes de Alexian investiu contra ele agora desarmado, a espada veio em um golpe lateral visando o tórax, Alexian deu um passo para trás, realizando um leve giro de quadril no mesmo sentindo do ataque do oponente, agarrando as mãos do assassino junto com o cabo da espada, Alexian depois arqueou um pouco o corpo de modo a fazer um movimento de alavanca, em seguida fez um giro rápido com o ombro puxando o oponente que girou por cima dele caindo de costas no chão deixando a espada em suas mãos. Alexian apontou para outro inimigo e disse.

  • Agora eu tenho uma espada.

  • Como fez isso? Onde aprendeu este movimento? Remmy disse admirado e espantado com a habilidade dele.

  • Nosso instrutor na academia da guarda real se chama Kobe. Ele é das terras distante de Cantha e especialista em defesa pessoal e combate desarmado.

  • Eu preciso aprender como se faz esse movimento.

  • Você vai aprender Remmy. É uma promesa. Disse Alexian sorrindo.

As três garotas corriam pelas ruas em chamas, não havia mais plano, nem estratégia, apenas a fuga pela sobrevivência. Elas eram perseguidas por pelo menos 8 homens, alguns haviam parado pelo caminho eliminando outros alvos. Ashira corria sem parar, o peito doía, os olhos lagrimejavam por causa da fumaça, ela puxava Shuurei pelas mãos e Mary vinha logo atrás delas. Ashira sabia que precisava achar um lugar para se esconderem, não conseguiriam manter aquele ritmo de corrida por mais tempo. As garotas viraram uma esquina e deram de cara com um beco sem saída, a tensão aumentava, Mary começou a gritar em desespero, dizendo que elas seriam violentadas e depois mortas, Shuurei tremia dos pés a cabeça de pavor, Ashira respirou fundo concentrando-se e examinou o beco atentamente. Só havia uma porta dos fundos no local e estava trancada por dentro, o muro era muito alto para subir ou escalar, mais de 10 metros de altura, Porem em uma das paredes numa altura de 2 metros e meio uma janela aberta podia ser vista, Ashira chamou Shuurei apontando a janela, a menina assentiu com a cabeça entendendo o que fazer, depois Ashira foi até Mary que ainda gritava e chorava em pánico lhe dando um tapa no rosto, aquilo a fez voltar a razão.

  • Ousa-me. Vamos levantar Shuurei até a janela para que ela possa entrar e destrancar a porta.

Ashira se abaixou ao lado de Shuurei lhe dando um beijo em sua testa, depois falou em seu ouvido.

  • Se você ouvir que os homens chegaram até nós antes de você abrir a porta, eu quero que você nos deixe para trás e fuja. Se esconda em algum lugar até que a guarda ou Alexian a encontrem, você me entendeu?

  • Não vou abandoná-la. Disse Shuurei, as lagrimas escorrendo pelo rosto.

  • Você vai! Se for necessário, me prometa. Mesmo ainda chorando Shuurei concordou.

  • Eu prometo. Ashira beijou a testa novamente de Shuurei e disse.

  • Agora suba nos meus ombros.

Shuurei limpou as lágrimas e subiu, Ashira com a ajuda de Mary equilibraram a menina até que ela alcançar a janela. Shuurei entrou e desapareceu La dentro, da entrada do beco os 8 homens mascarados apareceram avançando na direção das duas garotas, Ashira pegou a adaga pronta para morrer lutando, Mary gritava sem parar. Foi quando Ashira ouviu um clic vindo da porta que se abriu revelando Shuurei diante delas. Ashira correu para a porta arrastando Mary consigo, os homens logo atrás, as 3 garotas empurraram a porta para fechá-la. Porem os perseguidores se jogaram contra a porta, impedindo que ela se fechasse Poe completo, mãos passaram pelo vão tentando agarrá-las, Ashira os apunhalava com a adaga fazendo sangue espirrar, com muito esforço as 3 conseguiram finalmente fechar a porta e trancá-la. O som de batidas e encontrões ecoando pelo local, a porta não agüentaria por muito tempo. Ashira deu uma rápida olhada no lugar, o local era estava pouco iluminado, parecia o depósito de um restaurante, as 3 avançaram pelo corredor chegando a um hall onde um escada subia para os andares superiores e a frente outras duas portas estavam paralelas a parede.

  • Shun veio do andar de cima. Uma destas portas deve ser a cozinha e a outra a entrada do restaurante. Vamos pela da direita tentar achar alguma porta aberta. Disse Ashira.

Quando ela tocou a maçaneta notou duas coisas importantes. A primeira o som da prta dos fundos sendo arrombada e segundo a maçaneta estava quente com fumaça saindo por baixo das duas portas.

Divisa do Distrito Oeste e Norte

Se existia algo que Zelos menos gostava do que perder nas cartas era ter de estar com Ledox junto de uma de suas ex-namoradas. Por que eventualmente algo ruim aconteceria e se a ex fosse Anise, Zelos tinha certeza que desta vez os dois acabariam era mortos por causa dela.

  • Como chegou aqui tão rápido Anise? Perguntou Zelos ranzinza. Era fato conhecido que ele detestava ela. Alguns recrutas fofocavam que o motivo era que Zelos na verdade amava Anise.

  • Eu estava fazendo compras quando as explosões começaram, perdi ótimas promoções.

  • Anise. Você pode nos colocar dentro do distrito oeste? Perguntou Ledox sem rodeios.

  • Claro que posso. Só que eu vou com vocês dois.

  • Nem pensar! Toda vez que você se envolve em algo alguém acaba no hospital. Disse Zelos, o mau humor só piorando.

  • Escolham meninos. Ou vamos todos ou ninguém vai.

  • Vamos ter de levá-la Zelos. E Anise faz parte da Shining Blade, sabe se defender. Ledox falou tentando convencer o amigo.

  • Defender, lutar e matar se for preciso. Anise rebateu sorrindo.

  • Anise. Você não deveria estar servindo de babá para alguém da realeza Argumentou Zelos.

  • Era o que eu estava fazendo. A princesa Jennah me pediu para que eu ficasse de olho em sua prima. E diacordo com minhas fontes ela estava aqui quando tudo começou.

  • Ashira? Alexian vai surtar quando descobrir. Disse Ledox agora tinha certeza que eles tinham de entrar rápido no distrito oeste.

  • Então, vão querer continuar perdendo tempo queridos? Ou vamos salvar a dama em perigo? Anise disse encarando Zelos.

  • Do que precisa Anise? Ledox perguntou.

  • De um empurrãozinho. Quero que vocês dois me dêem impulso para saltar por cima dos escombros.

  • Você é louca mulher! Disse Zelos, espantado.

  • Este é meu charme.

Anise abriu um portal no chão. Esta era uma das habilidades dos mesmers, magos ilusionistas. Um circulo de luz de cor violeta que pulsava levemente próximo aos escombros e fogo, Anise depois se afastou para ganhar velocidade, Ledox e Zelos fizeram um xis com os braços entrelaçados. O plane era que Anise pulasse sobre eles e os dois arremessassem por cima dos escombros, uma idéia brilhante. Porem suicida.

  • Prontos rapazes? Ela perguntou.

  • Sim. Confirmou Ledox.

  • Não. Falou Zelos.

  • Aqui vou eu.

Anise correu e saltou. Seus pés pisaram nos braços dos rapazes que colocaram toda sua força para impulsiona -la, Anise literalmente voou por cima da destruição em uma cambalhota, desaparecendo do outro lado.

  • Ela podia quebrar o pescoço na queda?Disse Zelos, esperançoso.

O portal brilhou com mais intensidade mostrando que estava ativo e que ela havia conseguido chegar em segurança.

  • Acho que ela conseguiu passar sem problemas. Ledox disse sorrindo.

  • Que droga.

Os dois pisaram no portal sentindo como se o corpo fosse sugado pelo ralo de uma pia. Em seguida eles estavam do outro lado. Ledox arregalou os olhos com a visão que teve, dezenas de corpos carbonizados estavam caídos pelo chão, uma visão perturbadora, Zelos olhava para todos os lados esperando ser atacado a qualquer momento, os dois olharam para frente e viram Anise agachada perto de um corpo, eles se aproximaram e constatarem que era o corpo de uma criança, uma menina de no máximo 9 anos, ela não tinha morrido pela explosão, tinha sido morta por uma espada, o vestido tingido de vermelho, os olhos arregalado de pavor. Anise passou a mão nos olhos da menina fechando-os. Ela se levantou as mãos tremiam sujas de sangue, Anise não mais sorria, ela estava séria e parecia muito irritada.

  • vamos logo, temos alguns invasores para matar. Anise disse, querendo vingança.

  • Foi a coisa mais inteligente que você disse hoje. Disse Zelos sacando a espada.

Corvo corria tentando alcançar Kim. Colunas de fumaça negra subiam do lado e oeste da cidade, isso fez ele se lembrar de seus pais, da invasão dos risens e das bombas incendiárias. Tudo agora parecia uma reprise, pessoas correndo na direção contrária enquanto ele avançava para o caos, perdido em pensamentos Corvo colidiu em Kim que havia parado sem aviso algum, o impacto fez Corvo cair sentado no chão.

  • Ai! Porquê você parou de repente?

  • Olhe, vamos passar pelo fogo por La.

Corvo olhou e viu dois rapazes recrutas da guarda sumindo em um portal de cor violeta, o que para ele não pareceu uma boa idéia.

  • Tem certeza? Nem sabemos se aquilo leva para dentro do distrito oeste.

  • Se não quiser vir, pode ficar aqui. Afinal você não tem motivo algum para me acompanhar.

  • Somos amigos Kim. Protestou Corvo.

Kim fez uma careta para ele.

  • Então que tal isso, eu sou seu professor e não vou deixar meu aluno correr perigo sozinho.

A careta no rosto de Kim piorou. Ele balançou a cabeça e sorriu finalmente.

  • Então vamos professor morte.

  • Isso foi uma piada sua Kim?

  • Não. E …

  • Já sei. Não me chame de Kim, seu nome é Hassui.

Os dois garotos pisaram no portal surgindo logo atrás de Anise, Zelos e Ledox.

  • O que é isso? O que pensam que estão fazendo? Aqui não é lugar para crianças. Disse Zelos, espantado com a aparição das crianças.

  • Não somos crianças. E eu não recebo ordens sua. Eu vim procurar minha irmã. Kim gritou irritado.

  • Negativo. Voltem agora mesmo pelo portal, vocês dois são civis e… Neste momento o portal desapareceu. Anise sorriu dizendo.

  • O tempo de ativação do portal se esgotou. Eles não podem mais voltar.

  • Abra outro. Exigiu Zelos.

  • Nós estamos perdendo tempo valioso aqui parados, se eles querem vir deixe-os vir. Eles podem ser úteis mesmo que seja como iscas.

  • Anise você é cruel. Disse Ledox horrorizado.

  • Obrigada pelo elogio. Por isso eu gostava tanto de você.

Kim não continuou perdendo tempo com aquela discussão estúpida, ele começou a correr deixando todos para trás, por algum motivo ele tinha certeza de duas coisas. Primeiro sua irmã corria perigo. Segundo, Kim sabia exatamente onde ela estava, mesmo não compreendendo o porque.

  • Me espera Kim. Corvo gritou correndo logo em seguida.

  • Droga! É por isso que odeio crianças. Disse zelos correndo atrás dos dois.

  • O mais velho deve ser poucos anos mais novo que você. Dissse Anise se colocando a correr também.

  • Vamos! Gritou ledox e todos correram para o centro do distrito oeste. Para o centro do caos.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 12-Caos

Treze estava prestes a matar Alice, ela estava de joelhos com a cabeça baixa olhando o ferimento em sua barriga. Ela o pressionava com as duas mãos que estavam tingidas de vermelho, a espada caída a alguns centímetros dela. Alice não tinha mais forças para revidar, Treze com a espada erguida mirou o peito dela e atacou. Uma flecha porem o atingiu no ombro detendo o ataque. Treze olhou para a flecha como se tentasse compreender como ela havia chegado lá, ele a segurou arrancando-a do ombro, em seguida a quebrou. Uma pequena gota de raiva em um oceano sem emoções caiu dentro de treze mudando sua expressão passiva para um arquear das sobrancelhas. Ele olhou de onde a flecha tinha vindo. Assim como todos os outros presentes.

Há uns 10 metros o pai de Alice e Irikami, Edgar estava parado com seus guardas pessoais, um deles com o arco na mão novamente apontando uma flecha para Treze.

  • Eu vou acabar com todos vocês por terem ferido meus filhos seu bando de miseráveis! Guardas matem todos! Mas aquele ali que feriu minha filha é meu! Edgar gritou sacando uma espada de duas mãos das costas, a lendária espada da família Lacy, a assassina de almas.

Guardas e assassinos lutavam criando uma cena quase teatral, os movimentos e golpes eram como uma dança macabra e mortífera que a cada segundo levava um corpo ao chão. O pai de Alice atacou jogando todo seu peso e força no ataque. Treze se esquivou contra-atacando lateralmente sendo aparado logo em seguida. Thalita queria se aproximar de Alice para poder ver seus ferimentos, mas a luta entre os guardas e assassinos era travada em volta dela.

Alice permanecia ajoelhada com as mãos no ferimento, mas agora ela acompanhava a luta do pai, Edgar nunca fora um pai carinhoso com seus filhos, sempre autoritário, severo, mal humorada. Mas Alice podia ver neste momento nos olhos do pai preocupação, carinho e medo.

Treze era mais agiu que o pai de Alice por causa da juventude, porem Edgar era mais experiente e forte, ele começou a pressionar Treze que ficou apenas na defensiva, Edgar avançou em um forte encontrão levando Treze ao chão. Em seguida Edgar subiu por cima de Treze forçando a lamina da grande espada contra a espada de Treze que começou a cortar seu ombro e peito, a expressão de Treze franziu mais, foi quando o pai de Alice falou para ele cara a cara.

  • Seu monte de estrume, eu vou fatiá-lo e dar seus pedaços aos meus cães para comer, só para você se torne o que é! Pura bosta!

Raiva! Treze não entendia esse sentimento, mas o sentiu pela primeira vez. Puro e vivo pulsando em suas veias. Treze agarrou o rosto de Edgar com uma das mãos enfiando os dedos, indicador e polegar em seus olhos, continuou a enfiar até perfurá-los e cegar Edgar. O pai de Alice largou a espada gritando de dor e arqueou o corpo para trás, Treze aproveitou a oportunidade e com a outra mão cortou o pescoço de Edgar com a espada, treze continuou cortando segurando a cabeça com os dedos dentro dos orifícios oculares, a lamina travou na vértebra do pescoço, ele forçou mais um pouco arrancando a cabeça. Treze se levantou segurando a cabeça de Edgar entre os dedos e foi na direção de Alice que acompanhava tudo de olhos arregalados, Treze se abaixou ao lado dela e colocou a cabeça de Edgar gentilmente em seu colo, Alice chorando olhou a cabeça de seu pai em suas mãos e então enlouqueceu de pura Ira.

Dutos de água

Destruição, morte e caos. Era tudo o que se via na outrora área comercial de Divinity’s Reach, este ataque covarde havia sido planejado por meses pela irmandade, um sindicato formado por criminosos, políticos e separatistas. A teia de hierarquia no comando das chamadas células era extenso e secreta, mas havia suspeitas que a White Mantle era na verdade os verdadeiros mestres da irmandade. Os grupos criminosos de bandidos embora mais números eram os que possuíam menor influencia e poder de palavra dentro da irmandade, algo que muitas vezes gerava conflitos internos. Uma das lideres criminosas em destaque se chamavam Sabetha, ela era uma eximia engenheira especialista em sabotagens, demolição e explosivos.

Há alguns anos atrás Sabetha arquitetou um plano para eliminar toda a família real de Divinity’s Reach, ela apresentou o plano para a irmandade e a seus lideres. Mas estes lideres não gostavam das atitudes imprevisíveis de Sabetha. Ela era gananciosa demais e seu grupo de crianças seqüestradas leal demais a ela. E isto podia se tornar um problema no futuro, a única maneira seria eliminá-la. Mas para isso era necessário que Sabetha fracassar em seus planos duas vezes. Dois erros consecutivos dentro da irmandade e a ordem de eliminação seria aceita pelo circulo interno da liderança. Sabetha já havia fracassado parcialmente no primeiro plano, ela eliminará o rei e a rainha no atentado durante o King Jubille, mas falhara ao matar a princesa Jennah. Desta maneira uma conspiração interna para eliminá-la começou, arquitetada pelos dois lideres mais influentes da irmandade. Caudecus dos políticos corruptos de Divinity’s Reach e Sebastian Solar Cran dos separatistas de Ascalon.

Sabetha estava nervosa,ela não esperava tanta resistência durante o ataque. Seus batedores informaram que algumas pessoas estavam lutando contra suas crianças sem emoção e que isso estava causando um atraso na preparação do Big Bang. Ela mordeu o lábio inferior, se fosse necessário sacrificaria todas usas crianças na realização de seu plano. Mas somente se tudo corresse perfeitamente. O Big Bang era uma seqüencia de explosões nas criptas existentes embaixo de Divinity’s Reach, A intenção era criar um grande colapso na área, destruindo completamente o distrito oeste deixando apenas uma cratera no lugar, matando toda a guarda da cidade que chegavam para deter o ataque de suas crianças. Um belo plano para deixar toda a cidade indefesa, plano que precisava ser concluído.

Distrito Oeste

Algo incomodava Alexian e não era só o fato de estar preocupado com Ashira e com as crianças. Ou de estar lutando por sua vida sem parar. Ou de ter sido obrigado a matar 10 invasores até o momento. Ou de ter presenciado destruição e morte em sua cidade.

O que incomodava de verdade Alexian era o fato deste ataque não fazer sentido algum. Os invasores eram suicidas, se entregando a uma luta que sedo ou tarde mataria a todos eles, os reforços da guarda chegariam a qualquer momento e mesmo que tenham conseguido fazer toda esta destruição a perda que o lado inimigo teria era maior do que a perda da guarda de Divinity’s Reach, algo estava faltando neste quebra-cabeça.

Remmy olhou para Alexian notando tensão em seu olhar, o recruta deveria ter 3 ou 4 anos a mais que ele, provavelmente 18 anos. Mas demonstrava confiança de alguém mais velho, Remmy acreditava ser capaz de aprender muito com Alexian caso conseguisse ser aceito na guarda.

  • Algo esta me incomodando Remmy. Alexian falou do nada cortando o silencio. Os dois haviam vencido duas wave de inimigos e agora avançavam correndo pela rua.

  • O que o incomoda?

  • Tudo! Algo não se encaixa neste ataque! Deve haver algo mais. Um objetivo específico, além de somente destruição de propriedades e morte de inocentes.

  • Qual é sua suposição?

  • Que isto tudo é uma grande armadilha, só não descobri para quem.

Entrada do Distrito Oeste

A guarda de Divinity’s Reach era formada por 3 unidades. Eram elas os guardas urbanos que protegiam a cidade contra perturbações rotineiras como assaltos, furtos e brigas domésticas. Os guardas seraph que lidavam com as ameaças externas como criaturas hostis, centauros e bandidos que atacavam a região e por último a Shining Blade encarregados de proteger a família real. As 3 unidades raramente agiam juntas, existindo uma rivalidade entre elas, somente em casos de emergências consideradas alerta máximo as 3 atuavam juntos.

Hoje este era o caso disso. Todas as 3 unidades se deslocavam para o distrito oeste, Logan fazia parte da guarda urbana. Ele era um capitão de equipe e estava com um desfalque de 3 membros, Alexian, Ledox e Zelos que não retornaram a academia, Logan acreditava que ao chegar ao distrito oeste encontraria os 3, só esperava encontrá-los com vida.

Distrito Oeste

Ashira girou a maçaneta, mas a porta estava emperrada, ela forçou com o ombro até finalmente abri-la. Uma onda de calor atingiu as 3 garotas, elas estavam na entrada do restaurante, várias mesas e cadeiras dispostas ao longo de um grande cômodo com largas portas de vidro semi-abertas. Na frente do restaurante fogo consumia a fachada, mesas e cadeiras ao ar livre. A temperatura aumentava gradativamente conforme elas avançavam para a entrada. Ashira puxou uma toalha de mesa envolvendo a cabeça e o rosto como um turbante com véu. Depois cobriu os braços com outra toalha imitando uma capa fazendo sinal para que Mary e Shuurei a imitassem.

  • Vamos ter de saltar por cima das chamas e rolar logo em seguida no chão para podermos sair daqui. É provável que nos queimemos ao fazer isso, mas não temos escolha.

  • Você é louca? Porque não tentamos a outra porta? Disse Mary olhando assustada para o fogo na entrada.

  • A outra porta deve ser a cozinha e poucas delas tem portas de saída. Cairíamos em uma sala fechada. E não podemos perder tempo, aqueles homens devem…

As palavras não terminaram porque Ahira perdeu a fala ao presenciar o que acontecia diante dela. Algo atingira a cabeça de Mary bem no centro do crânio, sangue escorreu pelo rosto dela sujando o vestido de vermelho. Os olhos de Mary desfocaram e ela caiu de joelhos com um facão preso ao crânio, atrás dela o assassino com o n° 19 tatuado no pescoço e seus companheiros entraram pela porta do corredor. Ashira saiu do choque inicial agarrando Shuurei pelo braço, praticamente a pegando no colo, em seguida correu com ela ao longo do restaurante, quando chegou próxima a entrada em chamas ela saltou girando o corpo ficando de costas para a porta de vidro protegendo Shuurei em um abraço. Ashira estilhaçou a parede de vidro colidindo com mesas e cadeiras, terminando no chão em um rolamento. Ashira ficou com os braços cortados e chamuscados junto a suor e fuligem.

Quatro assassinos mascarados saltaram pelo mesmo espaço que Ashira fizera, caindo em pé em frente as duas garotas com as espadas em punho. Ashira e Shuurei não tinham mais tempo, forças ou esperanças de escaparem com vida. Os quatro cercaram as duas com as armas preparadas prontos para matá-las. Foi quando dois vultos saltaram sobre os assassinos, todos indo ao chão numa confusão de braços e pernas que Ashira tentava identificar quem eram seus salvadores. Um soco atingiu um dos assassinos e um rapaz se levantou já golpeando o segundo com a espada, Ashira não o reconheceu, em seguida olhou para o outro que continuava em uma luta corpo a corpo com outros 2 assassinos. Ashira ouviu o primeiro rapaz falar e seu coração se iluminou.

  • Precisa de ajuda Alexian?

  • Não. Obrigado Remmy. Estou perfeitamente bem, tenho eles exatamente onde queria. Disse Alexian socando o rosto de um dos inimigos enquanto chutava o outro na costela.

Outros 4 assassinos saiam do restaurante o que deixaria Alexian e seu companheiro em muita desvantagem. Ashira apanhou a adaga e saltou em um dos invasores desferindo golpes em seu peito, o assassino pego de surpresa não conseguiu reagir, caindo morto. Dos 3 restantes, dois se voltaram contra ela que recuou com a adaga na mão suja de sangue, o terceiro atacou Remmy que já lutava incansavelmente com dois inimigos iniciais.

Alexian socou mais uma vez seu oponente conseguindo se livrar dele, rolou pelo chão e num movimento rápido de ombro e pernas ficou de pé em guarda, ao fazer isso sentiu a dor no joelho esquerdo, deu um passo para o lado e mancou, em algum momento da queda ou na luta havia se machucado, agora sua movimentação estava prejudicada. Os dois oponentes se levantaram com as espadas em punho parecendo que os chutes e socos nada haviam feito com eles. Alexian olhou para frente e seus olhos cruzaram com os de Ashira e ambos sorriram. Se Alexian tinha de morrer hoje seria ao lado de Ashira e ele fez uma promessa que seria a beijando.

Kim se odiava. Odiava sua incapacidade, sua inutilidade e sua total falta de amor pela irmã. Kim deveria estar com ela, nunca deveria ter deixado Shuurei sozinha com Ashira. A vida já havia lhes ensinada que quando os dois irmãos não estavam juntos coisas horríveis aconteciam a eles. Mas Kim havia deixado a irmã aos cuidados de Ashira, mesmo dizendo que não queria que elas fossem sem ele, no fundo Kim desejava um pouco de espaço e liberdade. Queria poder pensar um pouco nele mesmo, ir visitar Corvo e aprender sobre necromancia sem a irmã o seguindo. E ao fazer isso, ao demonstrar total falta de amor a ela, Kim foi castigado novamente. Se algo acontecesse a Shuurei, Kim não se perdoaria, jamais teria descanso ou absolvição. Porque esse seria seu pecado.

Corvo corria logo atrás de Kim, uma revoada de corvos voavam a muitos metros acima dele o seguindo. Um mistério que Corvo queria desvendar. Por que os corvos o seguiam? Porque o obedeciam? E porque quando olhava para Kim não via um garoto e sim a face da própria morte.

Anise corria ao lado de Ledox e Zelos, os três não haviam trocado uma única palavra a mais desde que começaram a correr ao centro comercial, passavam por inúmeros cadáveres de civis, mortos por espadas, homens, mulheres, crianças e velhos. Não havia piedade para nenhum deles, todos assassinados e deixados para queimar ou apodrecer nas ruas, a fumaça tornava grande parte da rua dificultando a respiração, o calor intenso minava as forças, fazendo escorrer suor pelo corpo. Um círculo de fogo lentamente se fechando, consumindo casa após casa, a população sobrevivente provavelmente escondida ou se defendendo no centro da loucura que se tornou o distrito oeste, Anise notou algo a frente e acelerou ultrapassando os garotos. Logo em seguida os deteve erguendo uma das mãos e a colocando no peito de Kim que a encarou com raiva.

  • Pare garoto. Temos companhia.

Kim não queria dar atenção a ela. Mas uma dúzia de assassinos vinha pela rua, um deles parecia carregar um objeto nos braços, quando eles os avistaram 10 inimigos avançaram para atacar enquanto o que carregava o objeto se afastava do local sendo protegido pelo que havia ficado com ele.

Ledox e Zelos passaram a frente desembainhando as espadas, Anise sacou uma pistola e um florete sorrindo para os invasores.

  • Vamos brincar queridos. Anise disse a todos os presentes.

Então ela correu em direção dos 10 inimigos, 2 cópias foram criadas correndo ao seu lado. Anise disparou a pistola acertando a testa do primeiro oponente que curvou o corpo para trás com o impacto da bala, depois ela atacou com o florete. O segundo inimigo aparou o golpe, mas isso era um truque, as cópias o perfuraram, mas nenhum dano foi causado neles. A distração criada pelas cópias atingiu seu objetivo, Anise se aproximou colocando o cano da pistola no pescoço e disparando, sangue voou sujando a pistola e as roupas dela.

Ledox e Zelos não pareceram se incomodar com o modo de lutar de Anise e entraram na batalha, Zelos atacou 2 oponentes que se aproximavam pela direita, girando a espada e forçando o recuo dos inimigos, Ledox se esquivou de um ataque passando uma rasteira no adversário que foi ao chão. Em seguida começou um duelo com outro oponente, no total 6 inimigos estavam sendo enfrentados. Dois mortos por Anise jaziam no chão, os dois últimos avançaram contra Corvo e Kim, Corvo recuou alguns passos sem saber o que fazer, enquanto Kim mostrava os punhos.

Kim seria morto e Corvo não poderia fazer nada para impedir. Ele gritou e a revoada atacou os dois assassinos bicando e arranhando com as garras a cabeça dos invasores, um deles derrubou a espada, Kim aproveitou a chance e a pegou, depois a fincou na barriga do assassino que tombou arfando, Kim continuou a puxar e fincar a espada em um frenesi insano, o segundo inimigo conseguiu uma brecha no ataque dos corvos e girou a espada para atacar Kim, foi quando mãos cadavéricas saíram do chão agarrando as pernas e em seguida o corpo dele, o assassino foi sendo puxado para um buraco que se abriu, sendo engolido até não restar mais nada dele. Kim olhou para Corvo com espanto que balançou a cabeça negativamente dizendo.

  • Não fui eu.

  • Fui eu meninos. Mas estou curiosa, um filhote de necromantes e um amaldiçoado. Como será que vocês se encontraram e acabaram nesta confusão?

Quem havia falado era uma jovem mulher de cabelos e olhos pretos, com traços orientais de Cantha, não mais de 20 anos, ela estava vestida de preto e verde escuro com duas adagas nas mãos.

  • Prazer em conhecê-los. Meu nome é Marjory, depois acertaremos meu pagamento.

Ledox, Zelos e Anise terminaram de vencer seus oponentes, seis corpos sem vida jaziam aos seus pés. Anise enrijeceu o maxilar ao olhar para Marjory, ela marchou na direção da necromante apontando o dedo acusador para ela.

  • O que você faz aqui sua aberração?

  • É bom ver você também condessa.

Ledox e Zelos chegaram logo atrás de Anise olhando de um para o outro parecendo tão espantados e curiosos quanto Kim e Corvo.

  • Vocês duas se conhecem? Perguntou Ledox.

  • Infelizmente sim. Marjory tem contatos entre os nobres, muitas amigas intimas que ela gosta de manter contato pessoal. Se vocês dois me entendem.

  • Ai está algo que gostaria de assistir. Disse Zelos com um sorriso cafajeste.

  • Não tenho culpa de ser uma mulher de gosto exótico e requintado e Kasmer ter bom gosto para amigas…

  • Algumas amigas minhas dizem que tenho um ótimo gosto. Zelos comentou animado.

  • Desculpe. Não gosto do que você tem a me oferecer.

  • Parem! Vocês dois antes que eu vomite o café da manhã. Marjory diga logo o que está fazendo aqui. Ordenou Anise.

  • Acredito que o mesmo que vocês. Salvando pessoas inocentes. Eu deixei alguns abrigados no depósito do outro lado da rua e vim procurar mais sobreviventes. Antes disso tudo acontecer fazia compras.

    Kim não tirava os olhos de Marjory, mas seu olhar não era de raiva como o de Anise, nem de desejo como o de Zelos ou curiosidade como de Ledox e Corvo. O olhar de Kim era de inveja.

  • Você é uma necromante? Kim gritou se aproximando.

  • Sim garoto. Uma das poucas autorizadas pelo reino após o incidente. Ela olhou para Corvo e então sorriu.

  • Eu conheci seus pais. Pessoas maravilhosas e ótimos necromantes. Infelizmente não tinham paciência para finalizar suas pesquisas e estudas. Sinto muito por eles.

  • Obrigado. Corvo disse com os olhos úmidos.

  • Não temos tempo a perder com você Marjory. Um dos invasores carregava algo e caso minhas suspeitas estejam certas todos corremos perigo. Temos de segui-lo.

  • E como espera encontrá-lo no meio deste caos Anise?

  • Eu mandei uma de minhas cópias o seguir a uma distancia segura. Eu sei exatamente onde ele está no momento. Há duas quadras nesta direção e ainda correndo.

  • Não! Minha irmã está para cá! Eu posso sentir. Kim gritou sem tirar os olhos de Marjory e apontando outra rua.

  • Não podemos deixá-los ir sozinhos. Vão acabar se matando. Disse Ledox.

  • Eu acompanho os garotos. Vocês 3 vão brincar de heróis. Marjory disse mandando –os embora com as mãos.

  • Acha uma boa idéia? Disse Ledox.

  • Não temos escolha. Vê se não os mata Marjory. Disse Zelos.

  • Não faça besteira Marjory ou juro que a prendo. Anise disse.

  • Tá, tá, tá. Agora sumam da minha frente. Muito bem moleque mostre o caminho.

Kim então liderou o trio e por algum motivo desconhecido se lembrou de um antigo conto. Um que ele odiava com todas as suas forças, mas que estava gravado em sua mente. Um conto que ele e Shuurei conheciam como.

“O conto da sombra e da adaga“

“Um ser de luz uma vez veio visitar uma vila para conhecer as pessoas que lá viviam, ele era invisível para elas”.

“Desta maneira ele podia observá-las e conhecê-las”.

“O ser de luz vagava entrando nas casas de cada habitante vendo o amor, a amizade, o trabalho árduo e a união dos que lá viviam”.

“Quando estava para partir encontrou um casal de irmãos perto de uma cabana as margens de um lago, os irmãos emanavam tristeza, medo e solidão”.

“O ser de luz se aproximou se revelando aos irmãos, uma menina e um garoto e perguntou”.

  • O que aflige seus corações penas crianças? E a menina respondeu.

  • Eu temo a noite que penetra nossos quartos. E o garoto acrescentou.

  • Eu temo a noite que me toca sobre os lençóis.

“A luz compadeceu do sofrimento dos irmãos e então falou”.

  • Na próxima vez que a noite cair, você garoto a sombra se tornará não permitindo a noite escapar. E você menina a adaga possuirá e a noite o fim dará.

“A luz então se foi, dando lugar a noite tão temida que penetrou novamente no quarto dos irmãos. E esta foi a última vez que a noite os visitou, porque o garoto nas sombras a agarrou e segurou permitindo a menina agora com a adaga nas mãos a noite dar um fim”.

“E no raiar do dia os irmãos a noite não mais temiam, mas agora neles só restava a escuridão que nos seus corações agora vivia”.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo13-Loucura parte 1

O que se pode definir como loucura? O que é considerado loucura para uns, pode ser considerado perfeitamente sã para outros. Divinity’s reach neste dia conhecia inúmeras formas de loucura. Seja por Treze, um dos invasores sem emoções, causador de tal carnificina. Seja por Alice em sua fúria enlouquecida ao ver o pai morto e decapitado. Sejam por Kim e Shuurei, os dois irmãos tomados no centro do caos da cidade com seu passado secreto e obscuro. Seja por Corvo que possuía até o momento apenas os pássaros como seus amigos. Seja por Ormack que seguia as ordens de um velho norn canibal. Sejam por Ledox e Zelos que entraram neste inferno inesperado para ajudar seu amigo da guarda. Seja por Remmy que não sabia se conseguiria sobreviver para ingressar na guarda e limpar o nome de sua família. Sejam por Alexian e Ashira que se envolveram numa teia de morte e intrigas que mudaria suas vidas e daqueles que os seguiriam a partir deste dia. E seja por Sabetha que iniciava agora a fase 2 de seu plano, algo beirando a loucura máxima da ambição humana.

E agora queridos ouvintes apreciem o desfecho desta trama enlouquecida com todos os atores envolvidos nesta peça chamada vida.

MATAR! MATAR! MATAR! Alice só pensava em matar! Ela saltou sobre Treze largando a cabeça decepada do pai e apanhando a espada caída a sua frente. Algo anti-natural acontecia a jovem. Thalita não sabia explicar o que via, vapor rubro emanava dos poros da pele de Alice parecendo que o sangue fervia em suas veias, o coração dela batia aceleradamente bombeando o sangue rapidamente pelas veias, o rosto se tornou uma mascara de ódio. Alice atacou Treze com a espada, a lamina soltando uma trilha de pó e vapor rubro, treze aparou o golpe. Mas Alice estava com uma força monstruosa, a espada de Treze se partiu ao meio e ele foi empurrado para lateral com o impacto, caindo rolando pelo chão. Treze aproveitou o impulso do rolamento apoiando uma das mãos e dos pés com firmeza se levantando ao mesmo tempo que tomava a espada de Edgar que estava caída no chão. Treze ergueu a espada assassina de almas examinado-a e algo como um sorriso pareceu surgir em seus lábios. Então Alice explodiu em chamas rubras de ira que emanavam por todo seu corpo.

  • Balthazar. Thalita sussurrou olhando tal demonstração de poder.

Passagem para o Distrito Oeste

Ormack olhava a montanha de destroços e entulhos que bloqueavam a rua, fumaça e fogo destruíam as estruturas de madeira próximas. O garoto tentava imaginar como conseguiria atravessar para o outro lado quando um vulto negro e peludo saltou ao seu lado. Fenrir o pegou pela cintura e colocando-o em seu ombro, o rosto de Ormack bateu nas costas do Norn em forma lupina, o pelo de lobo entrando pela boca e nariz do garoto.

  • Vamos pirralho. Estamos perdendo o melhor da festa, posso sentir o cheiro do sangue banhando as ruas da cidade.

  • O que você vai fazer? Perguntou Ormack tentando não demonstrar medo e cuspindo pêlos da boca.

Fenrir mostrou as presas em um sorriso e disse.

  • Vamos saltar por cima dos destroços para o outro lado. Não vá cair das minhas costas.

  • O quê? Espera!

Fenrir arqueou as pernas e saltou sendo acompanhado de um grito de medo de Ormack. Eles caíram do outro lado ilesos. Fenrir jogou ormack no chão e em seguida se agachou para farejar.

  • Por aqui pirralho. O cheiro de sangue é mais fresco nesta direção.

Fenrir então correu saltando novamente para um telhado, quando Ormack tentou se levantar por fim percebeu os corpos de pessoas mortas pelo chão, dezenas deles. Enfim ele entendeu que a partir daquele momento não havia mais volta.

Distrito oeste

Remmy estava cansado, ele tinha um corte no lado esquerdo do rosto que sangrava, a espada parecia pesar uma tonelada em suas mãos. Ele e Alexian haviam encontrado uma jovem e uma menina enquanto avançavam para o centro enfrentando os invasores. Remmy levou alguns segundos para perceber que Alexian as conhecia e que pela maneira como ele olhava para a jovem Alexian a amava. Esta era a chance que Remmy tinha de retribuir o favor a ele, protegendo as duas garotas mesmo que tivesse de lutar até suas últimas forças.

A cidade de Divinity’s Reach possui um complexo sistema hidráulico de bombeamento de água. Grandes tubulações são usadas para levar a água potável do reservatório para a cidade. Dê mês e mês é feita uma manipulação em um dos grandes canos, a tubulação de mais de 3,5 metros de altura é considerada uma obra prima de engenharia.

A fase 2 no plano de Sabetha consistia em reunir a maior parte da guarda de Divinity’s Reach na área comercial. Enquanto suas crianças mantiam a guarda distraída, Sabetha com sua escolta pessoal usavam o duto em manutenção para acessar a cidade e instalar bombas incendiárias por toda a trajetória da tubulação. Se o ataque a Divinity’s Reach não tivesse sido feito esta movimentação teria sido notada pela guarda ou pelos operários da manutenção. Quando tudo estivesse pronto com todas as peças em seus devidos lugares como em grande tabuleiro de xadrez, com a guarda lutando no centro comercial. Sabetha ordenaria a detonação das bombas causando o Big Bang que destruiria as fundações que sustentam a cidade. As criptas existentes embaixo de Divinity’s Reach cederiam, afundando todo o distrito oeste deixando apenas uma enorme cratera no lugar, em seguida as bombas incendiárias instaladas nos dutos criariam uma onda de chamas que percorreria os encanamentos iniciando detonações menores de bombas devidamente escondidas nos outros distritos causando incêndios por toda a cidade e por fim destruindo o reservatório de água, impedindo assim qualquer forma de se combater o fogo. Um plano magnífico, Sabetha só não contava com uma coisa, interferência externa.

Thalita mantia pressionado o ferimento de Irikami, o sangramento não podia ser contido naquele lugar. Ela imaginou que o menino teria no máximo mais alguns minutos de vida, ele precisava ser removido rapidamente para tratamento. Porem Thalita pensava como ela poderia fazer isso em meio a todo esse caos e loucura e por fim, como ela mesmo sobreviveria a luta destas duas pessoas que agora mais pareciam encarnações dos deuses da morte e da guerra em pessoa.

Os cabelos loiros queimavam, a pele enegrecia e rachava, vapor rubro emanava do corpo. Alice havia se entregue total mente a fúria enlouquecida, ela encarava Treze, os olhos azuis uma explosão em teias vermelhas. Treze segurava a espada de Edgar a observando com um olhar demente, a garota avançou velozmente tomando a espada assassina de almas das mãos de Treze que não tentou impedi-la, descartando em seguida a espada de treino que usava. Alice golpeou usando apenas uma das mãos para empunhar a grande espada do pai, os movimentos de Alice eram rápidos e mortíferos, Treze se esquivou recuando, ele não possuía mais o olhar sem emoção, Treze sorria, um sorriso psicótico. A luta o divertia, o empolgava e a visão de Alice em frenesi o extasiava. Treze deu uma cambalhota para trás e no meio do movimento apanhou duas espadas caídas no chão, Alice girou o corpo desferindo um chute certeiro em seu estomago, Treze foi arremessado para trás batendo em uma parede. Porem ele não soltou as espadas, Alice avançou dando um golpe frontal com a grande espada, Treze cruzou as laminas das 2 espadas aparando o golpe, as laminas trincaram, mas desta vez agüentaram a força do golpe. Treze inclinou o corpo para o lado esquerdo movendo as laminas para a direita, a lamina da espada de Alice deslizou tocando a ponta no chão deixando as costas da garota desprotegida, em seguida ele girou o corpo 360° puxando as espadas, as laminas deslizaram no ar e atingiram as costas de Alice abrindo 2 rasgos que sangraram, Alice pareceu não se importar com o golpe recebido e deu um murro no rosto dele, o soco o fez cambalear para o lado, o olho esquerdo inchando com um hematoma, em seguida ela girou o quadril e o chutou na costela quebrando pelo menos 3 delas, Treze tentou se virar para encará-la. Mas sua visão embaçou, ele começava a perder os sentidos, Alice pareceu notar e não lhe deu tempo para se recuperar, ela golpeou de baixo para cima, um grande rasgo no peito de Treze surgiu tingido ele de vermelho, ele cambaleou deixando as espadas caírem, Alice pulou sobre ele o derrubando no chão, colocando o joelho sobre seu peito e erguendo a espada. Era o fim da luta entre os dois.

Alexian recuou alguns passos apenas o suficiente para poder verificar se Ashira estava bem, ele sorria para ela e então disse.

  • senhorita Ashira. Desculpe interromper suas compras, mas gostaria de me acompanhar para passeio bem longe daqui?

Ela retribuiu sorriso e respondeu.

  • Pensei que você nunca teria coragem de me convidar?

  • Situações desesperadas pedem atitudes desesperadas milayd.

  • Muito bem Alexian, me tire daqui com Shuurei que aceito até mesmo ir jantar com você.

O sorriso de Alexian ampliou, um sorriso radiante. Ele olhou para o grupo de inimigos diante deles e falou.

  • Senhores última chance de se renderem e continuarem vivos.

Nenhuma respostas, eles mantinham a expressão sem emoções com o numero tatuado no pescoço. Alexian suspirou. As coisas seriam do jeito mais difícil. Eles eram em 4, sendo que um era uma criança de 10 anos, contra pelo menos 7 assassinos.

  • Remmy mantenha as garotas entre você e os inimigos e caso o pior aconteça, foi um prazer conhecê-lo e lutar ao seu lado.

  • igualmente senhor. Mas não perca as esperanças ainda, são em momentos como esse que devemos acreditar em nossas forças e nos Deuses.

  • Muito bem dito meu amigo. Por Balthazar!

  • Por Balthazar.

A luta se reiniciou. Alexian e Remmy criaram uma barreira humana com seus corpos impedindo dos inimigos de avançarem na direção das garotas. Os dois lutavam em perfeita sincronia, aparando e bloqueando golpes direcionados de um para o outro, infelizmente a vantagem numérica do inimigo começou a vence-los, um dos assassinos conseguiu passar por Remmy pela lateral enquanto ele aparava o ataque de 2 adversários, o assassino correu com a espada preparada na direção de Ashira e atacou.

  • Alexian não consegui detê-lo! Gritou Remmy.

  • NÃO! Alexian gritou tentando alcançar o inimigo, mas estava sendo forçado para o outro lado pelos assassinos.

Ashira esperava o assassino com a adaga nas mãos, Shuurei escondida logo atrás dela. Ashira tentou aparar o ataque, mas fracassou, a ponta da espada penetrou no ombro direito, uma dor aguda percorreu o corpo de Ashira fazendo-a soltar a adaga, ela segurou a cabo da espada com uma das mãos enquanto a outra empurrava o assassino para trás. Ashira virou o rosto para Shuurei e sorriu para ela. Então disse.

  • Shun… corra.

O assassino caiu sobre Ashira, derrubando-a no chão, ele montou sobre ela agarrando-a pelo pescoço com uma das mãos, enquanto a outra forçava a lamina da espada ainda mais no ombro, Ashira tentou gritar por causa da dor insuportável que sentia, porem o assassino apertou seu pescoço fazendo-a sufocar, ele a estrangulava ao mesmo tempo que penetrava mais a lamina no ombro. Shuurei olhava tudo, parecia em estado catatônico. Alexian e Remmy tentavam avançar para salva-las, e ao fazerem isso se expuseram, baixando a guarda, Alexian foi atingido nas costas, sentindo uma costela quebrar, Remmy foi atingido no ombro e no ante-braço, ambos sendo empurrados novamente para longe das garotas. Outro assassino os deixou caminhando na direção de Ashira, ela ainda tentava lutar, mas começava a desfalecer, em suas últimas forças ela conseguiu dizer mais uma vez.

  • Corra Shun…

E neste momento o passado de Shuurei a atingiu com todo seu poder e crueldade, ela segurou o cabo da adaga com força, seu rosto não tinha mais medo, apenas uma parede sem emoções, exatamente como as dos assassinos, a menina saltou nas costas do atacante de Ashira desferindo inúmeros golpes fatais, um destes golpes atingiu a veia principal encharcando as roupas de vermelho, o assassino levou as mãos a garganta tentando deter o sangramento soltando Ashira,ela respirou profundamente e em seguida tendo um acesso de tosse, o segundo assassino se aproximou de Shuurei por trás, ela ainda estava agarrada as costas do primeiro assassino com a adaga fincada nele, quando o segundo assassino preparou a espada para perfurá-la alguém saltou sobre ele derrubando-o. Kim ajoelhou sobre a mão que segurava a espada imobilizando-o, em seguida agarrou uma Pedra no chão começando a desferir golpes no rosto do assassino desfigurando-o completamente, Marjory chegou logo depois segurando a mão de Kim com a pedra coberta de sangue o impedido de continuar.

  • Chega! Ele já está morto! Assim como o outro que a menina está sentada nas costas.

Ao dizer isso Kim pareceu retomar o controle, ele se levantou indo até a irmã que estava sentada encima do corpo inerte do assassino banhado em sangue, Ashira já estava ao seu lado tentando retirar a faca das mãos dela. Alexian e Remmy notaram a chegada de ajuda, mas eles ainda lutavam contra seus oponentes. Neste momento uma revoada de corvos atacou os assassinos bicando a arranhado suas cabeças, em seguida mãos cadavéricas agarraram seus calcanhares dando tempo necessário para que Alexian e Remmy vencessem seus inimigos. Os corvos então voaram novamente pousando nos telhados e grasnando, um pouco mais atrás de Marjory um menino os olhava, Corvo se aproximou dela ficando ao seu lado. Kim e Ashira abraçavam Shuurei que novamente estava em estado catatônico dizendo para ela.

  • Acabou querida. Acabou.

Alexian se aproximou de Marjory e disse.

  • Obrigado pela ajuda moça.

  • O nome é Marjory. E não agradeça somente a mim, os garotos também ajudaram.

Ela caminhou até Shuurei que estava com Ashira e Kim, a examinando, Marjory balançou a cabeça dizendo.

  • Outro amaldiçoado. O que está acontecendo aqui?

  • Amaldiçoado? O que quer dizer com isso? Ashira exigiu saber encarando Marjory.

  • Estas crianças estão sobre uma maldição impostas por elas mesmas.

  • Não estou entendendo. Explique!

  • O universo é regido por duas forças poderosas, uma positiva e outra negativa. Cada ato feito por uma pessoa boa ou má alimenta estas forças. Ações boas geram Dharma que retornam para nós como dádivas e sorte. Ações ruins geram Karma, nos dando azar ou em casos sérios maldições. Estas duas crianças fizeram ou acreditam ter feito algo tão horrível que eles se alto amaldiçoaram. E isto os esta afetando de inúmeras maneiras negativas.

Marjory encarou Kim e acrescentou.

  • Não é mesmo moleque? O que vocês dois fizeram de tão grave?

– CALA A BOCA! Kim gritou encarando Marjory, o passado querendo forçar sua entrada no presente.

  • Não temos tempo para isso. Shuurei precisa de cuidados medidos, todos nós precisamos! Disse Ashira aparentemente ainda sentindo muita dor vindo do ombro.

  • Algo grave… Alexian repetiu se aproximando com Remmy ao seu lado.

  • Ashira tem algo que preciso falar com você. Alexian disse com a mão em um dos ferimentos que não parava de sangrar.

  • Isso pode esperar, vou levar Shun para receber cuidados médicos e vocês deviam vir.

Ashira tentou pegar Shuurei no colo, mas a ferida no ombro a impediu, Kim a tomou dos braços de Ashira e disse.

  • Eu a levo.

Alexian olhou diretamente para Kim e em seguida para Shuurei, revendo tudo o que havia acontecido ali. A adaga e a pedra caídos no chão sujos de sangue não o permitia esquecer. Ele não podia deixá-los sozinhos com Ashira nem mais um minuto.Mas tinha um trabalho a fazer.

  • Ashira eu insisto! Preciso falar com você agora!

  • E eu já disse, conversamos depois. Vamos embora daqui.

Isso ia partir seu coração, mas o dever vinha em primeiro lugar. O juramento de servir e proteger.

  • Não posso ir com você Ashira.

  • O que? Porque não? Ashira perguntou espantada. Ela não acreditava no que escutava.

  • Porque ele é um guarda, tolinha. Ele só pode sair daqui quando tiver certeza que ninguém mais corre perigo.

Marjory falou colocando a mão na cabeça de Ashira que a afastou dando um tapa.

  • Sinto muito. Eu tenho de ficar e esperar o reforço da minha equipe. Tenho certeza que eles devem estar chegando. Preciso me reportar ao meu capitão.

  • Entendo… então até mais tarde recruta. As palavras foram carregadas de ressentimento. Isso doeu muito mais que as feridas de Alexian.

  • Ashira você não pode ir sozinha com Kim e Shuurei? Alexian falou.

  • Porque? Ela perguntou erguendo uma das sombrancelhas.

  • É perigoso.

  • Para nós três? Ela indagou.

Alexian queria dizer para ela. Mas se conteve, Ashira não acreditaria nele se contasse sobre as crianças agora.Ele pensava no que responder quando Marjory disse.

  • Eu os levo em segurança. Afinal fui eu quem os trouxe até aqui.

  • Remmy será que você poderia ir com eles? Alexian não estava muito seguro em deixar Marjory levá-los.

  • Me desculpe Alexian. Mas acho que você precisa mais de mim do que eles. Não posso deixá-lo sozinho e ferido em território inimigo.

Marjory gargalho, em seguida disse.

  • Foi a mesma coisa que Ledox disse para esses dois.

  • Ledox está aqui?

  • Sim. Ele, Zelos e a sonsa da condessa Anise que está se achando por ser uma Shining Blade.

  • Anise… Remmy murmurou.

  • Estamos perdendo tempo. Nos falamos depois Alexian. Vamos Kim.

Ashira disse dando as costas para Alexian e caminhando, Kim a seguindo com Shuurei nos braços.

  • Cuide dela por mim Marjory que eu fico te devendo.

  • Pois eu vou cobrar. Vamos garoto dos corvos.

  • O nome é Constantine.

  • Que seja.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Loucura- capitulo 13 -Parte 2

A equipe 1 liderada Por Logan chegava aos destroços que bloqueavam a entrada para a área comercial. Um grupo de voluntários havia começado a retirar os escombros e remover os corpos das pessoas mortas na explosão, dezenas de corpos enfileirados cobertos por lençóis brancos. Logan ficou chocado com o tamanho da destruição, ele serrou os punhos jurando vingar as mortes destas pobres pessoas, vítimas deste atentado. Atrás dele chegavam as equipes 2 , 3 e 4 com seus respectivos líderes.

  • Parece que teremos muito trabalho hoje capitão Logan.

  • É o que parece Comandante Eliot.

  • Reúna sua equipe Logan e vamos entrar.

Uma passagem entre os destroços foi aberta permitindo o acesso a área comercial.

  • Equipes formem um esquadrão e avancem, os outros esquadrões invadirão pelas outras entradas. Resgatem civis e combatam os invasores. Mas tentem capturar algum invasor com vida se for possível, precisamos descobrir o responsável por tudo isto.

As equipes avançaram sem saberem que estavam indo para uma armadilha, a contagem regressiva para o fim havia se iniciado finalmente.

Palácio de Divinity’s Reach

O ministro Legato Lord Caudecus Beetlestone o sábio estava nervoso, o rosto vermelho constrastado com a careca e cavanhaque que suava manchando a gola da camisa de ceda. Ele não gostava de se encontrar com membros da irmandade dentro do palácio, mas a situação começava a sair do controle. A porta do escritório abriu e Sebastian Solar Cran entrou, o olhar penetrante e sem emoção fintou o rosto de Caudecus que desviou o olhar. Ele temia Sebastian, um homem perverso, manipulador e cruel. Mesmo dentro da irmandade se opor a Sebastian Solar Cran era uma sentença de morte a pessoa e toda sua família. Se caudecus tivesse alternativa evitaria este encontro. Mas Sabetha estava próxima de conseguir finalizar seu plano e com isso ascender ao circulo interno. Ela precisava ser detida.

  • Diga logo o que queria falar comigo Caudecus. Não estou de bom humor hoje.

Caudecus ficou imaginando se algum dia Sebastian Solar Cran já teria ficado de bom humor alguma vez.

  • O que aconteceu Sebastian? Algum problema? Posso ajudá-lo em algo?

  • Nada muito sério. Você sabe que usei o álibi de vir a Divinity’s Reach para tratar do noivado de meu filho Antony com a filha de Edgar Lacy. Bem, o pai dela me informou hoje de manhã que ela fugiu de casa, embora a proposta do noivado tenha sido uma farsa a fuga desta fedelha é uma ofensa e humilhação a minha família.

Caudecus teve de se segurar para não rir da história. Alice Lacy fugiu de casa para não ficar noiva de Antony Solar Cran e Sebastian estava nervoso por causa disso? Sendo que o casamento nem chegaria a se realizar.

  • Ela é jovem Sebastian, o pai irá castigá-la assim que ela voltar para casa. Caudecus disse simpatizando com a filha de Edgar, pensou até em mandar um convite para um juntar. Mas isso seria exagero.

  • O castigo desta insolente será dado por mim em outra ocasião. Mas chega de tolices, diga logo o que queria falar comigo Caudecus.

  • Sabetha! Ela está quase concluindo seu plano. Você bem sabe o que acontecerá caso ela tenha êxito.Ela terá mais influencia do que nós no circulo interno.

  • Você se preocupa demais Caudecus. Já tomei as devidas medidas necessárias, meu espião irá direcionar a guarda até Sabetha. Ela será morta durante o ataque, mas suas bombas explodirão assim mesmo. Quando Divinity’s Reach ficar sem seus guardas Ascalon virá em seu socorro e meus homens assumirão as posições de chefia das 3 unidades militares nos dando acesso a princesa Jennah. Então não se preocupe Caudecus. A princesa nunca se tornará rainha e o ministério governará Kryta por um longo tempo com você no comando. Só espero que não se esqueça de sua parte do acordo.

  • Não esquecerei. Divinity’s Reach decretará guerra contra os charr e iremos juntar forças aos separatistas para retomar Ascalon para os humanos que é nossa por direito.

  • Então Caudecus não se preocupe. Tudo está seguindo conforme o plano.

Sebastian sorriu friamente. Realmente tudo seguia conforme o plano. Conforme o seu plano.

Distrito Oeste

A lamina da espada assassina de almas estava a centímetros do peito de Treze. Alice estava montada sobre ele, o rosto uma mascara de puro ódio. Treze olhava para ela como uma criança curiosa, então ele fez e disse algo inesperado. Treze sorriu. Um sorriso puro e inocente, em seguida falou com a dificuldade de alguém que não estava acostumado a usar as palavras. Ele disse.

  • Você é lindo.

Alice gritou! Os olhos arregalados em dezenas de teias vermelhas, o vapor rubro emanando do corpo. Ela se preparou para empalar Treze quando mãos delicadas, porém firmes e fortes a seguraram pelos braços, cabeça e tronco. Alice se debatia, lutava para se libertar. Ela ouviu uma voz feminina atrás dela dizendo.

  • Desculpe mocinha. Mas vou precisar de alguém vivo para interrogatório. Então tente se acalmar.

Condessa Anise estava atrás de Alice. Cinco cópias seguravam a garota que lutava para se soltar.

  • Me larga! Me deixa matá-lo!

Ledox e Zelos chegaram logo em seguida com a respiração descompassada.

  • O que vocês dois estão esperando? Tirem-na de cima do prisioneiro.Ordenou Anise.

  • Quem a colocou de líder? Recrutou Zelos.

  • Acho que o ego dela. Respondeu Ledox sorrindo.

  • Vocês 3 ai! Este menino precisa de cuidados médico urgente ou vai morrer! Gritou Thalita.

E finalmente as palavras pareceram alcançar Alice. Ela soltou a espada que caiu no chão com um sonoro baque. A lamina estava incandescente como se tivesse sido deixada no fogo por um longo tempo. Alice saiu de cima de Treze as cópias desaparecendo a libertando, ela engatinhou com dificuldade na direção de Thalita. Contemplou o rosto do irmão acariciando-o com ternura. Ela olhou para Thalita e disse.

  • Salve-o!

Segundos depois ela tombou para o lado, as feridas tingindo o chão de vermelho.

  • Ledox você ajuda a mocinha a tirar os daqui. Eu continuarei a perseguição ao assassino com a misteriosa sacola. Anise mandou.

  • E eu? O que vou fazer? Perguntou Zelos.

  • Você vai levar o prisioneiro em custódia para tratamento. Quero interrogá-lo assim que voltar.

  • E como vou fazer isso?

  • Carregue-o. Ou esses seus braços fortes só servem para erguer canecas de bebida? Anise ironizou.

  • Você vai sozinha Anise? Não acho boa idéia. Ledox argumentou.

  • Sei me cuidar querido. A prioridade e resgatar os civis e levar o prisioneiro. Agora vão. Vocês estão me distraindo.

Ledox sacudiu a cabeça sorrindo e disse.

  • Ela não muda… Como vamos remove-los senhorita? Perguntou Ledox a Thalita.

  • Faremos uma maca. Já tínhamos uma pronta, só precisaremos reforçá-la para mais uma pessoa.

  • Certo. Então mãos a obra.

Outro ponto do distrito oeste

Ormack não queria admitir, mas estava apavorado. Tinha perdido Fenrir de vista a algum tempo e tudo o que encontrava pelo caminho eram corpos queimados, assassinados e ocasionalmente um ou outro mutilado. Isto era a única pista de que estava indo na direção certa. Ormack virou uma esquina e deu de cara com 4 assassinos. Eles estavam acabando de matar um casal quando notaram a presença de Ormack, no alto de um telhado oculto entre a fumaça Fenrir observava tudo. Esta seria a iniciação de seu discípulo e caso ele fracassasse Fenrir o devoraria e procuraria outro. Afinal o mundo era vasto.

  • Nãooo! Não se aproximem! Ormack gritou apontando a lamina da espada para os 4 homens que continuaram avançando em sua direção. Fenrir mudou a posição que observava, a atitude de Ormack o estava irritando.

  • Vamos muleque! Mostre coragem! Mostre sede de sangue!

Os assassinos atacaram, Ormack recuou tentando evitar o golpe, ao fazer isso tropeçou em uma pedra caindo sentado no chão, a espada escapando de usas mãos e indo parar distante dele. Ormack fechou os olhos esperando seu fim, ouviu sons de luta e de carne sendo cortada. Algo bateu em seu corpo, um liquido o cobriu quase por completo. Quando finalmente teve coragem de abrir os olhos os corpos dos 4 assassinos se encontravam retalhados pelo chão e seu corpo coberto do sangue deles. Fenrir ainda em sua forma lupina o olhava com uma expressão de desagrado.

  • Você me salvou?

  • Eu devia era devorá-lo muleque! Você sequer se defendeu.

  • Eles estavam em quatro.

  • Mesmo que fossem 20, nunca mostre medo ao inimigo e ria diante da morte.

Ao dizer isso o peito de Fenrir foi perfurado, uma lança atravessava suas costas. Ormack ouviu alguém dizer.

  • Então ria disso seu monstro!

Lord Khanum como gostava de ser chamado não era realmente um nobre. Os norn não possuíam isso de linhagem nobre como os humanos tinham. Mas Khanum era neto de Asgeir Dragonrender, embora seja filho bastardo o sangue de Asgeir corria em suas veias, tal parentesco desagrada seu meio irmão Knut Whitebear gerente atual de Hoelbrak.O avô de Khanum , Asgeair era o lendário herói norn que enfrentou Jormag durante sua ascensão, quando o norn estava a beira da aniquilação pelo Elder Dragon os espíritos selvagens o auxiliaram no combate. A batalha tornou-se lendária, embora não tenha conseguido matar Jormag, Asgeir arrancou um dos dentes do Elder Dragon tomando-o como troféu provando assim que os Elder Dragons podiam ser feridos e por ventura mortos. Esta história é contada pelos sábios nas fogueiras durante os festivais, vários norns acreditam que Khanum seguirá os passos do avô, ele se destacará a grande caçada, a própria Eir o havia elogiado a grande mãe e grande pai, os norn mais velhos e sábios de Hoelbrak. Quando khanum soube sobre Fenrir e seus idéias radicais, próximos demais as idéias ideológicas dos filhos de Svanir , Khanum decidiu por ele mesmo dar fim a esta semente podre. Lord Khanum seguiu Fenrir e se preparou para a hora certa de atacar, a presa tinha de ser pega no momento certo, meses se passaram até a oportunidade enfim chegar. E este momento seria agora, em um beco no meio do distrito comercial de Divinity’s Reach, cercado de corpos e apenas um garoto como testemunha.

  • Os espíritos Totens clamam por sua vida Fenrir Redclaws!

  • Ora, ora se não é o jovem Khanum, a grande esperança do povo norn a liderá-los na luta contra Jormag. Me diga jovem, já conseguiu quebrar o dente do Elder Dragon no grande salão? Fenrir perguntou segurando o cabo da lança presa ao peito. Ele ria como se aquilo não fosse nada.

  • Farei isso assim que livrar o mundo de sua presença carniceiro.

  • Há,há,há. Você é uma piada Lord Khanum! Uma rele sombra de seu avô, vivendo a gloria de um morto enquanto outros lutam na guerra contra o dragão.

  • E o que você faz enquanto os outros lutam Fenrir?

  • Eu aprecio cada momento que respiro, cada minuto que existe até encontrar alguém para me substituir.

  • É uma pena que você não tenha encontrado ninguém.

  • Você tem certeza disso? Fenrir disse sorrindo, sangue escorrendo do canto da presa.

Ormack tinha sido ignorado até aquele momento por Khanum, ele não notou Ormack se levantar e apanhar a espada, e não esperava que o garoto o perfurasse na costela com ela.

  • Não ouse atacar meu mestre! Ormack gritou atacando Khanum, os olhos vermelhos de ira.

  • Muito bem Hell. Fenrir disse sorrindo.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 14- Caça e caçador

Logan avançava com seu esquadrão, a cada metro a resistência dos invasores se tornava mais forte. O numero de baixas civis e de invasores crescia a cada passo dado, nos céus de Divinity’s Reach dezenas de urubus voavam em círculos aguardando a oportunidade de se banquetearem com os corpos que cobriam o chão. Logan examinava as ruas e becos a procura de sobreviventes, poucos cidadãos eram encontrados com vida. Os invasores estavam forçando a fuga dos civis para o centro do distrito comercial criando assim um circulo mortal, sem saída, em torno deles. Se a guarda alcançasse o centro rapidamente poderia evitar um massacre maior. Logan fez sinal para seu esquadrão que acelerou a marcha, o tempo era essencial para ele e seus guardas.

Junção dos Dutos

Sabetha acabava de receber o relatório de suas crianças, tudo corria conforme o planejado. A guarda de Divinity’s Reach em poucos minutos chegariam ao centro comercial para impedir suas crianças de massacrarem os sobreviventes escondidos nas lojas. Quando todos estivessem em seus devidos lugares, as bombas seriam ativadas causando a maior explosão já vista no território de Tyria.

Sabetha sorriu satisfeita, foi quando um de seus lacaios entrou por um dos grandes dutos de água. Ele se ajoelhou diante dela dizendo:

  • Mestra Sabetha trago notícias.

  • Fale minha criança.

  • Foi visto movimento no duto leste, alguém descobriu nossa localização e está vindo para cá.

  • Impossível! Ninguém poderia enxergar além do que eu permiti ser descoberto do meu plano.

Ao dizer isso a expressão de Sabetha mudou de espanto para raiva.

  • Sebastian! Foi ele… Ela murmurou.

-Quais suas ordens mestra Sabetha?

  • Localize o invasor e mate-o! Seja quem for deve morrer antes que descubra mais. Se Sebastian acredita que pode me atrapalhar está enganado. Eu comandarei a irmandade e terei a cabeça dele numa bandeja de prata.

Duto leste

Judas “o Furioso” avançava pelo duto leste, o local estava em completa escuridão o que obrigava Judas a confiar apenas em seus ouvidos, nada complicado para alguém acostumado a se mover e lutar no escuro. Judas era o principal assassino de Sebastian Solar Cran. Quando ele tinha 10 anos de idade foi enviado aos Whispers para treinamento onde recebeu o apelido de Fury, ou Furioso, pela maneira como lutava, naquela época a ordem dos Whisper não era leal ao reino ou à família real e não se incomodou em treinar um assassino para Sebastian. Judas admirava Sebastian como se ele fosse seu próprio pai, sua devoção inquestionável o tornava um perfeito assassino aos 13 anos. Qualquer pessoa que de alguma maneira pudesse prejudicar Sebastian recebia a visita de Judas. Hoje a visita seria a Sabetha, a última visita que ela receberia na vida.

Distrito comercial

Alexian estava parado a espera de Logan e seu esquadrão, em sua cabeça um milhão de dúvidas e preocupações. Se não fosse recruta da guarda sua vontade teria sido acompanhar Ashira até o hospital, mas se tivesse feito isso teria ido contra seus princípios e deveres. Remmy que estava parado ao lado de Alexian colocou a mão em seu ombro e disse ao amigo:

  • Não se preocupe, ela ficará bem.

  • Eu sei meu amigo. Ashira é muito mais forte do que eu jamais sonhei ser.

  • Eu imagino. Remmy disse com um sorriso no momento em que sons de passos tornaram audíveis. Alexian e Remmy olharam para o fim da rua e viram Logan e o esquadrão se aproximando.

  • Capitão. Saldou Alexian.

  • É bom revê-lo. Informe a situação recruta. Logan replicou.

  • O inimigo parece estar se deslocando com o que restou de seus homens para o centro, fechando o acesso dos civis, poucos conseguiram escapar com vida. Vai ser necessário um ataque direto e rápido para minimizar as baixas.

  • Concordo recruta. Informaremos aos outros esquadrões e avançaremos para o confronto final.

Uma imagem distorcida de mulher surgiu próxima a Logan e ao esquadrão e disse em um tom de alerta.

  • Condessa Anise. O que faz aqui? Logan perguntou surpreso, a imagem da mulher agora formando uma cópia perfeita da garota.

  • Meu trabalho, assim como você. Mas isto agora não é importante. Se você avançar com seus homens irão cair em uma armadilha.

  • Explique-se Anise! Logan exigiu.

  • Eu segui um dos invasores até um prédio comercial e encontrei bombas incendiárias no porão suficientes para derrubar um quarteirão inteiro, eu acredito que toda a área comercial tenha sido preparada para explodir.

  • Tem alguma prova Anise?

  • Só minha intuição. O invasor que segui preferiu morrer a contar-me algo.

  • Não podemos avançar! Temos de avisar os outros esquadrões e recuar! Um dos guardas argumentou com Logan.

  • Não podemos abandonar os civis a própria sorte. Alexian rebateu.

  • Se formos será suicídio! Disse outro guarda. O medo estampado em seu rosto.

  • Se há bombas espalhadas pela cidade deve haver um detonador. Se conseguirmos encontrar o detonador poderemos impedir a explosão ou pelo menos retardá-la o suficiente para evacuar o distrito.

  • Como vamos descobrir o detonador no meio desta confusão toda? Outro guarda perguntou.

  • Acho que posso ajudar nisso. Remmy falou pela primeira vez.

  • Hora, hora. Se não é Daniel Remmy II. O que um civil faz com a guarda? Anise perguntou maldosamente.

  • Ele está comigo condessa Anise. Tem sido um aliado valioso neste conflito.

  • Muito me admira você Alexian expor um civil ao perigo.

  • Se depender de mim condessa a partir de hoje Remmy não será mais um civil. Eu irei recomendá-lo a guarda.

  • Não seja tolo Alexian. Remmy já fracassou no exame para a guarda 5 vezes seguidas.

  • E como você sabe disso Anise? Perguntou Remmy mudando a expressão do rosto.

  • As notícias voam Remmy. Principalmente quando se trata de sua família.

  • Estamos perdendo tempo valioso. Qual sua ideia Remmy? Disse Logan encerrando a discussão.

  • Nos últimos anos eu venho explorando as ruas de Divinity’s Reach e acredito que todos aqui concordem que é praticamente impossível entrar na cidade com bombas pelo portão principal.

  • E o que procurava nessas explorações Remmy? Anise perguntou.

  • Respostas.

  • Continue Remmy. Disse Logan encarando Anise. Essa rixa entre os dois estava custando o tempo que eles não tinham.

-Como acha que eles transportaram essa quantidade de explosivos para dentro da cidade? Alexian perguntou trazendo o assunto importante de volta a discussão.

  • Pela única via não vigiada 24 horas pela guarda da cidade: Os dutos de água.

  • Que ideia mais idiota. Como alguém sobreviveria nos dutos cheios de água? A pressão é gigantesca, não teriam como trazer as bombas para cá com os dutos cheios de água. Anise disse com desdém.

  • Pelos Deuses! A manutenção mensal nos dutos. Todo mês um dos dutos é esvaziado para inspeção. Logan falou.

  • Mas estes dutos vazios não são vigiados durante esta manutenção?

  • Sim. A não ser que a guarda toda seja convocada numa emergência.

  • O ataque era um engodo. Afirmou Remmy.

  • E nós caímos. Logan falou.

  • Qual é o duto em manutenção este mês? E onde é a entrada dele? Alexian perguntou.

  • Centro de tratamento de água de Queensdale. Mas existe uma entrada no reservatório de distribuição no distrito sul da cidade. Anise falou.

  • Vamos deslocar o esquadrão para lá imediatamente. Logan ordenou.

  • Não! Se o deslocamento for feito eles saberão que foram descobertos e detonarão as bombas. Anise argumentou.

  • E o que sugere Anise? Logan a perguntou.

  • Usaremos um grupo pequeno de cinco pessoas. Entraremos no duto e avançaremos o mais rápido e silenciosamente possível. Posso esconder esse número de pessoas com minha magia ilusória.

  • Muito bem. Eu, Alexian e mais dois recrutas iremos com você. Disse Logan.

  • Remmy irá nos acompanhar. Ele merece vir conosco se assim desejar. Alexian falou confiante nas capacidades do amigo.

  • Sou contra. Ele é civil. Você se esqueceu Alexian? Anise rebateu.

  • Mas age e luta como um guarda. Logan eu me responsabilizo por ele.

  • ELE NÃO VAI CONOSCO! Gritou Anise em um acesso mimado de raiva.

  • Quer mesmo continuar perdendo mais tempo com discussões condessa Anise? O nosso dever está acima de nossas vontades pessoais. Disse Alexian.

Ela fuzilou Remmy com os olhos e depois falou:

  • Está bem! Encontrem-me no reservatório em 20 minutos. Mandarei uma cópia minha a cada esquadrão para ficarem cientes do plano.

Após falar isso a imagem se despedaçou como se fosse feita de vidro.

  • Obrigado por confiar em mim Alexian.

  • Não tem de que amigo. Só fico imaginando porque ela não gosta de você.

  • É uma longa história. Remmy disse com um sorriso constrangido.

  • Agora precisamos apenas de mais um no grupo. Preciso de um voluntário para nos acompanhar. Logan falou encarando seu esquadrão. Todos ficaram em silêncio por alguns segundos quando alguém saiu da formação batendo continência e disse:

  • Seria uma hora acompanhá-lo nesta missão senhor.

  • Muito bem Marcelo. Sabia que podia contar com você.

Marcelo sorriu para o capitão Logan. E pensou: “o plano tivera alterações, mas ainda seria concluído como seu senhor Sebastian deseja”.

Palácio de Divinity’s Reach

Sebastian Solar Cran estava sentado em uma poltrona de luxo bebendo vinho enquanto encarava a lareira. Ele falou aparentemente para ninguém:

  • É o que espero de meus fieis servos Marcelo e Judas. Sacrifício incondicional é o que espero de meus servos. Ele repetiu bebendo mais um gole do vinho.

Duto leste

Judas continuava a seguir pelo duto de água completamente às escuras. Mesmo antes dos três inimigos se aproximarem de seu campo de visão Judas já estava ciente da presença deles. O sentido da visão era meramente uma variável. Judas podia usar seus outros sentidos para delimitar sua área de atuação, o número de inimigos e a localização deles. Os três oponentes eram rapazes por volta de 18 a 20 anos, sem emoções e nomes. Um número tatuado no pescoço era a única identificação que possuíam, estes eram os soldados de Sabetha, suas crianças assassinas treinadas desde a infância. Infelizmente para eles Judas também era um assassino, só que muito mais perigoso.

O primeiro oponente atacou com uma espada num golpe lateral, Judas bloqueou o ataque com um chute circular girando o corpo, em seguida agachou-se emendando uma rasteira que derrubou o inimigo. Os outros dois oponentes avançaram contra Judas, que retirou a espada de duas mãos presa as costas, era uma arma grosseira, enferrujada e serrilhada na lamina. O som das espadas brandindo no ambiente fechado ecoou pelo duto, os servos de Sabetha começaram a ganhar terreno forçando Judas para trás, a luta parecia decidida a favor dos três inimigos. Foi quando Judas sorriu, um sorriso de caçador que sempre assustava seus oponentes. Mas os três servos de Sabetha eram incapazes de sentir medo e isto os condenou naquele momento.

Palácio de Divinity’s Reach

Sebastian observava o fogo trepidando na lareira, ele estava pensativo com as mãos cruzadas para trás, sua mente vagava no passado, na época que praticava um de seus hobby mais adorado por ele: a caça. A região preferida era Maguma, com sua vasta floresta repleta de animais exóticos e selvagens. Em uma destas caçadas ele um experiente caçador e seus guardas, um total de doze, se viram perseguidos por uma fera não identificada que era furtiva e letal. Eles foram caçados por mais de 36 horas , tensão e medo que Sebastian nunca havia sentido antes. Quando ele e seus homens finalmente conseguiram capturar a fera terrível, não sem antes ela ter eliminado sete de seus guardas pessoais mais experientes, maior foi a surpresa ao descobrir que a fera era um menino de não mais que 9 anos. Sebastian podia ter matado a criança e esquecido o episódio, mas viu neste menino uma arma, algo a ser treinado, moldado e controlado. Desta maneira Sebastian adotou esta fera que foi levada a região de Ascalon e algum tempo depois aos Whispers, que foram encarregados de domá-lo. Após longo tempo o menino finalmente estava apto a obedecer somente a Sebastian Solar Cran a quem ele se referia como pai, assim Sebastian o batizou de Judas “o Furioso”, mas seus guardas o chamavam de Fury filho adotivo de Sebastian e maior assassino.

  • Mande quantos oponentes você quiser Sabetha. Judas é um predador nato e quanto mais acuada a fera, mais feroz é seu ataque.

Distrito leste

Logan e seu grupo formado por Alexian, Remmy e Marcelo chegavam à entrada do distrito leste, ainda levaria muito tempo até chegarem ao centro de distribuição de água de Divinity’s Reach, cada minuto perdido poderia ser a diferença entre a vida e a morte de cada pessoa na área comercial.

  • Não vai dar. Estamos muito distantes ainda do reservatório. Disse Marcelo ofegante.

  • Ele tem razão. Levaremos no mínimo 40 minutos para chegar até lá correndo. Alegou Alexian apoiando as mãos no joelho tentando recuperar o fôlego.

  • Aceito sugestões recrutas. Disse Logan.

Uma imagem espelhada de uma mulher surgiu diante deles assumindo a forma de condessa Anise.

  • Onde vocês estão? Estou a 10 minutos esperando por vocês. Disse a imagem ilusória de Anise.

  • Desculpe o atraso Anise. Mas diferente de você não somos capazes de teleportar. Informou Logan também ofegante pela marcha acelerada.

  • Não seja por isso. Ela falou abrindo um circulo de luz arroxeado embaixo de seus pés.

  • Basta pisar aqui que os transportarei ao reservatório.

  • Porque não fez isso antes? Indagou Marcelo.

  • Porque tinha de chagar lá antes tolinho. A imagem disse com um sorriso zombeteiro para Remmy.

Remmy escutou quieto. Ele na verdade acreditava que o motivo de Anise não os transportar na primeira vez que falou com eles era por sua presença na equipe. Será que Anise seria capaz de arriscar a segurança da cidade unicamente pela rixa de família? Remmy queria acreditar que não.

Um beco no distrito oeste

Khanun olhava com espanto o ferimento, o sangue escorria pelo corpo esvaindo suas forças. Ele cambaleou para trás afrouxando a mão que segurava a lança que perfurava Fenrir. Aproveitando da situação Fenrir esmurrou o rosto de Khanun arremessando-o para trás, Ormack olhava com espanto a espada ensanguentada em suas mãos indagando se teria mesmo feito aquilo.

  • Acorda moleque! Temos de fugir. Gritou Fenrir retirando a lança do peito, agarrando Ormack pela cintura e logo em seguida apoiando-o no ombro. Fenrir deu um salto indo parar no telhado de uma casa. Lord Khanun tentou se levantar, mas o ferimento era profundo, teria de estancá-lo rapidamente ou corria risco de vida, para isso tomou medidas drásticas, retirou a faca do cinto e colocou a lamina nas chamas de uma casa que pegava fogo. Quando a lamina ficou em brasa a pressionou na ferida cauterizando-a. Khanun urrou de dor e ódio, ele havia subestimado seu oponente e ainda mais o menino que o acompanhava. Não havia previsto tal situação, mas na próxima vez não cometeria o mesmo erro, mesmo que fosse obrigado a matar o garoto para conseguir eliminar Fenrir.

Duto leste

Judas sorria para seus oponentes com um olhar feroz, nenhum dos adversários mostrava qualquer tipo de sentimento. Um deles ameaçou avançar para mais um ataque, ele tinha o n° 23 tatuado no pescoço, mas fora impedido por algo que o segurou pelas costas, os outros dois oponentes observaram o aliado tentando entender o que havia acontecido. Se algum deles pudesse sentir medo muito provavelmente este seria o momento, nas costa do rapaz uma gigantesca aranha de 1 metro e meio de comprimento estava agarrada a ele, suas presas cravada na nuca do infeliz, paralisando-o com o veneno, os dois outros inimigos fizeram menção de atacar, um foi envolvido por uma anaconda que se encontrava submersa na água na altura do joelho. O segundo foi puxado para o teto por um ferrão de um escorpião de 1 metro. Se Judas tivesse sido criado por uma família no campo teria se tornado um ranger. Mas vivendo sozinho na floresta acabou sendo denominado como senhor das feras.

Distrito oeste

Fenrir saltava de telhado em telhado com Ormack em seu ombro, em um dos saltos sua visão ficou turva por causa do ferimento mortal. Ele perdeu o equilíbrio indo em queda ao chão, Ormack gritou apavorado o que fez Fenrir girar o corpo abraçando-o para amortecer o impacto em Ormack. A queda foi dolorosa, Fenrir rolou atingindo barracas de vendas que foram destruídas, terminado batendo em um muro. A queda o fez deixar a forma lupina, Ormack se levantou todo dolorido, olhou para o seu mestre e assustou-se com seu estado. Fenrir devia estar todo quebrado por dentro, uma das pernas e um dos braços estavam em um ângulo impossível, marcas arroxeadas eram visíveis em todo o seu corpo, e uma grande poça de sangue crescia embaixo do velho norn.

  • Parece que é meu fim moleque. Fenrir disse tossindo, sangue escorrendo pela boca.

  • Não mestre! Agora que o senhor disse que me ensinaria. Não morra! Disse Ormack chorando.

  • Sem sentimentalismo barato moleque. Quero que você saiba que tinha a intenção de devorá-lo caso você não atendesse minhas expectativas. Por isso não sinta pena de mim. Sou uma fera assassina.

  • Não! Para mim você era o pai que nunca tive.

Fenrir se espantou com as palavras do garoto e pela primeira vez seu coração entendeu o que era sentir carinho por alguém.

  • Se aproxime moleque, deixe me vê-lo pela última vez. Ordenou Fenrir.

Ormack se agachou perto dele, e ao fazer isso Fenrir o segurou com a mão não ferida puxando-o para perto. Ele então mordeu o ombro de Ormack, depois começou a recitar um mantra numa língua estranha. Ormack sentiu o corpo queimar e desmaiou por causa da dor. Fenrir soltou o garoto e passou a mão em seu rosto, desenhando uma runa em sua testa com seu próprio sangue.

  • “Receba meu espírito selvagem Hell of Ormack, continue meu legado e sirva ao espírito caçador”.

Fenrir considerava Ormack fraco, indigno, desmerecedor de seu legado. Mas isto não interessava mais, Ormack seria seu herdeiro e para Fenrir isso era o máximo de carinho que ele podia sentir por alguém. O velho norn fechou os olhos, tinha tido uma vida boa, repleta de desafios e lutas, agora era hora de seguir seus ancestrais.

  • Adeus meu herdeiro. Foi divertido conhecê-lo.

Fenrir morreu naquele momento, assim como o garoto assustado chamado Ormack, agora existia apenas em seu lugar o legado de Fenrir renascido como Hell.

Distrito sul

Logan, Alexian, Remmy e Marcelo apareceram no reservatório de Divinity’s Reach num estalar de dedos. Condessa Anise os aguardava de braços cruzados ao lado de um gigantesco duto de água que se alongava da parede. Havia uma construção acoplada no duto, este era o edifício usando na distribuição de água na cidade.

  • Não percamos mais tempo, já localizei a entrada do duto e ela estava destrancada. Teremos de nos apressar se temos a intenção de impedir as explosões das bombas.

  • Apenas nos mostre a direção Anise. Pediu Logan.

O grupo atravessou o portão gradeado entrando no duto de água, mesmo desativado para manutenção ainda havia um pouco de água pela extensão do duto. Conforme o grupo avançava mais escuro o duto ficava e mais o nível da água subia. Quando a escuridão ficou total, tornando impossível o avanço, Anise criou uma esfera de luz arroxeada, a iluminação era fraca, mas suficiente para pelo menos enxergar 2 metros a frente. Após 15 minutos de caminhada silenciosa algo chamou a atenção de Logan.

  • Quietos! Vi movimento à frente.

Todos pararam de imediato se agachando, a água já batia na altura do joelho dificultando caminhar, Anise fechou os dedos em volta da esfera reduzindo ainda mais a fonte de luz.

  • O que acha que é? Indagou Alexian a Logan.

  • Me parece algo grande preso ao teto.

  • Pode ser uma armadilha? Perguntou Remmy.

  • Temos escolha? Só podemos ir para frente. Rebateu Anise.

  • Anise está certa. Preparem as armas, avançaremos com cautela. Logan falou desembainhando a espada.

Quando o grupo se aproximou o suficiente para identificar o que estava preso ao teto do duto, um misto de medo e nojo atingiu a todos, dois corpos de homens, com a pele ressecada, estavam presos ao teto por teias de aranha. Marcas de picadas em várias partes do corpo podiam ser vista. Aparentemente esses pobres infelizes tiveram todo o sangue e líquidos sugados do corpo. Anise deu um passo para trás aturdida com a visão macabra que presenciava, ao fazer isso tropeçou em algo na água quase caindo. Remmy a amparou pelo ombro impedindo-a que caísse.

  • Tudo bem? Remmy perguntou sinceramente preocupado com Anise.

  • Me solta! Eu estou bem! Mas no que eu tropecei? Ela indagou olhando para o chão. Um corpo emergiu da água, era mais um rapaz. Parecia que algo tinha triturado seus ossos, engolido e depois vomitado.

Desta vez Anise não conseguiu se segurar e gritou de espanto. Marcelo virou a cabeça para o lado vomitando, Alexian e Remmy se entre olharam preparando as armas para qualquer adversidade. Logan por sua vez agachou ao lado do corpo e o examinou em seguida se levantou dizendo.

  • Melhor nos apressar e finalizar nossa missão o mais rápido possível.

  • Nem precisa falar duas vezes. Disse Marcelo limpando a bile da boca.

  • Logan, sabemos que nosso tempo é curto, mas a pressa não é só por isso não é mesmo? Perguntou Alexian.

  • Não. Estou com pressa porque esse ataque aconteceu a menos de 10 minutos.

Distrito oeste

Ormack acordou deitado no chão com os braços abertos, o garoto se levantou e contemplou o corpo sem vida de Fenrir. Um desejo de vingança ardia em seu peito, mas Ormack sabia que não teria chance contra Khanun. Ele teria de treinar arduamente. Aprender inúmeras formas de matar para então vingar seu mestre. Ormack se aproximou do corpo de Fenrir colocando a mão em seu rosto, fez uma oração silenciosa e finalmente seguiu para fora da cidade, abandonando de vez o nome Ormack. Hell seguiria para o norte, para as montanhas geladas de Shiverpeak, suportando o clima adverso e aprendendo a sobreviver. Quando tivesse pronto buscaria vingança e infeliz aquele que tentasse impedi-lo.

Junção dos Dutos

Sabetha estava nervosa. Não tinha tido notícias dos homens enviados para matar o intruso. Algo estava errado. Ela começava a pensar em colocar o plano B em andamento. Isso acarretaria problemas graves aos outros planos, mas sua vida era muito mais importante no momento. Enquanto decidia o que fazer notou um movimento vindo do duto lateral, o que mal lhe deu tempo de contra-atacar. Uma gigantesca anaconda havia lhe dado um bote fatal na direção da cabeça, Sabetha se jogou para o lado oposto, não sem antes arremessar dentro da boca da cobra uma granada. A explosão destruiu a cabeça da anaconda e fez ecoar o estrondo por vários metros pelo duto, o que não passou despercebido pelo grupo de Logan que estava a apenas 10 minutos de distancia. Logan encarou seu grupo acenando com a cabeça e todos começaram a correr na direção do estrondo

Na junção dos dutos Judas surgiu saltando do duto correndo e rolando em acrobacias. Sabetha tentava atingi-lo arremessando granadas incendiárias variadas, embora não esperasse um ataque direto naquele lugar Sabetha possuía um arsenal variado para se defender. Uma aranha do tamanho de um cão avançou lateralmente pela parede saindo do duto de água, Sabetha sacou a pistola descarregando vários tiros nela que foi alvejada por 5 disparos, a aranha caiu morta no chão, porem isso permitiu Judas se aproximar sacando a espada dentada presa as costa e atacando sem hesitar. Sabetha puxou do cinto algo parecido com um bastão de metal negro aparando a espada, ela sorriu malevolamente para Judas. Sabetha era linda, mas o que tinha de bela tinha de cruel. Ela pressionou um botão oculto no bastão liberando uma descarga elétrica que percorreu o corpo de Judas, a água serviu de condutor duplicando a potencia do choque, Sabetha que usava luvas e botas de borracha gargalhou a vitória. Quando Judas tombou desacordado ela apontou a pistola para a cabeça dele, estava pronta para eliminá-lo, foi quando sentiu uma ferroada no ombro que paralisou todo seu braço, a pistola caiu de sua mão. Ela se virou e viu um grande escorpião que já preparava outro ataque, Sabetha saltou para trás pegando uma granada com a outra mão, o veneno do escorpião se alastrando pela corrente sanguínea. Ela gritou de frustração, o plano se desmoronava por causa de um maldito aracnídeo. Sabetha arremessou a granada incendiaria no escorpião que virou uma bola de chamas. Sons de passos correndo ecoavam pelo duto. Mais alguém estava vindo, sem alternativa Sabetha fugiu pelo outro duto, não sem antes ativar a contagem regressiva das bombas e iniciar o Big Bang. Ela não teria como detonar todas as bombas que havia planejado, mas o distrito comercial este seria totalmente destruído com todos que estivessem nele. Ela correu sabendo que teria menos de 20 minutos para fugir da área da explosão.

  • Maldito seja Sebastian. Sabetha gritou.

O grupo de Logan entrou na junção de dutos minutos depois de Sabetha fugir, as marcas de luta eram visíveis em todo o lugar, o grupo se dividiu para procurar pistas. Alexian e Anise examinaram a sala circular enquanto Remmy verificava o homem caído desacordado com o rosto submerso na água, Logan e Marcelo observavam a mesa com os planos de Sabetha. Além de mapas da cidade e dos dutos de Divinity’s Reach uma marcação no mapa na floresta de Maguma intrigou Logan. Enquanto examinava o local seus olhos se fixaram no teto e se arregalaram, Anise acompanhou o olhar de Alexian. Colado ao teto uma caixa de metal preta com um time marcava ritmicamente uma contagem regressiva.

Cinco, quaro, três, dois, um…

Alexian fechou os olhos e seu último pensamento foi… Ashira.

Queensdale

Sabetha explodiu por dentro a lateral o duto, nas imediações de Queensdale, para escapar. Ela se virou contemplando a gigantesca nuvem de fumaça que subia de Divinity’s Reach. A explosão acontecera enquanto ela estava no duto, sangue escorria de seus tímpanos, se não ficou surda com o estrondo, com certeza sua audição nunca mais seria a mesma. Sabetha ficou alguns segundos admirando sua obra. O distrito oeste tinha desaparecido exatamente como ela planejou, mesmo assim ela se considerava derrotada. De alguma maneira Sebastian e Caudecus conseguiram atrapalhá-la, agora Sabetha seria caçada e morta pela irmandade. O ódio a dominou, ela tentou se erguer, mas estava tonta. Um vulto se aproximou dela, segurou-a pelos ombros e a ajudou a levantar. Sabetha o encarou. Uma de suas crianças tinha sido deixada em Queensdale como precaução para o caso de problemas, Sette o mais leal servo de Sabetha se curvou e disse.

  • Suas ordens mestra.

  • Vamos fugir! Reunir os poucos homens que me restam. Sei onde devemos nos esconder. Bem no centro da toca do lobo. Caudecus acredita que conseguiu esconder seu segredinho de todos, nem Sebastian suspeita o quanto Caudecus é perigoso. Eu sei o que existe dentro da floresta de Maguma e lá irei planejar minha vingança.

  • Como desejar minha senhora e mestra.

  • Agora meu querido Sette me carregue em seus braços, preciso descansar.

Sette a pegou no colo e seguiram caminho, em seu rosto o numero 7 tatuado.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 15-Consequências

O hospital de Divinity’s Reach nunca estivera tão cheio e tumultuado. A cada minuto, novos feridos e mortos chegavam ao local trazido por macas e carroças. No olhar de todos, dor e pesar. Familiares, amigos e curiosos lotavam a entrada e corredores tentando conseguir notícias de seus entes queridos.

Sentada em uma maca Alice estava enfaixada no abdômen com muitos curativos pelo corpo todo, de cabeça baixa ela chorava a morte do pai e o estado grave do irmão. Uma enfermeira lhe disse que o estado de Irikami era bastante delicado e que as próximas 48 horas seriam vitais. Enquanto Alice chorava mal percebeu que alguém se sentava ao seu lado. Então ouviu uma voz gentil e meiga perguntando:

  • Você esta passando mal?

Alice ergueu a cabeça rapidamente e se deparou com uma menina de 10 anos a encarando, tinha grandes olhos verdes, pele clara e cabelos loiros longos e lisos presos em dois laços. O rosto da menina tinha vários arranhões e escoriações. O olhar da menina refletia curiosidade, o rosto a poucos centímetros do de Alice que se afastou quase meio metro na maca com o susto.

-Quem? Quem é você? Alice perguntou examinando a menina de cima a baixo.

  • Eu me chamo Shuurei, mais Ashira e meu irmão Kim me chamam de Shun. Porque você está chorando? É o machucado? Ele ta doendo? Shuurei falava sem parar, fazendo perguntas seguidas e apontando as bandagens deixando Alice confusa.

-Eu…eu estou chorando porque meu irmãozinho Iri está aqui internado. Ele foi ferido na barriga e nosso pai… nosso pai morreu. Alice baixou a cabeça novamente voltando a soluçar e chorar. Foi quando ela sentiu braços pequenos e delicados a envolverem em um abraço forte e acolhedor. Shuurei a abraçava enquanto falava em seu ouvido.

  • Vai ficar tudo bem. Sei o que você está sentindo. Eu e meu irmão já sofremos muito da mesma forma e seguimos em frente depois de tudo. Seu irmãozinho vai conseguir sobreviver. Eu sei.

Alice conseguia sentir o coração de Shuurei batendo no peito, um ritmo acolhedor. O olhar de espanto de Alice se transformou em ternura, ela retribuiu o abraço da menina.

  • Qual é seu nome? Shuurei perguntou ainda abraçada.

  • Alice… Alice Lacy.

  • É um lindo nome.

-O seu também Shuurei.

  • Alice…

  • Sim Shuurei?

  • Você e seu irmãozinho estão muito melhor sozinhos sem o pai de vocês. Shuurei falou séria encarando Alice, logo em seguida ela voltou a abraçá-la.

Alice ficou espantada com tal comentário imaginado porque ela teria dito isso.

Ashira estava apoiada em uma parede com o braço enfaixado numa tipóia, ela observava Shuurei de longe. Após Shuurei ter sido examinada e liberada pelos médicos e conversado com seu irmão ela pediu para Ashira autorização para falar com a garota que chorava na maca para tentar consolá-la. Ashira não quis impedi-la, achava bom shuurei querer ajudar outras pessoas. A lembrança da menina com a faca ficada nas costas do assassino assombrava as lembranças de Ashira.

Foi quando uma sucessão de explosões gigantescas foi ouvida fazendo o lugar todo tremer. Pessoas gritaram assustadas, outras correram para fora tentando adivinhar o que acontecia.

  • Seria mais um atentado a cidade? Indagava Ashira.

Ela correu para a entrada do hospital, ao olhar para fora uma gigantesca coluna de fumaça ergui asse no distrito oeste, bem onde ficava o centro comercial.

  • Pelos Deuses! O que aconteceu agora?

ASHIRA! Senhorita Ashira! Ledox vinha correndo na direção dela gritando feito um louco.

  • O que aconteceu Ledox? Ela perguntou já temendo o pior.

Ashira conhecia Ledox por ele ser um dos grandes amigos de Alexian, e a expressão no rosto dele não poderia ser pior.

  • A área comercial toda implodiu! Só existe uma cratera no lugar agora.

  • Como? É impossível?

  • Toda a guarda de Divinity’s Reach foi evacuada minutos antes, avisada por condessa Anise e Logan… Mas senhorita…

  • Diga logo Ledox! Ashira exigiu tremula.

  • As pessoas escondidas nas casas e lojas no distrito não conseguiram fugir… E Logan, Anise e Alexian não estavam junto ao esquadrão. Estão dizendo que eles e mais duas pessoas estavam nos dutos de água no centro comercial na hora da explosão… Eu lamento Ashira. Alexian e os outros foram dados como mortos.

Junção dos dutos

O tempo é algo inexplicável, em determinadas situações ele parece acelerar não lhe concedendo segundos preciosos, em outras ocasiões ele parece se arrastar tornando cada segundo um tormento. Para o grupo de Logan formado por Alexian, Remmy, Anise e Marcelo ambos as situações foram jogadas sobre eles. No momento que se deram conta das explosões sucessivas nos dutos eles tiveram ciência que em poucos segundos todos estariam mortos, o que fez com que cada um deles visse toda sua vida passar diante dos seus olhos. Revendo seus erros, acertos, derrotas e vitórias. Pensar nas decisões tomadas e o que aconteceria se tivessem seguido por outros caminhos.

  • TEMPO! Que bom seria se alguém pudesse controlá-lo.

Foi o que condessa Anise pensava mesmo antes daquele dia.

As explosões atingiram a entrada da junção dos dutos de água, o fogo se alastrando destruindo tudo pelo caminho vindo ao encontro do grupo…

E num piscar de olhos Anise viu o tempo parar. As explosões congelaram onde todos se encontravam, seus companheiros foram paralisados assim como a água e os objetos, até mesmo as partículas de poeira não se mexiam. Então porque ela conseguia? Anise indagava.

Uma esfera de luz parecida com um pequeno sol surgiu a menos de 2 metros dela iluminando todo o lugar. Uma voz majestosa e imponente começou a falar.

  • Pobre criança incapaz de se salvar e aos outros. Com um futuro promissor que se perde por causa de tolas bombas…Anise deseja poder para salvar a você e seus companheiros?

  • Quem é você? Ela perguntou.

  • O único que pode salvá-la… A um preço. Salve a todos Anise.

  • E qual é seu preço?

  • Um pedido a ser obedecido sem questionar.

  • Eu não confio em vozes sem rosto.

  • Você tem outra escolha pequena mesmer?

  • aparentemente não. Eu aceito seus barganha. Ela respondeu vencida.

  • Muito bem Anise. Você se tornará a primeira de muitos. Terá poder sobre o tempo… Lembre-se… A escolha foi sua.

As explosões recomeçaram. Mas um portal já havia sido criado e todos colocados nele, incluindo o estranho desacordado. Eles fugiram não sem antes Anise ter a sensação que se todos tivessem morrido naquele instante teria poupado muito sofrimento futuro.

Distrito sul

O grupo saiu do portal rolando no chão, Anise estava de pé sobre todos os outros. Logan se levantou tonto olhando para ela admirado.

  • Você nos salvou? Como fez aquilo Anise?

  • Fiz o que? Ela falou na defensiva.

  • Você parou o tempo por 10 segundos eu acredito. Afirmou Logan.

  • Que poder é esse Anise? Alexian perguntou espantado.

  • Eu não sei. Ela mentiu.

Hospital de Divinity’s Reach

Alguns minutos depois Alexian e os outros chegaram ao hospital completamente exausto. Assim que ele pisou lá dentro Ashira surgiu em meio á multidão que os cercavam cumprimentando-os, ela parou na frente dele com lágrimas escorrendo de seu rosto. Alexian sorriu para Ashira e ela retribuiu com uma bofetada no rosto dele.

-AI! Porque disso milady Ashira?

  • Para você nunca mais me fazer acreditar que tinha morrido seu idiota! Ela gritou e logo depois o puxou para perto o beijando.

Ledox que assistia a cena sorriu e falou para a platéia.

  • Até que enfim. Vamos dar privacidade ao casal.

Fora do hospital

Corvo foi até o lado de fora do hospital seguindo Kim como ele havia pedido. Kim se virou o encarado. Ele havia pensado muito antes de tomar esta decisão, sua expressão era endurecida, muito incomum para um jovem de 14 anos.

  • Corvo. Pedi que viesse aqui fora comigo porque tenho algo a dizer… Não podemos mais ser amigos. Amanhã vou procurar Marjory e pedirei para ser seu discípulo.

  • E o que nossa amizade tem haver com isso Kim? Corvo rebateu.

  • Foi por causa dela que deixei minha irmã sozinha hoje. Por causa do meu egoísmo. Não farei isso novamente.

  • Era só isso que você tinha para me dizer? Corvo perguntou com indiferença.

  • Sim.

  • Tudo bem. Cuide-se Hassui. Corvo respondeu indo embora sem olhar para trás. Os olhos ardendo, mas ele fez uma força sobre-humana para não chorar. Nos telhados das casas os corvos grasnavam sem parar. Um deles voou indo pousa no ombro de Corvo.

-Nós o avisamos não foi Constantine. Amigos são desnecessários para alguém como você mestre.

Corvo murmurou algo parecido com Cale-se.

Distrito sul

Lord Khanum deixava a cidade de Divinity’s Reach. Embora estivesse ferido não esperou se curar. Dentro de uma sacola de couro a cabeça de Fenrir estava cuidadosamente guardada. Khanum encontrou o corpo do inimigo caído morto em um beco, achou rastros do garoto. Mas preferiu ignorá-lo. Sua missão fora cumprida. Agora retornaria a cidade norn de Hoelbrak e exibiria a cabeça de Fenrir ao conselho de anciões e ao regente Knut Whitebear. Seu povo o louvaria, canções seriam feitas em sua homenagem e eles o seguiriam na luta contra o Elder Dragon Jormag e os filhos de Svanir. Sim. Comemorações e festas o aguardavam… Era isso que Lord Khanum acreditava. Ele não sabia como estava enganado.

Sala de interrogatório da Shining Blade

Anise entrou na sala, um guarda mantia vigilância no prisioneiro que estava sentado em uma cadeira todo acorrentado.

  • Ele falou algo? Anise perguntou ao guarda.

  • Nada relevante condessa. Ele só fica repetindo um nome.

Treze estava todo enfaixado no peito e com um grande hematoma no rosto. Ele balançava o corpo para frente e para trás repetindo o mesmo nome como um mantra. No rosto um sorriso demente e olhos esbugalhados. Ele repetia…

  • Alice! Alice! Alice! Alice!Alice!

Hospital

Marcelo abriu a porta do quarto onde Judas estava sendo mantido trancado. Ele olhou a cama dele onde uma enfermeira o examinava. Marcelo entrou acompanhado de 6 guardas do ministério, a enfermeira se assustou com eles e disse.

  • O que vocês fazem aqui?

  • Tenho ordens de remover o prisioneiro para outras instalações até sua recuperação.

  • Não fui informada. Ela indagou.

  • Aqui estão os papeis. Marcelo os entregou a enfermeira que os leu.

  • Parece tudo em ordem.

  • Como ele está? Marcelo perguntou.

  • Está estável. Deve despertar em algumas horas. Tivemos de sedá-lo quando chegou aqui. Porque ficou violento e foram necessários 8 enfermeiros e mais 5 seguranças para imobilizá-lo.

  • Não se preocupe. Ele agora é problema nosso.

Os guardas colocaram Judas em uma maca e o levaram para fora. Thalita cruzou os braços enquanto observava ele ser levado. Algo estava errado com essa transferência. Ela tinha certeza.

Palácio de Divinity’s Reach

Sebastian e Caudecus estavam em pé em frente à lareira da sala de reuniões do ministério. Seis guardas faziam a proteção do local. Uma batida na porta foi ouvida e um dos guardas na sala a abriu. Marcelo e Judas entraram fazendo uma reverencia a Sebastian.

  • Meu senhor trouxe Judas como ordenou. Disse Marcelo.

  • Pelo menos isso você conseguiu fazer direito. Sebastian rebateu o encarando com olhos frios.

  • Meu senhor?

  • Não tente se desculpar, seu fracasso no plano foi perfeitamente notado.

  • Senhor eu acompanhei Logan e seu grupo até o esconderijo de Sabetha como me ordenou.

  • Mas demorou muito e a vadia fugiu. Alem disso a guarda da cidade conseguiu deixar o distrito antes das explosões.

  • Perdão senhor… Mas eu não tive como impedir isso. Disse Marcelo o medo o dominando.

  • E ao não fazer nada, você falhou comigo. As pessoas só falham comigo uma única vez. Disse Sebastian acenando para Judas que agarrou Marcelo pelo pescoço o estrangulando. Ele foi perdendo a consciência lentamente vendo sua vida fugir de seu corpo. Sebastian assistia calmamente até o corpo de Marcelo perder a força. Judas manteve o corpo em pé por mais alguns segundos, logo depois deu um forte puxão com os braços quebrando o pescoço de Marcelo o deixando cair no chão.

  • Guardas joguem esse lixo fora. Ordenou Sebastian.

Dois guardas seguraram o corpo de Marcelo e o retirou da sala. Caudecus assistiu a tudo em dizer nada. Quando o corpo foi retirado ele enfim falou.

-Isso era mesmo necessário Sebastian? Apesar de tudo Marcelo era um bom espião.

  • Me poupe de sua falsa pena Caudecus. Sei muito bem que não se importa.

  • Muito bem. Então Sabetha fugiu e a guarda da cidade ainda existe. O que faremos?

  • Como sempre Caudecus você enxerga apenas as arestas. Sabetha falhou em seu plano. Podemos pedir sua morte ao conselho da irmandade. Ela pode fugir o quanto quiser, não vai fazer diferença alguma. E Divinity’s Reach tomou um golpe poderoso com o ataque, o povo não vai confiar em uma jovem de 16 anos como rainha para protegê-los. Sua liderança no ministério governando a cidade está garantida por mais alguns anos. Até lá estaremos preparados para agir novamente.

  • Você está certo Sebastian.

  • Eu estou sempre certo Caudecus. Agora se me dá licença devo retornar a Ascalon. O acordo de paz entre humanos e charrs será assinado em alguns dias e tenho um plano em andamento para acabar de vez com essa idéia absurda. Ascalon será de seus filhos por direito, não de feras.

Sebastian estava saindo quando Caudecus não resistiu e perguntou:

  • Sebastian. E a garota Alice? Ainda vai cuidar dela?

Sebastian se virou e sorriu. Uma face cruel e doentia.

  • Não. Fiquei sabendo que o pai dela morreu durante o atentado e o irmão esta entre a vida e a morte no hospital. Eu seria desumano se não permitisse a ela o luto. Mas a lição dela virá ao seu tempo.

Após dizer isso Sebastian saiu sendo seguido por Judas. Caudecus sabia que o motivo dele deixar Alice em paz não era o luto, era para sofrer. E isso sim era desumano.

**Sede da guarda de Divinity’s Reach **

No dia seguinte

Zelos parou em frente à porta da sala do capitão Logan. Ele estava receoso em entrar, ser convocada a presença de superiores nunca era algo bom. Zelos bateu na porta e esperou autorização para entrar. Lá de dentro um “entre” foi ouvido. Zelos virou a maçaneta e entrou no escritório. O capitão Logan estava sentado em sua mesa examinando alguns papeis. Zelos olhou para o lado e se espantou em ver Alexian e Ledox parados em pé com as mãos para trás em posição de descansar. Eles não se moviam e nem falaram nada quando ele entrou.

  • Sente-se Zelos. O capitão Logan pediu. Zelos puxou a cadeira e se sentou. Começava a ficar preocupado de verdade agora.

  • Vou direto ao assunto Zelos. Recebi o relatório de Alexian sobre os acontecimentos ocorridos durante o ataque a cidade. No relatório dizia que você mentiu a respeito do casal de irmãos adotados por lady Ashira. Você afirmou que eles haviam assassinado o próprio pai. Afirmação essa que não foi confirmada e nem checada de verdade. A pergunta Zelos é quem pagou para você mentir para um líder de equipe? E por quê? Zelos suava de nervosismo. Não acreditava que Alexian o havia entregado desta maneira. De certa forma ele merecia. Mas não pensava que Alexian faria isso.

  • Eu não sei senhor.

  • Está me dizendo que recebeu dinheiro de um estranho para mentir e nem o nome e o motivo você sabe?

  • Sim senhor.

  • Zelos pelo que você fez, eu poderia facilmente pedir sua expulsão da guarda… Mas sua atuação durante a defesa da cidade e resgate de civis foi levada em consideração assim como ter confessado o que fez. Por este motivo você será remanejado para a guarda seraph e transferido para a região de Gendarran Field.

  • Transferido? Senhor eu não tinha a intenção de trocar de posto.

  • Infelizmente Zelos você não tem opção. A não ser que prefira ser expulso da guarda?

  • Não senhor. Zelos disse baixando a cabeça.

  • Muito bem. Alexian e Ledox pediram para serem transferidos também. Vocês três irão para a cidade de Lion’s Arch em 1 mês, onde se apresentarão ao seu novo capitão. De lá partirão com um destacamento para reforçar a guarda das cidades fortaleza que estão sobre ataque dos centauros.

  • Está bem senhor. Estou dispensado?

  • Só mais uma coisa Zelos. Você ficará uma semana na prisão como punição. Ledox o encaminhará até sua cela. Dispensado recruta. Zelos se levantou com a expressão rígida. Uma raiva crescia em seu peito. Ir para Gendarran Field era quase uma sentença de morte por causa da guerra com os centauros. Zelos só não entendia porque Alexian e Ledox pediram para irem com ele. Ledox colocou a mão no ombro de Zelos o conduzindo para fora. Assim que a porta se fechou Logan falou:

  • Porque vocês dois pediram para serem transferidos com Zelos?

  • Porque se ele for para lá sozinho vai acabar se matando senhor.

Logan ficou analisando Alexian por um tempo e disse:

  • Vocês devem ser muito bons amigos para fazerem isso. Ou completamente idiotas.

  • Ambos estão corretos senhor.

  • Alexian saiba que você seria promovido em algumas semanas. A perda da guarda é grande sem você e Ledox.

  • Por isso pedi a você que dê uma chance a Remmy. Ele se provará um grande achado.

  • Muito bem. Não morra em Gendarran recruta.

  • Não morrerei senhor.

  • Dispensado recruta.

Alexian bateu continência e saiu da sala. Logan apoiou os braços na mesa pensativo.

  • Talvez possa ajudá-lo.

Mansão Caudecus

O primeiro ministro Caudecus estava sentado confortavelmente em sua poltrona na mansão da família localizada no condado de Beetletun. Ele observava o fogo na lareira com uma taça de vinho nas mãos. As lembranças do dia anterior voltando em seus pensamentos. O rosto de Caudecus tinha uma expressão aborrecida, ele estava irritado com a maneira como Sebastian o tratará. Como um mero subordinado qualquer. Caudecus se levantou da poltrona atirando a taça de vinho no fogo com raiva fazendo a chama crescer e trepidar com mais intensidade.

-QUEM ELE PENSA QUE É? SE ACHANDO SUPERIOR A MIM! Gritou Caudecus bufando e ofegando com o rosto vermelho.

  • Se acalme meu senhor Caudecus. Ou vai acabar tendo um infarto.

A voz era de uma bela jovem de cabelos longos pretos presos em um coque o que lhe dava um ar de mais velha. Tinhas profundos olhos verdes, trajava vestes brancas com detalhes em vermelho e dourado. Na lateral da roupa um brasão com um símbolo temido por anos pela população de Kryta. Ela se encontrava próxima a uma grande estante de livros, atrá dela uma porta secreta que levava a conjunto de túneis.

  • Xera espero que tenha me trazido boas notícias.

  • Trouxe sim meu senhor. As escavações foram um sucesso. Mas levarão alguns anos até conseguirmos desenterrar toda a estrutura sem chamar atenção indesejada.

  • Não me parecem notícias tão boas assim. Caudecus disse com desdém.

  • Talvez isso mude sua opinião meu senhor.

Xera foi até Caudecus retirando uma caixa metálica da sacola presa a cintura. Ao abria a tampa um brilho avermelhado iluminou o rosto de Caudecus que sorriu.

  • Isto é o que acredito ser?

  • Sim meu senhor. É um pedaço de bloodstone. Nossos pesquisadores estão testando suas propriedades mágicas.

  • E o que descobriram? Caudecus perguntou agora com grande interesse.

  • A energia que ela produz é volátil e caótica. Nos testes preliminares sugerem que aumenta o poder do indivíduo contaminado.

  • Como assim contaminado? Caudecus perguntou dando dois passos para trás.

  • A energia da bloodstone é altamente radiativa e contagiosa. As cobaias testadas demonstraram, instabilidade metal, agressividade e dependência as energias da bloodstone.

  • Isso quer dizer que as cobaias se tornaram viciadas?

  • Coreto meu senhor. E em alguns casos a ausência da bloodstone os levou a morte.

Caudecus ficou em silencio enquanto analisava toda a informação recebida. Enfim encarou Xera e disse:

  • Tenho uma missão para você.

  • Me diga qual é.

  • Quero que você contamine uma pessoa com a bloodstone em Ascalon.

  • A quem devo contaminar meu senhor?

Caudecus sorriu ainda mais. Era hora de mostrar a Sebastian quem era o verdadeiro Caudecus.

  • Contamine Judas o Furioso. Torne-o dependente da bloodstone e quando ele estiver totalmente sobre nosso domínio, mande-o matar seu pai adotivo. Sebastian Solar Cran.

  • Cumprirei suas ordens Confessor Caudecus. Longa vida a White mantle. Xera disse se ajoelhando em frente a Caudecus.

  • Longa vida. Ele retribuiu a saudação colocando a mão na cabeça da mulher abençoando-a.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 16- As 3 Ordens de Tyria Parte 1

Base da Vigil Localizada em Gendarran Field 7:35 am

Um mês depois dos ataques a Divinity Reach

O grande norn warmaster Forgal Kernsson acompanhava o movimento das tropas nos campos abaixo do forte. Os recrutas e crusaders treinavam manobras de combate e se exercitavam divididos em esquadrões de 20 membros. O ar frio que vinha das montanhas geladas de Bitterfrost Peaks agradava Forgal, o fazia se lembrar de seu lar Hoelbrak, a cidade norn. Forgal já servia a vigil por 15 anos, o que lhe dava poucas oportunidades de visitar Hoelbrak e homenagear o espírito de sua esposa e filhos mortos durante o ataque dos icebrood, seres corrompidos pelo Elder Dragon Jormag. Após a perda Forgal ingressou na vigil galgando postos até se tornar warmaster. O desejo de vingança o impulsionava cada vez mais na guerra contra os Elder Dragons, exigindo dedicação absoluta de seus soldados. Forgal era rígido, frio e com uma expressão sempre séria. Mas justo e fiel para com seus amigos e subordinados. Ele se lançaria no meio das tropas inimigas se isso significasse salvar seus soldados.

A equipe tática da vigil notificou que o lider centauro Ulgoth o Modniir estava seqüestrando crianças humanas e as levando para seu principal acampamento de guerra Timber claim localizado no desfiladeiro de Modniir. Os comandantes da vigil haviam dado ordens de todas as tropas estarem preparadas para partir a qualquer momento. Novos recrutas convocados por toda Kryta chegavam todos os dias para aumentar o contingente. A guerra dos centauros podia estar longe de acabar. Mas o assalto a base de Ulgoth estava cada vez mais perto.

Forgal retornou para dentro do quartel, sua sala era simples e pequena para um norn, ele não se incomodava com luxo. Alguns troféus de caçada eram a única lembrança de sua vida antes da vigil. A cabeça empalhada de um minotauro, a pata de um grifon e as presas de um dente de sabre. Forgal contemplou-os com saudade. Achava que era mesmo à hora de visitar Hoelbrak. Mas antes devia finalizar suas obrigações. Ele olhou a mesa e viu as dezenas de papeis com as fichas dos candidatos a guarda seraph. Embora a vigil e os seraph fossem grupos diferentes, a guerra dos centauros obrigava aos oficiais da vigil avaliar cada novo membro seraph designado para Gendarran Field. Forgal conferiu à lista dos novos convocados a guarda seraph. O capitão de Divinity Reach Logan era um velho amigo do norn e pediu para ele ficar de olho nos três recrutas transferidos da cidade. Ao repassar as fichas dos Três Forgal arqueou as sobrancelhas ao ler o sobrenome Kallamar.

  • Alexian Kallamar… O filho de Axel William Kallamar. Espero grandes feitos seu senhor Kallamar. Afinal não é todo dia que o filho do aclamado herói Axel da batalha de Elona ingressa em minha unidade militar. A ficha de Alexian é separada das demais e colocada em uma prancheta escrita novos membros da vigil.

Alexian não se tornaria um guarda seraph, seria designado como combatente crusader da vigil. Concedendo-lhe status de liderança as tropas da guarda. Uma grande responsabilidade em tempos de guerra, capaz de moldar heróis ou criar monstros.

Costa de Bloodtide Local ilha Stormbluff 8:30 am

Um ano após o ataque a Divinity’s Reach

Ashira e Shuurei estavam paradas em frente à entrada de uma caverna a ilha de Stormbluff. A menina tremia dos pés a cabeça nervosa, a ansiedade para o que a aguardava a estava matando. Ashira olhou para ela, tão pequena, tão frágil, tão nova e suspirou. Shuurei tinha apenas 11 anos.

  • Tem certeza que quer mesmo fazer isso?

Shuurei se assustou com a voz de Ashira, ela a olhou e disse:

  • Tenho. Não quero mais ser um estorvo para você e meu irmão.

  • Shun. Será que sua decisão foi tomada porque Kim resolveu morar e treinar com Marjory?

  • Não! Não! Eu preciso aprender a cuidar de mim sozinha Ashira. E você não pode passar o dia inteiro preocupada comigo. Você tem suas obrigações e deveres. Eu ouvi outro dia você dizendo que gostaria de ingressar na Durmand Priory. Que a seleção era muito rigorosa com provas escritas e físicas.

  • Shun eu não falei aquilo com a intenção de insinuar que você estava me atrapalhando.

  • Eu sei Ashira. Mas será melhor se nós duas seguirmos nossos próprios caminhos.

Ashira sorriu. Shuurei havia amadurecido muito após os acontecimentos em Divinity’s Reach no ano passado. Ela se perguntava se a amizade com a garota Alice tinha algo a ver com essa mudança.

  • Estou muito orgulhosa de você Shun. Se precisar de algo basta me chamar que virei imediatamente.

  • Obrigada… Shuurei hesitou por um segundo e depois concluiu.

  • Mamãe.

Ashira tomou um susto com aquilo, seus olhos se encheram de lagrimas. Ela se abaixou abraçando Shhurei que retribuiu o abraço. Ashira começava a pensar em pedir para que Shuurei desistisse da idéia quando um vulto mascarado surgiu das sombras em frente as garotas.

  • Bom dia senhorita Ashira. Mestra Riel Darkwater irá recebê-la agora.

Disse o homem mascarado vestido com um uniforme preto com detalhes vermelhos. O capuz com a máscara permitia que se vissem somente os olhos. Este era um membro da ordem dos Whispers. Especialistas em espionagem, assassinatos e roubos. A ordem que a pequena Shuurei queria fazer parte.

Ashira teve de mexer uns pauzinhos para conseguir essa audiência com a líder dos whispers. Se não fosse pela intervenção de sua prima à princesa Jennah. Ashira nunca teria conseguido tal proeza. A base e a identidade de seus membros da whispers era um dos segredos mais bem guardado pela ordem. Apenas futuros candidatos e membros da realeza em perigo podiam ter autorização de acessar a base secreta conhecida como (Chantry of secrets) Capela dos Segredos. O motivo da visita hoje era a primeira opção.

Elas foram conduzidas para dentro da caverna seguindo até uma passagem sem saída que terminava em um lago. O mascarado apontou para o lago e em seguida desapareceu nas sombras.

  • Acho que vamos ter que nos molhar. Disse Ashira sorrindo.

Elas saltaram nas águas frias passando por outra passagem submersa, emergindo numa segunda caverna. Quatro outros mascarados as aguardavam usando o mesmo uniforme preto com detalhes vermelhos da whispers. Um deles se aproximou e se curvou para elas.

Bem vindas a Capela dos Segredos uma das sedes da whispers. Sigam-me, por favor.

Esta caverna era muito maior que a anterior. Nela podiam-se ver caixas e equipamentos diversos, um pouco mais a frente grandes tendas montadas serviam de cômodo para os membros da ordem que treinavam e trabalhavam em seus afazeres. As duas foram direcionadas a maior tenda existente, em seu interior havia uma grande mesa circular de madeira com varias cadeira, sobre a mesa mapas e documentos criptografadas, deixando impossível sua leitura para pessoas leigas. Em pé em frente aos mapas uma mulher usando o uniforme dos whispers examinava as anotações, ao seu lado um homem de armadura cor rubra completa.

  • Sentem-se. Eu falarei com vocês duas em instantes.

Ela falou para Ashira e Shuurei que obedeceram. Ashira analisava a mulher diante dela, ela deveria ter 20 a 25 anos, cabelos pretos curtos e lisos, olhos verdes e uma expressão sempre séria. Ashira simpatizou com ela. A mulher levantou a cabeça olhando para as duas e disse ao homem de armadura.

  • Doern Velazquez avise os batedores que piratas estão aprisionando comerciantes que passam em caravanas em Spark Fly. Mande-os eliminar o líder e libertar os prisioneiros.

  • Entendido Riel. Ele respondeu se retirando sem ao menos olhar para as jovens.

Riel Darkwater então se sentou na cadeira em frente à Ashira e Shuurei cruzando os dedos das mãos apoiando os cotovelos na mesa e disse:

  • O que trás sangue real ao meu humilde lar? Riel falou ironicamente, o que pegou Ashira de surpresa.

  • Tem algo contra mim Riel Darkwater?

  • Contra você especificamente… Não. Só não gosto de ser intimada a receber visitas contra a minha vontade. Afinal este lugar era para ser secreto… Bem. Ser prima da futura rainha de Kryta tem seus privilégios não é mesmo Ashira?

Ashira se levantou batendo com força as duas mãos na mesa fazendo Shuurei dar um pulo da cadeira de susto. Ashira mudara de opinião, detestava Riel Darkwater.

  • Não vou aceitar ser insultada desta maneira!

  • Não? E o que você pretende fazer a respeito burguesia?

Ashira estava furiosa. Ela ameaçou avançar na direção de Riel, mas em segundos a mulher havia desaparecido da cadeira em um estampido, vindo reaparecer atrás de Ashira que derrubou a cadeira com o susto. Riel segurou a mão esquerda de Ashira e com a outra mão forçou as costa da dela contra a mesa imobilizando-a numa chave de braço.

  • O que acha de ter um braço quebrado querida? Riel disse sorrido.

Ashira não compreendia o porquê disso. Porque Riel agia deste modo com ela?

  • Será que se eu colocar um pouco mais de pressão eu consigo deslocar seu ombro? Riel falou casualmente.

  • Desgraçada! Ashira falou com dificuldade. A dor aumentando lentamente conforme Riel colocava mais força. Foi quando Riel Darkwater sentiu a lamina da faca em sua garganta. Shuurei havia subido em cima da cadeira e pressionava a faca no pescoço de Riel. Os olhos da menina vidrados como de uma serpente pronta para atacar.

  • Solte Ashira. Shuurei falou firme como se fosse outra pessoa.

Riel soltou o braço de Ashira e deixou que ela se levantasse. Ashira olhou a pequena Shuurei com a faca na garganta de Riel que não demonstrava medo em vez disso, ela sorria para a menina. Riel então falou:

  • Muito bem pequena Shuurei. Você passou no teste da ordem dos Whispers.

  • Era um teste? Ashira perguntou alisando o ombro dolorido.

  • Claro. Somente aqueles com instinto de assassinos podem ingressar para os whispers. E você pequena criança tem o que é preciso. Disse Riel ainda sorrindo para a menina. Ashira começava a achar que trazer Shuurei até ali foi péssima idéia.

  • Shun abaixe a faca. Ashira pediu suavemente para a menina segurando a mão dela e afastando a lamina do pescoço de Riel.

  • Ashira me desculpe! Shuurei disse parecendo sair de um transe. Ela a abraçou e começou a chorar.

  • Eu também peço desculpas Ashira. Mas eu precisava avaliar Shuurei. Qualquer pessoa que se mostre interessada em entrar para a ordem dos whispers ou é um ladrão ou no mínimo alguém propenso a se tornar um assassino.

Eram palavras duas. Mas ashira as compreendeu. Algo estranho acontecia com os irmãos, algo que piorava com o passar dos anos. Kim havia procurado ajuda da necromante Marjory, Shuurei optou por Riel Darkwater. Ashira se sentia inútil por não poder ajudar Shuurei como ela precisava.

  • Riel você pode ajudar Shun?

  • Posso. Mas não será uma tarefa fácil. Fazer parte da whispers é aceitar provações. Duras e muitas vezes cruéis. Tem certeza que é isso que você quer menina?

  • Sim. Shuurei disse enxugando as lagrimas.

  • Muito bem. Sigam-me as duas. Riel saiu da tenda conduzindo Shuurei e Ashira pela base. Elas avançaram mais para o interior da caverna chegando a algo parecido com um centro de comando. Riel parou e disse alto e com autoridade.

  • Luuh apresente-se.

Um vulto saltou das sombras caindo ajoelhado no chão, uma das mãos sobre o joelho e a outra apoiada no solo com a cabeça abaixada, usando o mesmo uniforme a ordem. Mas a diferença era que quem o vestia era uma menina da estatura de Shuurei.

  • Estou aqui mestra Riel.

  • Pode se levantar Luuh. Deixe que lhes apresente. Esta é Luisa, a recruta mais nova que temos, tem 12 anos e treina aqui desde os 5 anos de idade.

  • Ela tem quase a idade de Shuurei. Admirou-se Ashira.

A menina tinha um olhar sério demonstrando uma maturidade de alguém mais velha.

  • Luuh você será a encarregada de mostrar o local a novata Shuurei. Leve-a até o vestiário para colocar o uniforme padrão.

-Mestra porque eu que tenho de tomar conta desta fedelha?

  • Fedelha? Eu tenho quase a sua idade! Protestou Shuurei.

  • Você se veste como uma fedelha, fala como uma fedelha e cheira como uma! Ou seja, é uma fedelha.

  • Chega Luuh! Obedeça-me! Você já tem suas ordens.

  • Sim mestra Riel. Luuh respondeu baixando a cabeça, mas os dentes estavam trincados de raiva.

  • Ashira pode me acompanhar até minha sala novamente? Tenho de terminar de acertar a vinda de Shuurei com você.

Ashira hesitou por um momento olhando para Shuurei que assentiu com a cabeça. Ela já havia tomado sua decisão, Ashira só podia respeitá-la. As duas se abraçaram em despedida sendo observadas por Luuh com desdém. Quando Riel e Ashira se afastaram luuh olhou bem dentro dos olhos de Shuurei e despejou sua cólera.

  • Vou transformar sua vida aqui num inferno princesinha. Vai se arrepender de ter entrado para os whispers.

  • Porque você esta me tratando desta maneira?

  • Porque conheço meninas como você, que só querem chamar atenção.

  • Eu não quero chamar a atenção de ninguém! Indignou-se Shuurei.

  • Não? Nem da palerma que te acompanha? Quem é ela? É muito nova para ser sua mãe… E cadê o seu pai? Ele te abandonou?

Luuh não sabia, não tinha como saber. Mas tinha acabado de cruzar a linha limite de Shuurei e agora arcaria com as conseqüências.

Riel e Ashira se sentaram novamente dentro da tenda que servia de escritório.

  • Ashira me desculpe mais uma vez pelo teatro que fiz. Mas era necessário.

  • Você sabe como tirar alguém do sério. Disse Ashira sorrindo e anotando mentalmente a dica.

  • Faz parte do trabalho. Desestabilizar o adversário emocionalmente para que ele cometa erros.

  • Mas este não era o caso. Era? Perguntou Ashira a Riel.

  • Não. Era conferir a reação de Shuurei. Saber até onde ela iria para protegê-la.

  • Ela já passou por muita coisa. Ashira disse se lembrando do passado.

  • Li o relatório sobre os acontecimentos durante o ataque a Divinity’s Reach. Mas existe mais, não é?

  • Sim. Shuurei e o irmão fugiam de alguém quando os encontrei pela primeira vez. Não consegui localizar os pais deles. E os dois se recusam em não falar nada sobre eles.

Eles não se abriram nem com você?

  • Não. Achei melhor dar tempo para os dois.

  • Acredito que seja um trauma muito grave que os dois tiveram quando menores. Deixar o tempo passar pode piorar a situação ao invés de melhorar.

  • Estou ciente disso Riel. Disse Ashira frustrada.

Neste momento um dos membros da ordem entrou na tenda parecendo nervoso. Riel levantou uma das sobrancelhas encarando-o.

  • Mestra Riel. Temos problemas.

  • E o que seria?

  • A novata… Ela e Luuh estão brigando.

Riel suspirou. Não acreditava que um de seus subordinados a interrompera por causa de uma briga entre duas meninas de 11 e 12 anos. Ashira escutava tudo com um mau pressentimento.

  • E porque você ou outra pessoa não as separaram?

  • Mestra Riel… Elas estão brigando com facas.

Ashira deu um salto da cadeira correndo para fora, sendo seguida por Riel e o membro da whisper. Definitivamente não havia sido uma boa idéia Shuurei ter ido para La.

Shuurei e Luuh lutavam ferozmente com as facas em mãos. Uma tentando perfurar a outra. Luuh havia subestimado a novata. Ela se esquivava e atacava em uma velocidade anormal. Se não fosse pelo treino de 7 anos na whisper, Luuh achava que já estaria morta.

  • Quem era Shuurei? Luuh indagava.

Shuurei atacou novamente, Luuh aparou o golpe com sua faca aplicando uma rasteira em Shuurei que caiu no chão. Luuh em seguida subiu por cima dela e as duas mediram forças, cada uma segurando a mão que estava com a faca. Um círculo de membros da whispers assistia a luta. Eles não sabiam o que fazer. Conheciam Luuh a 7 anos. Pequena, bela e mortal. Uma perfeita assassina aos 12 anos. Mas quem era esta Shuurei que se equiparava em ferocidade a Luuh? Todos sabiam apenas que dias turbulentos os aguardavam na base dos whispers.

Luuh em um movimento de chave de braço imobilizou Shuurei e preparou para esfaqueá-la. Riel surgiu no meio da conclusão da luta, segurando a mão de Luuh. A lamina da faca a milímetros do peito de Shuurei. Riel ergueu Luuh pelo braço e a jogou para trás.

  • PARE Luuh! Ordenou Riel.

Luuh caiu rolando pelo chão, quando recuperou o equilíbrio se ajoelhou rapidamente.

Ashira passou pelos que observavam a luta querendo ir ao encontro de Shuurei. Mas Riel a encarou, seus olhos se cruzaram e o corpo de Ashira paralisou, nem a fala ela era capaz de usar. Riel olhou de Luuh para Shuurei e perguntou:

  • Porque disso?

  • Ela que começou! Luuh falou ainda ajoelhada e de cabeça baixa no chão.

  • Não perguntei quem começou. Perguntei o porquê disso!

  • Ela disse coisas cruéis. Shuurei disse com raiva.

  • Novata aprenda que seus oponentes irão usar todos os meios para desestabilizá-la. Você tem de aprender a lidar com isso.

  • Mestra…

  • Silencio Luuh! Vocês duas serão punidas. Terão de aprender a trabalhar juntas. Tragam a manopla da fidelidade.

  • NÃO! Por favor, mestra! Tudo menos isso! Luuh gritou.

  • já me decidi!

Um dos membros da ordem trouxe o que parecia duas luvas de couro unidas a laços prateados. A luva foi colocada na mão esquerda de Luuh e na mão direita de Shuurei, depois atadas colocando ambas de mãos dadas. Riel apontou para as luvas pressas e disse:

-LAGRAR! As luvas brilharam formando uma inscrição prateada.

  • Uma semana presas uma a outra. Dormirão juntas, tomarão banho juntas, comerão juntas, trocarão de roupa juntas e treinarão juntas.

  • Por favor, mestra. Luuh implorou.

  • Agora são duas semanas.

  • A culpa é sua fedelha!

  • Agora são três semanas.

  • É INJUSTO!

  • A vida é injusta! Um mês. Posso fazer isso o dia todo Luuh. Disse Riel para a garota.

Luuh baixou a cabeça e ficou em silencio. Shuurei olhava para Ashira fixamente e disse:

  • Senhorita Riel pode libertá-la?

Riel sorriu para Shuurei e respondeu:

  • Claro.

Riel estalou os dedos e Ashira podia se mexer e falar novamente. Ela quis avançar e abraçar Shuurei. Mas a menina ergueu a mão com a palma aberta indicando que Ashira não se aproximasse.

  • Eu estou bem Ashira. Pode ir embora.

  • Vá Ashira. Trataremos bem de Shuurei. Em breve você verá a diferença. Disse Riel de braços cruzados.

Ashira baixou a cabeça começando a se afastar, foi quando ouviu Shuurei dizer:

  • Eu volto para te visitar… Mamãe.

E as lagrimas desceram pelo rosto de Ashira.

  • Muito bem novata vá se trocar. Seu treinamento começa hoje! Riel falou.

Shuurei olhou para Luuh. Ela ainda continuava com a cabeça baixa em respeito a Riel Darkwater.

  • Venha Luuh. Mostre-me onde é o vestiário. Shuurei pediu.

  • Não me chame de Luuh! Não te dou permissão! Meu nome é Luisa.

Shuurei sorriu para ela. Começava a entendê-la melhor.

  • Você me lembra meu irmão. Disse Shuurei rindo.

Luuh arregalou os olhos de pavor. A cena de seus irmãos e irmãs sendo mortos voltando em sua memória. Shuurei percebeu o olhar assustado de Luuh e pensou.

  • Sim. Somos muito parecidas.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 16- As 3 Ordens de Tyria Parte 2

Luuh 16 anos atrás

Luisa estava novamente de mau humor. A pequena menina tinha 5 anos de idade. Ela detestava ser a caçula de seis irmãos, era a pior coisa do mundo. O motivo era que todas as suas roupas eram sempre herdadas das irmãs mais velhas. Juliana de 8 anos, Sofia de 10 anos e Andrea de 11 anos. Seus dois irmãos Julio de 7 anos e Matheus de 15 anos eram os únicos que não a incomodavam. Ela na verdade gostava bem mais de brincar com eles do que com as irmãs. Mas infelizmente Matheus nos últimos dias estava cada vez mais distante dela, o motivo tinha um nome: Vanessa. A linda filha do duque Dulac, patrão dos pais de Luisa. O pai de Luuh, o senhor Luis era o mordomo da mansão dos Dulac e a mãe Maria era a cozinheira. A família de Luisa vivia em um a pequena casa humilde nos fundos da propriedade do Duque. Um belíssimo lugar com jardins floridos, estábulos para cavalos de raça, celeiro e algumas outras casas pertencentes aos outros empregados.

A grande paixão do duque Dulac eram os cavalos seguidos de sua filhinha mimada Vanessa de 16 anos carinhosamente chamada pelo pai de princesinha, e por último a esposa Lidia. Na verdade a esposa não era assim amada. Mas era necessário pelo menos manter as aparências.

O duque era um homem rígido com seus empregados, onde somente demonstrava afeto ao realizar todos os caprichos de sua querida filha. Luisa e sua família poderiam até hoje estar morando na propriedade do duque onde possivelmente os filhos de Luis assumiriam os afazeres dos pais quando tivessem idade suficiente. Era normal os filhos dos empregados seguirem os passos dos pais e continuarem a servir a família ao qual eles trabalhavam. Infelizmente Matheus cometeu um erro terrível que mudou tudo, ele se apaixonou pela filha do duque, por Vanessa e a garota num ato de maldade resolveu seduzi-lo apenas por brincadeira. Numa noite ela convidou Matheus a ir até o celeiro para vê-la. Ele empolgado aceitou, esperou todos em casa irem dormir e saiu escondido. Mas Luisa acordou e viu Matheus saindo silenciosamente, curiosa ela resolveu segui-lo. O celeiro ficava um pouco afastado da mansão, mas próximo as casas dos empregados. Matheus chegou ao portão e empurrou a porta silenciosamente deixando-a aberta. Ele caminhou até onde os fenos eram guardados e viu uma pequena luz de vela no fundo do celeiro, ao chegar lá Vanessa o esperava deitada sobre o feno, a saia levantada na altura dos joelhos. O coração de Matheus acelerou ao vê-la. Ela mandou que ele se aproximasse com um gesto de mão, ele foi até ela e se deitou ao seu lado. Ela então disse em seu ouvido:

  • Diga que sou linda. Diga que sou a garota mais bela que você já viu.

  • Você é linda, você é bela. Ele repetiu.

  • Agora me beije Matheus.

Matheus a beijou subindo por cima dela acariciando seu corpo. Ele forçou a perna entre as coxas da garota fazendo-a abrir as pernas.

  • Calma… Vai com calma. Vanessa falou em seu ouvindo quase gemendo.

Luisa chegou ao celeiro e notou a luz da vela iluminando fracamente o lugar. Ela entrou escondida ouvindo nos estranhos. Ela se aproximou procurando o irmão e ao ver Vanessa e o irmão juntos não conseguiu conter a voz.

  • O que vocês dois estão fazendo?

Matheus rolou para o lado, as calças já com a corda que a prendia frouxa, Vanessa baixou a saiu e num instinto de alta preservação ela gritou sem parar acordando todos que dormiam próximos.

Depois disso tudo foi um pouco vago para Luisa. Ela se lembra vagamente de vários empregados entrando no celeiro. De seu pai e mãe chegando e vendo a cena. Do duque entrando com seus guardas. De Vanessa dizendo ter sido atacada por Matheus. De o duque Dulac sacar a espada de um guarda e perfurar o coração de seu irmão num acesso de fúria. Dos seus pais correrem para impedi-lo. Dos guardas atacarem seus pais. Dos seus irmãos correndo para segura-los. Da vela acessa que estava no celeiro cair quando Vanessa tentava correr de lá. Do fogo, dos gritos e de algo a atingir no peito e ela cair no chão… Do calor e por fim de desmaiar.

Luisa não sabia quanto tempo ficou desacordada, estava escuro e o corpo doía, ela estava presa. Havia algo pesado sobre ela. Ela sentia um cheiro ruim de podre e queimado que a sufocava. Luisa mal enxergava nada, ela tentou empurrar o que estava sobre ela e notou ser um braço de alguém, os olhos foram se adaptando ao escuro e para seu horror ela finalmente entendeu onde estava e o que a estava prendendo e esmagando. Luisa estava dentro do poço de água da propriedade do duque com seus pais e irmãos todos mortos jogados dentro dele com ela. Luisa chorou e gritou em desespero, este era o inicio de seu tormento.

Base dos Whisper 9 anos atrás

  • Eu a odeio! Odeio! Bravejou Luuh.

  • Não está exagerando Luuh. Você a conheceu tem o que… Um mês?

  • Sim. E tive de ficar presa a ela de mãos dadas todo esse tempo.

  • Foi tão horrível assim?

Luuh estava sentada no chão dentro da tenda que servia de dormitório, ela estava com as pernas esticadas, Tybald deitado ao seu lado com a cabeça apoiada no seu colo. A calda balançava de um lado para o outro enquanto Luuh afagava atrás da orelha dele. Era uma visão estranha ver uma menina tratando um charr como um gatinho de estimação. Mas Tybald não ligava, na verdade gostava, ele tinha graves problemas de sono e Luuh era a única capaz de niná-lo para que a insônia não o atingisse. Luuh por sua vez preferia a companhia de Tybald a dos humanos em geral, a única exceção era Riel Darkwater que havia salvado sua vida ao retirar Luuh de um poço. Águas passadas que ela evitava recordar.

  • Foi sim… Farejo falsidade de longe. E Shuurei não me engana, ela esconde quem é de verdade.

  • Estou ansioso para conhecer esse pequeno demônio em forma de menina. Comentou Tybald sorrindo.

Como que se a invocassem Shuurei entrou na tenda, ela olhou para Luuh e Tybald o rosto ficando vermelho, abaixou a cabeça olhando para o chão caminhando apressadamente para sua cama onde ficava seu baú que guardava seus pertences. Luuh acompanhou Shuurei com os olhos semi-serrados até que o corpo gigante de Tybald se ergueu bloqueado a visão dela.

  • Aonde vai Tybald?

  • Eu vou me apresentar a nova membro dos whispers. Acabei de chegar de missão e vim ver você primeiro. A educação manda que me apresente.

  • Volta aqui Tybald! Luuh falou levantando e quase agarrando a calda dele.

  • Ei! Nunca toque na calda de um charr é uma área delicada.

  • Volta aqui!!!

Tybald caminhou até onde estava Shuurei que apanhava algo no baú. Ela viu a enorme sombra atrás dela e se virou com uma adaga nas mãos apontando para o pescoço do charr. Ele recuou um passo com as mãos erguidas dizendo:

  • Ei. Calminha mocinha. Só vim lhe dar boas vindas.

Shuurei olhou o charr. Era a primeira vez que ela via um, mas já tinha escutado muitas histórias sobre a raça voltada para a guerra, onde não constituíam famílias e sim warbands. Shuurei achava que os charrs seriam assustadores, ferozes e rudes. Mas este diante dela sorria, ele parecia um grande gato sonolento por causa dos olhos caídos. Luuh chegou ao lado de Tybald e arrancou a adaga das mãos de Shuurei.

  • Você está louca? Nunca mais ouse apontar uma arma para Tybald ou eu juro que te mato. Você me entendeu?

  • Desculpa! Eu me assustei!

  • NOSSA! Será que sou tão feio assim? O charr perguntou com olhar de espanto teatral.

  • Vamos embora daqui Tybald. Ela é louca. Luuh falou.

  • E todos nós não somos um pouco Luuh? O charr esticou a mão para Shuurei, os dedos com longas garras. Ela retribuiu o gesto apertando as mãos.

  • É um prazer conhecê-la pequena Shuurei. Sei que todos nós seremos bons amigos. Disse Tybald sorrindo.

  • Vai sonhando. Rebateu Luhh.

  • Não ligue para ela. Luuh finge ser rabugenta, mas tem um coração enorme.

  • E você uma língua tão grande quanto.

  • Agora estou magoado. O charr disse espantado.

Luuh e Tybald continuaram a falar sem parar. Shuurei olhava os dois e viu Luhh sorrindo enquanto conversava com o charr. Luuh gostava de Tybald independente de sua aparência ou raça. Tybald tinha razão. Luuh era uma pessoa boa, diferente dela.

Montanhas de Shiverpeaks 7:15 am

Base da Durmond Priory

Algumas semanas depois deixar Shuurei nos Whispers, Ashira estava sentada no salão da ordem do conhecimento, a Durmond Priory. Ela aguardava pacientemente ser chamada. Enquanto esperava ela admirava o extenso salão onde estava com os outros candidatos. Dezenas de membros da priory andavam por lá carregando livros, pergaminhos ou objetos de aparência exótica, alguns conversavam sobre assuntos específicos, discutiam teorias e projetos variados. Ashira tinha a impressão de estar em uma grande escola. Mas não uma escola para crianças e sim uma para adultos, onde pudessem ter uma educação superior voltada para estudos e conhecimentos complexos que exigiriam dedicação total por parte de seus integrantes.

Uma mulher de uns 30 anos usando óculos e com uma prancheta nas mãos parou em frente a Ashira examinando os papeis e disse:

  • Próxima candidata. Ashira Sanders me siga, por favor.

Ashira foi levada ao centro do salão onde centenas de manuscritos talhados em blocos de pedra flutuavam em espiral. Ashira olhou admirada, mas sem para de caminhar, as duas mulheres foram até um alçapão localizado no lado direito do salão que se abriu sozinho revelando uma extensa escada de pedra. Ashira desceu a escada até um corredor circular com várias portas de ambos os lados, elas caminharam mais um pouco chegando finalmente a uma porta com uma placa escrita “ENTREVISTAS”. A mulher abriu a porta e disse:

  • Pode entrar e se sentar. Seu entrevistador virá logo.

Ashira entrou na pequena sala quadrada apenas com uma mesa de madeira com duas cadeiras, as paredes tinham quadros pintados à mão com retratos de pessoas que Ashira não reconhecia. Ela se sentou e aguardou pacientemente. 15 minutos depois cansada de tanto esperar ela decidiu examinar os quadros nas paredes. Os quadros eram quatro no total, um para cada parede.

O primeiro quadro tinha o retrato de um homem de aproximadamente 30 anos, ele estava com o uniforme azul da priory, tinha uma feição firme, quase arrogante. Abaixo da moldura estava escrito seu nome: Randall Greyston estudioso e explorador.

O segundo quadro era de uma senhora idosa da raça dos Norns parecia ser muito velha, talvez mais de 100 anos. Tinha cabelos grisalhos presos em um coque, apesar da idade avançada tinha olhos firmes e penetrantes que emanava sabedoria com o semblante calmo. Ela estava usando um vestido branco. Na moldura abaixo tinha o nome: Zanza Holyavenger , Grande Mãe Norn, a mais sábia.

O terceiro quadro pertencia a um rapaz moreno de longos cabelos com tranças não mais do que 20 anos sorrindo, ele trajava uma armadura cinza. Na moldura abaixo o nome: Historiador Gerald.

O último quadro era de um asura, ele parecia ser velho, tinha longas orelhas características da raça. Usava um manto roxo e tinha uma expressão zangada. Na moldura abaixo o nome: Steward Gixx, líder da Durmond Priory.

A porta da sala abriu e Ashira viu o mesmo asura do retrato entrar. Ele caminhou até uma das cadeiras e se sentou, olhou diretamente para ela e disse irritado:

  • Vai ficar ai parada me admirando até quando senhorita Ashira? Sente-se!

Ashira obedeceu. Era a primeira vez que falava com um asura. A maioria das pessoas falava que os asuras eram uma raça muito inteligente, mas também arrogante e que não demonstravam emoções, apenas lógica.

  • Muito bem candidata A109, meu nome é Gixx. Eu irei lhe explicar tudo sobre os exames e vestibular para ser aceito na Durmond Priory. Preste bastante atenção que só falarei uma única vez. Entendido?

Ashira assentiu com a cabeça. Ela não estava mais tão calma e paciente como antes, suas mãos tremiam de nervosismo.

  • Muito bem. O treinamento na Durmond Priory dura pelo menos 5 anos, durante este período o aluno é de nossa responsabilidade recebendo moradia, alimentação, estudo e outras necessidades básicas. O sistema é de internato, os alunos estudam e praticam todos os dias, do nascer do sol até pouco antes de anoitecer, exceto aos domingos e tardes de sábado. Nestes dias de folga será permitido aos alunos usarem o portal de saída para visitar suas famílias e amigos. Caso um aluno não retorne a aula na segunda-feira tomará uma advertência, 3 advertências e o aluno será expulso da Durmond Priory. Você está entendendo até agora?

  • Sim.

  • Muito bem. Para um aluno ser aceito tem de passar por um teste de vocação, esse teste se divide em duas provas escritas, uma prova prática e uma entrevista oral com professores. Cada etapa é eliminatória, ou seja, se o candidato não obtiver uma aprovação mínima em uma prova escrita não faz a segunda, se não foi bem na segunda prova, não faz o teste prático e assim por diante. Os resultados são divulgados no dia seguinte à realização de cada prova. Você entendeu?

  • Sim.

  • Certo. A primeira prova, o teste escrito tem como objetivo selecionar indivíduos com um patamar mínimo de inteligência e capacidade para lidar com conceitos abstratos, idéias exóticas e raciocínio lógico.

  • A segunda prova o candidato precisará responder a questões sobre sua própria ética e moral, pois nos preocupamos muito com o tipo de pessoa que entregamos nosso conhecimento… Você agora deve estar pensando: “ E se a pessoa mentir no teste, afinal isso seria fácil”. Bem mocinha eu já a advirto desde já que as perguntas na prova aparentemente são inócuas, não irá revelar sua verdadeira função. É muito difícil para alguém fingir ser bonzinho ao responder este teste.

  • A terceira etapa, a prova prática os colocará em campo aberto devidamente preparado para analisá-los. Será uma prova conjunta para ver o trabalho em equipe, liderança e criatividade para se resolver problemas.

  • E por último a entrevista para encerrar. O candidato deve se submeter a uma junta de professores, os examinadores farão perguntas sobre o desempenho do candidato e suas decisões no decorrer do teste. O passado do candidato também será questionado, assim como a postura a diversos assuntos polêmicos. Você entendeu tudo que acabei de lhe explicar mocinha?

  • Entendi.

  • Muito bem.

O asura estalou os dedos e a sala apagou as luzes ficando completamente às escuras.

  • Agora mocinha me diga a ordem dos quadros na parede dizendo os nomes, traços físicos, vestimentas, idade aparente e humor de cada um, começando do norte no sentido horário. Você tem 15 segundos para responder ou aqui mesmo termina sua vinda a Durmond Priory.

E assim os testes de Ashira começaram. Ela conseguiria se graduar, não sem sofrimento, não sem noites sem dormir estudando, não sem ver e conhecer a dor e a morte. Porque conhecimento é poder, e poder muitas vezes corrompe aqueles que o almejam e alcançam.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 17-Terra dos Mortos

Dias Atuais

Orr - Estreito da Devastação ( Straits of Devastation)

As ruínas de Orr estão situadas numa península ao sul de Ascalon e a oeste do deserto de Cristal. As ruínas são os restos destruídos de um dos três reinos humanos de Tyria e foi uma vez uma nação vibrante, orgulhosa e próspera. Seus cidadãos acreditavam serem os favorecidos dos Seis Deuses Humanos, vivendo nas sombras da cidadela de Arah, que já foi habitada pelos próprios Deuses.

O esquadrão de Ashira formado por Ihara, Shuurei, Irikami, Hassui ( Kim), Alice, Lord Khanum, Japo, Mitho e Athriel surgiu em meio a uma luz azulada. O cenário desolado de Orr a frente deles.

  • Nos trás lembranças não? Comentou Irikami.

  • Sim. E algumas não muito agradáveis devo dizer. Falou Ashira.

  • Bem. Foi aqui que tudo realmente começou. Não? A criação da guilda. Perguntou Shuurei.

  • Você esta certa Shun. Tudo começou com uma mulher extraordinária. Pelo seu nome, seu significado. Ashira disse contemplando o céu nublado com pesar.

  • Todos nós sentimos a falta dela. Mesmo aqueles que não a conheceram pessoalmente. Completou Mitho.

  • As histórias contadas dizem tudo a respeito da grande mãe norn e de seu sacrifício na guerra contra zhaitan. Athriel falou.

  • Todo o povo norn ficou de luto pela perda de sua mais sábia mentora. Khanum falou com tristeza.

  • Muitos se sacrificaram naquele dia fatídico. Disse Alice colocando a mão no ombro de Shuurei.

Todos ficaram em silencio alguns segundos até Ashira quebrá-lo dizendo:

  • Orr, a morada de zhaitan.

  • A casa dos Deuses. Disse Mitho.

  • O lugar de Sacrifícios. Falou Shuurei.

  • O berço dos mortos. Disse Kim.

Ihara falou algo em sua língua e como sempre apenas Ashira entendeu começando a ri. Shuurei olhou para Ashira confusa e perguntou o que ele havia dito, ela respondeu em meio a uma risada:

  • Ihara disse. Orr, o lugar que cheira a sushi.

Todos riram neste que provavelmente seria o único momento de descontração do esquadrão. Ashira endireitou o corpo e disse baixinho mais para si do que para os outros.

  • Estamos de volta senhora Zanza.

Zanza Holyavenger 5 anos atrás

Montanhas de Shiverpeak

Eir Stegalkin a heroína norn aguardava pacientemente sentada dentro da grande cabana de mãe Zanza. Os longos cabelos ruivos presos a um laço da bandana lhe caiam muito bem, mesmo com as pinturas e tatuagens características do povo norn, Eir era uma bela mulher. Eir tinha inúmeras preocupações em sua cabeça, o avanço dos svanir, um filho que sentia sua ausência, o fim de sua guilda a Destiny´s Edge ao qual ela era líder e os Elder Dragons. Muitas preocupações para uma única pessoa. Sempre que possível Eir gostava de vir à cabana de mãe Zanza a procura de orientação. Mas hoje a visita tinha outro propósito. Zanza Holyavenger não era realmente sua mãe. O povo norn chamava de grande mãe e grande pai os habitantes mais velhos e sábios entre os norn. Zanza possuía 119 anos de pura energia e vitalidade, ela era druida, shaman, guerreira, armeira, escultora, vidente, estrategista e muitas outras qualidades. A única coisa que Zanza não sabia fazer era cozinhar. Como ela mesma gostava de falar, não se aprende a cozinhar, se nasce com esse dom.

Inúmeros norns a procuravam pedindo seus conselhos. Zanza era conhecida pela sua sabedoria, teimosia e senso de humor peculiar. Ao longo de sua vida instruiu e treinou dezenas de discípulos, não encontrando nenhum que considerasse a altura de aprender seus segredos mais ocultos.

Zanza havia feito Eir esperar por mais de 3 horas dentro da cabana. A senhora norn de cabelos grisalhos e rosto tatuado sempre diziam que os jovens sempre estavam com pressa e era necessário fazê-los esperar para que pudessem refletir em suas vidas. Embora Zanza gostasse de Eir, ela também precisava deste tempo de espera para pensar. Enfim achou que já havia dado tempo suficiente a ela e saiu do quarto entrando na área principal da cabana. Eir se levantou se curvando diante de zanza, logo em seguida falando:

  • Mãe Zanza é um prazer revela.

  • Minha querida Eir. Como você consegue estar linda mesmo após tanto tempo?

  • Suas palavras me trazem felicidade mãe. Nada faço para que minha forma se altere.

Zanza se sentou próxima a fogueira que aquecia a cabana convidando Eir a acompanhá-la.

  • Me diga criança, o que a trás aqui a procura desta velha senil?

  • Grande mãe a Durmand Priory pediu que eu agisse como mediadora a um pedido deles.

  • Priory? O que esses ratos de livros querem comigo? Não me diga que estão pedindo que aceite ingressar na ordem deles novamente? Já me recusei várias vezes. Meu conhecimento não é para ser guardado em uma sala de troféus.

  • Mãe Zanza, eles sabem que você não tem interesse em entrar na Durmand Priory. Mas pedem que converse com um membro da ordem e se possível a ensine.

  • Agora a priory quer escolher meus discípulos? Pois diga a eles que me recuso!

  • Oh grande mãe, Você poderia ao menos falar com a enviada deles? Ela está lá fora até agora aguardando autorização para entrar.

  • Lá fora? Durante todo este tempo que você esteve aqui me esperando? Porque não disse para ela entrar e se aquecer? Admirou-se Zanza. Algo raro.

  • Ela não quis desrespeitá-la entrando em seu lar sem autorização.

  • Certo. Mande-a entrar. Veremos o que a Durmand Priory enviou para mim.

Eir se levantou foi até a porta afastando a pele de urso que bloqueava o frio de entrar. Uma jovem de 20 poucos anos com cabelos negros entrou na cabana. Os lábios estavam roxos e o corpo tremia devido ao frio, mesmo assim o olhar da jovem era firme e confiante. Zanza gostou da determinação desta garota.

  • Esta é Ashira. Membro da Durmand Priory.

  • Olá minha jovem. Eu sou Zanza holyavenger. Vejamos o que a priory lhe ensinou e se você tem o que é capaz para aprender com mãe Zanza.

Dias Atuais

Orr - Estreito da Devastação

No final da ascensão anterior dos Elder Dragons, o Elder Dragon zhaitan dormiu profundamente abaixo de Orr, até o dia onde se levantaria outra vez. Nos milênios que se seguiram, os Seis Deuses Humanos chegaram da Mists (névoa) e fizeram de Orr uma extensão verde e florida. Eles seguiram uma fonte de magia vinda das águas Artesianas e construíram uma cidade, que chamaram de Arah sobre o canal subterrâneo. Mas tarde os seres humanos vieram a Orr em 205 BE (antes do Êxodo), onde sob a orientação do rei Doric criaram o sistema humano de governo e criaram um império que atravessou o continente norte. Quando os Deuses deixaram o mundo no Êxodo os orianos, povo de Orr assumiu a proteção da cidade santa com esperança dos Deuses retornarem um dia.

Ashira terminou seu relato aos seus companheiros de esquadrão e completou.

  • Isso foi o que a Durmand Priory conseguiu descobrir em suas expedições a Orr.

  • Bem. Agora sabemos que o Êxodo foi causado pelos Elder Dragons ao absorverem os Deuses… Disse Mitho.

  • Isso ainda me incomoda. Comentou Athriel.

  • Incomoda a todos nós. Disse Ashira.

  • O que sabemos mais a respeito de Orr? Perguntou Mitho.

  • A nação oriana durou até o final da Terceira Guerra das Guildas em 1071 AE. Quando o Vizir khilbron estava desesperado para proteger a cidadela de Arah da invasão charr que já tinha devastado Ascalon. Escrituras dizem que Vizir leu o que chamam de Pergaminho Perdido desencadeando uma magia negra que derrotou os charrs, mas também afundou a nação de Orr no fundo do oceano, levando consigo seu povo e cidades. Ashira continuou a narrar.

  • Pergaminho perdido? Isso não soa familiar? Perguntou Irikami.

  • Precisamente. Tenho certeza que este pergaminho é um dos diários do peregrino. Confirmou Ashira.

  • E esta biblioteca secreta que iremos procurar? Perguntou Japo.

  • Durante a guerra de Zhaitan eu e Alexian investigamos um templo destruído afundado no mar das dores, nele havia informação de uma biblioteca secreta em Arah. Nunca a encontramos, não tivemos tempo.

  • Por causa da guerra?

  • Sim. E por outros tantos motivos.

  • Algo mais que devemos saber do passado de Orr? Perguntou Japo.

-Conhecimento é sempre útil. Deixe-me terminar de contar. Em 1219 EA, Zhaitan acordou e trouxe a nação afundada de Orr à superfície, matando os habitantes e vida selvagem que ainda viviam próximos ao litoral, levantando os mortos como seu exercito. O surgimento do continente causou um grande Tsunami que varreu centena de milhares de quilômetros de água. O resultado ainda pode ser visto em ruínas submersas por toda a região.

Kim ouvia tudo sentindo cada alma condenada que vagava na terra devastada. Voltar a Orr nuca era uma experiência agradável. A morte e a dor estavam impregnadas em cada partícula de terra, água e ar. Kim como um necromante era mais suscetível a estas emanações. Embora seu poder naquele lugar crescesse, os tormentos do passado voltavam em um grau ainda maior, trazendo lembranças esquecidas e lacradas em seu subconsciente.

Kim apertou forte o cabo da adaga preso ao cinto. Por algum motivo algo o estava perturbando, algo familiar, algo que sua mente lutava incansavelmente para fazê-lo esquecer.

  • Pecados. Kim falou quase em um sussurro.

Kim sentiu uma mão segurar a sua. Ele olhou para o lado esperando ver sua irmã Shuurei e se admirou em descobrir que quem lhe apertava a mão era Ashira.

  • Você esta bem Kim? Ashira perguntou com ternura maternal. Após os acontecimentos no guild hall Ashira sentia culpada pelo o que o interrogatório de condessa Anise havia trazido a tona nos irmãos.

  • Não! Acho que nunca ficarei bem novamente! Nem em minha morte! Disse Kim puxando a mão com força para que Ashira a soltasse.

  • Não diga isso Kim! Shuurei falou severamente. Ela se aproximou do irmão com Irikami e Alice logo atrás dela. Ihara, Japo, Mitho, Athriel e Khanum aguardavam um pouco mais atrás.

  • Olhe para mim Shun, o que você vê?

  • Eu vejo meu irmãozinho que foi capaz de se sacrificar para não me deixar sozinha.

-ERRADO! O que você vê! O que todos vêem é uma abominação! Um assassino! É o que sou!!!

  • O que eu vejo apenas é um menino mimado com síndrome de alta piedade. Disse Alice pela primeira vez desde o incidente no guild hall. Os olhos azuis de Kim arregalaram.

  • Como você ousa?Kim falou trincando os dentes.

  • Se você quer realmente discutir sobre assassinatos eu posso conversar com você o dia todo. Eu o respeito por ser irmão de Shun, mas não me venha com sua alta piedade. Você tem de parar de agir como uma criança e encarar seus fantasmas. Meu irmão irikami me fez ver isso. Agora Kim é sua vez de aprender esta lição.

Um sorriso surgiu no rosto de Irikami. Ele não acreditava que a irmã fosse realmente considerar seu conselho. Ele se sentiu orgulho pela irmã como nunca antes sentirá.

Kim ficou encarando Alice o que deixou os outros membros tensos. Ali estavam os dois mais poderosos e mortíferos membros da Holy Avenger. Caso ambos se desentendesse ninguém conseguiria imaginar o tamanho da destruição que causariam.

  • Ok. Vou pensar no que você me disse Alice. Só que mais tarde. Agora temos um trabalho a fazer. Kim falou começando a caminhar, os outros respiraram aliviados.

  • Parece que ele está aprendendo. Disse Ashira para Shuurei.

  • Vamos dar tempo a ele. Isso me ajudou a pensar. Alice falou segurando a mão de Shuurei e a puxando para andar.

Shuurei ficou vermelha de vergonha e seguiu Alice, Irikami logo atrás delas rindo disfarçadamente. Ihara parou ao lado de Ashira e disse algo em sua língua natal, ela acenou com a cabeça e respondeu:

  • Sim Ihara, eu sei. Estamos sendo vigiados.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 18-Coração Partido

O esquadrão avançava lentamente, o estreito da devastação possuía muitas ruínas de Orr, o templo principal de Balthazar se encontra nesta região. Antes o norte de Orr era uma vez um celeiro verdejante para o reino, agora totalmente devastada, o odor podre e a terra morta são as únicas coisa existente no lugar, inúmeros grupos de mortos-vivos risens (os chamados ressurgidos) vagam sem destino pela terra devastada. Evitar o maior número possível de confrontos era o plano, assim não chamariam atenção desnecessária para eles. Qualquer inimigo que por ventura atravessasse o caminho do esquadrão era rapidamente destruído pela vanguarda formado por Shuurei, Alice, Kim e Khanum, a retaguarda era defendida por Japo, Irikami e Athriel. Ashira, Ihara e Mitho seguiam no meio observando e instruindo as equipes de frente e de trás, cada um realizando sua função perfeitamente.

O primeiro grupo de mortos-vivos que não podiam ser evitados foi avistado, se tratavam de antigos fazendeiros transformados em risens ressurgidos após suas mortes, a pele acinzentada e podre com os olhos brancos leitosos dava uma aparência grotesca a estas criaturas amaldiçoadas. Como sempre ocorriam com essas infelizes criaturas, os risens trabalhavam com suas enxadas em uma lavoura que não mais existia aquilo era uma parodia bizarra de suas antigas vidas, vestígio de lembranças de quando ainda viviam.

Eram no total 25 ressurgidos e estavam bem na passagem que o esquadrão de Ashira teria de utilizar. Desta maneira Ashira optou por destruí-los de forma rápida e letal. Ihara e Mitho sacaram seus arcos preparando suas flechas de ponta ácida, Kim e Ashira concentraram suas magias enquanto o resto do esquadrão se esgueirava pela lateral usando as rochas como camuflagem, Irikami tocou acidentalmente uma pedra solta na rocha fazendo-a cair, o som chamou a atenção de um dos mortos-vivos que avançou em sua direção com a enxada erguida pronto para atacar. Irikami desferiu um potente soco no peito do risen, a força do impacto jogou o morto-vivo para trás, fazendo-o cair de costa no chão, o risen já se preparava para levantar, mas Irikami avançou sobre ele pisando em sua cabeça, a força do pisão somado ao peso de Irikami mais a armadura despedaçou a cabeça do ressurgido espalhando massa cefálica, ossos e carne apodrecida pelo chão.

  • Parece que alguém quer se mostrar Shun. Alice provocou o irmão.

  • Vocês duas vão ficar ai paradas ou vão me ajudar? Irikami falou ranzinza.

  • Sim senhor! Senhor! Brincou Alice batendo continência fazendo Shuurei ri.

Os outros risens vinham na direção do esquadrão atraídos pelo barulho, Irikami sacou o espadão pronto para continuar a luta, quando fogo, flechas e energia passaram por cima de sua cabeça atingindo os mortos-vivos. Japo, Khanum e Athriel passaram por Irikami atingindo os poucos risens restantes, em segundos a luta havia terminado.

  • Assim não tem graça Ashira. Disse irikami.

  • Eu prefiro desse jeito Iri. Sorriu Ashira mandando que o esquadrão continuasse.

Tudo corria conforme o planejado, sem maiores contratempos. Quando o esquadrão chegou a uma construção em forma de arco que era a entrada subterrânea para a passagem até a região de Malchor’s Leap. Kim parou de caminhar do nada, os outros notaram que ele ficará para trás e esperaram, Shuurei foi até o irmão e perguntou:

  • O que ouve Kim?

  • Sigam sem mim. Ele respondeu tenso, suor escorrendo pela testa.

  • Como assim? Não vamos te deixar aqui sozinho. Shuurei protestou.

  • O que está acontecendo? Ashira perguntou se aproximando dos irmãos, o resto do esquadrão logo atrás dela.

  • Ashira pegue os outros e siga pela passagem subterrânea até Malchor’s Laep, eu preciso ficar aqui sozinho.

  • Você enlouqueceu? Não vamos abandonar você aqui sem um motivo cabível! Disse Irikami.

  • Não vamos abandonar meu irmão por nenhum motivo!

  • Será que a vida de vocês é motivo suficiente?

-Explique-se Kim. Exigiu Ashira.

Uma risada feminina ecoou pela construção em forma, o ar começou a ficar denso, enquanto vapor emanava do solo fazendo o chão desaparecer em meio a neblina.

  • Quem está ai? Perguntou Shuurei.

  • Quem é? Apareça! Ordenou Ashira.

  • Ahhh… Hassui Deadcaller. Como é bom revelo. Não sabe por quanto tempo esperei ansiosa para encontrá-lo novamente.

Uma forma espectral surgiu presa ao teto da construção, a forma ganhou substancia e uma bela jovem em pé de cabeça para baixo vestida de negro os observava, os olhos eram de um verde profundo como duas safiras, os cabelos vermelhos como sangue, em suas mãos uma foice negra emanava vibrações frias, o ambiente tornou-se gelado, por volta dos 6 graus, vapor saia da boca de todos, menos da mulher no alto da construção, o que fez imaginar se ela não precisava respirar ou segurava o fôlego.

  • Nanda… Disse Kim surpreso.

  • É bom saber que você se lembra de mim, mas a pergunta Hassui, você se lembra do que fez comigo? Você se lembra de me ver implorar?

  • Kim você conhece essa mulher? Perguntou Shuurei.

  • Ora, ora, se não é a pequena irmã de Hassui. Ouvi dizer que você sabia somente chorar e correr atrás de seu irmão e de sua tutora como um carrapato no pelo de um charr.

  • Quem disse algo terrível assim? Shuurei falou espantada.

  • Ora pequena menina, foi seu próprio irmão Hassui.

  • Mentira! Kim jamais falaria de mim desta maneira!

Ao dizer isso Shuurei olhou para Kim e ao olhar em seus olhos ele desviou o rosto. A mulher dissera a verdade.

  • Kim… Como pôde?

  • Há, há, há, é assim que ele age as suas costas querida Shuurei. Você não conhece seu próprio irmão como eu conheço. O que ele foi capaz de fazer para possuir o poder que tem hoje.

  • CALA ESSA MALDITA BOCA!!! Gritou Kim.

  • Uh, magoei você Hassui? Porque não corre para chorar no colo de sua mestra Marjory? Ou melhor, porque não corre para o colo de Constan…

  • CALA A BOCA! CALA A BOCA! Kim gritou assumindo a forma espectral de reaper saltando e atacando com a foice criada a partir da escuridão, a mulher saltou do teto gargalhando enquanto aparava o ataque com sua própria foice e ao fazer isso Kim sentiu um frio cortante consumir toda sua energia, ele voltou à forma normal e despencou. Athriel e Irikami o agarraram na queda antes dele colidir no chão, a pele de Kim estava fria e pálida com os lábios roxos, ele parecia estar com hipotermia.

  • Gostou do meu golpe Hassui? Do frio que meu corpo e alma se transformaram depois que conheci você? Nanda falou caindo de pé e fincando a foice com força no chão. Logo em seguida ela sentou no cabo de madeira negro cruzando as pernas de forma sensual, exibindo as coxas seminuas. A lâmina da foice fincada no chão começou a congelar lentamente a superfície do solo.

  • ME SOLTEM! NÃO PRECISO DA AJUDA DE VOCÊS! Kim gritou empurrando Irikami e Athriel, ele mal se agüentava de pé.

  • Kim quem é essa mulher afinal? Perguntou Ashira.

  • Diga a eles Hassui. A mulher falou com um sorriso cruel no rosto.

  • Seu nome é Nanda. Ela é uma necromante discípula de Marjory assim como eu. Nós nos conhecemos há 10 anos trás quando virei aluno.

  • Você nunca falou dela comigo! Disse Shuurei magoada.

  • Nunca falou dela para ninguém. Disse Ashira decepcionada.

  • Era porque ele tinha vergonha. Vergonha do que fez comigo e do que sentia por mim.

  • O que vocês fez com ela Kim? Perguntou Shuurei espantada.

  • Ele roubou meu coração e depois o despedaçou.

  • Vocês eram namorados??? Shuurei perguntou ainda mais surpresa.

  • Há, há, há. Não tolinha, quando falei que ele roubou meu coração, disse literalmente.

Ao falar isso Nanda abriu os botões da camisa e mostrou um buraco no centro do peito entre os seios. Lá dentro um coração de cristal avermelhado pulsava em seu interior no lugar do verdadeiro.

  • Não era minha intenção fazer isso. Disse Kim baixando a cabeça.

-Não era? Não era sua intenção me matar? Não era sua intenção me silenciar para não revelar seus segredos obscuros? Contar a quem o coração sombrio de Hassui Deadcaller pertence dito a mim em confidencia numa noite de lua cheia?

Nanda olhou para todos para todos e sorriu, os olhos verdes se tornaram negros com a noite mais escura. Sua vingança contra Kim estava sendo doce tão doce quanto seu patrono havia dito que seria quando a ressuscitou. Hassui Deadcaller deveria sofre ainda mais, só então Nanda o presentearia com uma morte lenta e dolorosa. O pensamento quase a dava êxtase e a fazia se sentir viva novamente.

Nanda 10 anos trás

Divinity’s Reach

Uma semana após o ataque de Sabetha

Marjory Delaqua e Kim estavam parados em frente a uma casa antiga no distrito mais pobre de Divinity’s Reach.

  • Moleque tem certeza que quer ser meu discípulo? Não costumo pegar leve em meus trinos. Disse marjory.

  • Tenho! Disse Kim com convicção e punhos serrados.

  • E porque não trouxe aquele seu amigo? Como ele se chamava mesmo… Corvo.

  • Ele não quis vir. Mentiu Kim baixando a cabeça olhando para o chão.

Era claro que isso era mentira pensou Marjory. Mas ela preferiu não confrontá-lo, devia haver um motivo muito forte para que Kim não quisesse Corvo junto dele.

  • Muito bem moleque, antes de qualquer coisa tenho de lhe apresentar alguém. Disse Marjory abrindo a porta de casa e ao fazer isso uma menina de 13 anos de idade estava parada na sala de estar com os braços cruzados e batendo um dos pés no chão. A garota tinha olhos verdes como safiras e longos cabeços ruivos.

  • MESTRA Porque demorou tanto? Terminei de limpar a casa e fazer o almoço como me pediu, quando vamos ressuscitar os gatos mortos no sótão que você me prometeu?

  • Já disse para não me chamar de mestra, pode ser só Marjory. Ela falou apoiando a cabeça em uma das mãos.

Kim arregalou os olhos ao ver a menina. Embora ela fosse pequena como sua irmã a garota era mais bonita com o corpo mais desenvolvido e uma presença forte. Kim ficou desconfortável e disfarçou olhando para as paredes dizendo meio gaguejando:

  • QQuem é ela?

  • Era a pessoa que ia lhe apresentar. Esta é Nanda, minha aluna. Vocês dois estudarão juntos a partir de agora.

  • O que!?? Quem é esse menino magricela Marjory? Você disse que só eu seria sua discípula.

  • Mudanças de planos, Nanda. Como você é a mais antiga aqui vai ajudar Kim nas aulas.

  • Kim??? Que nome idiota é esse?

Kim trincou os dentes de raiva. Decidiu naquele momento que não gostava de Nanda e rebateu.

  • Meu nome é Hassui! Hassui deadcaller!

  • Isso sim parece nome de necromante. Ela disse com um sorriso travesso. Venha, vou te mostrar a casa e onde Marjory esconde os cadáveres. Nanda o segurou pelo braço puxando-o para perto, os seios encostando-se ao ombro de Kim que corou. Um sentimento começou a brotar em Kim, o único sentimento que ele lutava para arrancar do peito. Kim sentiu esperança.

Dias Atuais

Terras devastadas de Orr

  • Vocês precisam ir embora… AGORA! Quanto mais demorarem, mais chamaremos atenção desnecessária. Disse Kim tremendo de frio por causa da hipotermia.

  • Não vamos a lugar nenhum sem você. Tire essa idéia idiota da cabeça. Disse Shuurei.

  • Você não está em condições de lutar. Mitho falou examinando Kim.

  • Não importa o que esta mulher nos diga, sabemos que você não é um assassino. Ashira falou com a mão no ombro de Kim que se esforçava para continuar em pé.

  • Será que vocês sabem quem eu sou realmente Ashira? Do que sou capaz de fazer? Você já se esqueceu Ashira quem atacou você e os outros, quem quase matou Remmy no guild hall? Eu!! O melhor a fazerem é me deixarem aqui, eu vou cuidar de Nanda e depois alcanço vocês.

  • Vai me matar de novo? Disse Nanda fazendo biquinho, ela ainda estava sentada de pernas cruzadas sobre o cabo da foice. A área de gelo já chegando próximo aos pés de Kim.

  • SE FOR PRECISO EU TE MATO QUANTAS FEZES FOR PRECISO! Kim berrou.

  • Sim… Esse é você de verdade. Sem travas, sem remorso, sem uma irmã tola ou um amor proibido por perto para retê-lo.

  • Amor proibido?Do que ela está falando? Indagou Shuurei.

  • É sério que nem isto você sabia querida? Você não sabia que seu irmão já esteve apaixonado, ou melhor dizendo, será que ainda está?

  • CALA A BOCA! CALA A BOCA!

Kim fez uma força monstruosa para manifestar a foice, quando ameaçou atacar Nanda, Alice parou a sua frente sacando a espada de duas mãos assassina de almas apontando para Nanda e disse:

  • Vão pela lateral até a passagem subterrânea, eu irei impedi-la de nos seguir. Kim você pode sugar parte de minha energia vital para se recuperar e acabe com esse projeto de mulher.

  • Você ta maluca Alice? Perguntou irikami.

  • De maneira nenhuma irmão, isto é algo que Kim deve resolver sozinho. E quando nos encontrarmos novamente Kim, gostaria de ouvir sua história de amor, ela deve ser parecida com a minha.

Alice sorriu para ele, Kim retribuiu o sorriso dizendo:

  • Obrigado Alice. E eu espero que você e a tola de minha irmã parem de bancar os idiotas e oficializem logo esse relacionamento.

  • Mano! Disse Shuurei vermelha de vergonha.

  • Acreditamos em você Kim, lute e depois nos encontre! Disse Alice.

Kim tocou o ombro de Alice e absorveu parte de sua energia vital, a pele e lábios voltaram à cor normal, enquanto o corpo se fortalecia novamente.

  • Corram! Gritou Alice assim que Kim melhorou ela arremessou a espada de duas mãos em Nanda que saltou puxando a foice, o espadão passou girando rente a cabeça dela, depois retornou as mãos de Alice como um bumerangue que correu com os outros membros do esquadrão deixando apenas Kim e Nanda para trás.

  • Não vai atrás deles? Perguntou Kim completamente recuperado.

  • Não. É você que eu quero só eu e você como nos velhos tempos.

** Nanda 10 Anos Atrás**

Divinity’s reach

Dias felizes. Kim nunca imaginou poder viver dias assim, mas agora que havia se tornado discípulo de Marjory ele realmente se sentia feliz. A presença de Nanda tornou-se agradável e diferente do relacionamento dele com a irmã ou com Corvo, Kim conseguia conversar com Nanda sem travas e falar o que vinha a cabeça. A garota era diferente, não era simples amizade, era como dois lados da mesma moeda. Kim aprendeu rápido com as aulas de necromancia se equiparando em conhecimento e poder a Nanda. Marjory estava certa sobre o garoto, Kim tinha talento nato para a necromancia, talento que algum dia iria superar o dela próprio. Marjory estava orgulhosa e receosa. Orgulhosa pelo avanço dos pupilos e receosa porque Kim ainda escondia seu sentimento bem fundo no peito. Porem Marjory acreditava que Nanda conseguiria liberar tais amarras. Ela só não esperava o que aconteceria aos discípulos naquela noite fadítica. Uma noite de lua cheia e conjunções astrais, a noite que Nanda morreria e Kim cairia para sempre na eterna solidão do pecado que fora obrigado a cometer.

Dias Atuais

Terras devastadas de Orr

  • Sabe qual é seu problema Hassui? Perguntou Nanda.

  • Não ter destruído seu corpo quando você morreu?

  • Não tolinho. Sua capacidade de amar demais.

  • Você é louca! Eu não amo ninguém!

  • Você ama Hassui, talvez seja a pessoa que conheci que mais amou na vida. Você amou sua irmã, você amou Ashira, você amou Alexian, você amou Constantine ou Corvo os outros o chamam e você me amou Hassui. Você ama todos aqueles que se importam com você, todos aqueles que se aproximaram, só que você Hassui não difere amor de paixão, amizade de desejo. Esta é a verdade que você esconde de todos bem fundo no seu coração e que me confidenciou naquela noite. Você Hassui é inocente, é incapaz de discernir sobre seus próprios sentimentos que o correm por dentro. Mas isso não é culpa sua, nem de sua irmã, o culpado era daquele que invadia o quarto de vocês a noite, aquele que vocês dois tentam fugir por anos. Você se lembra Hassui?

Kim a encarou com olhos frios e disse:

  • Eu me lembro… Lembro-me de como devo matá-la.

Kim atacou Nanda que aparou o golpe, partículas de gelo sendo liberadas da foice. Kim por sua vez liberou a nuvem de veneno, a toxina se espalhando na neblina que se erguia do chão. Gelo contra veneno em meio à luta, uma dança mortal executada pelos dois necromantes. Nanda assumiu a forma de espectro e Kim de reaper, a transformação de ambos consumindo suas forças, aquele que melhor estivesse em condições físicas e mentais venceria esta disputa. Hordas de mortos-vivos ressurgidos foram atraídos pelo barulho e pela emanação de poder da luta, os risens avançavam para atacar, mas eram ceifados pelos dois antes mesmo sequer de se aproximarem. A visão de longe lembrava uma valsa mortífera onde uma única falha seria mortal. A força do reaper de Kim se desfez fazendo-o voltar a forma humana, a ponta da foice de Nanda perfurou o ombro esquerdo de Kim congelando o braço dele, Nanda o ergueu pelo cabo da foice fazendo-o chocar-se com violência no chão, logo em seguida ela desfez a forma espectral e retirou a ponta da foice do ombro de Kim, ela caminhou calmamente até ele sentando em sua barriga travando os braços em suas coxas, em seguida Nanda colocou a lamina da foice no pescoço de Kim debruçando o corpo sobre o dele até encostar os lábios em seus ouvidos e disse:

  • Foi bom para você como foi para mim?

  • Agora será! Kim respondeu num sussuro puxando o braço direito que estava preso a coxa e o enfiou no buraco no peito de Nanda segurando o coração de cristal, em um puxão violento ele arrancou-o. Nanda gritou de dor e agonia, um grito horrível como de uma banshee. O grito destruiu mortos-vivos em um quilômetro de distancia.

  • Isso não te lembra o passado Nanda? Kim disse sarcasticamente quebrando o coração de cristal batendo com ele no chão de pedra.

Nanda 9 Anos atrás

Divinity’s reach

Noite de lua cheia e conjunção astral

Kim era discípulo de Marjory a um ano, ele havia crescido em poder. Mas também em autocontrole. Kim havia encontrado a paz junto de marjory e Nanda, embora ele visse a irmã ocasionalmente em visitas na casa de Ashira, Kim sabia que Shuurei estava feliz e que o motivo era a nova amiga da irmã, Alice que a visitava todos os dias. Só uma coisa incomodava Kim, seu passado. O que aconteceria com ele e a irmã se aquele homem os encontrasse novamente? Kim precisava de mais poder para ter coragem de confrontá-lo. Esta noite Kim conseguiria isso, sem que marjory suspeitasse Kim roubou um feitiço de conjuração de espíritos em, sua biblioteca, ele iria usá-lo para obsorver as almas dos espíritos atormentados das pessoas que pereceram em Divinity’s Reach durante o ataque de Sabetha. Todos os preparativos haviam sido feitos, Kim só aguardava a hora da conjunção astral que aconteceria em algumas horas. Por esse motivo ele tomou coragem e decidiu pela primeira vez abrir seu coração e contar o que sentia. Por este motivo ele estava no cemitério de Divinity’s Reach a espera de Nanda. Kim a havia convidado para um pique-nique, se ambos não fosse necromantes com certeza o pedido soaria estranho e seria recusado por ela. Mas Nanda aceitou e Kim pela primeira vez na vida estava nervoso e ansioso com a chegada da garota. Ele ouviu passos descendo as escadas e se virou para olhar, Nanda descia as escadas, ele estava usando um vestido florido muito diferente as roupas de alunos de necromancia, Nanda se aproximou encarando Kim com um sorriso os olhos verdes safiras pareciam brilhar com as estrelas, os longos cabelos ruivos pareciam ainda mais vermelhos.

  • Estou bonita? Nanda perguntou corando.

  • esta linda. Kim respondeu encabulado.

Naquela noite Kim contou para Nanda tudo a respeito de seu passado sombrio e de sua irmã, sem mentiras, sem omitir nenhuma parte, narrou todos os horrores que suportaram. Dos olhos de Nanda lagrimas escorriam com tamanhas revelações, ela o abraçou e prometeu que nunca o deixaria sozinho e que nada nem ninguém os separariam. Kim retribuiu o abraço sentindo tamanha felicidade até que Nanda completou o que dizia.

  • Ninguém irá nos separar, afinal nós somos amigos.

As palavras de Nanda o despedaçaram por dentro, magoa tristeza e solidão. Kim se levantou decepcionado e correu deixando Nanda sozinha. Enfim ela compreendeu o porquê do piquenique. Ela se levantou indo atrás dele, a conjunção astral começaria em pouco tempo. Kim caminhava a esmo por Divinity’s Reach até o horário certo, Nanda o encontrou, mas receosa em se aproximar por não saber o que dizer o seguiu pelas ruas, ela gostava dele, mas não como Kim pensava. Nanda tinha dúvidas se ele próprio não confundirá o sentia. Ela continuou a segui-lo até o antigo distrito comercial agora destruído pelas bombas de incendiárias de sabetha, a emanação de energia espiritual era grande no lugar. Nanda se escondeu atrás de um muro semi-destruído e observou o que Kim fazia. Ele traçará símbolos rúnicos de invocação no chão, Nanda não entendia o que ele ia fazer e tentou se aproximar mais um pouco. Nanda não sabia, ela não tinha como sabe, mas Kim invocaria um feitiço antigo que abriria uma brecha no mundo espiritual atraindo todas as almas que ali estivessem para dentro de um cristal, tatuagens desenhadas em seu corpo o protegeria do feitiço. Nanda não sabia e não teve como se proteger.

A conjunção astral se iniciou e Kim ativou o feitiço, o portal se abriu e as almas ao redor foram sendo sugadas para o cristal, Nanda que estava próxima teve a alma arrancada do corpo e sugada para a pedra, seu corpo tombou no chão deslizando para perto de Kim que olhou horrorizado o que tinha feito, ele interrompeu o feitiço e correu para o corpo da garota caído no chão. Ao tocá-la ele compreendeu o que fizera, então fez o que acreditou ser o certo, Kim tentou retirar a alma de Nanda do cristal e devolve-lo a ela, mas seu desespero o fez errar novamente, a alma de Nanda voltou ao corpo junto de dezenas de outras almas corrompidas, a garota chamada Nanda que Kim conhecia não mais existia, em seu lugar algo maligno surgiu, algo que Kim teve de eliminar com suas próprias mãos, arrancando seu coração e o destruindo.

Dias atuais

Terras devastadas de Orr

O corpo de Nanda tremeu tombando para o lado, ela ofegava, em instantes deixaria de existir novamente.

  • Você conseguiu Hassui, me matou novamente.

  • Eu nunca quis isso, eu a amava.

  • Sim. Mas você me amava como uma irmã, não é a mim que você ama. Disse Nanda acariciando o rosto de Kim.

  • Eu estou muito cansada, acho que chegou à hora de finalmente descansar. Não me esqueça Hassui.

  • Me chame de Kim e você não vai morrer, e se tiver de morrer hoje não será sozinha. Você me prometeu Nanda, unidos para sempre, sempre amigos.

  • Éramos crianças Kim. Nanda disse com um sorriso sincero no rosto, lagrimas escorriam de seus olhos.

  • Sim. E por isso vou honrar nossa promessa desta vez Nanda. Disse Kim retirando a adaga do cinto e fincando-a em seu próprio peito, sua visão ficou turva e tudo ficou escuro.

Algum tempo depois

Nanda se levantou sentando-se no chão, Kim estava em seus braços, ela o abraçava acariciando seu rosto, no peito dos dois uma sutura podia ser vista e no peito de amos metade do coração de Kim pulsava fortemente em cada um.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 19-Sempre estarei com você

Dias Atuais

Terras devastadas de Orr

Irikami puxava Shuurei pelo túnel, a todo o momento ela olhava para trás esperando ver o irmão vindo ao encontro deles. Shuurei sentiu uma mão apoiar gentilmente em sua cabeça, ela olhou para frente vendo Alice sorrindo para ela, imediatamente Shuurei ficou vermelha. Alice lhe deu um beijo na bochecha dizendo:

  • Não se preocupe com Hassui, seu irmão é um sobrevivente assim como você.

  • Eu sei Alice. Shuurei concordou.

  • Além disso, se tratando de necromantes ninguém supera seu irmão. Acrescentou Irikami.

Shuurei se sentiu reconfortada agradecendo a Alice e Irikami por estarem com ela.

Alice e Shuurei 10 anos atrás

Um mês após o ataque de Sabetha a Divinity’s Reach

Alice bateu na porta do grande casarão, levou algum tempo para que ela decidisse vir até aqui, mas agora que seu irmão estava fora de perigo Alice resolveu vir. A porta do casarão se abriu e Ashira sorriu para ela convidando-a para entrar. O casarão que servia de residência a Ashira e Shuurei era muito bem decorado com quadros e mobília antiga. Ashira conduziu Alice até a sala de estar aquecida por uma lareira e a convidou a se sentar, assim que Alice se acomodou Ashira perguntou:

  • Seu irmão está melhor?

  • Sim. Os médicos disseram que em algumas semanas ele poderá voltar para casa. Obrigada por perguntar.

  • É bom ouvir isso. Você deve se sentir solitária em sua casa, só você e sua mãe?

  • É estranho, ainda não nos acostumamos à ausência de meu pai e do meu irmão. Pelo menos agora seu que meu pai nos amava.

Ashira sorriu.

  • Os pais sempre amam seus filhos. Espere aqui, vou acordar a pela adormecida. Se deixar Shuurei dorme até o meio dia.

Alice esboçou um sorriso, era a primeira vez que ela visitava a casa de Shuurei. As duas tinham o habito de se verem em passeios pela cidade. Se não fosse a presença e apoio dessa menina Alice acreditava não poder suportar a perda do pai e a quase morte do irmão. Shuurei se tornara alguém importante na vida de Alice.

Shuurei apareceu no saguão desceu as escadas do andar de cima do casarão, ela vestia uma camisola curta que deixava as pernas à mostra, um longo bocejo saiu de sua boca enquanto ela caminhava, os longos cabelos loiros estavam bagunçados.

  • Bom dia. Shuurei falou sonolenta sentando ao lado de Alice e apoiando a cabeça em seu ombro.

  • É quase boa tarde mocinha. Brincou Alice.

  • Fui dormir tarde ontem lendo um livro.

  • Qual livro você estava lendo? Indagou Alice.

  • Shuurei adquiriu o gosto por leitura não convencional. Brincou Ashira.

Alice piscou os olhos confusa e perguntou.

  • Não convencional?

  • Ashira que não entende o amor, por isso está enrolando Alexian. Disse Shuurei emburrada.

  • Falou a menina de 10 anos. Brincou Ashira.

  • Ei. Tenho quase onze.

  • Ainda não estou entendendo.

Ashira foi até a estante pegando um livro e entregou a Alice que ao ler o título e ver a gravura corou.

  • Você a deixa ler isso?

-É só um romance! Protestou Shuurei.

A capa do livro mostrava duas mulheres abraçadas e o título. ” Amor sem fronteiras”, Volume 3.

  • Leia o nome da autora. Sugeriu Ashira.

Os olhos de Alice arregalaram ainda mais. Autora Marjory Delaqua.

  • Isso não pode ser verto. Disse Alice.

  • Para quem se ama não existe certo ou errado.

Dias Atuais

Terras devastadas de Orr

Ashira e Ihara lideravam o esquadrão procurando armadilhas ou novas emboscadas, Ihara avistou algo a frente e ergueu a mão o esquadrão parou aguardando instruções. Ele apontou a para a saída da passagem subterrânea, lá estava um grupo de 25 Risens ressurgidos parados bem na frente da saída, eles balançavam os corpos decompostos como se estivessem em um transe, estes eram diferentes dos anteriores, não eram antigos camponeses ou fazendeiros, eram guerreiros, arqueiros e magos, a abordagem teria de ser diferente da anterior.

  • Irikami, Japo, Khanum e Athriel vocês agora serão a vanguarda, avançarão pela frente assim que eu, Ihara e Mitho atacarmos os risens com magia e flechas imobiliantes, concentrem nos alvos com cajados e cetros, estes obviamente são usuários de magia, ou seja, os mais perigosos. Alice e Shuurei, vocês eliminam os arqueiros antes deles invocarem servos ressurgidos. Todos entenderam as ordens?

Todos acenaram com a cabeça em concordância para Ashira, ela concentrou uma chuva de meteoros incandescentes enquanto Ihara e Mitho disparavam uma saraivada de flechas visgo que ao tocarem o chão e os inimigos fazia brota cipós que se enrolavam nos pés dos risens como serpentes. A vanguarda avançou contra os mortos-vivos atacando os usuários de magia como foram instruídos, Khanum atingiu 8 risens com o enorme escudo norn preso ao ombro, ele parecia um dolyak desgovernado derrubando tudo que estava pela frente, Khanum golpeava com o martelo de combate a cabeça dos ressurgidos esmagando o crânio um a um, Irikami girava a espada de duas mãos como um tornado desmembrando braços e pernas dos risens que iam ao chão, Athriel bloqueava e perfurava com a espada, arremessando o escudo circular que ricocheteou no peito de 3 risens, em seguida Athriel sacou uma tocha com fogo sagrado, os corpos decompostos queimavam virando labaredas ambulantes que caminhavam desengonçadamente até caírem inertes no chão, Japo seguia mais atrás dando suporte aos três companheiros, ele bloqueava ataques pelas costas, aplicava goles de misericórdia em alvos atordoados e eliminava ressurgidos que tentavam se reagrupar para lançar magias. Alice e Shuurei correram pelas laterais do túnel saltando indo cair sobre os arqueiros como duas anjas da morte vindas para levar os ressurgidos de volta a morte que era seu lugar, neste momento a lateral de uma das paredes do túnel quebrou, uma abominação risen avançou sobre o esquadrão, a abominação era algo horrendo, tinha quase 3 metros de altura, pesando mais de 300 quilos de carne apodrecida e músculos e pele marrom, lembrava vagamente um ogro corpulento com chifres brotando das costas e uma grande boca no centro da cabeça adornada por orifícios que serviam de olhos. Alice e Shuurei se olharam saltando ambas na direção da abominação, cada uma amputando um braço da criatura que derramou seu sangue negro, Alice segurou na mão de Shuurei e a girou no ar, a mão livre de Shuurei que estava com a adaga desferiu inúmeros golpes na abominação, em seguida Alice a soltou, Shuurei girou no ar numa cambalhota caindo em cima da abominação, ela sacou a espada curta e a ficou no crânio da criatura, a lamina saiu pela boca, em seqüência Alice avançou com a espada assassina das almas e quando ela atacou, Shuurei saltou do ombro da abominação que foi partida ao meio, a duas garotas pararam em frente ao que restou da abominação, Alice sorriu para Shuurei segurando sua mão e as duas foram na direção dos outros que acompanharam a luta admirados com tamanha beleza e sanguinolência de ambas garotas.

Alice e Shuurei 6 anos atrás

Queensdale, condado de Beetletun

Mansão Caudecus

Shuurei e Luuh corriam pelo extenso corredor da luxuosa mansão, um falcão as acompanhava voando próximo. As duas membros dos Whispers já tinham eliminado 6 inimigos durante o percurso enquanto procuravam o resto do grupo. Alexian, Ashira e Alice que Luisa maldosamente apelidou de trio triplo A, foram obrigados a se separarem delas quando acessava o porão da mansão, agora as duas tentavam localizá-los. Esta era talvez a missão mais importante que todos já participaram. Tudo começou durante uma festa em comemoração a assinatura do acordo de paz entre humanos e charrs, a razão para a reunião era um encontro entre a rainha Jennah e o embaixador charr com representantes das outras raças presentes. Um assalto dos separatistas junto à traição da asura Uzolan utilizando um golem conseguiu seqüestrar a rainha e outros embaixadores. O capitão Logan dos seraph e Alexian da virgil eram os guarda-costas da rainha. Alice, Ashira e a asura Zojja eram convidadas da festa. Shuurei e Luuh tinham a missão de espionar o ministro Caudecus por ordem de Kiel Darkwater, havia suspeitas que o ministro estivesse envolvido em atividades criminosas com os separatistas e Shuurei e Luuh deviam aproveitar a festa para revistar documentos e cofres existentes na mansão. Nenhum dos presentes esperava um ataque dos separatistas durante a comemoração na residência de Caudecus.

  • Shun, eu vou usar os olhos de falcão para localizar os outros.

  • Certo Luuh. Estou preocupada com os outros.

-Com os outros ou com Alice? Disse Luuh com uma carinha maliciosa.

  • Com… Com todos! Shuurei disse corando.

  • Se você diz… Luuh sorriu logo em seguida se concentrando.

O falcão voou pela janela ganhando os céus, subiu até estar acima da grande mansão. Luuh e Shuurei pararam no corredor, enquanto Shuurei dava cobertura, Luuh de olhos fechados lançava sua consciência ao seu companheiro alada. Neste momento pássaro e humana eram um único ser permitindo a Luuh ver pelos olhos do falcão.

Luuh avistou o jardim lateral da mansão, tudo parecia calmo até que a parede lateral da mansão estourou, ela viu Alice sair correndo para o jardim sendo perseguida por 15 separatistas fortemente armados, mesmo a grande distancia Luuh percebeu que Alice sangrava, mais do que isso, vapor rubro emanava do corpo dela. Luuh cortou a conexão com o falcão e disse:

  • Encontrei Alice. Ela está lutando no jardim contra 15 inimigos.

  • Por Balthazar! Temos de ajudá-la! Shuurei disse ameaçando correr.

  • Tem mais uma coisa Shun…

  • O que?

  • Alice está ferida… E entrou em berserker.

Os olhos de Shuurei arregalaram, ela foi até a janela e saltou para fora mesmo estando no segundo andar, Luuh logo atrás dela. Em poucos minutos as duas infiltradoras chegaram ao local presenciando uma verdadeira carnificina. Alice estava em pé coberta de sangue, o corpo de 15 separatistas completamente mutilados por toda parte, o vapor rubro ainda emanava de Alice. Shuurei parou assustada com tal visão, Luuh passou por Shuurei indo em direção a Alice. Luuh tinha conhecimentos médicos e Alice necessitava urgente deles. Ao se aproximar Alice se virou bruscamente, a lamina da espada assassina das almas passou a centímetros da garota abrindo um rasgo no chão causado pelo deslocamento de ar. Luuh deu uma cambalhota se afastando de Alice, a guerreira ainda se encontrava em fúria assassina não conseguindo reconhecer Luuh como aliada. Alice atacou novamente, Luuh esquivava e recuava, não queria lutar, mas não via alternativa, em mais uma esquiva e recuo as costas de luuh bateu no muro a deixando encurralada, ela a adaga para se defender, mas a sensação que tinha era de ser um coelho pronto para ser abatido por um leão. Alice ergueu a espada pronta para atacar, os olhos dela antes azuis agora estavam tingidos de vermelho, Luuh preparou-se pro golpe. Mas ele não aconteceu, ela tentou entender porque Alice se deteve e viu Shuurei abraçada a ela. Shuurei dizia em seu ouvido.

  • Acabou Alice, Acabou.

Alice soltou a espada que caiu sonoramente no chão, o vapor rubro cessou e Alice retribuiu o abraço.

  • me perdoe shun, me perdoe.

  • Está tudo bem.

  • O que eu faria sem você Shun.

  • Não se preocupe Alice, sempre estarei aqui com você, da mesma forma que voc~e sempre estará comigo.

Dias Atuais

Terras devastadas de orr

Ninguém havia se ferido durante a batalha, o esquadrão descansou alguns segundos e continuou avançando, ao saírem do túnel eles estavam em Malchr’s Leap, à parte noroeste das ruínas de Orr. A região possuía esse nome devido à história de Malchor, um escultor que se suicidou de um penhasco depois que a Deusa Dwayna partiu de Arah. Fora do túnel o perigo aumentava consideradamente. O esquadrão seguiu pelas sombras, usando as ruínas e destroços para evitar serem detectados e após 1 hora o pior de seus temores aconteceu.

Começou com o som de um bater de asas, seguidos de uma lufada de vento que quase os jogou para trás, um urro assustador fez tremer o chão. Não era a primeira vez que cada um deles enfrentava tal criatura. Porem todos sempre estavam em unidades formadas por vários esquadrões, por volta de 60 a 100 soldados com canhões e baterias antiaéreas. Hoje infelizmente seriam apenas nove pessoas contra o terror alado conhecido com Tequalt.

A criatura era um ser horrendo, seu nome significa “o um na escuridão” na língua hylek ( povo sapo), o ser era um imenso dragão morto-vivo campeão do de Zhaitan, não importava quantos o pacto já haviam exterminado durante a guerra contra o Elder Dragon, outros Tequalts surgiam das profundezas do abismo no mar de Orr. O Tequalt pousou a menos de 20 metros do esquadrão, o corpo apodrecido exalava um fedor nauseante.

  • Por Kormir. É um tequalt! Apenas nós não vamos conseguir lutar contra um! Gritou japo.

  • Ashira temos de recuar! Voltar para o túnel. Irikami gritou ainda mais alto em meio aos urros da criatura.

  • Não! Se corrermos será nosso fim! Seremos alvos fáceis. Disse Ashira.

  • Se lutarmos ai sim morreremos! Rebateu Athriel.

  • Ashira é loucura! Não temos como lutar com essa coisa! Temos de fugir. Disse Irikami.

O que fazer? O que eu devo fazer? Todos confiam em minha liderança? Pensava Ashira.

  • Ashira afaste todos até ficarem atrás daquelas rochas e aconteça o que acontecer não tente me seguir. Alice ordenou encarando a líder.

  • O que você pretende fazer Alice? Perguntou Ashira já sabendo a resposta.

  • Alice? Disse Shuurei olhando espantada para ela.

Alice se virou para Shuurei segurando sua mão e delicadamente a puxou para perto dela lhe dando um beijo em seus lábios, em seguida Alice ergueu a cabeça olhando o irmão atônico e empurrou Shuurei para Irikami que a segurou pelos ombros por puro reflexo.

  • Iri… Meu irmão querido. Você cuida dela por mim a partir de agora. Disse Alice sorrindo.

  • Mana? O que vai fazer Alice? Irikami foi dizendo aumentando a voz.

  • Ashira leve todos… AGORA! Alice Gritou.

  • Vamos! Gritou Ashira correndo para as rochas com os outros logo atrás a seguindo. Irikami arrastava Shuurei que continuava a olhar Alice sem reação.

Alice sacou a grande espada de família, a assassina de almas, vapor rubro começou a emanar dos poros de seu corpo. Mas Alice não parecia em fúria, ela sorria. Sorria para Shuurei, Alice queimava a própria vida para ativar o poder berseker. Então ela olhou para o Tequalt e começou a correr em sua direção que urrava a desafiando, os longos cabelos loiros pegaram fogo, a pele se desfazia lentamente enquanto fagulhas ateavam chamas em suas vestes, a cada passo dado, a lamina da espada se tornou rubra, Alice saltou brilhando como uma estrela incandescente, um salto de quase 6 metros de altura, a ponta da espada pronta para empalar o oponente, o Tequalt abriu a boca para devorá-la, Alice olhou para trás uma última vez sorrindo e disse algo para Shuurei, mas a distancia e o som do urro do Tequalt tornava impossível ouvir as palavras que ela dizia. Mas Shuurei entendeu, leu nos lábios dela, Alice dizia:

  • Eu te amo, estarei sempre com você.

O Tequalt engoliu Alice com uma única mordida, Shuurei gritou horrorizada se debatendo desesperada querendo salvá-la, irikami a segurava junto com Ashira, ele dizia a ela chorando:

  • Ela se foi! Alice se foi!

  • NÃOOOO! Gritou Shuurei se desfazendo em lágrimas.

O Tequalt ameaçou avançar na direção dele pronto para atacar, foi quando algo estranho aconteceu com ele, o corpo do Tequalt tremeu por inteiro, logo em seguida se debatendo em convulsões, erupções de fogo começaram a surgir por toda parte criando crateras fumegantes. O Tequalt era queimado de dentro para fora, incinerado, consumido até restar apenas uma carcaça calcificada e mal cheirosa. Desta maneira a primeira guerreira tombou na missão, a primeira de muitos, não haveria tempo para a tristeza ou para o luto, porque a batalha apenas começava exigindo seu alto preço, outros ainda tombariam e isto era apenas o prelúdio para o inicio de uma guerra.

ALICE LACY 1305 a 1330 EA dos Deuses.

Irmã amada. Morreu como viveu, como uma verdadeira guerreira.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 20-Apenas bons amigos

Ihara 18 anos atrás

Existem três definições ao povo de Cantha. Eles são um povo honrado, um povo sábio e um povo curioso. Pelo menos uma destas definições se aplica a um de seus habitantes. Aqueles que são definidos como curiosos se tornam viajantes e exploradores. Os zephyrites nasceram desses indivíduos que em suas jornadas acabaram fundando novas comunidades. Ihara é um descendente direto dos Cantha, possuindo as três definições. Seus pais ambos zephyrites viajaram muitos quilômetros a bordo do Alvorecer, um dirigível criado a partir da concepção das pipas de Cantha. A maior parte da infância de Ihara foi nos céus cruzando oceanos, florestas e montanhas, cada parada era uma nova descoberta e uma nova aventura.Os zephyrites eram comerciantes de especiarias, trocavam seus produtos exóticos por matéria prima e produtos perecíveis para serem usados na fabricação de outros produtos. Ihara foi ensinado por seus pais e tripulação junto com as outras crianças demonstrando cedo alta inteligência e raciocínio lógico, tinha grande facilidade em aprender línguas estrangeiras e símbolos, embora fosse tímido e reservado ele sempre estava atento ao que acontecia ao seu redor, os cabelos pretos e olhos puxados marca dos Canthoneses estava presente nele, por viajar pelos céus a pele era morena queimada pelo sol.

Em uma das inúmeras paradas feitas pelos zephyrites eles chegaram a uma gigantesca floresta que cobria quase toda a região chamada Maguma, neste local eles conheceram os Tengu, uma raça semelhante a homens pássaros que a princípio pareciam amistosos, foram feitos vários negócios com a raça, os Tengu ficaram fascinados pela cultura zephyrite o que os levou a fazer um convite para que um dos zephyrites permanecesse com eles, nômades como eram, os zephyrites agradeceram o convite, porem nenhum deles aceitou a oferta. A recusa foi mal interpretada pelos Tengu, considerado como um insulto a eles, causando uma luta, em desvantagem os zephyrites partiram no Alvorecer em meio a disparo de flechas e fogo mágico, mal conseguindo fugir deles, o dirigível havia sido parcialmente danificada e seu timão travado em uma única direção, existiram algumas baixas entre os zephyrites, poucas, mas existiram. Os zephyrites prometeram nunca mais retornar as terras dos Tengu, porem um dos integrantes da tripulação dado como morto não havia realmente morrido e sim havia sido capturado pelos Tengu para instruí-los na cultura que tanto os fascinava, o tornando um escravo conselheiro, o nome desta tripulante era Ihara de 8 anos.

Dias atuais

Região de Malchor’s Leap

Ihara se aproximou de Ashira, ela estava ao lado de Irikami com Shuurei apoiada em seu peito, a garota parecia ter entrado em um estado de catatonia, fazia 10 anos que isso não acontecia com Shuurei, Ashira estava muito preocupada com ela, mesmo assim Ihara colocou a mão no ombro de Ashira e disse:

  • Temos de seguir em frente, outros Tequalts podem aparecer.

Ashira acenou com a cabeça para Ihara concordando, para ele falar no idioma de Kryta era porque Ihara considerava importante que todos ouvissem o que ele dizia.

  • Vamos continuar. Irikami você pode carregar Shuurei no colo? Perguntou Ashira se levantando, ele não respondeu, ainda estava muito abalado com a morte da irmã.

  • Eu posso carregá-la se você quiser Ashira. Ofereceu-se Khanum, ele se aproximou de Shuurei e esticou a mão para segurá-la, Irikami agarrou o braço de Khanum com força excessiva e disse sério:

  • Não! Eu mesmo a carrego.

Irikami a pegou no colo e o esquadrão seguiu caminho.

Japo acelerou o passo seguindo ao lado de Ihara, em seguida disse em voz baixa para que apenas ele escutasse.

  • Nada incomoda você Ihara? Nem o sofrimento da perda de Irikami e Shuurei?

  • Agora não é o momento de sofrer pelos que perdemos Japo, tudo tem seu lugar e hora. Ihara respondeu ao rapaz mais novo.

  • Falaria isso se fosse Ashira a morrer? Perguntou Japo um pouco mais alto do que pretendia. Ihara se virou rápido, a mão sobre o cabo da espada pronto para sacá-la.

  • PARE IHARA! Mandou Ashira colocando a mão sobre a de Ihara que segurava o cabo da espada.

  • Ele a desrespeitou senhorita Ashira e colocou minha honra em dúvida.

  • Estamos todos tensos e tristes. Japo não é o momento para provocações desnecessárias. Ashira o advertiu.

  • Me desculpe Ashira, não tive a intenção de ofendê-la.

Ashira 6 anos atrás

Três longos anos já haviam se passado desde a entrada de Ashira na Durmand Priory, seus instrutores e professores elogiavam a sagacidade, inteligência e curiosidade de sua aluna. Ashira participou de inúmeras expedições de recuperação de relíquias antigas organizadas pela Priory, por seu destaque em campo uma aluna veterana foi escolhida para orientá-la nas missões mais perigosas e importantes, desta maneira Ashira se tornou amiga da magister Sieran, uma sylvari elementarista especialista em magias de água. Este forte vínculo de amizade entre as duas fez com que Ashira evoluísse ainda mais rápido, Sieran uma vez disse a Ashira:

  • “Na minha curta vida, você me ensinou a lição mais importante. Amigos vão passar por qualquer coisa pelo outro”.

Em uma de suas primeiras missões juntas elas foram enviadas a Maguma para descobrir a verdade sobre rumores que a raça Tengu possuía algum tipo de objeto da nação Cantha que permitiu a raça prosperasse e se desenvolvesse em poucos anos do nível tribal para um império auto-suficiente organizado. As duas garotas viajaram até a grande floresta de Maguma se apresentando aos Tengu que as receberam com curiosidade e desconfiança, chegarem lá esperando encontrar um item valioso ou místico qual foi à surpresa das duas ao encontrarem algo totalmente diferente. Ashira e Siena foram apresentadas a um rapaz com traços canthanês, um hospede involuntário que servia de conselheiro, professor e interprete aos Tengu. O nome do rapaz era Ihara, um zephyrite que vivia com os Tengu por 12 anos, Ihara explicou sobre a visita dos zephyrites a tribo, e sobre seu aprisionamento, ele tinha 8 anos quando aconteceu. Siena chorou ao ouvir a história do rapaz, comovida ela insistiu com Ashira que elas deviam encontrar uma maneira de libertá-lo. Foi necessário muito empenho e inteligência de ambas, mas elas conseguiram libertar Ihara que ficou em débito de honra com as duas garotas, um débito que ele considerava incapaz de pagar algum dia e mesmo que esta dívida fosse paga no futuro, Ihara prometeu a si nunca abandonar suas salvadoras, ele ingressou na Durmand Priory, participou da luta contra Zhaitan, viu junto a Ashira o sacrifício de Siena na batalha de Claw Island que declarou seu amor a ele antes de morrer e que Siena o proibiu de impedi-la fazendo-o juram ficar com Ashira e cuidar dela em sua ausência, Ihara ingressou na Holy Avenger seguindo Ashira, não importava qual circunstâncias ocorressem ou decisões que fossem tomadas, Ihara jurou seguir Ashira porque é assim que o povo zephyrite honra aqueles que admiram e amam, mesmo que seu destino seja ficar ao lado desta pessoa apenas como um leal amigo, eles é Ihara o zephyrite.

Ashira 5 anos atrás

Terras devastadas de Orr

Alguns dias após a batalha de forte Trinity

  • Minha criança não acha que é hora de parar um pouco e descansar? Disse mãe Zanza.

A velha norn conselheira de guerra do Pacto acabava de entrar na tenda de Ashira que estava sentada em frente de uma mesa cheia de livros, pergaminhos e papeis, uma vela derretida pela metade iluminava o lugar, já passava das 2 horas da manhã, o acampamento do Pacto estava silencioso, embora todos soubessem que a qualquer momento uma horda de risens ressurgidos poderia atacar. Estar na região de Orr, no coração dos domínios de Zhaitan era sempre estar em alerta.

  • Preciso terminar de pesquisar sobre os templos dos 6 Deuses, se tentarmos invadir Arah com as estátuas ativas seremos massacrados. Respondeu Ashira sem tirar os olhos dos papeis, sua expressão era cansada, grandes olheiras demonstrava que ela não dormia muito a um bom tempo.

  • Vocês jovens estão sempre com pressa, algumas vezes a resposta aparece quando você menos espera.

  • Infelizmente mãe Zanza não posso me dar ao luxo de descansar e esperar esta resposta surgir do nada. Tenho vidas dependendo de mim.

  • Tolice criança, pessoas morrem e nascem o tempo todo. Se não pararmos alguns segundos para apreciar a vida partimos sem desfrutar dela.

  • Existe algo por trás desta conversa toda Zanza? Disse Ashira fechando o livro e encarando a velha mestra com seriedade.

  • Não, não, minha querida. Só que alguém bonita e jovem como você que pode morrer em batalha a qualquer momento devia, não sei… Estar na companhia de um jovem e belo rapaz.

  • Zanza…

  • Tá, ta, vou direto ao ponto. Você está aqui há horas traçando estratégias e fazendo pesquisa e Alexian está no campo de batalha, entrando e saindo de incursões com seu pelotão. Vocês dois não pensaram que um de vocês ou mesmo os dois podem acabar mortos sem ao menos terem… Como direi… Deixado descendentes?

  • ZANZA!? NEM SOMOS CASADOS! Ashira falou quase gritando, depois baixou a voz se lembrando ser de madrugada e poderia acordar alguém.

  • Bobagem, não seja antiquada querida e se esse for o caso eu faço o casamento dos dois. Você sabia que já realizei mais de 2000 casamentos em Hoelbrak, as festas de casamento norn são as melhores que existem, muita bebida, comida, competições de força…

  • Eu não acredito que você está tentando me casar em território inimigo em plena guerra contra Zhaitan! Murmurou Ashira com as mãos apoiando o rosto.

  • Bom… Caso você esteja em dúvida a respeito do que sente por Alexian tem aquele outro rapaz de olhos puxados que não desgruda de você.

Ashira ergueu a cabeça espantada e disse:

  • Você bebeu zanza? Ihara é apenas um bom e leal amigo.

  • Isso é o que você diz, mas é o que ele pensa?

  • Não quero falar sobre isso.

  • Bem minha querida, você deveria pensar. O pacto irá atacar Arah em uma semana e não sabemos quantos e quais de nós iremos morrer nesta batalha final. Não morra sem conhecer o que a de melhor na vida.

Zanza saiu da tenda deixando Ashira com um milhão de pensamentos na cabeça, ao sair à velha norn viu Ihara sentado em uma caixa de suprimentos no acampamento, ele observava Zanza sair da tenda da mesma forma que fez quando ela entrou. Zanza caminhou até Ihara, parou ao lado do zephyrite e disse gentilmente.

  • Sei que você entende minha língua meu filho, não precisa responder o que vou falar se não quiser. Ashira está física e mentalmente esgotada por causa da guerra contra Zhaitan, sei que você é fiel a ela e ao juramento que fez a Siena, também sei o que sente, e sei o que seu povo acha sobre isso… Mas temos um ditado nesta região, quando tem Kryta aja como um krytense, você não terá outra oportunidade.

Ihara levantou a cabeça para olhar Zanza, os olhos puxados e cabelos pretos lisos o faziam parecer mais jovem do que era, Ihara sorriu levemente para Zanza e falou com um sotaque carregado:

  • “No momento que esquecemos nossas raízes de origens e ignoramos nossas crenças e costumes, perdemos nossas verdadeiras identidades”.

  • Sábias palavras meu filho. Eu irei orar para que algum dia você encontre a pessoa certa.

Zanza se afastou caminhando sozinha pelo acampamento militar do Pacto, algo branco chamou sua atenção, uma coruja branca piava para ela no topo de um galho de arvore enegrecida e morta.

  • Sim… Eu sei… Meu tempo está acabando.

Dias atuais

Região de Malchor’s Leap

O clima tenso permaneceu, o esquadrão de Ashira estava abalado, desmoronando psicologicamente. Após algumas horas de caminhada eles entraram na região de Cursed Shore, a costa amaldiçoada é a costa ocidental das ruínas de Orr. Ele contém os templos orianos de Grenth e Melandru, bem como a entrada para a cidadela arruinada de Arah. Os portões negros que levavam para dentro das ruínas de Arah estavam à frente do esquadrão, esta era uma das inúmeras entradas para a cidadela destruída que agora não passava de um grande mausoléu. Arah uma vez foi chamada de cidade dos Deuses, era o lar dos seis Deuses humanos e marcavam aonde eles chegaram pela primeira vez a Tyria pela Mists.

  • A partir deste ponto as coisas ficarão piores. Disse Ashira ao esquadrão com a expressão cansada.

  • Como poderia piorar? Indagou Athriel tentando aliviar a tensão de todos.

Ao dizer estas palavras sons de gemidos e passos ecoaram no lugar.

  • Você tinha de abrir a boca enorme Athriel? Censurou Mitho.

Ambos eram grandes amigos, já haviam sobrevivido a muitas lutas e desafios no passado. Mas desta vez Athriel imaginou que havia chegado à hora de se encontrar com seu falecido pai Roan.

Athriel e Mitho 6 anos atrás

Gendarram Fields

Mitho colocou a mão no ombro do amigo lhe dando apoio e força, Athriel estava segurando um buque de flores brancas. Todo o ano nesta mesma data Athriel visitava o túmulo do pai, cada ano que se passava a dor da perda diminuía consideravelmente, mas Athriel sabia que esta dor nunca acabaria de fato, que aquele sentimento de vazio perduraria para sempre.

Athriel colocou as flores na sepultura e se afastou enxugando as lágrimas.

  • Está se sentindo bem? Perguntou Mitho ao amigo.

  • Sim, sempre é difícil vir aqui. Não cheguei a conhecer minha mãe e meu pai era tudo para mim.

  • Não se preocupe, seu pai está em um lugar melhor.

  • Sabe Mitho o que mais me entristece? Athriel disse olhando o amigo.

  • O que?

  • Não ter podido me despedir dele, de dizer que sobrevivi aos centauros e que estou bem.

Mitho aguardou pensativo, decidindo se devia contar, retribuiu o olhar do amigo e viu a tristeza em seus olhos.

  • Athriel…

  • Sim?

  • E se eu dissesse que existe uma maneira de você se despedir de seu pai?

  • Eu seria um homem muito feliz.

Mitho sorriu para ele e lhe contou…

Dias atuais

A visão de dezenas de mortos-vivos avançando era assustadora, os corpos decompostos avançavam incansavelmente na direção do esquadrão, os ressurgidos de Zhaitan seguiam pelo vale fechando todas as saídas, deixando apenas os portões de Arah como escolha, 200 metros separava o esquadrão dos risens. Ashira analisava a situação desesperadora, se todos corressem para dentro de Arah seriam perseguidos e subjugados rapidamente, ela tentava traçar um plano de ação, mas estava ficando sem tempo. Foi quando Athriel e Mitho deram um passo à frente.

  • Ashira siga pelo portão, eu e Mitho iremos segurar esses cadáveres ambulantes tempo suficientes para q vocês possam escapar. Athriel disse piscando para a líder.

  • É suicídio Athriel. Alegou Ashira.

  • É preciso Ashira. Se todos nós ficarmos morreremos, se todos forem morreremos. Acho que esta é a decisão mais sábia a se tomar. Mitho disse concordando com o amigo.

  • Não posso fazer isso com vocês. Ashira tentava persuadi-los, não sabia se conseguiria carregar mais este fardo.

  • Não é decisão sua minha líder, da mesma forma que não foi sua quando Alice tomou a dela. Mitho disse gentilmente sorrindo.

  • Athriel, Mitho… Como eu e os outros podemos abandoná-los… Ashira disse, Ihara colocou a mão no ombro dela e acentiu para os dois companheiros.

Irikami, Japo e Khanum entendiam o valor do que eles fariam, imaginavam se teriam a mesma coragem que eles, Kim e Alice tiveram.

  • Você sabe que é preciso Ashira, eu só lhe peço um favor. Que depois você recupere meu corpo e o enterre ao lado do túmulo de meu pai em Gendarran Fields. Athriel disse sério.

  • Athriel eu…

  • ME PROMETA ASHIRA! Ordenou Athriel.

  • Eu prometo! Ela disse segurando as lagrimas que queimavam os olhos e Ashira lutava para que elas não escapassem.

  • Agora vão! Vocês estão me deixando nervoso com essas caras de pena. Disse Athriel.

  • Adeus meus amigos. Foi uma honra lutar com vocês. Mitho disse os saudando.

Eles seguiram para dentro da cidadela de Arah dizendo palavras de confiança e incentivo para Athriel e Mitho. Quando só os dois restaram Mitho olhou o amigo e disse com um sorriso.

  • somos somente nós dois novamente.

Athriel e Mitho 6 anos atrás

Gendarran Fields- Alojamento da guarda

  • Você tem que me contar com fez aquilo! Athriel perguntava com um misto de espanto e alegria.

  • Não sei explicar como. Só sei que isso começou quando minha família se mudou para Gendarran Fields. A principio por ser ainda criança pensei ser minha imaginação, quando meus pais descobriram me fizeram jurar segredo. Diziam-me que as pessoas teriam medo se descobrissem. Eu não tinha amigos, por isso foi fácil esconder. Mitho falou sem jeito.

Athriel imaginou Mitho criança, sozinho com seus pais vivendo em um crematório sendo discriminado pelas outras crianças, muito diferente dele que mesmo vivendo em uma cidade fortaleza cercado por centauros sempre tinha amigos para brincar. Athriel esticou a mão e mitho retribuiu o jesto, ambos apertaram as mãos em um cumprimento.

  • Agora você tem amigos. Eu sou seu amigo. Lembra do juramento da guarda?

  • Sim. “Para onde quer que tu fores, irei eu, para onde lutar lutarei, onde triunfar ou perder estarei lá, onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultado, nós estaremos juntos, porque somos irmão de armas, somos amigos de luta, somos um”.

Dias atuais

Portões de Arah

Mitho e Athriel aguardavam em posição de combate, a gigantesca horda de mortos-vivos corria na direção de ambos, os ressurgidos avançavam gritando “juntem-se a nós”, dezenas de cadáveres putrefatos antigos habitantes do império de Arah, mortos há séculos, ressurgidos com o despertar de Zhaitan. Mitho ergueu o arco atirando seqüencialmente meia dúzia de flechas que atingiram a cabeça dos primeiros risens que chegavam a menos de 20 metros dos dois sua linha de segurança determinada por ele, o crânio dos mortos-vivos explodiam a cada impacto das flechas, um grupo de 6 risens chegaram a menos de 6 metros deles, neste momento Athriel avançou com espada e escudo, a investida derrubou 4 risens no chão, Athriel girou a lamina cortando os braços dos ressurgidos que ainda estavam de pé, os membros decepados se mexiam ainda tentando agarrar os pés do guerreiro. Mitho mudou de estratégia quando mais de 20 risens cruzando a linha limite. O ranger começou a arremessar armadilhas

Compactas em forma de esferas que prendiam os risens em cordas e algemas, Athriel aproveitou a oportunidade para trocar o escudo por um machado e em uma seqüência de giros e golpes foi decapitando os mortos-vivos presos, um dos risens mesmo amarrados pela armadilha conseguiu atingir Athriel no abdômen com a espada enferrujada, Athriel se curvou com o golpe para em seguida partir o morto-vivo ao meio, Mitho se aproximou do amigo ferido que cambaleava para apoiá-lo, Athriel o olhou e com um sorriso disse a Mitho:

  • Sabe Mitho, seria bom você usar aquele truque agora.

  • Athriel você está ciente que se eu usar isso nós vamos morrer.

Athriel olhou a horda de dezenas de mortos-vivos ressurgidos avançando na direção dos dois, Athriel sorriu para o amigo e disse:

  • Acho que já estamos mortos, velho amigo.

  • Você está certo. Mitho deu um passo à frente e gritou:

-Tropa apresentar armas!

Formas translúcidas se materializaram, dezenas de fantasmas se materializaram atrás dos dois, eram espíritos de soldados de Gendarran Fields mortos pelos centauros nas longas batalhas que ocorriam em Hryta.

Athriel cambaleou novamente, a mão direita cobrindo o ferimento, a visão de Athriel nublou, os cabelos pretos e olhos castanhos pareciam desbotar, Mitho se voltou ao amigo o segurando pelas mãos e o puxou para si o abraçando, as roupas ficaram tingidas de vermelho.

  • Athriel eu só queria te dizer…

  • Não precisa… Eu sempre soube…

Mitho chorou rezando, se Arah um dia foi considerada a morada dos Deuses ele orou pedindo a ajuda de qualquer Deus que ali existisse, a qualquer um que o atendesse e durante a oração ambos foram engolidos pelos risens. Mitho gritou:

  • TROPA… ATACAR!

Risens e fantasmas lutaram a missão dos fantasmas de Gendarran Fields, defender os portões de arah.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 21-O Deus esquecido parte 1

Terras devastadas de Orr 5 anos atrás

Acampamento do Pacto

Ashira examinava o mapa e as anotações pela 5° vez consecutiva, ela queria ter certeza que não se enganara sobre tal informação. Alexian se encontrava a dois passos atrás dela, a observando, a admirando. Ele contemplava os vastos cabelos pretos encaracolados que desciam abaixo dos ombros, Alexian queria tocá-los, queria pegar Ashira delicadamente pela mão e puxá-la para seus braços e beijá-la. Mas a situação atual dos dois era delicada, Alexian era líder comandante da tropa principal de assalto a Orr, braço direto do Marshal Trahearne. Ashira era a pesquisadora chefe da região e cultura de Orr, ela era o intelecto, conhecimento e raciocínio lógico do Marshal. O poder de comando do Pacto era dividido por ambos na ausência de Trahearne, adicione a isso um zephyrite que servia de guarda-costas e parceiro da priory a ela tornava cada vez mais difícil Alexian se expressar quando perto de ashira.

  • Você está me escutando comandante? Ashira falou irritada o encarando.

  • Desculpe. Meus pensamentos estavam distantes. Alexian respondeu encabulado.

O olhar severo de Ashira suavizou e ela sorriu. Ashira gostava de Alexian, sabia como ele se sentia por ela, sabia o quanto ele a amava. Depois de passar 5 anos após a ataque a Divinity’s Reach os dois tentaram uma aproximação, infelizmente obrigações com a Vigil e priory obrigou os dois a se afastarem, o que ambos pareciam temer era se entregar ao sentimento que nutriam um pelo outro com medo que um dos dois, ou ambos viessem a falecer em combate e que só restasse o vazio e a solidão.

Ashira afastou tais pensamentos, ela tinha um trabalho a fazer, sua vida pessoal teria de esperar o fim da guerra contra Zhaitan.

  • Estou intrigada com este templo afundado que localizamos no mar próximo a costa dos lamentos. Ashira falou concentrando sua atenção na tarefa que viria a seguir.

  • O que tem de estranho? O que difere este templo dos tantos outros existentes em Orr? Indagou Alexian.

  • Este templo parece não pertencer a nenhum dos 6 Deuses humanos.

  • Um templo em homenagem a um Deus desconhecido? Talvez uma divindade menos? Especulou Alexian.

  • É o que parece. Ashira concordou excitada com a idéia, nada a agradava mais do que descobertas.

  • Ashira eu compreendo seu interesse num templo antigo e desconhecido, mas não vejo o que isso poderia ser útil nesta guerra. Alexian falou com toda delicadeza, Alexian conhecia bem ela e seu temperamento quando desagradada.

  • Comandante talvez a vigil não considere um templo em ruínas como algo importante, mas nós da priory sabemos a importância e o poder escondido nestes locais… Principalmente quando este templo é muito maior do que de qualquer dos 6 Deuses humanos. Disse Ashira maldosamente.

Alexian levou alguns segundos para assimilar a informação recebida. Um templo muito maior do que de quaisquer Deuses existente e no continente conhecido por ser a morada dos Deuses e ter possuído a civilização humana mais prospera e poderosa que já existiu.

  • Ashira você tem certeza disso? Que tipo de Deus poderia existir que merecesse um templo desta proporção e magnitude?

  • Só poderei responder esta pergunta quando nós formos lá.

  • Certo. Você me convenceu, forme o grupo de exploração e partiremos assim que estivermos prontos.

Ashira se levantou dando um beijo no rosto de Alexian que a olhou assustado.

  • Porque disso? Ele perguntou com o rosto corado.

  • Para dar sorte. Dá última vez nos deu… Em Divinity’s Reach. Ashira respondeu se lembrando do passado.

  • Ashira, eu… Alexian começou a falar sendo cortado por ela em seqüência.

  • Falamos sobre isso depois que Zhaitan for derrotado.

  • E se não tivermos tempo após isso?

  • Então você não acha melhor permanecer como esta? Argumentou ela.

-Certo. Respondeu Alexian sério saindo da tendo.

Ashira baixou a cabeça suprimindo uma lágrima de tristeza, foi quando ela ouviu alguém falar com ela da entrada da tenda.

  • Até quando vocês dois vão ficar desta maneira minha criança?

  • Já falamos sobre isso zanza. Ashira falou enxugando os olhos.

  • Sim minha querida já falou. Mas até quando vai continuar reprimindo o que sente? Zanza entrou na tendo se acomodando em uma cadeira.

  • Até esta guerra terminar.

  • Minha querida, a guerra nunca terá fim. Sempre haverá outra batalha a lutar, outra guerra a vencer, outro inimigo a ser desafiado. Vocês dois devem…

Os olhos de Zanza fora casualmente ao mapa sobre a mesa onde estava a marcação do templo afundado, os olhos da velha norn se arregalaram e ela apanhou os papais da mesa examinando as inscrições não acreditando no que via.

  • Onde conseguiu isto. Zanza perguntou tensa.

  • Numa das incursões em Orr, eu acredito que eles templo possa nos ajudar a…

  • Eu a proíbo de ir a este templo! Está me ouvindo criança. A proíbo! Zanza falou energicamente com a expressão séria.

-O que??? Como assim Zanza? Você não pode me proibir. Você sabe que templo é este? Quê Deus era louvado lá? Ashira falava apressadamente despejando inúmeras perguntas.

  • Ashira esqueça este lugar, estou avisando. Esqueça que ele existe. Você só irá encontrar sofrimento e caos.

  • Então me diga que templo é este! Ela exigiu.

  • Não posso minha criança. Fiz um juramento há muitos anos atrás. Todos que sabem ou sabiam sobre este lugar deveriam ter apagado os vestígios de sua existência. Pelo que me parece alguém não o fez e agora corremos o risco de pagar por este ato insensato. Zanza disse desgostosa, depois acrescentou:

  • ESTE LUGAR PODE ANIQUILAR TUDO QUE FOI CONSTRUIDO AO LONGO DOS ANOS. Zanza falou elevando a voz.

-ZANZA! Ashira gritou.

-ESQUEÇA ESTE LUGAR ASHIRA É UMA ORDEM!

  • ZANZA VOCÊ NÃO PERTENCE À PRIORY, NEM FAZ PARTE DO PACTO. É APENAS UMA CONSELHEIRA DE GUERRA. NÃO IREI OBEDECE-LA. Ashira falou aos berros.

Zanza a encarou, um olhar triste se formou em seu rosto.

  • Este era um dos motivos de nunca ter aceitado ingressar na priory, a sede por conhecimento… Minha querida se não posso fazê-la mudar de idéia, então você não é mais minha discípula.

Zanza falou se retirando da tenda deixando Ashira perplexa.

Algumas horas depois

Terras Devastadas de Orr - Forte Trinity

  • …E foi isso o que ela falou? Indagou Alexian tentando consolar Ashira.

  • Foram as palavras exatas dela. Confirmou Ashira com a expressão triste.

  • Então, você não prefere aguardar um pouco a ida ao templo até tentar falar com Zanza novamente?

  • Não! Não podemos nos dar ao luxo de esperar. Zanza deveria ao menos nos explicar o motivo de não podermos ir até lá. Isso é omissão de informações vitais em tempos de guerra.

  • Vocês dois precisam perdoar Zanza, ela deve ter os motivos dela para não querer uma exploração a este templo. Disse o Marshal Trahearne de braços cruzados, ele era o primeiro dos Doze Primogênitos Sylvari a existirem, o corpo humanóide de planta era verde o cabelo feito de folhas verdes claras com tonalidade amarelada a Iris dos olhos era amarela, líder incondicional do Pacto, ele passou seu tempo viajando sozinho por Orr, e por muito tempo Trahearne e Caithe foram as duas únicas criaturas a ter visto Zhaitan e vivido para contar a história, devido ao seu conhecimento sobre Orr e os risens, ele é muito admirado e considerado pelo povo de todas as raças.

Alexian, Ashira e Trahearne estavam em forte Trinity considerado a ponte de lança ao assalto a Orr. O restante do grupo se preparava para partir, o marshal concordou com a missão mesmo ciente do aviso de Zanza. Trahearne acreditava com a intuição de Ashira, se algo neste templo pudesse ajudar no confronto contra Zhaitan eles tinham a obrigação de verificar.

  • Vocês partirão em 10 minutos, o submarino da iron legion os levará a entrada do templo. Uma velha amiga minha concordou de guiá-los pelas profundezas do mar das dores.

  • Um guia no mar das dores de Orr? Quem teria este conhecimento? Perguntou Ashira.

Uma sombra surgiu perto de uma das passagens laterais, a habilidade lembrava o translocar dos membros da whispers.

  • Deixe-me apresentar. Esta é Sayeh al’ Rajihd. Ela é um largos, uma raça muito antiga que vive nas profundezas do oceano, são aliados dos quaggans e inimigos vorazes dos kraits e dos risens ressurgidos.

O ser diante deles possuía uma forma humanóide feminino com seios, era bela e formosa, a pele azulada parecia ser lisa e oleosa como a de um golfinho, das costas brotavam algo que na falta de uma definição melhor podiam ser chamadas de asas, mas que na verdade eram nadadeiras similares as das arraias, uma mascara escondia as feições deixando a mostra apenas as orelhas alongadas e os vastos cabelos escuros, a voz dela era grave como se passasse por tubos.

  • É um prazer conhecer vocês dois o comandante e a pesquisadora do Pacto, Trahearne fala muito bem de ambos.

Ashira ficou maravilhada com o ser, desejava fazer inúmeras perguntas a respeito de sua raça, sociedade e vida. Ela respirou fundo se concentrando e esticou a mão para cumprimentá-la. Sayeh retribuiu o gesto apertando a mão de Ashira, o toque foi macio, morno e oleoso, logo em seguida Alexian repetiu o gesto.

  • Marshal Trahearne me informou que desejam visitar o templo das profundezas dos Forgottens. Posso guiá-los, mas será perigoso, os mortos-vivos risens acessaram a entrada, acredito que todo o templo esteja infestado.

  • Forgottens? A raça desaparecida a mais de 250 anos?

  • Sim. Os Forgottens eram devotos dos 6 Deuses humanos e diziam estarem ligados as facetas que refletem o poder dos Deuses humanos.

  • O que isto quer dizer exatamente? Perguntou Alexian.

  • Que eles sabiam a verdadeira origem dos Deuses humanos… Ashira disse sem soltar o ar do peito.

  • Não se esqueçam que tudo isso são lendas. Thahearne disse.

  • Toda lenda tem um fundo de verdade. Sayer você sabe em homenagem a quem o templo foi erguido?

  • Nós os largos nos referimos a “ELE” como o esquecido ou o senhor dos segredos profundos, mas existem registros deixados pelos meus ancestrais na época que Arah ainda era uma cidadela humana, mesmo naquela época o nome passou a ser sussurrado por seus seguidores margonitas.

  • Quê nome? Ashira perguntou ansiosa.

  • Abaddon, senhor dos segredos.

8: 45 am, porto do forte Trinity

  • Você tem certeza que isso é seguro? Indagou Irikami olhando o pequeno submarinho com desconfiança.

-Veja como fala do meu bebê humano ou você vai nadando. O charr engenheiro grunhiu em desagrado.

Giacomo era um dos navegadores da frota submarina da iron legion que realizavam missões no mar de Orr.

  • Calma, não estamos duvidando do seu bebê. Alexian falou tentando acalmar o charr.

  • Aposto que meu irmão tem claustrofobia, por isso está com medo. Se quiser Iri, eu vou no seu lugar. Alice disse provocando o irmão casula. Ela e Kim estavam lá para desejarem sorte ao grupo na missão.

  • Eu? Medo? Nunca! Disse Irikami rindo, mas a sua expressão encarando o submarino demonstrava outra coisa.

  • Eu deveria ir Junto, não gosto da idéia do seu irmão sozinho com minha irmã.

  • E nós somos ninguém agora e já falamos sobre isso Kim, a presença de um necromante pode atrair a atenção de Zhaitan. Disse Ashira sorrindo.

  • Todos prontos para partir comandante? O charr perguntou.

  • Sim. Falou Alexian.

-Vamos! Ashira anunciou eufórica, ela nunca havia viajado em um submarino e estava ansiosa para ver seu interior.

Alice se virou para Irikami e Shuurei.

  • Quero que você me prometa que vai tomar conta… Alice começou a falar olhando Irikami, mas ele a interrompeu.

  • Pode deixar que eu tomo conta de Shuurei maninha.

  • Eu me referia a Shuurei tomar conta de você Iri e não o inverso. Disse Alice maldosamente.

  • O que??? Irikami gritou indignado.

  • Pode deixar que não deixo seu irmãozinho se meter em encrenca Alice. Shuurei falou sorrindo.

Todos gargalharam, Sayeh surgiu na praia saindo da água. Ela seria a guia, mostrando o caminho para o submarino. A decisão de usar um submarino ocorreu por causa da infestação de risens no mar. O grupo formado por Ashira, Alexian, Shuurei, Irikami e Ihara entraram no submarino se espremendo em seu interior. Este tipo de embarcação era usado no máximo por quatro ocupantes, cinco mais o piloto não lhes davam espaço para nada. O submarino submergiu enquanto Alice e Kim acenavam para eles que partiam, Zanza apareceu mais no fundo observando pensativa. Tudo que os integrantes de sua antiga guilda mais temiam estava acontecendo e Zanza só podia rezar, porque só restava a ela viva do antigo grupo.

A viagem foi desconfortável e claustrofóbica, a impressão de se estar em um caixão de aço era gigante.

  • Ainda bem que Luuh não pode vir, ela não agüentaria ficar fechada aqui dentro.

  • Por quê? Indagou Irikami suando a Shuurei.

  • Me desculpe Iri, mas não posso contar. Eu prometi a Luuh. Shuurei disse se lembrando de quando Luuh finalmente a contou quando Mestra Kiel e Tybald a salvaram de um poço quando ainda era criança.

  • Como Luuh está após a morte de Tybald?

  • Arrasada Ashira. Ela não consegue dormir a noite e fica sentada olhando o vazio enquanto chora. Eu tento conversar com ela, mas não sei como consolá-la.

  • Apenas fico ao lado dela, mesmo apenas isso é de grande ajuda.

Ashira e Alexian sabiam o que Luuh sentia, ambos haviam perdido seus mentores e amigos de ordem na batalha de Claw Island. Alexian entendia o valor do sacrifício feito pelo warmaster Forgal defendendo os portões impedindo o avanço dos risens aos navios, Tybald e Sieran se juntaram ao norn e os três juntos salvaram dezenas de vidas naquele dia. Ashira tentava focar no objetivo principal tentando manter a cabeça ocupada para não pensar em Sieran e em suas últimas palavras.

“ - Alguém precisa mantê-los longe para dar tempo dos outros escaparem, não, alguém não. Eu!”

“ - Você não pode vencer esses monstros, Sieran! Há muitos risens. Ashira argumentou com a amiga.”

“ - Se eu puder mantê-los ocupados é o suficiente para mim.”

“- Quando você me conheceu, eu era uma pessoa miserável, não pensava em nada, eu queria diversão, emoção, riscos… eu realmente não me importava com os outros. Siena se vira para Ihara e fala para ele.”

“- Até conhecer você Ihara.”

“- Na minha curta vida, você me ensinou a lição mais importante. Amigos vão passar por qualquer coisa pelo outro. É por isso que eu tenho que fazer isso.”

“- Eu sempre me perguntei como seria ir para a Mists. Será uma nova aventura…”

“- Havia tanta coisa que eu queria ver…”

“- Fique com ela Ihara, é seu dever, é sua obrigação… Se eu tivesse mais tempo teria me apaixonado por vocês dois… Adeus.”

As águas do mar de Orr eram escuras repletas de detritos, restos de animais e peixes flutuavam nas águas. O submarino era obrigado a manobrar todas as vezes que corpos decompostos surgiam à frente, a colisão com eles não era a preocupação, mas o fato de tais corpos se agarrarem ao casco do submarino pegando uma carona indesejável. Porque era fato que cada corpo ali presente em Orr era um risen morto-vivo aguardando a oportunidade de atacar.

Sayeh fez sinal para uma construção submersa em ruínas coberta de algas e corais, o lugar ficava na antiga praça da sabedoria perdida um lugar muito conhecido pelos orianos antes do continente afundar, o largos nadou para uma passagem escondida no pé da estrutura.

  • Muito bem comandante, parece que chegamos. Vocês terão de sair pela escotilha e lacrá-la por fora. Por que terei de bombear a água que conseguir entrar para fora. Sejam rápidos. Disse o charr manobrando o submarino que entrou pelo buraco na estrutura. Som de metal rangendo e raspando ecoou dentro do submarino.

Sayeh apareceu em frente ao visor e fez sinal com a mão para cima, Alexian foi a escotilha a abrindo derramando alguns litros de água dentro do submarino, rapidamente o grupo saiu e ele voltou a fechar a escotilha. Olhando em volta eles se viram em uma espécie de bolsão de ar dentro de uma câmara circular com água na altura dos joelhos, filetes de água escorriam de orifícios no teto molhando a todos como um chuveiro mal fechado.

Todos apanharam mascaras com respiradores e os colocaram no rosto, isso era uma precaução necessária em um lugar sub o mar e fechado há séculos, era impossível saber o tipo de substancias que eles respirariam sem as mascaras.

Ashira e Ihara examinavam as paredes e tento procurando alguma passagem escondida, a silueta de uma porta circular foi achada em uma das paredes, mas não havia aparentemente nenhuma maçaneta ou tranca, a porta parecia lacrada, Alexian, Irikami e Shuurei permaneciam em alerta para qualquer emergência. Sayeh tocou o ombro de Ashira e disse apontando uma estalagmite.

  • Examine sito.

Ashira rapidamente começou a examinar a estalagmite e ficou admirada ao constatar que na verdade aquilo não era o que parecia, por baixo da camada rochosa formada por coral existia um cristal azulado na forma de um obelisco, ao tocá-lo um ele brilho emanou de dentro.

  • O que é isso? Perguntou Alexian se aproximando.

  • Me parece um catalisador, deve funcionar como tranca para a porta que encontramos. Ashira afirmou.

  • Se isso é a tranca, onde está a chave?

  • Vamos ter que vasculhar está câmara.

Um leve tremor sacudiu o local, algumas rochas se desprenderam do teto atingindo as águas.

  • É bom nos apressarmos, não confio na integridade deste lugar.

Todos começaram a vasculhar cada centímetro do local, num mergulho na área mais profunda Ihara encontrou a chave, era um objeto parecido com uma estrela de cristal. Ihara a entregou a Ashira que o encaixou no obelisco.

O obelisco emanou uma luz ofuscante que se projetou para o lado, a luz ganhou forma humana se tornando um homem vestindo roupas elegantes com uma mascara de carnaval cobria seu rosto. Ele era translúcido de cor arroxeada. A entidade se curvou se apresentando. “- Saudações devotos. Eu sou Azel, devoto das profundezas.”

  • É um fantasma? Perguntou Irikami.

  • Não me parece um, acho que afinal de contas devíamos ter trazido Kim conosco. Ele saberia dizer o que ele é. Disse Ashira.

“- O que vocês desejam nesta Catedral sagrada dos segredos das profundezas ocultas?” A entidade perguntou.

  • Isto é uma catedral?

“- Sim. A primeira erguida em homenagem ao Deus primordial Abaddon.”

  • Deus primordial? Irikami disse confuso.

  • Isso quer dizer primeiro iri… Disse shuurei.

  • Eu sei disso, não sou idiota.

“- Há incontáveis décadas os Deuses chegaram a Tyria vindos da Mists, sua origem permanece um mistério aos mortais. Seis Deuses fizeram da região de Orr seu lar, o Deus primordial Abaddon foi o primeiro a pisar no mundo mortal, pai criador dos seres humanos, Abaddon se tornou o líder do Panteão fundando a grande cidadela de Arah, lar dos Deuses iniciando assim uma era de prosperidade e glória…”

  • Abaddon era o líder dos Deuses? O que aconteceu com ele Azel? Ashira perguntou não conseguindo conter a ansiedade.

“- Para saberem o resto da história vocês devem se aprofundar na catedral e revelar seus segredos. Vocês desejam prosseguir?”

  • Sim, desejamos. Respondeu Ashira.

“- Será necessária minha essência e para consegui La vocês devem se mostrar dignos. Vocês aceitam serem testados?”

Ashira olhou para Alexian que acenou a cabeça positivamente.

A entidade materializou uma espada na mão em seguida fez uma reverencia aguardando. Ashira compreendeu o gesto, aquilo seria um desafio de duelo e como manda a regra devia ser aceita numa disputa 1x1. Irikami avançou estalando o pescoço.

  • Deixa que eu cuido disso.

  • Não. Melhor eu lutar, não temos certeza do nível de poder dele. Ashira falou avançando.

Ela fez uma reverencia para a entidade e sacou as adagas, os punhos de ashira se atearam fogo, a elementarista apostava que tanto os elementos água e terra não ajudariam neste local ou contra a entidade, eletricidade por sua vez poderia prejudicar seus amigos por causa da água que havia ali, o que só lhe restava o fogo, um elemento fraco contra água, mas que ela acreditava ser o mais seguro no momento.

A entidade ergueu a espada que era um florete e atacou tentando perfurá-la, o golpe foi rápido parecendo distorcer a forma da lamina, Ashira se esquivou criando um jato de chamas das laminas das adagas, o fogo atingiu a entidade que se despedaçou como se fosse feita de vidro voltando a aparecer a cinco passos atrás dela.

  • Ele é um mesmer! Alexian falou.

A entidade tremeluziu e duas cópias sua surgiram uma de cada lado em seguida os três atacaram, Ashira novamente se esquivou, atingindo a primeira cópia no peito com a adaga fazendo-a se despedaçar, em seguida aparou a segunda cópia a golpeando com um chute incandescente destruindo-a. O terceiro e verdadeiro tentou um golpe frontal, Ashira cruzou as adagas aparando a espada, entidade e elementarista mediram forças, Ashira olhou a entidade e sorriu para ela, em seguida ela soprou no rosto dela, uma labareda de chamas atingiu em cheio a cabeça da entidade que recuou, a espada desapareceu e Azel se curvou falando. “- Muito bem devota. Vocês podem prosseguir em sua busca.” A entidade desapareceu deixando em seu lugar um orbe, sua essência ilusória.

  • Incrível. Shuurei falou admirada.

  • Porque o espanto? Você achou que a Durmand Priory só nas faz ler livros e estudar? Ashira disse brincando.

  • Tenho de admitir Ashira, estou impressionado. Disse Alexian.

Ihara falou algo em sua língua nativa fazendo Ashira ter um acesso de risos. Alexian olhou de Ashira para Ihara intrigado e perguntou.

  • O que ele disse?

  • Desculpe Alexian, mas não vou falar. (tradução:“ Era de se esperar de um membro da vigil.”)

Alexian não gostou, mas preferiu não comentar a respeito.

Ashira colocou a essência ilusória no obelisco e a porta se abriu revelando uma grande passagem com várias aberturas no chão, cada uma delas era um túnel submerso que levava a outras câmaras, Irikami se abaixou imaginado o quanto mais ainda iria se molhar. Neste momento mãos cadavéricas agarraram-no pelo pescoço tentando puxá-lo para o buraco. Shuurei ágil rápido sacando a espada e cortando os braços que o seguravam, Irikami caiu para trás sentado, vários risens saiam pelo buraco, pareciam formigas saindo do formigueiro tamanho a quantidade, Alexian sacou a espada de duas mãos e começou a desmembrar membro por membro dos mortos-vivos, Ihara pegou o arco e falou algo em sua língua, Ashira gritou:

  • Todos se afastem agora!

Alexian, Ashira e Largos saltaram para dentro da primeira câmara, Shuurei pulou em cima de Irikami, os dois não teriam tempo de correr. Ihara atirou uma flecha dentro do buraco causando uma explosão que jogou água e pedaços de carne podre por todo lugar.

Shuurei deitada por cima de Irikami olhou para ele e perguntou:

  • Tudo bem Iri? Os cabelos dela caindo sobre o ombro e indo parar no rosto de Irikami.

Ele olhou para Shuurei corando de leve e sua mente voou longe em pensamentos estranhos.

  • Estou bem. Obrigado. Ele disse sem jeito sentindo todo o corpo de Shuurei sobe o dele.

  • Se acontecer algo com você a Alice me mata. Shuurei brincou.

A garota se levantou e ofereceu a mão para ajudá-lo, Irikami aceitou, quando se levantou demorou a soltar a mão dela que olhou para ele sem jeito.

Ashira entrou na câmara preocupada com os dois.

  • Vocês estão bem?

Shuurei aproveitou e puxou a mão envergonhada.

  • Sim, estamos. Ela falou vermelha.

  • Quê loucura foi essa Ihara? Você podia ter matado a todos nós! Alexian avançou irritado na direção do zephyrite, Ashira entrou na frente dele enfrentando Alexian.

  • Comandante você tem noção da quantidade de risens que saia do buraco?

  • Não parei para contá-los.

  • Ihara provavelmente calculou que eram mais do que podíamos enfrentar em um ambiente fechado. Ele tinha poucos segundos para decidir o que fazer e ágil rápido.

  • Podíamos ter morrido soterrados sobre toneladas de rochas Ashira. Argumentou Alexian.

  • Sim… Ou ter sido mortos pelos risens e virar escravos de Zhaitan. Não sei o que você escolheria comandante, mas eu prefiro a primeira opção.

  • Eu preferiria não escolher nenhuma das duas. Disse Irikami brincando tentando quebrar o clima tenso.

Alexian desviou o olhar para Irikami e respirou fundo para se acalmar, em seguida disse a Ashira.

  • Falaremos sobre isso depois da missão, mas eu peço Ashira que você o faça seguir ordens.

  • Ihara segue ordens, comandante… Ordens da durmand priory.

Ihara falou algo e Ashira sorriu.

  • O que ele disse?

  • Não é de sua conta. Ashira rebateu.

Ihara havia dito “Sigo ordens apenas de lady Ashira.”

Ashira sabia que teria de ter uma longa conversa com Alexian e Ihara mais tarde e talvez essa conversa não fosse agradável.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capítulo 22-Deus primordial

O grupo examinou as aberturas no chão novamente, agora definitivamente a passagem estava liberada, um túnel se estendia por vários metros a frente deles. Eles mergulharam sendo guiados por Sayeh, as armaduras pesadas de Alexian e Irikami se mostraram um problema na locomoção dentro da água, o percurso foi lento devido a isso, pedaços de cadáveres e peixes boiavam colidindo com eles enquanto nadavam. Após alguns minutos uma nova abertura no teto no túnel surgiu diante deles, Sayeh saltou como um golfinho pela abertura no topo aterrissando dentro de uma nova câmara, as duas espadas em punho preparadas para qualquer coisa, quando ela constatou não haver perigo ajudou Ashira a sair da água repetindo a operação com cada um deles até todos estarem fora do túnel. Esta nova câmara era ainda maior que a anterior, quatro portas circulares fechadas rodeavam o local, outro obelisco de cristal se encontrava no centro da câmara, Ashira e Ihara foram até ele o examinando.

  • É exatamente igual ao anterior. Procurem pela chave, ela deve estar aqui em algum lugar. Disse Ashira.

O grupo começou uma rápida procura por cada canto da câmara, Shuurei encontrou uma pequena abertura na parede, estreita demais para um adulto, mas suficiente para ela que era pequena e magra.

  • Encontrei uma passagem, vou me arrastar por ela e ver se a chave está do outro lado.

  • É melhor não. Só você conseguiria passar por ai. E se tiver risens do outro lado? Argumentou Irikami com a expressão preocupada.

  • Não se preocupe Iri, eu dou conta.

  • Concordo com Irikami, é muito arriscado. Alexian falou examinando o buraco.

-Senhor, e o que faremos? Damos meia volta e vamos embora? Ashira você concorda, não é? Shuurei perguntou esperando apoio.

  • Shun tem certeza? Perguntou Ashira preocupada.

  • Tenho. Ela assentiu confiante.

  • Então vá.

  • É uma idéia ruim. Irikami sussurou e Alexian assentiu com a cabeça.

  • Ela é uma menina corajosa pesquisadora. Quantos anos ela tem?

  • Shun tem 15 anos.

Shuurei se arrastou pelo buraco agradecendo pela primeira vez o corpo pequeno e magro que tinha. Em poucos segundos os pés dela desapareceram pelo buraco, o grupo observava enquanto ela seguia, o final do buraco estava à frente, Shuurei colocou a cabeça para fora tentando ver algo, súbito uma mão esquelética a agarrou pelo pescoço a puxando violentamente para fora, Shuurei se debateu tentando se soltar da mão apodrecida que a estrangulava, um ser cadavérico vestido um manto negro flutuava acima do chão, o rosto esquelético usava uma coroa enferrujada e as fendas sem olhos emanavam um brilho esverdeado.

  • Um espectro… Shuurei balbuciou sufocando.

Shuurei tentava se livrar da mão cadavérica que a estrangulava, ela conseguia ouvir os gritos do grupo chamando seu nome, preocupados. Shuurei apanhou uma adaga no cinto e começou a golpear a cabeça do espectro que parecia ignorar os ferimentos, ele a girou no ar a arremessando contra a parede, o impacto a fez perder o ar dos pulmões. Shuurei levantou a cabeça tonta e o espectro a atacou com as garras, ela rolou no chão esquivando da investida, pegando outra adaga e atacando com tudo o espectro.

Do outro lado da parede o medo pelo que acontecia com a amiga aumentava cada vez mais.

  • Vamos derrubar esta parede! Ihara atire outra daquelas suas flechas explosivas! Gritou Irikami.

  • NÃO! Nem sabemos a grossura da rocha, ou mesmo se a explosão não vai causar um desmoronamento. Disse Alexian.

  • Então vamos ficar aqui parados enquanto Shun é atacada? Bufou Irikami olhando para Ashira e dizendo aos gritos:

  • A culpa é sua Ashira por incentivá-la a ir!

Ashira arregalou os olhos espantada, Irikami nunca havia gritado com ela antes.

  • Não é hora para ficar culpando os outros Irikami, temos de ajudar Shun. Disse Alexian tentando pensar em algo que podia ajudar.

  • QUIETOS TODOS! Mandou Sayeh.

  • O que vai fazer? Perguntou Ashira.

  • Observe. Falou Sayeh se aproximando do buraco.

  • Shuurei, qual é a extensão do buraco? Sayeh perguntou pela abertura, Shuurei ouviu se esquivando de outro ataque do espectro.

  • 3 metros e meio! Ela gritou sendo ouvida pelo grupo.

  • E como é a câmara que você está e a que distancia seu inimigo está da abertura?

  • 6 metros quadrados, o espectro está a 2 metros da abertura! Ela respondeu entendendo o que Sayeh pretendia.

  • Para quê esse interrogatório todo? Gritou Irikami vermelho de nervoso.

Sayeh não respondeu, ela se afastou um passo da abertura sacando as espadas e translocou, aparecendo atrás do espectro que foi pego de surpresa. Sayeh golpeou com ambas as espadas, dois golpes laterais que dividiram o espectro em três partes, Shuurei aproveitou para aplicar um chute lateral na cabeça dele, este último golpe o fez despedaçar em pó e fumaça negra.

  • Obrigada. Agradeceu Shuurei ofegante a Sayeh.

  • Como disse lá atrás. Você é corajosa menina.

  • Vocês estão bem ai? Pergunto Irikami.

  • Sim. Agora sim. Shuurei respondeu caminhando até o buraco.

Sayeh encontrou a chave em forma de estrela no canto da sala a apanhou e translocou de volta. Shuurei a imitou translocando também, em instantes ambas estavam ao lado do grupo.

Ashira abraçou Shuurei lhe dando um beijo na testa, Sayeh entregou a chave a Ihara que observava tudo, Alexian esperava Shuurei e Ashira se afastarem para se aproximar.

  • Tudo bem Shun? Alexian perguntou a garota.

  • Sim Alexian. Ela respondeu com um pequeno hematoma no rosto.

  • Porque na fez isso antes? Indagou Irikami a Sayeh.

  • Se me translocasse sem conhecer o outro lado, corria o risco de aparecer dentro de uma rocha e isso seria meu fim. Respondeu a largos. Alexian pensou mais um pouco medindo o que Zanza falará antes da missão e tomou uma decisão.

  • Vamos voltar! Ele ordenou.

  • O que? Ashira disse surpresa.

  • É a segunda vez que alguém quase morre nesta missão, o risco não vale à pena. Estou cancelando ela.

  • Como pode dizer isso? Descobrimos que existe um outro Deus entre os Deuses. Imagine que outros segredos este lugar pode guardar!

  • Então espere a guerra contra Zhaitan acabar e mande uma equipe da Durmand priory aqui investigar! Nossa prioridade é Zhaitan!

  • A sua mente é muito pequena comandante! Uma guerra não é só vencida com soldados e armas, mas com conhecimento e pesquisa!

A discussão começava a ficar mais acalorada, Shuurei e Irikami assistiam tudo com olhos arregalados, Ihara encarava Alexian aguardando qualquer ordem de Ashira, Sayeh apenas permanecia em silencio observando.

  • Já me decidi pesquisadora Ashira, a missão está cancelada!

  • Meu poder de comando é o mesmo do seu comandante e digo que devemos continuar!

Era um impasse que não teria resolução, por este motivo Ihara a resolveu, Ele colocou a chave no obelisco fazendo surgir outra entidade arroxeada.

“- Bem vindos devotos. Vocês chegaram até a câmara da determinação. Eu sou Abel devoto da verdade e das mentiras.”

Alexian avançou até Ihara segurando-o pelo colarinho da camisa, automaticamente Ihara segurou a mão de Alexian girando o pulso dele no sentindo anti-horário, no mesmo instante que lhe aplicava uma rasteira. O treinamento de Alexian na guarda de Divinity’s Reach o impediu de cair, ele girou o corpo passando a cabeça por baixo do cotovelo, revertendo a torção de mão. Quando o desentendimento ia se transformar em briga Irikami, Shuurei e Ashira separaram os dois.

  • CHEGA! Ashira mandou.

  • Estou cansado deste zephyrite Ashira! Quando voltarmos ele está fora do esquadrão!

  • Se o retirar pode me excluir também. Rebateu Ashira.

  • Gente. Não quero ser chata, mas tem um fantasma roxo assistindo a briga estúpida de vocês. Disse Shuurei.

Irikami não agüentou e riu do comentário dizendo:

  • Ela ta certa.

  • Vamos continuar comandante! Eu e Ihara pelo menos iremos. Se quiser partir com os outros podem ir.

  • Não vou a lugar nenhum sem você!

  • Então comandante, não nos atrapalhe em nossa missão.

Ashira avançou até a entidade se apresentando.

  • Eu sou Ashira sanders, pesquisadora chefe da Durmand priory, gostaria de seguir caminho pela catedral de Abaddon e conhecer mais de sua história.

“- Para continuar você deve ser testada, você concorda Ashira Sanders?”

  • Ashira… Advertiu Alexian.

Ela o ignorou e falou:

  • Concordo.

A entidade avançou rapidamente tocando a testa de Ashira com as pontas dos dedos, imagens confusas da infância passaram pela sua cabeça rapidamente, revendo eventos passados e momentos felizes e tristes, o desaparecimento da irmã, o primeiro beijo em Alexian, o encontro com Shuurei e Kim na caverna, o ingresso na Durmand priory, a morte de Sieran, a primeira vez que viu Ihara…

Alexian tentou avançar para deter a entidade, mas antes disso ela já havia se afastado de Ashira que cambaleou tonta sendo amparada por Shuurei e Ihara.

“- Você passou no teste. Tem o que é preciso para prosseguir pela busca do saber. O grande Deus Abaddon em sua grandiosidade agracia aqueles dispostos a se sacrificarem pela busca da verdade sobre as mentiras.”

  • Não estou gostando deste papo. Disse Irikami baixinho.

  • Também não estou. Concordou Alexian.

  • Gostaria de continuar ouvindo a história de Abaddon. Disse Ashira à entidade.

“- Os séculos passaram como um suspiro aos Deuses, o líder Abaddon viu o quanto a humanidade se desenvolvia, mas lhes faltava algo, em sua bondade Abaddon presenteou os mortais com o poder da magia, exclusividade apenas dos Deuses e seres místicos. Os outros Deuses foram contra alegando que mortais não tinham o direito nem a capacidade para manipular tal poder…”

A entidade se desfez em luz deixando uma orbe luminosa que abriu as portas lacradas.

  • Abaddon que nos concedeu magia… Ashira disse espantada.

  • É muito cedo para acreditar em um fantasma Ashira, você já pensou que isso pode ser uma mentira. A própria entidade se nomeou devoto da verdade e das mentiras.

  • Sei muito bem disso comandante, mas mesmo assim é fascinante a possibilidade de descobrir a origem da magia. Vamos prosseguir, a menos que tenha algo a mais a discutir?

  • Só uma coisa Ashira, se encontrarmos um inimigo que não possa ser vencido, eu mesmo irei arrastá-la para fora deste lugar, nem que tenha de carregá-la no colo. E não será este zephyrite que vai me impedir.

  • Anotado comandante. Ashira disse ironicamente.

Três das passagens não tinham saída, deixando apenas uma que era uma rampa de acesso para um nível superior. Ashira liderou o grupo subindo à rampa, a subida era em espiral, a maior parte das paredes estava coberta por musgo e coral, uma fissura na parede leste permitia ver uma grande câmara escuro, algo parecido com uma enorme estatua estava no centro, mas era impossível vê-lo onde eles se encontravam. A rampa terminou em outra porta com mais um obelisco ao lado, uma rocha quadrada de aspecto estranho se encontrava no fundo da sala, a chave estrela estava sobre a rocha presa a corais.

  • Muito fácil… Não concorda? Disse Irikami.

  • Alguma hora tem de ser fácil. Shuurei falou.

Ashira se aproximou da rocha quadrada reparando que na verdade era um altar, inscrições em idioma oriano descreviam uma cerimônia de troca, ao tocar a chave uma lembrança era retirada e outra colocada no lugar, não se dizia qual lembrança se perdia. Ashira olhou para Ihara que assentiu, quando ela ia tocá-la Ihara foi mais rápido puxando a chave para si. O corpo de Ihara arqueou para trás em dor, um grito mudo surgiu em seu rosto. Tudo foi muito rápido, quando Ashira o segurou Ihara já parecia bem, apenas estava um pouco tonto, ele olhou para ela e falou algo que a fez sorrir.

  • O que foi isso? Alexian Perguntou.

  • Uma troca de lembranças, era o preço para pegar a chave. Ela respondeu.

  • Ihara está bem? Alexian perguntou admirado por estar preocupado com o zephyrite.

  • Aparentemente sim.

  • O que ele disse para você Ashira logo após pegar a chaves? Shuurei perguntou inocentemente.

Alexian aguardou Ashira negar, mas ela sorriu e disse:

  • Calma, não me esqueci de você.

Shuurei riu e disse:

  • Ainda bem, não?

  • Sim.

  • Melhor pararmos de falar e seguirmos logo, estamos perdendo tempo. Disse Alexian de mau humor.

Ihara olhou para ele, depois para Ashira e falou algo, antes que alguém perguntasse ela disse preocupada:

  • Ihara perguntou quem é você.

Todos arregalaram os olhos, em seguida Ihara falou novamente e Ashira teve um ataque de risos.

  • O que é agora? Perguntou Alexian irritado.

  • Ihara disse: “era brincadeira.” Ashira falou rindo.

Shuurei e Irikami não agüentaram e começaram a rir também, até sayeh pareceu emitir um som parecido com uma risada.

  • Quê ótimo. Agora ele faz piadas… Disse Alexian.

Ihara se aproximou dele e esticou a mão, Alexian olhou desconfiado para ele e a apertou. Ihara falava algo enquanto Ashira traduzia.

  • Ihara pede desculpa pela maneira que lhe tratou comandante, ele não devia ter iniciado uma briga com alguém de maior patente. Embora ele diga que irá seguir suas ordens, a lealdade dele é para comigo e a priory. Mas que não esperava que você se preocupasse com ele e isso mostrou que você é um homem de honra.

  • Tudo bem Ihara, acho que me exaltei também. Como comandante do Pacto tenho de colocar meus sentimentos em segundo plano, vamos tentar recomeçar e tentar nos dar bem… Afinal nossa prioridade é o bem estar de ashira. Não concorda?

  • O que? Ashira pareceu confusa.

  • É melhor estar preparada pesquisadora, não vou perder! Alexian sorriu para ela, Ihara assentiu com a cabeça como se aceitasse um desafio. Ashira se levantou indo direção dos dois com a expressão fechada pegando a chave das mãos de Ihara, depois falou com o rosto vermelho para os dois.

  • Agora vocês são amigos?

  • Apenas nos toleramos. Disse Alexian.

Ashira bufou e foi até o obelisco colocando a chave, uma nova entidade surgiu e se apresentou.

“- Bem vindos devotos, sou Ablom, devoto dos sonhos e pesadelos. O preço para prosseguir já foi pago, sigam até a câmara de adoração. Mas antes escutem o que tenho a dizer.”

Ashira se preparou para mais uma parte da história.

“- Abaddon lançou seu próprio sangue em Tyria que caiu do céu como uma chuva rubra, ao tocar o solo seu sangue cristalizou sendo batizado pelos mortais de Bloodstones, as layline tornaram as bloodstones magia caótica as energizando no útero de Tyria…”

A entidade desapareceu e a porta se abriu, uma grande sala circular com um foco em seu centro estava diante deles, diante deles uma gigantesca estátua se erguia do foco dois andares a baixo deviam medir mais de 15 metros de altura. Era a estátua que eles haviam visto pela fresta na subida da rampa. Sayeh se ajoelhou em respeito, todos compreenderam que esta estátua era do Deus Abaddon que tanto eles queriam saber mais.

A estátua era de um corpo humanóide com o peito nu, musculoso com uma das mãos voltada para cima como se tentasse apanhar algo, o rosto era oculto por uma mascara com três pares de olhos, longos cabelos presos a em tranças escorriam até os ombros, inscrições e runas traçavam todo o corpo. Era uma visão imponente, tanto como de qualquer outra estátua dos outros Deuses, uma rocha parecia ser feita do mesmo cristais que os pilares, o grupo adentrou na sala e ao fazerem isso uma nuvem de miasmo cobriu o lugar, um grande globo ocular flutuante surgiu diante deles, parecia estar ligado a cadáveres mumificados que o sustentavam, era algo bizarro de ser ver.

  • Ahh! Oferendas para o mestre Zhaitan aproximem-se para serem abatidos viventes. A criatura falou parecendo diretamente na cabeça de todos.

  • O que é essa coisa asquerosa? Perguntou Shuurei horrorizada com a criatura.

  • É os Olhos de Zhaitan! Sayeh disse sacando as espadas.

  • Como assim? Indagou Alexian.

  • Os Elder Dragons podem separar partes de seus corpos e criar seres independentes, o Tequalt é criado a partir de uma de suas costelas. Ihara não esperou maiores explicações sacando uma flecha ácida e disparando-a no Olho de Zhaitan que deu um grito telepático de dor.

  • Maldito! Seres inferiores! Como ousam me atacar, Zhaitan transformará cada mortal em um risen!

O globo ocular disparou um raio esverdeado numa parede da sala, um corpo decomposto preso a corais na parede se desprendeu avançando em direção ao grupo, ele vestia armadura enferrujada de guerreiro em sua cintura uma grande espada também enferrujada foi sacada.

  • Mate-os meu general! Dêem-nos tempo até a Boca de Zhaitan traga a orbe.

O grupo ouviu um estrondo, igual a uma porta sendo derrubada, em seguida outro ser macabro surgiu escalando a estátua de Abaddon, ele ainda era mais assustador que o globo ocular flutuante, parecia um gigante morto-vivo de pele morta marrom, uma grande bocarra no centro do estomago inchado abria e fechava salivando e revelando uma língua esponjosa, os grandes braços fortes e enormes como de um gorila sustentavam o enorme corpo preso a estátua, a cabeça era pequena em relação ao resto do corpo e era vagamente humana. Ele terminou e escalar a estátua e saltou ao lado do globo ocular.

  • Devo devorá-los? Perguntou o horrendo ser fazendo baba escorrer da enorme boca.

  • Não! O mestre Zhaitan necessita de mais artefatos mágicos, devemos retornar a Arah.

  • Eu já peguei o deste templo, o gigante horrendo mostrou uma esfera brilhante, em seguida a engolindo.

  • Mate a todos meu general, os Olhos de Zhaitan ordenou mentalmente fazendo o miasmo cobrir a ele e o gigante que desapareceram.

  • Zhaitan se alimenta de magia? Indagou Ashira.

  • Pensamos nisso depois, se espalhem e se preparem para atacar. Alexian mandou.

Alexian e Irikami sacaram as espadas de duas mãos se posicionando a frente, guardian e guerreiro seriam o paredão que evitaria que o risen avançasse sobre os outros integrantes do grupo…, Ihara já preparava outra flecha ácida, sayeh com as espadas em punho se lançou contra o risen sendo seguida por Shuurei que translocava de um lado para outro tentando confundir o ressurgido, Ashira pegou a adaga conjurando um jato de chamas sobre o risen, o fogo passou envolta dele não lhe causando dano, a umidade do corpo apodrecido somado ao coral que envolvia a armadura e pele morta criava uma camada protetora e resistente.

O antigo general Azuldin girou sua própria espada coberta de coral contra Alexian e Irikami, o golpe tinha a força de cinco inimigos, mal permitindo a ambos aparar o ataque, o cabo das espadas tremeu na mão deles causando ferimentos, eles olharam para a empunhadura e viram fragmentos de corais presos a fissuras em suas manoplas, bloquear e aparar ataque do risen causaria ferimentos a eles, Sayeh atacava o general ressurgido, mas os ataques dela pareciam causar pouco dano a ele por causa do coral que servia de armadura extra, obviamente ele pertencia a uma casta superior de risen, informação confirmada quando o general falou.

  • Lutei em inúmeras batalhas pela cidadela de Arah, comandei um dos maiores exércitos que já existiu, sou um campeão de Zhaitan, não serei derrotado por apenas seis adversários fracos como vocês.

Shuurei surgiu à frente dele num translocar, atacando com as adagas preparadas ela perfurou ambos os olhos do general que gritou tentando golpeá-la, Shuurei sumiu em um estampido surgindo ao lado de Ihara que disparou flecha ácida atingindo a cabeça do risen, embora o ácido começasse a corroê-lo o efeito parecia lento. Ashira mudou de tática avançando contra o risen, Alexian e Irikami ao seu lado, o general mesmo cego parecia saber onde atacar e balançou a espada Irikami aparou o primeiro golpe sendo atingido por fragmento de corais que feriram seu rosto ele impulsionou a espada do risen para o lado, alexian cruzou as espadas ajudando com sua, a lâmina do general bateu com a ponta no chão, Ashira atacou fincando a adaga no peito do risen em uma pequena fissura feita por Sayeh o general gargalhou dizendo a elementarista:

  • Tola! Isso não pode me machucar.

  • Que tal isso então? Ashira perguntou o provocando.

Ela usou seu poder mágico para lançar seu poder pela ponta da adaga, de dentro do corpo do general dezenas de pequenas rochas foram expelidas para fora enquanto eram criadas dentro do risen, o perfurando por toda a parte, corais e pedaços de carne podre caiam no chão, um dos braços foi decepado por uma pedra maior que se projetou do ombro, o general arqueou o corpo, em seguida pareceu entrar em fúria berseker colidindo com Ashira em um encontrão, Alexian e Irikami a agarraram no ar rolando com ela pelo chão, o general ressurgido mesmo com apenas uma das mãos girou a espada freneticamente tentando partir Ashira ao meio, Alexian se levantou erguendo o escudo místico sobre os três, o impacto fez rachar a barreira e lançar dezenas de fragmentos de corais que atingiram levemente Ihara, Sayeh e Shuurei, mais um destes golpes e a barreira seria quebrada partindo os três ao meio, o próximo ataque foi preparado pelo risen que avançou correndo pronto para golpeá-los, no momento que ele iria aplicar o ataque uma flecha o atingiu no peito explodindo, o risen foi arremessado para trás contra a parede, a sala tremeu por inteiro, Ashira se levantou e faíscas elétricas de raiva saíram de seus olhos, um chicote elétrico se alongou a partir da ponta da adaga ela avançou saindo da proteção da barreira açoitando o risen, o corpo do general tremia a cada golpe com espasmos, de repente o risen agarrou o chicote elétrico com a única mão que tinha puxando Ashira para perto dele, ela sorriu para o risen fazendo o general ficar confuso, o chicote se desfez em um comando metal de Ashira, ela juntou as mãos em frente ao peito do risen fazendo uma gigantesca estalagmite surgir e transpassar o corpo do general partindo ele ao meio, a ponta da estalagmite colidiu com a parede, uma rachadura brotou a partir de onde atingiu a parede, ashira caiu de joelhos exausta, ela ofegava, a rachadura se estendeu pelo teto fazendo um bloco de 5 metros pesando mais de meia tonelada cair sobre ela, Alexian e Ihara a puxaram no momento exato que a rocha se espatifava no piso, quebrando em vários pedaços, um fragmento da pedra atingiu Alexian no ombro quebrando sua clavícula e o fazendo cair de joelhos tamanha a dor que sentia.

  • Tire-a daqui Ihara! Alexian gritou o chão ao seus pés rachando, Ihara puxava Ashira que tinha um olhar assustado, ela olhou Alexian que sorriu para ela instantes antes do chão desabar com ele dois andares a baixo.

Sayeh correu na direção de onde Alexian havia caído e saltou atrás dele, Shuurei e Irikami tentaram segui-la, mas os destroços caindo os impediram, Ashira teve um acesso de choro dizendo:

  • É minha culpa! Tudo minha culpa! Zanza me alertou e eu não quis ouvir.

Um estampido foi ouvido e Sayeh apareceu ao lado deles segurando alexian nos braços, ele parecia semi-consciente.

  • Ei Alexian, tudo bem? Irikami perguntou.

Uma crise de tosse o fez despertar.

  • Acho que vou sobreviver.

Ashira se levantou indo abraçá-lo em seguida o deu um beijo na boca.

  • Perdão. Ela disse a ele.

  • Quem é você e o que fez com a verdadeira Ashira? Alexian brincou.

  • Seu bobo.

Alexian olhou Sayeh que ainda o segurava e perguntou:

  • Você arriscou sua vida para me salvar, Por quê?

  • Você é muito importante para o futuro Alexian kallamar.

As palavras de Sayeh soaram estranhas, mas ele achou melhor pensar nisso depois.

  • Vamos terminar o que viemos fazer e partir.

  • Tem certeza? Ashira perguntou a ele.

  • Tenho. Não passamos por tudo isso para não descobrir o que falta na história de Abaddon.

Ashira assentiu indo até a rocha, ao se aproximar uma última entidade surgiu. Ele sorriu para ela e se apresentou.

“-Bem vindos devotos, esta é a câmara de adoração ao Deus Abaddon, somente os servos mais confiáveis e fieis tinham acesso aqui. Nesta rocha está toda a história do Deus e a traição dos outros deuses ao usurpar seu poder… Aqui está o segredo dos segredos… Eu irei narrar agora…”

“- Os cinco deuses se revoltaram contra seu líder dizendo que ele havia feito uma aberração ao dar o segredo da magia aos mortais, o que Abaddon fez iniciou um conflito, todos os Deuses eram imortais, incapazes de serem destruídos ou mortos. Porem um Deus podia ser aprisionado, desde que enfraquecido, os cinco Deuses conspiraram contras Abaddon com a ajuda de uma mortal chamada Kormir, o Deus dos segredos foi aprisionado e seu poder usurpado por Kormir que ascendeu ao divino assumindo o lugar de Abaddon como novo líder dos Deuses… isso até eles resolverem novamente trocar de marionete.”

Um silencio pairou após a entidade terminar e desaparecer.

6 horas depois

Ashira entrou na tenda que servia de sala para ela, tudo estava da mesma forma que ela havia deixado, os mesmos papeis os mesmos livros, a mesma vela derretida, agora apagada. Ashira avançou apanhando um dos livros, suas mãos tremiam ao pegá-lo um efeito colateral na luta no templo contra o risen, o tremor mal a permitiu folhear o livro, ela parou na página marcada por ela antes de sair na missão, um capítulo sobre os seis Deuses Humanos, um capítulo que Ashira agora sabia estar incompleto.

  • Soube que vocês foram bem sucedidos em sua missão de exploração. Zanza falou calmamente, ela havia acabado de entrar na tenda.

  • ainda está zangada comigo Zanza?

  • Não… Sempre soube que você era tão teimosa e cabeça dura quanto eu sou… Por isso aceitei você como minha discípula.

Zanza aguardou alguns segundos observando Ashira, então completou.

  • Encontrou o que procurava?

  • Encontrei… E não compreendo sua relutância em me falar sobre…

  • Não diga esse nome, você bem sabe que as palavras tem poder e mesmo o pronunciar do nome desse Deus esquecido pode ser desastroso.

  • Não compreendo Zanza do que você tem tanto medo. Quando acessamos a catedral encontramos alem dos servos de Zhaitan infestando o lugar, haviam entidades que diacordo com Kim não eram fantasmas.

  • O que vocês encontraram eram “ECOS” do passado.

  • Ecos?

  • Sim. Lembranças vivas dos devotos do Deus esquecidos, a devoção deles era tamanha que mesmo após a total obliteração sobre a existência do Deus a vontade de seus seguidores permaneceu encravada no templo.

  • Eu continuo não entendendo, aqueles ecos como você os chamou, nos testaram, nos instruíram. Qual era o objetivo deles?

Zanza não respondeu a pergunta o que irritou Ashira que resolveu provocá-la.

  • Comuniquei a Durmand priory sobre o templo, uma equipe irá recuperar a estátua do Deus, assim como tudo o que puderem encontrar.

  • Não faça isso Ashira.

  • Lamento Zanza, conseguimos informações vitais a respeito de Zhaitan também, que ele se alimenta de magia e se você não vai falar, descobriremos alguém que nos diga. Sayeh sabia muito pouco a respeito do Deus esquecido, temos de saber se o que foi dito a nós é verdade.

  • Os largos sabem bem mais do que lhe informaram.

  • Como assim zanza?

  • Porque o esquecido é o Deus deles.

  • Zanza…

  • Me informaram que durante a luta contra um dos campeões de Zhaitan dentro da catedral você perdeu o controle Ashira e quase resultou na morte do comandante alexian.

  • Quem lhe contou isso?

  • Não importa. O que é importante é que sua sede de conhecimento é comparável ao seu temperamento sobre stress. Irá chegar um dia Ashira que você acabará perdendo o controle por causa desta sede por conhecimento e seus companheiros que irão pagar o preso por isso.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 23-Amada irmã

Irikami 10 anos atrás

Hospital de Divinity’s Reach

Uma leve brisa de primavera entrava pela janela do quarto de Irikami, os médicos o informaram que ele receberia alta esta tarde. Irikami havia ficado internado por causa do ferimento no abdômen uma cicatriz circular no local seria uma lembrança permanente e dolorosa em sua vida, ficara preso 2 meses em uma cama uma verdadeira tortura para uma criança de 12 anos, Irikami não se lembrava bem dos acontecimentos ocorridos durante o ataque a Divinity’s Reach, sua última lembrança foi o som de uma explosão e depois somente a escuridão. A irmã Alice o visitava constantemente e em uma destas visitas ela finalmente teve coragem de lhe contar todo o ocorrido, Irikami se lembrava de ter chorado muito quando soube da morte do pai ao tentar proteger a ele e a irmã. Edgar nunca fora um pai amoroso, ele era um pai rígido, temperamental e autoritário. Irikami muitas vezes sentia medo do próprio pai, agora que o havia perdido um vazio tomava seu coração, só lhe restava à mãe e a irmã a quem ele tanto amava.

Duas batidas na porta foram ouvidas antes dela abrir, Alice entrou no quarto sorrindo em suas mãos um buque de flores, Irikami arregalou os olhos imaginando quem daria flores a uma criança.

  • Bom dia Iri. Você está se sentindo bom?

  • Sim maninha… Mana, essas flores?

  • São para você.

  • É estranho receber flores… Ainda mais de você.

  • Me desculpe. Acho que me deixei levar por estar feliz com sua saída do hospita.

  • Tudo bem, também estou contente em voltar para casa.

Alice foi até a cômoda e colocou as flores num vaso e falou casualmente enquanto as ajeitava.

  • Iri tem uma pessoa que quero que você conheça.

  • Quem mana?

Uma menina apareceu ao lado da porta olhando sem jeito para dentro do quarto, Irikami confuso constatou que ela devia ter no máximo 11 anos, tinha olhos verdes e longos cabelos loiros presos em tranças.

  • Esta Iri é Shuurei, eu a conheci aqui no hospital no dia em que você foi internado.

  • É um prazer lhe conhecer, sua irmã fala muito de você. Disse Shuurei sorrindo para o menino.

  • Se não fosse elo apoio que Shuurei me deu não sei se agüentaria tudo o que passamos, Shun se tornou meu alicerce nesses 2 meses.

Shuurei corou de leve com as palavras de Alice, Irikami encarava a irmã, o olhar dela para a menina era de carinho, algo começou a incomodar Irikami, algo que antes não existia lá e que agora crescia lentamente em seu peito como um tumor, algo que começou como uma pequena goteira em uma represa e terminaria em uma enchente, algo chamado ciúmes.

Dias atuais

Cidadela de Arah

A passagem por dentro de Arah era ainda mais perigosa do que a região externa de Orr, com o desfalque de quatro membros no esquadrão o avanço era feito de maneira lenta, silenciosa e tensa, as ruínas da antiga cidadela ainda revelavam a grandeza de seu povo, um povo soberbo que acreditava serem os escolhidos pelos Deuses para governar, devotos fervorosos que ergueram dezenas de templos e estatuas em homenagem aos Deuses humanos esculpidas em tamanhos e formas variadas em rocha, bronze, prata e ouro, a arquitetura rica em detalhes só se comparava com a de Auric, o grande Deus da Guerra Balthazar era o mais exaltado nesta parte da cidadela, o templo do Deus da Guerra devia ser próximo daquele lugar.

Japo admirava cada detalhe arquitetônico que via, um monumento contendo cinco Deuses Humanos chamou sua atenção.

  • Algo me intriga.

  • E o que seria Japo? Perguntou Ashira.

  • Se existem seis Deuses Humanos, porque Orr venerava apenas cinco deles?

  • Naquela época Kormir não havia se tornado um Deus, era apenas uma heroína humana.

Japo piscou os olhos três vezes surpreso.

  • A líder dos Deuses foi uma humana?

  • Sim. Mas você está certo Japo, sempre existiram 6 Deuses Humanos, algo ocorreu antes de Orr se tornar um império, os habitantes não conheceram o sexto Deus ou foram obrigados a esquecê-lo.

  • E o que poderia ter feito isso?

  • A priory não conseguiu montar todo o quebra-cabeça, mas acreditamos que ouve uma guerra entre os Deuses e o sexto Deus foi exilado ou aprisionado. Eu acredito que esta biblioteca pertença a um dos poucos devotos deste Deus esquecido, ela deve possuir inúmeras respostas para perguntas muito antigas.

Ao seguirem por um extenso corredor de mármore enegrecido pelo tempo Ihara fez sinal para que todos parassem Ashira ao lado dele observou onde Ihara apontava e a uns 60 metros de distancia eles avistaram um gigante humanóide ressurgido de 8 metros de altura, a carne apodrecida do risen exalava um fedor ainda pior do que o da cidadela abandonada, o gigante tinha apenas um olho central ele estava parado em frente a um salão circular que possuía quatro passagens laterais.

  • Um ciclope risen. Ashira sussurrou para o esquadrão.

Japo e khanum se aproximaram dela, Irikami continuava um pouco afastado com shuurei no colo, ela parecia adormecida ou desmaiada, era difícil dizer o seu estado atual, o olhar de preocupação de Irikami dizia que ele seria inútil nesta luta.

  • Alguma sugestão minha líder? Disse Khanum apertando o cabo da espada de duas mãos presa as costas.

Ele ansiava por ação, mal havia participado dos combates anteriores, Khanum precisava mostrar que podia ser tão corajoso e forte quanto Hassui, Alice, Athriel e Mitho foram dizia o sangue norn pulsando em suas veias exigindo adrenalina.

  • Teremos que eliminá-lo rápido, não lhe dando chance de contra-atacar. Um golpe na cabeça irá cegá-lo, em seguida concentraremos os ataques no tórax, se agirmos rapidamente ele não conseguirá reagir.

Japo e Khanum assentiram com as cabeças, Ashira olhou para Irikami e se aproximou dele, ela gentilmente tocou a cabeça de Shuurei retirando uma mecha de cabelo no rosto dela e disse para ele.

  • Irikami, você fica aqui tomando conta de Shun. Tudo bem?

  • Tudo. Ele respondeu baixando a cabeça.

Ashira se afastou se juntando aos outros, algo estava errado com Irikami, não somente a tristeza pela morte de sua irmã ou o estado físico de Shuurei, Ashira tinha a impressão que Irikami combatia uma luta interna consigo mesmo, embora ela não compreendesse o que seria.

Japo, Khanum e Ihara já se posicionavam para começar a investida, Ashira pegou o cajado e a adaga sinalizando para que Ihara começasse o ataque. Ihara mirou a flecha no olho do ciclope morto-vivo, esta era uma flecha especial, a ponta era oca possuindo ácido capaz de derreter uma chapa de aço, a flecha foi disparada acertando em cheio o olho do ciclope que urrou de dor, ele golpeava o ar sem saber onde seu alvo estava atingindo o teto e as colunas que racharam com a força descomunal da criatura, pedras e poeira caiam do teto, o local corria o risco de desabar se o gigante risen não fosse destruído rápido. Khanum sacou sua gigantesca espada de duas mãos e correu na direção do ciclope gritando um brando de batalha, ele golpeou a articulação do joelho esquerdo que foi dilacerada pelo golpe, Japo fez o mesmo no joelho direito usando seus dois machados, ambos os golpes conseguiram fazer com que o gigante caísse ajoelhado, neste momento Ashira invocou uma tempestade flamejante sobre o ciclope seguida de colunas incandescentes aos pés do gigante, o risen ardeu em chamas urrando, Ihara disparava outras cinco flechas ácidas no peito do ciclope que tombou derretendo e queimando, Khanum se aproximou sorrindo do corpo que queimava para examinar o estrago feito por eles.

  • Não se aproxime Khanum. Ashira gritou em alerta, mas era tarde demais.

O gigante risen em um último espasmo socou na direção de Khanum o atingindo em cheio no peito, ele voou pelo corredor colidindo na parede oposta, uma última flecha de Ihara atingiu a cabeça do risen fazendo-a explodir. Desta vez ele estava definitivamente morto, Japo e Ashira correram até Khanum retirando seu elmo, um filete de sangue escorria de sua boca o peitoral da armadura estava amassado com o impacto do soco, Khanum deveria estar com várias costelas quebradas ou pior.

  • Não nos abandone norn idiota! Gritou Japo tentando despertá-lo.

  • Khanum! Você pode me ouvir? Disse Ashira invocando seu poder de cura, uma leve garoa caiu sobre o norn, às partículas de água entravam pelos poros do corpo curando e cicatrizando as feridas, Khanum despertou tossindo. Ele estava vivo, mas os ferimentos eram graves.

  • Você está bem? Perguntou Ashira preocupada.

  • Me sinto todo quebrado por dentro… Mas acho que estou bem.

  • Pode continuar? Consegue se levantar?

  • Posso tentar. Só não sei se serei útil daqui para frente.

  • Todos são úteis meu amigo. Disse Japo estendendo a mão ajudando Khanum a se levantar.

Irikami se aproximou com Shuurei nos braços, ele parecia distante e triste.

  • Me desculpe Khanum, eu devia ter ajudado vocês.

  • Não se preocupe Irikami, não sou feito de porcelana e você tem de cuidar de Shuurei. É seu dever.

Irikami assentiu, depois olhou o salão onde eles estavam arregalando os olhos de temor e disse com urgência.

  • Temos de sair daqui imediatamente, reconheci este lugar.

  • Então onde estamos? Indagou Japo.

  • No salão do Gigantus Lupicus, minha irmã disse que destruiu um quando voltou de Orr em missão. Deve ter sido neste salão.

  • Isso nos dá apenas algumas horas até que outro surja. Completou Ashira.

  • Vamos seguir, pegaremos a terceira passagem, diacordo com as expedições anteriores que vieram a Arah a biblioteca deve ficar a leste do templo de Balthazar. Conhecimento e poder sempre andam juntos.

Eles seguiram pelo corredor Irikami novamente com a expressão distante como se Shuurei nem estivesse em seus braços, Khanum andava com dificuldade, mesmo o poder de cura de Ashira tinha seus limites e Khanum acreditava que já havia passado deste limite. Enquanto se afastavam um vulto negro os observava, em breve o esquadrão de Ashira conheceria seu verdadeiro e maior inimigo.

Irikami 6 anos atrás

Mansão da família Lacy

  • Mana você tem certeza do que está dizendo?

  • Estou Iri, não consigo mais guardar isso para mim, eu a amo. Não sei como explicar, mas eu amo Shuurei.

  • Alice… Shun é uma garota.

  • Eu sei… Mas meu coração parece que não se importa com esse detalhe.

  • Ou a falta dele… Irikami disse sem pensar.

  • Iri! Gritou Alice ficando vermelha de vergonha.

  • Mana. Shuurei acabou de completar 14 anos e você tem 19. Tem certeza que quer mesmo falar com ela? E se Shun te considerar apenas uma amiga? E se você está apenas confusa com seus sentimentos…

  • Iri eu sei o que sinto.

  • Alice ela é uma mulher! Vocês duas são! Você devia encontrar um homem descente…

  • Você sabe que nunca consegui me aproximar de um homem, a exceção é você.

  • Obrigado.

  • Iri… Você é meu irmão, eu te amo. Por isso com você é diferente.

Ao ouvir a irmã dizer que o amava o coração de Irikami bateu acelerado o deixando desconfortável, Irikami observou a irmã sentada em sua cama, ela estava de camiseta branca larga usando apenas um short por baixo, era o que ela vestia para dormir, Alice não gostava de camisolas, os olhos de Irikami passearam pelo corpo da irmã os cabelos loiros soltos escorriam pelo ombro parando entre os seios, ele desviou o olhar para a janela, os punhos se fecharam, e sua expressão mudou para irritação. Ele decidiu o que faria, ele ai fazer Alice desistir dessa história absurda dela se declarar a Shuurei. Irikami avançou segurando nos ombros da irmã e a olhando nos olhos, ambos tinham o cabelo loiro e olhos azuis, embora Irikami fosse mais novo estando com 17 anos, ele já era mais alto que Alice.

  • Alice me escute, se você se declarar a Shun e ela não sentir o mesmo que você isso irá destruir a amizade de vocês. É isso que você quer?

  • Não! Alice disse assustada com a idéia.

  • Então faça o que seu digo. Deixe do jeito que está, será melhor assim.

Alice baixou a cabeça triste suprimindo uma lágrima, ela abraçou o irmão que a consolou apoiando a cabeça no ombro dela, Irikami havia conseguido, por enquanto.

Dias atuais

Cidadela de Arah

Irikami caminhava com Shuurei nos braços atrás dos outros, seus pensamentos o atormentavam, embora estivesse visivelmente preocupado com Shuurei não conseguia se esquecer da irmã, ele amava Alice, um amor que nunca confessou a ninguém, amava Alice não como uma irmã, mas como mulher nunca tendo coragem de confessar a ela, não sabia a reação que ela teria ou o que pensaria dele, o chamaria de doente? De pervertido? Agora ele nunca saberia, porque ela estava morta, a dor o consumia por dentro, era injusto Alice ter se sacrificado daquela maneira, a irmã era a pessoa mais forte que ele conhecia. Então porque os outros deviam estar vivos enquanto sua irmã morrerá. Em meio aos pensamentos conflitantes ele olhou para Shuurei e o medo tomou conta de seu ser. O rosto da menina começava a ficar translúcido, Shuurei estava desaparecendo.

  • NÃO! Irikami gritou fazendo todos se virarem para ele.

Ashira correu em sua direção ela olhou para Shuurei e o mesmo medo de Irikami a consumiu. Ela tocou Shuurei com as mãos tremulas e mais de uma vez as mãos atravessaram o rosto da menina como se ela fosse um fantasma.

  • Por Balthazar! A fragmentação! Balbuciou Ashira assustada.

  • Ela está desaparecendo Ashira! O que ta acontecendo com ela?

-Precisamos nos apressar! Achar a biblioteca e encontrar o diário! É a única esperança que temos! Ashira gritou para o esquadrão.

  • Me responda Ashira! O que não contou para nós!

Ashira encarou Irikami, era hora de contar a ele a verdade.

  • Shun e Kim estão se fragmentando da mesma maneira que o tempo e espaço.

Irikami olhou horrorizado para Ashira. Como ela teve coragem de esconder isso dele, algo tão grave a respeito de Shuurei.

  • MALDITA… Como pôde esconder isso, como pôde não me contar nada! Nem para Alice! Ele gritava descontrolado.

  • Irikami se acalme, foi Shun que decidiu não contar nada a você e a Alice. Eu e Alexian apenas respeitamos a decisão dela.

  • Eu merecia saber…

  • Sim Iri, você merecia… Mas não por mim.

  • Você acredita mesmo que este diário tem a resposta para curá-la?

  • É a única chance que temos.

Irikami apertou Shuurei nos braços, lágrimas escorrendo de seu rosto. Ele acelerou o passo liderando o esquadrão. As palavras de Alice ressoando em sua cabeça. “Iri, meu querido irmão. Você cuida de Shun a partir de agora.”

  • Calma Irikami, se avançarmos desta maneira chamaremos atenção demais.

  • NÃO ASHIRA! Chega de cautela! Chega de calma! Quatro de nós estão mortos! E sua cautela não os salvou! Não vou deixar Shun ser a próxima!

  • Está sendo injusto Irikami. Ashira também se preocupa com Shuurei. Defendeu Khanum.

Ihara observava já preparado caso a discussão se tornasse uma luta.

  • Você está certo Irikami. Este é meu esquadrão e a morte de meus amigos é minha culpa. Não há necessidade de você me lembrar disso.

  • Iri… Pare por favor. Eu não te contei porque sabia que isso ia acontecer… Shuurei disse, ela tinha acabado de despertar. Ela estava pálida, havia voltado a ficar sólida, mas parecia exausta.

  • Me desculpe Shun. Não vou permitir que você se vá.

  • E para quê eu existo Iri? Meu irmão se foi… Alice se foi… O que me resta?

  • Você tem a mim, Ashira, Alexian… E todos os outros.

  • então seu bobo, não culpe os outros por nossas perdas. Ela disse batendo de leve na cabeça de Irikami com os dedos.

  • Essa é minha filha. Disse Ashira com uma lágrima escorrendo do rosto.

  • Me perdoe Ashira. Implorou Irikami.

  • Não a o que perdoar, vamos esquecer isso e continuar. Nossa missão será concluída. Não importa o que acontecer.

  • Ashira… Shuurei sussurrou.

  • Diga minha querida.

  • Se o pior acontecer… E eu vier a morrer ou desaparecer…

  • Não diga isso Shun.

  • Me ouça mãe! Quero que coloque meu nome na lápide junto ao de Alice. Quero estar com ela no final, corresponder o amor que ela me deu e nunca o retribui.

  • Shun… Eu prometo. Ashira disse segurando as mãos de Shuurei, quase desmoronando de tristeza.

Irikami olhou para mãe e filha, mesmo sem laços de sangue o amor entre elas era enorme, amor de verdade. Irikami chorou novamente pela irmã prometendo que salvaria Shun mesmo que morresse na tentativa, isso seria sua absolvição a tudo que tinha feito por esse amor doentio que sentia.

Irikami 6 anos atrás.

Área de treinamento da Vigil

Alice deslizava os pés suavemente em movimentos precisos, a lamina da espada cortava o ar, os longos cabelos loiros balançavam ao vento enquanto o suor escorria pelo rosto, a pele branca e macia brilhava ao sol com o suor preso ao corpo os olhos azuis como o mar estavam concentrados enquanto realizava os movimentos com a espada. Duzentos recrutas observavam sentados no chão do pátio do quartel da Vigil admirando a performance da garotada garota. Irikami era um destes recrutas, o warmaster Forgal Kernsson avaliava o desempenho de Alice, o norn trajava a armadura completa da Vigil. Alice terminou o exercício embainhando a espada e cumprimentando Forgal.

  • Muito bom cruzader Alice, ele a elogiou e em seguida se voltou aos recrutas.

  • Como vocês puderam ver a cruzader Alice executou todos os 28 movimentos de ataque e defesa com a espada de maneira exemplar. Espero que vocês tenham prestado bastante atenção a cada movimento que ela fez.

  • Eu com certeza não tirei os olhos daquele corpo maravilhoso.

Um dos recrutas cochichou no ouvido de outro recruta rindo. Irikami que estava ao lado escutou o comentário fechando os punhos de ódio.

1 hora depois…

Irikami era contido por 5 recrutas, os punhos dele estavam cobertos de sangue, Forgal chegou ao local acompanhado de Alice e Alexian presenciando a cena, um recruta se encontrava caído no chão desacordado, o rosto completamente desfigurado após apanhar, o mesmo rapaz que havia feito o comentário a respeito de Alice, Irikami o encarava com uma expressão voraz.

  • O que você fez recruta? Forgal disse.

Dias atuais

Cidadela de Arah

Passaram-se horas intermináveis de avanço no interior de Arah, todos estavam exaustos, famintos e feridos, pelo menos oito outras batalhas com mortos- vivos aconteceram, armadilhas foram desativadas e monstros destruídos. Mas enfim eles encontraram os portões da biblioteca secreta, portões de 4 metros de altura de bronze com inscrições e runas antigas estavam lacrados. Ashira e Ihara tentavam traduzi-lo, eram os mais capazes, o dialeto não era o problema, ambos conheciam a escrita oriana, mas as formas geográficas, alquímicas presentes dificultavam o entendimento, por fim os dois conseguiram decifrar. As inscrições exigiam uma oferenda para serem abertos os portões e esta oferenda era magia bruta lançada em pontos específicos do portão, isso não era o problema, o problema era que tal dispêndio de magia iria deixar Ashira cansada e indefesa e eles não tinham idéia do que encontrariam do outro lado dos portões.

Irikami contemplava os grandes portões fechados da biblioteca secreta, ele olhou para Shuurei que voltara a fechar os olhos para descansar e pensou.

  • Vou protegê-la Alice, vou salvar a vida de Shun nem que tenha de morrer para isso minha irmã!

“- Eu sei que posso confiar em você meu querido irmão Iri.”

Irikami ouviu a voz de Alice, uma mão delicadamente apoiou em seu ombro, ele girou a cabeça com os olhos arregalados, Ashira estava ao seu lado observando Shuurei, ela olhou para ele falando em seguida.

  • Estamos prontos Iri. Tudo bem com você?

  • Sim… Estou…

irikami jurava ter ouvido a voz da irmã, teria sido imaginação sua?

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 24-O Imortal

O portão possuía quatro travas mágicas, cada uma delas só seria desativada por um dos 4 elementos mágicos, o fogo, a água, a terra e o ar. Ao atingir as quatro travas o fluxo mágico escorreria até o centro dos portões através das runas enfim destrancando-o. A quantidade de magia usada em cada trava era grande, Ashira e Ihara levaram quase 30 minutos para calculá-lo. A líder do esquadrão parou em frente aos portões pronta para começar, Ihara e Japo se posicionaram um em cada lado dela, eles eram os únicos em condições de lutar no caso de haver algum inimigo dentro da biblioteca. Khanum e Shuurei estavam com Irikami um pouco mais afastados, embora Shuurei estivesse acordada ela se encontrava exaurida e Khanum tentava poupar as forças para se recuperar dos ferimentos, Irikami os protegeria se fosse necessário.

  • Hora do show. Ashira falou.

Ela esticou os braços diante dos portões, labaredas de chamas saíram de suas mãos assim como de seus olhos, Ashira mirou na primeira trava e lançou o jato de chamas, a trava ficou vermelha incandescente, em seguida ela abriu os braços com as palmas das mãos para cima e o fogo virou um pequeno tornado em ambas as mãos, os olhos soltaram faíscas, ela mirou na segunda trava e lançou os tornados nela que ficou azul cintilante, Ashira juntou as mãos como se oferecesse água a alguém e uma bolha d’água flutuou em suas mãos, os olhos se tornaram brancos ela atirou a bolha na terceira trava que congelou, ao fazer isso cambaleou sendo amparada por Ihara.

  • Eu estou bem. Ela disse gentilmente.

Ashira se endireitou erguendo as mãos acima da cabeça, os braços petrificaram e seus olhos pareceram virar areia, em seguida ela mirou na última trava e uma rajada de terra atingiu a última trava que ficou marrom. As quatro luzes das travas percorreram as runas cada uma com a cor de seu elemento indo se encontrar no centro da tranca dos portões tornando-se uma luz dourada. O som dos portões destrancando e se abrindo ecoou pelo corredor.

Ashira desabou no chão encharcada de suor Ihara estendeu a mão para ela que aceitou a ajuda do amigo. Ela se levantou e contemplou o salão da biblioteca secreta, era um gigantesco salão com dezenas de estantes de madeira negra ornamentada com o chão de mármore, em suas prateleiras centenas de livros e domos antigos, preservados por décadas atrás dessas portas, lá estava o conhecimento de uma civilização inteira, no centro da sala um altar de pedra com a estátua de Abaddon de pé segurando uma placa de pedra que servia de pedestal, sobre o pedestal repousava um velho livro aberto, Ashira avançou lentamente, o coração batia rapidamente, nada a agradava mais do que uma nova descoberta, os outros vinham logo atrás dela, Ashira parou em frente do altar e suspirou aliviada, o livro em cima do altar era o diário que tanto precisavam, a estátua de Abaddon parecia encará-la enquanto ela examinava as páginas do diário.

  • Conseguimos. Ela disse baixinho.

Irikami colocou Shuurei sentada em frente a uma estante de livros indo ao encontro de Ashira, Japo e Khanum examinavam o fundo da biblioteca procurando outra passagem, mas parecia que só existia a entrada que eles haviam usado, Ihara estava ao lado de Ashira enquanto ela folheava o diário.

  • São tantos livros… Tanto conhecimento acumulado… Tantos segredos a serem descobertos…

  • Ashira nós temos de ir, não sei quanto tempo Shun vai permanecer instável. Disse Irikami.

  • Você está certo, assim que retornarmos contatarei a priory, darei as coordenadas daqui e pedirei que enviem uma unidade inteira da Durmand para resgatar os livros.

  • Que se danem os livros Ashira! Você está me ouvindo?

  • Estou Irikami. Ihara mande o drone para Amy, dê nossas coordenadas para que ela possa nos teleportar de volta ao guild hall.

Ihara assentiu com a cabeça, quando ele colocou a mochila no chão para retirar o drone o som de passos ecoou pelo salão, alguém vinha pelo corredor de entrada. Japo e Irikami sacaram as armas e aguardaram, Ihara pegou o arco preparando uma flecha, Khanum parou na frente de Shuurei como um escudo humano, os passos foram ficando mais altos e um vulto negro entrou na biblioteca, era um ser imponente trajando uma armadura pesada completa totalmente negra, o elmo tinha a forma de um crânio, uma capa esfarrapada presa a um broche com o símbolo de Balthazar adornava o ombro direito, em suas costas havia uma grande espada de duas mãos dentada de metal negro.

  • Um morto-vivo guerreiro? Indagou Japo.

  • Parece imponente demais para um mero risen, pode ser um campeão de Zhaitan. Disse Khanum.

  • O que faremos Ashira? Perguntou Irikami sem tirar os olhos azuis do inimigo.

O ser não se mexia, continuava parado em frente do portão bloqueando a única saída e encarando a todos.

  • O deixe comigo Ashira. Japo pediu vendo nesta luta a possibilidade de se desculpar com Ashira pela grosseria feita mais cedo, os olhos puxados e cabelos pretos lisos marca típica do povo de Cantha lhe dava um ar mais jovem.

  • Você não vai lutar com ele sozinho Japo, eu vou ajudar. Impôs Irikami.

  • Por mim tudo bem meu amigo, pelo visto não sou o único que está querendo se desculpar com Ashira através da ação.

  • Tenham cuidado, não sabemos o poder dele. Ashira pediu aos dois.

  • É só um risen, no máximo um campeão de Zhaitan como Khanum mencionou, somos páreo para ele. Disse Japo confiante.

Irikami e Japo atacaram. Japo com seus machados, Irikami com seu espadão, o estranho de armadura se moveu em alta velocidade esquivando dos ataques socando Irikami no peito que mal teve tempo de aparar com o espadão, o impacto o jogando para trás tamanha a força do golpe, Japo aproveitou e atacou novamente, o estranho sacou sua espada negra dentada e contra-atacou, Japo desistiu do ataque bloqueando o golpe cruzando os machados, o som do golpe ecoou pelo salão, cada músculo no corpo de Japo doeu com a pancada deixando suas pernas e mãos tremula, Ihara mirou com o arco e disparou uma seqüencia de flechas no inimigo que girou a espada dentada partindo as flechas ao meio, as pontas das flechas caiam deixando o ácido derreter o chão de mármore, Japo atacou mais uma vez aproveitando que o inimigo havia ficado de lado para ele, um dos machados atingiu a trava lateral do elmo tirando o visor em forma de crânio, Japo olhou para o estranho esperando ver um risen e se surpreendeu com o que viu.

  • Pelos Deuses! Ashira ele não é um risen!

Japo gritou, mas não notou o punho vindo em sua direção que atingiu seu peito despedaçando a armadura e atravessando seu peito, ele se contorceu de dor, cuspindo sangue pela boca, seus olhos desfocaram, os braços tombaram deixando os machados caírem, o estranho retirou a mão de dentro do peito de Japo e o corpo tombou diante de uma enorme poça de sangue, o estranho se virou para o esquadrão removendo o elmo, cabelos negros caíram pelo ombro, diante deles um belo rapaz aparentando ter uns 20 anos se encontrava por baixo do elmo, ele possuía olhos cor de âmbar com longos cabelos negros.

  • É um prazer conhecê-los mortais, meu nome é Bahamuth sou o filho do Deus Balthazar e vocês serão minhas oferendas em nome do meu pai.

Bahamuth 250 anos atrás

Existem lendas incontáveis sobre os Deuses Humanos, sobre seus domínios, seus servos e seu poder imensurável. A própria origem de tais Deuses é um mistério e tabu que tem sido estudado por sábios e sacerdotes, mas a lenda mais intrigante e contestada por eruditas diz respeito aos Deuses serem capazes de gerar herdeiros com mortais. O Deus da Guerra Balthazar era conhecido por visitar seus devotos mais fervorosos, soldados, generais, mercenários, todo exercito ou guerreiro orava a Balthazar pedido sua proteção durante o combate. Aqueles que caiam nas graças do Deus da Guerra podiam ter honra de tê-lo lutando ao seu lado, garantindo assim a vitória. Mulheres pertencentes ao lado perdedores eram oferecidas ao Deus, porem Balthazar escolhia suas conjugues por suas habilidades em combate, não por servidão. Em centenas de anos apenas uma mortal conseguiu domar o coração do Deus guerreiro, seu nome era Jezebel cabelos de fogo, uma guerreira bárbara capturada em combate cm sua tribo, o Deus Balthazar ficou maravilhado com a beleza, ferocidade e as habilidades de luta da mulher guerreira. Após muito cortejá-la enfim o Deus conseguiu consumar sua união, presenteando Jesebel a honra de gerar o primeiro herdeiro do Deus da Guerra, o nome da criança era Bahamuth o primeiro semideus e seu dom seria a imortalidade. Infelizmente tal imortalidade podia se tornar uma maldição, principalmente quando o Elder Dragon dos mortos Zhaitan despertou aniquilando e transformando toda a vida existente em Orr em seus risens mortos-vivos.

Dias atuais

Biblioteca secreta

O corpo de Japo tremia no chão enquanto a poça de sangue lentamente aumentava de tamanho, os 5 segundos de topor do esquadrão foram interrompidos com salto de Ihara na direção de Bahamuth, o zephyrite sacou a espada e a faca do cinturão abandonando o arco para trás, Ihara parecia transtornado, totalmente diferente do habitual, os cabelos pretos lisos estavam desgrenhados, os olhos puxados tinham uma expressão de ódio, ele atacou Bahamuth com ambas as armas girando o corpo, as laminas traçaram um circulo de 360° visando a garganta do inimigo, Bahamuth ergueu a grande espada dentada aparando ambos os ataques, tanto a espada quanto a faca voaram das mãos de Ihara o impacto fez seu corpo todo tremer, Ihara aproveitou o giro do corpo em uma rasteira que pegou Bahamuth desprevenido o derrubando no chão que rolou para trás trincando os dentes de raiva, ele segurou a cabo da espada dentada com as duas mãos a ponta da lamina voltada para baixo e perfurou o chão de mármore da biblioteca, um ar gélido pareceu sugar toda a pouca luz do salão, os olhos âmbar de Bahamuth mudaram de cor se tornado negros como abismos sem fim, do local onde a lamina havia perfurado o chão ergueram-se tentáculos de sombras indo em direção de Ihara tentado perfurá-lo, o zephyrite se esquivava de cada um deles com cambalhotas e acrobacias, Khanum retirou o grande escudo circulas das costas, ele era todo prateado ornamentado nas bordas com runas norns, Khanum abandonou o espadão pegando o martelo de combate. Desta maneira o guardian norn teria uma defesa poderosa, Khanum olhou para Irikami que se levantava e gritou para ele.

  • Irikami fique com Shuurei, vou ajudar Ihara na luta!

Irikami concordou com a cabeça. Apanhou a espada caída no chão que havia deixado cair e suas mãos tremeram, ele estava com medo. Irikami encarou Bahamuth, o golpe daquele homem era poderoso, muito mais forte do que o de sua irmã, Irikami se virou e correu em direção a Shuurei se odiando por isso. Shuurei tentava se levantar, mas estava zonza e fraca, ao olhar para as mãos ela as viu ficarem transparentes, com medo Shuurei olhou para Ashira que pegava duas adagas na cintura. Ashira retribuiu o olhar de Shurrei e sussurrou.

  • Proteja-se.

A adaga da mão esquerda se inflamou enquanto a da mão direita se congelou, Ashira estava esgotada após ter usado seu poder mágico para destrancar a biblioteca, porem não podia permitir que seu esquadrão lutasse sozinhos e também não podia deixar que Japo morresse sem saber a verdade sobre seu passado, senão Ihara não se perdoaria e pelo código de honra de seu povo cometeria o suicídio ritualístico para se redimir, por esta razão Ashira usou a única força que lhe restava, sua própria energia vital.

Japo 10 anos atrás

Kessex Hills

Talvez algumas pessoas não se lembrem, mas antes da torre dos pesadelos surgir em Kessex Hills e ser destruída pelo Pacto, existia próximo as margens do lago Viathan uma vila, a vida neste pequeno vilarejo pesqueiro era dura e cruel, três fatores contribuíam para isso, um acampamento centauro próximo a ele, um esconderijo de ladrões e um ninho de Kraits no lago (povo serpente). Não era preciso dizer o quanto os moradores desta vila viviam apavorados. Thomas e Isabela eram um casal de idosos que viviam neste vilarejo, eles não tinham para onde ir ou a quem recorrer, por isso permaneciam morando neste lugar esquecido pelos Deuses, o velho casal estiveram diante da morte inúmeras vezes escapando por milagre em muitas ocasiões, uma noite como em quase todas as noites nesta vila sons de portas sendo derrubadas começou a ser ouvido, os dois idosos trancaram as portas e foram para o quarto, sabiam que seria outra noite de pesadelos tendo a casa invadida e saqueada, em meio ao sons de portas sendo forçadas, mesas e cadeiras viradas, objetos sendo quebrados um som deferente foi ouvido, sons de luta. Alguém ou um grupo estavam enfrentando os invasores, os sons da batalha durou quase a noite toda, por fim silenciaram. Os idosos permaneceram no quarto ainda durante algum tempo, somente saindo quando ouviram as vozes dos vizinhos nas ruas. Quando finalmente destrancara a porta do quarto e saíram a casa estava não somente toda destruída como também com marcas de sangue e corpos de centauros podiam ser vistos em toda parte. A cena se repetia por toda a vila, não havia sinal de quem tinha feito isso tudo, foi quando alguém da vila gritou dizendo ter encontrado uma pessoa que não era um centauro, todos da vila se reuniram em torno do estranho, caído no chão um rapaz de aproximadamente 15 anos usando roupas nunca vistas na região estava desacordado, ele tinha cabelos pretos lisos e olhos puxados, a pele era bronzeada queimada pelo sol, alguém o cutucou e o rapaz acordou assustado. Várias vozes perguntando quem ele era e com quem tinha vindo falaram ao mesmo tempo, o rapaz pareceu tentar se lembrar e sua resposta foi:

  • Meu nome é Japo e não sei quem sou ou de onde vim.

Dias atuais

Biblioteca secreta

  • Tolos mortais, vocês ousam desafiar o poder de um semideus? Eu tinha a intenção de presenteá-los com uma morte rápida e indolor, agora usarei meu poder para drenar a vida de cada um de vocês.

  • Pensei que você fosse um guerreiro Bahamuth? Perguntou Khanum se aproximando de Ihara e bloqueando dois tentáculos que vinham em sua direção. O norn sentia o escudo mais pesado do que antes, a força do seu corpo não havia ainda retornado por completo após o ferimento.

  • Norn tolo! Sou o senhor da morte, eu controlo a própria essência da vida e da morte.

  • Em resumo você é um necromante. Mas isso não faz sentido, como pode lutar como guerreiro e ser um necromante? Perguntou Khanum avaliando a melhor maneira de atacar.

  • Não estou preso as suas leis divinas mortais, posso ser o que quiser fazer o que desejar e ser o que quiser. Sou a personificação do que a de mais belo e perfeito e ninguém pode desafiar meu poder. O semideus disse sorrindo.

O disparo de fogo e gelo o atingiu bem na cabeça o atirando de costas no chão de mármore, Bahamuth levantou a cabeça procurando quem o havia atacado, o rosto semi destruído que se regenerava a uma velocidade espantosa.

Ashira estava diante dele, os braços com queimaduras causadas pelo fogo e gelo ela encarou Bahamuth e disse com ironia:

  • Gostaria de testar esta teoria.

  • Mulher arrogante, você acha que é capaz de desafiar meu poder? Estes ferimentos não são nada para mim!

Bahamuth se levantou seu rosto já estava todo curado sem nenhuma cicatriz, um rosto perfeito, lindo. Ashira achava que se existissem príncipes encantados como nas histórias infantis eles teriam o rosto de Bahamuth, é claro que este tipo de homem nunca a agradou, seu amigo Lord Faren era o exemplo perfeito de alguém que se preocupava mais com a aparência do que com o caráter de alguém. Ashira olhou para o lado observando seus amigos, Khanum e Ihara pareciam bem e em condições de lutar, por outro lado Shuurei mal se agüentava de pé e seu estado por causa da fragmentação deixava impossível saber o que poderia acontecer caso ela se envolvesse na luta e Irikami estava com algo no rosto que Ashira conhecia bem. Os olhos de Irikami demonstravam medo, ele seria inútil Ashira pensou. Ela teria de traçar uma estratégia para vencer esta luta sem a ajuda dele e ela acreditava que usar as fraquezas do inimigo era sempre válido, no caso de Bahamuth, Ashira acreditava ser sua arrogância e vaidade. Esta foi uma lição que Ashira aprendeu com Riel Darkwater dos whispers há alguns anos atrás, desestabilizar o inimigo emocionalmente.

  • Você deve se considerar superior a todos nós não é mesmo Bahamuth?

  • Eu sou superior mulher! Sou um semideus!

  • Então porque alguém assim bonito e poderoso como você está aqui em Arah? Não deveria estar… Não sei, governando um reino cercado de servos e mulheres suspirando pela sua beleza divina? Ashira disse com a mão no queixo com a expressão pensativa. Quem a visse diria que era parecida com uma cópia nova de Zanza quando queria irritar alguém com perguntas constrangedoras.

  • Estou avisando mulher é melhor se calar, minha paciência está acabando.

  • Acho que toquei numa ferida não é mesmo? Você é incapaz. Ashira disse apontando para Bahamuth e continuando a falar.

  • Tanta beleza, tanta força, mas nenhuma inteligência e liderança… Nós mulheres bem falamos que homens fortes e bonitos tendem a serem burros e manipuláveis…

Ashira lhe lançou um olhar sínico e sorriu cruelmente para ele dizendo.

  • Me diga Bahamuth… Quem te manipula seu tolinho?

A mandíbula de Bahamuth enrijeceu o ódio avassalador por Ashira o dominando por completo. Tentáculos de sombra surgiram por todo salão perfurando todos na sala, menos Ashira que foi poupada. Ashira havia ido longe demais a suas provocações contra Bahamuth e agora seu esquadrão pagaria por isso.

Bahamuth 220 anos atrás

Cidadela de Arah

O jovem semideus Bahamuth estava deitado em seus aposentos em cima de dezenas de almofadas de penas de pavão, quinze concubinas seminuas vestidas com lenços de ceda cuidavam de seus desejos, dando lhe uvas na boca, servindo taça de vinho, satisfazendo suas necessidades masculinas… O próprio rei Reza de Orr não se atrevia a incomodar bahamuth a não ser que fosse extremamente necessário, o Vizier Khildron conselheiro do rei que se sentia intimidado por Bahamuth não o perturbava fazia algum tempo, a única pessoa com coragem de interromper Bahamuth era Jezebel, sua mãe.

  • Todas vocês fora! Ordenou jezebel entrando no aposento, as concubinas se retiraram de cabeça baixa e em fila, Bahamuth encarou a mãe com raiva, já esperando algum tipo de sermão.

  • Você pretende ficar deitado ai até quando? Tem exata uma semana que você não sai daqui de dentro!

  • É o que você quer que eu faça mãe? A cidadela de Arah está segura e o reino de Orr prospera. O rei Reza ou o Vizier me chamariam caso precisem de mim.

  • Será mesmo meu filho?

  • O que quer dizer com isso mãe?

  • Que para o rei e o Vizier você é como as estatuas dos Deuses que aqui existem, apenas algo para ser visto, louvado e admirado. Porque acha que ele lhe concedeu um palácio, concubinas e riqueza? Para manipulá-lo meu filho.

  • Como ousa…

  • Ouso porque alem de ser sua mãe, sou uma guerreira. Seu pai me possuiu após me vencer em batalha, eu deveria ter me matado após tal violação, mas ele se revelou como o Deus da Guerra e me disse que eu fora a escolhida para gerar seu filho. Aceitei meu destino, mas não esperava que o filho do Deus Balthazar se tornasse alguém tão fútil e manipulável.

  • Ninguém me manipula! Não fora eu que liderei o exercito de Orr contra o ataque dos charrs? Não fora eu que matei demônios, margonitas e destruí o templo Forgotten do Deus exilado? Não fora eu que trouxe a grandeza ao nome da cidadela de Arah?

  • Foi meu filho. Só que agora o rei junto ao Vizier conspiram a suas costas, uma serva leal a ti, me confidenciou que hoje de manhã um andarilho foi até o palácio real acompanhado do Vizier e que o próprio rei Reza o recebeu como receberia um governante de uma nação. O andarilho presenteou o rei com um livro e após isso o rei ordenou que todos na sala do trono se retirassem até mesmo os guardas reais foram dispensados, os únicos que ficaram foram o rei, o Vizier e o andarilho.

  • Ele não me avisou a respeito desse andarilho.

  • Não meu filho, não é estranho?

  • Irei imediatamente até o rei e falarei com esse andarilho pessoalmente. Bahamuth disse se levantando.

  • Infelizmente meu filho, ele já partiu, logo após presentear o rei com o livro.

  • Então eu descobrirei o que tem de tão importante neste livro.

Dias atuais

Biblioteca secreta

Shuurei, irikami, Ihara e Khanum haviam sido perfurados cada um por um tentáculo de sombras que foram afinando até ficar na grossura de um fio negro, Bahamuth sorriu e disse com desdém para Ashira.

  • Agora mulher, porque não me ataca com todo seu poder?

Ashira hesitou, nenhum dos seus amigos pareceu estar sofrendo pelo ataque dos tentáculos e o fio negro que eles se tornaram era algo suspeito.

  • Você é esperta mulher, notou que algo está errado. Mas você descobriria o que seria? Bahamuth zombou.

Ashira apontou a ponta da adaga incandescente e disparou uma leve fagulha no rosto de Bahamuth, ele não tentou se esquivar ou deter o ataque, ao tocá-lo todos os membros do esquadrão sentiram uma queimadura no rosto. A marca de queimado apareceu em suas faces.

  • O que faremos Ashira? Perguntou irikami vendo a marca em Shuurei.

Ashira não sabia o que fazer então algo aconteceu. Japo que se encontrava caído até aquele momento se ergueu, os olhos estavam fechados e a cabeça baixa como se estivesse inconsciente, uma estranha rachadura na pelo da bochecha direita crescia lentamente, o corpo convulsionou e Japo dobrou o corpo para frente. A placa da armadura das costas foi expedida do corpo enquanto o tecido da camisa esticava até rasgar, um majestoso par de asas azuis com penas coloridas nas pontas se abriu. Japo endireitou o corpo abrindo os olhos, ele estava com olhos de falcão e encarava bahamuth. O olhar de espanto de todos não demonstrava nem metade da surpresa que todos se encontravam. Ihara avançou na direção de Japo falando em uma língua desconhecida ainda mais indecifrável do que a de seu povo zephyrite.

  • Que coisa bizarra é esta? Perguntou bahamuth girando a espada dentada pronto para partir Japo ao meio. Ele golpeou e um murro de pedra separou Japo de Bahamuth.

  • Ihara detenha Japo, sele a transformação antes que seja tarde demais! Ashira gritou concentrando seu poder na muralha que ela havia levantado.

Ihara agarrou Japo por trás cobrindo os olhos de Japo com as mãos enquanto entoava um mantra confuso. Japo caiu no chão contorcendo o corpo, as asas foram encolhendo até desaparecerem por completo. Ihara puxou Japo para o fundo da biblioteca no momento exato que o muro de pedra explodiu.

  • Vamos acabar com isso de uma vez Mulher, não irá levar o livro do andarilho. Bahamuth falou avançando na direção de Ashira que assimilou a palavra andarilho dita por Bahamuth, Khanum atacou com o martelo de combate acertando Bahamuth no peito, Khanum e os outros arfaram como se sentissem o golpe cuspindo sangue pela boca. Khanum tentou se afastar, mas Bahamuth golpeou com a espada dentada, o norn ergueu o grande escudo bloqueando o ataque, fagulhas dos dentes da lamina da espada voaram do escudo, embora a força do ataque tenha sido grande o escudo e Khanum suportaram o impacto, aquilo pareceu desagradar Bahamuth que avançou com uma das mãos segurando na borda do escudo tentando arrancá-lo das mãos do guardian norn, Khanum segurava com toda a força posicionando o escudo na frente de Bahamuth que sorriu dizendo:

  • Você deve se achar forte norn, não é mesmo? Mas eu sou muito mais.

Bahamuth se aproximou um pouco mais, forçando o escudo para o lado, ele girou a espada na outra mão pronta para golpear Khanum pelo lado oposto ao escudo, quando em um puxão mais potente de Khanum o escudo parou em frente ao rosto de Bahamuth refletindo sua face, Bahamuth olhou seu reflexo e gritou de pavor.

  • NÃO! Que feitiçaria é essa norn? Este não é meu rosto! Eu sou belo! Eu sou belo!

Ihara que se encontrava no lado esquerdo de Bahamuth pôde ver seu reflexo no escudo prateado, o reflexo não era de um belo rapaz, mas de um velho decrépito, apodrecido pelo tempo. A verdadeira face de Bahamuth revelada, Ihara gritou para Ashira contando-a o que viu na língua zephyrite. Ela compreendeu, Ashira enfim tinha um plano em mente.

Bahamuth soltou o escudo de Khanum segurando a espada dentada com as duas mãos e golpeou com toda a força e fúria o escudo, Khanum bloqueava os ataques, lascas do escudo voavam, em pouco tempo ele ficaria inutilizado, Ashira e Ihara trocavam palavras na língua zephyrite, o plano seria colocado em prática a qualquer momento. Ashira olhou para suas mãos que seguravam as adagas, as queimaduras causadas pela magia do fogo e gelo estavam cada vez piores, ela sorriu se lembrando da terrível batalha no templo de Abaddon e tantas outras que ocorreram antes e depois. Ela largou as adagas que caíram no chão da biblioteca, não seria necessária uma arma para servir de canalizador, tudo o que Ashira precisava era de sua centelha de vida e isso ela tinha de sobra. Ashira olhou para Bahamuth e falou:

  • Filho de Balthazar, eu vou lhe contar uma história. Certa vez o Elder Dragon Zhaitan mandou seus ressurgidos risens atacarem a cidade de Lion’s Arch, as três ordens de Tyria foram encarregadas de proteger a grande cidade, cada uma das ordens tinha sua maneira de defender seu setor designado. A Durmand priory, minha ordem ficou encarregada de proteger o porto da cidade e foi decidido que usaríamos um poder imensurável e incomparável para isso.

Ashira erguer a mão direita acima da cabeça, os olhos soltaram faíscas elétricas, as juntas das estantes de livros fumegaram e o chão, parede e teto tremeram, partículas de água cobriram a biblioteca criando vapor ao tocarem as estantes.

  • Este poder Bahamuth era o poder do Deus Balthazar que conseguimos controlar ao encontrar a espada do Deus da Guerra em uma cripta abandonada… E a pessoa escolhida para domar tal poder… fui eu!

Uma grande espada de puro magma se materializou na mão de Ashira, a mão direita dela incendiou, a mão esquerda congelou, a perna direita petrificou e a perda esquerda soltou faíscas elétricas.

  • Agora Bahamuth contemple o poder da tempestade Elemental!

Ihara e Ashira fizeram muitos estudos e pesquisas ao longo dos meses quando o poder das especializações da Tempest foi descoberto, entre os muitos efeitos colaterais o mais grave era que se o elementarista não estivesse em plenas condições físicas e com uma arma como canalizador para controlar a potencia dos elementos, invariavelmente o mago se consumiria de dentro para fora, literalmente usando o próprio corpo como combustível, algo similar ao que os bersekers faziam. A grande diferença era que elementaristas eram pessoas sábias e sensatas, diferentes dos guerreiros, nunca fariam algo imprudente, perigoso e insensato assim. Ninguém, exceto Ashira.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 25-Fúria Elemental

Ashira 5 anos atrás

Porto de Lion’s Arch

O líder da Durmand priory, o asura Stewars Gixx aguardava Ashira em frente do memorial Durmand junto a cinco ritualistas da priory. As notícias trazidas de Claw Island não poderiam ser piores, o posto avançado usado para proteger a cidade havia caído contra as forças dos ressurgidos risens, o comandante charr Talon foi morto durante o ataque e sua subordinada Mira se encontrava terrivelmente ferida e havia perdido uma dos olhos, mas o golpe mais terrível para Gixx sem dúvida era a notícia do sacrifício de Sieran a sylvari.

Ashira, Ihara e Trahearne acabavam de chegar ao memorial, Gixx os encarou e quis confirmar as notícias ruins de uma vez.

  • É bom vê-lo Marshal Trahearne e vocês também magister Ashira e Ihara. As notícias são verdadeiras? Sieran, ela está realmente morta? Gixx disse não querendo demonstrar tristeza.

  • É verdade Gixx. Eu sinto muito. Mas pelo menos ela agiu corajosamente, devido ao seu sacrifício os sobreviventes chegaram a Lion’s Arch. Ashira disse mantendo a expressão firme.

  • Ah, Sieran. Lembro-me de seu despertar. Ela era um espírito brilhante. Disse Trahearne.

  • Eu esperava que Sieran aprendesse a ter responsabilidade, mas não assim. Ela era uma heroína nata, agora está perdida. Gixx disse baixando a cabeça.

  • A coragem de Sieran trouxe a chance de contra-atacarmos. Ashira indagou, não queria se perder na tristeza antes de terminar a missão que tinha.

  • Magister Ashira, eu acredito que possamos usar a espada que encontramos. Gixx falou indo em direção aos ritualistas da priory.

  • Qual sua idéia Gixx? Ashira perguntou.

  • Usaremos o artefato que encontramos contra os risens, o ídolo de Balthazar pode transformar um indivíduo em seu avatar, quanto mais mata, mais poderoso você se torna até que seu inimigo não pode mais se esconder de você.

  • Tem certeza que isso é seguro? Um dos ritualistas que entregava a espada para Gixx perguntou, parecia ser um rapaz novo.

  • É claro que não é seguro, existem riscos. É a segunda vez que alguém tenta incorporar o poder de um dos 6 Deuses Humanos.

  • Eu vou fazer isso. Sieran nos deu uma chance para proteger a cidade e eu planejo fazer exatamente isso. Ashira falou encarando a espada nas mãos do pequeno asura.

  • Muito bem magister Ashira, os ritualistas criarão um círculo de fogo em torno de você e da espada, quando estiver pronta a retire do chão.

  • O que pode acontecer de errado? Ela quis saber.

  • O poder de Balthazar inflige um custo em sua alma. Se você não for forte o suficiente ela irá consumir você.

  • Parece divertido.

  • Ashira ou você é muito corajosa ou totalmente maluca. Um dos ritualistas falou para ela, Ihara a observava, ele estava mais calado que o normal, desde que Sieran confessou seus sentimentos antes de morrer.

  • Sou um pouco dos dois. Ela disse querendo amenizar a situação.

  • Fiquem todos parados em volta da espada. Um movimento errado e todos nós seremos carbonizados.

O som de disparos vindo do mar chamou a atenção de todos, um dos barcos ancorado no porto de Lion’s Arch estava sendo atacado por risens, a tripulação tentava se defender inutilmente dos ressurgidos enquanto eram mortos e devorados.

  • Por Kormir! Eu não me sinto bem… Um dos ritualistas deu um passo para o lado, o membro da priory convulsionou sofrendo combustão espontânea.

  • Eu disse para não se mexerem! Bem, podemos gerenciar com um a menos. Os risens chegarão aqui em minutos. Todos se concentrem!

  • A espada de Balthazar está energizada magister. Pode começar quando quiser.

Ashira encarava a espada de magma. Ela não estava com medo e sim ansiosa para saber como seria incorporar o poder divino de um Deus. Ela sorriu para Ihara e Trahearne e tocou o cabo da espada sentindo fogo percorrer suas veias a partir da ponta de seus dedos circulando internamente por todo seu corpo, ela atingiu o êxtase, os olhos da mulher se revirando saltaram labaredas enquanto magma incandescente era criado em torno do tronco se alongando para os membros, o magma era moldado assumindo a forma de uma armadura rubra, os cabelos de Ashira se tornaram uma cascata flamejante e o rosto foi ocultado por um elmo de pura lava que solidificou, a espada foi retirada do chão fazendo um pilar de fogo subir aos céus, não mais Ashira segurava a espada, mas o avatar do Deus da guerra Balthazar que olhou para a praia onde centenas de risens saiam das águas sendo derrubados pelas ondas da praia. Ashira/ Balthazar girou a espada de magma lançando uma onda incandescente que reduziu os risens a estátuas de cinzas e sal, o chão da praia tornou-se brilhante, a areia havia se transformado em vidro tamanho o calor do golpe.

Dias atuais

Biblioteca secreta

A expressão de ódio em Bahamuth dominava todo seu ser. O que Ashira falará era uma blasfêmia para ele.

  • Você ousa insinuar que domou o poder de meu pai? Você ousa insinuar mulher ser capaz de me enfrentar em igualdade? Você ousa supor ser capaz de me vencer?

  • Eu não ouso supor ou insinuar nada Bahamuth… Eu afirmo!

Bahamuth avançou com ferocidade em uma estocada com sua espada dentada, ele iria empalar Ashira viva. Ninguém, muito menos uma mulher devia ter a ousadia de desafiar um semideus desta maneira.

A lâmina veio em direção ao peito de Ashira, ela girou a espada de magma com as duas mãos aparando o ataque o impacto fez uma onda incandescente de vapor e poeira percorrer ambos os corpos.

  • Esta cópia da espada de meu pai não irá salvá-la mulher!

Bahamuth esticou o braço esquerdo para o lado voltando a palma da mão para cima em forma de garra, 4 tentáculos de sombras se ergueram do chão ao comando do semideus atacando Ashira por aquela direção, ela que aparava a espada de Bahamuth não teria como se esquivar.

  • Acabou mulher. Disse Bahamuth sorrindo.

Os tentáculos atingiram Ashira, mas não tocaram seu corpo. Um escudo de pedra havia surgido no antebraço esquerdo da mulher bloqueando o ataque dos tentáculos. Bahamuth olhou o escudo com desdém e forçou a espada dentada mais para frente fazendo Ashira ajoelhar por causa da força que ele impunha.

  • Acha que este escudo de pedra e esta espada de magma são suficientes para me deter? Disse Bahamuth forçando cada vez mais a espada contra Ashira.

Neste momento uma forte pancada no peito de Bahamuth o jogou para trás dando alivio para Ashira, a armadura peitoral negra do Bahamuth soltava faíscas onde fora atingida. O semideus arfava, ele olhou para o lado e viu Khanum com um martelo elétrico nas mãos, relâmpagos circulavam todo seu corpo.

  • Que tal então adicionar a sua lista semideus um martelo elétrico, um arco de gelo e dois machados flamejantes. Disse Ashira sorrindo. Ihara apontou o arco de gelo para Bahamuth, uma flecha se formou a partir de flocos de neve até cristalizar, a flecha se formava conforme ele puxava a linha do arco, Irikami tinha dois machados flamejantes em cada mão, as labaredas oscilavam conforme ele se mexia. Os quatro cercaram Bahamuth para a luta decisiva.

  • Onde conseguiram tais armas? O semideus falou surpreso.

  • Eu as invoquei no momento que você me atacou Bahamuth. Ashira informou.

  • Vocês se esqueceram que todo ataque a mim irá ser sentido por vocês também?

  • Nós não nos esquecemos. Disse Irikami.

  • Sabe semideus, queremos descobrir qual de nós irá cair primeiro. Você ou a gente. Completou Khanum sorrindo, a barba ruiva do norn suja de sangue.

  • Vocês são loucos! Isso é uma insanidade suicida!

  • Os mortais fazem loucuras quando sua vida e de seus amigos estão em risco. Ataquem! Ashira ordenou.

Bhamuth ameaçou dar um passo a frente na direção de Ashira, mas Ihara disparou a flecha que atingiu o semideus no peito, uma camada de gelo começou a cobrir seu corpo subindo pelo peito se estendendo pelos braços e descendo pelas pernas, o movimento de Bahamuth foi ficando mais lento.

  • Maldito zephyrite…

Khanum avançou dando outro golpe com o martelo no peito de Bahamuth que não conseguiu aparar o ataque por causa da camada de gelo em seu corpo, a força do impacto jogou Bahamuth para trás que bateu com violência no chão de mármore, Irikami pulou no peito do semideus golpeando com os dois machados o inimigo, fagulhas voavam ao atingi-lo, Irikami aplicou uma seqüência de seis golpes seguidos até que Ashira gritou.

  • Recue Irikami!

Ele obedeceu saltando para trás em um rolamento no momento exato que uma chuva de bolas de fogo e flechas de gelo feitas por Ashira e Ihara caiam sobre Bahamuth. O ataque conjunto forçou o corpo de Bahamuth contra o chão despedaçando a mármore, frio e calor infringindo dor ao imortal. Porem logo em seguida Ihara, Khanum e Irikami caíram de joelhos com as mãos sustentando o peso de seus corpos, eles respiravam com dificuldade, a retribuição ao ataque a Bahamuth cobrava seu preço. Shuurei no fundo da sala se contorcia de dor, o corpo da garota oscilava entre físico a etéreo, Japo estava desmaiado ao seu lado, ela olhou para o fio negro preso ao corpo e tomou uma decisão arriscada, Shuurei segurou o fio negro no momento que suas mãos se tornaram transparentes o puxando com toda a força, o fio partiu quebrando a ligação dela com Bahamuth. A fragmentação de sua alma enfim tinha uma utilidade. Shuurei olhou para frente vendo a luta que se desenrolava, ela se levantou com dificuldade, agora era sua vez de ajudar.

Bahamuth apoiou a ponta da espada dentada no chão usando-a como uma bengala, ele se levantou com dificuldade, a armadura negra fumegava, partículas de gelo caiam no chão derretendo. Nem mesmo a força combinada das armas elementais parecia ser capaz de deter Bahamuth.

  • Não importa o que vocês façam, nunca conseguirão me deter. Olhem para vocês, estão cansados, feridos e indefesos. Os fios que ligam suas vidas a mim irá destruí-los lentamente, até que só reste esta tola mulher que lamentará por ter desrespeitado alguém superior como eu. Bahamuth sorriu e acrescentou.

  • Ninguém, muito menos uma mera mulher irá desafiar meu poder novamente.

Mãos transparentes atravessaram a barriga de Bahamuth segurando os fios negros, Shuurei surgiu por trás do semideus, ela parecia agora mais um fantasma do que uma pessoa de carne e osso. Bahamuth olhou para ela espantado.

  • Então Bahamuth é melhor você rever seus conceitos.

Shuurei disse puxando os fios que se partiram, a ligação de Bahamuth com Irikami, Ihara e Khanum foi quebrada, eles se levantaram do chão, a dor havia cessado e suas forças retornavam vagarosamente.

  • GAROTA MALDITA! COMO OUSA! Gritou Bahamuth enlouquecido de ódio.

O semideus ergueu a espada dentada e golpeou Shuurei, a lâmina a atravessou como se ela fosse um fantasma, mas ela mesmo assim gritou como se a arma ainda a ferisse, o corpo dela tremeluziu. Shuurei olhou para Irikami, os olhos arregalados de medo.

  • Desculpe Iri… Shuurei falou desaparecendo logo em seguida.

  • Garota tola! Minha arma pode ferir até mesmo espíritos.

  • NÃOOOOO!!! Irikami gritou avançando em um encontrão contra Bahamuth, Irikami golpeava com os machados em uma fúria insana atingindo cabeça, ombro, peito… Ele não tinha mais nada a perder, tentava desesperadamente despertar o poder do berseker, mas não conseguia. O que lhe faltava para isso Irikami não compreendia. Bahamuth socou o estômago de Irikami fazendo-o se curvar sem ar, o peitoral da armadura se dobrou quebrando costelas e perfurando órgãos, Bahamuth puxou o punho e desferiu um segundo soco desta vez no rosto de Irikami, mesmo o soco saindo mais fraco do que antes, ele atingiu a cabeça de Irikami com a força de uma marreta, o impacto explodiu o maxilar fazendo vários dentes voarem de sua boca, um corte do lábio inferior até o orelha direita fez o sangue tingir o rosto de Irikami de vermelho ao mesmo tempo que um grande hematoma inchava todo lado direito do rosto. Irikami desmaiou automaticamente com o golpe, Bahamuth o conteve de cair no chão, o segurando pelo pescoço, a cabeça de Irikami tombava para o lado enquanto o sangue pingava de seu rosto e de sua boca. Bahamuth ergueu a espada pronto para transpassar o oponente indefeso, um sorriso sádico surgiu em seu rosto apreciando o que tinha feito a Irikami, esse segundo de distração foi suficiente para Ihara agir. A flecha de gelo atingiu a cabeça do semideus congelando-a deixando Bahamuth cego, Khanum saltou atacando, o martelo de relâmpagos erguido bateu com toda a força no centro do crânio, o corpo de Bahamuth foi impulsionado para o chão, à cabeça desfigurada se regenerava.

  • Isto é por Shuurei e Irikami semideus imbecil! Brandou Khanum.

Bahamuth começou a se levantar e um grande bloco de pedra de 400kg caiu sobre ele prendendo-o no chão com seu peso.

  • Khanum, tire Irikami da frente! Gritou Ashira erguendo quatro colunas de pedra em volta de Bahamuth que era esmagado pelo bloco de pedra.

Khanum pegou Irikami e o colocou no ombro, ele parecia desmaiado, o rosto coberto de sangue e hematomas. Shuurei se materializou no chão a frente de khanum, ele não pensou duas vezes e a pegou também, segurando-a em um braço e correu com os dois para fora da biblioteca.

  • ME SOLTE SUA VADIA! EU ORDENO!

  • Desta vez será seu fim Bahamuth! Ashira falou juntando as palmas das mãos, as quatro colunas se fecharam em volta do semideus criando uma prisão de pedra, Ashira avançou em direção da rocha tocando-a com ambas as mãos, dentro da prisão areia, vento e fogo eram criados circulando em grande velocidade aquecendo seu interior.

  • Pegue o diário Ihara e tire Japo daqui! Ashira gritou enquanto falava em um mantra.

  • 25°, 30, 35, 40, 45°.

A biblioteca aquecia rapidamente, os livros nas prateleiras atearam fogo impregnando a biblioteca com fumaça, Ihara apanhou o diário do pedestal colocando-o na mochila, em seguida puxou Japo arrastando ele para o corredor.

  • 60°, 70, 80, 90°.

  • VOCÊ NÃO PODE ME MATAR MULHER! Bahamuth gritava de dentro da rocha, o calor cada vez maior. As roupas de Ashira se incendiaram, bolhas de queimaduras apareciam em sua pele nua, os cabelos queimavam.

  • Deus Balthazar… por favor… me empreste sua força mais uma vez… Ela orou, os olhos soltaram labaredas se transformando em um oceano de magma.

  • 100°, 200, 300, 400, 500… 1000°, 1500°!

A rocha tornou-se puro magma dentro da prisão, Bahamuth gritava desesperado, o dor era insuportável. Ashira cambaleou para trás, suas energias esgotadas, o corpo a ponto de entrar em combustão espontânea.

  • IHARA… Ashira sussurrou a ponto de desmaiar, a biblioteca estava ardendo em chamas, os livros sendo consumidas, centenas de anos de conhecimento e história perdidos para sempre.

Uma flecha de gelo foi disparada atingindo uma das colunas de pedra, o ar frio criando um caminho até Ashira, Ihara correu até ela cobrindo-a com um manto, ele retirou algo do bolso e bateu com a palma da mão na prisão de pedra de Bahamuth.

  • Tola… Eu vou me regenerar em alguns momentos, então sairei daqui e irei matar a todos vocês… Mas antes irei desonrá-la na frente de seus companheiros… Farei você desejar a morte mulher…

Ashira abriu os olhos, ela estava muito queimada e fraca, mas ainda teve forças para responder a ameaça.

  • Não… Você nunca mais sairá deste lugar Bahamuth, esta será sua prisão… Seu túmulo.

  • Você acha que uma simples prisão de pedra irá me deter mulher? Ele zombou.

  • Isto não é uma prisão de pedra…

Dentro da rocha Bahamuth regenerava lentamente, estava todo desfigurado, os olhos estavam sem as pálpebras, os braços e pernas colados a armadura negra derretida. Mas em alguns minutos ele estaria belo novamente, porque Bahamuth era um semideus, imortal superior aos tolos mortais. Neste momento a rocha esfriou e o interior, pequenos focos de luz se abriram dentro da prisão rochosa, flores desabrocharam na rocha polida emitindo um brilho suave. O interior ficou visível e Bahamuth olhou horrorizado que o interior da prisão não era de rocha, mas sim de vidro, vidro polido que refletia como um espelho.

  • Isto Bahamuth é um caixão de espelhos. Ashira concluiu.

A prisão de pedra tinha como objetivo prender Bahamuth enquanto areia era criada dentro, o vento e o calor extremo transformaram areia em vidro, quando Ihara entrou novamente na biblioteca para resgatar Ashira ele esfriou a rocha e colocou sementes de flor vaga-lume num orifício deixado por Ashira, Ihara então usou seu poder druídico para fazer germinar a flor no interior da prisão. Este era o plano dos dois.

  • NÃO! NÃO! NÃOOOOO! ESTE SER HORRENDO NÃO SOU EU! NÃOOOOOOOO!

  • Viva eternamente nesta prisão semideus vendo o ser monstruoso que você é.

Ihara pegou Ashira no colo levando-a para fora da biblioteca em chamas, os gritos de Bahamuth sendo deixados para trás enquanto os portões se fechavam. Ihara acomodou gentilmente Ashira ao lado de Shuurei.

  • Você está bem Shun?

  • Eu que devia perguntar a você… mamãe.

  • Só estou cansada… Ihara pegue o drone, avise Amy para nos teleportar de volta para o guild hall.

Ihara concordou com a cabeça, ele ficou parado olhando para ela um pouco mais até Ashira falar novamente.

  • Estou bem… Só preciso descansar Ihara.

Sons de passos foram ouvidos no corredor, Ihara e Khanum rapidamente se posicionaram na frente de todos.

  • O que pode ser agora? Indagou Khanum.

Vultos vinham na direção deles, Ihara apontou o arco, Khanum ergueu o espadão, pelo corredor surgiu Mitho com Athriel nos braços e ao seu lado Nanda ajudava Kim a caminhar.

  • Pelo focinho gelado de um charr! Eu não acredito! Falou Khanum sorrindo baixando o espadão.

Ihara não parou de apontar o arco, ele mirava em Nanda.

  • Vire este arco para outro lugar olhos puxados, agora Nanda está do nosso lado. Mandou Kim.

Ihara não respondeu, continuou a apontar a flecha.

  • Pode baixar a arma Ihara, se Kim diz que ela está do nosso lado eu acredito nele. Disse Ashira, a voz estava fraca.

  • Você está péssima Ashira.

  • É bom ver você também Kim. Ela respondeu sorrindo.

  • Me leve até ela Nanda. Pediu Kim.

Nanda o colocou sentado em frente à Shuurei e Ashira.

  • Oi maninho. Que bom que você está vivo. Disse Shuurei tocando a incisão no peito do irmão.

  • Não vai me perguntar o que é isso? Ele indagou.

  • Conhecendo você como conheço irmão, deve ter sido algo idiota.

Kim olhou de Shuurei para Ashira, o rosto fazendo uma careta. Ele parecia lutar consigo mesmo contra alguma idéia ou impulso tolo. Por fim ele avançou abraçando as duas, cada uma com um dos braços.

  • Se qualquer uma das duas morresse, eu ia trazer a alma de vocês de volta só para poder gritar com as duas.

Kim se afastou um pouco tocando a testa de ambas, as pontas dos dedos dele brilharam, Ashira sentiu uma sensação de conforto, a dor havia parado e a pele regenerava. Shuurei por sua vez recuperou a cor, parecendo menos pálida, Kim cambaleou sendo seguro por Nanda.

  • Pronto. Assim é melhor. Ele disse.

  • Não precisava Kim. Disse Ashira para ele.

  • Sim, eu precisava.

  • Você vai nos contar o que aconteceu entre você e Nanda? Perguntou Ashira com um sorriso travesso.

  • Nem que minha alma dependesse disso. Kim respondeu fazendo uma careta.

  • Já imaginava.

Nanda sorriu ao comentário, ela ainda estava insegura, Ihara continuava a vigiá-la de longe enquanto preparava o drone. Levaria tempo para que todos confiassem nela.

Ashira olhou para Mitho, ele colocava o corpo de Athriel gentilmente no chão. Palavras não poderiam confortá-lo neste momento. Ashira tentaria conversar com ele mais tarde. Ihara ativava o drone enquanto os outros conversavam, o drone levantou voou, uma esfera de luz roxa surgiu em frente ao drone que atravessou desaparecendo.

  • Ihara acabou de enviar o drone, vamos ser teleportados em instantes. Disse Khanum ansioso para voltar para casa.

Shuurei acariciava o rosto de Irikami, ele estava com hematomas horríveis e o rosto inchado, Shuurei havia apoiado a cabeça dele no colo, limpando o sangue que escorria com um pedaço de tecido retirado da manga.

  • Como ele está? Perguntou Kim.

  • Está vivo… Ela respondeu preocupada.

  • Você está bem Shun? Mitho me contou sobre Alice.

  • Todos morrem Kim… Todos morrem um dia. Shuurei falou olhando para Mitho com tristeza, ele estava debruçado sobre o corpo de Athriel chorando a perda do amigo.

Kim retirou das costas algo embrulhado em um manto escuro, desfez o pacote revelando o que parecia ser uma espada destruída, a lâmina e cabo estavam derretidos e torta, os olhos de Shuurei se encheram de lagrimas ao reconhecer a espada.

  • A assassina de almas… a espada de Alice.

  • Sim, eu achei que Irikami a quisesse, eu a encontrei na carcaça queimada do Tequalt. Esta é a espada da família dele.

  • Não mais… Ela está destruída. Não sei se ele vai a querer.

Khanum se aproximou examinando a espada e disse.

  • Conheço alguém que pode ajudar a restaurá-la. Ela nunca mais voltará a ser a assassina de almas, mas seus fragmentos podem se tornar algo novo. Da mesma forma que o dia se torna crepúsculo tendo seu fim, para que ao fim noite um novo dia comece.

  • Crepúsculo (Dusk)… É um bom nome. Disse Shuurei.

  • Mãe Zanza uma vez disse, “armas quando quebram e são remendadas, podem ficar mais fortes nos locais remendados.” Talvez aconteça o mesmo com Irikami. Khanum falou.

O brilho roxo voltou a aparecer e outro drone surgiu por ele. Este era o drone que havia ficado no guild hall com Amy.

  • Porque Amy mandou o outro drone? Não era para fazer isso apenas em emergências? Perguntou Shuurei.

Ashira ficou com um mau pressentimento a respeito disso. O drone emitiu um faixo de luz azulado criando uma imagem holográfica da asura Amy.

  • Ashira recebi sua mensagem, vocês serão teleportados em 2 minutos. Infelizmente tenho más notícias. O guil hall foi atacado, estamos com muitos feridos e mortos. Fomos traídos por um de nós. Os atacantes eram uma guilda que se alto proclamou como a LEGIÃO, também não temos notícias dos outros dois esquadrões e perdemos contato com o Alexian dentro da Fractal. Amy desligando. A imagem holográfica desapareceu.

  • O guild hall foi atacado? Feridos, mortos… Fomos traídos por um de nós? O que acha que é isso tudo Ashira? Perguntou Khanum.

  • Isso é GUERRA! Ashira respondeu furiosa. A Iris dos olhos parecendo um mar de magma.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 26-Filhos de Ascalon

Sebastian Solar Cran 22 anos atrás

Sebastian encarava os monges arrastando seu filho Antony de 6 anos para dentro da carruagem, sua expressão era dura como mármore, os cabelos grisalhos penteados para trás e rugas no rosto diziam que ele devia ter mais de 40 anos, alguém velho demais para ter um filho problemático e desobediente, o garoto gritava pedindo para que o pai os impedissem, os olhos verdes frios como gelo de Sebastian se voltaram para a esposa Mirian, ela estava de joelhos no chão chorando, o lado esquerdo vermelho por causa do tapa dado por Sebastian.

  • Cale-se mulher, Antony voltará como um verdadeiro herdeiro de Solar Cran.

  • Ele é só uma criança. Ela disse aos prantos.

  • E voltará como um homem e terá o titulo Sucram.

Profeus 16 anos atrás

Uma guerra civil ocorre na região de Ascalon a muitas gerações, em inúmeras vezes foi tentado um acordo de paz entre humanos e charrs, porem ambas as raças possui membros que são contra a trégua, eles são conhecidos como separatistas e rebeldes. A família Profeus faz parte de uma geração de militares que era contra esta trégua, diacordo com o atual líder da família Arthur Profeus ll, os charrs foram responsáveis pela atitude desesperada do rei Aldeberg que dizimou e transformou um terço dos humanos de Ascalon em fantasmas. O filho mais novo de Arthur, Yerko Profeus foi criado em meio a um rigoroso regime militar imposto pelo pai, ele aprendeu desde cedo a odiar a raça dos charrs. A tradição das famílias militares de Ascalon pregava que as crianças ao atingirem 10 anos deveriam ser levadas a um campo de treinamento intensivo, muito mais rigoroso que uma academia militar. Todos os anos dezenas de crianças eram buscados em suas casas e levadas por oficiais graduados para treinamento, Yerko estava entre uma destas crianças, durante o percurso até o campo de treinamento um grupo de charrs rebeldes atacou o comboio, várias crianças foram capturadas ou mortas, os charrs rebeldes usavam estas crianças como escravas em suas minas e mais tarde como gladiadores em suas arenas, Yerko Profeus havia sido uma destas crianças capturas.

Deia 15 anos atrás

Quando uma guerra civil ocorre, ele afeta toda a população de uma região. Homens, mulheres e até crianças passam a ser usadas no que chamamos de esforço de guerra, tudo produzido, transportado, consumido passam a ser direcionados para abastecer as tropas em guerra. Deia tinha 9 anos quando o esforço de guerra chegou a porta da casa de sua família, os separatistas de Ascalon estavam preparando um grande ataque a Ebonhawke e precisavam do máximo de armas que conseguissem, mesmo que fossem armas improvisadas. A família de Deia possuía uma pequena tecelaria em sua casa, os separatistas queriam utilizar o local para fabricar coquetéis molotov, estocando as garrafas na casa e colocando Deia e sua família para produzi-las, aquilo não era um pedido, era uma ordem punível com agressões ou morte caso a família se recusasse o pai de Deia não vendo alternativa concordou. Desta maneira dezenas de coquetéis molotov passaram a serem feitos e estocados no lugar, um separatista foi deixado no local para ter certeza que ninguém tentaria fugir ou avisar a guarda da cidade, por longas duas semanas a família trabalhou sem parar, sem dizer uma palavra ou tentar argumentar com seu carcereiro, alguns vizinhos desconfiaram do comportamento estranho da família de Deia, afinal nenhum deles saia de casa a 2 semanas e ocasionalmente um homem estranho era visto entrando e saído da casa. A guarda da cidade foi avisada e um pequeno destacamento mandado ao local para verificar, quando um dos guardas bateu na porta da casa o separatista entrou em pânico e sem pensar direito atirou um coquetel molotov pela janela incendiando o guarda, os outros guardas assustados invadiram o lugar, em meio à confusão uma das garrafas caiu no chão próximo da lareira e um incêndio começou a se espalhar rápido chegando ao estoque de coquetéis molotov causando uma explosão que se alastrou por quarteirões, apenas dois guardas sobreviveram e um deles tinha uma menina desacordada nos braços por causa da fumaça, esta era Deia a única sobrevivente de sua família.

Antony Solar Cran 13 anos atrás

Já fazia 10 horas que ele estava ajoelhado orando na câmara do silencio, descalço, sem a camisa, o suor escorrendo pelo tronco nu do rapaz, os olhos fechados em profunda meditação, não havia janelas na sala, apenas prateleiras com muitas velas acesas, a porta de entrada trancada permaneceria assim por mais 2 horas, preso ao braço direito uma faixa de couro com espinhos metálicos que mantiam uma dor constante e sangramento causado pela pressão feita pelos espinhos à carne. Antony passava por esta rotina todos os dias desde os 6 anos de idade, ele acordava as 5 horas da manhã, orava, se banhava, tomava café, começava seus estudos descansava, treinava com as armas, almoçava, estudava novamente, treinava novamente, descansava, jantava, estudava e no fim do dia orava na câmara do silencio até a hora de dormir. Antony estava agora com 15 anos, faltavam somente mais 3 anos para terminar sua clausura no mosteiro de Kormir, então assumiria seu lugar de direito na ordem de Solar Cran ao lado de seu pai Sebastian, o título Sucram seria dado a ele lhe concedendo o direito aos privilégios de sua família. A família mais antiga de Aslacon receberia seu mais novo membro para a maioridade, então Antony finalmente poderia gozar dos privilégios de seu nome, riquezas, mulheres, bebidas e servos para lançar ordens que deveriam ser obedecidas sem questionar. Antony sorriu. Sim, só faltavam mais 3 anos…

Isaty 13 anos atrás

As ruas de Ebonhawke estavam lotadas, a manifestação havia reunido mais de 2 mil pessoas, a guarda tentava conter a multidão enfurecida, os lideres da revolta estavam em pé encima da estrutura de madeira montada no dia anterior, as três forcas terminavam de ser testadas com sacos de areia, estava tudo pronto para a execução. O crime destes três homens era auto-traição, ataque a guardas, roubo, tentativa de revolução e terrorismo. Todavia para o pequeno Isaty, a criança descalça de 10 anos com cabelos curtos ruivos no meio da multidão raivosa o que importava era que seu pai estava ente os condenados, ele havia fugido de casa pela janela, a mãe não foi a execução, as brigas entre os pais era antiga e havia sido agravada quando seu pai aderiu ao grupo separatista que era contra o acordo de paz entre humanos e charrs, o preconceito racial era gigante em Ascalon. Isso nunca incomodou Isaty. Quando seu avô era vivo ele contou sobre a guerra de Ascalon contra os charrs e como o ódio e ignorância transformaram um terço dos humanos da região em fantasmas, seu avô sempre dizia a ele:

  • “Isaty, não importa o quanto uma pessoa o ofenda, grite, o ridicularize ou mesmo tenha intenção de feri-lo e matá-lo, haja sempre com alegria, diga algo engraçado e aparente sempre estar feliz, isso será sua maior arma contra seus inimigos, os fará abrir uma brecha em suas defesas. Então, só então os acerte-os bem no peito e os vejam sangrar, mais continue sorrindo, sempre.”

O avô havia dito estas palavras minutos antes de morrer decapitado pelo carrasco charr. Isaty sorriu, fez uma piada sobre como no último suspiro dos condenados eles darem a língua para o público enquanto morriam depois se virou voltando para casa, o sorriso no rosto nunca se desfazendo.

Guardião Tiaraju 11 anos atrás

A raça dos charr foi forjada no ventre impiedoso da guerra. É tudo o que eles sabem, a guerra os define e sua busca de domínio os impulsiona sempre para frente. O fraco e o tolo não têm lugar entre eles, à vitória é tudo o que importa e deve ser alcançada por qualquer meio e a qualquer custo. Eles são uma raça felina carnívora humanóide e a grande maioria odeia os humanos. Os filhotes são reunidos em warbands, os humanos preferem chamar de matilha, nas warbands os jovens charss são treinados na caça, sobrevivência e luta. Originalmente Ascalon pertencia a eles, mas a expansão humana criou um conflito entre as duas raças, uma guerra estourou e perdurou por muitos anos, atualmente um acordo de paz entre humanos e charrs está em andamento, porem muitos de ambas as raças são contra. As warbands adotam um nome para defini-los, da mesma maneira que as guildas, uma destas warbands se denominava Guardiões e era formada por três charrs irmãos albinos, os albinos eram considerados entre os charr raça pura e rara. Guardiã Valkirie era a irmã mais velha dos outros dois irmãos e agia como mãe para eles, os pais charrs haviam morrido nos conflitos de Ascalon e Valkirie passou a criar Tiaraju e Paine. Os irmãos mais novos eram arruaceiros e intolerantes contra humanos, ambos tinham o habito de atacar humanos desprotegidos que passavam próxima a estrada para Ebonhawke maior cidade mista de Ascalon, em uma destas tocais os irmãos não sabiam que quem eles atacaram era membro dos separatistas e exímio espadachim, Paine foi morto degolado pela espada do separatista e Tiaraju ferido mortalmente, mas ainda vivo foi deixado para morrer. Enquanto o charr agonizava um grupo de charrs rebeldes o resgatou e cuidou de seus ferimentos, mas a bondade feita foi para que Tiaraju virasse escravo nas minas e lutasse nas arenas dos rebeldes.

Celes e Pelucita 11 anos atrás

O ódio racial em Ascalon sempre fora um tabu em Tyria, bastando um estopim para que a violência estourasse em qualquer lugar, porem algumas poucas vezes a amizade e o convívio pacífico ocorriam sem interferências externas. Este era o caso de Celes e Pelucita, uma humana e uma charr fêmea, ambas viviam perto da região de Prado Halkor, a tolerância racial neste lugar era maior do que em outras regiões, o controle de Black Cidadel em conjunto de Ebonhawke mantia a paz com punhos de ferro ou como os charrs gostavam de falar com as garras. Celes tinha 14 anos de idade e morava em Halkor onde humanos e charrs viviam pacificamente, sua melhor amiga era Pelucita, uma charr filhote de 11 anos, ambas foram criadas juntas e nunca se separavam, as famílias havia se tornado amigas por necessidade mutua, a família de Celes era de agricultores e a de Pelucita de pecuários, elas concordaram em repartir e negociar as produções aumentado assim os lucros de ambas. Desta parceria nasceu um grande laço de amizade entre as duas famílias que passaram a conviver e festejar datas comemorativas juntas, costumes de ambas foram sendo incorporadas. Aquela foi uma época de paz, tranqüilidade e prosperidade, isso até a chegada dos rebeldes charrs, a cidade de Halkor foi atacada por eles a noite, enquanto todos estavam dormindo, os rebeldes queriam suprimentos e novos escravos, eles pegaram tudo o que podiam levar e incendiaram o resto, mataram todos os adultos e levaram às crianças e adolescentes como escravos, Celes e Pelucita estavam entre eles e o horror em suas vidas havia apenas começado.

Isaty 11 anos atrás

Isaty corria pelas ruas de Ebonhawke, se ele não corresse chegaria atrasado, desviava de pedestres, carroças e barracas com a agilidade e graça de um gato, até trombar em uma barraca de tomates com a graça de um jumento, o dono da barraca gritava chingando Isaty, ele se levantou todo sujo de sumo do tomate pedindo desculpas e continuando a correr, mesmo com o dono em seu encalço Isaty conseguiu despistá-lo a duas quadras a frente e continuou correndo, deviam faltar poucos minutos para a hora esperada, ele não podia perder a oportunidade, todos os dias ele tentava e tentava, mas hoje seria diferente. Hoje ele conseguiria, Isaty passou a noite toda planejando. Nada nem ninguém o impediria, passaria por cima de guardas humanos e charrs, rebeldes e separatistas, mas atingiria seu objetivo, faltavam poucos metros, à hora marcada se aproximava perigosamente, Isaty virou a curva e ouviu o sino da torre tocar, ele havia conseguido chegar a tempo.

Uma porta de um antigo casarão se abriu e várias meninas de idades variadas saiam dos seus estudos, o internato para meninas de Lyssa era conhecido por abrigar órfãs da guerra de Ascalon e Isaty em suas caminhadas pela cidade avistou o que para ele era uma Deusa em forma da garota com o olhar mais triste que já tinha visto em sua vida, e era seu dever moral como homem fazê-la sorrir. Isaty já tinha tentado inúmeras vezes fazê-la rir e tinha falhado miseravelmente todas às vezes. Só que hoje seu plano era infalível, ele olhou novamente para a menina, respirou fundo e colocou um vestido roubado das coordenadoras do internato por cima de suas roupas, depois amarrou um lenço na cabeça cobrindo os cabelos ruivos desgrenhados e foi em direção das meninas imitando uma coordenadora que tinha cara de sapo e brigava constantemente com as meninas. Quando a mulher viu Isaty vestido daquele jeito ela ficou rubra e começou a berra com ele que imitava cada frase e gesto dela, as meninas começaram a rir menos a que Isaty queria que risse, a cara de sapo começou a correr atrás dele e ele a fugir dando voltas e continuando a imitá-la. Quando Isaty concluiu que a menina não iria rir de nada que ele fizesse, Isaty parou deixando que a cara de sapo o pegasse pelos braços puxando o vestido pela cabeça, Isaty encarou a menina e não agüentou mais perguntando.

  • Porque você não ri?

  • Porque deveria rir de alguém que sofre igual a mim? Deia disse com um olhar de pena.

Isaty arregalou os olhos e as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.

Profeus 11 anos atrás

As minas de escravos rebeldes charrs era um lugar horrível, as inúmeras crianças trabalhavam arduamente por 12 horas carregando carrinhos de mão com minério e escavando as minas com picaretas, elas eram alimentadas somente com pão e água, muitas crianças não sobreviviam por mais que algumas semanas, as que resistiam e conseguiam retirar força deste lugar maldito eram forçadas a lutar nas arenas para entreter os charrs. Os rebeldes logo notaram que Kerko Profeus seria um excelente gladiador, sua força e fúria aos 15 anos eram refletidos na arena, os olhos negros e cabelo pretos curtos típicos de militares cortados com uma faca era uma tentativa dele de manter a lembrança de sua origem, Profeus mal esperava a ordem para executar o oponente e se ele fosse um charr, Profeus o concedia uma morte brutal e dolorosa. O olhar de desprezo aos charrs entretinha os rebeldes ainda mais, Profeus estava a 5 anos nas minas, crescendo em rancor e ódio por seus raptores, ele conseguiu reunir um pequeno grupo de aliados entre os escravos humanos tornando-se seu líder, todos eram adolescentes que lutavam na arena com o mesmo ódio pelos charrs, eles planejavam a semanas uma fuga das minas e acreditavam que logo poderiam executá-la, enquanto aguardavam a oportunidade certa descontavam seu ódio e frustrações nos charrs que também eram prisioneiros ignorando que eles eram tão escravos quanto eles e que estes jovens charrs eram filhos raptados de Black Cidadel que lutavam contra os rebeldes. Profeus gostava de machucar especialmente um charr chamado Tiaraju que se denominava como guardião dos charrs, Yerko e seu grupo espancavam Tiaraju até que ele caísse desmaiado, o charr nunca implorava, nunca baixava a cabeça, mesmo assim eram seis contra um, Tiaraju esperava o dia que ele e Profeus caíssem na mesma arena para que finalmente pudesse estraçalhar o humano arrogante.

Isaty e Deia 10 anos atrás

Desde o encontro com Deia, Isaty e ela passaram a conversar todos os dias, tornando-se bons amigos, o tempo passou e um sentimento mais forte surgiu até se transformar em um amor inocente e puro, Isaty não sabia como se declarar a Deia e preparou todo um ritual romântico com flores roubadas do vizinho, invasão de um restaurante fechado para reformas e uma tentativa desastrada de cozinhar o jantar especial. Após quase colocar fogo em metade da cozinha ele desistiu da idéia de cozinhar, afinal ele não era John Potate o famoso cozinheiro de Divinity’s Reach, chateado resolveu simplesmente comprar algo pronto. Tudo estava perfeito, Deia chegou no horário marcado tendo de pular a janela do restaurante o que a fez olhar zangada para Isaty. Enquanto comiam o coração de Isaty batia aceleradamente, as mãos suavam, seus cabelos ruivos estavam encharcados e pela primeira vez Isaty não tinha uma piada para dizer, o silencio foi rompido quando Deia falou.

  • O que você queria me dizer Isaty, e porque tivemos de vir aqui para isso?

  • Ah… Bem… Você sabe… Eu… Você… Nós…

  • Desembucha logo.

  • Okie, Déia eu gosto de você… Quero… Quero… Namorar você! Pronto falei! Isaty parecia aliviado.

  • Isaty… Nós não podemos namorar.

  • Porque não? O que tem de errado?

  • Isaty será que você não percebeu?

  • Do que você está falando? Ele falou parecendo confuso.

Depois daquele dia Deia não veria mais Isaty por um bom tempo, os separando por causa de um erro cometido pelos pais de Isaty tempos atrás que acreditavam estar fazendo a coisa certa para ele.

Celes e Pelucita 10 anos atrás

Um dia como acontecia todas as semanas nas minas dos rebeldes novas crianças escravas eram trazidas, nada que fosse novidade para Profeus, novamente havia humanos e charrs entre eles, só que desta vez algo chamou sua atenção Havia garotas entre os escravos e uma delas encantou a ele, cabelos longos ondulados castanhos escuros, olhos cor de avelã, pele branca, rosto de menina e corpo de mulher, mas logo em seguida o espantou, ao lado dela havia uma charr enroscada no colo como um gato ou um cachorro querendo carinho a charr tinha pêlo branco igual ao de Tiaraju. Profeus fez uma cara de puro nojo, imaginado como aquela linda garota podia tocar naquele animal asqueroso, Ele sorriu jurando que naquela mesma noite ensinaria a charr e a garota que não se deve fazer amizade com bestas assassinas.

Profeus e Celes 10 anos atrás

As noites nas minas escravistas dos rebeldes charrs eram frias, enquanto de dia a temperatura podia chegar a 48° graus, a noite não passava de 6° graus. Os prisioneiros nas celas ao relento dormiam uns por cima dos outros numa tentativa de se aquecerem, no fundo de um das celas Celes estava abraçada em Pelucita que dormia com a cabeça sobre o colo da garota, por causa da pelugem densa de Pelucita, Celes não sentia frio durante a noite. Profeus e seu grupo estavam do lado oposto a Celes e Pelucita as encarando, aguardando o momento de agir, quando o guarda dos prisioneiros se retirou para patrulhar o perímetro, Profeus se levantou com outros oito rapazes, todos portavam pedras talhadas em forma de lâmina, o grupo maior de seis rapazes foram em direção ao charrs prisioneiros que dormiam acorrentados no fundo da cela, Profeus e outros dois foram para onde Celes e Pelucita dormiam.

Profeus agarrou Celes pelo braço puxando-a do chão e empurrando para um dos rapazes que a segurou pelo braço, a movimentação despertou Pelucita que ao ver Celes sendo segura por eles mostrou as presas, ela rosnou com as garras afiadas prontas para atacar.

  • Porque estão fazendo isso? Celes perguntou desesperada se debatendo.

  • Você não devia fazer amizade com bestas raivosas! Falou Profeus com a pedra afiada em forma de lâmina nas mãos.

  • Largue minha irmã lixo humano! Rosnou Pelucita.

  • Irmã? Há, há, há. Ela não é sua irmã animal! E você não é nem sequer um bichinho de estimação!

No outro lado da cela os outros seis rapazes atacavam Tiaraju, o charr albino urrava furioso, os braços e pernas estavam acorrentados ferindo as articulações deixando-o indefeso contra seus agressores, os prisioneiros humanos assistiam a agressão sem se intrometerem na covardia que se seguia, Profeus e seus homens não tinham intenção de matar os charrs escravos, até porque a morte de um escravo faria os rebeldes charrs investigarem os assassinos, porem brigas entre escravos nas celas era feita vista grossa.

Yerko Profeus e um dos rapazes se aproximaram de Pelucita com a pedra lâmina nas mãos, Celes Lutava para se libertar, mas o rapaz que a segurava girou seu braço direito para trás com uma das mãos e com a outra agarrou seu pescoço imobilizando por trás. A ação feita pareceu incomodar Profeus, ele não gostou do modo como o companheiro a segurava, Profeus foi na direção dele fazendo sinal para que a soltasse.

  • Cuide da fera, eu seguro a garota.

  • Porque você vai ficar com a parte mais divertida chefe? Deixa a gente aproveitar também um pouco essa gostosura. Disse o rapaz que segurava Celes lhe dando uma mordidinha de leve no pescoço da garota.

Neste momento muita coisa aconteceu ao mesmo tempo, Pelucita aproveitou a distração deles e deu um salto felino com as garras cortando a garganta do rapaz mais próximo, o sangue escorreu pela camisa e ele tombou morto, ao mesmo tempo Profeus se enfureceu com a atitude do outro rapaz desferindo um murro no queixo dele o arremessando para trás, os deles voaram e o nariz quebrado espirrava sangue, ao fazer isso Celes se soltou cambaleando e quase caindo, Pelucita a segurou em um movimento rápido a abraçando, Profeus ameaçou atacá-la com a pedra lâmina, um ataque que perfuraria a traquéia da charr, mas Celes a girou se colocando na frente para proteger a amiga. Yerko Profeus deteve o ataque no último segundo, a lâmina perigosamente próxima do pescoço da garota.

  • Porque deteve o golpe humano? Pelucita perguntou mostrando as presas.

  • Não tenho nada contra esta garota.

  • E contra mim? O que você tem contra?

  • Tenho contra sua raça imunda charr! Profeus disse encarando Pelucita.

  • Os humanos são tão patéticos. Pelucita o provocou rindo.

  • Diga mais uma palavra charr que nem esta mulher ira protegê-la de minha fúria.

  • CHEGA! Deixe-nos em paz! Você é um monstro! Celes gritou.

Uma dor atingiu o peito de Profeus, a princípio ele imaginou que fosse causada pelas palavras ditas por Celes, mas logo em seguida a mancha vermelha de sangue cobriu a camisa, Profeus se virou e uma das pedras lâminas estava fincada em suas costas, atrás dele o charr Tiaraju forçava a lâmina mais fundo enquanto sorria mostrando as garras.

  • Eu avisei humano, meu dia chegou. Disse Tiaraju, atrás dele os corpos dos outros seis rapazes estavam estirados no chão degolados.

Isaty 10 anos trás

Isaty ziguezagueava pelos becos de Ebonhawke, os cabelos curtos ruivos estavam encharcados de suor, os olhos verdes azulados olhavam fixos na direção que ia, o sorriso matreiro nunca sumia do rosto delicado, nos últimos 3 dias Isaty havia entrado numa rotina de seguir o homem conhecido como Sebastian Solar Cran, tarefa deveras complicada, Sebastian sempre estava acompanhado de inúmeros guardas e raramente andava a pé pela cidade. Sua carruagem luxuosa com o símbolo do sol dourado era puxada por dois garanhões fortes e ninguém se atrevia a obstruir seu caminho. Isaty queria uma oportunidade de falar com ele, seu falecido pai Izaias o havia dito uma vez, “este homem, Sebastian é ele quem na realidade governa Ascalon e os separatistas”. Isaty poderia não querer saber sobre o homem que foi o causador indireto da execução de seu pai e do avô, afinal ambos preferiram morrer a delatar o nome de Sebastian ao governo de Ascalon, porque trair Sebastian significava ter toda a família morta de maneira lenta e dolorosa, mas após a conversa com Deia, Isaty não tinha porque evitar este encontro por mais tempo.

Em um salto por cima de uma carroça de legumes Isaty caiu rolando na frente da carruagem, os cavalos a ponto de pisoteá-lo, o cocheiro habilidoso puxou as rédeas e os animais pararam a centímetros dele, a porta lateral da carruagem se abriu e Sebastian saiu com uma expressão dura, ao seu lado um rapaz de longos cabelos escuros o acompanhava como guarda-costas, ele sacou a espada ameaçando atacar Isaty, Sebastian o parou dizendo.

  • Espere Judas, o que pensa que estava fazendo moleque?

  • Me desculpe senhor Sebastian, mas eu precisava falar com o senhor. Isaty falou se curvando, o nariz quase tocando o chão.

  • É alguma piada? Eu não dou esmolas e como sabe meu nome?

  • Não, de maneira nenhuma senhor. Acredito que o senhor se lembre de meu pai, Izaias… eu gostaria de trabalhar para o senhor, assim como meu pai o serviu.

  • Levante a cabeça e olhe para mim. Sebastian falou.

  • Isaty ergueu a cabeça encarando o homem, os frios olhos verdes pareciam perfurá-lo.

Sebastian reconheceu o nome de um de seus mais confiáveis capitães separatistas executados a 3 anos atrás, a criança tinha os mesmo olhos dele, Sebastian estudou pacientemente o rosto de isaty e após alguns segundos sorriu de forma assustadora.

  • Compreendo. Você pode me servir de alguma maneira…

Celes e Profeus 10 anos atrás

Profeus despertou tendo calafrios e dores pelo corpo, ele sentiu um pano úmido sendo colocado em sua testa, ao abrir os olhos o rosto de Celes o contemplou. Os grandes olhos cor de avelã o examinavam com preocupação, os cabelos dela escorriam pela lateral dos ombros, cabelos castanhos escuros ondulados iguais a cascatas de uma cachoeira dando um contraste a pele branca e macia, Profeus olhou em volta e ele estava deitado no chão da cela, sua cabeça apoiada no colo da garota, uma das mãos pressionava as costas de Profeus com uma pano sujo de vermelho, o peito dele estava com uma atadura improvisada feita da saia de Celes. A mente de Profeus clareou e ele se lembrou do charr albino de nome Tiaraju o esfaqueado nas costas com uma das pedras lâminas roubadas, ao olhar para o lado viu a charr Pelucita em pé de costas para ele e Celes, ela estava com as garras a mostra para alguém, a frente dela outro charr, este macho com a mesma pelugem branca dela, Profeus se surpreendeu, a charr o estava protegendo?

  • Saia da minha frente fêmea, me deixe rasgar este lixo humano! Gritou Tiaraju.

  • Não! Recue, volte para o seu lado da cela. Pelucita respondeu a ele.

  • Porque o defende? Este lixo tentou espancá-la também.

  • Porque minha irmã me pediu.

  • Sua irmã? Esta humana? Não seja tola! Charrs e humanos não são irmãos!

  • Você fala e agi como aquele que você quer matar. Aos meus olhos vocês dois são iguais.

Tiaraju urrou de raiva pela comparação, saltando sobre Pelucita que se lançou contra ele, os dois se engalfinharam em mordidas e garras, Celes olhava a luta amedrontada, temendo pela vida de Pelucita que defendia a vida de um estranho a pedido dela, pedido que Celes não entendia porque tinha feito. Mas algo dentro dela dizia que este rapaz Profeus não era o monstro que tentava se passar, ela sentia que havia algo de bom nele, este rapaz indefeso em seus braços.

Tiaraju continuava engalfinhado com Pelucita, em uma distração dela Tiaraju a pegou pelo pescoço a erguendo do chão, as garras fortes estrangulavam a fêmea fazendo Pelucita se debater tentando se soltar, Celes começou a gritar para que ele parasse que ia acabar matando sua irmã. Tiaraju olhou para aquela pequena humana fracil com desdém, em seguida seu olhar desceu para Profeus, o ódio ao ver o humano que tanto o torturava durante meses o consumiu, Tiaraju soltou Pelucita no chão avançando sobre Profeus, o agarrando pelo pescoço com uma das mãos e colocando ele face a face enquanto empurrava Celes para o lado.

  • Agora humano eu vou ouvir você gritar por misericórdia.

  • Só em seus sonhos fera. Profeus o provocou.

Tiaraju levantou o braço livre com as garras prontas para estripar Profeus, foi quando soesosões foram ouvidas, os charrs rebeldes corriam para todos os lados disparando armas de fogo, os prisioneiros tentavam ver o que acontecia, ouviam gritos, tiros e outras explosões, Yerko Profeus começou a rir como um histérico olhando para Tiaraju com ar superior.

  • Do que está rindo humano?

  • Não está vendo fera? É um resgate, o meu povo veio nos libertar e ver o seu sangrar.

Tiaraju urrou novamente preparando o golpe mortal, mas foi atingido na cabeça por um potente golpe, Pelucita havia se levantado e o golpeou por trás usam as duas mãos unidas como uma marreta. Tiaraju caiu desacordado, Profeus desabou no chão ofegante encarando Pelucita.

  • Porque me ajuda fera?

  • Pare de me chamar assim. Meu nome é Pelucita e não faço isso por você, faço pela minha irmã Celes.

O som de ferro sendo quebrado foi ouvido, cinco guardas de Ebonhawke forçavam as fechaduras das celas, os guardas humanos começaram a cuidar dos feridos e tirar-los das celas, profeus sorriu olhando com ar superior para Pelucita.

Esta vendo charr, os humanos não abandonam sua raça. Ele falou arrogante.

Neste momento soldados charrs de Black Cidadel chegaram atrás dos guardas de Ebonhawke sendo liderados por um charr de armadura negra completa, o charr imponente entrava na cela olhando os escravos e disse.

  • Cuidem dos feridos e levem os humanos para a cidade de Ebonhawkee os charss devem ser levados para Black Cidadel, o resgate em conjunto foi um sucesso.

  • Tudo graças a sua liderança grande Tribune Rytlock Brimstone. Disse o capitão da guarda humana de Ebonhawke saldando o charr. Pelucita sorriu e encarou Yerko Profeus.

  • O que você dizia mesmo sobre sua raça vir nos salvar?

Deia 10 anos atrás

Deia bateu na porta por 3 vezes seguidas até uma senhora com no máximo 35 anos atender, o rosto cansado e abatido da mulher fazia com que ela parecesse mais velha do que ela era na verdade, uma sombra escura em volta dos olhos demonstrava que a senhora não dormia bem nos últimos dias, as mãos calejadas que seguravam a porta revelavam uma mulher que sustentava a casa sozinha vazia alguns anos, o cabelo ruivo desbotado estava preso a um coque, ela olhou para a jovem parada em frente a sua porta e perguntou.

  • O que quer minha jovem?

  • Aqui é a casa de Isaty? Gostaria de falar com ele.

Os olhos da mulher se encheram de lagrimas, ela se afastou da porta permitindo que Deia entrasse, a casa era simples com algumas poucas mobílias velhas, a senhora sentou em uma cadeira apontando para a outra, déia se acomodou cruzando as mãos sobre o colo e aguardou a mulher parar de chorar.

  • Não vejo meu pequeno Isaty a 3 dias, estou preocupada com ele.

  • Senhora…

  • Pode me chamar de Martha.

  • Senhora Martha, eu sou amiga de isaty, a 3 dias aconteceu uma coisa e acho que teve a ver com seu sumiço. Deia disse desconfortável com o que ia perguntar a mãe de Isaty.

  • O que aconteceu com eu filho?

Déia franziu a sobrancelha ao ouvir e disse.

  • É exatamente sobre isso… Isaty me pediu em namoro e quando falei o motivo de não poder aceitar ele ficou surpreso.

A mãe de Isaty arregalou os olhos de pavor, era claro que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Martha esperou tempo demais para revelar a verdade a seu filho, deveria ter feito isso quando seu marido morreu.

  • Senhora… Porque você e seu marido fizeram isso com isaty? Deia finalmente perguntou a Martha e ela contou toda a verdade a déia.

Algum tempo depois

Quando Deia saiu da casa de Isaty ela estava com raiva, na verdade estava furiosa. Novamente os separatistas haviam destruído uma família mesmo que indiretamente. Deia baixou a cabeça uma lagrima desceu de seu rosto ao se lembrar do que a mãe de isaty a contara. Deia decidiu que ia achar Isaty, trazê-lo de volta para casa e explicar a ele tudo o que foi escondido e omitido para ele. Deia se lembrou dele correndo do restaurante dizendo que era mentira o que ela havia dito a ele, que falará aquilo para ele porque ele tinha dito que a amava. Deia sentiu o coração acelerar, será que ela também gostava de Isaty? O mundo era um lugar confuso.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 27-Covil da Serpente

Ebonhawke 10 anos atrás

Há muitos anos atrás Ebonhawke era uma pequena fortaleza na junção das cordilheiras de Blazeridge e sul de Ascalon. As montanhas íngremes em vários lados proporcionaram uma localização ideal ao norte do deserto de cristal. Sua localização estratégica cresceu sua importância fazendo o rei Adelbern de Ascalon vê-lo como um bastião definitivo contra as incursões charr. A vanguarda Ebon foi enviada para fortalecer com a missão de ampliar o forte, eles ergueram um poderoso portão de ferro na entrada norte, reforçaram muralhas, escavaram as colinas atrás das paredes para fazer espaço vivo para os refugiados das cidades humanas abandonadas durante a guerra contra os charr. Eles treinaram a população crescente nos perigos que estavam fora de seus portões, os charr montavam suas armas de cerco em volta da cidadela entendo invadi-la. Antes do início das negociações de paz entre charr e os humanos e desde a queda da cidade de Ascalon os charr decidiram manter pouco mais do que um contingente próximo a fortaleza acreditando não valer o esforço de mantê-la sobre total vigilância.

Yerko Profeus desceu da carroça em Ebonhawke junto com as outras pessoas libertas dos rebeldes charrs, em 5 anos a cidadela murada havia mudado se tornando uma mistura racial, guardas da cidadela e soldados charrs de Black Citadel patrulhavam as periferias ao redor da cidadela, o olhar de repugnância e ódio o cobriu. Profeus olhou em volta enquanto parentes dos resgatados vinham buscar suas crianças, não existia sinal do pai de Yerko.

  • Será que meu pai não foi avisado de seu resgate? Indagou Profeus.

Uma carruagem luxuosa com o brasão dos Solar Cran que era um sol dourado puxada por dois garanhões negros parou ao lado de Profeus, a porta lateral se abriu, Sebastian estava sentado no banco acolchoado, ele olhou para Yerko e disse.

  • Seja bem vindo de volta Yerko. Sou Sebastian, amigo de seu pai Arthur, os Solar Cran e a família Profeus tem um histórico antigo de colaboração mutua. Eu vim levá-lo para casa.

  • Porque meu pai não veio me buscar. Perguntou Yerko com a expressão fechada.

  • Entre que lhe contarei tudo.

Yerko deu uma última olhada para trás, quase todas as crianças e adolescentes tinham partido com seus parentes, apenas aqueles que não tinham com quem ficarem estavam parados aguardando quem os levariam para algum abrigo ou orfanatos. Celes e Pelucita estavam entre eles, Profeus olhou para Celes que retribuiu o olhar dele, ambos ficaram se encarando até Yerko franzir a sobrancelha e trincar os dentes em seguida entrou na carruagem fechando a porta não olhando mais para trás.

Black Citadel

Construída sobre as ruínas da cidade humana de Rin, a Cidadela Negra é a sede das legiões charr em Ascalon. Comandada por Smordur, o imperador da legião de Ferro. A cidadela é onde a legião de ferro testa e fabrica itens para outras legiões e aliados associados, incluído tanques, veículos e vários tipos de armamento. A arena da cidade conhecida como Bane fica perto do centro, à sombra do núcleo do imperador onde estão os escritórios da liderança da cidade. A própria cidade é governada por um conjunto de leis pragmáticas que a mantém funcionando como um relógio. A guarda Adamant sempre vigilante e considerada a mais temida e cruel existente em toda Tyria.

O corpo da charr bateu com força no chão de ferro, Tiaraju sentiu todo o ar dos pulmões ser expedido, uma pata pisou em seu peito impedindo que ele se levantasse. Tiaraju estava de volta a Black Citadel, a cidadela charr. Guardiã Valkirie o encarava com seus olhos felinos amarelos, o peso do corpo dela pressionava a pata encima do irmão caçula. Ela mostrava as presas e as garras tamanha sua irritação, a imprudência de Tiaraju e Paine não só causaram a morte de Paine como fizeram Tiaraju virar escravo dos rebeldes por 3 longos anos, a warband Guardiões havia sido humilhada e após tudo isso encontrar Tiaraju novamente tendo sido resgatado por Rytlock Brimstone finalizava por completo tal humilhação.

  • Me diga filhote idiota onde você e Paine estavam com a cabeça?

  • Me deixe levantar!

  • NÃO! Seu lugar é ai! Caído, humilhado, derrotado! Eu devia estraçalhar sua garganta!

  • Então faça isso! Não preciso ouvir seus sermões amiga de humanos!

Os olhos felinos de Valkirie se romperam em veias avermelhadas, ela agarrou Tiaraju pelo pescoço o erguendo do chão. Ela era quase meio metro maior do que ele, os pêlos brancos oiriçados iguais ao do irmão, mas os de Tiaraju estavam cincas por causa da sujeira, algumas manchas avermelhadas também eram vistas decorrente de ferimentos antigos.

  • Repita o que você disse filhote! Eu o desafio!

Rytlock segurou o pulso de Valkirie, o charr lendário foi quem trouxe Tiaraju até ela, Rytlock fez isso em respeito à Valkirie que ele considerava uma guardian honrada e leal a Cidadela Negra.

  • Acalme-se Guardiã Valkirie, não se desonre matando seu irmão caçula.

  • Eu não quero matá-lo, quero puni-lo por sua burrice.

  • Então se você me permite guardiã, deixe-o ser julgado por traição. Ele e Paine agiram sem autorização atacando humanos. Quê a arena de Bane o julgue.

  • Saí de uma arena para outra, isso chega a ser irônico. Tiaraju disse rindo.

  • A diferença Tiaraju é que aqui você tem uma chance de sair com vida. Rytlock respondeu.

Cidadela de Ebonhawke

As coisas não haviam melhorado muito para Celes e Pelucita após serem resgatadas dos rebeldes charr, em primeiro lugar a guarda de Ebon tentou separar Celes de Pelucita dizendo que os humanos seriam levados para Ebonhawke e os charrs para Black Citadel. Pelucita quase arrancou o braço de um dos guardas quando ele segurou Celes pelo braço, se não fosse pela interferência de Rytlock Brimstone lhe dando permissão de ir para Ebon, celes não saberia o que teria acontecido. Agora que as duas estavam na cidade o orfanato de Lyssa se recusava a deixar que Pelicita vivesse com Celes dentro do casarão, por esse motivo Celes e Pelucita foram obrigadas a passarem a noite na rua, uma das meninas do orfanato apiedou-se das duas e lhes deu comida que só duraria até o dia seguinte. As duas se encolheram em um beco sujo Pelucita se enrolando para aquecer Celes da mesma maneira que fez na cela dos rebeldes.

  • O que vai acontecer com a gente Pelucita? Celes perguntou com lagrimas escorrendo do rosto.

  • Durma minha irmã, amanhã encontraremos uma solução.

Mansão Solar Gran

O vaso espatifou na parede molhando o carpete vermelho da sala de estar, Yerko Profeus estava com o rosto vermelho de raiva, uma veia pulsava na lateral da cabeça do rapaz. Sebastian acabava de lhe contar que seu pai Arthur Profeus II tinha sido executado na Praça de Ebonhawke por traição, Arthur era um dos três capitães separatistas executados a 3 anos atrás.

  • Sei que deve estar sendo difícil para você aceitar o sacrifício que seu pai fez pela causa, Arthur era um homem leal, corajoso e não ser curvou traindo a nossa confiança. Os amantes dos charrs foram os causadores desta tragédia. Sebastian falava para Yerko fazendo questão de frisar “nossa causa”.

  • Eu quero vingança! Profeus gritou.

  • E você a terá Yerko. Em breve assumiremos o controle de Ebonhawke e quero você ao meu lado como um dos meus capitães da mesma forma que seu pai foi. Juntos vingaremos Arthur e devolveremos Ascalon a quem de fato ela pertence. A nós humanos.

  • Você tem um plano Sebastian?

Sebastian sorriu um sorriso cruel e doentio.

  • Eu sempre tenho, mas preciso de pessoas de confiança para executá-lo, meu filho Antony retornará em breve do mosteiro que esta estudando e assumirá suas obrigações para com os separatistas. Ontem por uma feliz coincidência conheci outro filho de um dos meus antigos capitães, é uma pessoa jovem e enigmática, irei testar sua lealdade amanhã, se ele atender a minhas expectativas poderá ser um líder no futuro próximo. E você Yerko Profeus? Aceita ser um de meus homens de confiança?

  • Aceito.

  • Excelente. Mas antes você precisa comer algo, se limpar, tomar um banho quente e aproveitar o tempo perdido.

Sebastian falava conduzindo Yerko pelo corredor da mansão, eles pararam em frente a uma porta que Sebastian abriu. Era um quarto luxuoso com uma grande cama de casal no centro, do lado esquerdo uma mesa com diversos pratos de comidas, vinhos e sobremesas, do lado direito uma banheira cheia de água quente e em volta do quarto 8 mulheres belíssimas, com corpos esculturais vestindo apenas lingeries.

  • Espero que aprecie minha hospitalidade, meus amigos só recebem o que a de melhor.

Yerko sorriu desabotoando a camisa, por um segundo o rosto da garota Celes passou em sua cabeça, ele ignorou afastando a lembrança e entrou no quarto pronto para aproveitar cada momento.

Um Beco em Ebonhawke

Celes e Pelucita dormiam encolhidas no chão frio do beco, Pelucita ergueu a cabeça farejando o ar, os pêlos ouriçaram e um rosnado brotou de sua garganta, antes que Celes despertasse a charr já estava de pé em frente à entrada do beco.

  • O que ouve Pelucita?

  • Sinto cheiro de perigo.

  • Perigo?

Quatro rapazes viravam a esquina entrando no beco onde elas estavam, eles cobriam o rosto com lenços e portavam pedaços de pau com pregos.

  • Eu não disse que vi um charr dormindo aqui como um cão de rua. Você devia ter mais fé no que eu digo. Disse um dos rapazes, um cheiro de bebida alcoólica preencheu o lugar, todos estavam alcoolizados.

  • Nunca mais duvido de você. O outro respondeu rindo.

  • O que querem aqui? Pelucita perguntou.

  • CALA A BOCA FERA! NÃO DEMOS AUTORIZAÇÃO PARA VOCÊ LATIR. Gritou um deles.

  • Nos deixem em paz! Celes disse se levantando.

  • Ah, então é você a amante de charr que as pessoas estão comentando? Até que você é bonitinha.

  • Deixe minha irmã em paz lixo humano. Rosnou Pelucita.

  • O que disse animal? Perguntou um deles avançando com o bastão na mão para agredir a charr, os outros três logo atrás dele.

  • Quatro contra um, é meio injusto não acham? Uma voz feminina disse da entrada do beco.

Os rapazes se viraram e uma garota com uma cesta de frutas estava parada em frente do beco, ela era loiro, os cabelos curtos com uma franja tampando um dos olhos, usava um vestido azul claro, era baixa, devia medir 1, 65 m com no máximo 18 anos, ela parecia estar voltando para casa quando ouviu a confusão.

  • Dê o fora mulher se não quiser participar da festa.

  • Festa? Eu adoro festas! Ela disse colocando a cesta no chão. Um brilho azul surgiu do lado esquerdo dela ganhando forma, uma marreta azul brilhante surgiu flutuando ao lado da mulher, logo em seguida uma espada, um arco e um escudo brilhavam intensamente flutuavam em volta.

  • Não pode ser… Um dos rapazes disse arregalando os olhos.

  • Quem é essa mulher? O outro perguntou assustado.

  • Pensei que era boato, mas ela está mesmo aqui em Ebon…

  • Do que você está falando?

  • Da Lendária… Nunca ouviram sobre general menina?

  • Oh… Minha fama me precede. Deixe-me apresentar direito. Sou Oroko, ex-general da batalha dos ogros. Os soldados gostavam de me chamar de chaveirinho por causa da minha estatura baixa, mas depois que os castigava passaram a me chamar general marreta.

  • Você devia estar morta, viram você ser perfurada por 20 lanças dos ogros! Um dos rapazes falou.

  • Aquilo doeu um pouco e vocês deviam começar a correr.

Os quatro não pensaram, correram como se o próprio demônio estivesse atrás deles.

  • Odeio separatistas. Vocês duas não? Oroko falou sorrindo para Celes e Pelucita.

  • Obrigada. Celes falou admirando a mulher.

  • Sabe, numa coisa eles tem razão, vocês duas já estão muito famosas aqui na cidade.

  • Só porque não deixaram que eu e Pelucita vivêssemos no orfanato juntas?

  • Vocês duas tem de entender que Ebonhawke é um barril de pólvora pronto para explodir, vocês não podem viver sozinhas aqui nas ruas, alem de perigoso para vocês, são um risco para tumultos decorrente de racismo.

  • E o que sugere humana? Pelucita disse irritada.

Oroko sorriu e disse.

  • Que tal viverem um tempo comigo e meu marido, pelo menos até acharem um lugar para ficar?

  • O que você ganha com isso?

  • Pelucita! Celes repreendeu a charr.

Oroko apanhou a cesta no chão entregando uma maça a Celes e falou.

  • Ganho duas novas amigas.

Ruas de Ebonhawke

Déia passou as últimas 6 horas perguntando a cada pessoa que encontrava se havia visto Isaty, a maioria das respostas era a mesma, ninguém o tinha visto fazia 3 dias. Quando Deia já estava desistindo um quitandeiro a achou.

  • Você está procurando aquele moleque hiperativo de cabelos ruivos?

Sim. Esse mesmo. Deia disse animada.

  • Ele caiu sobre minha carroça de legumes ontem de manhã e quase foi atropelado por uma carruagem.

  • Por Kormir. Ele está bem?

  • Não sei dizer se posso afirmar que continue bem. Disse o quitandeiro com ar preocupado.

  • Como assim?

O quitandeiro abaixou a cabeça para falar no ouvido de Deia.

  • Seu amigo foi recrutado por Sebastian Solar Cran, você tem ciência de quem estou falando.

Deia arregalou os olhos de pavor. Toda Ebonhawke conhecia o homem mais rico e cruel de Ascalon, assim como os boatos a respeito dele. Isaty corria mais perigo do que Deia imaginava.

Manhã seguinte

  • Muito bem Isaty é hora de você provar sua lealdade para com os separatistas.

Sebastian falou com ele lhe conduzindo pelo acampamento, Isaty teve de ser vendado para ir até lá, uma prevenção a localização do acampamento que era secreta para não iniciados, conforme eles caminhavam vários jovens se curvavam para eles, Isaty ficou admirado com o respeito que eles tinham por Sebastian, Isaty se corrigiu mentalmente, não era respeito, era medo. Os dois pararam em frente a uma jaula, lá dentro uma grande bola de pêlos marrom e cinza estava encolhida. Sebastian acenou com a cabeça para um guarda que apanhou a chave destrancando a porta da jaula e abrindo, em seguida o guarda entregou uma barra de ferro suja de sangue a Isaty que franziu a sobrancelha.

  • Para que isso? Isaty perguntou se fazendo de inocente.

  • Você não é idiota! Sabe muito bem para que usar isso. Sebastian disse o fulminando com um olhar assustador.

Isaty olhava da barra de ferro para a bola de pêlos, ele engoliu em seco e entrou devagar na jaula, a bola de pêlos se mexeu e um charr de pêlos marrom e cinza olhou para ele, estava coberto de ferimentos, os olhos caídos tinham um sangramento interno, o charr mau se agüentava ficar sentado o que dizer se levantar.

  • Castigue-o! Sebastian mandou.

A barra de ferro tremia nas mãos de Isaty, ele olhava com os olhos arregalados o charr que apenas acenou com a cabeça positivamente.

  • FAÇA! Ou juro que será você a ser castigado! Sebastian ordenou.

As palavras fizeram com que Isaty agisse, ele bateu no charr, bateu, bateu e bateu o sangue salpicando seu rosto. Quando Sebastian achou que já estava bom mandou que ele parasse, Isaty saiu da jaula com as mãos tremulas, um sorriso cobriu seu rosto sujo de sangue o que deixou Sebastian satisfeito, mas por dentro Isaty estava quebrado da mesma força que o charr na jaula.

  • Muito bem meu novo recruta. Bem vindo aos separatistas.

Naquela noite

Isaty se esgueirava pelo acampamento, ele havia fugido de seu quarto e conseguido chegar à jaula. Isaty apanhou as chaves penduradas na lateral da parede e destrancou a jaula, ele foi até o charr, as lágrimas escorrendo do gosto, tinha certeza de tê-lo matado, mas quando tocou o pêlo marrom e cinza do charr ele se virou o encarando. Isaty deu um pulo para trás tapando a boca para não gritar do susto, o coração batendo acelerado.

  • Me… me desculpe, me perdoe. Isaty finalmente se entregou as lágrimas de remorso.

  • Não chore criança. Você não teve opção. Eu vi em seus olhos que não queria fazer aquilo. O charr falou sentando na jaula e apoiando o corpo na grade.

  • Não devia ter feito, devia ter me recusado. Isaty continuava a falar.

  • Ai você estaria morto! Eu já presenciei isso acontecer mais de uma vez, Sebastian não tolera ser desobedecido. O charr disse e um pequeno sorriso surgiu no rosto dele, então acrescentou.

  • E você bate como uma garotinha.

Isaty riu sem graça ao comentário do charr, um sorriso tímido que Isaty já achava não conseguir manter.

  • Isso, sempre sorria. Assim como eu faço. O charr disse alongando um sorriso largo no rosto machucado.

  • Você lembra meu avô. Isaty comentou.

  • Por quê? Ele era grande e peludo? Brincou o charr.

  • Não. Ele sempre me dizia para sorrir independente de como estivesse me sentindo.

  • Ele era um homem sábio.

  • Ele está morto.

  • Talvez não tão sábio… Humano você faria um favor para mim?

  • Sim! Qualquer coisa!

  • Você cantaria para mim?

  • Cantar? Isaty olhou confuso o charr que escorregava pela grade se enroscando para deitar.

  • Sim. Eu apanhei tantas vezes na cabeça ao longo das semanas que agora não consigo dormir, fico escutando o som das pancadas.

  • Eu… eu não sei cantar.

  • Não tem problema, basta cantarolar.

Isaty se aproximou do charr achando isso a idéia mais absurda de sua vida, o charr se aproximou e apoiou a cabeça em seu colo, Isaty não resistiu e acariciou o pêlo dele, mesmo sujo e ferido ainda era macio ao toque.

  • Cante humano.

  • Meu nome é Isaty.

  • É um prazer conhecê-lo Isaty. O meu é Tybalt.

  • Eu juro que vou libertar você um dia.

Tybalt sorriu imaginando o quanto Isaty e Luuh eram parecidos, ele adormeceu seus sonhos o levando para junto de sua companheira dos Whispers Luisa e esquecendo como sua missão havia falhado e ele capturado pelos separatistas.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 28-Laços que nos Unem

Um mês antes de Tybalt ser capturado

Base dos Whispers

A líder dos whispers Riel Darkwater tentava avaliar se sua decisão era a mais acertada. Luuh a encarava pela primeira vez com um olhar acusador, o motivo disso era que Riel havia escolhido o charr Tybalt para uma missão muito arriscada e perigosa em Ascalon. Tybalt devia conseguir informações sobre os separatistas e sua ligação com o ministro Caudecus.

Luuh queria acompanhá-lo, Riel explicou a ela que os ascalonianos não possuíam a pele cor caramelada o que atrairia suspeitas sobre uma menina de 11 anos nascida de Elona sozinha em Ascalon. Tybalt por sua vez era um charr e Ascalon seu lar de origem.

  • E se algo der errado? E se Tybalt for capturado? E se ele se perder no caminho? Luuh perguntava sem para a Riel.

  • Ei mocinha, o adulto aqui sou eu! Tybalt falou olhando para ela com aqueles olhos caídos.

  • Disse o charr que me pede para coçar atrás de suas costas.

  • Bem… é uma área de difícil acesso e meus braços não giram para aquele ângulo.

  • Luuh, eu quero que você entenda, Tybalt pode ser desastrado, atrapalhado e um pouco lento…

  • Poxa, obrigado chefia pela consideração. Disse Tybalt brincando, Riel o fuzilou com o olhar fazendo o charr se encolher.

  • Mas ele é um membro dos whispers, se algo der errado ele vai fugir.

  • Pode ter certeza que correrei feito um louco, mocinha. Usarei até as mãos para isso. Tybalt falou com um sorriso largo mostrando as enormes presas.

Um mês depois

Esta foi à última conversa que Tybalt e Luuh tiveram antes dele partir em missão. Um informante dos whispers tinha enviado uma mensagem a Riel Darkwater semanas depois, nela dizia que um charr havia sido capturado pelos separatistas e que seu estado atual era desconhecido, a descrição do charr batia com a de Tybalt. Luuh não esperou Riel decidir o que faria, não esperou por um grupo de resgate, a menina partiu para Ascalon sozinha sem a autorização da líder Riel, ela iria achar Tybalt não importava como e quem teria de passar por cima, mataria qualquer um que tentasse impedi-la e se alguém se atrevesse a ferir Tybalt seu único amigo verdadeiro esta pessoa ia preferir estar morta quando Luuh colocasse as mãos nela.

Mansão de Sebastian

Yerko se olhava no espelho enquanto se arrumava para seu primeiro dia como capitão dos separatistas, Sebastian havia lhe dito que teria de se ausentar por uma semana para resolver um assunto importante em Divinity reach e que enquanto estivesse fora Profeus estaria no comando em seu lugar. O sorriso de satisfação era largo em seu rosto, Yerko terminou de abotoar a camisa e calçar as botas, do espelho ele podia ver as oito mulheres nuas dormindo tanto na cama como pelo chão do quarto, a noite anterior tinha sido espetacular Yerko nunca tinha se sentindo tão vivo.

Ele saiu do quarto caminhando pelo corredor, os empregados se curvavam para ele quando passava deixando-o ainda mais satisfeito, quando chegou a sala de estar um recruta muito jovem talvez uns 13 anos o aguardava, o jovem tinha cabelos ruivos curtos e um rosto delicado como de uma mulher, Profeus achou repugnante como um homem podia parecer uma garota, logo pensando que uma ou duas cicatrizes no rosto dele podiam amenizar aquilo.

  • Bom dia capitão Yerko! Meu nome é Isaty, o senhor Sebastian me pediu para mostrar o local ao senhor e levá-lo ao seu esquadrão para treino.

  • Muito bem. Vamos ver se eles têm o que é necessário para os separatistas.

  • Como disse senhor?

  • Vou mostrar o que é um treinamento de sobrevivência, a diferença de viver ou morrer!

Isaty arregalou os olhos, tinha acabado de conhecer Yerko Profeus e não tinha gostado dele.

Orfanato de Lyssa

Deia estava sentada na mesa do refeitório no orfanato, ela havia repassado tudo o que sabia sobre Sebastian Solar Cran e ficou decepcionada a constatar que não sabia de nada relevante, que tudo eram boatos, as únicas coisas concretas eram que ele era o homem mais rico de Ascalon, totalmente averso aos charrs, que era uma pessoa fria, calculista e acima de tudo cruel, que a esposa Mirian não era vista fora de casa a mais de 4 anos. Os boatos a respeito dele eram iguais a um vazamento, poucos a princípio, depois que se começava a falar as pessoas aumentar tornando-se piores cada vez mais até se tornar uma inundação. Diziam que Sebastian era o líder dos separatistas, que indiretamente fornecia armas aos rebeldes charr para manter o conflito, que negociava com uma rede criminosa antiga que se estendia por toda Tyria chamada Manto Branco, que possuía inúmeras pessoas sobre seu domínio por suborno ou ameaça e talvez a pior de todos os boatos, que ele mandava assassinar qualquer descendente ao trono de Ascalon que ainda pudesse reivindicar seus direitos, após a maldição do rei Adelbern há muitos anos atrás, a linhagem real foi quebrada fazendo muitas famílias com parentescos distantes com Adelbern alegarem ter o direito a assumir o trono vago, mas de uma hora para outra tais famílias foram minguando até que não se ouvia mais a respeito delas, as pessoas sussurravam que todas foram mortas por Sebastian.

Ruas de Ebonhawke

As pessoas olhavam curiosas as três figuras que caminhavam despreocupadamente pela rua, Oroko ia à frente falando a história de Ebonhawke a cesta de frutas no braço direito balançava Celes e Pelucita logo atrás dela ouvindo atentamente a narração.

Quando as duas chegaram a cidadela resgatadas dos rebeldes charrs não pensaram em admirá-la, agora olhando atentamente elas olhavam as altas muralhas que cercavam a cidade, eram impressionantes, porem o clima que o lugar emanava era de nervosismo, ao passarem em frente a uma loja um cartaz chamou a atenção de Pelucita que o arrancou da parede para lê-lo.

  • “O governo atual de Ascalon se curvou as feras charrs, abandonando a população humana por medo de enfrentar esta ameaça antiga que se alastra como uma praga.” Ela leu irritada, rasgando o cartaz e jogando fora.

  • Não ligue para isso Pelucita, Ebonhawke está tendo uma disputa política além de uma possível guerra civil. Estes cartazes de difamação estão em toda parte espalhados pelos separatistas. Oroko disse fazendo sinal para que ela continuasse andando.

  • Ela está certa Pelucita. Não adianta se irritar por causa disso. Celes falou para a charr segurando sua mão.

  • Não sei se é boa idéia permanecemos nesta cidade. A charr falou.

  • Mas não temos dinheiro Pelucita, nem parentes vivos… Celes disse baixando a cabeça suprindo uma lagrima.

  • Desculpe irmã. Não quis deixá-la triste. Pelucita falou abraçando a irmã de consideração.

  • Como eu disse vocês duas podem ficar comigo e meu marido o quanto precisarem, eu duvido que alguém tenha coragem de mexer com vocês duas sabendo que estão em minha casa.

  • Você é muito convencida humana.

  • Dei vários motivos para isso. Bem, espero que vocês duas não reparem em minha casa, eu e meu marido ainda estamos ajeitando o lugar, às vezes parece que quanto mais mexemos, mais bugigangas aparecem. Oroko brincou.

  • Eu e pelúcia estávamos dormindo em um beco, você acha que ligamos para bagunça. Disse Celes enxugando as lágrimas.

Elas chegaram a uma casa espremida entre duas construções, Celes e Pelucita olharam encantadas para a pequena casa de madeira, ela ficava exatamente no meio entre dois grandes armazéns de pedra sólida, embora fosse antiga e humilde a fachada era bem cuidada com vasos de flores nas janelas, Oroko foi até a porta e a abriu convidando as duas a entrarem.

  • Lar doce lar.

  • O que você trouxe para casa agora amor? Perguntou um rapaz de avental, ele tinha cabelos pretos rebeldes e uma barba espessa, um óculos preso ao rosto lhe dava um ar intelectual o óculos estava embaçado por causa do vapor de uma panela em suas mãos protegidas por luvas.

  • Estas são Celes e Pelucita. E este cozinheiro talentoso é meu marido Aloim, eu disse para elas que podiam passar uns dias conosco até conseguirem um lugar para ficar.

  • Primeiro o canário com a asa machucada, depois o cachorro faminto… ah, e teve aquela vez da velhinha com as compras… Aloim ia numerando.

  • Pode parar querido, esqueceu o que lhe disse.

  • Ok, o seu juramento e general Oroko nunca quebra uma promessa.

  • Exatamente, somente ossos de inimigos. Ela brincou.

  • Desculpe o incomodo se vamos atrapalhar vocês podemos ir para outro lugar. Celes disse constrangida, não queria ser um estorvo a ninguém.

  • Não ligue para meu marido, ele gosta de me provocar.

  • Sim, vocês são bem vindas aqui. O rapaz falou sorrindo, mal dava para ver seus olhos devido ao óculos embaçado.

  • Sintam-se a vontade, vou ajudar Aloim antes que ele fique cego devido a panela.

As duas olharam a residência, havia muitos pertences espalhados pela casa que contavam várias histórias antigas, desde vasos Canthoneses a armas de Elona presa as paredes, montanhas de livros antigos empilhados em frente a uma estante, uma armadura pesada completa da antiga guarda real de Ascalon estava montada em um canto da parede, o item devia ter mais de 250 anos. Como Oroko poderia ter tudo isso com tão pouca idade e porque alguém assim moraria num lugar desses?

Os olhos felinos de Pelucita foram para uma mesa de centro onde uma marreta prateada estava cuidadosamente apoiada sobre ela, a charr se aproximou admirando a beleza da arma, embora o cabo e a base fossem de prata havia detalhes em ouro, um destes detalhes era a forma de um homem carregando uma esfera de cristal incrustada no centro da marreta, outra esfera de cristal menor estava na ponta do cabo.

  • É uma bela arma. Pelucita disse.

  • Este é meu bebê, se chama Juggernaut, ela me rendeu o apelido de general marreta.

  • Eu posso tocá-la? Pelucita pediu ansiosa.

  • Pode, mas devo adverti-la, a Juggernaut também é chamado de martelo do julgamento apenas aqueles sem intenções mesquinhas, rancor ou má índole conseguem empunhá-la devidamente.

Pelucita a pegou, a arma era mais pesada do que ela esperava, mesmo com as duas mãos a charr mal conseguia ergue-la acima do peito. Oroko foi até ela e pegou a marreta das mãos de Pelucita a levantando com facilidade acima da cabeça com uma mão.

  • Isso é algum tipo de magia? Exclamou Pelucita.

  • Com certeza é, magia divina na verdade. Oroko disse rindo admirando Juggernaut.

  • Exibida. Aloim falou brincando aparecendo novamente na sala, Oroko mostrou a língua para ele em resposta.

  • Gostaria de tentar Celes? Oroko falou oferecendo Juggernaut a ela.

  • Melhor não, é uma arma muito grande para mim.

  • Imagine para mim que tenho 1.56 m. Ela riu e acrescentou.

  • Bom, sou mestra em armas, posso ensinar vocês duas a manusear qualquer arma que queiram usar.

  • Meninas vamos primeiro comer, depois vocês brincam com as armas. Aloim disse arrumando a mesa para o almoço, o cheiro da comida era maravilhoso, o estômago de Pelucita roncou alto deixando a charr envergonhada.

  • Viu! Eu sabia que vocês estavam com fome. Aloim disse arrumando o óculos no rosto.

  • Posso ficar sem comer por mais algumas horas se quisesse humano!

  • Claro que poderia, eu não duvido. Mas você resistiria ao meu cozido secreto de carne bovina! Aloim disse destampando a panela de forma teatral.

  • Carne bovina… Pelucita disse lentamente com os olhos arregalados e as pupilas dilatadas, o canto da boca escorria uma baba, a calda balançava de um lado para o outro sem parar.

  • Preparada com batata, batata-doce, abobora, mandioca e repolho, com cebola dourada e tomates para dar gosto com um pouco de óleo na panela, adicione então carne bovina de melhor qualidade água suficiente para cobri-la, sal a gosto cozinhado por 40 minutos, está é minha receita secreta. HÁ, HÁ ,HÁ.

  • Nossa! Dá até vontade de acariciar a barriga dela. Brincou Oroko apoiando os cotovelos na mesa enquanto admirava a expressão sonhadora de Pelucita.

  • Não sou um gato, humana! Pelucita rebateu saindo do transe causado pelo cheiro saboroso da comida.

  • Não… e essa calda balançando ai atrás?

Pelucita agarrou a calda puxando para perto de si, depois disse.

  • Humanos, sempre querendo nos humilhar.

  • Desculpe Pelucita, não tive a intenção de ofendê-la. Eu e meu marido somos brincalhões por natureza.

  • Pelucita você deve aprender a ser mais educada, somos visitas. Peça desculpa a Oroko. Celes a censurou.

  • Me desculpe Oroko… Disse Pelucita olhando para o lado, o estômago voltando a roncar alto.

  • Melhor comermos mocinhas. Meu pai sempre dizia, o humor das pessoas depende do quanto a barriga esta cheia.

Ebonhawke

Judas desceu da carruagem mantendo a porta aberta para que Sebastian saísse, eles acabavam de chegar à uma das residências de Sebastian, um encontro desagradável o esperava em casa. Sebastian olhou para Judas, o jovem rapaz de longos cabelos negros presos em um rabo de cavalo aguardava instruções, o olhar atento dele lembrava um leopardo pronto para atacar, Judas era o filho adotivo de Sebastian, encontrado sozinho na floresta de Maguma durante um safári, o garoto parecia mais um animal naquela época foi necessário que ele passasse por treinamento intensivo até se tornar fiel ao pai adotivo. Ambos viajariam ainda hoje para Divinity’s Reach para resolver um assunto importante da irmandade, na melhor das hipóteses Sebastian esperava assumir o controle de Kryta sem sujar suas mãos e ainda se livrar de um incomodo chamado sabetha.

  • Espere aqui Judas, não devo demorar.

  • Sim meu pai. Judas respondeu curvando a cabeça.

Poucas semanas separavam Sebastian da assinatura de paz entre humanos e charrs, esta seria a melhor hora para que Caudecus assumisse o comando de Divinity’s Reach e anunciasse seu apoio aos separatistas, mas para isso seria necessário matar todos que eram a favor da verdadeira sucessora ao trono, a princesa Jennah. Isso seria resolvido ainda essa semana, agora ele tinha que resolver o problema imediato que se encontrava dentro de casa, a chegada de seu filho sanguíneo Antony.

Black Citadel

A luta na arena de Bane estava acirrada, o charr Tiaraju atacava o oponente com ferocidade, o machado de uma mão colidia no escudo do oponente fazendo faíscas surgirem a cada golpe desferido, Gomashi era um adversário formidável, ele era um ogro corpulento com as presas voltadas para cima que saltavam do maxilar a pele avermelhada de ogro era coberta de cicatrizes. Gomashi lutava com uma lança e escudo com grande habilidade o ogro foi aprisionado pelos charrs após sua tribo atacar uma das bases da legião de ferro, desde então passou a lutar na arena esperando conseguir sua liberdade.

Guardiã Valkirie assistia a luta do irmão caçula da área vip da arena, Rytlock estava ao lado dela acompanhando atentamente a luta.

  • Seu irmão é um exímio guerreiro guardiã Valkirie.

  • Aquele tolo poderia ter se tornado um dos melhores centuriões de Black Citadel se não agisse como um idiota. Ela rebateu os pêlos brancos se ouriçando, sempre que Rytlock estava com ele. Mas Valkirie sabia que a iniciativa devia partir dele e aparentemente Rytlock não demonstrava nenhum interesse nela.

  • Caso ele vença as 10 lutas Tiaraju será perdoado e poderá ser reintegrado aos centuriões, tudo dependerá dele.

  • Isto é o que me preocupa, mas acredito que você não tenha vindo aqui apenas para ver meu irmão lutar.

  • Na verdade não, vim convidá-la para ir comigo a Ebonhawke, assinatura do acordo de paz será em 10 dias, gostaria que você me acompanhasse.

  • Isso é um encontro Rytlock? Valkirie disse sorrindo.

  • Se considerar uma ameaça dos separatistas em matar todos os que participarem dos acordos como um encontro, eu posso dizer que sim.

  • Uma boa companhia e a possibilidade de matar separatistas. Para mim é um ótimo convite.

  • Então está acertado, partimos amanhã.

Neste momento Tiaraju atingiu o pescoço do ogro um esguicho de sangue jorrou do ferimento, Gomashi cambaleou a visão escurecendo, Tiaraju girou aplicando o golpe de misericórdia decapitando o ogro, o corpo caiu no chão tingindo a arena com o sangue do ogro, Tiaraju apanhou a cabeça de Gomashi a levantando exibindo ao publico da arena. Os charrs vibraram com a vitória mais seis lutas e Tiaraju estaria livre e ele poderia ir trás do humano Profeus e ninguém, nem mesmo Valkirie ou Rytlock o impediriam de sua vingança.

Mansão Solar Cran

Sebastian estava no seu escritório em frente a mesa a expressão azeda iluminada por um castiçal com velas lhe dava um ar assustador, os cabelos grisalhos a barba rala contrastados com os frios olhos verdes gelaria qualquer pessoa que o encarasse menos seu filho Antony.

Fazia uma semana que o filho único de Sebastian havia feito 18 anos e finalmente liberado da clausura de suas obrigações da ordem. Nestes dias de liberdade Antony se entregou aos prazeres carnais, a libertinagem e aos exageros da bebida, a notícia chegou aos ouvidos de Sebastian não o agradando.

  • Você é uma vergonha ao nome Solar Cran.

Antony sorriu, os longos cabelos e barba pretos estavam bagunçados os olhos verdes iguais ao do pai tinham olheiras profundas à camisa dele estava amarrotada com manchas de origem duvidosas.

  • Não vejo assim pai, passei os últimos 12 anos confinado naquele mosteiro, orando, treinando e estudando todos os dias tendo apenas aqueles velhos monges como companhia.

A pancada do punho sobre a mesa foi forte fazendo o som ecoar pelos corredores.

  • Não me venha com essa, sei muito bem das prostitutas que eram levadas ao mosteiro.

  • Eu não vi nenhum monge reclamando das mulheres. Disse Antony com um sorriso malicioso.

  • Você é uma desgraça, um erro que jurei a sua mãe que consertaria.

Os olhos de Antony brilharam em ira para o pai.

  • Não ouse falar de minha mãe!

  • Ah, agora resolveu falar sem piadas? Não o vi indo visitar Mirian, escute o que vou dizer Antony porque só direi uma vez não o coloquei naquele internato da ordem para que você depois se interesse em libertinagem o mandei para lá para se tornar um líder.

  • Eu não pedi por isso.

  • Isso não tem importância, você a partir de agora faz o que eu mando ou irei deserdá-lo.

  • Faria isso com seu único filho? Antony sorriu para o pai.

  • Quem te disse que você é meu único filho? Rebateu o pai.

A expressão de surpresa de Antony valeu toda a discussão tida com o filho, Sebastian agora tinha de focar no acordo de paz entre humanos e charr e como destruí-los.

  • Eu irei me ausentar por alguns dias e você ficará encarregado de manter as coisas em ordem enquanto estiver fora, meu braço direito Yerko Profeus irá escolher alguém para acompanhá-lo amanhã.

  • Aonde você vai?

  • Irei a Divinity’s Reach resolver um problema pendente, mas voltarei em uma semana.

  • Que tipo de problema?

  • Algo que não lhe diz respeito… Mas também irei tratar do seu casamento.

Antony piscou os olhos confuso, achando que o pai havia falado errado a palavra casamento.

  • Casamento?

  • Sim, a família Lacy tem os melhores soldados de kryta e Edgar uma filha de 15 anos pronta para casar. Se tudo correr conforme espero Alice Lacy será sua esposa.

Dia seguinte

Uma batida foi ouvida na porta, Antony estava deitado de bruços em sua cama dormindo profundamente o quarto estava semi destruído, quadros derrubados, vasos e cadeiras quebradas cortinas rasgadas, após a conversa com o pai no dia anterior Antony teve um acesso de fúria e destruiu o quarto, o pai lhe disse por fim que no dia seguinte suas obrigações com a família se iniciariam.

Uma nova batida despertou Antony que se arrastou até a porta ele estava completamente nu, Antony abriu acreditando ser um serviçal, tanto fazia para ele, as servas não tinham o direito de ligar para como seus senhores da casa estavam vestidos ou como não estavam. Antony abriu a porta e um recruta jovem de cabelos ruivos curtos o encarou com surpresa e timidez tentando não olhar para o corpo de Antony.

  • Des… desculpe senhor! Não sabia que o senhor estava dormindo e nu… digo sem roupas, digo pelado.

  • Deixa de frescuragem, quem é você e o que quer comigo? Ordenou Antony de mau humor, os braços musculosos e abdômen rígido contraídos, uma das mãos alisando os longos cabelos negros.

  • Fui designado para apresentá-lo ao acampamento separatista senhor! O recruta praticamente gritou com o rosto vermelho olhando para o batente da porta.

  • Quem lhe deu essa ordem idiota?

  • Meu capitão senhor! A mando do senhor seu pai Sebastian! O recruta ainda gritava quando falava.

  • Então foi um idiota mesmo que lhe deu a ordem e fale mais baixo, não sou surdo.

O recruta riu do comentário a cabeça baixando esquecendo por um segundo que Antony estava pelado, ele ergueu novamente a cabeça envergonhado.

  • Quê horas é recruta?

  • São 6:00 am senhor.

  • Seis horas? Droga! Se soubesse que viria tão cedo não teria ido dormir tarde.

  • Que horas o senhor foi dormir? O recruta perguntou curioso.

  • 5:00 am.

  • Isso foi burrice senhor. O recruta disse sorrindo.

  • O que você disse recruta?

  • Des… desculpe senhor!

  • Chega de senhor. Meu nome é Antony e qual é o seu?

  • Isaty senhor, digo Antony.

  • Muito bem Isaty, eu vou te ensinar como aproveitar a vida… Ah, mais uma coisa não me leve a mau o que vou dizer.

  • Nunca senhor.

  • Você tem cara de menina. Antony disse sorrindo.

Isaty não riu, abaixou a cabeça se arrependendo logo em seguida, tinha esquecido novamente que Antony estava nu.

  • Desculpe é só brincadeira. Vou me trocar e já venho.

Isaty ficou esperando no corredor, ele não sabia mais tinha acabado de conhecer o homem que salvaria sua vida em breve e que Isaty trairia sua confiança muitos anos depois para manter um juramento em segredo.

Mais tarde no acampamento separatista

Isaty conduzia Antony até o pátio do acampamento um grupo de recrutas estava em volta de um circulo grande desenhado no chão, um rapaz moreno de cabelos curtos pretos usando uma camisa branca e calça de treino ensinava uma técnica de desarmamento para eles. Isaty se aproximou do rapaz batendo continência de forma exagerada os outros recrutas riram dele.

  • Alguém disse alguma piada aqui? O rapaz moreno bravejou encarando os recrutas que se calaram, depois olhou para Isaty.

  • Desculpe senhor.

  • Pare de enrolar e diga por que se atrasou Isaty?

  • É… Bem…

  • A culpa foi minha. Disse Antony retirando cera de ouvido com o dedo.

  • E quem é você?

  • Antony Solar Cran.

Vários murmúrios entre os recrutas começaram os boatos que o filho de Sebastian tinha chegado circulavam por todo acampamento como formigas em um açucareiro.

  • Então você é o filho de nosso líder? É um prazer conhecê-lo Antony, meu nome é Yerko Profeus sou o capitão deste destacamento. O rapaz disse sorrindo.

  • Não precisa me bajular por causa do meu pai.

  • Não estou bajulando, o senhor Sebastian é …

-… Um completo idiota. Antony falou antes que Profeus finalizasse a frase.

Os recrutas ficaram desconfortáveis e Profeus semicerrou os olhos, ele parecia irritado com o comentário de Antony.

  • Seu pai é um grande homem.

  • Meu pai é desprezível.

  • Não deveria falar assim de seu pai, ele tem grandes planos para você.

  • É mesmo? Então é você o novo queridinho dele? Será que você é o tal filho bastardo que ele me jogou na cara ontem?

  • O senhor devia medir suas palavras… Profeus falou fechando os punhos as dobras dos dedos ficando brancas pela força aplicada.

  • Eu não disse nada de mais, não é como se eu tivesse dito que sua mãe anda trepando com meu pai. Antony falou dando de ombros.

  • ENTRE NA ARENA! AGORA! Gritou Profeus.

  • Capitão ele é filho de Sebastian… Um dos recrutas tentou argumentar.

  • E vai aprender a respeita o pai. Yerko rebateu o rosto estava rubro de raiva.

  • Interessante e é você quem vai me ensinar?

  • Vou lhe dar uma lição Antony, aprenderá o que é respeito.

  • Vocês parecem um bando de cachorrinhos abanando o rabo querendo a atenção de meu pai. Disse Antony desabotoando a camisa e arregaçando as mangas.

  • Eu lutei nas arenas dos rebeldes charr por 5 anos, não me subestime.

  • É para ficar impressionado?

Os dois rapazes entraram no circulo desenhado no chão, embora Profeus fosse forte Antony era maior que ele e os músculos muito mais definidos. Yerko ficou em posição de luta com os punhos erguidos na altura do rosto, Antony coçava a batata da perna direita com o pé esquerda enquanto despreguiçava.

  • LEVE A SÉRIO! É UMA LUTA! Bravejou Porfeus.

  • E onde está meu oponente? Antony provocou olhando em volta como se procurasse alguém.

Profeus atacou desferindo uma seqüência de cruzados, Antony se esquivava de todos com facilidade em seguida Profeus girou o quadril chutando a lateral do tórax de Antony que bloqueou a chute com o antebraço.

Os recrutas foram ficando animados com a luta que se desenrolava começando a torcer, alguns para Yerko outros para Antony, Isaty acompanhava tudo achando que isso não acabaria bem.

Profeus avançou dois passos para encurtar a distancia e em um golpe de swing, um gancho de cima para baixo que atingiu o rosto de Antony, o supercílio dele sangrou a expressão de Antony mudou e ele aplicou um uppercut, o soco atingiu o queixo de Profeus com uma força monstruosa, os pés de Yerko saíram do chão e ele foi jogado para trás batendo com as costas no chão.

Isaty olhou a expressão de Antony e pela primeira vez viu a similaridade dele com o pai, os mesmos olhos verdes frios olhando de cima com total desprezo para Profeus.

  • Você acha que 5 anos nas arenas dos charrs o fizeram forte? Deixe-me contar uma história Yerko, meu amado pai me aprisionou em um mosteiro aos 6 anos de idade, foram 12 anos de provações, treinos, orações e fuga de monges com abstinência sexual, fui obrigado a furar o olho de um com uma colher e capar outro com caco de vidro para mostrar para eles que não deviam mexer comigo, então não me venha dizer que meu pai não é um desgraçado desalmado. Disse Antony se abaixando ao lado de Profeus.

  • Estamos em guerra! Não existe a necessidade de se ter remorso ou culpa. Profeus disse trincando os dentes de raiva.

  • É bom saber disso. Antony falou se levantando e em seguida dando um pisão no braço esquerdo de Yerko.

Um CRAK foi ouvido, a ponta do osso do antebraço saltou para fora, Profeus gritou de dor vários recrutas correram para ajudá-lo enquanto Antony limpava o pó da roupa.

  • Leve-o a enfermaria para colocarem o braço no lugar, a aula de vocês por hoje está terminada. Antony disse.

Os recrutas ajudaram Profeus a levantar e quando estavam saindo Antony acrescentou.

  • Ah, uma última coisa recrutas. Não percam a compaixão de vocês ou acabarão iguais a mim.

Isaty encarava Antony, ver a construção de um filho se tornando igual ao pai era assustador para ele.

De noite

  • Onde pensa que vai com essa comida? A voz soou na meio da escuridão.

Isaty deu um pulo de susto derrubando pães e pedaço de carne seca no chão, Antony havia acabado de flagrar ele se esgueirando pelo corredor a noite. Logicamente Isaty não estaria fazendo algo permitido.

  • Nada senhor.

  • Já disse para me chamar de Antony da próxima vez vou castigá-lo.

Isaty engoliu em seco concordando com a cabeça, Antony estava sem camisa usando apenas um short o tronco musculoso a mostra, Isaty desviou olhar para o chão imaginado porque Antony não usava uma droga de camisa.

  • Vou perguntar de novo, aonde você vai?

  • Eu vou… Isaty pensou rápido… Alimentar um gatinho faminto que achei no pátio.

  • Um gato? Tem certeza? Não estaria mentindo para seu capitão? Estaria? Antony o fuzilou com o olhar.

  • De forma alguma senhor… Digo Antony. Disse Isaty, de certa maneira Tybalt era um gato grande.

  • Certo Isaty, pode ir…

  • Obrigado.

  • Ah Isaty.

  • Sim…? Isaty se virou com medo.

  • caso você encontre alguém pelo caminho diga que autorizei você a sair do alojamento e levar esta comida para… o que pode ser mais aceitável… já sei, para uma empregada linda que conheci, caso insistam diga para me procurarem, duvido que alguém pare você. Antony disse sorrindo.

  • Muito abrigado senhor.

  • O que você disse?

  • DESCULPE!

  • Como castigo quero você amanhã bem cedo aqui no meu quarto, iremos andar por Ebonhawke. Quero ver como está a cidade e preciso de uma guia.

  • Sim. Isaty falou acenando a cabeça, ele correu pelo corredor virando a esquina, Antony o observava sorrindo em seguida fechou a porta do quarto.

Quarto de Profeus

Yerko se olhou no mesmo espelho em seu quarto que havia se olhado de manhã, o braço enfaixado preso a uma tipóia era refletido no espelho, Profeus socou a vidro estilhaçando-o a imagem distorcida refletia como ele se sentia, quebrado. Antony não só lhe quebrará o braço, ele o humilhará na frente de seu esquadrão. Yerko sabia que o filho de Sebastian seria alguém talentoso, mas nunca imaginou que ele fosse também um idiota que não entendia o grande homem que era Sebastian.

  • Desgraçado! Não sei como vou fazer, mas eu irei me vingar desta humilhação!

Área da jaula

Isaty passava a comida para Tybalt pela jaula, achou melhor não abri-la desta vez, ainda era cedo e alguém podia vê-lo, mas estava confiante, se usasse o nome de Antony nenhum guarda o pararia pelo menos até Sebastian voltar de viagem.

  • Tem certeza que não é perigoso para você me trazer essa comida meu jovem? Tybalt perguntou mastigando o pão com carne seca.

  • Não se preocupe, o grande Isaty tem tudo sobre controle. Ele disse batendo com o punho no peito.

  • Posso ver nitidamente. Tybalt disse sorrindo, nestes 3 dias o charr parecia melhor, aparentemente as seções de espancamento só aconteciam quando Sebastian estava presente.

O charr colocou o outro pão no chão da cela e falou sério com isaty.

  • Escute Isaty, não quero que você se arrisque por minha causa. Você me falou que Sebastian está fora de Ascalon e viagem. Por isso as coisas aqui estão calmas, mesmo os separatistas querem alguns dias de folga, mas sabem que isso só é possível quando Sebastian não está presente.

  • Eu também notei isso, o ar aqui parece até mais leve. Brincou Isaty.

  • Não chega a tanto, mas essa aparente paz vai acabar assim que ele retornar.

  • Eu sei…

  • Então me ousa Isaty, fuja! Vá embora enquanto pode.

  • Eu não posso.

  • Por quê?

  • É complicado explicar, mas quero que você saiba que existe alguém que pode te ajudar, só estou esperando a hora certa de falar com ele.

  • Alguém aqui dentro? De quem você está falando?

  • Antony, o filho de Sebastian.

Tybalt quase engasgou.

  • Pela minha tia Petúnia, você ta maluco?

Isaty sorriu aquele sorriso matreiro que só ele sabia fazer.

  • Não se preocupe, eu tenho um plano.

  • Este é meu medo. Disse o charr sorrindo.

Dia seguinte

Profeus saiu de seu quarto ele não conseguiu dormir a noite inteira, a raiva que sentia de Antony o fazia rever o braço sendo quebrado a toda hora na cama, ele precisava esfriar a cabeça e sabia que dentro do acampamento separatista não conseguiria, Yerko saiu para as ruas de Ebonhawke e embora não admitisse com a esperança de ver a garota chamada Celes novamente.

Acampamento separatista

A porta do quarto se abriu e Antony saiu, ele estava mais arrumado do que de costume usava uma camisa vinho de botões aberta até a metade mostrando a clavícula e parte do peito dele, calças pretas e sapatos de couro finalizavam a vestimenta, os cabelos tinham sido penteados para trás e a barba feita, Isaty estava o esperava do lado de fora do quarto no corredor ao ver Antony, Isaty não pode deixar de achá-lo atraente, pensamento que ele descartou logo.

Como eles haviam combinado hoje Isaty mostraria a cidade para Antony.

  • O senhor está bonito… Digo Antony eu queria pedir um favor ao senhor… Isaty foi falando meio sem jeito.

  • Depois, primeiro vamos sair para beber e pegar algumas garotas. Quero voltar carregado para casa hoje.

  • Garotas?

  • Sim, garotas. Acredito que você sabe o que é uma garota, peitos grandes, cabelos longos, boca carnuda.

  • Claro que sei.

  • Vamos acho que vou ter um excelente dia hoje. Antony disse sorrindo seguindo pelo corredor, Isaty logo atrás dele.

Ruas de Ebonhawke

Era pouco mais de 7 horas da manhã quando Deia saiu do orfanato para procurar por Isaty novamente, o dia era quente e seco como todos os dias em Ascalon, as ruas de Ebonhawke já estavam começando a ficar movimentadas com as pessoas montando barracas e outras saindo para trabalhar, embora Deia começasse a perder as esperanças de encontrar Isaty sua intuição hoje lhe dizia que teria sorte, ela olhou para seu reflexo no vidro de uma janela ela tinha olhos castanhos claros e cabelo castanho escuro ondulado um lenço azul preso a cabeça impedia que o suor escorresse pelo rosto dela, Deia nunca havia parado para se admirar, nem tinha pensado que alguém um dia a acharia atraente.

  • Isaty. Ela pensou. Deia o encontraria tinha certeza disso, esta mesma intuição se mostraria acertada, só que ela encontraria muito mais do que esperava.

Casa de Oroko

  • Você não deveria sair sozinha. Pelucita falou pela quinta vez em sua mão um espanador.

  • Não ha perigo Pelucita, Celes só vai até a padaria e voltar. Oroko falou limpando Juggernaut com um pano.

  • Então por que não posso ir com ela? A charr perguntou batendo o pé no chão.

  • Já falamos sobre isso Pelucita, você é um imã de encrenca dentro da cidade se Celes for sozinha não vai chamar atenção.

  • É pelas por 15 minutos irmã, eu volto antes de vocês terminarem a faxina da casa.

  • Isso com certeza, têm coisas suficientes para serem arrumadas por anos. HÁ, HÁ, HÁ. Aloim falou rindo carregando uma pilha de livros para o fundo da cozinha.

  • Chega de risadas Aloim. Disse Oroko o ameaçando com Juggernaut nas mãos.

  • Sim querida.

  • Não sei, estou com um mau pressentimento. Pelucita falou.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 29-Brincando de Ser Amigo

Profeus imaginou que andar pela cidade melhoraria seu humor, mas tudo o irritava, a atadura do braço que coçava como louco, o calor de 46° graus que o dia estava fazendo o ar seco e a poeira, as pessoas esbarrando nele na rua a toda hora. Na verdade Profeus era acostumado com o clima quente e seco de Ascalon, a aglomeração de pessoas nas ruas que não parecia normal, a guarda de Ebon passaram correndo por ele, Profeus resolveu ver do que se tratava por puro tédio que sentia.

Ao se espremer por entre as pessoas curiosas que estavam no lugar, Yerko viu um grupo de guardas cercando uma construção que era usada como escola primária, gritos eram ouvidos vindos do prédio, o chefe da guarda conversava com os guardas decidindo se devia invadir ou não o lugar.

  • O que está acontecendo ai dentro? Yerko perguntou a uma pessoa a frente.

  • Separatistas ou admirados deles, invadiram a escola primária e estão ameaçando matar todas as crianças a não ser que um charr entre dentro da construção para ser sacrificado, para cada charr que entrar uma criança será solta.

Profeus arregalou os olhos horrorizado com tamanha loucura. Matar em batalha era uma coisa, ameaçar assassinar crianças humanas para poder eliminar charrs era outra completamente diferente e também ele não se lembrava de nenhum plano dos separatistas sobre seqüestro e assassinato de crianças.

  • Isso é loucura! Ele falou.

  • Exatamente! Como os separatistas querem que o povo os apóie se são piores do que os charr! O homem falou para Yerko.

  • Você tem razão. Profeus falou abrindo caminho pelas pessoas.

Yerko chegou onde o chefe da guarda estava e falou para ele.

  • Eu vou entrar no prédio.

O chefe da guarda olhou para Yerko, depois para o braço enfaixado preso a tipóia e disse.

  • Cai fora maluco, a situação aqui já está muito ruim sem um doido para atrapalhar.

Profeus ignorou o que ele disse e avançou na direção do prédio.

  • VOCÊ TÁ MALUCO! DETENHAM-NO! Gritou o chefe da guarda.

Três guardas correram para segura-lo, Profeus se esquivou do primeiro e deu uma rasteira que derrubou os outros dois em seguida correu até a porta da escola, um homem mascarado abriu a porta apontando um rifle de caça para a cabeça de Profeus.

  • Suma herói, nós só queremos charrs aqui para o abate.

Profeus não se intimidou avançando até ele o cano da arma tocando sua testa, os guardas pararam quando viram o que acontecia e recuaram.

  • Escute aqui seu idiota que brinca de separatista… Profeus foi dizendo baixo para que somente o homem escutasse.

  • O que você disse? Cansei você morre agora! O mascarado falou com o dedo no gatilho.

  • Você mataria um capitão dos separatistas? Profeus falou lentamente sorrindo para o mascarado.

O homem tirou o dedo do gatilho e olhou para Yerko como se avaliasse o que ele tinha dito.

  • Isso é um blefe! Ele falou para Profeus.

  • Você acha que é isso o que nós separatistas queremos? Ameaçar nossas crianças? Não seja estúpido se você fosse realmente um separatista teria sido apresentado a mim! Nossos planos são contra os charr não contra crianças humanas!

O homem começou a suar pela testa, ele não sabia mais o que fazer.

  • Como… como vou saber que você realmente é um capitão separatista? O homem mascarado arriscou perguntar.

  • Me explique como eu saberia que vocês não são separatistas autênticos. Profeus sorriu.

  • Mas queremos ser, queremos ajudar a causa! O homem falou empolgado.

  • Mas esta é a maneira errada. Entreguem as armas, deixem as crianças saírem e se entreguem.

  • Seremos executados!

  • Não se os separatistas os libertarem antes.

O homem examinou o rosto de Profeus a procura de algo que denunciasse que aquilo tudo que ele havia dito era mentira. Não viu hesitação e nem medo nos olhos dele.

  • Eu acredito em você meu capitão. O homem disse baixando a arma e entregando a Profeus, em seguida deu passagem para que ele entrasse, outros dois homens mascarados vigiavam 30 crianças e uma professora, eles não entenderam porque o companheiro deixou este estranho com o braço enfaixado entrar e ainda por cima ter entregado a arma a ele.

  • Abaixem as armas, vamos nos entregar. O homem falou obviamente ele era o líder do grupo.

  • Você ta maluco? Quem é esse cara com você? Um deles perguntou.

  • Não se preocupem, ele é um cap…

Antes que o homem terminasse de falar Profeus ergueu o rifle com a mão boa apoiada no braço enfaixado e fez dois disparos certeiros atingindo os dois homens que falavam com o líder, os corpos deles foram lançados para trás um buraco do tamanho de um punho jorrava sangue. O homem ao lado de Profeus olhou para ele espantado sem entender nada, antes que ele formulasse uma pergunta Yerko encostou o cano da arma no peito dele e disparou, o impacto o jogou para trás um rombo nas costas dele espalhou sangue pela lateral da parede, Profeus se virou baixando a arma e disse para a professora.

  • Tire as crianças daqui. Agora!

  • Obrigada, você é um herói! Ela disse agradecia se levantando e reunindo as crianças que saíram pela porta. Profeus foi o último a sair, a população gritava herói nas ruas, o chefe da guarda foi até ele e disse.

  • Senhor. Não sei quem é você ou o que disse ao separatista para poder entrar, mas você agiu bem. É um herói.

Sim. Profeus se sentia um herói, afinal esses tolos idiotas que brincavam de separatistas fariam mais mal do que bem para a causa. Principalmente aquele estúpido que quase falará na frente da professora e das crianças que ele era um capitão separatista, tolos assim tinha de morrer ou causariam problemas.

Montanhas de Shiverpeak

A carruagem luxuosa seguia viagem pela estrada irregular a única maneira de se chegar a Divinity’s Reach era cruzando as montanhas geladas dos norns, os acordos de livre comercio entre ambas as raças faziam com que a jornada pelas estradas fosse segura.

A carruagem era escoltada por 12 guardas armados o símbolo do sol dourado na lateral adornava a porta. Sebastian estava sentado dentro da carruagem vestindo um grande casaco de lã perdido em pensamentos, Judas guiava a carruagem puxada por dois corcéis negros quando ele parou repentinamente, Sebastian abriu a janela para saber o que havia acontecido, o vento frio das montanhas atingiu seu rosto fazendo vapor sair da boca, um dos guardas montados num cavalo parou ao lado da carruagem e disse.

  • Senhor Sebastian, tem um tronco bloqueando a passagem.

  • Pois o remova imediatamente, não tenho tempo a perder.

Oito guardas desmontaram indo em direção ao tronco, quando se aproximaram um tremor no meio da neve ocorreu revelando um ser gigante totalmente branco que se ergueu de dentro da neve, ele tinha o um corpo humanóide todo feito de gelo desprovido de feições, no lugar das mãos havia estalagmites, aquilo era um golem de mais de 3 metros de altura que avançou na direção dos guardas que recuaram assustados.

  • O que está acontecendo? Sebastian exigiu saber.

  • Um golem senhor!

Uma voz feminina ecoou por entre as montanhas falando com eles.

  • Sebastian Solar Cran! Quanto tempo nós não nos vemos.

Sebastian sorriu abrindo a porta da carruagem e saindo, as botas afundando na neve macia.

  • Senhor é perigoso. Judas disse saltando da carruagem.

Os guardas formaram um circulo em volta de Sebastian para protegê-lo, o golem de gelo parou a menos de 2 metros deles, um pouco mais atrás uma senhora norn caminhava com desenvoltura pela neve na direção deles parando ao lado do golem.

  • Ah, minha querida Zanza como senti saudades de você. Sebastian falou se curvando para a norn.

  • Não me venha com galanteios Sebastian, isso funcionava quando você era jovem.

  • Mas eu ainda continuo charmoso como sempre. Ele falou sorrindo avançando na direção dela sem se importar com o golem.

  • Senhor!

  • Silencio! Aguardem aqui enquanto converso com uma antiga amiga. Judas você também fica aqui! Sebastian acrescentou quando o filho adotivo ameaçou avançar.

  • Vejo que você não perdeu seu gênio forte. A norn disse.

  • Nem meu apresso por você minha querida. Sebastian disse segurando a mão dela e beijando.

  • Caminhe comigo. Ela pediu.

Os dois seguiram pela estrada caminhando lado a lado, o vento frio fazendo o cabelo balançar. Sebastian era quase a metade do tamanho da norn, Zanza tinha cabelos loiros platinados, quase brancos, os olhos de um azul intenso e embora fosse velha, um fogo de juventude ardia em seus olhos.

  • Você continua linda Zanza, mesmo após tantos anos.

  • Como lhe disse Sebastian não vim aqui para receber seus galanteios. Ela falou mesmo assim um sorriso tímido surgiu em seus lábios.

  • Então a que devo a honra?

  • Soube que seu filho Antony completou 18 anos a pouco tempo.

  • Eu fico imaginado como você conseguiu essa informação querida?

  • Você não é o único com espiões Sebastian, acho que lhe ensinei isso quando o conheci.

  • Ah, eu me lembro das coisas incríveis que você me ensinou, mas porque o interesse em meu filho? Sei que você sempre gostou de rapazes jovens e viris. Afinal eu tinha 18 anos quando você me seduziu com sua beleza.

  • Tenho minhas dúvidas de quem seduziu quem naquela noite. Ela falou com um olhar saudoso.

  • A boa educação sempre manda afirmar que a mulher é a sedutora.

  • Deveras… Mas estou preocupada Sebastian. Diga-me que você desistiu daquela idéia louca.

O maxilar de Sebastian enrijeceu, o olhar frio dos olhos verdes perfurou Zanza. Este olhar era o que ela mais admirava em Sebastian, a expressão de superioridade, o jeito insignificante que ele encarava as pessoas como se elas não fossem nada, como se tudo a sua volta não tivesse importância a não ser ele.

  • Isso não é mais da sua conta Zanza.

  • Fizemos uma promessa Sebastian, juramos perante o túmulo de nossos companheiros.

  • Você fez uma promessa Zanza Holyavenger. Eu apenas fiquei ao seu lado.

  • Vale à pena sacrificar seu próprio filho por essa loucura?

  • Eu sacrificaria até você se fosse necessário. Ele falou o rosto irreconhecível, como um ser desumano incapaz de sentir pena ou amor por alguém.

  • Axel William Kallamar tinha razão a seu respeito, você não ama ninguém.

  • Ah minha querida, como você está enganada.

Cidade de Ebonhawke

Profeus tentava passar pelas pessoas na rua todos queriam parabenizá-lo pelo resgate das crianças. Ao se esquivar de outros dois admiradores Yerko deu de cara com Celes, ela estava linda como sempre Celes usava um vestido florido tinha uma cesta com vários pães e leite nas mãos, não havia sinal da charr Pelucita em lugar nenhum o que para Profeus completava o dia perfeito que estava tendo hoje.

  • Olá. Ele disse sorrindo para ela.

  • Oi, não acreditei quando vi o que você fez. Você salvou aquelas crianças. Celes falou envergonhada.

  • Não sou o monstro que você acredita que sou.

  • Acabei de ver isso com meus próprios olhos. Ela disse desviando o olhar do dele.

  • Celes… Profeus falou seu nome, ela o olhou admirada.

  • Você se lembra do meu nome?

  • Nunca vou me esquecer dele. Ele disse levando a mão boa ao rosto dela.

Celes olhou para o braço enfaixado de Profeus e perguntou assustada.

  • O que ouve com você?

  • Isso? Não é nada, foi uma briga. Você devia ver o outro cara. Yerko disse rindo, depois notou a idiotice que tinha falado.

  • Não se meta em confusão Yerko, o melhor a fazer é esquecer o que aconteceu com a gente quando éramos escravos.

  • Nunca… Porque ai teria de esquecer você de como você me protegeu… Nunca pedi desculpas pelo que fiz. Profeus disse se aproximando mais de Celes, o rosto se curvando para beijá-la, ela deu um passo para trás se afastando.

  • Não… Por favor. Celes pediu.

  • Porque não?

  • Não sei se estou preparada ainda.

Profeus ficou olhando Celes, por algum motivo achou que devia perguntar algo que para ele não fazia sentido algum.

  • Onde está… Ele parou por um segundo como se decidisse qual palavra usar então completou.

  • Sua irmã?

  • Pelucita? Ela está bem, está ajudando a arrumar a casa que estamos hospedadas, um casal nos abrigou eu sai para comprar pães e leite. Celes disse espantada com o interesse de Profeus em Pelucita.

  • Vocês estão precisando de algo? Posso providenciar.

  • Não, não!! Nós duas precisamos nos virar sozinhas e você é um estranho…

  • Você não está sozinha e não preciso ser um estranho para você. Profeus disse se aproximando de novo, os corpos quase se tocando, Celes podia sentir a respiração de Profeus e ele o perfume dela.

  • Se precisar de algo, de qualquer coisa basta falar.

  • Não sei onde encontrá-lo. Celes disse, depois notou o que havia falado ficando vermelha.

Profeus sorriu apontando uma estalagem, depois falou.

  • Vou me hospedar ali, se você quiser-me ver, basta deixar um recado com o estalajadeiro, porque não sou muito de ficar no quarto.

  • Tá. Ela disse envergonhada.

  • Agora será que eu poderia acompanhá-la até onde você esta morando? Ele ofereceu o braço bom para ela.

  • Não sei se é uma boa idéia.

  • Juro que irei me comportar, palavra de Yerko Profeus. Ele falou levantando a mão.

  • Tudo bem. Ela falou sorrindo em seguida segurou no braço dele e ambos começaram a caminhar pela rua.

Um pouco mais atrás uma dupla assistia a cena escondidos atrás de uma barraca de maçãs.

  • O amor é tão lindo! Você não concorda Isaty? Antony perguntou.

  • Vamos voltar senhor, não é da nossa conta. Isaty argumentou com ele.

  • De maneira nenhuma, eu quero ver aonde os bombinhos vão.

  • Senhor…

  • Se me chamar de senhor de novo faço você voltar pelado para o acampamento.

Isaty engoliu em seco e ficou calado.

  • Vamos segui-los, manteremos uma distancia segura para que Yerko não nos veja. Antony disse se levantando e pegando uma maçã que ele foi comendo enquanto caminhava.

Isaty pagou a maçã para o dono da barraca que olhava raivoso para os dois, aparentemente eles não haviam pedido permissão para usar a barraca como ponto de vigilância, eles seguiram Yerko e Celes enquanto Isaty tinha um péssimo pressentimento a respeito disso.

Casa de Oroko

Pelucita mostrava o mau humor típico dos charr enquanto carregava uma caixa repleta de utensílios para alquimia, a toda hora ela examinava o grande relógio cuco na parede.

  • Como vocês dois conseguem achar alguma coisa nessa bagunça? Ela grunil.

  • Isto mocinha é uma bagunça organizada. Oroko a corrigiu.

  • Vocês humanos usam termos estranhos.

  • Eu prefiro ordem em meio ao caos. Há, há ,há. Aloim falou da cozinha aparentemente preparando algo.

Pelucita largou a caixa no chão e disse.

  • Celes está demorando muito para voltar.

  • Calma Pelucita, não faz nem 20 minutos que ela saiu.

  • Já era para minha irmã ter voltado! Ela falou novamente.

  • Cinco minutos de atraso não é um atraso de verdade. Oroko argumentou.

  • Além disso, Celes pode ter encontrado um belo cavalheiro que a esteja cortejando. Aloim falou adicionando vários ingredientes numa vasilha.

  • CHEGA! Vou atrás dela agora! Pelucita falou avançando na direção da porta estranhamente a sala parecia se distanciar dando tempo de Oroko bloquear a passagem de Pelucita.

  • Não vai não! Já falei que é perigoso para você andar por Ebon sozinha ou junto de Celes.

  • O que foi isso? Bruxaria? Este lugar é uma espécie de prisão?

  • Só se for uma prisão bagunçada, aconchegante e com boa comida. Aloim disse com o rosto sujo de farinha, em suas mãos uma vasilha com massa de bolo.

  • Deixe-me passar!

  • Espere mais um pouco, se ela não voltar em 10 minutos saímos as duas atrás dela.

  • Não sei se confio em você humana.

Ouviu-se barulho do lado de fora casa, em seguida a voz de Celes foi escutada.

  • Cheguei!

  • Viu? Não tinha nada com se preocupar Pelucita. Oroko falou saindo frente, Pelucita abriu a porta e olhou irritada de volta a Oroko dizendo.

  • Não tinha nada com que me preocupar você disse…

Pelucita encarava Yerko que carregava a cesta de pães ao lado de Celes, este seria um dia tumultuado para eles.

Arena de Bane

O corpo do troll tombou no chão com a cabeça partida ao meio, sangue pingava do machado nas mãos do charr Tiaraju que encarava a cadáver, ele acabava de conseguir sua décima vitória conseguindo assim sua liberdade da arena, O imperador Smodur da iron legion veio parabenizá-lo pessoalmente.

  • Guardião Tiaraju você demonstrou ser um grande guerreiro lutando na arena de Bane e conseguiu sua liberdade, será reintegrado aos legionários da iron legion se reportando apenas a mim.

  • Obrigado imperador. Vivo apenas para servir ao grande império charr.

  • Estas são as palavras que esperava de você… Como sua primeira missão você irá para Ebonhawke.

Tiaraju sorriu mostrando as presas, era exatamente para onde queria ir.

  • E qual será minha missão imperador?

  • Assassinar Sebastian Solar Cran, existem várias suspeitas que ele seja o grande líder dos separatistas, mas nunca foi possível provar nada contra ele. Os charrs cansaram de esperar os humanos conseguirem provas, você vai se infiltrar numa das guarnições que vigiam a cidade de Ebonhawke e atacar quando tiver oportunidade, devo avisá-lo que deve fazer isso de maneira discreta, não podemos ser ligados a morte.

  • Entendo… Querem que eu faça o trabalho sujo para vocês.

  • Tem algo contra legionário? Smodur o encarou.

  • Não, só uma pergunta. O que acontece se alguém entrar em no meu caminho?

  • Elimine.

  • Era tudo o que precisava saber.

Smodur sabia que era arriscado usar alguém como Tiaraju como assassino, mas se o charr fosse pego como acreditava que aconteceria ele já era um criminoso assassino de humanos, Smodur podia alegar que ele agiu por vontade própria e os charr não seriam culpados.

Casa de Oroko

Pelucita encarava Profeus parada em frente à porta da casa decidindo o que faria, por fim falou com a irmã com a expressão irritada.

  • O que ele está fazendo aqui com você?

  • Eu encontrei com Yerko na rua por coincidência. Você não vai acreditar Pelucita, ele salvou a vida de várias crianças em uma escola. Celes falou com admiração.

  • Muito difícil de acreditar mesmo. Pelucita disse sarcasticamente o fintando com os olhos felinos.

Profeus trincou os dentes, mas se manteve indiferente ao comentário não queria discutir com a charr na frente de Celes, isso estragaria todo o progresso conseguido até ali.

  • Então temos visitas? Oroko falou aparecendo ao lado de Pelucita, ela examinou Yerko de cima a baixo falando com um sorriso malicioso a franja tampando um dos olhos dela.

  • Quem é o seu… “amigo” Celes? Não vai nos apresentar?

  • Este é Yerko, nos conhecemos quando estávamos presos pelos rebeldes. Ela respondeu olhando para ele. Oroko sorriu, conhecia esse tipo de olhar, era o mesmo que ela fazia para Aloim, o olhar de uma mulher apaixonada.

  • E o cavalheiro também carregou a cesta para a bela dama. Oroko observou.

  • Visitas? Eu ouvi a palavra visitas? Adoro visitas! Devo aumentar a receita do bolo? Posso também preparar seis pratos diferentes de café da manhã se for necessário? Aloim perguntou a esposa surgindo por trás de Pelucita e Oroko, os óculos e rosto sujos de farinha.

  • Não há necessidade, ele já está de saída. Pelucita falou rapidamente, tudo que ela queria era tirar Profeus do lado da irmã o mais rápido possível.

  • Pelucita que modos são esses? Celes falou censurando a charr.

  • Bem senhor Yerko, então você também era prisioneiros dos rebeldes… Oroko começou a dizer.

  • Sim.

  • E porque o cavalheiro não ajudou a bela dama e a sua irmã charr quando elas foram jogadas na rua pelo orfanato? Oroko falou cruzando os braços e avaliando a expressão dele.

  • Eu não sabia que isso tinha acontecido. Yerko falou surpreso.

A reação dele pareceu convencer Oroko, ela conhecia Celes e Pelucita a menos de um dia, mas tinha resolvido tomar conta delas como uma fada madrinha. Assim um futuro pretendente devia passar por sua avaliação antes.

Quando a situação começava a ficar desconfortável para todos, uma voz soou na rua.

  • Yerko meu caro, não vai me apresentar seus novos amigos?

Antony apareceu por trás de Yerko o abraçando, Isaty caminhou sem graça parando ao lado dos dois.

Profeus ficou sem reação, olhando horrorizado com a situação que se desenrolava, não esperava que Antony e o recruta Isaty o encontrassem junto a Celes e a charr Pelucita, se Sebastian soubesse disso sua carreira nos separatistas estaria acabada.

  • Antony? O que faz aqui?

  • Quem é você? Perguntou Celes a Antony, ele sorriu para ela pegando sua mão e a beijando, Profeus o olhou com ódio o sangue fervendo em suas veias.

  • Um grande amigo de Yerko, eu me chamo Antony e este rapaz com rosto delicado e cabelos ruivos é Isaty… Isso é bolo que você está fazendo? Antony falou apontando para Aloim com ar cobiçoso.

  • Sim, minha receita secreta de bolo de morango com chantilly, esta obra de arte da culinária…

  • ISATY? Uma voz gritou na rua.

As coisas estavam se tornando cada vez mais confusas e caóticas, Deia acabava de encontrar Isaty parado em frente a uma antiga casa de madeira com várias pessoas estranhas, parecia uma reunião de velhos amigos de escola que não se viam há tempos.

Portões de Ebonhawke

A carroça de legumes avançava preguiçosamente pela entrada de Ebonhawke, dois guardas fizeram sinal para que o condutor parasse para a vistoria obrigatória, a revista foi rápida e superficial, não havia muitos lugares para esconder algo dentro da carroça aberta, os poucos legumes castigados pelo sol eram separados em cestas facilmente visíveis aos guardas, o condutor era morador da cidade o que lhe dava certa liberdade de acesso. O guarda de Ebon liberou a passagem e a carroça avançou lentamente pela rua.

Ao se distanciar da entrada a pessoa oculta embaixo do eixo da roda se soltou rolando pelo chão para um beco, era alguém baixo de 1.30 m altura parecendo uma criança usando um manto negro que ocultava o rosto e parte do corpo, luvas e calças de couro escuras lhe permitiam se esconder facilmente nas sombras ou penumbra.

O invasor olhou para os lados para verificar se não havia sido visto, correndo em seguida para o fim do beco ganhando impulso para um salto perfeito que o fez agarrar o parapeito de uma janela e escalar até o telhado onde se deitou para avaliar o local, baixando o capuz para melhor observar, o rosto de uma menina de 11 anos surgiu, ela tinha a pele cor de caramelo com os cabelos pretos escorrendo pelos ombros, os olhos pareciam memorizar as ruas lá em baixo. Luuh havia conseguido se infiltrar em Ebonhawke sem ser detectada, agora bastava conseguir informações a respeito do cativeiro de Tybalt e o informante que havia mandado a mensagem a Riel era sua primeira visita.

Casa de Oroko

Deia avançou na direção de Isaty em um abraço caloroso, ele olhou para ela envergonhado enquanto Antony esboçava um leve sorriso malicioso.

  • Me enganei a seu respeito Isaty, estava começando a desconfiar de sua masculinidade, mas onde você estava escondendo esta princesa?

Isaty arregalou os olhos assustado, o corpo tremia de medo. Deia sentiu o que acontecia soltando ele e avançando na direção de Antony com uma ferocidade voraz, o dedo indicador tocando o peito de Antony enquanto ela falava raivosa para ele.

  • Quem é você? Porque está falando assim com Isaty? O que você pensa que sabe da vida dele?

Antony ergueu os braços dando um passo para trás como que se rendesse, mas ainda sorria, parecia esta se divertindo com aquela situação toda. Ele avaliou a garota que o confrontava, ela era baixa na mesma altura de Isaty 1.68 m, devia ter uns 14 anos ou mais, era bonita de um jeito rústico, com grandes olhos castanhos claros e cabelos castanho escuro preso a um lenço azul, o corpo era desenvolvido com pernas longas e torneadas e busto farto, realmente era uma beleza de garota, a raiva em seus olhos só a deixava mais bonita.

  • Calma belezinha, sou amigo de seu namorado. Antony disse por fim.

Isaty pareceu ficar ainda mais apavorado do que estava, como se estivesse prestes a ser executado por um pelotão de fuzilamento.

  • Namorado? Deia indagou parecendo avaliar o que diria, a seguir seus olhos se voltaram para Isaty vendo o pavor que ele se encontrava. Deia suspirou e então falou.

  • Sim! Sou namorada dele! E não conheço você!

  • Minha namorada? Isaty falou quase gaguejando. O rosto vermelho como um pimentão.

  • Crianças não briguem. Porque todos nós não entramos e tomamos café enquanto conversamos. Já tem um grupo de pessoas curiosas assistindo o show. Oroko falou para eles, e realmente várias pessoas haviam parado para observar o que acontecia.

  • Opa! Farei panquecas e ovos mexidos! Aloim disse desaparecendo dentro da casa.

  • Não é uma boa idéia. Pelucita rosnou.

  • Eu não acredito no que vou dizer, mas concordo com a charr… Profeus falou deixando Celes e Pelucita espantadas.

  • Você concorda comigo?

  • Besteira! Todos para dentro porque não vou comer sozinha toda a comida que Aloim deve esta fazendo. Oroko falou literalmente empurrando todos para a pequena casa de madeira e fechando a porta em seguida. Um dos curiosos falou intrigado.

  • Como essa casa cabe toda aquela gente?

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 30-Santuário

A primeira palavra que veio a cabeça de Antony quando entrou na casa de Oroko foi espanto, ele duvidava que qualquer um dos outros tivesse notado o que ele havia sentido, a mudança sutil na Mists, a sensação de deixar a realidade e entrar um uma dimensão estranha, havia uma forte emanação de poder divino ali dentro, isso era algo que apenas servos dos Deuses, os guardians podiam sentir.

Os doze anos no mosteiro acabavam de se mostrarem úteis finalmente, sua ligação sacra não deixava dúvidas a respeito deste lugar, ali era um local tocado pelos Deuses.

Além disso, o lugar por si só tinha uma decoração peculiar, armas de vários tipos e regiões adornavam as paredes, livros antigos empilhados pelo chão e em estantes, uma armadura completa montada no canto de uma parede estranhamente familiar a ele, assim como muitos outros objetos de origem e função desconhecida.

  • Isto não faz sentido. Pelucita falou olhando em volta as presas a mostra.

  • O que foi Pelucita? Celes perguntou a irmã.

  • Não está vendo irmã? Esta casa era menor quando chegamos ontem.

  • Eu, eu não sei… não prestei atenção direito, ficamos o dia todo ajudando a organizar as coisas que não reparei.

  • Exatamente, não duvidaria que isso foi para nos distrair. Alem disso olhe a mesa de jantar.

A mesa da cozinha estava toda arrumada, com um pano de estampa de bule cobrindo ela, talheres, pires e xícaras para oito pessoas arrumadas sobre a mesa, um bolo de morango de aspecto delicioso no centro, omeletes, queijo, panquecas, manteiga, geléia, leite, suco de laranja, café e torradas estavam distribuídas, um café da manhã dignos de um rei, a mesa era larga retangular de oito lugares com oito cadeiras.

  • Antes a mesa era quadrada e estreita para apenas quatro lugares! Pelucita afirmou.

  • Sentem-se, vamos tomar café primeiro, depois conversamos. Oroko falou para todos com o tom um pouco mais sério.

Yerko contemplava a armadura completa montada na parede com uma expressão surpresa.

  • Isto é uma armadura real Ascaloniana, como você a conseguiu? Yerko indagou admirando a riqueza de detalhes.

  • Tem certeza Yerko? Antony perguntou olhando de mais perto a armadura compreendendo por que a tinha achado ela familiar.

  • Meu pai Arthur era bisneto de um guarda real, meu bisavô morreu na maldição do rei Adelbern. É claro que tenho certeza! Ele afirmou convicto.

Deia segurou na mão de Isaty e lentamente andou na direção da porta o puxando.

  • O que você ta fazendo? Ele perguntou a ela.

  • Quieto! Só me siga. Ela mandou fazendo o símbolo característico com o dedo em frente a boca.

Deia tocou a maçaneta da porta tentando abri-la, mas não conseguiu o rosto em uma expressão interrogativa.

  • trancada? Ela falou baixo.

  • Na verdade lacrada. Oroko falou, parecia que a mulher tinha uma ótima audição.

  • Como assim lacrada? Profeus falou nervoso olhando a mulher.

  • Significa que ninguém entra ou sai daqui sem a autorização da dona da casa, ou seja. Minha!

  • Queremos sair daqui. Bravejou Yerko.

  • Assim que conversarmos. Oroko falou encarando todos.

  • Oroko, por favor. Você está me assustando. Celes disse para a mulher que ela considerava uma amiga.

  • Calma Celes, não farei mal a ninguém, só quero esclarecer algumas coisas que estão acontecendo. Oroko disse gentilmente a ela.

  • Oroko? Já ouvi esse nome antes. Deia falou tentando se lembrar onde.

Yerko avançou na direção de Oroko a segurando pelo ombro com força exagerada, os 1.85 m dele contra os 1.56 m dela fazia com que Profeus parecesse um gigante de frente a Oroko.

  • Você vai nos deixar sair agora! Ele mandou.

O olhar de Oroko foi até a mão de Yerko em seu ombro, depois ela ergueu a cabeça o encarando, a franja que tampava o olho cego deslizou para o lado deixando-o visível, a íris branca mais a expressão séria de Oroko fez Profeus se sentir intimidado, um leve passo para trás foi dado.

  • Não é assim que se trata uma dama. Oroko falou para ele.

Ela esticou o braço batendo com a palma da mão no peito de Yerko, uma pressão o atingiu fazendo todo o ar dos pulmões sair, o impacto o arremessou para trás, Antony o segurou tentando impedir que ele colidisse com a parede, ambos foram jogados no chão tamanha a força do golpe.

Oroko avançou na direção deles, encarando os dois homens, o rosto sério os olhava de cima. Antony viu o mesmo olhar de superioridade que o pai gostava de lançar nos outros, mas o de Oroko era diferente, ela não olhava eles com repugnância, ela os encarava como crianças desobedientes que precisavam aprender uma lição importante, era quase uma presença Real ou Divina.

  • Nunca mais me toque!

  • Amor é melhor se acalmar, não se esqueça da última vez que você ficou irritada, aquele pobre coitado nunca mais foi o mesmo. Aloim falou tentando acalmá-la.

  • Acabei de me lembrar onde ouvi esse nome, estava escrito em um dos livros que pesquisei. Disse Deia olhando espantada para aquela pequena mulher, menor do que ela e mesmo assim capaz de derrubar um homem do tamanho de Yerko com apenas uma mão.

  • Do que você está falando mulher? Yerko perguntou ainda não acreditando no que tinha acontecido o braço enfaixando voltará a doer novamente.

  • A batalha dos ogros! Oroko era o nome da general menina que levou o exercito de Ascalon a vitória.

  • Impossível esta batalha aconteceu há 25 anos. Essa mulher deve no máximo ter nascido durante a época da batalha.

  • Além disso, dizem que a general menina morreu durante o conflito, perfurada por dezenas de lanças dos ogros.

  • Sente-se que irei explicar tudo a vocês. Oroko falou sentando na cadeira da ponta da mesa cruzando as pernas e apoiando a cabeça em um das mãos que repulsavam no encosto da cadeira, ela parecia uma rainha no trono esperando sua corte sentada daquele jeito.

  • Vamos sentar e ouvir o que você tem a nos dizer. Disse Antony levantando do chão e puxando uma cadeira para se sentar.

Aquela mulher e a casa era algo que aguçava a curiosidade de Antony, ele estava disposto a descobrir o máximo que pudesse a respeito dela.

  • E comer, não se esqueça! Aloim falou se sentando também prendendo um guardanapo no pescoço e se servindo de um copo de leite e apanhando um pão na cesta que Celes trouxe.

  • Você vai nos deixar ir embora depois de ouvi-la? Pelucita perguntou com a expressão azeda.

  • Sim Pelucita, embora eu acredite que vocês duas vão querer ficar depois de me ouvir.

Isaty sentou na outra ponta da mesa com Antony e Deia um de cada lado, Oroko o examinava atentamente o que deixou Isaty desconfortável, um leve sorriso surgiu no rosto dela.

  • O que? Ele perguntou nervoso para Oroko.

  • Porque está fazendo isso? Ela indagou curiosa, o olhar dela parecia perfurá-lo, vendo por dentro da carne e enxergar a própria alma.

  • Não entendi? O que eu estou fazendo? Ele perguntou temendo a resposta.

  • Porque está fingindo ser o que não é.

  • Fingido? Antony perguntou confuso olhando para Isaty.

  • Deixe-o em paz! Deia o defendeu a mão segurando a de Isaty e encarando Oroko séria.

  • Bom você deve ter seus motivos e não é da minha conta. Oroko disse, depois acrescentou.

  • Vamos comer, ai conversamos como pessoas civilizadas em terras inimigas.

Capela de Ebonhawke

As luzes da capela estavam apagadas quando o jovem padre entrou, mesmo de dia a penumbra era algo normal ao lugar devido as altas paredes de pedra, as janelas de mosaico colorido retratando os 6 Deuses Humanos lançavam uma luz fria vindo do sol.

O padre caminhou até o altar em passos firmes se ajoelhando em frente a estátua da Deusa kormir, o rosto dele era de um rapaz de 25 anos, moreno com os cabelos pretos e curtos o rosto fino e bem barbeado junta a batina preta limpa e impecável diziam que ele era uma pessoa sistemática.

Os olhos negros como piche se voltaram para o primeiro conjunto de bancos a esquerda quando ele ouviu um barulho, havia uma pessoal sentada num dos bancos, aparentemente alguém de estatura baixa envolto nas sombras, o padre se levantou tentando ver quem era a pessoa e ouviu uma voz falar com ele.

  • Desculpe-me padre, porque irei pecar. Falou a voz de uma menina.

A pessoa saltou do banco atingindo o padre com uma joelhada no peito que o levou ao chão. O brilho de uma lâmina surgiu nas mãos pequenas dela indo parar no pescoço do padre, a adaga encostou de leve na pele morena do dele fazendo uma gota de sangue surgir.

  • Quero que você me diga tudo que sabe sobre a captura de Tybalt. Ela falou calmamente montada em cima dele.

O padre pareceu surpreso a princípio, logo depois esboçou um leve sorriso.

  • Whispers… se você vinha falar comigo, era só avisar. Não era necessário todo esse teatro.

  • Não confio em você padre. Ela rebateu.

  • Sou um informante, ou você confia no que digo ou não confia.

Luuh se afastou permitindo que o padre se levantasse do chão avaliando seus movimentos.

  • Quero saber onde os separatistas mantêm Tybalt preso.

  • Porque Riel Darkwater mandou uma menina sozinha para resgatá-lo? Indagou o padre impando o sangue do pescoço que sujou a gola da batina.

  • Não é dá sua conta.

  • Entendo… vamos para o meu quarto atrás da sacristia, alguém pode entrar aqui e seria difícil explicar sua presença.

O padre foi até uma porta de madeira no fundo da capela, retirou uma chave de dentro da batina e destrancou a porta entrando no quarto, Luuh foi logo atrás dele.

O quarto era pequeno e humilde como deveria ser o quarto de um padre, um armário velho no canto da parede, uma cama de solteiro e uma mesa com duas cadeiras finalizava a mobília, havia um jarro de água com dois copos em cima. O padre se sentou em uma cadeira convidando Luuh a se sentar na outra, ela resistiu a princípio, mas acabou cedendo, ela estava mais cansada do que esperava após a viagem escondida embaixo da carroça.

  • Fale. Ela pediu ao padre.

  • O charr me procurou mês passado querendo informações sobre a possível base dos separatistas. O padre começou a dizer.

  • O nome dele é Tybalt. Luuh o corrigiu.

  • Certo. Tybalt…

O padre apanhou o jarro de água enchendo dois copos, entregou um a Luuh enquanto pegava o outro para si.

  • Beba, acho que você está com sede, não deve estar acostumada com o calor e o clima seco de Ascalon.

Realmente Luuh estava com muita sede, a garganta se encontrava seca, ela bebeu a água se esquecendo de uma das lições mais importantes dos whispers. “nunca beba ou coma nada em um lugar suspeito ou estranho.”

Assim que terminou ela se sentiu tonta, o copo escapou de sua mão caindo e quebrando no chão, Luuh em seguida deslizou pela cadeira semi consciente, ainda conseguiu escutar o padre falando antes de desmaiar.

  • Não se preocupe minha linda, não vou entregá-la a Sebastian como fiz com o animal charr, você é toda minha.

O padre sorriu antes de tudo escurecer.

Casa de Oroko

Após todos comerem Oroko relaxou na cadeira parecendo satisfeita, Deia olhou ela analisando-a. Oroko era baixa, cabelos loiros curtos uma franja cobria parcialmente o olho esquerdo que era cego enquanto o direito tinha a cor azul turquesa, devia ter uns 25 anos, sem sombra de dúvidas era uma mulher forte, com carisma e gênio forte.

  • Acho que a primeira pergunta que a queremos saber é… o que é este lugar e quem é você na realidade? Deia formulou a pergunta.

  • Isso são duas perguntas. Oroko brincou.

Tem senso de humor afiando. Deia adicionou as qualidades dela.

  • Não importa, apenas responda. Yerko falou irritado.

  • Como já disse meu nome é Oroko.

  • Oroko está morta! Yerko rebateu.

  • Sim, mas antes de morrer ela teve uma filha e a batizou com o mesmo nome dela.

  • Então você é a filha da general menina? Vivendo a fama da mãe. Antony indagou.

  • Exato. Mas tenho minhas próprias qualidades. Ela falou sorrindo.

Aloim retirava as coisas da mesa e levava para a pia enquanto Oroko falava, Celes ameaçou se levantar para ajudá-lo, mas ele fez sinal que não havia necessidade que deveria continuar sentada e escutando. Os óculos quase escorregando do rosto simpático, a barba tinha farelos de pão e gotículas de leite.

Celes não conseguia acreditar que esse casal bondoso fosse tão misterioso, ao se debruçar na mesa novamente para retirar mais pratos Celes viu por baixo do avental de Aloim o que parecia ser uma pistola, a arma era estranha trabalhada em bronze com runas talhadas no cano. Celes ergueu a cabeça encarando Aloim assustada, ele retribuiu o olhar e sorriu para ela levando o dedo indicador a boca pedindo que ela ficasse em silencio.

Antony avaliava as palavras de Oroko, anos convivendo no mosteiro enganando os monges e ouvindo as mentiras que eles falavam o fizeram aprender quando uma pessoa estava faltando com a verdade, e ele tinha certeza, Oroko mentia.

  • E o que é esse lugar? Pelucita perguntou indicando a casa.

  • Um santuário, moldado para satisfazer as necessidades de quem precisar. Sou a atual dona.

  • Então…? Isaty foi falando.

Oroko suspirou imaginado que devia ser mais específica com eles.

  • Este local se altera dependendo de quem ou de quantas pessoas estão aqui dentro, por isso Pelucita teve a impressão do lugar crescer. Porque realmente crescia. Ela explicou.

  • Isso parece loucura. Deia falou olhando em volta.

  • Mais do que Deuses desaparecidos, Elder Dragons despertando, Fantasmas Ascalonianos acreditando que estão ainda vivos… Oroko foi numerando com os dedos.

  • Tá, ta, já entendemos. Yerko falou, o mau humor parecia que não o deixaria mais.

  • Agora a pergunta valendo 10.000 golds. Porque a insistência em querer todos nós aqui? Antony foi direto ao ponto.

  • Tédio… Oroko falou casualmente brincando com uma mexa da franja, enrolando os fios no dedo e desfazendo repetidamente.

Profeus se levantou raivoso batendo com o punho na mesa, o ombro enfaixado parecia não o incomodar mais, o rosto vermelho de raiva. Celes virou o rosto rápido procurando Aloim, ele olhava Profeus com a mão direita dentro do avental, Celes segurou no ombro de Yerko tentando acalmá-lo.

  • Você está gozando com a nossa cara? Ele bufou falando. Celes tentando fazê-lo se sentar novamente.

  • Não me entenda mal, mas faz um bom tempo que nada anormal acontece por aqui, ai do nada uma humana e uma charr chegam a Ebonhawke resgatadas dos rebeldes dizendo serem irmãs, isso já era motivo suficiente para prevermos grandes mudanças.

  • Então você nos achar no beco foi proposital? Celes perguntou a ela surpresa.

  • Sim. Eu estava procurando por vocês duas. Ainda bem que as encontrei rápido, já que salvei a vida das duas. Ela sorriu.

  • Isso não faz sentindo algum. Yerko falou balançando a cabeça.

  • Não? Ou o fato de você vir procurar Celes mesmo ela tendo Pelucita como irmã?

Profeus ergueu a cabeça, o olhar espantado olhando Oroko.

  • Não estou entendendo o que está insinuando.

  • É claro que está! Você arriscou muita coisa ao fazer isso levando em consideração onde está hospedado e a quem você serve.

  • Yerko está hospedado numa estalagem. Celes falou inocentemente.

Antony sorriu. Oroko era esperta, meticulosa, muito bem informada e com certeza perigosa. Será que ela se interessaria de ter um amante? Foi o pensamento de Antony.

  • Como… você… sabe? O rosto de Yerko mudou, toda a raiva se transformou em puro medo.

  • Sei muitas coisas que acontecem aqui em Ebonhawke. Foi a resposta dela.

  • Então imagino que você saiba quem eu sou? Antony perguntou apoiando o queixo na mão, ele parecia estar se divertindo com a situação.

  • É claro senhor Antony solar Cran.

  • DEUSA KOMIR! Deia gritou se levantou da mesa assustada derrubando a cadeira no chão se afastando o máximo que podia de Antony, como quem se afasta de um leproso.

Isaty escorregou pela cadeira levando as mãos ao rosto e pensou.

  • Agora ferrou de vez.

  • Quem é ele? Celes perguntou tentando entender o porquê da reação de Deia.

  • Ele é o filho do homem mais poderoso e perigoso de Ascalon, o filho de Sebastian Solar Cran!

  • Este sou eu, sou culpado de ter um pai ruim. Antony falou abrindo os braços e sorrindo.

  • Amigos, a roda do destino uniu todos vocês aqui por um motivo. Oroko começou a falar se levantando da cadeira.

  • Está dizendo que estávamos destinados a nos encontrarmos? Deia falou confusa.

  • Sim. Nada acontece por acaso. Algo grande está para acontecer em Ebonhawke e serão vocês a realizarem.

  • Não se incluiu nisso por quê? Perguntou Yerko desconfiado.

  • Por que… Ela hesitou em responder.

  • Algo ruim pode acontecer caso Oroko interfira. Aloim disse olhando a esposa com tristeza.

  • Se pretende ajudar seu amigo, sugiro que faça isso rápido. A serpente logo retornará para seu covil. Oroko falou olhando para Isaty.

Ele não era bom em analogias, mas não precisava ser um gênio para que Isaty entendesse que Oroko falava de Tybalt e Sebastian.

  • Você é vidente? Isaty perguntou assustado a ela.

Oroko simplesmente sorriu para ele.

  • E o que acontece caso todos nós nos levantarmos destas cadeiras e formos embora desta casa maluca e nunca mais nos encontrarmos? Yerko perguntou.

  • Não se pode fugir do destino Yerko Profeus, novas peças neste jogo de xadrez cósmico já foram inseridas, novos peões, o bispo, o cavalo, a torre. Uma vez meus pais tentaram me esconder do meu destino, o resultado não foi muito bom. Oroko puxou a franja revelando o olho cego.

Antony puxou sua cadeira para trás dando a entender que ia embora, mas ao invés disso acomodou os dois pés na mesa cruzando as pernas.

  • Se algo grande como você diz vai acontecer em breve acabando com minha paz, eu vou aproveitar cada minuto que tenho antes disso.

  • O que você esta pensando? Vai acreditar no que ela diz? Yerko perguntou a ele espantado.

  • Acredito em quase tudo… só não acredito no que ela falou de ser filha da general menina.

  • É mesmo? Oroko disse avaliando Antony. Ele era alguém enigmático, difícil de avaliar e prever, Oroko tentava enxergar dentro de sua alma e só via escuridão.

  • Mas isso tanto faz para mim.

Antony disse se endireitando na cadeira, os olhos verdes soltaram um brilho, um sorriso largo surgiu em seu rosto, parecia que ele tinha pensado em algo interessante.

  • Acabo de ter a mãe de todas as idéias.

  • Isso é um perigo. Isaty falou se encolhendo ainda mais na cadeira.

  • Farei uma festa! Antony disse esperando as reações.

Isaty se endireitou o olhando com puro pavor, Yerko parecia ter engolido um sapo pela cara que fazia.

  • Um grande baile de mascaras na mansão Solar Cran e todos vocês estão convidados. Ele disse triunfante.

  • VOCÊ TÁ MALUCO! Yerko explodiu.

  • Festa? Gostei… você é uma pessoa que aprecia o caos senhor Antony. Oroko falou.

  • Antony me escute, se seu pai descobrir… ele vai … Yerko falava lentamente em voz baixa próximo a Antony.

  • Eu quero que ele descubra! Quero finalmente mostrar a meu pai que não pode me controlar.

  • Você é maluco. Yerko por fim disse vencido.

  • Todos vocês irão vir? Antony perguntou olhando para cada um ansioso.

  • Com toda a certeza. Aloim e Oroko responderam juntos.

  • Não botarei os pés na sua casa humano! Tudo o que quero é ir embora com minha irmã. Disse Pelucita.

  • Convidarei outros charrs, você não ficará deslocada e isso será um tapa na cara de meu pai, assim como um avanço nas negociações de paz. Antony argumentava, Isaty nunca o tinha visto tão empolgado.

  • VOCÊS NÃO PODEM IR! Deia gritou, não podia permitir que eles entrassem naquele lugar.

  • Me diga por que não? Antony indagou.

  • Porque seu pai odeia os charrs e as pessoas que convivem com eles e seu pai é…

  • Melhor ter cuidado com o que vai falar menina, a situação pode se inverter caso você fale. Oroko falou a ela.

Deia engoliu em seco, será que essa mulher sabia que Sebastian era suspeito de ser o líder dos separatistas?

  • Escutem. Eu não sou meu pai. O nome solar Cran é respeitado em toda Ascalon e fora dela.

  • Temido você quer dizer. Deia rebateu.

  • Tanto faz. Eu irei anunciar um baile, onde humanos e charrs serão convidados, um ato de boa fé em nome da paz, financiado e promovido por meu pai que infelizmente não pode comparecer por causa de obrigações em Kryta.

  • Ele vai te matar. Isaty disse a Antony.

  • Estou contando com isso, tudo o que preciso e de um motivo para me defender.

Antony sorriu, aquele mesmo sorriso igual ao do pai, um sorriso cruel sem afeto ou compaixão.

  • Amigos. Quê outra chance a paz terá de ser promovida? Todos nós podemos a fazer diferença nesse conflito racial.

Oroko tinha que admitir, Antony era um bom orador.

Isaty pensou em Tybalt, esta seria uma boa chance de libertá-lo antes de Sebastian retornar.

  • Eu aceito. Isaty disse decidido.

  • Não Isaty, você não pode. Deia disse a ele.

  • Posso e você também vai! Isaty falou segurando a mão dela.

  • Não… Deia falou, os olhos temerosos.

  • Não tenha medo, eu juro que te explico tudo durante o baile.

  • Com uma condição, eu vou se você me jurar que vai ver sua mãe e depois esquecer tudo.

  • Eu juro. Isaty disse a ela ainda segurando sua mão.

  • E vocês duas? Antony olhou para Pelucita e Celes com expectativa.

  • Elas não vão! Yerko falou.

  • Porque você não quer que nós vamos? Pelucita perguntou.

  • Porque é perigoso!

  • A casa de seu amigo é perigosa para nós? Está vendo Celes, ele não mudou.

  • Eu não sei… Celes olhava para Yerko, queria acreditar que ele havia mudado.

  • Não há perigo meninas. Pensem que este pode ser o começo do fim do ódio entre as raças.

  • Por causa de uma simples festa? Desdenhou Pelucita.

  • Os pequenos atos que realizamos podem mudar o mundo. Oroko falou.

  • Acho que devemos ir. Celes falou por fim.

  • Irmã!

  • Pelucita, nós vamos viver com medo até quando? Não tenho certeza se é o certo a fazer, mas meu coração diz que temos de ir.

  • É um erro minha irmã.

  • mas acho que devemos arriscar, assim como continuar morando aqui caso Oroko e Aloim concordem.

  • Claro que concordo. Oroko falou sorrindo.

  • Excelente! Poderei cozinhar vários pratos diferentes todos os dias. Aloim falou retirando o óculos do rosto e dando uma piscade-la para Celes.

  • Ela nos enganou! Protestou Pelucita zangada.

  • E nos protegeu e aqui neste lugar como Oroko mesmo falou é um santuário, nada de ruim pode acontecer enquanto estivermos aqui.

  • Então está combinado. Mandarei os convites em breve. O baile acontecerá em 3 dias, preciso fazer muitos preparativos. Antony disse batendo palmas.

  • Isso é muita loucura. Profeus falou.

Capela de Ebonhawke

Pontos luminosos surgiram em volta dos olhos de Luuh, a cabeça latejava quando ela despertou. A menina sentiu algo prendendo seus pulsos e pernas, a visão recuperou o foco e ela se viu amarrada na cama do quarto atrás da sacristia, Luuh não usava mais a roupa de couro escura com o manto, estava com um vestido branco, a pele caramelada e os cabelos negros se destacavam com o vestido.

Luuh sentiu um arrepio ao imaginar quem a despiu e a tinha vestido daquele jeito, as costas do padre eram visíveis, ele estava examinando algo na mesa, a luz de um lampião iluminava precariamente o lugar.

  • Ah, então você finalmente despertou. Ainda bem, esperei pacientemente por 8 horas que isso acontecesse. Tomei a liberdade de despi-la e vestir algo mais adequado para você. Devo dizer que foi uma visão muito agradável.

  • Fiquei desacordada por 8 horas? A menina falou surpresa fazendo força nas amarras tentando avaliar sua resistência.

  • Sim minha querida. Foram horas torturantes devo dizer, cheguei a cogitar brincar com você desacordada, mas que graça teria. O padre sorriu, os dentes brancos e olhos negros iluminado pela luz do lampião o davam um ar assustador.

  • Desgraçado! Foi você que traiu Tybalt! A menina gritou.

  • Trai? Pobre criança, nunca fui leal aos whispers, sou um agente duplo. Minha lealdade pertence a outro.

  • Onde está Tybalt? Diga-me!

  • O charr está vivo é tudo que posso dizer, embora não sabia mais o seu estado atual.

O padre se aproximou da cama, ele tinha uma faca nas mãos e parecia decidir o que faria primeiro.

  • Quantos anos você tem minha querida? Onde? Doze? Não consigo me lembrar, quando o charr veio até mim lembro-me dele falando sua idade, mas acabei esquecendo.

  • O que vai fazer comigo? Entregar-me aos separatistas como fez com Tybalt?

Não! De maneira nenhuma, nunca faria isso com você. O padre disse a olhando espantado.

  • Não entendo. Então o que você quer?

  • Ah, é claro que você entende querida, não é burra, da mesma maneira que o charr entendeu quando o mandei para a armadilha. Sebastian gostou tanto do presente que lhe dei, mas você pequena, você é minha. O padre disse sorrindo.

  • O que você fez?

  • Sabe, o líder dos separatistas queria um charr para testar a lealdade dos recrutas. O seu amigo acabou sendo esse charr.

  • O que fizeram com ele?

  • O teste de lealdade na verdade é algo bem simples, o recruta novato deve espancar o charr com uma barra de ferro até que o mandem parar.

  • NÃO! Luuh gritou temerosa por Tybalt.

  • Você não pode imaginar como foi. Eu pedi para fazer as honras, ser o primeiro. Devo tê-lo golpeado umas seis vezes na cabeça, quando o charr finalmente tombou no chão e o sangue começou a verter do ferimento no crânio eu realmente achei que tinha matado ele. O padre falou rindo.

  • EU VOU TE MATAR DESGRAÇADO! luuh gritava debatendo o corpo tentando se soltar, os pulsos ficando vermelhos ferindo a pele por causa da corda.

  • Calma, o charr ainda estava vivo. Deve ficar com alguma seqüela, isso se não morreu depois. Afinal quantas surras será que ele já tomou desde aquele dia… aquele animal ousou dizer ser seu companheiro, alegou que tinha orgulho de tê-la como uma filha, que ele era uma como uma mãe e pai para você, dizia isso enquanto sorria com aquela cara idiota. Você uma menina tão linda sendo cuidada por um charr imundo.

O padre alisou o rosto de Luuh, o olhar cobiçoso examinando cada detalhe dela.

  • Não fale assim de Tybalt.

Ele a ignorou e continuou a falar.

  • O charr me deu nojo assim que o vi, ficava falando o tempo todo que estava preocupado por deixar você sozinha na base dos whispers, ele disse que quando voltasse iria levá-la para tomar sorvete como pedido de desculpas. É hilário e nojento ao mesmo tempo.

  • PADRE MALDITO!

  • Ah pequenina, não sou um padre, sou muito mais, sou um inquisidor de uma ordem muito antiga e secreta e em breve me tornarei Cardeal de Kryta. Soa bom não? Cardeal, gosto desse título, você não?

O padre tocou a perna de Luuh subindo lentamente com os olhos desejosos, aquilo dando ânsia de vômito a Luuh, ela pensava rapidamente tentando formular um plano, olhou para o padre a mão dele já em sua coxa e disse.

  • Onde fica a base dos separatistas?

  • E porque eu diria a você? Ele perguntou nem erguendo a cabeça para olhá-la nos olhos, a mão entrando por baixo da saia.

  • Porque duvido que alguma menina já o tenha beijado por vontade própria, um beijo adulto.

Os olhos dele a encararam desejosos.

  • Está falando sério?

  • Sim. Diga-me o que quero saber e o beijarei como nenhuma menina ou mulher o beijou antes Cardeal. Luuh usou o título para instigá-lo mais.

As mãos do padre tremiam na coxa dela, ele avaliava a proposta dela, a informação não valeria de nada a ela, porque ele não pretendia libertá-la. Seria seu brinquedo até ele se cansar. O padre sorriu e disse.

  • As minas de Ebon, a base fica em uma área altamente vigiada, mas há um acesso secreto por uma das mansões dos Solar Cran escavada por trás da montanha.

Ele se debruçou sobre ela esperando sua recompensa, Luuh abriu a boca permitindo que ele colocasse a língua dentro, segundos depois o padre se afastava levando as mãos a boca, um pequeno filete de sangue escorria dos lábios.

  • Ahhh, O que você fez? Ele perguntou retirando algo preso de dentro da garganta.

Uma agulha fina foi tirada da boca, o padre examinou a agulha com os olhos arregalados.

  • O que é isso? Ele perguntou cambaleando e caindo no chão em espasmos musculares.

Luuh rapidamente puxou a mão direita na direção de sua cabeça, esticando o pescoço para alcançar à corda que a amarrava, por sorte a estatura baixa dela não permitiu que a corda fosse presa com precisão. Ela puxou com os dentes o nó conseguindo desatá-lo. Apanhou a faca do padre caída em cima da cama e cortou a corda da mão esquerda e das pernas.

Luuh olhou para o padre tendo espasmos no chão e saltou com o joelho em cima de seu estômago, ele arfou enquanto ela colocava a faca em seu pescoço.

  • Como fez isso? Ele falou a língua enrolando na boca em meio a saliva.

  • A primeira coisa que Riel ensina as garotas no whispers é que somos alvos fáceis para maníacos como você, por isso ela nos entrega uma agulha com veneno paralisante e nos orienta a escondê-lo atrás da gengiva.

  • Experta ela, nunca falou isso para os homens.

  • Porque diria? Afinal os whispers são formados por ladrões, assassinos e psicopatas.

  • O que acontece agora garotinha? O padre perguntou com o rosto torto.

Luuh girou a lamina na mão e falou para ele.

  • Agora Cardeal você começa a gritar.

  • Obrigado por me chamar assim. Ele disse tentando sorrir.

A lâmina desceu atingindo o pescoço, depois ouve uma seqüência de golpes que pareceu intermináveis, Luuh saiu de cima dele ofegante e com o dedo escreveu a palavra TRAIDOR com o sangue dele.

Por fim se deu ao luxo de desabar no chão tremula o nervosismo percorrendo suas veias. Luuh se forçou a levantar apanhando seus pertences guardados no armário. Se isso era o tipo de pessoas que Ebonhawke possuía, Luuh achava que os charrs devia varrer a cidade do mapa.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 31-Elo Fraco

Ouve um silencio constrangedor entre a porta da casa se fechando com Oroko dando adeus para eles com a mão enquanto sorria e os quatro parados do lado de fora na rua encarando a porta fechada de madeira, o som das pessoas em seus afazeres na rua parecendo estranhamente surreal.

Yerko foi o primeiro a sair do topor, pegando Antony pelo colarinho puxando-o para o lado esquerdo da rua, quase que ao mesmo tempo em que Deia segurava a mão de Isaty o conduzindo para a direita.

  • Onde você estava com a cabeça Antony? Propor uma festa na mansão de seu pai? Yerko o acusou.

  • Cuidado, você está amarrotando minha camisa, por acaso quer ter o outro braço quebrado? Antony rebateu, retirando a mão de Yerko do colarinho e ajeitando a camisa.

  • Tudo para você é uma brincadeira?

  • Aprenda uma coisa Yerko Profeus, posso parecer que brinco, mas tudo que eu faço tem um propósito.

  • irritar seu pai? Ele indagou.

  • Este é um dos motivos, mas existem outros… E para alguém que está interessado em uma mulher que tem uma irmã charr, não espere que aceite sermões seus.

A expressão de Yerko era uma mistura de sentimentos, raiva, medo, preocupação, humilhação. Antony era capaz de fazê-lo sentir tudo isso de uma única vez. Em outra ocasião ou situação Yerko teria admirado Antony.

  • Lhe deixei sem resposta, não é mesmo?

Yerko não respondeu. O que ele faria? Não podia mais esconder o que sentia pela garota, ele gostava de Celes, mas o quanto esse amor podia suportar?

  • Escute Yerko, não vou atrapalhar seu namorico com a garota. Eu não ligo, pode casar com ela e ter a charr como dama de honra se quiser, mas vou te dizer algo para que você reflita.

  • O que? Ele perguntou de expressão fechada.

  • Você não pode servir ao meu pai e ter aquela garota, vai ter que escolher.

Do outro lado

  • Porque Isaty? Porque você entrou para… Deia hesitou em dizer o nome, olhando de esguelha para Antony e Yerko que discutiam. Depois se aproximou de Isaty e disse em voz baixa para que apenas ele escutasse.

  • Entrar para os separatistas.

Isaty segurou suas mãos a olhando intensamente, os cabelos ruivos curtos pareciam pegar fogo sob o sol que aqueciam eles.

  • Você tem de confiar em mim. Isaty falou para ela.

  • A culpa é minha, não é? Ela perguntou a ele.

  • O que? Não! Claro que não. Isaty falou notando tristeza nos olhos de Deia.

  • A culpa é minha, porque não aceitei namorar você. Deia falou sentindo que se tivesse agido diferente com Isaty, ele nunca teria se envolvido nisso.

  • Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ele a defendeu.

  • Então porque você entrou para eles, mesmo sabendo o que os separatistas fizeram com minha família? Isaty foi por causa deles que seu pai foi executado também. Você se esqueceu disso?

  • Foi por isso que entrei para eles. Isaty disse com o olhar sério.

  • Como assim? Não entendo? Deia disse espantada.

Isaty se aproximou mais dela, o rosto ao lado do ouvido da garota e disse em um sussurro.

  • Vou cortar a cabeça da serpente.

Deia arregalou os olhos assustada e neste momento Isaty a beijou de surpresa. Antony olhou por cima do ombro de Yerko vendo Isaty beijar a menina, um sorriso malicioso se formou em seu rosto e ele falou alto.

  • Ei Isaty, não precisa ficar na ponta dos pés enquanto beija isso é coisa de garotas.

Isaty e Deia se afastaram ofegantes, ambos com o rosto vermelho. Deia não esperava pelo beijo, mas não quis afastá-lo, a mente dela estava uma confusão com tudo o que tinha acontecido até agora com eles.

  • Eu tenho de ir. Isaty falou para ela se despedindo, as mãos permaneceram dadas o máximo que a distancia permitia depois se soltaram.

Quando Isaty chegou próximo de Antony ele o agarrou envolvendo Isaty num abraço, depois puxou Yerko pelo outro braço, os três juntos como se brincassem e fossem velhos amigos.

  • Hoje eu disse que sairia para beber e é o que vou fazer… Antony começou a falar.

  • Nós três vamos comemorar. Antony falou mantendo os dois presos, os músculos dos braços e ombro ficando rígidos por causa das tentativas de Yerko de se soltar.

  • Comemorar? Isaty disse espantado quase sendo esmagado pela força do abraço.

  • O que tem para comemorar? Yerko o perguntou, não importando quanta força fizesse, não conseguia se livrar do abraço forte de Antony.

  • Vamos comemorar o amor entre duas pessoas, a amizade de novos amigos, a beleza feminina e é claro a grande festa que darei.

  • Você só quer um motivo para beber. Yerko o acusou.

  • Não preciso de motivo para beber, mas detesto beber sozinho.

  • Porque está me tratando como se fossemos amigos? Yerko quis saber.

  • Porque meu caro Profeus é melhor ser meu amigo do que meu inimigo. Agora vamos, conheço um lugar ótimo aqui perto.

Deia ficou olhando os três se afastarem, Antony os obrigando a caminharem pela rua como se fossem amigos de longa data, Deia juntou as mãos junto ao peito como se pretendesse rezar e disse num sussurro.

  • Tome cuidado Isaty.

Um rosto surgiu no vidro da janela da casa observando Deia, um sorriso malicioso se formou no rosto de Oroko, ela havia assistido toda a conversa de Deia e Isaty como uma vizinha fofoqueira espionando pela janela.

  • Espionar os outros é feio. Pelucita disse a Oroko de dentro da casa.

  • Se estão parados em frente a minha casa onde posso vê-los não é espionar. Oroko se defendeu falando com Pelucita que estava ao lado de Celes e acrescentou.

  • E esses dois, Isaty e Deia são um casal curioso.

  • O que tem de curioso neles?

  • Deixa para lá, porque agora temos um assunto mais importante a tratar, o que me faz lembrar de mais uma coisa.

Oroko abriu a porta de casa pegando Deia pela mão e a puxando para dentro, ela tomou um susto, encarou Oroko que sorria para ela.

  • O que foi? Deia perguntou temendo que ela tivesse escutado a conversa lá fora.

  • Aloim iniciar operação vestido de festa! Oroko falou com as mãos na cintura.

  • Sim minha general! Aloim falou fazendo continência para ela, em seguida correu para um armário que Celes e Pelucita juravam não estar lá a segundos atrás. Ele abriu a porta dupla do armário puxando uma haste metálica com vários vestidos pendurados, um mais belo que o outro.

  • Eu quero ver você experimentando todos eles. Oroko falou em meio a uma risada olhando Pelucita com olhos cobiçosos e dois vestido, um em cada mão.

  • O QUÊ? Não vou usar um vestido para humanos. A charr protestou.

  • Ah vai sim! Todas nós usaremos, podem escolher a vontade e não se preocupe Pelucita que a casa se encarrega de ajustar para seu corpo.

  • Pelucita você vai ficar linda usando este. Celes falou apanhando um vestido rosa claro com detalhes dourados.

  • Não seja tímida, eu ajudo você a se despir. Oroko falou avançando na direção da charr, as mãos levantadas pronta para agarrá-la, o sorriso de Oroko aumentava a cada passo dado na direção de Pelucita.

  • O seu marido está aqui dentro! Pelucita falou como última alternativa, ela tinha se afastado e estava com as costas contra a parede não tendo para onde fugir.

  • Aloim dê o fora. A esposa mandou sem tirar os olhos de Pelucita.

  • Eu tenho mesmo de ir? Ele disse chateado.

Oroko se virou para Aloim o encarando com um olhar feroz apanhando juggernaut na prateleira.

  • Você por acaso está insinuando que quer ver nossas convidadas em roupas intimas, querido?

  • Não amor, de maneira nenhuma… acho que vou sair e comprar algumas peças para minha nova invenção.

  • Acho uma ótima idéia querido. Oroko falou batendo a marreta na mão.

Ele apanhou o sobretudo em cima da mesa retirando o avental e colocou o sobretudo, indo em direção da porta para sair, quando Celes perguntou curiosa.

  • Senhor Aloim, você não vai sentir calor usando isso?

  • Eu não sinto mais calor. Foi sua resposta dando um sorriso a ela.

  • Como assim? Celes perguntou não recebendo resposta, Aloim já tinha saído.

  • Agora que meu marido saiu… Oroko falou se virando novamente para Pelucita que arrepiou todo o pêlo até a calda nervosa.

A porta da casa se fechou atrás de Aloim, ele ainda conseguiu ouvir Pelucita gritando para Oroko soltá-la, Celes e Deia tentando convencê-la a se acalmar. Aloim levantou a cabeça admirando o lindo dia de sol, não havia nenhuma nuvem no céu, ele fechou os olhos tentando se lembrar da sensação agradável do sol aquecendo a pele, 200 anos era muito tempo para Aloim conseguir ainda se lembrar, ele puxou a gola do sobretudo para cima e começou a caminhar pela rua.

**Taverna **

Antony literalmente arrastou Isaty e Yerko até uma taverna próxima da mansão Solar Cran, a princípio tanto Isaty quando Yerko se recusaram a participar da bebedeira, mas após a segunda garrafa de vinho e muita conversa Antony os convenceu a participarem. Foram horas agradáveis de piadas, conversas e informações para Antony, já havia algum tempo que ele queria descobrir mais sobre os dois e a única maneira de fazer isso sem recorrer a violência seria deixando-os alcoolizados.

Yerko e Isaty respondiam quase tudo o que Antony os perguntava, contando verdadeiras pérolas a respeito de suas vidas, Antony soube que tanto Isaty quando Yerko tiveram os pais executados por pertencerem aos separatistas. Antony entendia o motivo de Yerko entrar para eles, o perfil dele era próprio dos separatistas, mas Isaty era totalmente inverso, frágil e delicado demais, mesmo bêbado Isaty não falou porque ingressou, Antony desconfiava que tivesse a ver com a bela garota chamada Deia. Quando Antony puxou assunto sobre ela Isaty desconversou, isso até o sexto copo de vinho, depois disso ele chorou como uma mulher dizendo estar apaixonado.

No caso de Yerko ele quase arrumou briga com Antony ao contar sobre quando era escravo dos rebeldes charr onde conheceu Celes e Pelucita. A garota sem dúvida era o ponto fraco dele, bastou insinuar que uma mulher de verdade nem olharia na cara dele por ameaçar a irmã de criação que Profeus se levantou irado quebrando uma garrafa na mesa, o caco de vidro perigosamente balançando em suas mãos. Mas segundos depois Yerko desabou na cadeira dormindo profundamente, totalmente bêbado.

Antony e Isaty tiveram de carregar Yerko até a mansão e deitá-lo na cama do quarto, em seguida Antony pediu que Isaty o acompanhasse, porque precisava falar com ele ainda. O motivo de todo esse teatro era para Antony ver se existia um elo fraco dentro dos separatistas, fazia algum tempo que ele formulava um plano e ao conhecer Oroko soube que era a hora certa de agir. Três dias o separavam de conseguir o que era seu por direito.

Entrada de Ebonhawke

Aloim seguia pela rua calmamente em passos silenciosos, ele gostava de andar assim quando não queria ser perturbado, ele literalmente deslizava por entre as pessoas alheias a sua presença, esta talvez fosse uma das poucas vantagens de sua condição. Em menos de 15 minutos Aloim cruzou toda a cidade chegando aos portões de entrada de Ebonhawke, ele desceu a rampa larga capaz de acomodar um dos tanques de guerra dos charr.

Aloim imaginava o que aconteceria com a cidadela de Ebonhawke caso os charr decidissem tomá-la como fizeram com a capital humana de Ascalon Rin transformada em Black Citadel, mesmo após anos de reforço nas defesas da cidadela era pouco provável que Ebon resistisse por muito tempo, o poderio bélico charr era imensamente superior ao dos humanos de Ascalon, se o conflito não tivesse sido parado com a morte do rei Aldebern e a transformação de um terço da população humana em fantasmas, possivelmente kryta acabaria tendo de participar do conflito o que eventualmente se tornaria uma guerra continental.

Aloim ergueu a cabeça pensativo e notou ter chegado ao seu destino, penhascos de Mithric, onde ficava a cidade charr relógio de Deathblade, há 15 quilômetros de Ebonhawke. O local é um assentamento fortificado onde os charr jovens são treinados e o comércio amplamente estimulado. Aloim levou 30 minutos para cobrir os 15 quilômetros, sua condição ainda o causava espanto quando realizava tais feitos, mesmo após tantos anos.

Uma vertigem o atingiu, seguido de um enjoou, Aloim baixou a cabeça entre os joelhos vomitando o café da manhã, por causa de todo o alvoroço causado pelas visitas e a presa de sair de casa, Aloim havia se esquecido completamente de vomitar a comida no banheiro, agora o corpo cobrava o preço pelo seu erro, Aloim apoio as costas no muro de ferro da cidade charr esperando o mal estar passar, assim que se sentiu melhor ele se virou dando um soco de frustração na parede metálica, o ferro amassou deixando a forma de seu punho nela. Quando Aloim começava a se sentir mais humano algo sempre o fazia se lembrar que nunca mais poderia ser um.

Quarto de Antony

  • A resposta é não! Antony foi curto e grosso com ele.

  • Pensei que você era contra as loucuras do seu pai? Isaty falou com ele, o bafo de álcool atingindo o rosto de Antony.

  • Sou. Mas não posso simplesmente soltar um charr preso numa jaula dentro da base separatista e deixá-lo sair pelo portão da frente. Ele argumentou.

Isaty finalmente havia tido coragem de falar sobre Tybalt, a bebedeira ajudou a tomar coragem de falar com Antony, assim como as várias perguntas que Antony tinha feito a ele, essa apenas acabou surgindo na conversa.

  • Eu não disse que faríamos assim, podemos soltá-lo a noite quando todos estiverem dormindo. Eu já fui até a jaula, ninguém vigia ele de noite.

  • Então esse era o tal gatinho faminto? Antony o fuzilou com o olhar entendendo aquela escapada noturna dele.

  • Tecnicamente é um gato… grande.

  • Isaty, você deu sorte daquela vez, e pelo que você me contou o charr não está em condições de andar, o que dizer correr ou se esgueirar. Você por acaso sabe quando pesa um charr adulto?

  • Ahhh, não. Na verdade não. Isaty disse tentando imaginar o peso de Tybalt.

  • Bem, eu também não. Mas não quero descobrir, ele deve pesar igual a uma vaca.

  • Isso foi ofensivo. Isaty falou olhando para ele irritado.

  • Ok, igual a um boi. Antony falou dando em ombros.

  • Ainda é ofensivo.

  • O que importa Isaty é que não vou soltá-lo.

Isaty encarou Antony fazendo beicinho, com um olhar choroso.

  • Pára de me olhar com essa cara, maldita hora que resolvi apadrinhá-lo. Antony falou levando a mão a cabeça, começava a achar que tinha abusado demais na bebida, começava a ficar lerdo.

  • Pensei que ia dizer virar meu amigo.

  • Tanto faz. Isaty se você quer libertar o charr.

  • O nome dele é Tybalt. Isaty o corrigiu.

  • Ok, se quer libertar Tybalt só tem uma maneira segura de fazer isso.

  • E qual é?

Antony sorriu aquele mesmo sorriso igual ao do pai desprovido de sentimentos.

  • Matando meu pai.

  • Espero que isso seja brincadeira.

  • Estou falando sério, quando eu matar meu pai você solta o charr.

  • Às vezes você me assusta Antony. Isaty falou o encarando, um filho nunca devia pensar em matar o próprio pai independente de quem fosse ele.

  • Sou um cara assustador. Ele brincou fazendo pose.

  • Sim, quando não está babando enquanto dorme, roncando e comendo como um porco. Isaty foi numerando nos dedos da mão.

  • O que você disse moleque?

  • Ops, escapou. Isaty falou levantando da cadeira e ameaçando fugir.

  • Onde pensa que vai? Volta aqui!

Antony gritou correndo na direção dele, ao se levantar rápido demais acabou tropeçando na cadeira devido a embreagens, seus movimentos ficaram lentos. Ao cair Antony segurou o braço de Isaty e ambos foram ao chão, Antony aproveitou a oportunidade montando em cima dele segundo as mãos de Isaty imobilizando-o.

Antony sorriu para ele e Isaty arregalou os olhos assustado, o rosto assumiu um tom vermelho, a pele ficou fria ao toque, mas suor escorreu da testa dele, o peito de Isaty subia e descia enquanto respirava rápido, Antony podia jurar conseguir escutar o coração dele batendo acelerado. Por algum motivo Antony se sentiu desconfortável com aquela situação, ele soltou Isaty permitindo que ele se levantasse, depois falou para ele sem o olhar nos olhos.

  • Acho que é hora de você ir pro seu quarto.

  • eu… eu… também acho. Isaty respondeu meio constrangido, quando chegou na porta se virou para Antony e disse para ele antes de sair.

  • Você não é um monstro como seu pai.

  • Mas também não sou o herói que você talvez pense que posso ser.

Isaty saiu do quarto fechando a porta, Antony ficou lá parado por mais de 1 minuto pensativo, depois foi em direção a parede apoiando o braço nela baixando a cabeça, de repente ele começou a esmurrá-la, golpe atrás de golpe, a parede ganhando o impressão do punho dele devido ao sangue. Antony parou ofegante aplicando um novo soco, a dor percorrendo a mão e subindo pelo braço até se alojar no cérebro.

  • Que pensamento besta foi esse que tive? Acho que vou ter de sair e procurar uma mulher.

Mas Antony não parava de pensar como a pele de Isaty era macia e tinha um perfume de canela.

Penhascos de Mithric

Cidade charr Relógio de Deathblade

  • Veja só o que o vento me trouxe. Falou um charr velho de pêlo alaranjado com listas pretas iguais a de um tigre, um dos chifres tinha uma rachadura, várias falhas no pêlo mostravam antigas cicatrizes de alguém que não lutava há muito anos.

  • Olá Greyffan Torneye, você continua bonito como sempre. Aloim falou para o charr se sentando no banco de ferro da loja.

“Parafuso solto” era no nome desta loja charr de peças usadas, Aloim era um velho cliente e amigo de Greyffan, muito velho por sinal.

  • Quando você vai tirar isso que você chama de barba da sua cara? O charr brincou com ele.

  • O dia que você começar a escovar os dentes.

  • Há, há, há, é bom ver você Aloim. O que vai querer hoje?

Aloim o entregou uma lista, o charr examinou atentamente cada item se virando para separá-los.

  • Muita coisa hoje, precisa de ajuda para levar?

  • Não, obrigado.

  • Tem certeza? Vai ser quase 130 kg só de peças.

  • Dou conta. Aloim disse arrumando os óculos.

  • Um dia vai ter que me explicar como consegue carregar tanto peso assim.

  • Eu conto quando você me explicar como funciona um motor a vapor charr.

  • Pelo visto nenhum de nós vai conseguir o que quer. Brincou o charr.

  • Tem mais uma coisa que preciso que faça para mim velho amigo.

  • Tudo o que você e Oroko precisarem, devo minha vida a vocês dois.

  • Preciso que você entregue uma mensagem ao imperador Smodur.

  • Pelo motor a fusão! Não me diga que?

  • Sim. Avise ele para mandar uma legião inteira para Ebonhawke em 3 dias, a cabeça da serpente será cortada.

Mansão Solar Cran

A intenção de Antony era ir a um bordel se perder em libertinagem como já tinha feito inúmeras vezes, mas antes mesmo de sair do quarto tinha mudado de idéia, por algum motivo estranho ele estava desconfortável em fazer isso, por esse motivo resolver visitar uma pessoa que não havia visitado ainda desde o seu retorno, a pessoa mais importante para ele, sua mãe Mirian.

Antony abriu a porta do quarto da mãe com todo cuidado, uma fraca luz entrou pela porta iluminando o quarto na penumbra. As cortinas estavam fechadas para permitir que ela repousasse tranquilamente de dia, Antony caminhou lentamente ajoelhando ao lado da cama, gentilmente ele pegou a mão da mãe com delicadeza envolvendo-a nas suas, a voz dele saiu baixa e carinhosa.

  • Mãe? Está acordada?

Mirian despertou abrindo os olhos e virando a cabeça para ver o filho, o corpo frágil e magro dela estava pálido e com manchas escuras em algumas partes do corpo. Mirian sorriu para Antony, ela tinha olheiras profundas em volta dos olhos, os cabelos loiros estavam desbotados e sem vida.

  • Meu querido filho.

  • Mãe… estou de volta. Desculpe-me não ter vindo antes para te visitar.

  • Você ficou preso naquele mosteiro por 12 anos meu filho, queria aproveitar a sua liberdade.

  • Eu estava com medo mãe. Medo de a senhora me ver e dizer que estou igual ao meu pai.

  • Meu querido. O que eu vejo é meu menino que foi tirado de mim e agora retornar como um homem forte e bonito. Ela disse sorrindo.

Antony segurava as lagrimas, não queria chorar na frente da mãe, ele retribuiu o sorriso para ela e falou.

  • Como a senhora está?

  • Bem meu filho, agora que pude ver você… mas meu filho tem algo incomodando você? A mãe perguntou a ele analisando as feições dele.

  • Não. Antony mentiu para ela.

  • Não minta para sua mãe, algo está lhe incomodando. Ela o pressionou.

  • Mãe… papai está viajando, ficará fora por mais 3 dias, mas quando voltar eu vou enfrentá-lo. Não quero nada disso, riqueza, poder, o nome da família. Vamos embora, só eu e você para bem longe desse monstro.

  • Meu filho, eu não quero ser um estorvo para você e porque essa idéia de partir justo agora?

  • Não quero continuar aqui.

  • É por causa de uma garota? A mãe lhe perguntou com o sorriso um pouco mais malicioso que uma senhora podia dar.

  • Não é nenhuma garota… antes fosse. Antony ainda chegou a falar, depois acrescentou.

  • O que quero dizer mãe, não quero viver mais neste lugar sendo controlado por aquele homem.

A mãe tocou o rosto do filho alisando seus cabelos, o olhando dentro dos olhos.

  • Sebastian nunca permitirá que você vá.

  • Não preciso da autorização dele, só me importo com a senhora.

  • Meu filho, você sabe o que precisa fazer se quiser ser livre.

Antony se levantou encarando a mãe, os punhos se fechando, as dobras dos dedos ficando brancos.

  • Você sabe. Ela falou novamente.

  • Sei… e o farei.

Portões de Entrada Ebonhawke

Aloim retornou para Ebon carregando uma grande mochila cheia de peças, ele mal fazia esforço, mas se pedisse algo mais para o charr Greyffan desconfiaria. Quando estava na metade do caminho para casa algo chamou sua atenção. Havia alguém escondido em cima de um telhado deitado de bruços observando, longe depois para um passante perceber, a pessoa vigiava uma rua ou mansão. Aloim abaixou os óculos apurando mais a visão, qual foi sua surpresa ao ver quem era, uma menina.

Luuh totalizava quatro mansões com o símbolo dos Solar Cran na cidade, não foi difícil achá-las, eram as mansões que mais se destacavam, o brasão dourado o sol ornamentava o murro de todas elas. Agora vinha a parte mais difícil, descobrir qual dava acesso a base separatistas e como invadiria.

  • Está vendo algo interessante?

A voz veio do seu lado, ela não sabia explicar como, mas um rapaz de óculos com uma barba preta literalmente surgiu deitado ao seu lado imitando sua posição de vigília. Luuh rolou para o lado se pondo de pé, o movimento quase a fez escorregar nas telhas, ela sacou a adaga esperando que fosse atacada pelo estranho.

  • Oi. O rapaz disse se sentando no telhado, um sorriso surgiu em seus lábios.

  • Quem é você? Luuh perguntou não baixando a guarda em nenhum momento.

  • Calma mocinha, não sou seu inimigo. Eu só fiquei curioso ao te ver aqui em cima escondida.

Ela olhou para baixo vendo os 12 metros de altura que estava e falou para ele cheio de desconfiança.

  • Não tinha como você me ver lá de baixo. Eu estava muito bem camuflada.

  • Tenho ótima visão.

  • Usando óculos? A menina disse sarcasticamente.

  • Por isso tenho uma boa visão. Ele rebateu ainda sorrindo.

Luuh olhava em volta pensando o que faria, devia fugir ou atacar?

  • Olha. Desculpe-me se a assustei. Só achei estranho uma menina na sua idade aqui em cima escondida, se está procurando alguém ou algum lugar eu posso ajudar você.

  • O último que me ofereceu ajuda tentou me molestar. Luuh disse com os olhos raivosos pronta para matar se fosse preciso.

Aloim arregalou os olhos ao ouvir o que a menina disse, o sorriso sumiu do rosto dele e em seu lugar uma tristeza profunda foi vista. E um piscar de olhos Aloim se moveu de maneira inacreditavelmente rápida, um segundo ele estava ainda sentado no telhado, no seguinte ele estava sobre Luuh, a envolvendo em seus braços, ela não conseguiu impedi-lo, quando se deu conta Aloim a abraçava, Luuh ainda conseguiu por reflexo acertar a costela dele por reflexo.

  • Me solta! Luuh começou a falar.

  • Como puderam fazer isso com uma criança? Aloim começou a dizer, o abraço era carregado de carinho e ternura, Luuh ouviu ele soluçar, Aloim chorava , as lágrimas dele escorriam indo cair no rosto dela.

  • Você teve de se fingir forte? Deve ter tido medo? Por não teve escolha.

Luuh não compreendia essa tristeza dele, foi quando tudo que estava preso dentro dela saiu, medos, tristeza, solidão. Tudo indo de uma vez, ela retribuiu o abraço e chorou, as lágrimas lavando a alma, deixando tudo sair que estava acumulado dentro dela.

  • Você não está mais sozinha criança.

E enfim Aloim pode sentir-se humano novamente ao confortar uma criança.

Casa de Oroko

  • Querida cheguei!

Aloim abriu a porta da casa, uma das mãos tampando os olhos, mas os dedos permitindo que ele visse pelas arestas.

  • Pode entrar querida.

  • Todas vestidas? Nada que possa depois me causar uma dor violenta de espiar?

  • Sim. Estamos todas vestidas, pode olhar. Nada de dor para você hoje. A esposa brincou.

Aloim baixou a mão e sua expressão foi de alegria.

  • Vocês estão lindas.

As três garotas e a charr usavam vestidos exuberante, além disso, o cabelo delas tinha sido feitos e maquiagem destacava seus rostos.

  • Me sinto uma idiota vestida assim. Pelucita falou.

  • Você está muito fofa. Aloim disse a ela.

  • Não abuse da sorte. Ela falou mostrando as garras e presas. Em seguida foi até o tapete deitando no chão em cima dele, deu duas giradas com um gato para se acomodar.

  • Pelucita você vai amassar o vestida! Celes falou para ela.

  • Eu tenho uma surpresa amor. Aloim falou.

  • Surpresa? Seria chocolate? Ela perguntou ansiosa.

  • Infelizmente não… Ele disse abrindo a porta de casa e revelando uma menina de no máximo 12 anos vestindo algo parecido com roupas de couro, a cor da pele dela era caramelada e os cabelos longos pretos, a menina olhava sem jeito para dentro da casa, examinando cada detalhe dela.

  • Eu a encontrei na rua perdida. Podemos ficar com ela? Podemos? Aloim brincou.

Oroko sorriu para a menina caminhando ate ela, depois se ajoelhou em frente a ela e a abraçou.

  • Vai ficar tudo bem querida, qual é o seu nome?

Os olhos de Luuh passaram direto por Oroko se fixando em Pelucita que estava deitada no tapete, ela se desvencilhou de Oroko correndo na direção da charr e se jogou nos braços de Pelucita. A charr olhou a menina com curiosidade em seguida Luuh chorou.

  • O que eu fiz? Pelucita perguntou preocupada.

As garotas olharam sem entender a reação da menina, Aloim foi até a esposa e falou algo em seu ouvido, ao escutar a expressão de Oroko se transformou, uma fúria dominou a mulher, ela ergueu o braço e a marreta Jurggenaut voou para sua mão, o movimento assustou Celes e Deia que se viraram para olhar Oroko.

  • Quem tentou fazer isso com você menina? Diga-me que esmagarei as duas cabeças dele miserável! Oroko falou queimando de raiva.

  • Não precisa, ele está morto. Eu o matei. Luuh falou encarando Oroko, depois voltou a abraçar Pelucita, a saudades de Tybalt a consumia.

Deia e Celes olhavam a menina, esta menina pequena tinha matado alguém? Oroko deixou a marreta na mesa e foi até Luuh, as outras garotas indo com ela. As quatro formaram um circulo em volta da menina.

  • Não se preocupe ninguém lhe fará mal aqui.

  • Só quero encontrar Tybalt!

Oroko sorriu e disse.

  • Nós ajudaremos a encontrá-lo.

No fundo da sala Aloim sorria, ele olhou para a lateral do corpo e retirou a adaga fincada nele, tinha se esquecido de retirá-la, a ferida se fechou instantaneamente. Quando tivesse oportunidade precisava falar com a esposa, logo, logo ele precisaria se alimentar.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 32-Quando Caem as Mascaras

Ascalon 185 anos atrás

O rosto das pessoas da cidade era de total desolação, as rachaduras nas fachadas das casas e os buracos no chão causado por explosões antigas demonstravam o quanto a cidade tinha sido castigada ao longo dos anos da guerra charr, a frágil trégua instaurada após a tomada charr da antiga cidade de Rin ainda era algo superficial. Cidades e vilas como esta, afastadas de Ebonhawke sofriam com ataques de separatistas e rebeldes charr, o número de órfãos da guerra era visível ao ver crianças sozinhas nas ruas destruídas, vivendo entre o lixo e pobreza, a parcela de pessoas restantes eram de mutilados e velhos com expressões cansadas e assustadas. Esta talvez fosse a parte mais marcante da guerra, o que era deixado para trás ao fim de uma batalha. Tristeza, desolação, destruição e o choro silencioso de quem lá habitavam. Oroko olhava a destruição e sofrimento sentindo uma pena profunda dessas pessoas, a mulher loira de cabelos curtos com uma franja cobrindo o olho esquerdo e vestindo uma armadura pesada prateada caminhava pela rua vagarosamente, as pessoas saiam de suas casas para observá-la com curiosidade, um idoso se aproximou dela vindo com dificuldade, apoiado a uma velha bengala de madeira a barba era longa e cinza suja de poeira, o corpo curvado devido a idade avançada.

  • Senhorita perdoe-me intrometer em sua jornada.

Oroko sorriu para ele, instintivamente apanhou a sacola presa a cintura para dar algo ao velho.

  • Por favor, não senhorita, não vim pedir esmolas. O velho disse com gentileza se negando a pegar as moedas.

  • Desculpe minha ignorância, não quis ofender o senhor. Ela respondeu, uma marreta prateada com detalhes dourados estava presa as suas costas, a arma legendária conhecida como Juggernaut.

  • Como poderia julgá-la após ver nosso estado atual, esta já foi uma cidade rica e prospera, agora só resta uma velha lembrança nas memórias de seu povo sofrido.

Outras pessoas foram se aproximando para ouvir a conversa dos dois, crianças, mulheres, aleijados e outros idosos.

  • No que posso ajudá-los? Oroko falou acariciando a cabeça de um menino sem uma das pernas apoiado a uma muleta.

  • Você não pode nos ajudar, estamos em terras charr, sob domínio de Black Citadel. Muitos partiram atrás de um futuro incerto, mas aqueles que não tinham para onde ir permaneceram aqui.

  • Então o que desejam de mim? Oroko perguntou.

Algumas crianças a rodopiavam curiosas, nunca tinham visto uma mulher usando uma armadura prateada, a novidade parecia trazer um pouco de felicidade a elas.

  • Alertá-la! Se continuar seguindo nesta direção você chegará a uma vila morta, todos que foram até lá nunca mais retornaram.

  • O que existe naquela vila?

  • A vila era muito parecida como tantas outras vilas, sem nada de especial, sofrendo com a guerra como nós. Em uma noite algo se alojou no local, pessoas foram sendo encontradas mortas, jogadas na rua dilaceradas, foi tentado descobrir quem ou o que atacava, mas foi em vão, noite após noite novas mortes aconteciam, até não restar mais ninguém vivo. Uma vez um destacamento de soldados de Ebon foi enviado para lá para investigar, nunca retornaram e os charr não se importam com o que acontece aos humanos.

Oroko sorriu, observando as pessoas desta cidade que mesmo em ruínas ainda tentavam proteger viajantes sobre o perigo de uma vila.

  • Eu irei até lá. Ela falou agradecendo o velho.

  • Você morrerá se for senhorita! O velho alertou.

Oroko passou a mão sobre o rosto retirando a franja dos olhos como se refletisse o que devia falar ao fazer isso o velho pode ver claramente o rosto da linda mulher com um olho cego, mas não foi isso que o surpreendeu, foi ter reconhecido aquele lindo rosto.

  • Pelos Deuses! Não pode ser! O velho se curvou perante a mulher ordenando que os outros fizessem o mesmo.

  • O que ouve senhor? Uma mulher com roupas esfarrapadas quis saber sem entender o motivo da devoção.

  • Vocês não vêem? Olhamos este mesmo rosto todos os dias pedindo ajuda, orando e agora fomos atendidos.

A população toda ajoelhou perante Oroko, alguns choraram ao reconhecê-la.

  • Não se ajoelhem, não é necessário isso. Levantem.

Oroko segurou no braço do velho ajudando-o a se erguer, os outros se levantaram com a expressão maravilhada.

  • Como é possível? O velho a perguntou.

  • O mundo tem muitos segredos que desconhecemos, eu peço a vocês que mantenham minha presença em segredo, isso atrairia inimigos poderosos.

  • Nunca iremos trair sua confiança, nenhum de nós.

  • Então eu parto para libertar a vila com o coração alegre.

Oroko seguiu caminho saindo da cidade, os cidadãos caminharam até o casarão maior que provavelmente servia antes como prefeitura, o velho ia a frente guiando a procissão, pararam em frente a um quadro com a pintura de uma família e ajoelharam. O quadro mostrava um homem e uma mulher juntos a duas crianças, uma das crianças era um bebê no colo da mãe, o outro um menino no centro. Na borda do quadro a frase: família Real de Ascalon, Rei Adelbern e Rainha Gessica com seus dois herdeiros, príncipe Rurik e princesa Geh.

A rainha apesar de ter longos cabelos loiros tinha o mesmo rosto de Oroko.

Vila Morta

Oroko seguiu pela região árida de Ascalon com passos firmes, já passava das 18:00 horas da noite, mas mesmo assim o sol ainda estava alto no céu e a temperatura por volta dos 32° graus, o sol demorava para se por em Ascalon.

Suor escorria pelo pescoço de Oroko entrando por dentro da armadura, muito já havia acontecido com ela desde que descobriu sua verdadeira identidade, Oroko tinha feito um juramento a si mesma, que antes de reaver o que tinha sido tirado dela, deveria primeiro provar ser merecedora mesmo que isso levasse anos. Oroko finalmente entrou na vila abandonada e morta, várias casas tinham desmoronado devido a falta de cuidados, não existia sinal de vida em lugar nenhum, diversas ossadas pertencentes aos moradores estavam abandonadas por toda parte, como se a vila não tivesse tido tempo para enterrar seus mortos. Oroko caminhou até o centro da vila, se sentando no chão cruzando as pernas e apoiando as mãos sobre as coxas e esperou…

Por volta das 21:00 horas assim que o sol se pôs aquilo começou a acontecer, Oroko sentiu um leve tremor de terra que foi se intensificando, a uns 3 metros de onde ela estava próximo a uma casa abandonada o chão pedregoso se abriu, um homem maltrapilho se arrastou para fora do solo, as mãos eram garras com unhas cumpridas e negras, o cabelo preto desgrenhado estava cinza por causa da terra, ele se levantou, erguendo a cabeça para encarar Oroko, na mão direita ele segurava um crânio humano, a face do homem não permitia identificar a idade, o rosto estava sujo de pó e sangue seco, os olhos eram uma explosão de veias avermelhadas, ele abriu a boca e o som parecido com um grunido emergiu da garganta, um par de presas superiores e inferiores como de uma serpente naja alargou-se de sua mandíbula.

Oroko continuava sentada observando o homem, não demonstrava estar com medo ou nervosa, na verdade ela sorriu para ele e perguntou.

  • Então é você a tal criatura assassina?

Ele pareceu querer falar, mas engasgou cuspindo terra pela boca, um leve sorriso se formou em sua face demoníaca, se transformando numa risada histérica até se estender em uma gargalhada.

  • Uma mulher? Uma mulher vem até aqui a minha procura? Ele falou a voz ressoando estranha, como se não a usasse a algum tempo.
  • Sim. Tem algo contra? Oroko falou se levantando, depois limpando a poeira da armadura.
  • Faz muito tempo que não experimento sangue de uma mulher, a ultima morreu a mais de 2 meses.
  • Desculpe, mas não deixo que ninguém me morda no primeiro encontro. Experimente me enviar flores antes, gosto de rosas.
  • Você brinca diante da morte? Você acha que isso é alguma piada? Acha que não vou saltar sobre você, sugar todo seu sangue e deixar seus restos para os coiotes? O homem falava, elevando a voz a cada palavra, a mão que segurava o crânio o apertou com força, despedaçando-o.
  • Não foi o que disse… Eu quis dizer que você não vai conseguir fazer isso.

A criatura urrou, correndo na direção de Oroko, rápida como um raio, as mãos esticadas para agarrá-la, a mandíbula aberta expondo as presas de serpente, pronto para mordê-la. Ele saltou caindo sobre ela, mas suas garras não a atingiram, Oroko segurou os pulsos dele com as mãos, uma expressão de surpresa surgiu na face do homem, Oroko sorriu levemente girando o corpo dele no ar, a criatura girou sendo arremessada na direção de uma velha casa, ele atingiu a parede com violência a arrebentando, o telhado desmoronou em cima dele soterrando-o, poeira subiu para o céu, ouve alguns segundos de silêncio, até que os destroços voaram para o alto, a criatura se levantou, sangue escorria de sua cabeça, o sorriso demoníaco havia sumido do rosto em seu lugar a face agora era uma expressão de puro ódio.

  • QUEM É VOCÊ MULHER? NÃO EXISTE PESSOA ASSIM CAPAZ DE ME ARREMESSAR DESTA MANEIRA.
  • Talvez você devesse viajar um pouco, conhecer pessoas novas. Sempre existe alguém que ira te surpreender.
  • Viajar?! Viajar… VIAJAR!!! Não sabes o quanto viajei, o quanto caminhei de minha terra natal até este deserto quente para não ser destruído! Fui expulso! Amaldiçoado! Incapaz de ver a luz do dia novamente!

O rosto de Oroko mudou, assumindo uma expressão curiosa.

  • Continue, gostaria de saber mais a respeito.

  • Gostaria? Sei que gostaria… assim poderia prolongar sua vida mais um pouco.

  • Há quanto tempo você não conversa com uma pessoa? A voz de Oroko agora era mais suave, quase maternal.

  • Porque pergunta? Não é da sua conta, e você não se importa. Ninguém nunca se importa! Ele falou saindo dos escombros avançando sobre ela.

  • Eu me importo. Ela disse firme. Ele parou ao ouvi-la, ninguém nunca havia falando com ele assim, nem mesmo alguém de sua família quando ainda era vivo e duque de suas terras.

  • Porque se importaria com um monstro como eu?

  • Porque olho para você e não vejo um monstro, vejo um rapaz assustado, perdido, obrigado a matar para viver. Mas não é isso que você quer, foi obrigado a aprender a viver desta maneira.

  • O que você sabe sobre mim? O que poderia fazer por mim? Só uma coisa, me alimentar! Ele gritou atacando novamente. As garras passaram a centímetros do rosto de Oroko, ela novamente segurou no pulso dele, desta vez aplicando uma chave de braço imobilizando-o no chão, ele se debatia tentando se libertar, os ossos do braço estalavam, a carne rasgava pela força aplicada.

  • Me solte!

  • NÃO! E pare de se debater. Ela ordenou. Ele pareceu espantado com a convicção dela parando de tentar se libertar.

  • Agora me conte sua história. Oroko exigiu saber.

  • Se você faz tanta questão… Ele disse começando a contar sua história.

  • Eu era um duque, dono de uma terra vasta e um nobre vaidoso. Embora ainda jovem com apenas 29 anos, eu tinha uma esposa e quatro filhos, um menino parecido comigo e três meninas lindas. As lembranças suavizando o rosto dele, o tornando quase humano, mas logo em seguida se tornou ainda mais sombrio que antes.

  • Mas também era uma pessoa desprezível, detestável e adultero um senhor de terras cruel, impondo pesados impostos ao povo, tratando meus criados como lixo, mesmo minha esposa e filhos tinham pouca da minha atenção, eu só ligava para mim e para minha riqueza…

  • Numa noite recebi uma visita, um morto-vivo lich chamado Khilbron, uma criatura horrenda que estava tomando as terras da região e transformando as pessoas em mortos-vivos sob seu comando, ao vir ao meu quarto ele me disse que havia me espionado por semanas, disse que eu era a escória dos seres humanos e por isso não faria parte do novo reino que ele estava criando. Dor e tristeza surgiram em sua expressão.

  • Ele me amaldiçoou, me transformando neste monstro que sou com sede de sangue e incapaz de ver a luz do dia novamente, depois ele me trancou e selou meu lar, deixando me preso a ele com minha família e criados, semanas se passaram quando finalmente o lich retornou quebrando o selo e vindo me ver. Eu havia matado todos em minha fome por sangue, criados, esposa… meus próprios filhos, esta foi minha punição ele me disse. Após isso fui expulso de minhas terras, nunca mais poderia pisar no solo onde havia nascido e crescido.

  • Vaguei por anos atacando casas, vilas e cidades para saciar minha fome, me escondendo do sol e sendo perseguido pelo povo, até que cheguei a Ascalon e encontrei uma guerra em andamento, o que para mim foi vantajoso, ninguém se importava com uma ou duas vilas humanas atacadas por algo desconhecido.

Ele parou a narrativa olhando Oroko com um sorriso de indiferença e se surpreendeu ao vê-la chorando.

  • Você sofreu… muito mais do que merecia. Ela disse soltando seu braço e libertando-o.
  • Não finja ter pena de mim! Matei centenas de pessoas ao longo dos anos!
  • Por não ter escolha, ninguém nasce bom ou mau, são as escolhas que nos transformam.
  • Pare de me dar sermão e me mate! Não foi para isso que você veio aqui?
  • Não vim matar ninguém, vim salvar uma vida se possível, a sua.
  • EU ESTOU MORTO! Sou um morto-vivo que se alimenta do sangue humano! Não vivo, apenas existo!
  • ENTÃO VIVA! Volte a ser e agir como uma pessoa viva. Ela o desafiou.
  • Não posso! Sou um monstro! Como posso viver como um homem se tenho de matar para existir? Ele indagou.
  • Você não precisa matar. Oroko falou gentilmente a ele.
  • Ninguém sobrevive quando me alimento nenhum humano.
  • Está errado novamente. Oroko falou tirando a lateral da trava da armadura peitoral e deixando cair no solo, o pescoço foi exposto.
  • É um truque seu ninguém faria isso de bom grado.
  • Eu não sou ninguém, agora beba, eu permito. Ela o mandou.

Ele ficou surpreso com a convicção dela, olhando o pescoço, vendo a veia jugular pulsar convidativa, o instinto falou mais alto, ele saltou sobre Oroko cravando as presas no pescoço dela, ele bebeu o sangue abraçando-a, envolvendo em seus braços, após alguns segundos ele se afastou caindo de costas no chão, sentindo uma dor percorrer cada célula do seu corpo, era como se o sangue de Oroko o queimasse por dentro.

  • VOCÊ ME ENVENENOU ME ENGANOU! Ele gritou se contorcendo no chão árido.
  • Não o enganei. Ela disse calmamente com a mão no pescoço para deter o sangramento. A visão dele escureceu fazendo com que ele sentisse como se despencasse num abismo sem fim e pensou.
  • Então isso é morrer… e tudo ficou em silencio.

Horas Depois

Lentamente ele abriu os olhos, o rosto de Oroko surgiu o examinando, uma aura de luz estava em volta da cabeça da mulher, como se ela fosse uma divindade, então ele percebeu que o brilho vinha da luz do sol atrás dela, ele ergueu a mão para proteger o rosto da luz ofuscante, vendo-a passar entre seus dedos, não acreditando que um dia poderia ver algo tão belo novamente.

  • Eu não estou queimando? Ele perguntou surpreso, a cabeça dele estava apoiada no colo de Oroko.
  • Não. Ela falou sorrindo.
  • Eu estou vivo novamente? Ele falou com esperança.
  • Infelizmente também não, ainda é o que é. Mas aparentemente meu sangue lhe permiti andar sobre a luz do dia novamente. Ele cobriu o rosto com as mãos e chorou dizendo.
  • Então tudo o que você fez foi aumentar o meu tempo de caça.
  • Você nunca mais precisará atacar alguém para se alimentar.
  • Como pode saber? Ele perguntou.
  • Porque a partir de agora você tem a mim para isso. Ela falou afagando seus cabelos.
  • Eu não lhe trouxe flores. Ele brincou com os olhos cheios de lágrimas.
  • Então trate de arrumar algumas e logo, e aprenda a cozinhar, sou muito exigente com comida.
  • Você é uma Deusa? Ele em fim perguntou. Oroko não respondeu, apenas o beijou na testa, depois falou.
  • Você ainda não me disse seu nome.
  • Eu me chamo Aloim.

Casa de Oroko

Luuh estava sentada em uma cadeira com uma grande caneca de chocolate quente fumegando em suas pequenas mãos, a menina não tirava os olhos de Pelucita que a contragosto acabou tendo de se sentar ao lado dela. Celes, Deia e Oroko conversavam mais afastadas enquanto Aloim servia uma fatia de bolo a menina.

  • Coma. Você vai se sentir melhor, chocolate e bolo sempre alegra as pessoas. Ele disse sorrindo para ela, os óculos escorregando levemente do rosto. Der repente Luuh ergueu a cabeça assustado como se lembrasse de algo urgente, ela largou a caneca de chocolate e foi até Aloim examinando a lateral do abdômen do rapaz, puxando a camisa dele para cima.
  • Oi… Você ta me deixando encabulado. Aloim falou sem jeito.

Luuh passou os dedos no sobretudo onde havia atingido ele, um buraco podia ser visto claramente no local, mas não havia ferimento apesar da mancha de sangue na roupa.

  • Eu feri você bem aqui! Como se curou tão rápido? Ela perguntou de maneira acusatória.

Aloim riu constrangido parecendo desconfortável, ele olhou para a esposa pedindo socorro.

  • Eu o curei, não precisa se preocupar com isso. Agora porque não nos explica sobre isto? Oroko falou colocando uma a uma as armas que Luuh carregava escondidas dentro do manto. Tinha facas, punhais, estrelas metálicas e uma pistola. Deia e Celes olharam aquele pequeno arsenal assustadas imaginando para que uma menina precisaria delas.
  • Eu… eu… Luuh começou a falar, não sabendo como explicar sem revelar sua identidade.
  • Você pertence aos whispers, não é? Oroko adivinhou.
  • Como você sabe? Luuh perguntou espantada, cada vez mais o casa a surpreendia.
  • O que é os whispers? Deia quis saber.
  • Uma ordem secreta de espiões, sabotadores e assassinos que age em toda Tyria.

Deia e Celes levaram as mãos à boca, agora as duas estavam realmente assustadas, Pelucita olhou a pequena menina a avaliando, ela tinha olhos de caçadora, os charr eram guerreiros por natureza, não importava a criação que tivessem, estava em seu sangue, ao em vez de medo, Pelucita sentiu respeito pela menina.

  • Mas ela é só uma criança? Deia falou.
  • Não sou criança! Luuh gritou para ela, depois se arrependeu baixando a cabeça ao olhar para Oroko, por algum motivo ao olhar nos olhos dela Luuh se sentia mesmo como uma criança indefesa, frágil, pequena, da mesma forma que se sentia quando estava com Riel Darkwater, uma criança na presença de um familiar adulto ou um professor. Oroko parecia conseguir enxergar dentro de sua alma.
  • Algumas crianças são obrigadas a amadurecer rápido se querem sobreviver nesse mundo cruel. Oroko falou levando a mão ao olho cego inconscientemente.

As pequenas mãos de Luuh se fecharam, ela tentava reunir forças para falar, o peso dos olhos e Oroko sobre ela era assustador.

  • Você vai mesmo me ajudar? Ajudar a achar Tybalt? Por fim Luuh falou.
  • Vou. Todas nós vamos. Oroko falou gesticulando para todos na cozinha.

Oroko ergueu a cabeça e viu o marido pálido, a cor de sua pele desbotava vagarosamente, ela sabia o que tinha de fazer e rápido.

  • Me dêem licença, parece que meu marido não está se sentindo bem, vou colocá-lo na cama para descansar.
  • É minha culpa. Eu o feri. Luuh falou.
  • Não precisa se preocupar, Aloim só tem de descansar. Oroko falou gentilmente com um sorriso, ela pegou Aloim pela mão o levando para o quarto, assim que a porta se fechou atrás deles Aloim não agüentou, as presas saltaram de sua boca cravando no pescoço de Oroko, ela o conduziu até a cama e ambos caíram sobre os lençóis, Oroko se contorcia em gemidos baixos enquanto ele sugava seu sangue, quando finalmente pareceu se satisfazer Aloim ergueu a cabeça, os lábios estava sujos de sangue, as presas de serpente se retraíram, ele começou a chorar caindo sobre a esposa, Oroko o abraçou afagando seus cabelos carinhosamente, Aloim chorava como uma criança sendo consolado por ela.
  • Tudo bem amor. Tudo vai ficar bem. Ela disse gentilmente.
  • Eu podia ter atacado alguma delas, estava no meu limite.
  • Mas não atacou e se fosse o caso eu o teria detido.
  • Nunca me deixe Oroko.
  • Nunca, não se esqueça que nós dois somos eternos.

Quarto de Profeus

Um bater na porta do quarto despertou Yerko, a ressaca o deixou com uma dor de cabeça infernal, ao olhar para o relógio na parede ele marcava 11:00 am, Yerko prometeu a si mesmo nunca mais beber uma gota de álcool, pelo menos não junto com Antony. Ele se levantou da cama, indo até a porta um pouco tonto, ao abri-la uma jovem empregada trazia o café da manhã para ele. A empregada entrou colocando a bandeja na mesa de cabeceira sorrindo para ele, um sorriso triste e melancólico.

  • O senhor está bem? Ela perguntou.
  • Estou só bebi demais ontem. Yerko respondeu.

Era uma jovem bonita com os cabelos negros presos a um lenço, os olhos castanhos escuros tinham um ar triste.

  • Senhor por não se deita de novo. Ela falou apoiando a mão no peito dele e conduzindo-o até a cama.
  • Já dormi demais por hoje.
  • Não me refiro a dormir senhor. Ela disse soltando os cabelos e começando a desabotoar a frente do vestido.
  • O que pensa que está fazendo? Yerko perguntou segurando as mãos dela.
  • Foram as ordens do senhor Sebastian. A empregada falou virando o rosto.
  • Como? Yerko perguntou não entendendo o que ela queria dizer.
  • Devemos servi-lo senhor. A jovem falou o olhar mudando de tristeza para medo.
  • Não estou entendendo mulher. Explique-se.
  • Por favor, senhor Yerko. A empregada agora realmente parecia assustada e não era com ele.
  • Está me dizendo que Sebastian mandou você me satisfazer?
  • Senhor, por favor…
  • RESPONDA! Yerko gritou.
  • Todas nós senhor, todas devemos satisfazer seus desejos.
  • Como assim?
  • As mulheres que pertencem a família Solar Cran e aos separatistas… Ela hesitou em continuar a falar.
  • Termine o que estava dizendo. Yerko impôs.
  • Todas nós somos propriedade, obrigadas a ter relações com os oficiais dos separatistas a partir dos 13 anos. Faz parte da ideologia de Sebastian.
  • É mentira! Isso seria… Yerko não queria usar a palavra que lhe veio a sua cabeça.
  • Escravidão e também… Ela tampou a boca enojada ao se lembrar, o ato mais repulsivo que um homem podia fazer a uma mulher.
  • O que acontece se recusarem? Yerko começava a sentir nojo, obrigar mulheres a ter relações forçadas.
  • Não, senhor. Por favor.
  • DIGA!
  • Somos… somos… a mulher começou a chorar e soluçar caindo de joelhos no chão, o corpo dela tremia ao se lembrar dos primeiros dias servindo a família Solar Cran.

Yerko se abaixou ao seu lado e a abraçou enquanto ela chorava.

  • Entendi… Antony estava certo, Sebastian é um monstro. Ela voltou a falar enquanto chorava.
  • Todas nós mulheres… irmãs, filhas, netas, somos propriedade dele para fazer o que quiser com nós, quando quiser e a quem quiser nos oferecer.
  • Isso tem de acabar! Yerko falou uma chama ascendendo em seus olhos.

Corredor da mansão

Os ombros largos de Antony estavam tensos enquanto caminhava, ele vinha pelo corredor após falar com sua mãe. Antony estava confuso com a conversa tida com ela, ele inconscientemente tinha caminhado até o quarto de Isaty e imaginou porque teria ido até lá, novamente a lembrança de segurá-lo no chão e sentir a pele dele macia ao toque com cheiro de canela o fez ruborizar.

  • Eu devo estar ficando maluco. Antony disse passando a mão nos cabelos.

Vencido por ele mesmo Antony resolveu falar com Isaty indo até a porta para saber se ele já estava acordado.

Quarto de Isaty

Isaty não entendia que dor era esta que sentia, ele estava deitado na cama dormindo quando começou a sentir uma dor atroz na barriga, era uma mistura de dor aguda com pontadas iguais a de uma faca enfiada no estômago e depois torcida dentro dele, será que teria sido envenenado?

Uma batida na porta do quarto o fez esquecer a dor por um momento apenas, Isaty sabia que estava atrasado para o treino, não sabia como poderia participar dele desta maneira.

  • Anda dorminhoco, preciso falar com você.

A voz era de Antony atrás da porta, Isaty fez uma força sobre humana para ficar de pé e ao fazer isso olhou para baixo em seguida gritou de horror. Antony não esperou para ter uma resposta do que acontecia, ele chutou a porta quebrando a tranca e quando entrou no quarto e viu Isaty exclamou.

-DEUSES DE TYRIA!

30 minutos Depois

  • fala logo, você tem muito que me explicar e não me venha com essa desculpa absurda de novo!

Antony apesar de nervoso parecia aliviado, como se tivesse tirado um peso enorme dos ombros.

  • Eu já falei.

Isaty estava deitado na cama coberto pelo coberto até o pescoço, uma bolsa de água quente apoiada em sua barriga, Antony havia ido buscar na cozinha e colocado a porta no lugar fechada com uma cadeira segurando ela.

  • E você quer que eu acredite nessa história maluca… quando meu pai descobrir… você sabe o que vai acontecer isaty.

  • Por favor Antony, não diga nada a ele! Isaty agarrou o ombro dele, o rosto em uma expressão de puro horror. Antony deviou o olhar e disse.

  • Não direi nada, mas… 13 anos isaty, como conseguiu fazer isso sem uqe ninguém descobrisse.

  • Eu também não sabia.

  • É loucura pensar que você nunca desconfiou.

  • Você não sabe o que estou passando.

  • Com toda certeza não sei, a pergunta agora é o que eu faço com você?

  • Como assim?

  • Isaty é melhor você ir embora enquanto meu pai não retorna. Quanto mais tempo passar e você ficar mais velho, mais difícil será para você esconder isso.

  • Não posso ir embora.

  • É claro que pode, basta se levantar e caminhar na direção da saída e não voltar mais.

  • Tybalt! Preciso libertar ele. Isaty falou.

  • Esqueça-o, não é obrigação sua.

  • Então o solte você.

  • Também não é minha obrigação.

  • Então não vou a lugar nenhum! Isaty falou cruzando os braços deitado na cama.

  • Agora entendo essa teimosia toda sua é próprio das… Isaty tapou a boca de Antony com as mãos.

  • Não diga isso, me prometa.

  • Ok. Me dê um tempo que verei o que posso fazer, vou pensar em algo. Isaty o abraçou e depois voltou a se deitar, a dor tinha diminuído por causa da bolsa de água quente.

  • Vou sair e volto para ver como você está mais tarde, avisarei que está passando mal e o liberei dos treinos.

  • Obrigado Antony, você é um bom amigo.

  • Não me agradeça ainda. Ele disse saindo do quarto levando a mão ao peito, o coração batia acelerado, ele sorriu e pensou com uma felicidade enorme.

  • Isaty é uma garota.

Capela de Ebonhawke

A porta do quarto atrás da sacristia se abriu, a mulher olhou para dentro do quarto a procura do padre, ao ver o corpo dele jogado no chão cm a faca fincada no peito, o rosto dela assumiu uma expressão de desdém. Ela entrou no quarto fechando a porta atrás dela, foi até a mesa e puxou uma cadeira onde se sentou cruzando as pernas enquanto observava o padre morto. A palavra traidor escrita no chão ao lado do corpo com o sangue do padre.

  • Você é um idiota mesmo Laercio, quem fez isso com você? Uma das meninas que finalmente conseguiu enganá-lo ou um pai raivoso que descobriu seu gosto depravado?

Não houve resposta como o esperado, ela suspirou indo até o corpo e se inclinando sobre ele, a mulher segurou o cabo da faca presa ao peito e a puxou, no momento que fez isso o corpo se contorceu em espasmos e convulsões, o sangue que havia escorrido pelo chão foi retornando ao corpo, as feridas abertas causadas pelas facadas foram fechando. O padre ergueu a cabeça abrindo os olhos, a boca puxando o ar como se ele respirasse pela primeira vez.

  • Espero que tenha valido a pena perder uma de suas vidas extras.

O padre se sentou no chão puxando a manga do braço direito da batina, havia uma tatuagem com o número 5 tatuado nele que desbotou se transformando em 4.

  • Restam quatro. Ele falou para a mulher.
  • Quem fez isso com você? Ela perguntou curiosa.
  • Uma linda menina de pele caramelada… Ah, como quero encontrá-la novamente.
  • Para ela poder matá-lo de novo?
  • Você não entende destas coisas Xera, vive no seu mundinho de devoção aos Mursaats.
  • Melhor não fazer piadas sobre minha fé “padre”.
  • Desculpe-me querida, sei o quanto espera pela ressurreição de Salazar, mas o que estou falando é sobre amor, desejo e atração. Ele deitou no chão colocando as mãos atrás da cabeça.
  • amor? Você sabe o que é isso?
  • Agora posso dizer que sim, esta menina dos whispers roubou meu coração. Vou persegui-la, ela será minha e só minha.
  • Na verdade ela não roubou seu coração, o apunhalou, umas nove vezes pelo menos. O padre suspirou se levantando do chão.
  • E a que devo a honra de sua visita alto inquisitora Xera.
  • O grande confessor Caudecus me enviou em missão secreta.
  • O careca balofo de cavanhaque ridículo? O padre zombou.
  • Não fale isso de nosso líder, é fato que Confessor Caudecus não tem o brilho de Confessor Esthel, mas devemos respeito a ele.
  • Ok, afinal o que perdi e quanto tempo estive morto?
  • Acredito que ficou morto por 2 dias. Nesse tempo Sabetha atacou Divinity’s Reach e destruiu o distrito oeste.
  • Aquela mulher sabe trabalhar, além de ser muito sex.
  • Bem, ela vai ser caçada e morta pela irmandade.
  • Quem pena.
  • Esqueça ela Laercio, a nossa missão é contaminar o filho adotivo de Sebastian com bloodstone. -Há, há, há, Caudecus deve está se borrando de medo achando que Sebastian quer tomar seu lugar.
  • Deveras.
  • Embora isso pareça divertido Xera, eu tenho uma idéia muito melhor. Disse o padre.
  • Estou ouvindo.

Jaula de Tybalt

Tybalt não sabia o que esperar desta visita inusitada na jaula, a pessoa o encarava tinham os mesmos olhos verdes frios de Sebastian, não havia dúvidas de quem era ele.

  • Você sabe quem eu sou? O rapaz perguntou ao charr.
  • Sei sim, e a que devo a vista ao meu humilde lar Antony?
  • Senso de humor, gosto disso charr. Antony falou sorrindo, um sorriso desprovido de afeto. Tybalt se encolheu no fundo da jaula, a coragem inicial se desfez ao ver tal sorriso assustador.
  • deixe-nos a sós, quero conhecer melhor nosso hóspede. Antony falou a um guarda que vigiava a jaula.
  • Tem certeza senhor?
  • Se questionar mais uma vez o que eu digo guarda mandarei avisar seus familiares sobre sua ausência por um longo período de tempo. O guarda engoliu em seco temeroso se desculpando, depois foi embora o mais rápido possível. Antony olhou o guarda sumir de vista, depois voltou seus olhos para o charr e dessa vez o sorriso foi sincero.
  • Desculpe Tybalt, tenho de fazer o papel de cara mau quando estou aqui. Tybalt piscou os olhos não acreditando no que ouvia.
  • Como sabe meu nome? O charr perguntou já sabendo a resposta.
  • Temos um amigo em comum, Isaty não para de falar no gatinho abandonado que ele achou aqui.
  • Gatinho? Eu?
  • Isaty tinha de se referir a você de alguma maneira para não levantar suspeitas. O charr riu uma risada suave e alegre.
  • Ele é ótimo. Tybalt falou dando um sorriso.
  • sim, alguém que nunca esperei me afeiçoar. Antony falou pensando em Isaty.
  • Você gosta dele? O charr perguntou curioso. Antony mudou de expressão para nervosismo e falou.
  • Ele é um amigo, e fica me pedindo insistentemente para saltá-lo.
  • Isaty é uma boa pessoa, confuso, mais um amigo leal. O charr argumentou. O rosto de Antony se tornou sombrio, os olhos semi serrados e disse para Tybalt.
  • Concordo isso ainda vai causar problemas graves a ele.
  • Oriente-o Antony, Isaty está confuso, eu tenho a impressão que ele esconde algum segredo grave.
  • Tybalt eu vim aqui por outro motivo. Antony desconversou o assunto.
  • Qual?
  • Só existe uma maneira de você sair daqui.
  • Como? Tybalt perguntou se aproximando da grade.
  • Matando você. Antony falou o fuzilando com o olhar. Tybalt se afundou na jaula pensando o que mai podia esperar do filho de Sebastian.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 33-A Última Dança

Quarto de Isaty

  • Eu não vou dançar com você! Isaty falou de braços cruzados sentado na cama virando o rosto para Antony.

  • Então prefere ficar pisando no pé de Deia o tempo todo durante o baile? Antony disse com um sorriso besta na cara.

  • Tudo bem. Mas sem gracinhas, você me entendeu? Isaty disse vencido dando um suspiro.

  • Palavra de honra.

Desde que Antony havia descoberto que Isaty era uma garota o modo de tratá-lo tinha mudado drasticamente. Antony era mais gentil e suas brincadeiras mais ousadas.

  • O que devo fazer? Isaty perguntou ficando de pé em frente a Antony, a cabeça de Isaty batia na altura dos olhos dele.

  • Segure minha mão esquerda com a sua direita. Isaty obedeceu.

  • Depois coloque o braço esquerdo envolta do meu ombro, eu vou segurar a sua cintura desse jeito. Antony o laçou trazendo-o para mais perto.

  • Você parece estar gostando disse? Isaty falou irritado, Antony sentia as mãos dela tremer em contato com seu corpo.

  • De maneira nenhuma, é uma simples aula de valsa. Ele falou o sorriso besta se alargando no rosto.

Antony sentiu o cheiro de canela que Isaty exalava da pele, aquilo o fazia fantasiar, eles começaram a dançar lentamente, Antony conduzia Isaty como um dançarino profissional o fazendo indagar quanto e onde Antony tinha aprendido a dançar. O braço de Antony puxou o quadril de Isaty para mais perto dele fazendo quase os corpos se tocarem, as bochechas de Isaty ficaram vermelhas e um calor começou a subir pelo corpo dela.

  • É preciso ficar tão perto assim para ensinar a dançar?

  • Você quer dançar abraçado com Deia, não quer? Ele rebateu.

  • Quero. Isaty confirmou.

Isaty podia sentir o formato dos músculos do ombro de Antony sobre seus dedos.

  • A propósito Isaty, você e Deia pretendem…

  • O que?

  • Você sabe…

  • Namorar? Isaty falou ficando vermelho de verdade.

  • Isso. Você acha que ela não se importa de você ser uma garota? Antony quis saber.

  • A princípio achei que ela se importava por quando se negou a namorar comigo. Mas depois do beijo de ontem. Isaty falou sua mente lembrando-se dos lábios doces de Deia. Antony também se lembrava ficando todo animado.

  • Tenho que dizer que agora o beijo de vocês duas me parece muito melhor. Antony falou sorrindo.

Algo incomodou Isaty, algo que literalmente bateu em sua coxa. Isaty se afastou um pouco, o rosto vermelho como um pimentão.

  • Acho que você está animado demais e fale comigo sem usar o feminino.

  • Perdão. É involuntário.

  • Sei…

Neste momento a porta do quarto se abriu, Yerko surgiu olhando para os dois, ele parecia constrangido, mas ao ver a cena os lábios se curvaram levemente para cima.

  • Desculpe incomodar os dois, no que quer que estejam fazendo. Yerko falou olhando para eles.

  • Só estamos dançando. Isaty falou rápido apavorado.

  • Dançando… Bem, não é da minha conta, vim aqui porque precisava falar com Antony e não o achava.

  • Yerko, Isaty não sabe dançar e eu perguntei se ele queria aprender. Nada mais.

  • Bem, me pareceu que vocês estavam muito concentrados na dança. Yerko falou sinicamente.

  • Falando nisso, você sabe dançar Profeus? Antony o perguntou com aquele olhar diabólico.

  • Não. Ele respondeu encabulado.

  • Então hoje é seu dia de sorte.

  • Como assim? Yerko perguntou confuso.

Antony avançou até ele o segurando pelo braço e puxando-o para perto, em seguida segurou na cintura de Yerko com uma mão enquanto literalmente prendia Profeus com a outra.

  • ME SOLTA!

  • Oh, você não vai querer pisar no pé daquela linda garota quando convidá-la para dançar?

  • Convidar para dançar? Porque eu faria isso? Yerko falou tentando se soltar, mas as mãos de Antony prendiam o pulso de Yerko como algemas de aço.

  • Porque se você não fizer isso, provavelmente outra pessoa fará e nunca se sabe o que uma simples dança pode levar a acontecer.

A mão de Antony na cintura de Yerko baixou para as nádegas, ele empurrou Antony ofegante e vermelho de raiva e gritou.

  • TUDO BEM, TUDO BEM! PODE ME ENSINAR A DANÇAR, MAS PARA DE ME AGARRAR!

  • Se você continuar a gritar desse jeito os empregados todos virão aqui saber o que está acontecendo e verão você dançando comigo.

Isaty ria com as mãos tampando a boca, Antony conseguiu fazer Yerko esquecer a cena da dança de ambos o colocando na mesma situação. Isaty cada vez mais gostava de Antony, mas esse sentimento era apenas de amizade.

Casa de Oroko

Era sempre estranho ver a casa de Oroko se moldar a vontade de seus ocupantes. Celes e Pelucita assistiam um corredor surgir e se alongar mais de 6 metros de comprimento, um alvo se materializou no fim da parede, Oroko empunhava um arco e ensinava Celes a segurá-lo de forma correta, Pelucita mesmo nunca tendo usado um o dominou como uma profissional em poucos minutos.

Deia se encontrava na cozinha sentada numa cadeira com um copo de café nas mãos olhando as três, Luuh estava ao seu lado passando manteiga em uma torrada. Aloim havia saído para pegar ovos frescos de moa para fazer o que ele dizia ser o supremo omelete de desjejum nunca feito.

  • Porque não está aprendendo a usar o arco junto com Celes e Pelucita? Luuh perguntou encarando Deia.

  • Não sei se me adaptaria ao arco. Ela respondeu, seu olhar parecia distante.

Luuh levantou da cadeira indo ao encontro de Deia, a pegou pela mão para que ela também se levantasse.

  • O que? Deia perguntou confusa.

  • Nunca ensinei ninguém, mas acho que consigo. Luuh falou.

  • Não precisa.

  • Eu não estou fazendo nada mesmo e essa espera até o dia do baile que vocês falaram está me deixando doida, eu preciso fazer algo para ocupar a mente.

  • Tudo bem. O que quer me ensinar? Deia falou olhando a pequena menina de pele cor caramelada.

Luuh pegou a faca da manteiga encima da mesa e disse.

  • Essa vai servir, não tem corte para sofrer acidentes.

  • Uma faca?

  • Acho que combina mais com você e sempre se pode ocultar ela entre os seios e os seus são grandes.

Deia os cobriu com as mãos envergonhada, era a primeira vez que alguém dizia que ela tinha seios grandes.

  • Não fique envergonhada, você pode usar suas curvas para distrair o inimigo, mesmo pequena como sou eu sou, consegui matar o desgraçado que me prendeu porque o seduzi.

Ouvir isso de uma menina de 11 anos era assustador e humilhante, mas Luuh tinha razão, era hora dela aprender a se defender se queria salvar Isaty.

  • O que tenho de fazer?

  • Só prestar atenção no que eu falar e fizer, existem vários pontos vitais para se matar uma pessoa com um único golpe. A jugular, os olhos. Existe uma artéria embaixo da axila e na parte de dentro da coxa, corte-as e a pessoa morrera em segundos por sangramento impossível de ser parado, caso queira que o alvo sofra enfie a ponta da faca aqui.

Luuh tocou o estômago de Deia com a ponta do dedo.

  • Depois suba a lâmina para estripá-lo, eu te garanto que será uma morte lenta e dolorosa para seu inimigo.

Deia rezava para que nunca precisasse ou quisesse fazer isso com alguém.

Black Citadel

Os blindados charr saiam pelo portão principal de Black Citadel, uma unidade inteira de centuriões da iron legion totalizando 400 charr marchando em direção a Ebonhawke usando suas armaduras e armamentos. A mensagem enviada por Oroko chegou aos ouvidos do imperador Smodur com surpresa, se a mensagem tivesse vindo um dia antes Smodur nunca teria enviado Tiaraju na missão de assassinato. O imperador agora precisava deter Tiaraju antes dos blindados chegarem a Ebonhawke.

  • Centurião. O imperador chamou um dos guardas.

  • Sim grande Smodur. Ele falou batendo continência.

  • Mande chamar um batedor, preciso que ele leve um recado ao Tribune Rytlock Brinstone e a guardian Valkirie o mais rápido possível.

  • Sim imperador Smodur.

Tiaraju tinha de ser detido antes de conseguir assassinar Sebastian. O líder dos separatistas devia ser morto por um humano, desta maneira as garras dos charrs estariam limpas do sangue dele.

Cerimonial da Paz

Rytlock batia com as pontas das garras no cabo da espada legendária Sohothin, este artefato poderoso originalmente pertencente ao príncipe de Ascalon Rurik sempre foi motivo de boatos e injurias de como Rytlock a conseguiu, o guarda-mão da espada tem o formato de uma cabeça de dragão e quando empunhada a lâmina tornasse flamejante.

Rytlock e guardian Valkirie inspecionavam a segurança onde seria realizada a assinatura do tratado de paz entre humanos e charrs, uma gigantesca tenda era armada no pico de um cume, guardas de Ebon e de Black Citadel dividiam as patrulhas em volta da região.

  • Você parece preocupado Rytlock, tente relaxar um pouco. Valkirie falou olhando para ele, o charr tinha o pêlo marrom com uma crina avermelhada na cabeça, dois pares de chifres voltados para trás e os olhos azuis de felino o deixavam o que Valkirie gostava de pensar “irresistível”.

  • Isto é algo que você nunca verá Rytlock fazer senhorita. Tanto eu quanto Oroko já sugerimos a ele até yoga.

Rytlock e valkirie se viraram para olhar quem havia falado com eles. Era um rapaz com óculos e barba, vestindo um sobretudo escuro, ele sorria para os dois, um sorriso amigável e jovial. Valkirie nunca havia visto este humano antes, mas Rytlock pareceu irritado com sua presença.

  • Yoga. Sabe é um alongamento que os zephyrites inventaram. O rapaz explicou.

  • Quem é você? Perguntou a charr albina se colocando na defensiva.

  • Aloim!

Foi Rytlock quem falou com a mandíbula rígida, a mão sobre o cabo da espada apertou com mais força e o clima pareceu ficar tenso.

  • Oi Ryt. Quem é sua amiga, seu malandrinho? É sua namorada, seu grande garanhão. Aloim falou baixando os óculos e pescando para o charr.

  • Valkirie é uma centurião de Black Citadel! E o que você quer aqui e onde está aquela… Rytlock falou olhando para os lados como se procurasse por alguém.

  • Cuidado com o linguajar. Aloim o advertiu.

Valkirie pareceu decepcionada com as palavras de Rytlock, ela encarou o humano, ele não parecia nada de mais para ela. Mas algo a incomodava, seu instinto apitava um alarme silencioso informando que um predador estava diante dela.

  • O que você quer aqui? Rytlock perguntou irritado.

  • Preciso de motivos para visitar velhos amigos.

  • Não somos amigos, apenas improváveis aliados. Nem você ou sua esposa.

  • Oroko vai ficar magoada, ela o considera muito. Aloim falou fazendo beicinho.

  • Não me importo com isso. Rytlock rebateu.

  • Bem, ela pediu para avisar que ainda vai deixar esta espada com você por mais algum tempo, que ela ainda não é digna dela.

  • Se ela quer a espada vai ter que me vencer em combate. Rytlock falou serrando os olhos.

  • Enfim, não foi por isso que vim aqui. Aloim deu com os ombros.

  • Veio pra quê então?

  • Mandar um recado para vocês, a serpente será morta em prevê. Mas espere por problemas aqui mesmo assim. Oroko não conseguiu prever o que vai acontecer após isso.

  • Então a bruxa não conseguiu ver o futuro desta vez? Provocou Rytlock.

A expressão de brincalhão de Aloim desapareceu do rosto, um lampejo de raiva surgiu em seus olhos fazendo o instinto dos dois charr pressentirem perigo. Aloim avançou rápido, muito rápido, num piscar de olhos de Valkirie o humano já estava em pé em frente à Rytlock, o charr ameaçou sacar a espada, mas Aloim cobriu a pata de Rytlock com a própria mão impedindo-o de puxá-la. Os olhos de Aloim eram uma explosão de veias avermelhadas encarando o charr.

  • Fale dela assim novamente Rytlock que irei esquecer meus votos de não agressão a seres vivos.

A face do rapaz parecia agora de uma besta, uma revoada de pássaros voou assustada e coiotes uivaram ao longe.

  • Acho que tenho medo de você criatura?

Valkirie registrou a palavra criatura em sua cabeça. Rytlock quando irritado poderia chamar alguém de humano, mas se referir ao rapaz como criatura era estranho, ou seja, Aloim não era humano.

  • Não… não tem, e isso algum dia vai te matar Rytlock, essa ausência de medo.

Valkirie deu um passo para frente com a intenção de enfrentar Aloim, mas Rytlock a deteve erguendo a outra mão. Aloim soltou a mão de Rytlock, o rosto do rapaz mudou novamente para um sorriso.

  • Ela te ama Rytlock, se fosse você não a deixava escapar. É difícil encontrar pessoas que nos amam como somos e nada é mais importante do que amar alguém.

Aloim os cumprimentou se virando e indo embora, em suas costas havia uma mochila grande com a parte de cima aberta, dentro dela tinha o que parecia ser um ovo gigante de moa.

Ritlock observava Aloim se afastar e as palavras dele ressoando em sua cabeça.

“- Oroko pediu para avisar que deixará a espada Sohothin com você mais um tempo, porque ainda não é digna.”

Quarto de Mirian

  • Então ela fingia ser um garoto? A voz da mãe era alegre apesar de estar fraco, o que deixou Antony feliz.

Antony estava sentado na beirada da cama da mãe contando as novidades para ela.

  • Sim, a pestinha me fez acreditar que era um rapaz, na verdade ela enganou todos nós.

  • Mas pelo que você me contou ela realmente acreditava ser um garoto. A mãe falou em apoio.

  • Acho difícil de acreditar mãe, por que os pais de Isaty fariam isso com ela?

O rosto da mãe mudou como se decidisse contar algo ruim.

  • Meu filho, você me contou que o pai de Isaty era capitão dos separatistas quando vivo.

  • Sim. Ele confirmou intrigado com o rumo da conversa.

  • Então foi por isso. Ela falou pensativa.

  • Não entendo mãe.

  • Porque os pais de Isaty sabiam o que aconteceria com ela ao atingir 13 anos. Antony tem algo que você precisa saber sobre Sebastian e os Solar Cran, algo que ainda não foi dito a você.

  • Do que se trata? A expressão de Antony mudou, ficando tenso.

  • Sebastian instituiu há muito tempo que todas as mulheres pertencentes a família eram propriedade dos oficiais separatistas, eles poderiam ter qualquer uma delas contando que as garotas atingissem 13 anos, a lei era válida para todos os separatistas e famílias deles.

  • Isso não faz sentindo, se meu pai fizesse isso os membros dos separatistas iriam relutar de entregar suas filhas e esposas, caso Sebastian não fizesse o mesmo, dessa maneira ele nunca teria a lealdade completa de todos.

  • Meu filho… ele foi o primeira a obedecer a lei que criou.

Antony se levantou dando dois passos para trás, o rosto uma expressão de puro horror.

  • NÃO! Está dizendo que você foi?

  • Sim meu filho, todos sempre disseram que eu era a mais bela das mulheres, cobiçada por dezenas de homens, mas Sebastian tomou providencias antes para não correr o risco de eu gerar um bastardo na família, após seu nascimento ele garantiu que eu nunca mais pudesse ter outro filho.

  • EU VOU MATÁ-LO! Antony gritou socando a parede, um filete de sangue escorreu. Antony nunca havia sentindo tanto ódio pelo pai.

  • Se vai fazer isso precisa estar com a cabeça fria, não aja por impulso meu filho. Você herdou dele as qualidades e defeitos, mas não é como ele. Não seja.

  • Espere um pouco… a sua doença…

  • Sim, eu a contrai desta maneira, um dos oficiais me contaminou.

Antony se aproximou novamente da cama e beijou a testa da mãe e chorou.

  • Eu tenho de ir, tenho muita coisa para fazer, devo me ausentar por 2 ou 3 dias, mas volto pra vê-la assim que puder.

  • Pode ir meu filho. Você sabe que tenho muito orgulho de você.

Antony saiu do quarto fechando a porta, completamente abalado com o que ouviu, assim que fez isso uma sombra oculta no fundo da sala foi até Mirian.

  • Você fez bem querida.

  • Meu garotinho. Espero que esteja fazendo a coisa certa. Mirian falou triste.

A sombra caminhou na direção da cama parando ao lado de Mirian, uma mão masculina tocou gentilmente a cabeça dela alisando seus cabelos loiros desbotados.

  • Eu me lembro de você quando jovem, sinto tanto sua falta.

  • Você me prometeu, disse que faria a dor parar, me permitiria descansar se fizesse meu filho matar Sebastian.

  • Irei cumprir com nosso acordo, mas antes devo contar algo para você. Assim poderá partir em paz.

  • O que você está dizendo? O que eu não sei?

  • Foi há 17 anos atrás, você tinha acabado de dar a luz, e como foi estabelecido na barganha você perderia suas lembranças.

  • Perdi minhas lembranças? Que lembranças?

  • Você ia morrer. Você e nosso filho. Eu entrei em desespero e orei pedindo ajuda a qualquer um. Então fui atendido, mas a um preço. “ELE” me prometeu que salvaria a vida dos dois, mas eu perderia tudo e ainda deveria fazer um favor para ele quando fosse pedido.

  • Eu não entendo?

  • Você não é esposa de Sebastian, era minha esposa. Sebastian era um companheiro de guilda, nossa líder era Zanza Holyavenger, aquele maldito sempre demonstrou interesse em você, flertava quando achava que não estava vendo, Zanza me dizia que Sebastian era um galanteador inveterado, nada que devesse me preocupar, somente eu via o que ele era, cruel, não ligava para ninguém, só ligava para o que ele achava que devia ser dele.

  • Eu… eu não entendo, nunca fui casada com você.

  • Foi. Abri mão de você para poder salvar sua vida e de nosso filho, e depois aquele que os salvou me exigiu que você fosse entregue a Sebastian, você iria virar a esposa dele para criar o filho dele.

  • Espere, esta dizendo que Antony não é meu filho? A expressão de horror dela era terrível.

  • Sim.

  • Quem é a mãe de Antony? E quem é meu filho.

A sombra se aproximou mais da cama, a boca dele perto da orelha dela onde sussurrou para ela. Mirian ia gritar horrorizada, mas uma mão tampou sua boca e nariz, ela tentava respirar mais não conseguia, se debateu até finalmente ficar imóvel.

  • Descanse querida, cuidarei de tudo.

Axel William kallamar se ergueu contemplando Mirian, as duas mãos dela tampavam a boca e nariz como se ela tivesse sufocado sozinha. Um lampejo de luz dourada envolveu Axel e ele desapareceu.

Os três dias passaram rápido como o vento, dezenas de folhetos anunciando a festa promovida pela família Solar Cran foram espalhados por toda Ebonhawke, muitos cidadãos se espantaram com o convite aberto a raça charr dizendo ser um passo para a união e paz entre as raças, os separatistas ficaram confusos não entendendo o porquê desta atitude do filho de Sebastian.

Antony fez um discurso para eles na base dos separatistas, nele dizia que a festa era uma armação para descobrir os que eram a favor da paz, depois tais pessoas seriam os alvos dos separatistas, ele ainda disse para que funcionasse o plano nenhum integrante que não fosse Yerko e Isaty deviam estar na festa, afinal os dois eram capitães separatistas.

Isaty olhou surpreso, Antony acabava de promovê-lo a capitão, dessa maneira ele teria liberdade de agir sem interferências, podia até libertar Tybalt.

Dia da festa

Antony se vestia para a festa em seu quarto enquanto assoviava uma melodia fazendo o laço da gravata, Antony tentava não pensar nas palavras da mãe até encontrar seu pai, como ela mesma havia dito ao filho, tudo seria feito de forma calma e calculada. Ele estava diante do espelho usava o smoking preto com a camisa branca muito elegante.

Um brilho arroxeado surgiu no espelho, mãos feitas de vidro parecidas com mosaicos montados agarraram seus braços, a surpresa inicial foi rapidamente superada, Antony chutou o espelho despedaçando-o, as mãos de vidro desapareceram o libertando, ele olhou em volta tentando descobrir quem era seu agressor quando um círculo luminoso apareceu no chão do quarto.

Duas pessoas se materializaram no portal, um homem e uma mulher. O homem trajando uma batina de padre saltou sobre Antony tentando imobilizá-lo, ele se esquivou acertando um soco no rosto do padre que foi ao chão, a mulher de cabelos pretos preso a um coque empunhando um cetro usando vestes brancas com detalhes vermelhos gesticulou com as mãos e Antony sentiu o corpo travar ao aparecer um círculo mágico na forma de um relógio aos seus pés.

O padre se levantou o segurando por trás, as mãos seguraram o queixo e cabeça de Antony forçando-o a abrir a boca, a mulher caminhou até ele calmamente retirando algo de uma sacola, uma pedra vermelha brilhou nas mãos dela.

  • DIGA AAH! O padre falou para Antony.

Xera colocou a pedra na boca dele e o fez engolir.

Antony caiu no chão parecendo engasgar, ele levou o dedo a boca tentando vomitar, em seguida ele começou a socar o estômago tentando em vão regurgitá-la.

  • Não adianta a bloodstone já está agindo em você, não pode mais lutar contra os efeitos dela. Xera falou para Antony.

As veias de Antony ficaram roxas permitindo que fossem visíveis perfeitamente, ele ergueu a cabeça e um brilho vermelho surgiu em seus olhos.

  • Perfeito. Você agora nos pertence Antony Solar Cran, pertence a White Manthe.

  • O que vocês querem comigo?

  • Queremos que você mate seu pai. O padre falou sorrindo, a ordem era mandar o filho adotivo Judas matar Sebastian, mas não seria divertido, melhor seria o filho verdadeiro.

Antony começou a rir a risada aumentando até virar uma gargalhada insana.

  • Acho que a bloodstone o deixou louco de vez. O padre falou olhando para Xera.

  • Vocês tiveram todo esse trabalho para me mandar matar meu pai? Que piada.

  • Qual é a graça? Xera perguntou a ele irritada.

  • Porque gênios, eu já ia matá-lo sem vocês terem todo esse trabalho.

  • Você ta de sacanagem. O padre falou sentando na cama.

Casa de Oroko

Muito bem garotas, vamos repassar as medidas de segurança, não quero nenhuma de vocês brincando de Cinderela. Disse Oroko usando um lindo vestido azul claro com asinhas de fada nas costas, na cabeça uma tiara de cristal.

  • De quem? Pelucita indagou não reconhecendo o nome. A charr usava um vestido cinza escuro com detalhes dourados na forma de borboletas, um arco com flores finalizava o modelo.

  • Não importa. Oroko falou checando as horas no relógio da parede.

  • Estou atrasado? Aloim disse saindo do quarto, ele usava um terno caqui listrado extravagante, a calça era preta de boca de cino, a gravata era verde berrante, a cartola na cabeça parecia ter sido costura em couro, um grande relógio de bolso estava na mãos dele, os óculos eram de um relojoeiro com várias lentes sobrepostas usadas para trabalhos delicados, a barba estava acertada e pintada de roxo.

  • Pelos sete ventos, você parece um chapeleiro louco. Oroko falou apoiando as mãos no rosto.

  • Não era uma festa a fantasia? Ele disse confuso.

  • Baile de mascaras, são coisas diferentes. Corrigiu Deia, ela usava um vestido longo creme, os cabelos soltos realçava seus olhos, uma presilha de flor decorava o cabelo.

  • Devo me trocar? Aloim perguntou.

  • Negativo você vai assim mesmo senão vamos nos atrasar. A esposa falou.

  • Vamos caminhar até a mansão? Celes perguntou, ela não ligava em andar, mas todas usavam salto alto, seria uma caminhada penosa.

Ela usava um belo vestido rosa, o cabelo havia sido preso em um coque onde uma tiara dourada com estrelas e luas se destacavam.

  • Oroko, a grande general menina conhecida também como a lendária guerreira marreta jamais irá chegar a uma festa a pé. Oroko falou decidida.

  • Então como iremos? Luuh indagou, a menina usava um vestido branco com renda que destacava a pele caramelada, parecia uma boneca de porcelana de tão bela.

  • Apenas observe e aprenda princesa. Oroko falou para ela.

  • Odeio ser chamada de princesa e odeio ainda mais vestidos. Luuh falou segurando nas laterais da roupa.

Pelucita riu e disse.

  • Concordo com você pequenina.

  • Mas você está tão linda! Aloim falou ficando de joelhos para melhor admirá-la trocando as lentes do óculos.

  • Não esqueça que estou armada. Luuh o ameaçou.

  • Querida, nossa menina me ameaçou. Aloim falou choroso para esposa.

  • Não sou a menina de vocês!

  • Vamos sair, sei que é chique se atrasar a eventos, mas quero ver quem virá. Oroko falou saindo da casa.

Todos saíram atrás dela, ficando parados do lado de fora casa, a rua estranhamente deserta.

  • E agora? Pelucita perguntou.

  • Observe. Oroko falou estalando os dedos.

Um som parecido com peças de madeira sendo jogadas no chão ecoou de dentro da casa, as taboas das paredes pareceram e dobrar uma por cima da outra, cada vez mais rápido fazendo a casa encolher, a estrutura foi mudando de forma até ficar parecida com uma carruagem sem cavalos deixando um vão vazia entre os dois armazéns de pedra.

  • Isso foi incrível e assustador ao mesmo tempo. Déia falou de olhos arregalados.

  • A pergunta é quem vai puxar a carruagem? Luuh disse.

  • Quem falou que precisa de algo para puxá-la.

  • Todos a bordo! Aloim falou sentando no lugar do cocheiro, várias alavancas estavam onde seriam as rédeas.

  • Está dizendo que isso anda sozinho? Luuh perguntou.

  • Não pequenina.

  • Então?

  • Anda pelo poder do amor. Há, há, há.

  • Porque perguntei.

Quarto de Isaty

Era a quinta vez que Isaty tentava dar o laço na gravata no pescoço olhando pelo espelho, para ele isso era a tarefa mais difícil que já tinha tido, o smoking preto deixava os cabelos ruivos de Isaty ainda mais avermelhados.

Ouve uma batida na porta e Antony a abriu entrando logo em seguida, Isaty pretendia reclamar dele por não esperar o aviso de entrar, mas ao ver a expressão dele, Isaty mudou de idéia, parecia haver algo de errado com ele, Antony já estava trajado com seu smoking, estava bonito como sempre, os ombros largos pareciam apertados na roupa, a gravata perfeitamente laçada, mas o rosto de Antony suava, ele parecia sentir dor, uma das mãos segurava o estomago, ao entrar cambaleou e Isaty o amparou abraçando-o.

  • O que houve Antony? Isaty perguntou preocupada, a colônia invadindo as narinas de isaty, um perfume doce e agradável.

  • Não me sinto bem, mas é só um mal estar, já vai passar, não precisa se preocupar.

  • Como não vou me preocupar? Você parecia a ponto de desmaiar!

As mãos de Antony foram para os ombros de Isaty, elas tremiam, depois seguiram em direção a gola da camisa e os botões.

  • O que está fazendo? Isaty disse de olhos arregalados.

  • Vou arrumar sua gravata, parece que você não sabe fazer isso.

  • Ah. Isaty suspirou aliviado, mas com uma pontada de decepção também.

  • Eu adoraria ver você de vestido. Antony disse sem olhar nos olhos de Isaty.

  • Pare de falar essas coisas, já te pedi.

  • Mas é a verdade. Antony continuou dizendo enquanto fazia o nó da gravata.

  • Antony você andou bebendo? Embora não esteja cheirando a bebida, você não esta agindo normalmente.

  • Não bebi nem uma gota de álcool. Estou lúcido e coerente com meus pensamentos.

  • Porque está dizendo isso?

  • Porque quero você Isaty, nunca quis ninguém dessa maneira. Eu te amo! Nunca imaginei que amaria na vida, mas eu te amo!

  • não diga isso! Isaty falou assustado querendo se afastar, mas as mãos fortes de Antony não permitiram.

  • Isaty imagine meu tormento ao achar que você era um rapaz, eu acreditei que estava me interessando por um homem.

A expressão de dor em Antony pareceu aumentar.

  • Antony você sabe que amo Deia.

  • Sei… mas você não pode escolher ela sem antes comparar.

  • Comparar? Isaty disse não entendendo.

Então Antony puxou Isaty, os lábios se tocando, um beijo desesperado e intenso que começou sendo evitado por Isaty e por fim aceito. Neste momento não havia mais festa, guerra, amigos, inimigos, pais, mães, ninguém, apenas o desejo dos dois no quarto.

  • CHEGA! Isaty gritou empurrando Antony para longe e arfando.

  • Isaty… me desculpe.

  • FORA! Isaty gritou.

  • Isaty… Antony tentou conversar com ele, fazê-lo entender o que sentia.

  • FORA ANTONY! Isaty gritou novamente com o rosto vermelho.

Antony saiu do quarto fechando a porta atrás dele, as mãos foram para o rosto enquanto lagrimas desciam, ele levantou a cabeça, os olhos se transformando em uma expressão dura irradiando um brilho avermelhado que saltava dos olhos, o brilho da bloodstone em seu corpo.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Capitulo 34-Quem Ama, Mata! Primeiro ATO *Então agora jurei enterrar Todo este cadáver de ódio Tão livre e limpo me sinto Com a perda daquele peso morto, Que temo acabar ficando louco Fantasticamente alegre e tonto; Mas seu pai chega como um mal Sobre minha nova esperança, no salão esta noite E temo cair novamente nesta escuridão .

  • Alfred, lord Tennyson “Maud” adaptação livre*

Enquanto a carruagem passava pelas ruas de Ebonhawke, Deia ergueu a mão e abriu uma das cortinas de veludo da janela, já era noite e uma brisa agradável penetrou dentro da carruagem, no primeiro acento Luuh, Pelucita e Celes se espremiam enquanto no acento da frente Oroko e Deia tinham maior conforto no banco macio.

  • Acho que nunca me imaginei indo para um baile. Deia falou olhando pela janela sentindo a brisa fresca no rosto balançar os cabelos castanhos, os pensamentos dela iam para Isaty, pensando o que seria dos dois após esta noite.
  • Aproveitem a festa, nunca se sabe quando poderemos ir a outra novamente. Oroko falou a elas sentada majestosamente no acento como uma rainha, vestida como estava parecia uma fada. Luuh aproximou o rosto na direção de Oroko, por causa da estatura baixa das duas ambas ficavam quase na mesma linha dos olhos quando sentadas frente a frente.
  • Você confia neste tal de Antony? Luuh perguntou alisando inconscientemente o vestido branco, embora ela tenha dito que não gostava de vestidos tinha de admitir que ficado linda nela, a cor branca do vestido em contraste com a pele caramelada realçava os traços da região de Elona.
  • Eu não confio! Deia falou imediatamente encarando Oroko.
  • Confiança é algo que se adquire com o tempo. Oroko explicou brincando com a franja do cabelo loiro que cobria o olho cego, Deia imaginou que isso era um habito que Oroko tinha quando preocupada.
  • Então? Luuh insistiu.
  • Eu ainda estou traçando o perfil dele, Antony é uma pessoa curiosa, pelo meio em que foi criado e os exemplos que teve da família era para ele ser alguém desprezível e cruel.
  • Igual ao pai. Deia afirmou.
  • Precisamente, a impressão que me passa é que ele tem uma ancora que o mantém protegido.
  • Ancora? Luuh perguntou um pouco confusa com o termo.
  • É uma figura de linguagem minha pequena dama. Aloim gritou do lado de fora da carruagem onde a guiava.
  • Eu sei o que é figura de linguagem. Luuh disse irritada cruzando os braços em protesto, Oroko sorriu para ela, Luuh parecia uma criança normal quando Aloim a provocava, apenas uma menina pequena desejando atenção e carinho. A cabeça de Aloim surgiu pela janela de cabeça para baixo, magicamente a cartola e os óculos não caiam de sua cabeça, a barba pintada de roxo o deixava com uma aparência engraçada, ele olhou para Luuh e disse.
  • Ela é tão fofa zangada.
  • Senhor Aloim quem esta guiando a carruagem? Celes gritou espantada ao vê-lo cobrindo a boca com as mãos.
  • Estou guiando com meus pés. Há, Há, Há!
  • Volte já para a direção! Oroko gritou com ele.
  • Sim minha general. Ele respondeu batendo continência e sumindo da janela.
  • Seu marido é maluco! Pelucita falou, os pêlos brancos dela tinham sido escovados, parecendo seda.
  • Por isso eu o amo. Oroko falou sorrindo tentando decidir quem cuidava de quem. Desde que ela havia conhecido Aloim, ele dizia que Oroko o tinha libertado da solidão, o salvado da desesperança e trazido ele de volta para a luz, mas ela se sentia igual, Aloim nunca a abandonou nem nenhum momento, nunca a julgou, nunca a deixou sozinha, mesmo quando o Mal se fechou em volta dela.
  • Voltando para o assunto de antes, quem seria essa ancora de Antony? Deia indagou fazendo Oroko voltar de suas lembranças.
  • Alguém especial para ele, enquanto Antony se manter firme acreditando nesta pessoa, ele não cairá na escuridão.
  • Você fala bonito. Disse Celes sorrindo.
  • Obrigada. Oroko agradeceu.

Mansão Solar Cran

Os passos de Antony estavam irregulares, ele seguia pelo corredor se apoiando com uma das mãos na parede, um zunido agudo parecia explodir em sua cabeça e a voz de Isaty o mandando sair do quarto repetindo a palavra FORA ecoava em seus ouvidos. Antony apanhou um vaso de flores em uma mesa e despejou o conteúdo na cabeça molhando o smoking e derrubando as flores no chão, a água fria aliviou momentaneamente as vozes, ele respirou fundo olhando uma moldura de um quadro na parede, a moldura era de prata e o rosto de Antony se refletia nele, estava com olheiras profundas e um leve brilho avermelhado emanava de seus olhos, Antony os fechou esfregando as mãos ferozmente neles tentando focar seus pensamentos a ponto de ferir a própria pele do rosto, ele repetindo em ordem seus objetivos.

  • O baile, os convidados, meu pai, minha mãe… Isaty… Antony abriu os olhos e o brilho avermelhado desapareceu exibindo os olhos verdes da família.
  • Eu vou ficar bem, sou um Solar Cran. Antony disse a si encarando seu reflexo.
  • Você é meu! O reflexo lhe respondeu rindo, Antony se afastou assustado derrubando o vaso no chão que se despedaçou.
  • Eu estou ficando louco. Ele chegou a conclusão tremulo.

Quarto de Yerko

A batida desesperada na porta fez Yerko correr para atendê-la, ao abri-la viu Isaty parado com os olhos inchados de chorar o encarando, os cabelos ruivos pareciam ainda mais vermelhos, um silêncio constrangedor tomou conta do lugar.

  • O que foi? Por fim Yerko perguntou a Isaty quebrando o silêncio.
  • Preciso lhe perguntar uma coisa Yerko, talvez duas, não tenho certeza. Isaty falou sem graça olhando para o chão, embora os dois estivessem usando o smoking o de Isaty estava amarrotado e com a gravata laçada ela metade.
  • Fale. Yerko disse a ele.
  • Eu posso entrar antes? Isaty pediu suplicante. Yerko suspirou saiu da frente da porta dando passagem a Isaty que entrou caminhando até uma cadeira se sentando e encarando o chão enquanto batucava os dedos na perna.
  • Pronto, me diga o que ouve. Yerko falou cruzando os braços.
  • Seu quarto é maior do que o meu e de Antony? Isaty perguntou olhando ao redor medindo as paredes mentalmente.
  • Você veio aqui para me perguntar isso? Disse Yerko irritado.
  • Não! Não… é que…
  • Então fala logo, o baile estúpido de Antony já vai começar.
  • É… bem… é sobre isso também, acho que não vou.
  • Por quê? Yerko indagou surpreso.
  • ANTONY ME BEIJOU! Isaty gritou sem pensar, depois levou às mãos a boca não acreditando que teve coragem de contar a alguém. Yerko ficou um tempo calado sem reação com os olhos arregalados encarando Isaty, tudo o que ele mais queria agora era estar o mais longe possível dali.
  • Porque está me contando uma coisa dessas? Gritou Yerko nervoso.
  • Pensei que você podia me aconselhar.
  • Isso não está acontecendo, eu notei que vocês dois estavam estranhos, mas não quero saber de suas preferências. Yerko falou andando de um lado para o outro do quarto.
  • Acho que magoei Antony. Isaty continuou a falar.
  • Eu não estou ouvindo, não me interessa! Lá, lá, lá! Yerko falou tampando os ouvidos com as mãos.
  • PROFEUS EU SOU UMA GAROTA! Isaty gritou por fim. Yerko destampou os ouvidos olhando para Isaty e disse.
  • Você ta de sacanagem comigo.

Corredor

O corpo de Antony tombou dentro do quarto mal iluminado da mãe, usando de toda sua força ele se ergueu do chão penosamente, Antony olhou para a cama dela, Mirian estava imóvel, parecia dormir de forma serena e silenciosa. Antony tinha a intenção de falar com ela o que acontecera, mas desistiu da idéia, já estava na hora do baile começar e preocupar sua mãe com mais este problema seria demais para a saúde dela. Antony se virou para sair do quarto fechando a porta atrás de si sem ter coragem de se aproximar da mãe, se a acordasse agora ela veria seu estado lamentável, falaria com ela no dia seguinte, sua mãe saberia aconselhá-lo.

Quarto de Yerko

  • E essa é a história. Isaty falou ainda sentado na cadeira de madeira em frente a Yerko.
  • Eu não acredito numa palavra do que você disse.
  • Estou falando a verdade! Isaty afirmou levantando a cabeça para encará-lo.
  • Se é uma garota prove! Yerko exigiu de braços cruzados. Isaty se levantou nervoso, segurou a camisa do smoking e abriu os botões exibindo uma faixa que envolvia o tronco, desfez o laço e mostrou os seios a Yerko, em seguida os tampou novamente envergonhada.
  • Diga algo. Isaty falou cobrindo o tronco com os braços como se isso fizesse Yerko esquecer o que vira.
  • Você tem belos seios. Ele respondeu encabulado.
  • Não isso! O que eu faço?
  • Não tenho a mínima idéia. Yerko falou sinceramente se sentando na cama de frente a Isaty.
  • Eu amo Deia, mas não quero magoar Antony.
  • Fique com os dois. Sugeriu Yerko.
  • Como?
  • Conhecendo Antony ele vai adorar participar a três.
  • Não vou fazer isso. Isaty falou envergonhado.
  • Isaty se você está incomodado pelo beijo isso significa que você sentiu algo por ele.
  • Antony é meu amigo.
  • Eu vi como vocês se olham, e não é apenas amizade, é da mesma maneira que eu e Celes nos olhamos e agora isso faz sentido para mim.
  • Eu não posso amá-lo.
  • Isso já é com você Isaty. Vamos para o baile, depois de um ou dois drinques você vai se sentir melhor.
  • Desculpe. Isaty falou a ele.
  • Pelo que? Yerko lhe perguntou.
  • Por vir aqui e despejar isso tudo em você, eu não tinha ninguém a quem desabafar.
  • Tudo bem.
  • E desculpe, eu achava você uma pessoa horrível.
  • Acho que sempre fui uma pessoa horrível, mas quero mudar, por Celes. Yerko sorriu. Um sorriso surgiu no rosto de Isaty.
  • O que? Yerko perguntou encarando Isaty, de agora em diante seria mais difícil falar com ele ou ela.
  • Nada. Como você sempre esta de mau humor nunca vi você sorrir.
  • É… não sou muito de sorrir.
  • Pois devia, Celes ai gostar, até porque você tem um sorriso bonito. Isaty falou. Antony se afastou da porta do quarto de Yerko, ele tinha vindo até aqui para irem juntos para a festa, quando ouviu a voz de Isaty dentro do quarto ficou ouvindo colado a porta. Então Isaty achava Yerko bonito, então esse era o motivo de Isaty não querer nada com ele.

Em frente a Mansão Solar Cran

  • Chegamos. Aloim anunciou saltando da carruagem e abrindo a porta para as garotas, ele se curvou oferecendo a mão para ajudá-las a descer o degrau. Eles estavam diante de uma grande mansão de tijolos vermelhos de dois andares com uma entrada de pilares cinza, murros de pedra rodeavam toda a residência, ela era cercada por um estupendo jardim, em ambos os lados estavam dispostos mesas e cadeiras com toalhas brancas e flores, vários convidados já circulavam no jardim, garçons serviam bebidas e canapés, em duas mesas do fundo um grupo de charrs conversava animadamente comendo pernis assados, as roupas era iguais a togas com o símbolo de Black Citadel.
  • Tenho de admitir que Antony sabe viver bem. Oroko falou sorrindo.
  • E agora? Deia a perguntou.
  • Tentem se divertir, assim que acharmos a trio magnífico a festa começa.
  • Trio magnífico? Deia falou rindo.
  • Antony, Isaty e Yerko. Demora demais nomeá-los. Oroko falou parecendo examinar cada canto do local.
  • E quanto a Tybalt? Luuh perguntou olhando Oroko.
  • Tenho certeza que Isaty sabe chegar até ele. Perguntaremos assim que o virmos.
  • Certo. Luuh assentiu. O grupo seguiu pelo jardim bem cuidado e decorado para a festa passando pelas mesas distribuídas ao longo do caminho, mascaras de carnaval eram dadas aos convidados que se divertiam ao colocá-las no rosto, garçons serviam os convidados sentados nas mesas e conversavam animadamente. Ao chegarem as portas abertas da mansão foram recebidos por um mordomo que franziu o olhar ao ver a charr Pelucita junto ao grupo.
  • Boa noite senhoritas e senhor. Acredito que a charr prefira ficar do lado de fora, afinal o grande salão é reservado para a valsa. O mordomo falou olhando para Pelucita de maneira estranha. Pelucita mostrou as presas, irritada, o corpo ficou rígido de nervoso e os pêlos se arrepiaram, ela conhecia bem esse olhar, um olhar de nojo que os humanos gostavam de dar para os charrs.
  • De maneira alguma, a primeira dança será com a dama charr. Aloim falou segurando no braço de Pelucita e a conduziu para dentro do salão. O mordomo ficou imóvel, estarrecido, como se Aloim tivesse dito algo absurdo, como correr pelado pelo salão de festas ou beber a água da privada.
  • Avise Antony que seus convidados de honra chegaram. Oroko pediu estalando os dedos na frente do rosto do mordomo que piscou os olhos parecendo sair do espanto.
  • Sim senhorita. Ele falou lançando um último olhar de reprovação a Pelucita. Celes olhou triste e Luuh tocou seu braço e falou baixo para ela.
  • Quer que eu acerte um chute no rosto desse mordomo idiota?
  • Céus! Não precisa. Celes respondeu horrorizada.
  • Se mudar de idéia só falar comigo. Luuh respondeu dando de ombros Dentro da mansão estava relativamente cheio, pessoas bebendo champanhe e conversando animadamente, um conjunto tocava uma melodia animada.
  • Onde estão os rapazes? Indagou Oroko.
  • Talvez se arrumando ainda. Sugeriu Celes.
  • Ah! Depois nós mulheres que demoramos nos vestir.
  • Eu ouvi isso! Exclamou Aloim no meio do salão, ele conduzia Pelucita magistralmente pela pista, várias pessoas se viraram para ver ele e a charr dançando, alguns com a mesma expressão de desdém e nojo, outros com um olhar de divertimento e até simpatia.
  • Não precisa se forçar a fazer isso. Pelucita rosnou tentando não pisar no pé de Aloim.
  • Quem está me forçando a dançar? Aloim falou sorrindo, num giro de braço ele puxou a charr de volta para ele.
  • Vai-me dizer que gosta de dançar com alguém como eu?
  • Como você? Não entendi o que quis dizer. Aloim falou sinceramente.
  • Sou uma charr, para vocês humanos não passamos de animais selvagens e perigosos, capazes de matar a qualquer instante. Pelucita falou mostrando toda a raiva que tinha dentro dela. Aloim olhou Pelucita nos olhos lhe lançando outro daqueles sorrisos sinceros e contagiantes.
  • Sei exatamente como é isso, por este motivo não me incomodo. Ele falou a charr. Pelucita se espantou com as palavras, ia perguntar o que ele queria dizer com isso quando Aloim repulsou a cabeça no peito dela e disse com um sorriso matreiro.
  • E você é tão quentinha, parece que estou abraçando um ursinho de pelúcia.
  • ME SOLTA SEU HUMANO TARADO!
  • Tá, ta, chega de brincadeira Aloim. Oroko mandou.
  • Sim querida. Falou Aloim, mas antes ele pegou a mão de Pelucita e deu um beijo.
  • Foi uma dança adorável senhorita. Celes e Deia riram, embora Pelucita parecesse nervosa era obvio que estava se divertindo e até mesmo um pouco encabulada com Aloim. Neste momento de descontração Yerko e Isaty entraram no salão vindo de um corredor, ambos estavam de smoking elegantemente vestidos, Deia literalmente se jogou nos braços de Isaty, os olhos castanhos mostravam preocupação.
  • Tudo bem? Ela perguntou a Isaty que balançou a cabeça afirmativamente. Yerko olhou para os dois e sorriu, depois voltou seus olhos para Celes e perguntou.
  • Eu não recebo uma recepção igual? Celes ficou com rosto vermelho e Pelucita o olhou irritada.
  • Se você quiser, eu o abraço. Aloim falou abrindo os braços o convidando.
  • Não é necessário. Yerko falou fechando a cara. Luuh avançou na direção de Isaty que ainda abraçava Deia, a menina segurou a manga do smoking chamando a atenção e Isaty.
  • Ei você. Luuh falou.
  • Oi. Quem é você? Isaty perguntou sorrindo para a menina que usava um vestido branco.
  • Esta é Luuh, acho que vocês dois tem um amigo em comum. Oroko falou para Isaty.
  • Amigo? Antony? Arriscou Isaty depois de alguns segundos pensando.
  • NÃO! Tybalt! Ela falou energeticamente.
  • Pelos cães de Balthazar! Você é Luisa!?? Isaty falou surpreso se abaixando para ficar na altura de Luuh.
  • Sou. Sabe onde está Tybalt? Luuh falou baixo para que outros convidados não escutassem a conversa.
  • Pelos seis Deuses. Sei sim, pretendia tentar soltá-lo hoje durante o baile, só estava esperando o momento certo.
  • Não! Eu que irei libertá-lo. Diga-me onde o mantém preso e como chegar lá.
  • Você é só uma criança, deixa que eu faça isso. Isaty falou sorrindo.
  • Ele não devia ter dito isso… Aloim falou colocando uma das mãos no rosto e se preparando para o que ia acontecer. Luuh levou a mão habilmente para baixo do vestido e sacou uma adaga escondida entre as coxas que parou a centímetros da garganta de Isaty, Deia deu um pulo de susto ao ver.
  • Não sou criança. Luuh falou friamente para Isaty com um olhar assassino. O grupo fez um paredão em volta de Luuh para impedir que os convidados a vissem com a adaga.
  • Ca… ca… calma mocinha. Entendo… whispers, correto? Isaty falou gaguejando.
  • Sim. Luuh confirmou ainda com o olhar frio.
  • Tybalt me falou de vocês, espiões e assassinos.
  • Correto novamente. Yerko arregalou os olhos encarando a pequena menina de pele cor de caramelo, uma whispers, os maiores assassinos de Tyria, ele nunca pensou que conheceria um e ainda por cima sendo uma menina de não mais de 11 anos.
  • Certo, vou te contar como chegar lá, mas não devia ir sozinha. Isaty aconselhou.
  • Eu vou sozinha, vocês só me atrapalhariam.
  • Obrigado pela confiança menina. Yerko falou não entendendo porque havia dito isso, ele sequer sabia quem era Tybalt.
  • Luuh está certa. Ela tem de ir sozinha, qualquer outro que a acompanhasse chamaria atenção, os whispers sabem se locomover sem serem vistos, mesmo em um ambiente cheio. Oroko falou ao grupo.
  • Tudo bem. Siga por aquele corredor, segunda porta a direita, é uma sala de troféus, puxe o chifre esquerdo da cabeça empalhada de dolyak, uma passagem secreta vai se abrir até o acampamento separatista. Eu acredito que deve ter apenas um vigia próximo ao local.
  • Eu cuido dele. Luuh falou sem rodeios.
  • Ei, tente não chamar atenção, os dormitórios devem estar cheios. Luuh assentiu com a cabeça seguindo pelo corredor.
  • Boa sorte Luuh. Isaty falou a vendo desaparecer no corredor.
  • Que loucura, ela é só uma criança. Deia falou também olhando o corredor.
  • Ela é treinada desde cedo para isso Isaty. Oroko falou para eles.
  • Mesmo assim…
  • Não se preocupe, Luuh ficará bem.
  • Como pode ter certeza? Isaty quis saber.
  • Acredite em mim, eu sei. Oroko falou sorrindo depois acrescentou.
  • Mas onde está nosso anfitrião?
  • Antony? Isaty falou ficando vermelho. Oroko examinou o rosto de Isaty e um sorriso travesso surgiu em seus lábios.
  • Querida vou até o toalete. Aloim falou para a esposa.
  • Ok, não vá se perder!
  • Sim querida. Ele respondeu com um sorriso.

Corredor da Mansão

Luuh seguiu pelo corredor lembrando as instruções dadas por Isaty, o corredor estava estranhamente deserto em contraste ao salão de festa, Luuh indagou que esta parte da mansão era pouco visitada ou proibida para os convidados. Após alguns minutos ela se viu diante da parta da sala de troféus, Luuh girou a maçaneta e expiou dentro da sala, o lugar era imenso com uma grande lareira na parede lateral, animais de diversos tipos e tamanhos encontravam-se empalhados e decorando a sala, ursos, tigres, águias e muitos outros. Os olhos de Luuh varreram a cada centímetro da sala e se fixaram em uma área específica, uma expressão de horror surgiu no rosto da menina que se aproximou da decoração macabra desta parte da sala, a pele de um charr estava estendida no chão como um tapete, ao lado uma fileira de crânios de charrs ordenadamente enfileirados numa prateleira, havia também patas cortadas que serviam de cinzeiros, assim como um esqueleto completo de um charr montado em um suporte metálico, uma vasilhame estava cheio de dentes arrancados e outros com chifres, uma poltrona de luxo havia sido colocada de maneira que o ocupante pudesse admirar os troféus e apoiar os pés no tapete de pele charr. Luuh trincou os dentes de raiva, virando rosto do matadouro que via, ela foi na direção da cabeça empalhada de dolyak puxando o chifre. Luuh ouviu um clic seguido do som de engrenagens, a lareira deslizou para o lado revelando uma passagem secreta, um túnel se estendia por metros se perdendo na escuridão, Luuh sacou a adaga e avançou por ele, assim que saiu na sala, assim que saiu da sala de troféus alguém a seguiu pelo túnel a uma distancia suficiente para que ela não notasse.

A carruagem puxada pelos dois garanhões negros parou em frente aos portões da mansão Solar Cran, os sapatos de couro pretos pisaram no chão de pedra, ao descer da carruagem o som de risadas e música pode ser ouvido com mais clareza, um fluxo de pessoas mascaradas entrando e saindo pelos portões eram constante, belas mulheres em longos vestidos junto com cavaleiros trajando smoking conversavam animadamente no jardim bem cuidado, uma série de mesas e cadeiras foram estrategicamente enfileiras lado a lado do caminho até a porta da mansão, garçons serviam as mesas enquanto serviçais recolhiam o lixo produzido, mais ao fundo do jardim pequenos grupos de charrs riam e bebiam em cabeças metálicas, a mesa a frente deles grandes assados que eram devorados sem cerimônia, todos os charrs trajavam túnicas coloridas com o emblema de Black Citadel. Os olhos verdes de Sebastian ardiam de fúria ao ver tamanha profanação em sua moradia, na mão direita um cartaz anunciando o grande baile de mascaras em homenagem a paz. Alguém ia morrer por esta afronta, Sebastian jurava.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Segundo ATO “Tome minha parte de um coração inconstante, A minha de um amor miserável: Pegue ou largue, como quiser, Eu lavo minhas mãos daqui em diante.”

  • Christina Rosetti, “Maude Clare”

Judas desceu da carruagem ficando parado ao lado de Sebastian, uma dúzia de guardas pessoais da família Cran os acompanhavam, o rapaz tinha cabelos pretos rebeldes e olhos castanho escuros, o corpo embora magro era definido como alguém constantemente em atividades físicas, eles acabavam de chegar a Ebonhawke quando a notícia do baile de mascaras chegou aos ouvidos de Sebastian.

  • Quero que você vá até onde está o filho de Jonh Potate, verifique o garoto, eu tenho assuntos a tratar com meu filho legítimo…
  • Pai, quando poderei conhecer meu irmão? Judas perguntou.
  • Em breve meu filho, mas não espere grande coisa dele. Antony me serve apenas para um propósito maior, você por outro lado Judas… Sebastian parou olhando o filho adotivo e colocando a mão em seu rosto numa clara demonstração de afeto, algo que ninguém podia acreditar que Sebastian fosse capaz.
  • O que meu pai? Judas perguntou.
  • Nada, falamos sobre isso outra hora. Agora vá! Judas montou em um dos cavalos saindo cavalgando, Sebastian então olhou para sua grande mansão, muito maior do que a de Caudecus e avançou acompanhado de seus 12 guardas pessoais pelos portões de entrada.

Dentro da mansão o baile seguia calmamente, não havia sinal de Antony em parte alguma o que deixou Isaty preocupado, Deia que dançava com Isaty o olhou nos olhos com desconfiança e falou.

  • O que está te preocupando Isaty? Ela quis saber.
  • Nada… Isaty tentou desconversar.
  • fala logo! Ela mandou o encarando, os corpos estavam muito juntos devido a dança, Isaty sentia o perfume de Deia e uma comparação com a de Antony foi inevitável.
  • Antony… ele já devia estar aqui.
  • Não se preocupe com ele, talvez esteja espetando borboletas com agulhas ou queimando formigas com uma lupa. Deia falou maldosamente virando o rosto.
  • Você não gosta muito dele?
  • Não tive motivos para gostar, nem entendo essa sua preocupação com para com ele. Isaty não se esqueça de quem ele é filho. Isaty ficou sem resposta enquanto Deia voltou a encarar com as sobrancelhas levemente levantadas, algo começava a incomodá-la, neste momento a voz de Antony foi ouvida na festa.
  • Seja todos bem vindos a esta casa dos horrores, hoje iremos comemorar a paz entre as raças, da mesma maneira que a devassidão e a luxúria. Os convidados se viraram para olhar Antony, os músicos pararam de tocar aguardando instruções do dono do baile, Antony caminhava calmamente pelo salão com uma garrafa de vinho pela metade, o smoking estava amarrotado e molhado, no rosto dele uma mascara com três pares de olhos vermelhos adornava a face deixando apenas a boca visível, algo de muito mau gosto alguns diria. Oroko olhou a mascara e franziu a testa, algo nesta mascara de carnaval trazia desconforto a ela somente de olhar.
  • Você está bêbado? Yerko falou avançando na direção de Antony e tomando dele a garrafa de vinho.
  • É claro que estou, é uma festa não é? Nós bebemos, rimos, flertamos e dançamos… o que me faz lembrar de algo. Antony empurrou Yerko para o lado indo na direção de Isaty, balançou a mão na direção de Deia como se a dispensasse e falou.
  • Pronta para uma última dança?
  • Você ficou maluco? Isaty falou olhando para os lados, todos os convidados observavam sem entender o que acontecia.
  • Qual o problema Isaty? Você já dançou o suficiente com sua garota… Você me DEVE essa simples dança. Antony falou tirando a mascara revelando os olhos verdes frios da família Solar Cran, os cabelos estavam desgrenhados e olheiras terríveis estavam abaixo dos olhos.
  • Antony, por favor… Isaty Implorou.
  • Se você não dançar comigo agora mesmo farei um discurso e uma das pautas será o que falta entre suas pernas. Antony o ameaçou. O som de um tapa ecoou no salão, a face esquerda de Antony ficou vermelha enquanto Isaty olhava para Deia que puxou a mão de volta após bater em Antony.
  • Deixe Isaty em paz! Eu sabia que você era tão desprezível quanto seu pai. Deia falou olhando para ele com ódio mortal.
  • Este sou eu querida, a mesma cria podre do meu pai, o mesmo sangue ruim, o mesmo ímpeto maldoso. Antony abriu os braços como se fosse discursar e começou a falar aos convidados.
  • Eu tenho uma história para contar a todos vocês, meu pai sempre gostou de safáris, caçando tigres, ursos e afins. Ele me disse uma vez que a maneira de perceber se um inseto ou cobra são venenosos é se tiverem marcas belas e coloridas no corpo, quanto mais bela for a criatura, mais fatal será. Assim são os Solar Cran, nossos rostos bonitos e tudo mais, apenas esconde como somos cruéis e podres por dentro.
  • O que aconteceu com você Antony? Eu mal o reconheço. Isaty falou tentando conter as lágrimas. Yerko segurou no braço de Antony tentando puxá-lo para longe, Antony o lançou um olhar frio de pura repugnância e falou.
  • Seu herói chegou Isaty, acredito que não compartilhou com Deia sobre sua admiração para com Profeus.
  • O que você disse? Enlouqueceu de vez? Yerko falou não entendendo tais palavras.
  • Digo que Isaty gosta de ambas as frutas pecaminosas existentes. Antony falou sorrindo.
  • Antony, embora esteja adorando a festa, acho que é hora de finalizá-la. Oroko falou avançando na direção dele segurando a barra da saia para poder andar.
  • Recebendo reforços Isaty, desta amazona de armadura reluzente?
  • É um vestido, mesmo assim obrigada.
  • Porque devo acabar com tamanha festa? Antony falou ironicamente para Oroko.
  • Porque eu estou mandando! A voz de Sebastian ecoou pelo salão, vários convidados sussurraram entre eles e começaram a se dirigir para a porta de saída de forma discreta.
  • Ops, papai chegou. Acho que serei castigado. Antony falou gargalhando apoiando uma das mãos no rosto.
  • Quero que todos se retirem imediatamente de minha residência, eu preciso ter uma conversa em particular com meu filho. Sebastian ordenou fulminando todos com olhar, 12 guardas entraram no salão se posicionando atrás de seu líder.
  • Vamos meu pai, pegue uma bebida, não está orgulhoso de seu filho? Veja como preparei uma bela festa de chegada para o senhor! Antony brincou sentando em cima da mesa de petiscos e arrancando a gravata.
  • Você sabia que eu chegaria esta noite? Indagou Sebastian.
  • É claro que sabia, recebi a informação de alguns amigos seus que me fizeram uma visita hoje.
  • Amigos… Sebastian trincou os dentes imaginando que apenas Caudecus sabia o horário de seu retorno.
  • Você nos disse que seu pai chegaria amanhã? Disse Deia de maneira acusatória.
  • Eu menti! Aprendam meninas, nós Solar Cran mentimos o tempo todo.
  • Você está bêbado! Sebastian o acusou.
  • Nunca estive mais sóbrio e lúcido como agora pai. Ele falou folgando a gola da camisa, suor escoria de sua testa vermelho em bicas, ele também coçava o rosto como se tivesse com algum problema de pele embora o rosto continuasse belo como sempre.
  • É óbvio que não está! Eu só preciso saber se isso tudo foi obra somente sua ou se estes dois tiveram participação. Sebatian olhou diretamente para Yerko e Isaty, um olhar cortante de ódio que fez os dois tremerem, Oroko entrou na frente deles como se quisesse protegê-los e se apresentou.
  • É um prazer conhecê-lo Sr Sebastian…
  • Você é muito ousada general em vir a minha casa.
  • Você sabe quem eu sou? Oroko falou parecendo surpresa.
  • Muito mais do que você imagina… Zanza manda lembranças. Sebastian falou sorrindo perversamente. Oroko pareceu perturbada com as palavras de Sebastian chegando a recuar um passo para trás, em seguida recuperou a compostura e falou com a língua afiada.
  • Espero que Zanza não guarde magoas minhas e não esperava ser reconhecido por você, afinal faz muitos anos.
  • Não sei dizer, não existe maneira de esquecer este seu olho cego mesmo sob um elmo fechado, mas no meu caso tenho de agradecê-la, tudo que vêem acontecendo após aquele dia se deve a sua interferência.
  • Você está blefando.
  • Estou? Você sabe que não pode se intrometer em meus assuntos general fez um juramento bem diante dos corpos mortos de minha guilda. O olhar de Sebastian era de desafio, esperando para ver se Oroko iria contestar suas palavras.
  • Eu me lembro de meu juramento e também me lembro bem de sua total indiferença para com seus amigos de guilda.
  • Não eram meus amigos, apenas aliados ocasionais que serviram ao seu propósito, da mesma forma que você serviu.
  • Está ensinando que fui manipulada naquele dia? Sebastian riu, uma risada de escárnio. Sebastian provavelmente teria sido um home atraente como o filho quando jovem, mas a face cruel distorcia suas feições.
  • Cara general, todos nós fomos apenas peças de xadrez nisso que brincamos e chamamos vida.
  • Do que vocês estão falando afinal? Deia cortou a conversa nervosa, ela queria sair daquele lugar o mais rápido possível.
  • Saia agora de minha casa e leve suas amigas e esse animal imundo junto, a menos que eu deva mandar meus guardas retira-las a força. Pelucita se enervou mostrando as presas para Sebastian, Oroko e Celes a seguraram pelos ombros.
  • Enfim, agora você esta parecendo o meu querido pai que tanto amo! Antony brincou.
  • Cale-se! Você não imagina o que permitiu que entrasse em nosso lar.
  • Belas mulheres? Uma charr fofa? Comida e bebida de ótima qualidade?
  • Existe alguma coisa que não seja uma piada para você?
  • Não consigo me lembrar de nada no momento… espera, coelhos, não brinco sobre coelhos, eles são assustadores.
  • BASTA! Yerko! Isaty! Levem Antony para o quarto e dêem um banho frio nele.
  • Está me mandando para meu quarto de castigo? Acha que ainda tenho 5 anos?
  • Acho que você me decepcionou pela última vez! Sebastian acenou com a cabeça e os 12 guardas cercaram o grupo, Deia e Celes se encolheram com medo, Pelicita mostrou as presas para os guardas pronta para rasgar qualquer um que ousasse tocar em sua irmã Celes e Oroko fechou os punhos fazendo as juntas dos dedos estalarem encarando os guardas de forma ameaçadora, o olhar dela penetrou dentro deles fazendo com que recuassem um passo e desviassem o olhar da mulher.
  • SAIAM! Não mandarei novamente. Sebastian gritou, só restavam eles no salão, todos os outros convidados já tinham partido. Isaty e Yerko não sabiam o que fazer, Sebastian os encarou novamente e falou de forma que entendessem a situação que se encontravam.
  • Levem Antony agora ou juro que se arrependerão pelo resto de suas miseráveis vidas.
  • Vamos Antony. Yerko falou tocando o braço dele, não havia mais como adiar.
  • Tire as mãos de mim Yerko, Isaty pode me acompanhar muito bem sozinho até meu quarto sem sua ajuda. Vá com as senhoritas, elas podem precisar de sua escolta até a saída. Antony falou olhando dentro dos olhos de Yerko. As palavras de Antony saíram pela primeira vez nesta noite lúcidas e firmes, os guardas de Sebastian encaravam as mulheres de maneira estranha, principalmente a charr e Yerko percebeu isso apenas por causa do comentário de Antony. Súbito o salão do baile tremeu sob os pés de todos, explosões sacudiram a cidade inteira, os guardas olharam em volta assustados, depois esperaram instruções de Sebastian.
  • O que está acontecendo? Verifiquem agora! Um leve sorriso surgiu no rosto de Oroko, ela sabia bem o que eram essas explosões.

A passagem secreta era escura e úmida parecendo ter sido escavada diretamente por dentro da montanha iluminada por lampiões, alguns metros a frente Luuh identificou a silueta de uma porta, ao se aproximar mais constatou que estava certa. A porta era de ferro com uma haste que servia de puxador, a chave havia sido deixada na fechadura de maneira conveniente. Uma leve curvatura para baixo surgiu nos lábios de Luuh, ela indagou se Isaty teria deixado a chave deste modo propositalmente. Luuh girou a chave e puxou a porta que abriu com um rangido, o ar quente da noite agrediu seu rosto causando desconforto. Um pátio escuro se estendia a sua frente cercada por construções de pedra sólida, a menina esquadrinhou o perímetro com os olhos se movendo constantemente nas sombras, o único som ouvido era a música da festa que ecoava baixo pelo túnel que ela havia usado. Luuh avistou a jaula descrita por Isaty e após alguns minutos circulando o pátio, ela se esgueirou até a jaula de Tybalt examinando o cadeado que trancava a grade, Luuh levou alguns segundos para destrancá-lo, o som produzido apesar de mínimo pareceu aos ouvidos da menina como um tiro de canhão, Luuh entrou na jaula indo até a bola de pêlos cinza e marrom encolhida no canto da cela, ao examiná-lo Tybalt não se mexia, ela arregalou os olhos apavorada verificando a pulsação e os batimentos cardíacos. Nada! Nem um sinal sequer, não era possível que Tybalt estivesse morto depois de tudo que havia acontecido.

  • TYBALT! TYBALT! Luuh gritou sacudindo a charr tentando inutilmente fazê-lo despertar.
  • Desista menina, o Sr Antony matou o charr hoje de manhã diante de todos os separatistas, ele disse que não seria prudente mantê-lo vivo por mais tempo, o corpo seria jogado fora depois da festa. A voz veio de trás dela, pertencia ao guarda separatista encarregado de vigiar o charr.
  • MALDITO! Luuh gritou com os olhos ardendo de ódio, ela iria matar todos e arrancar as vísceras de Antony pela boca pelo que ele havia feito.
  • Saia da jaula devagar e me deixe dar um olhada em você melhor. Mandou o guarda. Luuh obedeceu sem discutir saindo de dentro da jaula com o corpo todo tenso, um sorriso surgiu no rosto do guarda que admirava a pequena menina de vestido branco e pele caramelada.
  • Minhas ordens são de matar qualquer invasor, mas você é uma gracinha, acho que vou me divertir antes. Luuh o encarou, um olhar assassino, ela sacou rapidamente a adaga escondida no vestido arremessando no guarda, a lamina fincou na mão dele fazendo com que ele derrubasse a espada, Luuh saltou na direção da arma numa cambalhota a pegando pelo cabo e se posicionou bem embaixo do guarda, ela girou a espada cortando os tendões dos pés dele fazendo-o desabar no chão, o guarda ergueu a cabeça encarando a menina com pavor e surpresa, logo em seguida a lamina perfurou seu olho se alojando no cérebro, o corpo sem vida desabou no chão, Luuh caiu em seguida aos prantos olhando para o corpo de Tybalt na jaula.
  • Antony eu vou estripá-lo! Luuh gritou de punhos fechados.

Diessa Plateau Judas chegou a casa que servia de cativeiro para o filho de Jonh Potate, ele desmontou do cavalo indo até uma velha construção de pedra sólida localizada em Platô Diessa, o rapaz caminhou em direção a casa sendo observado pelos lobos do deserto que vigiavam a casa, Judas os controlava como se ele fosse o próprio lobo alfa da matilha. A expressão soulbest foi uma vez dita para ele em uma das inúmeras reuniões que Judas presenciava acompanhando seu pai Sebastian, Para ele tal designação nada lhe dizia, Judas destrancou a porta entrando na casa sem mobília, passou pela sala até uma porta de madeira no fundo destrancando-a também, uma escada de madeira que levava ao porão surgiu em meio a poeira do ar, ele desceu chegando a um cômodo pequeno e quadrado, havia uma velha cama no parede lateral, uma cadeira, uma mesa e um balde que servia para os dejetos, em um dos cantos um menino encolhido chorava, o rosto arredondado dele tinha o formato de uma batata o que lhe rendera o apelido maldoso, estava com os braços cruzados em volta do joelho, no tornozelo esquerdo uma corrente presa a parede. Judas olhou para o garoto, depois para a mesa onde a comida mal foi tocada.

  • Coma! Judas ordenou ao menino.
  • Não quero! O garotinho falou em meio a um choramingo.
  • Me obedeça, não me obrigue a fazê-lo comer. Judas ameaçou avançando até o prato.
  • Eu estou com medo.
  • Do que você tem medo menino? Perguntou Judas.
  • Dos ratos. O menino disse olhando para uma dos cantos da parede. Judas olhou em volta e realmente vários roedores circulavam pelo chão, Judas se ajoelhou no chão emitindo um som estranho dos lábios, os ratos se aproximaram dele e um subiu em sua mão.
  • Não é dos ratos que você deve ter medo, são dos humanos. Eles são quem matam e destroem sem motivos.
  • Você fala como se não fosse um humano. O menino indagou olhando para o rapaz.
  • Eu sou um animal criado por lobos em Maguma, isso até ser capturado e treinado pelo meu pai.
  • Seu pai? O menino falou tentando entender.
  • Sebastian Solar Cran, ele é meu dono e eu seu animal de estimação.
  • Não entendo, ele é seu pai ou seu dono? Judas olhou para o menino da mesma forma que um cão curioso olharia para um ser humano inclinando a cabeça para o lado.
  • Não é a mesma coisa? Ele perguntou.
  • Não! Ser pai é se importar com seu filho, cuidar dele. Não ser seu dono.
  • Sebastian me alimenta, me veste, me castiga quando faço coisas que o irritam. Judas disse parecendo confuso com a conversa.
  • Mas ele o ama? Indagou o menino.
  • O que é amor?
  • É quando alguém se importa mais com você do que com ela própria. Judas pareceu pensar nas palavras por algum tempo, depois respondeu.
  • Não existe ninguém assim para Sebastian.
  • Sempre existe alguém. O menino falou enxugando as lágrimas.

O Sr Potate chegava em Ascalon trazido em uma carruagem cedida pela organização do evento do tratado de paz, o guia que acompanhava Jonh Potate não parava de falar, descrevendo a história dos locais que passavam, os acontecimentos importantes e figuras históricas famosas que morreram durante a guerra charr. Jonh Potato era um famoso cozinheiro de Queensdale, ganhador de inúmeros prêmios devido a sua comida saborosa, a alguns dias ele fora visitado por Sebastian que visitava Divinity’s Reach e foi chantageado a aceitar um convite para ser o cozinheiro chefe no acordo de paz, Potate deveria envenenar a comido dos embaixadores charr, acabando assim com as chances do acordo acontecer, caso se recusasse seu filho Batata seria executado. O guia continuava a falar, o Sr Potate não prestava atenção em nenhuma palavra que ele dizia, sua mente vagava nas palavras de Sebastian Solar Cran.

  • “Me faça esse favor que poderá retornar para Queensdale com seu filho ileso, se me desafiar novamente retornará com seu filho em pedaços”. O guia se virou para Potate e disse com um sorriso.
  • Então Sr Potate se quiser visitar algum lugar específico basta-me falar que terei o prazer de levá-lo.
  • Ah, sim claro. Disse Potate afastando as lembranças ruins. A carruagem chegou ao local escolhido onde se realizaria a reunião sobre o acordo de paz, uma gigantesca tenda estava sendo erguida no alto de uma colina, dezenas de tendas menores serviam de alojamento para a comitiva e guardas dos nobres e embaixadores que participariam do evento. Soldados charr de Black Citadel e guardas de Ebonhawke patrulhavam as imediações, embora o clima parecesse de festa podia-se notar tensão nos olhos de todos, as ameaças dos separatistas foram enviadas dizendo que se houvesse o tratado todos que participassem seriam mortos. O Sr Potate foi apresentado a uma charr albina chamada Valkirie encarregada da segurança na ausência de Rytlock, aparentemente o charr legendário foi obrigado a resolver um assunto importante após a chegada de um mensageiro de Black Citadel.
  • Centuriã Valkirie, quero lhe apresentar o Sr Potate, ele será o cozinheiro chefe do evento. Valkirie o perfurou com o olhar, charr por si só eram intimidadores, mas Valkirie exalava uma aura de intimidação capaz de fazer qualquer um tremer.
  • Espero não ter problemas com você, está entendido?
  • Sim. Potate falou nervoso.
  • O que é isso senhorita, não assuste o nosso cozinheiro renomado. Valkirie suspirou, eram poucos que a chamavam de senhorita, essas definições humanas soavam estranhas para os charrs que só se referiam por patentes.
  • Leve-o até a cozinha e apresente-o a equipe.
  • Com sua licença. O guia falou conduzido Potate a uma das tendas onde 20 cozinheiros preparavam as refeições que seriam servidas durante o evento, ao entrar os cozinheiros pararam suas atividades e encararam o Sr Potate, o guia de modo teatral o apresentou a todos.
  • Quero ter o prazer de lhes apresentar Jonh Potate considerado o maior cozinheiro de Kryta, ele será o mestre cuca. Sigam sua orientação.

Acampamento Separatista. Luuh se ergueu ainda chorando indo na direção da jaula de Tybalt, quando tocou a grade para entrar uma mão segurou seu pulso enquanto a outra tapava sua boca, ela foi puxada para trás e imobilizada no chão de costas, ela sentiu o hálito quente de alguém respirando em seu ouvido e escutou uma voz que fez seu sangue gelar por dentro.

  • Senti sua falta doce princesa. Luuh quis gritar ao reconhecer a voz do padre que havia tentado molestá-la, mas estava totalmente indefesa desta vez.

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

Epilogo

ATO FINAL Ela uivou: “Estou pegando fogo por dentro. Não há murmúrio de resposta O que irá eliminar meus pecados, E me salvar da morte”?

  • Alfred, Lord Tenntson, “The Palace of Art”
  • Você devia estar morto! Luuh gritou imobilizada no chão.
  • E estava minha pequena princesa, você me matou de forma magistral, digna dos melhores assassinos whispers.
  • Então como você pode está vivo? Luuh perguntou tentando se liberta, era essencial que ela o mantivesse falando, senão seria o fim de tudo.
  • É algum incrível devo lhe dizer princesa, mas falamos disso depois, você me deve prazer e o terei agora. O padre girou o braço dela para trás com uma das mãos e forçou a cabeça dela contra o chão de pedra, Luuh sentiu a força da torção soltando grito de dor.
  • Desculpe pelos meus modos, mas não cometerei o mesmo erro de antes, ficarei longe de seus doces lábios.
  • Desgraçado!
  • não se preocupe, serei o mais gentil que conseguir não posso me demorar neste lugar. O padre soltou o sinto da calça amarrando as mãos de Luuh atrás das costas em seguida começou a desabotoar a batina e arriar as calças levantando o vestido da menina, Luuh trincava os dentes de ódio, estava impotente, queria gritar, queria chorar, mas não daria esse gostinho a esse monstro. Súbito algo grande passou por cima dela, uma mão com garras se fechou em volta do pescoço do padre o puxando de cima de Luuh, o padre arregalou os olhos assustado encarando a criatura que o levantava pelo pescoço, a outra mão do ser segurou no topo da cabeça do padre a girou em 180°, um crac foi escutado, o corpo morto do padre caiu para trás com a cabeça virada para trás, Luuh se ergueu de olhos arregalados olhando para as costas de seu salvador, os olhos se encheram de água e ela falou entre lágrimas.
  • Tybalt!

continua em 15 dias…

“Não para nós, Senhor, não para nós, mas para Glória de Teu Nome.”

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